{"id":90215,"date":"2025-07-10T14:50:25","date_gmt":"2025-07-10T17:50:25","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=90215"},"modified":"2025-09-25T00:33:59","modified_gmt":"2025-09-25T03:33:59","slug":"entrevista-antes-falavam-de-tame-impala-pink-floyd-e-agora-nos-veem-como-parte-da-psicodelia-tupiniquim-diz-o-43duo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/10\/entrevista-antes-falavam-de-tame-impala-pink-floyd-e-agora-nos-veem-como-parte-da-psicodelia-tupiniquim-diz-o-43duo\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;Antes falavam de Tame Impala, Pink Floyd, e agora nos veem como parte da psicodelia tupiniquim&#8221;, diz o 43Duo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lvinhas78\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO som da banda \u00e9 legal no disco, mas ao vivo \u00e9 muito melhor\u201d. Essa frase, aplic\u00e1vel para muitas bandas, foi muito ouvida por Luana Batista e Hugo Ubaldo, os integrantes do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/06\/26\/longe-demais-das-capitais-festival-casarao-celebra-25-anos-em-porto-velho-com-grandes-shows-de-mombojo-maglore-e-o-tronxo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">43duo<\/a>. E de tanto ouvirem \u2013 e reconhecerem que havia uma grande diferen\u00e7a entre a experi\u00eancia do est\u00fadio e a dos palcos \u2013, decidiram agir de acordo, e transportar o peso e a intensidade das suas apresenta\u00e7\u00f5es para seu terceiro \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado, \u201cS\u00e3 Verdade\u201d (2025, <a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/saverdade\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ou\u00e7a aqui<\/a>), honrou n\u00e3o s\u00f3 a premissa, transpondo adequadamente para o disco a sonoridade dos shows, como tamb\u00e9m fez jus ao pr\u00f3prio talento da banda, que encontra caminhos interessantes para explorar uma esp\u00e9cie de psicodelia punk que, at\u00e9 ent\u00e3o, soava demasiadamente derivada da sonoridade consagrada por Kevin Parker. Ali\u00e1s, sejamos honestos: o que mais tem na tal \u201ccena psicod\u00e9lica\u201d atual \u00e9 banda bebendo na fonte do Tame Impala, a maioria de forma derivativa e pouco inspirada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com \u201c<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/saverdade\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">S\u00e3 Verdade<\/a>\u201d, o 43duo fica bem distante desse rol, e consegue adentrar na linhagem da chapaceira \u00e0 brasileira, que \u00e9 ampla o suficiente para embarcar do folk agreste de Z\u00e9 Ramalho aos excessos progressivos do Casa das M\u00e1quinas. Foi um ingresso parte intuitivo, parte consciente \u2013 afinal, entre as sete faixas h\u00e1 uma excelente vers\u00e3o para \u201cNavio de Sonhos\u201d, do Gralha Azul, agremia\u00e7\u00e3o setentista que se originou na mesma Paranava\u00ed que serve de base para o 43duo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja como for, o resultado \u00e9 um disco que caminha com pernas pr\u00f3prias, e se destaca pela qualidade compositiva, pelo ataque sonoro e pela busca de uma identidade pessoa que n\u00e3o sacrificasse o aspecto mel\u00f3dico das can\u00e7\u00f5es. Afinal, psicodelia n\u00e3o precisa ser sin\u00f4nimo de impenetrabilidade, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale dizer que a banda tem excursionando pra valer para divulgar esse disco. Enquanto bandas falam de \u201cturn\u00eas\u201d que t\u00eam, quando muito, quatro datas, o 43duo passar\u00e1 por (pelo menos) 27 cidades em quatro meses, nas regi\u00f5es Norte, Nordeste, Sudeste e Sul \u2013 s\u00f3 o Centro-Oeste ficou de fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Porto Velho, em Rond\u00f4nia, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/06\/26\/longe-demais-das-capitais-festival-casarao-celebra-25-anos-em-porto-velho-com-grandes-shows-de-mombojo-maglore-e-o-tronxo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aonde se apresentaria no Festival Casar\u00e3o<\/a>, a banda conversou com o Scream &amp; Yell para explicar como consegue fazer essa mobiliza\u00e7\u00e3o, como chegou \u00e0 sua \u201cs\u00e3 verdade\u201d \u2013 e como ela representa a consolida\u00e7\u00e3o de tudo que vinham buscando desde o in\u00edcio da banda \u2013 e sobre essa eterna diferen\u00e7a entre palco e est\u00fadio.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Ou\u00e7a as sete faixas do disco no play abaixo<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"S\u00e3 Verdade\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_lOeircch981jqNUIwfoIYrI2MIf1KoxfI\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos come\u00e7ar pelo conceito do \u00e1lbum, que levou voc\u00eas da \u201cp\u00f3s-verdade\u201d \u00e0 \u201cS\u00e3 Verdade\u201d. Que jornada foi essa?<\/strong><br \/>\nHugo Ubaldo: Quando a gente fez a primeira triagem das can\u00e7\u00f5es para iniciar a pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, a gente foi tentando pensar em algo que pudesse amarrar algumas delas em um bloco \u2013 um conceito te\u00f3rico, filos\u00f3fico, qualquer coisa assim. V\u00e1rias delas tinham um pouco desse brilho e dessa ideia de enxergar a realidade tal como ela est\u00e1. A gente tem a nossa parte psicod\u00e9lica, e a ideia \u00e9 justamente essa: entendemos que enxergar a realidade como ela \u00e9 tamb\u00e9m \u00e9 um estado alterado de consci\u00eancia. A partir da\u00ed, a gente cogitou por algum tempo usar a p\u00f3s-verdade como o tema do \u00e1lbum, como t\u00edtulo at\u00e9. S\u00f3 que a\u00ed a gente sentiu que era uma coisa j\u00e1 muito falada, da\u00ed a gente pensou numa contraposi\u00e7\u00e3o a esse processo da p\u00f3s-verdade, e numa viagem para um show, nos chegou essa ideia da \u201cs\u00e3 verdade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Interessante voc\u00ea falar isso da psicodelia para a partir do real. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/02\/01\/entrevista-andre-prando\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quando entrevistei Andr\u00e9 Prando<\/a>, do Esp\u00edrito Santo, ele falou da psicodelia do Z\u00e9 Ramalho, que para ele \u00e9 um cara que delira a partir do real. Por mais que o Z\u00e9 traga misticismo, quest\u00f5es c\u00f3smicas e tal, o del\u00edrio dele \u00e9 sempre a partir da realidade. O Prando dizia se inspirar nisso, e voc\u00eas sempre se colocaram como uma banda psicod\u00e9lica. Uma psicodelia n\u00e3o para escapar da realidade, e sim para encar\u00e1-la maior consci\u00eancia. \u00c9 isso?<\/strong><br \/>\nHugo: Totalmente, amigo. Desde o come\u00e7o dessa turn\u00ea, em que a gente est\u00e1 apresentando o disco e as pessoas est\u00e3o tendo a possibilidade de ver a capa, a foto, pegar um livreto que uma artista da nossa cidade (Kemmy Fukita) fez e tal, temos visto a galera fazer uma associa\u00e7\u00e3o com o trabalho de bandas brasileiras mais antigas, umas que a gente nem conhecia muito bem, como Casa das M\u00e1quinas, O Ter\u00e7o\u2026 E isso \u00e9 muito legal, porque antes falavam de Tame Impala, Pink Floyd, e agora nos veem como parte dessa linhagem da psicodelia tupiniquim, essa que o Andr\u00e9 Prando falou. E isso pode ter a ver com a produ\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m. Um amigo nosso falou: &#8220;Nossa, parece que \u00e9 a \u2018s\u00e3 verdade\u2019 de voc\u00eas, sem toda aquela produ\u00e7\u00e3o cheia, gorda, com muitas camadas, com instrumentos dobrados e tal\u201d. Ela tem o que precisa: \u00e9 uma guitarra, se tem loop \u00e9 o que a gente j\u00e1 usa, o que o pr\u00f3prio synth faz ao vivo\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luana Batista (empolgada): Nossa, eu n\u00e3o sei se a gente tinha falado sobre isso antes!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hugo (rindo): N\u00e3o, n\u00e3o tinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luana: E agora voc\u00ea levantando essa quest\u00e3o, fez muito sentido mesmo! Porque a gente acredita muito na simbologia das coisas, no inconsciente coletivo, nessas coisas que ningu\u00e9m explica direito, mas que a gente sente quando se abre. Por isso que a gente fez quest\u00e3o de gravar ele ao vivo, do jeito que a gente toca no palco. Como somos em dois, fica aquela limita\u00e7\u00e3o sonora, s\u00f3 que, ao mesmo tempo, as pessoas comentavam que o nosso show era mais impactante pelo preenchimento do som que a din\u00e2mica do palco exige, e que no \u00e1lbum n\u00e3o era transportada de forma adequada. Esse disco \u00e9 o 43duo nu e cru, e isso faz sentido tamb\u00e9m com o t\u00edtulo. Eu n\u00e3o tinha feito essa reflex\u00e3o ainda (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o vem a\u00ed uma pergunta em duas partes. A primeira \u00e9: por que voc\u00eas acham que os primeiros registros eram t\u00e3o diferentes do que voc\u00eas apresentavam ao vivo? E a segunda \u00e9: como voc\u00eas conseguiram da\u00ed trazer essa for\u00e7a do ao vivo para essa grava\u00e7\u00e3o atual?<\/strong><br \/>\nHugo: Acho que, nos primeiros discos, a gente tinha sido picado por aquele \u201cbichinho da produ\u00e7\u00e3o\u201d, que leva pra aquele mundo de: &#8220;poxa, essa guitarra aqui est\u00e1 nesse lugar X, mas se a gente fizer em linha e depois usar um processo eletr\u00f4nico para fazer a vers\u00e3o, vai gerar menos ru\u00eddo, vai ter menos sobra\u201d. Esse tipo de coisa, sabe? Eu entendo todo esse processo. Somos n\u00f3s mesmos que produzimos nossas demos e nossas pr\u00e9s, para chegar no est\u00fadio j\u00e1 com tudo pronto. Ent\u00e3o, no primeiro disco a gente caiu um pouco nesse processo de produ\u00e7\u00e3o que acaba retirando todos os elementos que geram o som ao vivo. A\u00ed voc\u00ea vai l\u00e1 e pega os discos do Neil Young \u2013 de quem sou um puta f\u00e3 \u2013 e cara, tem sujeira, \u00e9 ao viva\u00e7o, tem hora em que o tempo degringola\u2026 E quando voc\u00ea vai escutar no show, est\u00e1 igual! Isso \u00e9 muito foda! Mas entramos nessa coisa de achar que, por sermos do nicho da psicodelia, precisamos produzir pra caramba, sabe? No segundo, a gente tamb\u00e9m entrou nesse lugar, fomos colocando coisas, uma em cima da outra\u2026 N\u00e3o me lembro quem escreveu uma mat\u00e9ria falando que a gente, ao vivo, soava como punk rock combinado com todas as nossas refer\u00eancias (nota: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/10\/03\/paraiso-do-rock-celebra-rock-latino-e-atesta-que-congadar-e-maciel-salu-merecem-circular-por-outros-festivais-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">provavelmente Bruno Capelas aqui no Scream &amp; Yell<\/a>). E quando a gente leu, falamos: \u201ccaramba, \u00e9 isso mesmo!\u201d (risos). Ao vivo, a Lu impressiona pela pot\u00eancia, pela pegada, e a mat\u00e9ria falava disso, da press\u00e3o. S\u00f3 que, no est\u00fadio, a gente ia limpando e limpando e limpando\u2026 Nesse \u00faltimo, nossos par\u00e2metros foram principalmente o primeiro e o segundo do Tame Impala (\u201cInnerspeaker\u201d, 2010, e \u201cLonerism\u201d, de 2012). A gente estava bem convicto de que ia tocar as m\u00fasicas como elas estavam sendo feitas, com os timbres, captando no cubo, com ru\u00eddo mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luana: E foi uma necessidade mesmo, porque a gente se empolgava nas produ\u00e7\u00f5es dos \u00e1lbuns, querendo por mil coisas, mas nunca conseguia reproduzir no palco o que estava ali. E tudo bem, s\u00f3 que a gente queria muito que aquilo que estivesse no \u00e1lbum f\u00f4ssemos n\u00f3s de verdade. Eu sei que \u00e1lbum \u00e9 uma coisa e ao vivo \u00e9 outra, mas tenho pra mim que a ess\u00eancia do artista est\u00e1 no ao vivo. Por isso, quando chegou esse terceiro \u00e1lbum, sentimos a necessidade. Poxa, a gente recebe tanta elogio do nosso show e sempre a frase \u00e9 essa: &#8220;Nossa, eu ouvi, achei legal, mas ao vivo \u00e9 muito foda, muito muito mais legal\u201d. E como a gente tem esse esp\u00edrito mais roqueirinho, a gente entrou nessa bem decidido, usando s\u00f3 os instrumentos que a gente usa no palco, que s\u00e3o o sintetizador, a guitarra e bateria. Claro, isso tudo porque esse \u00e9 um momento em que estamos bem seguros do nosso som. Porque tem isso: o 43duo come\u00e7ou na pandemia em 2020, come\u00e7ou j\u00e1 gravando m\u00fasica\u2026 O Hugo era baterista, tinha acabado de ir para a guitarra e eu tamb\u00e9m ainda n\u00e3o tocava o sintetizador, ele s\u00f3 veio depois. Ent\u00e3o, tudo foi um processo at\u00e9 chegar nesse terceiro disco, que acho \u00e9 o nosso auge at\u00e9 agora, ou pelo menos a consolida\u00e7\u00e3o do nosso som, da seguran\u00e7a no palco, de como a gente quer transmitir as nossas ideias.<\/p>\n<figure id=\"attachment_90218\" aria-describedby=\"caption-attachment-90218\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-90218 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CAPA_43duo-Sa-Verdade-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CAPA_43duo-Sa-Verdade-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CAPA_43duo-Sa-Verdade-copiar-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CAPA_43duo-Sa-Verdade-copiar-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-90218\" class=\"wp-caption-text\">Capa do \u00e1lbum &#8220;S\u00e3 Verdade&#8221;, do 43duo<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea se dividir entre a bateria e o synth acaba constituindo um elemento c\u00eanico muito forte. Imagino que foi algo meio involunt\u00e1rio, que nasceu da necessidade, mas n\u00e3o tem como negar que chama muito a aten\u00e7\u00e3o no palco. Al\u00e9m disso, tem o fato de voc\u00eas serem um casal: duas pessoas, parceiros, dois g\u00eaneros distintos, com uma rela\u00e7\u00e3o afetiva que mexe no imagin\u00e1rio das pessoas. Por mais que tudo isso tenha nascido de forma circunstancial, eu queria saber se de alguma maneira voc\u00eas aproveitam essas circunst\u00e2ncias para trabalhar em cima, capitalizar&#8230;<\/strong><br \/>\nLuana: Na verdade, foi meio que\u2026 Como \u00e9 a express\u00e3o? \u201cMatar dois coelhos com\u2026 \u201c (hesita) Preciso de uma express\u00e3o menos violenta (risos). Teve isso de a gente ter um elemento sonoro a mais, e tamb\u00e9m um diferencial visual. Porque teve uma \u00e9poca que a gente ficava pensando muito sobre existirem tantos duos, sempre guitarra e batera com a guitarra splitada, dobrando o sinal, mandando sinal para o cubo\u2026 A gente come\u00e7ou a pensar como podia ser diferente, at\u00e9 porque voc\u00ea quer chamar aten\u00e7\u00e3o quando est\u00e1 come\u00e7ando. Por isso a gente fez quest\u00e3o de montar o palco de um jeito diferente: sempre que d\u00e1, a gente coloca a bateria \u00e0 frente, ou ent\u00e3o de lado, com um de frente um para o outro\u2026 Tudo justamente para trazer a aten\u00e7\u00e3o para o sintetizador e a bateria, que est\u00e3o sendo tocados ao mesmo tempo, e que \u00e9 algo que sempre choca as pessoas, porque elas acreditam que \u00e9 um neg\u00f3cio complexo. Nem \u00e9 t\u00e3o complexo assim, s\u00f3 que a gente comprou a ideia (risos). E no fim, gera uma sonoridade \u00fanica, porque o chimbal n\u00e3o \u00e9 tocado junto com a caixa, \u00e9 tocado um de cada vez, os pratos s\u00e3o tocados com uma m\u00e3o s\u00f3\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hugo: Essa parte c\u00eanica \u00e9 um neg\u00f3cio que impacta e sempre \u00e9 incr\u00edvel. A galera ter contato com uma mulher fazendo isso, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luana: Ent\u00e3o! \u00c9 sempre bom esfregar na cara dos macho (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hugo: E vira um neg\u00f3cio\u2026 Tem hora que eu olho do palco e estou vendo uns tr\u00eas ratinhos de pedal comigo ali, o resto est\u00e1 todo mundo assim, olhando pra Luana (arregala os olhos): \u201co que est\u00e1 acontecendo?\u201d No primeiro disco, teve m\u00fasicas que a gente escolheu gravar com as duas m\u00e3os, no segundo teve umas tamb\u00e9m, a gente se deixou levar. Mas nesse est\u00e1 tudo exatamente como \u00e9 ao vivo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"43duo - Guabiruba pt. II (Videoclipe)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vo2C_mi2ZcE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o n\u00e3o foi t\u00e3o circunstancial assim (risos). E qual \u00e9 a do nome da banda?<\/strong><br \/>\nHugo: As pessoas pensam que \u00e9 por causa do DDD, em Londrina at\u00e9 perguntaram se a gente era de l\u00e1 (risos). Mas Paranava\u00ed \u00e9 44.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luana: O nome \u00e9 um lance de simbologia mesmo, de n\u00fameros. O quatro como uma energia feminina, mas n\u00e3o necessariamente a figura da mulher, e o tr\u00eas \u00e9 uma figura masculina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hugo: Depois me dei conta que o Jack White usava o n\u00famero tr\u00eas em um monte de coisa, justamente por isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luana: Quando a banda come\u00e7ou, a gente estava nessa pira de psicologia, de Jung, simbologia das coisas, da\u00ed a gente pensou: &#8220;Nossa, os n\u00fameros n\u00e3o existem, n\u00e9? Tipo assim, \u00e9 uma conven\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o \u00e9 algo f\u00edsico\u201d. Era tudo essa coisa de dualidade, um homem e uma mulher, e a gente escolheu o n\u00famero 43 e adicionou o duo ali para ficar mais \u00f3bvio, e para facilitar a quest\u00e3o de pesquisa nas redes e tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas a quest\u00e3o geogr\u00e1fica \u00e9 importante tamb\u00e9m. E voc\u00eas s\u00e3o uma banda de Paranava\u00ed, interior do Paran\u00e1, um estado que por si s\u00f3 n\u00e3o aparece tanto no mapa do underground brasileiro h\u00e1 muito tempo, e voc\u00eas est\u00e3o agora fazendo turn\u00ea por uma regi\u00e3o (Norte) que tem uma baita movimenta\u00e7\u00e3o, mas que tamb\u00e9m n\u00e3o ganha proje\u00e7\u00e3o nacional. Ent\u00e3o, como voc\u00eas veem essa coisa de encontrar espa\u00e7os para a banda poder existir nos palcos?<\/strong><br \/>\nHugo: A gente participou de uma mesa aqui, e viu o pessoal de Rond\u00f4nia trocando ideia sobre a cena da m\u00fasica autoral por ali. Cara, Porto Velho \u00e9 uma mega capital, mas voc\u00ea escuta o pessoal falando e v\u00ea que tem bastante coisa atrasada, assim como tem no Sudeste, no Sul. E para eles, tem a quest\u00e3o da dist\u00e2ncia, que tamb\u00e9m pega para n\u00f3s. A gente nasceu na pandemia e n\u00e3o passamos por nenhum processo de tocar com a banda antes de ela gravar, todo o trabalho de divulga\u00e7\u00e3o tinha sido feito no Instagram. Por isso, a gente tinha seguidores do Cear\u00e1, do Rio Grande do Norte, de Pernambuco, lugares que sempre o pessoal falava assim: &#8220;Caramba, quando voc\u00eas v\u00e3o me tocar no Nordeste?&#8221; E agora vamos fazer uns 12, 13 shows no Nordeste, estamos no Norte agora\u2026 A gente foi entendendo como fazer isso, mas rola porque a Lu tem uma parte gerencial muito agu\u00e7ada, ela \u00e9 contadora tamb\u00e9m, cuida de projetos culturais. Por isso, o 43duo \u00e9 uma banda que tem uma sa\u00fade financeira muito boa. Fica uma composi\u00e7\u00e3o de banda muito boa: eu tenho esse lado de experimenta\u00e7\u00e3o, de iniciar as composi\u00e7\u00f5es com os riffs, com as letras, e a\u00ed a Lu entra depois com a bateria, com baixo, e com essa parte do gerenciamento. Eu acho que a gente conseguiu pegar esse ponto: fizemos turn\u00ea de carro pela Argentina, pelo Uruguai, em S\u00e3o Paulo. A dist\u00e2ncia que a gente percorre para ir tocar em S\u00e3o Paulo, fazer shows em S\u00e3o Paulo ou no Rio Grande do Sul, a gente consegue fazer quinta, sexta, s\u00e1bado, domingo, segunda-feira, a gente viaja o dia todo e est\u00e1 em casa, sabe? Ent\u00e3o acho que, geograficamente, Paranava\u00ed est\u00e1 numa posi\u00e7\u00e3o legal. A dist\u00e2ncia at\u00e9 S\u00e3o Paulo \u00e9 praticamente a mesma que at\u00e9 Montevid\u00e9u, saca? A gente est\u00e1 usando tudo que a gente tem ao nosso favor, inclusive trazendo os artistas de outros lugares para Paranava\u00ed tamb\u00e9m. A cidade n\u00e3o \u00e9 muito grande, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 muito pequena, e tem uma cena cultural bem legal, a Funda\u00e7\u00e3o Cultural e as pol\u00edticas p\u00fablicas como a lei Aldir Blanc, e tudo isso permite que a gente consiga criar projetos de festivais para trazer bandas para c\u00e1, igual a gente est\u00e1 aqui em Porto Velho. A gente est\u00e1 se pondo muito nesse local de ir para os lugares como artistas do interior do Paran\u00e1, mas tamb\u00e9m de colocar Paranava\u00ed no radar da agenda das pessoas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"43duo - S\u00e3 Verdade @ Festival Casar\u00e3o, Porto Velho - 19\/06\/2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vm6GlixidMg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"43duo - Entrega - ao vivo Surucu\u00e1 Rock\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qxW6g5Q3sw0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"43duo - Sal e Sina @ Festival Casar\u00e3o, Porto Velho - 19\/06\/2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fxC-6Jfu0Kg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) \u00e9 produtor e autor do livro \u201c<a href=\"https:\/\/editorabarbante.com.br\/produtos\/o-evangelho-segundo-odair-censura-igreja-e-o-filho-de-jose-e-maria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Evangelho Segundo Odair: Censura, Igreja e O Filho de Jos\u00e9 e Maria<\/a>\u201c.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O resultado \u00e9 um disco que caminha com pernas pr\u00f3prias e se destaca pela qualidade compositiva, pelo ataque sonoro e pela busca de uma identidade que n\u00e3o sacrifique o aspecto mel\u00f3dico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/10\/entrevista-antes-falavam-de-tame-impala-pink-floyd-e-agora-nos-veem-como-parte-da-psicodelia-tupiniquim-diz-o-43duo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":90217,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7760],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90215"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90215"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90215\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":90223,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90215\/revisions\/90223"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90217"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90215"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90215"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90215"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}