{"id":90094,"date":"2025-07-03T02:20:51","date_gmt":"2025-07-03T05:20:51","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=90094"},"modified":"2025-09-12T15:42:21","modified_gmt":"2025-09-12T18:42:21","slug":"entrevista-mike-deodato-jr-fala-sobre-deixar-para-tras-marvel-e-dc-e-sobre-absolution-seu-lancamento-pela-editora-poptopia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/03\/entrevista-mike-deodato-jr-fala-sobre-deixar-para-tras-marvel-e-dc-e-sobre-absolution-seu-lancamento-pela-editora-poptopia\/","title":{"rendered":"Entrevista: Mike Deodato Jr. fala sobre deixar para tr\u00e1s Marvel e DC, e sobre &#8220;Absolution&#8221;, seu lan\u00e7amento pela Poptopia"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <a href=\"https:\/\/editora.poptopia.com.br\/pre-venda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">chegada ao Brasil de &#8220;Absolution&#8221;<\/a>, quadrinho da Editora Poptopia, com texto do brit\u00e2nico Peter Milligan e arte do brasileiro Deodato Taumaturgo Borges Filho, coincide com um momento especial para o desenhista paraibano que assina como Mike Deodato Jr.. Recentemente, o artista, que passou 24 anos trabalhando para a Marvel Comics, compartilhou no Instagram um texto sobre a alegria de ver um personagem seu ganhar vida nas telas. Trata-se de Ironheart, personagem feminina criada por Deodato e por Brian Michael Bendis, que vai estrear sua pr\u00f3pria s\u00e9rie de TV no Disney Plus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No desabafo, por\u00e9m, o desenhista de uma das melhores fases do personagem Hulk nos quadrinhos, falou sobre a necessidade da gigantesca Marvel Comics fazer melhor em rela\u00e7\u00e3o ao reconhecimento de artistas cujas imagina\u00e7\u00f5es trouxeram primeiramente para o papel a origem daquilo que ganha vida (e gera lucro) nas telas. Ap\u00f3s a repercuss\u00e3o nas redes sociais, por\u00e9m, houve uma luz. &#8220;Para ser justo, a Marvel entrou em contato comigo e fizemos um acordo&#8221;, explicou Deodato em entrevista ao Scream &amp; Yell. &#8220;Eu perguntei a eles sobre postar algo nas redes sociais dizendo que fizeram a coisa certa, mas disseram que n\u00e3o era preciso. Achei legal tanto da parte deles, de n\u00e3o quererem se aproveitar do momento para dizer que fizeram a coisa certa, quanto o fato deles terem feito&#8221;. comemora o desenhista, mas salienta: &#8220;Dito isso, tem muita coisa que precisa ser melhorada, sim. O autor precisa ser melhor tratado&#8221;, crava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa contextualiza\u00e7\u00e3o do momento da vida de um artista com d\u00e9cadas de experi\u00eancia rima com o momento atual no qual seu tra\u00e7o tem sido utilizado com muito mais frequ\u00eancia em quadrinhos independentes. &#8220;<a href=\"https:\/\/editora.poptopia.com.br\/pre-venda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Absolution<\/a>&#8221; \u00e9 um deles. Lan\u00e7ado nos Estados Unidos em 2023 pela editora AWA, o gibi representa um dos novos focos de Deodato em uma trilha voltada para projetos autorais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa entrevista , o artista comenta sobre essa mudan\u00e7a de direcionamento, ao deixar a produ\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie de hist\u00f3rias de super-her\u00f3i das grandes editoras para um foco em trabalhos 100% autorais. No caso de &#8220;<a href=\"https:\/\/editora.poptopia.com.br\/pre-venda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Absolution<\/a>&#8220;, as amarras criativas impostas por grandes editoras se perderam permitindo a Milligan e Deodato uma abordagem violenta em uma hist\u00f3ria sobre a espetaculariza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica dos reality shows junto \u00e0 necessidade insana de agradar seguidores. Aqui, uma assassina profissional precisa angariar uma popularidade medida em porcentagens de likes que lhe garantir\u00e3o a sobreviv\u00eancia, uma vez que, ao chegar aos 100%, micro-explosivos instalados cirurgicamente em seu c\u00e9rebro deixar\u00e3o de ser detonados. At\u00e9 l\u00e1, no entanto, ela precisar\u00e1 passar por &#8220;provas&#8221; auto impostas nas quais ter\u00e1 que dar cabo de estupradores mis\u00f3ginos, chef\u00f5es do crime, molestadores infantis e outros tipos de esc\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto sagaz de Peter Milligan \u00e9 percept\u00edvel uma presen\u00e7a cr\u00edtica \u00e0 espetaculariza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia a partir da necessidade doentia de se existir na internet. Em tempos nos quais o n\u00famero de seguidores parece querer definir quem tem talento e os coment\u00e1rios ditos &#8220;lacradores&#8221; significam os novos 15 minutos de fama, observar a maneira como Deodato representa em imagens a cr\u00edtica escrita por Milligan causa regozijo.\u00a0No papo abaixo, Deodato aprofunda as decis\u00f5es de sua carreira e fala sobre a experi\u00eancia de trabalho com roteiristas como o pr\u00f3prio Milligan e Brian Michael Bendis. Confira!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-90096\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/banner-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/banner-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/banner-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refletindo em retrospecto sobre sua empreitada pelos quadrinhos independentes, que se consolidou a partir de 2019, como voc\u00ea avalia esse processo de deixar uma longa estrada na Marvel para se dedicar \u00e0s suas pr\u00f3prias cria\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nOlha, n\u00e3o foi nada planejado. Foi uma urg\u00eancia que eu tinha em fazer coisas autorais, simplesmente. Eu j\u00e1 tinha experimentado antes fazendo &#8220;Quadros&#8221;, que saiu pela Editora Mino em 2014. Aquilo j\u00e1 me tirou do peito alguma coisa, aquela vontade. Eu tinha feito o &#8220;A Arte Cartum&#8221; (N.E. No Brasil, lan\u00e7ado pela Editora Kalaco), mas continuava com essa vontade de querer fazer quadrinho autoral. Ent\u00e3o, quando decidi fazer &#8220;Berserk Unbound&#8221;, com Jeff Lemire, enquanto eu ainda estava na Marvel, foi dif\u00edcil porque&#8230; Bom, com o n\u00edvel de qualidade de hoje, um desenhista s\u00f3 consegue fazer uma revista por m\u00eas. Ent\u00e3o foi muito dif\u00edcil fazer revista para a Marvel e uma autoral ao mesmo tempo. Foi a\u00ed que eu vi que n\u00e3o dava. Estava na hora de decidir o que eu ia fazer na vida. Como j\u00e1 tinha feito 24 anos com a Marvel, pensei: &#8220;Agora est\u00e1 bom. Tenho que decidir entre o meu sonho de inf\u00e2ncia, que era fazer quadrinho de super-her\u00f3i, e que realizei tudo o que podia, e meu sonho de adulto que \u00e9 fazer quadrinho autoral. Quadrinho meu, mesmo&#8221;. E foi uma decis\u00e3o acertada. Primeiro, da parte minha profissional, da minha satisfa\u00e7\u00e3o pessoal. Tenho feito projetos fant\u00e1sticos com autores fant\u00e1sticos, dentre eles o Peter Milligan. E o reconhecimento que veio na forma de dois pr\u00eamios que eu nunca tinha ganhado antes, o Eisner e o Ringo Awards. O Eisner \u00e9 o Oscar dos Quadrinhos. Foi a prova definitiva de que tomei a decis\u00e3o certa. (N.E. Deodato ganhou o Pr\u00eamio Eisner pelo quadrinho &#8220;Nem Todo Rob\u00f4&#8221;, com texto de Mark Russell). Se depender de mim, n\u00e3o paro mais. Vou continuar fazendo quadrinho autoral. Na verdade, at\u00e9 parei ano passado, porque um projeto meu para a AWA Est\u00fadios teve um problema e precisou ser cancelado de \u00faltima hora, e eu tinha que decidir o que fazer. Ent\u00e3o, fui bati na porta da DC. &#8220;Olha, quero fazer coisa a\u00ed&#8221; (risos). E me passaram o Flash, um trilh\u00e3o de capas. Passei um ano l\u00e1 e agora voltei. Mas foi a decis\u00e3o certa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em termos de grana, ap\u00f3s tanto tempo no mercado em editoras grandes, muda muito esse aspecto nos quadrinhos independente?<\/strong><br \/>\nEm termos de grana \u00e9 a mesma coisa. N\u00e3o mudou nada. O que pode mudar \u00e9 se virar filme. E a\u00ed eu fico rico (risos). Essa \u00e9 a diferen\u00e7a. Quer dizer, n\u00e3o rico, mas eu ganho uma grana boa e merecida. Porque s\u00e3o meus personagens. Mas quanto ao pre\u00e7o de p\u00e1gina, n\u00e3o mudou nada. Continua o meu padr\u00e3o de pre\u00e7o de p\u00e1gina. O que muda mais \u00e9 a satisfa\u00e7\u00e3o pessoal, mesmo. N\u00e3o quero diminuir os quadrinhos de super-her\u00f3is, mas \u00e9 a qualidade da hist\u00f3ria, sabe? Por mais que voc\u00ea bote um escritor fant\u00e1stico fazendo um quadrinho de super-her\u00f3i, sempre \u00e9 meio limitado por conta do g\u00eanero, por causa da quantidade de coisas que j\u00e1 foi feita, pela continuidade. Voc\u00ea tem que seguir os par\u00e2metros da editora para o personagem. Tem um bocado de amarras. Claro que h\u00e1 muitos exemplos de autores que contornaram isso tudo. Alan Moore, Frank Miller, e uma infinidade de outros caras. (Mas) Isso \u00e9 pr\u00f3prio do g\u00eanero. Ele amarra um pouco. O quadrinho autoral come\u00e7a com liberdade total. Sou eu e o escritor, ou apenas eu escrevendo e desenhando. Ent\u00e3o, \u00e9 liberdade total. Come\u00e7o do zero e \u00e9 algo meu. N\u00e3o tem nenhuma amarra. E a\u00ed \u00e9 a satisfa\u00e7\u00e3o pessoal de voc\u00ea criar algo novo. \u00c9 muito instigante. Por mais que voc\u00ea seja apaixonado por super-her\u00f3is, fazer algo seu \u00e9 diferente. Acho que quadrinho autoral \u00e9 o futuro. Pouco a pouco, o quadrinho autoral est\u00e1 comendo o mercado, comendo o espa\u00e7o das grandes editoras. Tem um caminho enorme pela frente, mas em qualidade e quantidade, est\u00e1 come\u00e7ando a chegar l\u00e1. Voc\u00ea v\u00ea casos como Mark Millar, que vendeu a biblioteca dele inteira para a Netflix. Voc\u00ea v\u00ea a Skybound. Um monte de exemplos de pessoas que est\u00e3o formando a pr\u00f3pria empresa autoral. Come\u00e7ando com a Image, l\u00e1 nos anos 1990, que foi uma hist\u00f3ria de sucesso fant\u00e1stica.\u00a0 E at\u00e9 hoje \u00e9 ber\u00e7o, \u00e9 casa de quadrinistas autorais. A\u00ed vem chegando no Brasil, tamb\u00e9m. Voc\u00ea v\u00ea um monte de editoras surgindo, como a Poptopia, e publicando quadrinho nacional. E vejo um momento bem marcante na ind\u00fastria tanto brasileira quanto americana. Europeia j\u00e1 tem uma tradi\u00e7\u00e3o de quadrinhos autorais desde sempre. Tamb\u00e9m os japoneses. Mas \u00e9 bom ver isso se refletindo no Brasil. O Brasil sempre teve, tamb\u00e9m, mas nunca teve muito sucesso. A quantidade est\u00e1 aumentando, a qualidade vem aumentando. Mas \u00e9 bom ver isso se multiplicando. Aqui no Nordeste tem Shiko. Meu Deus do c\u00e9u! E pensar que eu quase levei ele pra Marvel. N\u00e3o sei que merda eu estava pensando (risos). A\u00ed vem Shiko, completamente genial, independente. Fico feliz por estar podendo presenciar esse momento. Por poder ver essas pessoas surgindo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Marvel Television&#039;s Ironheart | Official Trailer | Disney+\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WpW36ldAqnM?start=138&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DJm6T8VpK6f\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=embed_video_watch_again\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">voc\u00ea publicou uma carta no Instagram<\/a> , por ocasi\u00e3o do lan\u00e7amento do trailer da s\u00e9rie &#8220;Ironheart&#8221;, baseada em uma personagem sua e do Brian Michael Bendis. Na postagem, voc\u00ea falou sobre uma valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho do quadrinista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria obra e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s adapta\u00e7\u00f5es oriundas dela. Como ficou esse imbr\u00f3glio?<\/strong><br \/>\nPrimeiro, preciso ser justo. A Marvel entrou em contato comigo e a gente fez um acordo. Eu perguntei a eles sobre postar algo nas redes sociais dizendo que fizeram a coisa certa, mas eles disseram que n\u00e3o era preciso. Achei legal tanto da parte deles de n\u00e3o quererem se aproveitar do momento para dizer que fizeram a coisa certa, e achei legal ele terem feito a coisa certa. Dito isso, tem muita coisa que precisa ser melhorada, sim. O autor precisa ser melhor tratado. Tudo o que eu falei ali continua. Tem muita coisa que ainda precisa ser melhorada. Acho que os quadrinistas deviam se unir mais. Do mesmo jeito que na ind\u00fastria americana, existem os sindicatos dos diretores, de roteiristas, que s\u00e3o classes bem unidas, que paralisam a ind\u00fastria para conseguir o que querem, os quadrinistas deveriam se unir tamb\u00e9m. Mas n\u00e3o sei porque \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil. J\u00e1 tentei defender a classe, mas sem querer ser l\u00edder sindical. No caso dos NFTs, por exemplo. Quando come\u00e7ou, muita gente ganhou dinheiro. E na \u00e9poca eu achei que era uma boa maneira do quadrinista vender o original como um NFT. S\u00f3 que as editoras grandes come\u00e7aram a dizer que n\u00e3o podia. Independente das pessoas acharem que NFT n\u00e3o presta, o que estava em jogo n\u00e3o era o NFT. O que estava em jogo era a liberdade do quadrinista de poder ganhar dinheiro com isso. E eu encampei essa causa. Tentei, mas ficou todo mundo contra mim. As editoras e os pr\u00f3prios quadrinistas que eu estava defendendo ficaram contra o NFT. \u00c9 uma classe complicada. Mas eu acho que a gente precisa se unir. Por que, de que adianta s\u00f3 um aqui e outro l\u00e1 ser recompensado. E a classe inteira? Eu n\u00e3o vou sair defendendo todo mundo porque, enfim, eu estou fazendo a minha parte. Falo quando \u00e9 preciso. Quando vejo uma injusti\u00e7a, eu falo. Mas n\u00e3o vou sair convocando feito um sindicalista. Eu n\u00e3o tenho essa capacidade. Falo porque ningu\u00e9m est\u00e1 falando. A\u00ed, eu falo. Mas, o ideal seria a gente n\u00e3o esperar deles nada. A gente devia se unir e devia formar um sindicato do que quer que seja. Tudo o que nasce na ind\u00fastria, vem da gente. Ent\u00e3o, falta uma uni\u00e3o, uma consci\u00eancia do quadrinista de seu valor. N\u00e3o adianta eu falar aqui, um Ed Brubaker falar ali, ou um outro l\u00e1. N\u00e3o vai. S\u00e3o casos isolados que, como um todo, n\u00e3o v\u00e3o trazer benef\u00edcios se ningu\u00e9m se movimentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente, foi lan\u00e7ado pela Editora T\u00e1bula uma edi\u00e7\u00e3o resgatando hist\u00f3rias do personagem Flama, criado pelo seu pai, Deodato Borges, na d\u00e9cada de 1960. O quadrinho &#8220;O Flama e Outras Hist\u00f3rias&#8221; contou, tamb\u00e9m, com trabalhos feitos por voc\u00ea. Como foi esse processo de resgate e revisita do legado do seu pai?<\/strong><br \/>\nQualquer coisa que seja para resgatar ou para informar a novas gera\u00e7\u00f5es sobre o trabalho pioneiro de painho, eu sempre sou a favor. Inclusive, tem at\u00e9 um curta que fizeram, &#8220;Campina Noir&#8221; (assista abaixo). Bem bacana! Tem at\u00e9 um easter egg logo no come\u00e7o, que \u00e9 o pr\u00e9dio onde eu nasci, l\u00e1 em Campina Grande. Na hist\u00f3ria do curta, \u00e9 onde acontece o crime. E \u00e9 sobre o personagem Flama. E a\u00ed veio essa <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/FLAMA-OUTRAS-HIST%C3%93RIAS-Mike-Deodato\/dp\/6583119277\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">republica\u00e7\u00e3o feita pela Editora T\u00e1bula<\/a>. \u00c9 muito bacana. Porque painho fez isso e passou a vinda inteira escondido. Comecei a trabalhar e ele come\u00e7ou a ser reconhecido, tamb\u00e9m, como escritor. Quando fui para os Estados Unidos, quando comecei a publicar l\u00e1 fora, ele n\u00e3o p\u00f4de me acompanhar porque n\u00e3o falava ingl\u00eas. Mas ele viu como o Flama ressurgiu depois de tantos anos. Comparativamente, \u00e9 uma longa dist\u00e2ncia, mas \u00e9 mais ou menos como Will Eisner. Mas, olha, estou dizendo s\u00f3 como exemplo. N\u00e3o estou dizendo que ele \u00e9 Will Eisner (risos). Mas se ele tivesse nascido nos Estados Unidos, ele iria ser um Will Eisner ou um Frank Miller. Na mesma \u00e9poca do Will Eisner, ele fez o Flama. Isso nos anos 1940 at\u00e9 meados dos anos 1950. E ningu\u00e9m viu. E era genial desde sempre. Foi no final dos anos 1960, come\u00e7o dos anos 1970, que come\u00e7aram a descobrir painho. Os diretores de cinema, os estudiosos de quadrinhos, e a\u00ed ele foi redescoberto. \u00c9 como aquela hist\u00f3ria que ele fez do Gerard Snob, aquele que ningu\u00e9m via voar na hist\u00f3ria. Ele falava: &#8220;Estou voando, estou voando.&#8221; A\u00ed tem uma persegui\u00e7\u00e3o, d\u00e3o um tiro nele e ele morre voando. E ningu\u00e9m o v\u00ea voando. \u00c9 a hist\u00f3ria de Will Eisner, tamb\u00e9m. E \u00e9 um pouco da hist\u00f3ria de meu pai, que terminou sendo reconhecido somente quando eu fiquei famoso. A\u00ed todo mundo viu que era o autor do Flama, e hoje todo mundo conhece. Acho bacana isso. Muito legal. E ele ainda conseguiu ver isso. Ele foi convidado para participar de uma conven\u00e7\u00e3o na \u00e9poca, para ser homenageado. Ele recebeu alguns pr\u00eamios. Ent\u00e3o, fico satisfeito por ele ainda ter visto em vida seu trabalho sendo reconhecido.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"CAMPINA NOIR\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/r-RX0ZAfoag?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 falou abertamente sobre as fases do seu trabalho como desenhista, sobre como algumas dessas fases representaram, para voc\u00ea, um certo decl\u00ednio. Como voc\u00ea avalia esse per\u00edodo em retrospecto e como voc\u00ea reflete sobre sua fase atual?<\/strong><br \/>\nArtista nunca est\u00e1 satisfeito. A gente sempre acha que pode fazer melhor. Fico satisfeito na hora que termino. &#8220;Ok, bacana!&#8221; Mas, ap\u00f3s esse momento, isso termina. \u00c9 quando vem a hora de fazer melhor. Obviamente, eu tenho uma ideia racional de que, realmente, algumas coisas funcionaram de forma melhor do que outras. O problema \u00e9 que aquela era uma \u00e9poca em que eu estava trabalhando demais. Eu n\u00e3o sabia dizer n\u00e3o. Qualquer projeto que vinha, eu aceitava. Isso porque eu achava que se dissesse n\u00e3o, nunca mais ia trabalhar. Foi o in\u00edcio da queda da qualidade do meu tra\u00e7o por conta do excesso de trabalho. Embora eu tenha muitos f\u00e3s daquela \u00e9poca que me dizem que adoram Elektra. Eu n\u00e3o recuso. N\u00e3o rejeito aquele trabalho. \u00c9 um produto de uma \u00e9poca. Eu fiz o melhor que pude naquela fase. Mas do mesmo jeito que a pr\u00f3pria personagem est\u00e1 renascendo, est\u00e1 em busca de reden\u00e7\u00e3o, eu tamb\u00e9m tive essa jornada de reden\u00e7\u00e3o. Eu fui at\u00e9 o fundo do po\u00e7o. Meu trabalho era rejeitado em tudo que \u00e9 canto. Eu tive que me reinventar e come\u00e7ar tudo de novo. E isso foi bom para minha carreira, para o meu trabalho. E \u00e9 uma coisa que persigo at\u00e9 hoje. Persigo sempre estar bem. Estar em um lugar onde eu gosto de trabalhar, onde eu fa\u00e7a o que gosto e o resultado financeiro, o reconhecimento, vem depois. Ent\u00e3o, n\u00e3o rejeito essa fase do meu trabalho. Mas vejo, obviamente, um desenvolvimento da minha arte gigante em compara\u00e7\u00e3o \u00e0quela \u00e9poca. Principalmente no tocante \u00e0 narrativa. A narrativa \u00e9 uma coisa que comecei a aprender a partir do trabalho com Hulk, que fiz com Bruce Jones. Foi quando tive uma aula s\u00f3 de ver o roteiro dele e tentar fazer. Aprendi muito sobre narrativa. Fora as aulas que tive com o meu pr\u00f3prio pai no come\u00e7o. Ent\u00e3o, tudo isso vai se juntando. Hoje em dia, narrativa n\u00e3o \u00e9 uma coisa que eu fa\u00e7o conscientemente. &#8220;Ah, eu vou fazer isso por conta disso.&#8221; N\u00e3o \u00e9 assim. \u00c9 uma coisa que funciona instintivamente. Eu n\u00e3o penso sobre isso. Tanto que n\u00e3o sei dar aula de nada, porque n\u00e3o sei o que estou fazendo. Fa\u00e7o por instinto. E acho que \u00e9 o certo. Acho legal quando vejo algu\u00e9m pegar uma p\u00e1gina minha e faz aquelas an\u00e1lises, dizendo que o tra\u00e7o vai em uma dire\u00e7\u00e3o e mostra como algo funcionou. E eu n\u00e3o tinha a menor ideia do porqu\u00ea eu fiz aquilo (risos). Mas acho legal a pessoa poder explicar. Mas eu n\u00e3o consigo. Ent\u00e3o, houve uma evolu\u00e7\u00e3o e o que faz essa evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 minha curiosidade. No dia que parar de querer aprender, ou ficar curioso, ou de admirar o trabalho de outros artistas e querer absorver, \u00e9 a hora em que eu vou estar estagnado. Acho que ter essa curiosidade \u00e9 algo que se reflete no meu trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi retornar ao universo dos super-her\u00f3is com a fase recente desenhando Flash na DC Comics?<\/strong><br \/>\nA pessoa nunca deixa de gostar de super-her\u00f3is. Mesmo que eu diga que s\u00f3 vou fazer autoral agora, saudade a gente sempre sente. Mas, no caso, foi uma necessidade, uma coisa que aconteceu. Mas eu adorei. \u00c9 um personagem que eu nunca tinha desenhado. Nunca tinha desenhado um quadrinho espec\u00edfico dele. J\u00e1 tinha desenhado uma capa, ou outra coisa. Na verdade, a primeira revista em quadrinho que eu fiz para a DC foi uma arte-final do Flash. Isso foi antes do trabalho com Mulher Maravilha. Eu adorei porque era uma equipe muito boa. O escritor \u00e9 um Alan Moore mirim (risos). (N.E. O roteirista \u00e9 o Simon Spurrier). Ele \u00e9 muito criativo, muito instigante. O editor \u00e9 algu\u00e9m muito bacana de se trabalhar (N.E. Chris Rosa). Eu chamei a colorista de Mulher Maravilha, a Trish Mulvihill, para a gente trabalhar junto de novo. Desde aquela fase com Mulher Maravilha que a gente n\u00e3o trabalhava junto. Foi muito legal. Houve alguns problemas durante a produ\u00e7\u00e3o por conta da continuidade da DC, mas, no final, achei fant\u00e1stico. Pude criar um monte de personagens novos, do zero, mesmo. Se tivesse chance, se eu n\u00e3o tivesse outro compromisso j\u00e1 voltado para AWA, eu tinha continuado. Eles me chamaram para fazer mais seis n\u00fameros. Mas n\u00e3o d\u00e1. Eu tenho que seguir o meu caminho.<\/p>\n<figure id=\"attachment_90099\" aria-describedby=\"caption-attachment-90099\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-90099\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Sem-Titulo-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"575\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Sem-Titulo-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Sem-Titulo-1-300x230.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-90099\" class=\"wp-caption-text\"><em>Absolution<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi o processo de cria\u00e7\u00e3o na sua parceria com Jeff Lemire?<\/strong><br \/>\nEm 90% dos trabalhos que eu fa\u00e7o, das parcerias que eu tenho, o escritor faz a parte dele, eu fa\u00e7o a minha, e a gente se entende. N\u00e3o tem uma discuss\u00e3o na qual eu sugira mudan\u00e7as no roteiro dele, do mesmo modo que ele n\u00e3o fala de mudan\u00e7as nos meus desenhos.\u00a0 A gente se encontra porque somos bons no que fazemos. E esses trabalhos se encaixam. Isso com rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es. No trabalho com o Jeff Lemire, n\u00f3s realmente conversamos sobre o que ir\u00edamos fazer e foi diferente. Mas na maioria das vezes, o cara j\u00e1 vem com uma ideia e eu j\u00e1 venho com minha ideia de como vai ser visualmente e isso se encaixa. Eu sei que tem muitos casos de desenhistas e roteiristas que conversam e planejam, mas eu n\u00e3o gosto muito n\u00e3o. Se o cara vier dar pitaco no meu desenho&#8230; (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sempre foi assim com outros artistas? Normalmente como se d\u00e1 esse di\u00e1logo?<\/strong><br \/>\nO normal nos quadrinhos \u00e9 o desenhista fazer um layout da p\u00e1gina, a\u00ed mostra para o editor\/escritor ou para o escritor. A\u00ed eles aprovam e a pessoa vai e finaliza. Faz o desenho \u00e0 l\u00e1pis e depois faz a pintura. Mas eu sou muito pregui\u00e7oso (risos). Lembro que eu estava fazendo um projeto da Marvel h\u00e1 uns vinte anos. E ele estava muito atrasado. Eu disse ao editor que ia fazer direto na p\u00e1gina, sem fazer layout. &#8220;Qualquer altera\u00e7\u00e3o, a gente faz na arte-final&#8221;, disse a ele. Desde ent\u00e3o, passei a fazer assim, sem layout. \u00c9 algo que n\u00e3o precisa. Por exemplo, sem querer me comparar, claro, mas na AWA, a gente trabalhou com o (J. Michael) Straczynski. Voc\u00ea vai pegar um roteiro do Straczynski e vai botar nota sobre ele? Dizer que tem que mudar isso ou aquilo? N\u00e3o! Voc\u00ea n\u00e3o chega nem perto de um trabalho dele. N\u00e3o faz nem sentido. Ent\u00e3o, eu meio que cuido para que n\u00e3o se mude nada no que eu fa\u00e7o. Claro que algu\u00e9m pode chegar e dizer que um uniforme desenhado est\u00e1 errado. Ou at\u00e9 alguma cena que algu\u00e9m pede alguma mudan\u00e7a. Em geral, eu aceito. Mas, no normal, ningu\u00e9m precisa mudar nada. Com todos os anos de experi\u00eancia que eu tenho, o pessoal j\u00e1 aceita do jeito que est\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou no pref\u00e1cio de &#8220;Absolution&#8221; sobre estar se sentindo com vinte anos de idade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua profiss\u00e3o. Est\u00e1 otimista com o futuro?<\/strong><br \/>\nEu estou otimista com tudo. At\u00e9 com a I.A. J\u00e1 fiz uma obra que tem um futuro bem terr\u00edvel. Mas \u00e9 porque \u00e9 mais divertido voc\u00ea desenhar panoramas terr\u00edveis do que voc\u00ea desenhar todo mundo feliz e bem. Qual \u00e9 a hist\u00f3ria que vai ter todo mundo bem e feliz? \u00c9 preciso ter um drama. Mas, no geral, sou muito positivo. Com minha carreira, com os quadrinhos, com o futuro dos quadrinhos. Eu n\u00e3o sei o que vai acontecer em termos de cen\u00e1rio mundial. As coisas v\u00e3o mudar. Eu acho que os quadrinhos t\u00eam, em termos de mercado, um diferencial. Por exemplo, o mercado de m\u00fasica, que foi destro\u00e7ado, j\u00e1 que s\u00f3 se sobrevive como m\u00fasico, agora, com shows e de venda de obras para algum filme. Fora isso, Spotfy e outras coisas n\u00e3o d\u00e3o o suporte que dava a venda de CDs. Mas quadrinho eu acho diferente. Porque quadrinho \u00e9 cole\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 literatura, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ler. \u00c9 um algo a mais. \u00c9 um item de colecionador.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-90097 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/MIKEDEODATO-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/MIKEDEODATO-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/MIKEDEODATO-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde, de Salvador, e \u00e9 autor de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/11\/entrevista-mitico-guitarrista-baiano-alvaro-assmar-ganha-biografia-joao-paulo-barreto-fala-sobre-uma-vida-blues\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uma Vida Blues<\/a>\u201d, biografia de \u00c1lvaro Assmar.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Deodato aprofunda as decis\u00f5es de sua carreira e fala sobre a experi\u00eancia de trabalho com roteiristas como o pr\u00f3prio Milligan e Brian Michael Bendis. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/03\/entrevista-mike-deodato-jr-fala-sobre-deixar-para-tras-marvel-e-dc-e-sobre-absolution-seu-lancamento-pela-editora-poptopia\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":90098,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[1992,7614,153,7772],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90094"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90094"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90094\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":90103,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90094\/revisions\/90103"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90098"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90094"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90094"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90094"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}