{"id":90144,"date":"2025-07-04T01:28:44","date_gmt":"2025-07-04T04:28:44","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=90144"},"modified":"2025-08-23T02:22:05","modified_gmt":"2025-08-23T05:22:05","slug":"a-volta-do-oasis-nao-e-apenas-sobre-musica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/04\/a-volta-do-oasis-nao-e-apenas-sobre-musica\/","title":{"rendered":"A volta do Oasis n\u00e3o \u00e9 apenas sobre m\u00fasica"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">texto especial por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/malvestio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Malvestio<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 cerca de 10 anos, o escritor brit\u00e2nico Alex Niven publicou um livro sobre \u201cDefinitely Maybe\u201d, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/10\/16\/faixa-a-faixa-relembre-definitely-maybe-o-disco-de-estreia-do-oasis\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o primeiro \u00e1lbum do Oasis<\/a>, para a cole\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Oasis-Definitely-Maybe-Alex-Niven\/dp\/1623564239\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">33 1\u20443<\/a>, que j\u00e1 analisou mais de uma centena de discos emblem\u00e1ticos da m\u00fasica pop mundial. No texto, Niven diz que o Oasis escreveu as can\u00e7\u00f5es que mais se aproximaram de narrar as esperan\u00e7as coletivas e sonhos de um povo do que qualquer outra banda naquele \u00faltimo quarto de s\u00e9culo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele falava da Gr\u00e3-Bretanha p\u00f3s-Margaret Thatcher, cen\u00e1rio onde o Oasis liderava um clima coletivo que exaltava a experi\u00eancia da classe trabalhadora. Se de um lado havia Londres, um centro financeiro pujante e din\u00e2mico, do outro havia um restante de pa\u00eds \u00e0s voltas com o aumento nos \u00edndices de desigualdade e enfileirando milh\u00f5es de desempregados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No noroeste da Inglaterra, os irm\u00e3os Gallagher, l\u00edderes da banda, cresceram esmagados pela mis\u00e9ria e pelo endividamento que castigavam Manchester havia tempos. N\u00e3o por acaso, de l\u00e1 j\u00e1 tinham sa\u00eddo grupos como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/08\/04\/a-capa-do-disco-the-stone-roses-e-jackson-pollock\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Stone Roses<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/06\/15\/cinema-joy-division-de-grant-gee\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Joy Division<\/a> e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/12\/livros-the-who-ian-curtis-e-smiths\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Smiths<\/a>, para ficar apenas em alguns nomes que tamb\u00e9m exploraram as dores e ansiedades de uma gera\u00e7\u00e3o marcada pela aliena\u00e7\u00e3o e pelo descontentamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 sua maneira, o\u00a0<span class=\"il\">Oasis<\/span>\u00a0herdou essa tradi\u00e7\u00e3o, expressando a frustra\u00e7\u00e3o de uma juventude que ansiava por mudan\u00e7a. Foi assim que a banda despontou nos anos finais do s\u00e9culo XX, cantando com raiva at\u00e9 mesmo quando falava de otimismo e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cLive Forever\u201d, melhor m\u00fasica de \u201cDefinitely Maybe\u201d, o\u00a0<span class=\"il\">Oasis<\/span>\u00a0dizia que \u201celes\u201d nunca ver\u00e3o as coisas que \u201cn\u00f3s\u201d vemos. Uma divis\u00e3o que reflete as tens\u00f5es sociais, culturais e econ\u00f4micas do pa\u00eds, e que tamb\u00e9m celebra a busca por coragem para viver intensamente. No mesmo \u00e1lbum, cinco faixas adiante, em &#8220;Cigarettes &amp; Alcohol&#8221;, a banda aponta para a apatia e falta de perspectivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa linha entre &#8220;n\u00f3s&#8221; e &#8220;eles&#8221; n\u00e3o s\u00f3 ampliou a conex\u00e3o emocional da banda com sua base de f\u00e3s, mas tamb\u00e9m fomentou um senso de comunidade entre aqueles que se sentiam desencantados. N\u00e3o \u00e0 toa, o comportamento dos f\u00e3s de\u00a0<span class=\"il\">Oasis<\/span>\u00a0na Inglaterra, em termos de fanatismo, era comparado ao de torcedores de futebol.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-90145 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/oasis1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/oasis1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/oasis1-300x213.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/oasis1-120x85.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2015, o seman\u00e1rio ingl\u00eas NME publicou um especial sobre os chamados \u201canos gloriosos\u201d do Oasis, que v\u00e3o de 1993 a 1996. O texto de apresenta\u00e7\u00e3o diz que eles venderam mais \u00e1lbuns do que qualquer outra banda, fizeram shows maiores do que qualquer outra banda e tinham mais artigos de jornais escritos sobre eles do que qualquer outra banda. \u201cEles foram melhores do que qualquer outra banda\u201d, conclui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os superlativos s\u00e3o justos no \u00e2mbito do movimento conhecido como \u201cCool Britannia\u201d, que celebrava o orgulho de ser parte do Reino Unido naqueles anos. Algo t\u00e3o particularmente ingl\u00eas quanto dizer que um ch\u00e1 da tarde \u00e9 a melhor escolha para um momento de pausa ou que \u201cfish and chips\u201d \u00e9 uma iguaria digna das mesas do mundo \u2014s\u00e3o tradi\u00e7\u00f5es que refletem a mesma devo\u00e7\u00e3o que os brit\u00e2nicos tinham pelo\u00a0<span class=\"il\">Oasis<\/span>\u00a0durante o per\u00edodo glorioso, mas que jamais encontraram resson\u00e2ncia equivalente para al\u00e9m das \u00e1guas que rodeavam a Rainha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deixando de lado a venera\u00e7\u00e3o sem paralelos, ningu\u00e9m discute o fato de que no restante do mundo o\u00a0<span class=\"il\">Oasis<\/span>\u00a0tamb\u00e9m marcou uma gera\u00e7\u00e3o inteira com seus hinos rebeldes e letras que falavam da vida, de amores e de desilus\u00f5es. Para essas pessoas, especialmente os agora homens de meia idade que no auge da banda talvez n\u00e3o se sentissem validados para chorarem abra\u00e7ados com o amigo enquanto ouviam m\u00fasicas como \u201cSlide Away\u201d, a volta do\u00a0<span class=\"il\">Oasis<\/span>\u00a0n\u00e3o \u00e9 apenas sobre m\u00fasica.<\/p>\n<figure id=\"attachment_90153\" aria-describedby=\"caption-attachment-90153\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-90153 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/oasis7.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"908\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/oasis7.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/oasis7-248x300.jpg 248w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-90153\" class=\"wp-caption-text\"><em>Fotos de Simon Emmett<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Onde foi que tudo deu errado?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEssa guitarra cristaliza um momento espec\u00edfico na hist\u00f3ria da m\u00fasica.\u201d Foi assim que o franc\u00eas Jonathan Berg, lutier e um dos fundadores da casa de leil\u00f5es Artp\u00e8ges, especializada em itens musicais, se referiu \u00e0 Gibson vermelha que seria colocada \u00e0 venda em maio de 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A guitarra pertencia \u00e0 Noel Gallagher e foi destru\u00edda por seu irm\u00e3o Liam durante uma briga momentos antes de um show programado para acontecer no festival Rock en Seine, em Paris, em 2009. A poucos minutos do in\u00edcio da apresenta\u00e7\u00e3o, o p\u00fablico foi informado de que o Oasis n\u00e3o subiria no palco. Na sequ\u00eancia, Noel divulgou um comunicado anunciando que n\u00e3o apenas estava deixando o grupo, mas que o Oasis havia acabado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o fim da banda, Noel chegou a consertar o instrumento. Treze anos depois, decidiu vend\u00ea-lo, supostamente porque o fazia \u201cse lembrar demais do\u00a0<span class=\"il\">Oasis<\/span>\u201d. Em 2022, a guitarra foi arrematada por mais de 385 mil euros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 27 de agosto de 2024, um dia antes de se completarem exatos 15 anos de sua separa\u00e7\u00e3o, o Oasis anunciou que retornaria aos palcos em 2025.\u00a0A escolha da data pode ter sido uma coincid\u00eancia, especialmente se voc\u00ea ignorar o poder de influ\u00eancia do marketing bilion\u00e1rio. Pessoalmente, quero crer que em alguma sala de Princeton h\u00e1 um cientista elaborando uma teoria sobre uma realidade onde o dia 28 de agosto, data da separa\u00e7\u00e3o, nunca existiu. Foi s\u00f3 uma fenda no tempo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-90147 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/oasis3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/oasis3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/oasis3-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pare de se lamentar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a cobertura sobre o an\u00fancio da volta do Oasis, em agosto passado, o jornal ingl\u00eas The Guardian convidou Alex Niven, aquele do livro sobre o primeiro \u00e1lbum da banda, para escrever <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/commentisfree\/article\/2024\/aug\/30\/oasis-culture-working-class-britain\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um artigo sobre o seu retorno<\/a>. No texto, Niven sugere que se ignore o que o Oasis se tornou e se relembre a vis\u00e3o radical que impulsionou sua ascens\u00e3o e fez com que o Reino Unido os abra\u00e7asse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele argumenta que, ap\u00f3s seus primeiros \u00e1lbuns, o\u00a0<span class=\"il\">Oasis<\/span> foi engolido por uma avalanche de dinheiro e excessos, perdendo sua posi\u00e7\u00e3o de escrever m\u00fasicas sobre estar do lado de fora e ansiar por algo melhor. Niven observa que, embora a reuni\u00e3o da banda possa n\u00e3o alterar o curso dos eventos, ainda existe a expectativa de que sua m\u00fasica desperte uma sensa\u00e7\u00e3o peculiar de uni\u00e3o e esperan\u00e7a coletiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fora do Reino Unido, a ideia de que a volta do\u00a0<span class=\"il\">Oasis<\/span>\u00a0pode fazer ressoar a possibilidade de um \u2018pa\u00eds melhor\u2019 ganha outros contornos, sugerindo uma aspira\u00e7\u00e3o mais ampla, por uma \u2018vida melhor\u2019. Agora, com os irm\u00e3os ostentando uma cole\u00e7\u00e3o de cabelos brancos e linhas de express\u00e3o, n\u00e3o tem como afastar a expectativa de que o seu retorno possa despertar novas emo\u00e7\u00f5es. \u201cPode reacender um sentimento populista que inspira n\u00e3o apenas os f\u00e3s, mas tamb\u00e9m uma gera\u00e7\u00e3o em busca de um futuro mais promissor&#8221;, escreveu Niven.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"PT-BR\">Consumidor voraz <a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/alvaroantologico.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">da coluna do \u00c1lvaro Pereira J\u00fanior<\/a> no finado Folhateen, da Folha de S. Paulo, lembro de uma cole\u00e7\u00e3o de textos e frases dando conta desses sentimentos relacionados \u00e0 banda. <\/span>Em 1999, ele escreveu sobre \u201c<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/folhatee\/fm07069908.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a melancolia que atravessa tudo o que j\u00e1 foi feito pelo Oasis<\/a>\u201d. Em 2002, num relato sobre um show em Orlando, na Fl\u00f3rida, para a turn\u00ea do \u00e1lbum &#8220;<a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/oasisheathenfaixa.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Heathen Chemistry<\/a>&#8220;, \u00c1lvaro escreveu <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/folhatee\/fm1208200205.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um dos textos essenciais sobre a experi\u00eancia de ver o Oasis no palco<\/a>. \u201c(&#8230;) apesar de toda a imagem de arrog\u00e2ncia que constru\u00edram, o teatro onde se apresentam se transforma, por pouco menos de duas horas, no melhor lugar do mundo, onde se pode, como diz uma das letras de Noel, viver para sempre\u201d, escreveu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 verdade que o tempo passou para o \u00c1lvaro tanto quanto passou para os irm\u00e3os Gallagher e para cada um de n\u00f3s, mas n\u00e3o deixa de ser curioso notar uma renega\u00e7\u00e3o gratuita a qualquer tipo de relev\u00e2ncia que o\u00a0<span class=\"il\">Oasis<\/span>\u00a0tenha alcan\u00e7ado em algum momento de sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alex Niven, de novo ele, diz que a verdade sobre o legado da banda est\u00e1 em algum lugar entre a bajula\u00e7\u00e3o dos f\u00e3s e o cinismo de seus detratores. Ao repercutir a not\u00edcia do an\u00fancio dos shows do\u00a0<span class=\"il\">Oasis<\/span>\u00a0no Brasil, marcados para novembro deste ano, \u00c1lvaro Pereira J\u00fanior usou uma fala pouco amistosa <a href=\"https:\/\/x.com\/alvaropereirajr\/status\/1853895317185556555\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em uma postagem no X<\/a>: \u201cainda existe esperan\u00e7a. Talvez at\u00e9 l\u00e1 o mundo j\u00e1 tenha acabado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A parte mais interessante dessa gera\u00e7\u00e3o ansiosa pela volta da banda pode estar em diferentes lugares entre o cinismo do meu jornalista de estima\u00e7\u00e3o e o tipo de f\u00e3 que usa teoria cient\u00edfica para explicar a escolha da data do an\u00fancio do retorno. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel que boa parte das pessoas que passaram madrugadas e manh\u00e3s atualizando incansavelmente a p\u00e1gina em busca de um lugar na fila para comprar ingressos para a turn\u00ea de retorno n\u00e3o esteja somente em busca de ir \u00e0 um show. Talvez elas ainda estejam, 30 anos depois dos \u201canos gloriosos\u201d do\u00a0<span class=\"il\">Oasis<\/span>, em busca de um futuro mais promissor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por essas e outras que chega a parecer razo\u00e1vel financiar um ingresso em 32 presta\u00e7\u00f5es para ver o\u00a0<span class=\"il\">Oasis<\/span> no Morumbi, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/03\/11\/ao-vivo-em-um-morumbi-lotado-coldplay-faz-um-primeiro-tempo-matador-mas-quase-deixa-a-vitoria-escapar-no-final\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">famoso por sua capacidade de abrigar multid\u00f5es<\/a> em um espa\u00e7o onde o conforto se torna um conceito relativo. Tamb\u00e9m faz sentido que as entradas para os shows tenham evaporado t\u00e3o rapidamente em todo o mundo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-90148 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/oasis4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"432\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/oasis4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/oasis4-300x173.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>For\u00e7a da natureza<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando o lan\u00e7amento do primeiro \u00e1lbum, em 1994, e o an\u00fancio do fim da banda, em 2009, o Oasis durou 15 anos. Quando eles retornarem \u00e0 ativa, neste 2025, ter\u00e3o completado mais tempo separados do que em atividade.e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua t\u00e3o esperada volta n\u00e3o representa apenas um revival nost\u00e1lgico, mas tamb\u00e9m uma reflex\u00e3o sobre a trajet\u00f3ria de seus integrantes. Agora mais maduros, eles est\u00e3o diante de um novo cen\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos anos, o discurso sobre masculinidade passou por transforma\u00e7\u00f5es relevantes. A antiga ideia de que homens devem ser insens\u00edveis ou invulner\u00e1veis se esvaziou, dando lugar a uma nova abordagem que valoriza a vulnerabilidade, o emocional e a express\u00e3o dos sentimentos. Nesse contexto, o retorno do Oasis ecoa n\u00e3o apenas como um fen\u00f4meno musical, mas tamb\u00e9m reflete uma evolu\u00e7\u00e3o. H\u00e1 30 anos, os irm\u00e3os Gallagher e seus companheiros de banda arrastaram multid\u00f5es com suas letras que falavam de amor, conflito e anseios juvenis, encapsulando a rebeldia de uma gera\u00e7\u00e3o. Agora, ao retornarem, podem trazer junto um novo entendimento sobre a pr\u00f3pria identidade e a dor que acompanhou o envelhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 cerca de duas d\u00e9cadas, f\u00e3s de\u00a0<span class=\"il\">Oasis<\/span>\u00a0vibravam com a banda cantando sobre ser uma estrela do rock por uma noite. Agora, esses f\u00e3s, que talvez j\u00e1 se sintam mais velhos do que gostariam (como Noel cantou em \u201cRockin&#8217; Chair, em 1995), v\u00e3o deixar as crian\u00e7as com os av\u00f3s e vestir camisetas do Manchester City para irem aos shows. Ent\u00e3o dever\u00e3o se conectar com artistas que podem mostrar que o tempo n\u00e3o traz apenas cicatrizes, mas tamb\u00e9m li\u00e7\u00f5es profundas sobre amor e perda \u00a0\u2014artistas que tamb\u00e9m devem embolsar algumas dezenas de milh\u00f5es de libras para trabalharem por apenas seis meses, mas isso \u00e9 assunto para outro texto.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"adidas Originals x Oasis | Original Forever\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/N3r7c0OH9og?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que uma fatia do p\u00fablico que ir\u00e1 aos shows do Oasis possa ter conhecido \u201cWonderwall\u201d no TikTok, \u00e9 certo que estamos falando de uma gente cada vez mais atenta \u00e0 necessidade de conversas sinceras sobre dor e vulnerabilidade. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 o grupo sedento por reviver experi\u00eancias que moldaram uma gera\u00e7\u00e3o. \u00c9 por tudo isso que a nova conex\u00e3o entre a banda e seus f\u00e3s tem chances de ser t\u00e3o supers\u00f4nica quanto a pr\u00f3pria m\u00fasica que os uniu, l\u00e1 atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A trajet\u00f3ria de cada um (Oasis e p\u00fablico), marcada pelo tempo e suas li\u00e7\u00f5es, promete definir n\u00e3o apenas o espet\u00e1culo, mas tamb\u00e9m o sentido de pertencimento que surge desse encontro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Don&#8217;t look back in anger.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-90151 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/oasis5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"348\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/oasis5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/oasis5-300x139.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/malvestio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8211; Alexandre Malvestio<\/a> \u00e9 jornalista e ilustrador. A fotomontagem que abre o texto foi feita pelo perfil <a href=\"https:\/\/x.com\/oasisworld_\/status\/1841793234525114730\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Oasis World<\/a><\/em><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 Top 20: As m\u00fasicas do Oasis mais tocadas no Brasil (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/08\/30\/as-musicas-do-oasis-mais-tocadas-no-brasil\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Faixa a faixa: \u201cDefinitely Maybe\u201d, o cl\u00e1ssico disco de estreia do Oasis (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/10\/16\/faixa-a-faixa-relembre-definitely-maybe-o-disco-de-estreia-do-oasis\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cSupersonic\u201d, de Whitecross: &#8220;N\u00e3o espere um document\u00e1rio completista&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/12\/07\/documentarios-beatles-e-oasis\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Noel Gallagher ao vivo em S\u00e3o Paulo em 2012, por Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/noel-gallagher-ao-vivo-em-sao-paulo\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Oasis ao vivo em S\u00e3o Paulo e Curitiba, por Marcelo Costa e Murilo Basso (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/2009\/05\/11\/oasis-em-sao-paulo-e-curitiba\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cDefinitely Maybe \u2013 20th Anniversary Edition\u201d, Oasis: um relan\u00e7amento nota 10 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/30\/cds-jack-white-damon-albarn-oasis\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cDig Out Your Soul\u201d, o 7\u00ba \u00e1lbum de est\u00fadio dos Gallagher faz bonito, por Mac (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/09\/30\/500-toques-the-verve-damon-albarn-e-oasis\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Demanda reprimida por Oasis: h\u00e1 momentos em que a m\u00fasica morre (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/09\/10\/demanda-reprimida-por-oasis\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cDon\u2019t Believe The Truth\u201d: Nenhuma banda envelheceu tanto quanto o Oasis (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/05\/29\/musica-com-dont-believe-the-truth-oasis-demonstra-que-ainda-e-relevante\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cHeathen Chemistry\u201d: o bom e velho Oasis, para o bem e para o mal (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/07\/10\/tres-discos-echo-and-the-bunnymen-oasis-brmc\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013\u00a0 Ao vivo: Liam Gallagher em 2022 foi mais animado do que Oasis no Rio em 1998 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/11\/18\/ao-vivo-sem-gosto-de-baile-da-saudade-liam-gallagher-em-2022-foi-mais-animado-do-que-oasis-no-rio-de-janeiro-em-1996\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013\u00a0 Ao vivo em S\u00e3o Paulo em 2006, Oasis faz grande show no estacionamento do Credicard Hall (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/03\/22\/ao-vivo-em-sao-paulo-oasis-entrega-um-grande-show-no-estacionamento-do-credicard-hall\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Livro: \u201cAscens\u00e3o e Queda do Britpop\u201d, de John Harris, por Mateus Ribeirete (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/19\/livros-a-ascencao-e-a-queda-do-britpop\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A trajet\u00f3ria de cada um (Oasis e p\u00fablico), marcada pelo tempo e suas li\u00e7\u00f5es, promete definir n\u00e3o apenas o espet\u00e1culo, mas tamb\u00e9m o sentido de pertencimento que surge desse encontro.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/04\/a-volta-do-oasis-nao-e-apenas-sobre-musica\/\"> 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