{"id":90200,"date":"2025-07-07T00:33:13","date_gmt":"2025-07-07T03:33:13","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=90200"},"modified":"2025-09-17T10:16:58","modified_gmt":"2025-09-17T13:16:58","slug":"entrevista-as-muitas-vozes-de-jadsa-em-big-buraco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/07\/entrevista-as-muitas-vozes-de-jadsa-em-big-buraco\/","title":{"rendered":"Entrevista: As muitas vozes de Jadsa em \u201cBig Buraco\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/amusicadofabio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fabio Machado<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que voc\u00ea faz diante do abismo? Parece esquisito considerar a pergunta (j\u00e1 que \u00e0 primeira vista, um abismo \u00e9 s\u00f3 um grande espa\u00e7o vazio sem muito o que fazer), mas com um pouco de imagina\u00e7\u00e3o e boa vontade, existem algumas possibilidades. Voc\u00ea pode passar um templo contemplando o vazio, se acostumando com a aus\u00eancia de luz. Ou pode brincar com a profundidade do abismo: conversar, gritar, cantar no intuito de testar os ecos da pr\u00f3pria voz nesse ambiente. E talvez da\u00ed, nessa reverbera\u00e7\u00e3o, tirar uma novidade. A met\u00e1fora do abismo n\u00e3o \u00e9 exatamente uma novidade na hist\u00f3ria humana, mas representa um ponto de virada criativa para Jadsa em \u201c<a href=\"https:\/\/orcd.co\/bigburaco\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Big Buraco<\/a>\u201d (2025, selo Risco).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de uma s\u00e9rie de apresenta\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o Centro da Terra (SP) em 2023 com o mesmo nome do \u00e1lbum, Jadsa come\u00e7ou a tra\u00e7ar os caminhos que culminaram nesse trabalho (a exemplo da participa\u00e7\u00e3o do guitarrista Fernando Catatau). Tamb\u00e9m entram em cena outros elementos, como as parcerias com os produtores Jo\u00e3o Meirelles &#8211; com quem gravou <a href=\"https:\/\/ronaldojacobina.com.br\/joao-milet-meirelles-e-jadsa-vencem-premio-btg-com-projeto-taxidermia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o premiado projeto \u201cTAXIDERMIA\u201d<\/a> em 2024 &#8211; e Ant\u00f4nio Neves &#8211; colabora\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou em um show na Audio Rebel (RJ) tamb\u00e9m em 2023 e seguiu para o est\u00fadio, onde trouxeram para o mundo temas e sonoridades nascidos com inspira\u00e7\u00e3o no jazz, mas que tamb\u00e9m agregam outras refer\u00eancias, como a m\u00fasica brasileira da d\u00e9cada de 1970, o trip-hop e o R&amp;B dos anos 1990\/2000 (Ant\u00f4nio Neves tamb\u00e9m a acompanhou <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/06\/02\/popload-festival-consagra-st-vincent-celebra-kim-gordon-e-ovaciona-laufie-em-edicao-esquizofrenica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no show do Popload Festival<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao Scream &amp; Yell, a compositora baiana teve a oportunidade de detalhar o processo criativo, as influ\u00eancias e significados em torno de \u201c<a href=\"https:\/\/orcd.co\/bigburaco\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Big Buraco<\/a>\u201d (que, no fim das contas, pode ser muitas coisas al\u00e9m de um mero buraco). \u201cEu acho que uma curiosidade do disco \u00e9 que as m\u00fasicas foram pensadas para serem autossuficientes. Ent\u00e3o, cada m\u00fasica \u00e9 um fragmento desse sentimento, sensa\u00e7\u00f5es e momentos do \u2018Big Buraco\u2019, mas cada m\u00fasica foi pensada para existir sozinha. Dentro desse buraco, dentro desse disco, tudo pode acontecer no momento que quiser.\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jadsa - big bang (video oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lAfEo1yZqqc?list=OLAK5uy_kSFoQdqg3hUqXDbnc7-CgV9DUlKqFm6DQ\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria j\u00e1 aproveitar e perguntar <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/06\/02\/popload-festival-consagra-st-vincent-celebra-kim-gordon-e-ovaciona-laufie-em-edicao-esquizofrenica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">do seu show recente no Popload<\/a>. Eu sei que voc\u00ea fez a primeira apresenta\u00e7\u00e3o deste \u00e1lbum no festival, que \u00e9 grande e em um lugar onde n\u00e3o \u00e9 necessariamente o seu p\u00fablico que vai estar l\u00e1, com outras pessoas conhecendo o seu trabalho. Como foi essa experi\u00eancia de levar as m\u00fasicas do disco para uma plateia diferente e tamb\u00e9m com essa sensa\u00e7\u00e3o de finalmente mostrar o disco ao vivo.<\/strong><br \/>\nFoi muito massa o show. Para mim foi quase que uma comemora\u00e7\u00e3o do lan\u00e7amento do \u201cBig Buraco\u201d. Na verdade, n\u00e3o foi quase: para mim foi uma comemora\u00e7\u00e3o desse lan\u00e7amento. Tamb\u00e9m pude experimentar uma forma\u00e7\u00e3o que eu nunca tinha feito. Sopro, percuss\u00e3o, voz e guitarra. E, de certa maneira, eu curti. Acho que desenhou muito bem as m\u00fasicas. Pelo menos os arranjos pr\u00f3ximos dele, assim. E a recep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico foi incr\u00edvel. A galera j\u00e1 estava cantando, assim. Quem n\u00e3o sabia tamb\u00e9m se jogava para cantar, sabe? Entendia que tinha alguns momentos que iam dar naquela palavra, naquela frase. Ent\u00e3o, eu vi uma galera querendo estar por dentro tamb\u00e9m. Mas muita gente j\u00e1 estava cantando. Fiquei muito feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, p\u00f4, essa oportunidade do Popload foi incr\u00edvel. Realmente \u00e9 um p\u00fablico bem diferente. Shows bem diferentes que a gente n\u00e3o costuma estar vendo aqui em S\u00e3o Paulo, aqui no Brasil. E, foi muito legal, assim. Para mim, que produziu o disco, para Ant\u00f4nio (Neves, m\u00fasico e co-produtor de \u201cBig Buraco\u201d) tamb\u00e9m que tamb\u00e9m produziu. Ent\u00e3o, a gente estava muito feliz por poder mostrar pela primeira vez, entre aspas, entre aspas, essas m\u00fasicas. E comemorar esse lan\u00e7amento do disco. Foi bem em cima, acho que foi dois dias depois do lan\u00e7amento do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Ant\u00f4nio, ele faz parte da banda ao vivo tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nDe vez em quando ele faz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em termos de arranjo, voc\u00eas precisaram repensar muita coisa ali? Eu sei que voc\u00ea toca tamb\u00e9m, canta ao mesmo tempo. Mas sempre tem coisas extras da grava\u00e7\u00e3o, como overdubs (faixas extras com outros instrumentos ou vozes inclu\u00eddos posteriormente para complementar os arranjos de uma m\u00fasica), enfim, detalhes no instrumental. O que muda na pr\u00e1tica?<\/strong><br \/>\nEu sinto que para cada forma\u00e7\u00e3o que eu estou naquele momento, tem alguma coisa mudada. Algum arranjo diferente, alguma coisa ali realmente adaptada para aquela forma\u00e7\u00e3o. Nesse caso do Popload, e nos casos que eu toco com o Ant\u00f4nio, a gente sabe o formato da m\u00fasica, mas tamb\u00e9m a gente troca muito no palco, tenta outras coisas em cima do palco. \u00c9 uma proposta que meio que calhou da gente fazer, que \u00e9 mais jazz mesmo. Se sentir no palco, entender a energia da m\u00fasica naquele momento. Ent\u00e3o, sempre que toco com o Ant\u00f4nio, eu tenho alguma coisa um pouco mais voltada para o jazz. Eu acho que \u00e9 uma caracter\u00edstica que eu me sinto segura para experimentar com ele em cima do palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa ideia de experimenta\u00e7\u00e3o, de ter mais liberdade, passou pela cabe\u00e7a de voc\u00eas durante a grava\u00e7\u00e3o do \u201cBig Buraco\u201d? Pergunto mais para tentar entender se teve alguma mudan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos trabalhos anteriores que voc\u00ea tenha feito, ao disco anterior (\u201cOlho de Vidro\u201d, de 2021) e tudo mais. Voc\u00ea chegou com o Ant\u00f4nio, com a pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o toda ali e seguiu \u00e0 risca ou tem algum elemento desses improvisos tamb\u00e9m durante o momento de grava\u00e7\u00e3o no est\u00fadio?<\/strong><br \/>\nO jazz, as experimenta\u00e7\u00f5es, enfim, eu j\u00e1 vinha meio que nessa busca em cima do palco e nos shows, nessa curiosidade, junto com a banda do \u201cOlho de Vidro\u201d, junto com Bianca Predieri (baterista) e junto com o Pedro (Emmery, baixo). Enfim, a gente se conhece muito em cima do palco e fora dele, somos amigos, come\u00e7amos a tocar as m\u00fasicas do \u201cOlho de Vidro\u201d e eu comecei a me sentir t\u00e3o segura com elas que fui propondo em cima do palco novos momentos, enfim, esses momentos emocionantes que eu acho que a gente n\u00e3o sabe o que vai acontecer. E a\u00ed convidei o Ant\u00f4nio para um show que eu tive em 2023, l\u00e1 na Audio Rebel, no Rio de Janeiro, e foi doido porque a gente n\u00e3o fez nenhum ensaio, mas ele topou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chamei ele para fazer tr\u00eas m\u00fasicas e ele queria fazer o show inteiro, a\u00ed eu falei: ent\u00e3o vamos! E parecia que ele tinha, sei l\u00e1, feito as m\u00fasicas, sabe? De certa maneira, parecia alguma coisa que j\u00e1 estava escrita dentro dele, e foi tudo no improviso, tentativa e erro ali em cima. Na verdade, mais acerto do que erro. Depois desse show, fiquei muito emocionada com essa troca em cima do palco, com todo mundo, e convidei ele novamente para fazer o Coala (Festival) comigo. E a\u00ed j\u00e1 teve ensaio, botamos algumas coisas \u00e0 prova, assim, desse primeiro show, e constru\u00edmos mais algumas coisas para o Coala. Ainda n\u00e3o existia o \u201cBig Buraco\u201d. Mas o que ficou para mim foi muito essa coisa de que ali, naquele momento, podem surgir coisas incr\u00edveis, importantes e interessantes. E podem surgir outras coisas que a gente nem vai querer escutar de novo, meio que j\u00e1 deu, n\u00e3o quero mais isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quando eu fiz o convite para o Ant\u00f4nio do \u201cBig Buraco\u201d, eu queria que fosse um disco r\u00e1pido, que ele fosse emocionante, mas que ele fosse executado. Ent\u00e3o, tipo assim, ao inv\u00e9s da gente ficar pensando e a\u00ed gravar, vamos j\u00e1 gravando e pensando, pensando e gravando. Ent\u00e3o, sim, tem muito desse jazz dentro das m\u00fasicas do \u00e1lbum. A gente n\u00e3o tinha a pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o do \u201cBig Buraco\u201d, e o que aconteceu foi: vamos fazer o disco? Vamos. Fizemos uma pr\u00e9-sele\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas que iriam entrar, tipo: tem essa e essa que combina com essa fruta, que combina com essa tem\u00e1tica aqui. Quando chegou no primeiro dia de est\u00fadio, a gente gravou as guias [nota do redator: guia \u00e9 uma grava\u00e7\u00e3o simplificada de uma m\u00fasica que serve como estrutura inicial para outros m\u00fasicos e produtores], e as m\u00fasicas que Ant\u00f4nio tinha para tocar a bateria, ele j\u00e1 gravou a guia junto comigo. Ent\u00e3o, a gente foi testando e gravando e ficou. Foi uma proposta de carregar um pouco dessa nossa viv\u00eancia para um novo projeto, para esse projeto do disco, que tinha essa provoca\u00e7\u00e3o de se jogar num lugar desconhecido, de se colocar nesse ambiente novo e profundo. Foi mais ou menos assim que foi pensado, e tem essa energia mesmo do jazz.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jadsa - big luv @ Popload Festival, S\u00e3o Paulo - 31\/05\/2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6kW9PMIlNeU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pelo que entendi, voc\u00ea s\u00f3 foi conhecer Ant\u00f4nio mesmo nesse show espec\u00edfico da \u00c1udio Rebel, e s\u00f3 a\u00ed desenvolveu a parceria, certo? Ent\u00e3o, imagino que a rela\u00e7\u00e3o durante o disco tenha sido positiva para os dois lados, j\u00e1 que nenhum dos dois tinham trabalhado juntos em est\u00fadio antes, e as coisas acabaram ficando bem, foi isso?<\/strong><br \/>\nFoi bem isso, foi bem isso. Eu acho que essas viv\u00eancias do palco fizeram com que a gente se aproximasse legal, e conhecesse pelo menos 50% de cada um, assim, um do outro. E eu acho que essa onda de fazer um disco juntos, de produzir juntos, foi realmente uma tentativa de conhecer os outros 50%, de alguma maneira, e somar. E foi muito massa. A gente estava muito nervoso, de certa maneira; eu curto muito o som que o Ant\u00f4nio faz, sou f\u00e3 dele enquanto m\u00fasico, e pessoa. E ele tamb\u00e9m me admira, e admira minhas m\u00fasicas. Ent\u00e3o, estava meio que um nervoso com o outro, porque era um momento de se conhecer mesmo. E eu estava dormindo na casa dele nesse per\u00edodo da grava\u00e7\u00e3o, n\u00e3o era somente no est\u00fadio, era em casa tamb\u00e9m, que a gente ficava trocando ideia, enfim, se conhecendo mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Me parece que o processo foi bem r\u00e1pido mesmo, como voc\u00ea falou. Foram sete dias de grava\u00e7\u00e3o direto no est\u00fadio?<\/strong><br \/>\nIsso, foram cinco dias, na verdade; no primeiro m\u00eas que a gente foi, em fevereiro, em fim de janeiro de 2024, e a\u00ed eu passei um tempo sem gravar, escutando s\u00f3 as bounces [nota do redator: vers\u00f5es iniciais das grava\u00e7\u00f5es, ainda sem mixagem ou masteriza\u00e7\u00e3o], s\u00f3 as guias das m\u00fasicas ali, me acostumando com aquilo, e tentando entender o que \u00e9 que eu cantaria por cima. Depois, eu voltei para o Rio de Janeiro e fiquei mais dois dias, a\u00ed foi tudo de voz, eu e Iuna Falc\u00e3o gravando vozes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E nas suas partes de guitarra voc\u00ea tamb\u00e9m j\u00e1 tinha pensado e gravado a maioria das ideias?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1. A guitarra foi no \u00faltimo dia dos cinco dias, nesse quinto dia eu gravei guitarras e viol\u00f5es tamb\u00e9m, algumas coisas assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E falando em guitarra, notei que o \u00e1lbum tamb\u00e9m teve a participa\u00e7\u00e3o do Fernando Catatau. Queria saber um pouco mais como rolou essa participa\u00e7\u00e3o e se o trabalho do Catatau \u00e9 uma refer\u00eancia para voc\u00ea, seja com o Cidad\u00e3o Instigado ou solo.<\/strong><br \/>\nEm abril de 2023 eu fiquei em cartaz com \u201cBig Buraco\u201d, num teatro chamado Centro da Terra, aqui em S\u00e3o Paulo. Isso foi <a href=\"https:\/\/trabalhosujo.com.br\/tapando-o-big-buraco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma proposta do Alexandre Matias<\/a> (curador das segundas-feiras no Centro da Terra), e meio que me instigou, na verdade, a fazer alguma coisa nova a cada segunda-feira, durante um m\u00eas. Quatro segundas-feiras diferentes. E a\u00ed, na \u00faltima segunda-feira eu convidei Alessandra Le\u00e3o, Ju\u00e7ara Mar\u00e7al e Fernando Catatau, porque eu queria fechar, meio que fechar ou abrir esse buraco, n\u00e9, de uma maneira grande para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sei se foi para a galera, mas para mim foi algo, sei l\u00e1, uma catarse mesmo, um estouro, um buraco, uma coisa gigantesca. E desse dia eu fiquei muito inspirada, fiquei muito feliz de ter conseguido juntar essas tr\u00eas cabe\u00e7as, assim, sabe, num palco s\u00f3. E acho que consegui me aprofundar no que eu queria de inten\u00e7\u00e3o para as guitarras desse disco. E o que \u00e9 que me movia ali naquele som de guitarra. E eu pensei em gravar o \u201cBig Buraco\u201d, eu tocando a minha guitarra, mais como base, uma coisa um pouco mais acompanhando a voz. Na verdade, que a voz possa acompanhar. Tipo, est\u00e1 ali a base e a voz vai l\u00e1 e acompanha. J\u00e1 sabendo que eu ia chamar Fernando Catatau para fazer algumas m\u00fasicas, eu j\u00e1 tinha comentado com ele, porque ele n\u00e3o tinha como n\u00e3o participar desse disco. A\u00ed mandei para ele e foi muito legal, porque \u00e9 meio que o timbre que ele usa na vida dele, uma coisa meio brega, meio rock, meio, sei l\u00e1, meio noise, era exatamente isso que eu queria e foi exatamente isso que ele trouxe. Ele n\u00e3o tentou trazer um outro lado de Catatau, ele n\u00e3o for\u00e7ou nada de barra. Simplesmente existiu dentro das m\u00fasicas o que basicamente eu queria, que tivesse um peda\u00e7o desse mestre ali dentro. E as m\u00fasicas de Catatau, o Cidad\u00e3o Instigado, as composi\u00e7\u00f5es dele, o jeito que ele toca, tudo isso me inspira muito, demais. Para mim, ele \u00e9 o Cidad\u00e3o Instigado no caso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, Catatau, sim, foi um cara que me inspirou, que esteve desde o iniciozinho ali do \u201cBig Buraco\u201d, junto, trocando ideia. E sou muito f\u00e3 de Catatau. O massa \u00e9 que eu tamb\u00e9m estava no pensamento querendo chamar um outro guitarrista, que \u00e9 Chibatinha. Ele \u00e9 guitarrista do \u00c0TT\u00d8\u00d8XX\u00c1. E eu estava muito querendo trazer. Chibatinha tem um lance muito, sei l\u00e1, ele toca pagod\u00e3o eletr\u00f4nico. E ele est\u00e1 muito por dentro dos R&amp;B tamb\u00e9m, est\u00e1 muito por dentro da m\u00fasica baiana. Ent\u00e3o \u00e9 um cara que flutua, assim, por esses meios. Eu queria muito trazer essa caracter\u00edstica tamb\u00e9m, mais minha, n\u00e9. Ent\u00e3o acho que teve um complemento muito legal de guitarras, assim, no \u201cBig Buraco\u201d, porque a galera meio que se jogou de corpo mesmo, n\u00e9, se jogou sem for\u00e7a\u00e7\u00e3o nenhuma, se jogou com os bra\u00e7os abertos, assim.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jadsa @ Centro da Terra (24.4.2023)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4hIZVROp8VU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando ainda de instrumentos, a faixa \u201cUm Choro\u201d, tem um clima bem \u00fanico no arranjo, por ter mais protagonismo no viol\u00e3o e a percuss\u00e3o mais marcada. Por que essa diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras can\u00e7\u00f5es do disco? \u00c9 como se essa faixa tivesse um arranjo mais terreno, voltado para a terra, e as demais fossem mais urbanas, analisando \u00e0 primeira vista.<\/strong><br \/>\nEu queria representar um pouco, realmente, essa alma da \u00e1gua, de Oxum, de Iemanj\u00e1, e a gente sentia que ter um baixo, bateria, guitarra, e teclas deixavam a m\u00fasica muito pesada. E basicamente ela \u00e9 muito leve, na verdade. O peso dela est\u00e1, na verdade, na homenagem, nessa dedicat\u00f3ria que eu fa\u00e7o a essas m\u00e3es d&#8217;\u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 um marco, \u00e9 um rombo ali tamb\u00e9m; \u00e9 um grand\u00edssimo buraco dentro do \u201cBig Buraco\u201d, porque eu venho o tempo inteiro meio sendo concreta (no decorrer do \u00e1lbum), estou sendo concreta, concreta, concreta, falo da m\u00e3e, falo de fruta, de gostos, de cores. Fa\u00e7o recortes do c\u00e9u, do Sol, ent\u00e3o \u00e9 muito concreto. E a\u00ed vem um choro que traz um ar meio l\u00fadico, assim, pra dentro do disco, e eu queria que realmente houvesse essa quebra pra que quem estivesse escutando entendesse que existe essa mudan\u00e7a de clima e de dimens\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cUm choro\u201d, ela vem um pouco mais terrena, ela vem com instrumentos mais org\u00e2nicos, tem uma coisa um pouco dessas, timbres mais org\u00e2nicos, enfim, eu queria, na verdade, era realmente dedicar e homenagear as m\u00e3es d&#8217;\u00e1gua de uma maneira que fosse um pouco mais leve, mas um pouco mais firme, sabe? Coisa de ancestralidade mesmo, que eu entendo que voc\u00ea me entende, mas \u00e0s vezes \u00e9 muito dif\u00edcil de explicar isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, \u00e9 muito massa saber dessa refer\u00eancia. E pensando tamb\u00e9m nas outras m\u00fasicas do disco, me pegou muito a forma como voc\u00ea usa alguns efeitos e elementos de som, por exemplo: em \u201cSol na Pele\u201d, l\u00e1 no come\u00e7o tem um reverb ali, um eco, que tamb\u00e9m aparece no final da m\u00fasica, outro reverb em \u201cMel na Boca\u201d, \u201cYour Sunshine\u201d, em outros momentos do trabalho eu vejo esse reverb. E sendo m\u00fasico tamb\u00e9m, al\u00e9m de jornalista, me bate um pouquinho essa curiosidade. Tem alguma coisa desses reverbs em especial que voc\u00ea achou interessante no contexto do disco?<\/strong><br \/>\nEsses reverbs no come\u00e7o, no meio, algumas vozes fragmentadas no in\u00edcio de \u201cMel na Boca\u201d, a voz est\u00e1 bem fragmentada ali no in\u00edcio, est\u00e1 picotada. Eu queria que o disco em si tivesse uma sensa\u00e7\u00e3o de queda, como se voc\u00ea fosse se aprofundando tamb\u00e9m, escutando e caindo dentro daquela amarra\u00e7\u00e3o, daquele feiti\u00e7o, daquele espa\u00e7o. Ent\u00e3o, esses reverbs est\u00e3o at\u00e9 um pouco menos no \u201cBig Buraco\u201d, mais no \u201cOlho de Vidro\u201d, mas ele chega a\u00ed para trazer a gente de novo para essa queda, para essa profundidade, para esse espa\u00e7o. Ent\u00e3o, \u201cSol na pele\u201d mesmo, como \u00e9 uma faixa muito solar, muito felizona, eu fiquei pensando em come\u00e7ar uma coisa um pouco mais tensa para a galera entender que ainda continuamos no buraco, a gente ainda continua caindo. Na verdade, s\u00f3 come\u00e7amos esse conhecimento do que \u00e9 esse espa\u00e7o. Principalmente no in\u00edcio do disco, tem esses reverbs. Do meio, de \u201c1000 Sensations\u201d para o fim, as m\u00fasicas j\u00e1 come\u00e7am meio que na cara, basicamente. N\u00e3o tem muito floreio, n\u00e3o tem muito reverb, porque a gente vai come\u00e7ando a chegar no final, no final ou no come\u00e7o desse buraco. Ent\u00e3o, sim, os reverbs foram pensados para a gente continuar nessa ideia do buraco, nesse espa\u00e7o grande, enfim, que se dilata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra coisa que me chamou a aten\u00e7\u00e3o foi o uso de samples e do scratch, em \u201cBig Luv\u201d por exemplo. Dois elementos emblem\u00e1ticos do hip hop. A\u00ed, na verdade, eu desdobro em duas perguntas: teve algum artista que foi uma refer\u00eancia para voc\u00ea usar essa sonoridade de scratch e como foi casar isso com o outro aspecto que eu vejo no disco, que \u00e9 essa coisa mais anal\u00f3gica, ou como voc\u00ea mesmo j\u00e1 disse em outros textos, mais anos 70, uma coisa mais org\u00e2nica.<\/strong><br \/>\nSim, com rela\u00e7\u00e3o ao scratch, \u00e9 uma parada que, n\u00e3o sei, acho que nos anos 2000 eu cresci escutando isso. Mas eu n\u00e3o sabia que era scratch, eu achava que, sei l\u00e1, era um beat, era alguma coisa de boca, assim, meio, n\u00e3o sei, n\u00e3o conhecia muito. E tem um disco, \u201cFlying Away\u201d (1997), de uma banda que eu escuto muito, Smoke City, a cantora \u00e9 Nina Miranda, e eu sinto que esse disco, a sensa\u00e7\u00e3o dele, quando eu escuto, parece que ele ainda n\u00e3o foi lan\u00e7ado de t\u00e3o tecnol\u00f3gico e t\u00e3o org\u00e2nico e t\u00e3o bem gravado e t\u00e3o hi-fi, sabe? E esse disco me inspirou muito a mixar, a fazer um mix de refer\u00eancias. Esse disco realmente \u00e9 uma grand\u00edssima refer\u00eancia para mim, assim, para isso, eu tomei muita coragem de misturar ritmos e instrumentos e t\u00e9cnicas nas m\u00fasicas a partir dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E de scratch mesmo, tem Portishead dos anos 90 que \u00e9 incr\u00edvel, \u00e9 bem pesado, \u00e9 bem profundo. Tem, em algumas vozes tamb\u00e9m, eu meio que tento chegar pr\u00f3ximo dessa cantora do Portishead (Beth Gibbons), tem um neg\u00f3cio bem soprado, bem sentido. E eu acho que a quest\u00e3o do scratch veio muito desse lugar, sabe? De Portishead. E instrumentos org\u00e2nicos, em 2023 eu estava escutando muito um disco da Elis Regina, de 1973. Que se chama \u201cElis\u201d, e a capa dela \u00e9 branca, e no meio tem uma fotografia dela meio de cabe\u00e7a abaixada, uma coisa meio assim, \u00e9 meio a silhueta dela. Esse \u00e1lbum tem viol\u00e3o, bateria, teclas, e ela cantando demais, interpretando v\u00e1rias m\u00fasicas de Gilberto Gil, e tem samba, e tem uma coisa mais melanc\u00f3lica. E esse disco meio que me inspirou a trazer um pouco desse som org\u00e2nico do Brasil. Voc\u00ea d\u00e1 pra ver que os m\u00fasicos est\u00e3o trocando com a m\u00fasica. \u00c9 uma conversa ali. Cada m\u00fasico est\u00e1 conversando com a m\u00fasica. E a\u00ed, no fim de tudo, todo mundo se conversa, mas se voc\u00ea p\u00e1ra e escuta s\u00f3 a tecla, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica, voc\u00ea v\u00ea que o cara est\u00e1 flutuando ali, na onda dele.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Smoke City - Flying Away (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Hesv3K4Dz9M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Glory Box (Live)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JBfAtRvW1Ao?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ladeira Da Pregui\u00e7a\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Yf_U1Qkx1sk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E naquela \u00e9poca, literalmente, era feito ali na hora. Tinha muito dessa intera\u00e7\u00e3o mesmo do ao vivo, s\u00f3 que registrado na fita.<\/strong><br \/>\nAlgo a\u00ed, entende? Ent\u00e3o, meio que essa energia a gente queria passar, e foi o que me pegou nessas refer\u00eancias, que \u00e9 o \u201cFlying Away\u201d, que mistura o eletr\u00f4nico com o org\u00e2nico muito bem, \u00e9 super hi-fi. Portishead, por causa desses scratches, e o peso da bateria tamb\u00e9m, \u00e0s vezes vem muito, sabe? Isso, n\u00e3o sei, me inspirou. Elis Regina, tudo o que a Elis Regina faz, mas esse disco (\u201cElis\u201d, 1973) em espec\u00edfico \u00e9 importante e interessante. E alguns timbres de Amy Winehouse. Eu pirei muito no timbre de voz, o timbre de bateria, principalmente, segundo as vozes. Ent\u00e3o, a Amy Winehouse me inspirou tamb\u00e9m bastante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E ao vivo, voc\u00eas est\u00e3o colocando o DJ tamb\u00e9m para fazer os scratches? Como \u00e9 que est\u00e1 funcionando?<\/strong><br \/>\nInicialmente, n\u00e3o. Alguns elementos v\u00e3o vir em VS, n\u00e9? Porque sen\u00e3o a banda vai ficar gigantesca. Mas eu quero fazer alguns shows com (as DJs) Sinara e Miya B, que foram as manas que gravaram no \u201cBig Buraco\u201d. Miya B gravou em \u201cTremedeira\u201d e \u201cBig Luv\u201d, e Sinara gravou em \u201cSol na Pele\u201d. E s\u00e3o as manas que representam muito bem os scratches aqui no Brasil. S\u00e3o DJs muito fodas mesmo. E eu estou querendo levar, com certeza, para o show. Mas \u00e9 legal, porque eu consigo fazer um show de um jeito, outro show de outro. Eu n\u00e3o vou deixar isso para tr\u00e1s, assim, sabe? Eu quero poder instigar tamb\u00e9m, me instigar, n\u00e9? Fazer coisas diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando tamb\u00e9m sobre a quest\u00e3o das letras, d\u00e1 para ver que voc\u00ea passa do portugu\u00eas para o ingl\u00eas em v\u00e1rios momentos, seja nos t\u00edtulos ou \u00e0s vezes na letra de uma mesma m\u00fasica. J\u00e1 notei tamb\u00e9m que voc\u00ea tem influ\u00eancias tanto de fora como daqui do Brasil, mas voc\u00ea pensou nesses idiomas especificamente pela sonoridade, para colocar ali de caso pensado, ou foi uma coisa que aconteceu naturalmente durante o processo de composi\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nOlha, eu acho que minha cabe\u00e7a conversa muito comigo, tem v\u00e1rias vozes, sabe? Ent\u00e3o as m\u00fasicas \u00e0s vezes j\u00e1 surgem para mim assim, bil\u00edngue, elas v\u00eam se comunicando em portugu\u00eas, ingl\u00eas, e \u00e9 muito doido porque eu estava at\u00e9 comentando com minha produtora essa semana que eu canto em ingl\u00eas, mas falar ingl\u00eas \u00e9 muito dif\u00edcil para mim. Entendo ingl\u00eas, mas falar \u00e9 dif\u00edcil, e eu sei de muita gente que canta em portugu\u00eas, mas que n\u00e3o fala, sabe? E \u00e9 muito doido porque as m\u00fasicas j\u00e1 chegam dessa maneira para mim, ent\u00e3o eu n\u00e3o fico pensando, tipo: vou cantar em ingl\u00eas para que quem n\u00e3o fala em portugu\u00eas entenda, para que seja uma coisa que se espalhe melhor. Nunca penso muito nisso, mas acredito que tem algumas coisas e alguns ritmos que o ingl\u00eas fica mais interessante, e alguns outros ritmos que o ingl\u00eas n\u00e3o tem vez, s\u00f3 portugu\u00eas. Ent\u00e3o d\u00e1 para fazer algumas brincadeiras e tal, mas eu tenho que ser um pouco fiel ao que aquela melodia, ao que aquele ritmo est\u00e1 pedindo tamb\u00e9m.<\/p>\n<figure id=\"attachment_90203\" aria-describedby=\"caption-attachment-90203\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-90203 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Capa-big-buraco_Jadsa-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Capa-big-buraco_Jadsa-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Capa-big-buraco_Jadsa-copiar-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Capa-big-buraco_Jadsa-copiar-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-90203\" class=\"wp-caption-text\"><em>Capa de &#8220;Big Buraco&#8221;, disco de Jadsa<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu pergunto at\u00e9 para essa quest\u00e3o que voc\u00ea falou, que \u00e0s vezes \u00e9 uma quest\u00e3o de mercado mesmo. \u00c0s vezes o artista decide fazer para aquele nicho, fazer um neg\u00f3cio mais internacional, ou ent\u00e3o cantar em portugu\u00eas para atingir o pessoal daqui, mas na sequ\u00eancia do disco \u00e9 interessante porque ele come\u00e7a com os nomes em portugu\u00eas: depois de \u201cBig Bang,\u201d vem \u201cTremedeira\u201d, \u201cSol na Pele\u201d, \u201cMel na Boca\u201d, e da\u00ed vai para \u201cBig Luv\u201d, \u201cNo Pain\u201d, \u201c1000 Sensations,\u201d ent\u00e3o \u00e9 quase como se fosse um conceito olhando ali dentro da sequ\u00eancia do \u201cBig Buraco\u201d, e \u00e9 legal ver que, de certa forma, isso sai naturalmente do seu processo.<\/strong><br \/>\nTem um lance dos Bigs, eu fui tentando abrasileirar os Bigs, e a\u00ed ele come\u00e7a totalmente em ingl\u00eas, que \u00e9 o \u201cBig Bang\u201d, a\u00ed vem \u201cBig Luv\u201d, que \u00e9 tipo uma g\u00edria para amor em ingl\u00eas, mas \u00e9 mais f\u00e1cil de falar, a\u00ed vem \u201cBig Mama\u201d, que j\u00e1 vai ficando mais portugu\u00eas, termina com \u201cBig Buraco\u201d, ent\u00e3o acho que, imageticamente, tem essa abrasileirada do Big, voc\u00ea come\u00e7a a entender o Big, que \u00e9 de alguma coisa de tamanho, de grande, voc\u00ea consegue entender no disco, mas a palavra seguinte eu acho que ela vai meio que se tornando portugu\u00eas, entrando um pouco mais no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bom, eu ainda tenho uma \u00faltima pergunta sobre essa diferen\u00e7a dos Bigs: em certo momento eu ouvi na sequ\u00eancia \u201cBig Bang\u201d e \u201cBig Buraco\u201d, e \u00e9 uma experi\u00eancia interessante porque tem um contraste grande. Na primeira tem essa tranquilidade, tem um groove ali, e a forma como voc\u00ea interpreta as letras, falando em \u201cviver bem, comer bem, dormir bem\u201d, ela passa um bem-estar, no geral. E a\u00ed no contraponto tem \u201cBig Buraco\u201d, que \u00e9 aquela coisa para cima, aquele gingado de samba, \u00e9 uma festa, mas as letras n\u00e3o s\u00e3o tranquilas. Tem essa coisa do \u201cbig descaso, big desd\u00e9m, big escarro\u201d, e por a\u00ed vai. No release tamb\u00e9m foi falado que esse disco te levou para um lugar confort\u00e1vel e desconfort\u00e1vel ao mesmo tempo. Ent\u00e3o, eu queria que voc\u00ea falasse um pouco desse conflito a\u00ed que tem no \u201cBig Buraco\u201d como um todo, e principalmente entre essas duas m\u00fasicas.<\/strong><br \/>\nEu j\u00e1 sinto que o conflito come\u00e7a a partir do momento que eu n\u00e3o sabia que m\u00fasica iria come\u00e7ar ou terminar o disco. Ent\u00e3o, fiquei na d\u00favida se \u201cBig Bang\u201d come\u00e7aria ou se terminaria, ou se \u201cBig Buraco\u201d come\u00e7aria ou terminaria. Acabou que coloquei \u201cBig Buraco\u201d para finalizar, ela ficou com uma cara de fim, n\u00e9? Tipo, voc\u00ea escuta a m\u00fasica e fala: a\u00ed, velho, alguma coisa est\u00e1 terminando, os cr\u00e9ditos est\u00e3o subindo, sabe? N\u00e3o sei, eu escuto o \u201cBig Buraco\u201d e me d\u00e1 essa felicidade, por\u00e9m tem essa tristeza do t\u00e9rmino, assim, do acabar. E \u201cBig Bang\u201d, ela ficou bem com cara de come\u00e7o mesmo. O sopro anuncia o in\u00edcio das coisas, normalmente os sopros anunciam in\u00edcios, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a gente, sei l\u00e1, v\u00ea alguns filmes cl\u00e1ssicos, pe\u00e7as cl\u00e1ssicas tamb\u00e9m, voc\u00ea v\u00ea algumas coisas super importantes, tipo, o rei chegou a\u00ed, e anuncia com o sopro. E eu fiquei pensando um pouco nisso, foi o que me tendeu a colocar \u201cBig Bang\u201d como a primeira e \u201cBig Buraco\u201d como a \u00faltima. Tamb\u00e9m meio que assumindo o que a composi\u00e7\u00e3o diz tamb\u00e9m, que \u201cBig Bang\u201d \u00e9 uma explos\u00e3o, mas \u00e9 engra\u00e7ado porque \u00e9 uma explos\u00e3o para o b\u00e1sico, tipo, se nem o b\u00e1sico a gente est\u00e1 tendo, imagina uma coisa completamente diferente disso, sabe? Ent\u00e3o, eu acho que \u00e9 uma cr\u00edtica a essa mega explos\u00e3o, essa grandess\u00edssima coisa que todo mundo est\u00e1 esperando alguma coisa gigantesca &#8211; isso eu t\u00f4 falando em termos de mercado, em termos art\u00edsticos, sabe? Todo mundo est\u00e1 esperando uma coisa enorme, gigante, e \u00e0s vezes o b\u00e1sico presta, n\u00e9? E a import\u00e2ncia desse b\u00e1sico vai ser revelada l\u00e1 na frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, em \u201cBig Bang\u201d eu falo basicamente isso, pelo menos o b\u00e1sico a gente tem que ter para que essa mega explos\u00e3o aconte\u00e7a, n\u00e3o precisa de nada al\u00e9m do b\u00e1sico. Ent\u00e3o j\u00e1 \u00e9 uma cr\u00edtica. \u00c9 uma cr\u00edtica ao mercado, ao imediatismo das coisas, a n\u00e3o paci\u00eancia com a arte tamb\u00e9m. A entender que a arte, que ela tem que ser criada o tempo inteiro, o artista tem que estar criando o tempo todo, sabe? A pessoa tem que estar ativa o tempo inteiro para que as coisas aconte\u00e7am. Mas \u00e0s vezes \u00e9 s\u00f3 voc\u00ea respirar um pouco. E j\u00e1 em \u201cBig Buraco\u201d n\u00e3o, \u00e9 uma cr\u00edtica mais generalizada, acho que ao pr\u00f3prio Big Buraco tamb\u00e9m. A m\u00fasica \u201cBig Buraco\u201d critica o pr\u00f3prio lugar onde est\u00e1, e para al\u00e9m disso, onde estamos. Que a\u00ed eu sinto que esse lugar que a gente est\u00e1 \u00e9 o Big Buraco, sacou? Ent\u00e3o, para mim teve uma, como eu posso dizer, uma confus\u00e3o de como \u00e9 que eu come\u00e7o, ser\u00e1 que eu termino pelo b\u00e1sico, ser\u00e1 que eu come\u00e7o falando j\u00e1 tudo? Acho que essa no\u00e7\u00e3o de Big Bang\/Big Buraco que voc\u00ea trouxe faz todo sentido para mim, sabe? Que s\u00e3o opostas, mas est\u00e3o falando da mesma coisa ao mesmo tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, e me chama muita aten\u00e7\u00e3o que mesmo nesse clima para cima que encerra o disco, voc\u00ea ainda fala do \u201cbig escarro\u201d, \u201cbig desd\u00e9m\u201d, n\u00e9? E pensando nessa coisa do fazer art\u00edstico, fica bem latente a cr\u00edtica, no final das contas. Imagino que para voc\u00ea, sendo uma pessoa que est\u00e1 inserida nesse mercado, \u00e9 dif\u00edcil ter que trabalhar dentro disso e ainda assim tentar ter um pensamento art\u00edstico fora dessa ind\u00fastria, por assim dizer.<\/strong><br \/>\nSim, total. E tamb\u00e9m essa enxurrada de informa\u00e7\u00f5es, enxurrada de coisas. Quando falo \u201cbig fuzil\u201d, \u00e9 meio que essa metralhadora de informa\u00e7\u00f5es. Muita coisa. E \u00e9 doido porque o que me inspirou a compor \u201cBig Buraco\u201d foi a faixa \u201cBala Com Bala\u201d, pois uma vez eu fiz um show dirigido por Kiko Dinucci e Ju\u00e7ara Mar\u00e7al no festival C6. E a\u00ed eles me chamaram para cantar duas m\u00fasicas. Uma delas era \u201cUmeboshi\u201d, de Gilberto Gil. N\u00e3o sei se voc\u00ea j\u00e1 escutou, mas est\u00e1 naquele disco chamado \u201dCidade do Salvador\u201d se n\u00e3o me engano. Que ele est\u00e1 com um tambor indiano nas m\u00e3os (na capa). Incr\u00edvel. E a outra faixa foi \u201cBala Com Bala\u201d. E eu fiquei imersa nessa situa\u00e7\u00e3o do \u201cBala Com Bala\u201d porque \u00e9 uma troca mesmo de tiro, n\u00e9? \u00c9 um tiroteio ali de informa\u00e7\u00f5es. \u00c9 um tiroteio de percep\u00e7\u00e3o do que estava acontecendo naquele momento. E quando eu compus \u201cBig Buraco\u201d, eu tamb\u00e9m quis retratar esse tiroteio que estava acontecendo no momento, porque \u00e9 uma m\u00fasica mais atemporal. Um tiroteio que acontece a todo momento, no caso. Ent\u00e3o \u00e9 uma troca mesmo de&#8230; \u00c9 uma enxurrada de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma troca de balas ali. Voc\u00ea est\u00e1 batalhando com algu\u00e9m, tentando conquistar um espa\u00e7o com outra pessoa, outras pessoas, milhares de pessoas. Ent\u00e3o \u201cBig Buraco\u201d foi baseado em \u201cBala Com Bala\u201d e eu tento fazer essa brincadeira com rombo, com buraco, com po\u00e7o. Eu tento fazer essas refer\u00eancias por um espa\u00e7o muito grande e um&#8230; como \u00e9 que eu posso dizer? Um concretismo brutalista. Ter uma coisa brutal, assim. N\u00e3o \u00e9 tranquilinho. N\u00e3o falo do buraquinho, o c\u00edrculo. Eu falo sobre um rombo, sobre um peda\u00e7o tirado, uma coisa que est\u00e1 faltando. \u00c9 muito legal poder analisar, assim, as m\u00fasicas. \u00c9 porque \u00e0s vezes, \u00e9 muito dif\u00edcil de pensar para al\u00e9m, sabe? E a\u00ed voc\u00ea perguntando essas coisas, F\u00e1bio, \u00e9 interessante, porque a\u00ed eu come\u00e7o a mergulhar de novo no processo. Vou buscando.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Elis Regina - Bala com Bala (Lyric Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/U2LfPr2-o6Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Gilberto Gil - Umeboshi\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IQjlyaXNEXA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acho que tem isso tamb\u00e9m do fazer art\u00edstico, que \u00e0s vezes a gente solta a coisa para o mundo e a\u00ed tamb\u00e9m deixa exposto um pouco, n\u00e3o quer mais pensar naquilo, mas depois revisitando, tamb\u00e9m surgem outros insights. Tamb\u00e9m \u00e9 parte do processo, n\u00e9? Repensar essas coisas.<\/strong><br \/>\nCom certeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas eu acho interessante porque voc\u00ea fala dessa coisa do buraco, e tem a parte cr\u00edtica, s\u00e9ria, mas ao mesmo tempo, \u00e9 um buraco como for\u00e7a criativa. Olhando o disco, voc\u00ea n\u00e3o fica com o sentimento pesado, mas com o sentimento de um fluxo de consci\u00eancia, uma coisa que acontece. Tem elementos de amor ali, elementos de sonho, elementos de cr\u00edtica e tudo est\u00e1 ali no buraco, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nTem um lance com o nome que, assim que eu pensei no \u201cBig Buraco\u201d, eu fiquei pensando o que \u00e9 esse Big Buraco. Porque o t\u00edtulo me instiga, eu fico curiosa de querer saber o que \u00e9 isso, o que \u00e9 que tem dentro desse buraco. E a\u00ed eu fiquei pensando que o Big Buraco, para mim, de certa maneira, \u00e9 a boca. A boca que fala, a boca que diz, que experimenta, ent\u00e3o acho que essa representatividade da boca, das palavras, do falar\u2026 De certa maneira, n\u00e3o ter muito receio de falar o que se sente. Eu acho que (a boca) \u00e9 um Big Buraco mesmo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jadsa no Popload Festival\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PL3M6mGqCRZBMXWgMVkrIKnrERDxC6TQWm\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jadsa - Big Buraco na Casa de Francisca\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PL3M6mGqCRZBOOosSMieZe3dtm0Wye4M96\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jadsa - big bang (video oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lAfEo1yZqqc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/amusicadofabio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fabio Machado<\/a>\u00a0\u00e9 m\u00fasico e jornalista (n\u00e3o necessariamente nessa ordem). Baixista na Falsos Conejos, Mevoi, Thrills &amp; the Chase e outros projetos.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em entrevista ao Scream &#038; Yell, a compositora baiana teve a oportunidade de detalhar o processo criativo, as influ\u00eancias e significados em torno de \u201cBig Buraco\u201d\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/07\/entrevista-as-muitas-vozes-de-jadsa-em-big-buraco\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":143,"featured_media":90202,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[6709],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90200"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/143"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90200"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90200\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":90205,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90200\/revisions\/90205"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90202"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90200"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}