{"id":90070,"date":"2025-07-02T00:24:06","date_gmt":"2025-07-02T03:24:06","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=90070"},"modified":"2025-08-19T00:09:12","modified_gmt":"2025-08-19T03:09:12","slug":"serie-o-estudio-e-uma-bem-humorada-e-genial-carta-de-amor-ao-cinema-e-seus-profissionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/02\/serie-o-estudio-e-uma-bem-humorada-e-genial-carta-de-amor-ao-cinema-e-seus-profissionais\/","title":{"rendered":"S\u00e9rie: \u201cO Est\u00fadio\u201d \u00e9 uma bem humorada e genial carta de amor ao cinema e seus profissionais"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma cena no primeiro epis\u00f3dio da s\u00e9rie \u201cO Est\u00fadio\u201d (\u201cThe Studio\u201d, 2025) no qual o personagem principal, o executivo Matt Remick (interpretado por Seth Rogen) desabafa, com uma colega, sobre a quest\u00e3o que mora no \u00e2mago de sua profiss\u00e3o enquanto produtor cinematogr\u00e1fico: \u201cEu adoro filmes, e sinto que meu trabalho \u00e9 arruin\u00e1-los\u201d. Para al\u00e9m da ironia de escutar uma fala como esta, vindo de um personagem vivido pelo diretor e idealizador da dita produ\u00e7\u00e3o, tal indaga\u00e7\u00e3o carregada de resigna\u00e7\u00e3o reflete muito bem a indigna\u00e7\u00e3o apontada por muitos cin\u00e9filos frente ao cen\u00e1rio atual de Hollywood, onde boas ideias s\u00e3o diariamente reduzidas, descaracterizadas e lan\u00e7adas em ritmo quase industrial, e com pouca ou nenhuma no\u00e7\u00e3o de p\u00fablico-alvo. A grande sacada desta fala \u2013 que d\u00e1 o tom dos dez epis\u00f3dios que compreendem a primeira temporada da s\u00e9rie, dispon\u00edvel via Apple TV+ \u2013 vai mais fundo do que se esperaria, ao indicar uma pergunta extremamente pertinente: seriam as pessoas respons\u00e1veis por arquitetar os filmes que chegam, anualmente, \u00e0s salas de cinema realmente apaixonadas por cinema? E quantos dilemas comerciais, \u00e9ticos e profissionais seria esta paix\u00e3o capaz de atravessar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dirigida e escrita por Rogen em parceria com Evan Goldberg (com o qual o primeiro vem trabalhando desde \u201cSuperbad\u201d, de 2007), \u201cO Est\u00fadio\u201d \u00e9 uma sat\u00edrica, \u00e1cida e acelerada representa\u00e7\u00e3o do funcionamento de um est\u00fadio cinematogr\u00e1fico fict\u00edcio, chamado Continental Studios, que, em meio a constantes (e bruscas) mudan\u00e7as de rumo no ramo da s\u00e9tima arte, luta para balancear a relev\u00e2ncia de seu pr\u00f3prio legado com as necessidades mercadol\u00f3gicas da atualidade. Utilizando-se de um roteiro ao mesmo tempo epis\u00f3dico e bem amarrado, adornado com valores de produ\u00e7\u00e3o sublimes e um elenco perfeitamente escolhido, a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o poupa esfor\u00e7os em construir uma trama instigante e cheia de bom humor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O j\u00e1 citado Remick n\u00e3o come\u00e7a a passar por dilemas como o retratado acima por acaso: logo no in\u00edcio do primeiro epis\u00f3dio, sua vida come\u00e7a a mudar, e possibilidades come\u00e7am a se abrir gra\u00e7as a sua promo\u00e7\u00e3o, pelas m\u00e3os do inescrupuloso CEO da Continental, Griffin Mill (Bryan Cranston), chefe principal da lend\u00e1ria institui\u00e7\u00e3o. A ferrenha devo\u00e7\u00e3o de Matt a produ\u00e7\u00f5es autorais \u00e9, ent\u00e3o, desafiada a cada segundo. N\u00e3o s\u00f3 o executivo tem que lidar com a demiss\u00e3o de sua mentora, Patty Leigh (Catherine O\u2019Hara) \u2013 titular pr\u00e9via do cargo que ele, agora, ocupa \u2013 como tamb\u00e9m passa a ser sua responsabilidade gerenciar uma equipe igualmente dedicada, e igualmente disfuncional: estes incluem o surtado vice-presidente de produ\u00e7\u00e3o e bra\u00e7o direito de Remick, Sal Sapirstein (Ike Barinholtz); a desbocada agente de marketing Maya Mason (Kathryn Hahn); e uma antiga assistente, a jovem Quinn Hackett (Chase Sui Wonders). A din\u00e2mica ca\u00f3tica da equipe, somada a uma latente necessidade de auto-afirma\u00e7\u00e3o (e necessidade de aprova\u00e7\u00e3o alheia) por parte do novo chefe, acabam criando situa\u00e7\u00f5es ora inusitadas, ora inconceb\u00edveis e estapaf\u00fardias, em epis\u00f3dios que, apesar de serem centrados em eventos e circunst\u00e2ncias diferentes, se conectam de forma sutil e espont\u00e2nea.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O Est\u00fadio \u2014 Trailer oficial | Apple TV+\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RYYQv2t0TgI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso listar os in\u00fameros trunfos de \u201cO Est\u00fadio\u201d, e \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o come\u00e7ar falando do elenco: al\u00e9m de Seth Rogen, carregando com louvor o estigma de ador\u00e1vel perdedor que \u00e9 natural a seu personagem, todo o n\u00facleo principal tem seu momento de brilhar, e nem sempre pelos motivos mais nobres. Kathryn Hahn se reafirma como uma int\u00e9rprete magn\u00e9tica, roubando cenas de todos os lados gra\u00e7as a uma combina\u00e7\u00e3o de sua vers\u00e1til atua\u00e7\u00e3o e de escandalosos figurinos, e Chase Sui Wonders esbanja potencial nos cap\u00edtulos em que a \u201cnovata\u201d Quinn cobra mais protagonismo. J\u00e1 Ike Barinholtz \u00e9 a carta coringa no baralho da s\u00e9rie, transbordando carisma no papel de Sal Sapirstein, e Catherine O\u2019Hara se sobressai, magn\u00e2nima e hil\u00e1ria, na pele da obstinada Patty Leigh. O elenco de apoio tamb\u00e9m n\u00e3o fica atr\u00e1s, entre grandes nomes que interpretam personagens (tal qual o excelente Bryan Cranston, como o eg\u00f3latra Griffin) ou, por vezes, a si mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo ponto a ser exaltado na nova s\u00e9rie diz respeito \u00e0s (muitas) participa\u00e7\u00f5es especiais trazidas nesta primeira temporada. Evitando spoilers, basta dizer que muitas das subtramas apresentadas aqui s\u00e3o alicer\u00e7adas em apari\u00e7\u00f5es de nomes estelares, que v\u00e3o de Martin Scorcese a Z\u00f6e Kravitz, passando por Greta Lee, Anthony Mackie, Ice Cube e muitos, muitos outros. Tais surpresas, por\u00e9m, passam longe de funcionarem como uma muleta para o desenvolvimento da narrativa, e n\u00e3o tiram o foco do n\u00facleo principal de figuras em torno das quais a hist\u00f3ria gira. Ao dar espa\u00e7o para convidados de tal calibre, \u201cO Est\u00fadio\u201d tamb\u00e9m garante a veracidade e a perspic\u00e1cia dos coment\u00e1rios que faz sobre uma ind\u00fastria, que, conforme rememorado em um dos melhores e mais enervantes epis\u00f3dios desta leva, faz arte, mesmo que nem sempre com refinamento ou classe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refinamento e classe s\u00e3o, por\u00e9m, a grande chave da principal vit\u00f3ria desta produ\u00e7\u00e3o: o roteiro. Ao brincar com monumentos sagrados de Hollywood e do cinema como um todo \u2013 desde o primor t\u00e9cnico de gravar em pel\u00edcula at\u00e9 o renome de eventos como o Globo de Ouro, em outro impag\u00e1vel momento \u2013 cabe ao texto embalar um ambicioso tratado de amor \u00e0 feitura e admira\u00e7\u00e3o de longas-metragens. Mesmo fatores que se tornam praticamente sin\u00f4nimo com o tipo de resultado almejado por Rogen e Goldberg (o que dizer dos inacredit\u00e1veis planos sequ\u00eancia, que permeiam v\u00e1rios dos epis\u00f3dios sem chamarem a aten\u00e7\u00e3o para si mesmos?) n\u00e3o s\u00e3o trabalhados de modo repetitivo, preferindo criar uma experi\u00eancia imersiva capaz de cativar at\u00e9 aqueles pouco ou nada interessados em cinema, ou nos muitos pormenores que os envolvem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme se encerra a primeira metade de 2025, fica f\u00e1cil cravar \u201cO Est\u00fadio\u201d como uma das grandes produ\u00e7\u00f5es do ano. Compara\u00e7\u00f5es com produ\u00e7\u00f5es ic\u00f4nicas do passado (como \u201cThe Office\u201d) n\u00e3o s\u00e3o de todo infundadas, e podem at\u00e9 despertar a aten\u00e7\u00e3o de camadas mais c\u00e9ticas do p\u00fablico. \u00c9 justo tamb\u00e9m, por\u00e9m, afirmar que trata-se de uma produ\u00e7\u00e3o poucas vezes vista nos \u00faltimos tempos, se \u00e9 que algo parecido j\u00e1 foi sequer tentado. Nem mesmo a estonteante gama de apari\u00e7\u00f5es especiais s\u00e3o o verdadeiro chamariz aqui. Ao inv\u00e9s disso, \u201cO Est\u00fadio\u201d se sobressai por achar gra\u00e7a de algo que muitos, seja l\u00e1 como ou por que, passaram a levar a s\u00e9rio demais \u2013 ou a tratar com total displic\u00eancia. E por mostrar que, por tr\u00e1s da magia testemunhada nas grandes telas, existem seres humanos, cheios de neuroses, frustra\u00e7\u00f5es, crises e, claro, dilemas. \u201cA vida imita a arte, e vice versa\u201d, alguns dizem. Tal frase nunca fez tanto sentido como aqui.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-90071 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/studio1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1125\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/studio1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/studio1-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4cfQaQO-YD4\">\u2013\u00a0Davi Caro\u00a0\u00e9 professor,<\/a>\u00a0tradutor, m\u00fasico, escritor e estudante de Jornalismo. Leia mais textos dele\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/davi-caro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cO Est\u00fadio\u201d se sobressai por achar gra\u00e7a de algo que muitos, seja l\u00e1 como ou por que, passaram a levar a s\u00e9rio demais \u2013 ou a tratar com total displic\u00eancia\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/02\/serie-o-estudio-e-uma-bem-humorada-e-genial-carta-de-amor-ao-cinema-e-seus-profissionais\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":134,"featured_media":90073,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7497],"tags":[7656],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90070"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/134"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90070"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90070\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":90074,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90070\/revisions\/90074"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90073"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90070"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90070"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90070"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}