{"id":90064,"date":"2025-07-01T16:04:19","date_gmt":"2025-07-01T19:04:19","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=90064"},"modified":"2025-08-11T15:59:35","modified_gmt":"2025-08-11T18:59:35","slug":"faixa-a-faixa-helo-ribeiro-comenta-as-inspiracoes-de-ceu-de-gondry-seu-terceiro-disco-solo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/01\/faixa-a-faixa-helo-ribeiro-comenta-as-inspiracoes-de-ceu-de-gondry-seu-terceiro-disco-solo\/","title":{"rendered":"Hel\u00f4 Ribeiro comenta, faixa a faixa, sobre as inspira\u00e7\u00f5es de &#8220;C\u00e9u de Gondry&#8221;, seu terceiro disco solo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de introdu\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><br \/>\nfaixa a faixa de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/heloribeiro70\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hel\u00f4 Ribeiro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cineasta franc\u00eas Michel Gondry \u00e9 respons\u00e1vel por, ao menos, dois cl\u00e1ssicos modernos: a obra-prima \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/03\/20\/10-anos-de-joel-e-clementine\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brilho Eterno de uma Mente sem Lembran\u00e7as<\/a>\u201d (seu segundo filme, de 2004, tamb\u00e9m era sua segunda parceria com o g\u00eanio torto <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/04\/08\/esse-voce-precisa-ver-adaptacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Charlie Kaufman<\/a>) e o ic\u00f4nico clipe de \u201cEverlong\u201d, do Foo Fighters (sua lista de dire\u00e7\u00e3o de clipes musicais, ali\u00e1s, \u00e9 de chorar). A cantora, compositora e flautista <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/heloribeiro70\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hel\u00f4 Ribeiro<\/a>, por\u00e9m, utilizou como inspira\u00e7\u00e3o para seu terceiro disco solo, o rec\u00e9m-lan\u00e7ado \u201c<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/ceudegondry\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">C\u00e9u de Gondry<\/a>\u201d (2025), a obra mais personal do cineasta franc\u00eas, \u201cLa Science des R\u00eaves\u201d (no Brasil, \u201cSonhando Acordado\u201d, 2006), filme on\u00edrico com Gael Garc\u00eda Bernal e Charlotte Gainsbourg em que \u201co protagonista n\u00e3o distingue muito bem as fronteiras entre sonho e realidade\u201d, conta Hel\u00f4.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cativada pelo filme, que tem um car\u00e1ter autobiogr\u00e1fico \u2013 o apartamento do personagem principal, por exemplo, \u00e9 o mesmo onde Michel Gondry morou 15 anos antes \u2013, Hel\u00f4 Ribeiro, que intregra o coletivo Barbatuques, decidiu fazer \u201cuma homenagem a este cineasta que tanto amo\u201d. Para tanto, uniu-se ao produtor Allen Allencar e planejou um EP com cinco m\u00fasicas que ela comp\u00f4s ainda no isolamento da pandemia de Covid 19. Ap\u00f3s um conselho do amigo Tat\u00e1 Aeroplano, decidiu ampliar o repert\u00f3rio e lan\u00e7ar seu terceiro disco solo (precedido por \u201cEspa\u00e7o Invade\u201d, de 2010 e \u201cPaisagem Zero\u201d, de 2021). \u201cVejo <a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/ceudegondry\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">este \u00e1lbum<\/a> como uma colcha de retalhos\u201d, explica Hel\u00f4. \u201cS\u00e3o sensa\u00e7\u00f5es, impress\u00f5es, sentimentos meio borrados e difusos. N\u00e3o h\u00e1 uma linha narrativa, mas momentos que ondulam&#8221;, pontua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201c<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/ceudegondry\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">C\u00e9u de Gondry<\/a>\u201d, que est\u00e1 sendo lan\u00e7ado pelo selo Pequeno Imprevisto, Hel\u00f4 Ribeiro musicou poemas de arrudA (um deles, inclusive, j\u00e1 musicado por Alzira E) e de Marcelino Freire al\u00e9m de assinar parcerias com Allen Allencar e Luiz Marina, e contar com a participa\u00e7\u00e3o de Lucas Gon\u00e7alves (Maglore) e Felipe Antunes (Vitrola Sint\u00e9tica). \u201cAs m\u00fasicas vieram como paisagens novas, lugares internos que me pediram passagem. Cantar essas can\u00e7\u00f5es \u00e9 como vagar por esses lugares, com mais acolhimento e menos julgamento\u201d, conta Hel\u00f4, que no revelador faixa a faixa abaixo enfileira inspira\u00e7\u00f5es (Clube da Esquina, Beatles, Lewis Caroll, Belchior, L\u00f4 Borges, Jefferson Airplane) e aprofunda o olhar do ouvinte sobre como cada uma dessas can\u00e7\u00f5es surgiu e se transformou na vers\u00e3o final do \u00e1lbum. Ou\u00e7a o disco abaixo e acompanhe o faixa a faixa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"C\u00e9u de Gondry\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_n4Rqal2s7IOpS17L71GwY5kfpRoo_Yvno\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>FAIXA A FAIXA \u201cC\u00c9U DE GONDRY&#8221;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>01) \u201c1000 Paisagens\u201d \u2013<\/strong> \u00c9 uma parceria minha com Allen Alencar. Composta \u00e0 dist\u00e2ncia, cada um enviava trechos com letra e m\u00fasica para que o outro continuasse. Assim, era sempre uma surpresa boa quando um \u00e1udio chegava pelo WhatsApp com um novo pedacinho da can\u00e7\u00e3o, como um jogo de compor em que nunca se sabia que rumos a m\u00fasica iria tomar, o que cada um iria propor. Esta forma de cria\u00e7\u00e3o remete muito ao tema da m\u00fasica, em que o eu-l\u00edrico est\u00e1 em um momento de inflex\u00e3o: ap\u00f3s o t\u00e9rmino de um relacionamento, repleto de mem\u00f3rias, saudades e da sensa\u00e7\u00e3o de perda, se encontra em um momento de suspens\u00e3o, sem saber quais novos ventos o futuro lhe reserva. Vai assim seguindo como um rio ao sabor da correnteza. O arranjo traz o piano elegante de Chic\u00e3o Montorfano e o arranjo de sopros de Sergio Kafejian, com tr\u00eas clarones e um clarinete, executado por Daniel Oliveira. Igor Caracas tocou bateria. Quando enviei o bounce da m\u00fasica pro Lucas Gon\u00e7alves, que tinha tocado baixo na grava\u00e7\u00e3o, ele me escreveu falando que n\u00e3o conseguia parar de ouvir a m\u00fasica, que estava vidrado nela. A m\u00fasica j\u00e1 estava praticamente finalizada, mas neste momento tive a ideia de cham\u00e1-lo pra cantar o tema comigo. Eu j\u00e1 tinha gravado minha voz, ent\u00e3o ele gravou a dele no est\u00fadio da casa dele e n\u00f3s sobrepusemos as vozes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>02) \u201cLooking Glass\u201d \u2013<\/strong> Foi composta durante o isolamento da pandemia. Eu sempre acho dif\u00edcil escrever letra de m\u00fasica, no entanto naquele momento estava repleta de sentimentos que queriam transbordar. Sentia solid\u00e3o, medo, tristeza, mas ao mesmo tempo conseguia enxergar alguma beleza dentro daquela melancolia, todo mundo estava separado, mas ao mesmo tempo t\u00e3o junto, t\u00e3o ligado pelo amor, e me veio a imagem de uma pedra cintilante no meio do caos, de um poeta que nasce do espinho da flor. A m\u00fasica traz mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia, Beatles e seus campos de morango, \u201cAlice atrav\u00e9s do Espelho\u201d, de Lewis Caroll, L\u00f4 Borges e seu vento de maio, imagens e sons de um passado distante que vieram `a tona pra compor esta can\u00e7\u00e3o tristemente bela. N\u00e3o sab\u00edamos o que seria de n\u00f3s ap\u00f3s aquilo tudo, ent\u00e3o precisei buscar no passado reminisc\u00eancias de quem eu era, do que vivi e que me formou, pra me fortalecer. \u00c9 uma m\u00fasica que fala com saudade de um passado que se perdeu, daquilo que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais, mas tamb\u00e9m de algo essencial que resiste e permanece. Eu e Allen buscamos esta atmosfera on\u00edrica no arranjo de cordas que Bruno Serroni (cello) e Ricardo Herz criaram. As cordas trazem uma melancolia e ao mesmo tempo uma beleza sublime, trazem tristeza e ao mesmo tempo uma esperan\u00e7a, como uma janela aberta. Allen tocou tamb\u00e9m uma guitarra-c\u00edtara que trouxe um tom misterioso pra can\u00e7\u00e3o. Compus \u201cLooking Glass\u201d em pleno isolamento da pandemia. Eram tempos bem tristes e eu me sentia sozinha e impotente. Estava fazendo um curso online de composi\u00e7\u00e3o com o m\u00fasico Marcelo Segretto e a m\u00fasica surgiu dentro deste contexto: criei como um exerc\u00edcio para o curso. Eu n\u00e3o costumo escrever letra: criar a m\u00fasica sempre foi, pra mim, mais fluido do que fazer a letra. Mas ali, naquele momento, eu tinha tanta coisa engasgada, que algo transbordou. Me veio a imagem de algo bonito que surgia de uma situa\u00e7\u00e3o triste: um poema que nasce de um espinho, uma pedra brilhante que surge do fundo do caos. A imagem da pedra brilhante me remeteu \u00e0 minha inf\u00e2ncia (\u00e0 m\u00fasica que fala da rua ladrilhada com pedrinhas de brilhante), e ent\u00e3o eu fiz um mergulho pra dentro de mim, para outros tempos, quando eu era crian\u00e7a, os sonhos que eu tinha, as m\u00fasicas que escutava, meus livros&#8230; Beatles e Clube da Esquina, \u201cAlice Atrav\u00e9s do Espelho\u201d&#8230; e a letra saiu como uma mistura de algo que se perdeu e ao mesmo tempo algum fio de luz ou esperan\u00e7a: uma saudade triste de um passado que n\u00e3o vai voltar (e ali tinha o \u00e2mbito pessoal e tamb\u00e9m todos n\u00f3s no meio de uma pandemia), mas tamb\u00e9m a consci\u00eancia de que uma rua (a rua com pedrinhas de brilhante que se chama Solid\u00e3o) sempre nos leva a algum lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>03) \u201cUm C\u00e9u Inteiro\u201d \u2013<\/strong> Esta can\u00e7\u00e3o \u00e9 uma parceria minha com arrudA. Ele costumava postar seus poemas no Facebook durante a pandemia. Eu estava louca pra compor, pra me conectar com as pessoas, pra criar, pra me sentir viva. Ent\u00e3o escrevi pra ele perguntando se eu podia musicar dois poemas seus que eu havia escolhido. Ele me respondeu depois de uns quatro dias, dizendo que um deles sim, mas que o outro j\u00e1 havia sido musicado por Alzira E. No entanto. o que aconteceu \u00e9 que quando eu escrevi pro arrudA perguntando, eu j\u00e1 tinha composto as duas m\u00fasicas. Na verdade, quando eu li os poemas pela primeira vez eu j\u00e1 escutei m\u00fasica neles (os poemas do arrudA t\u00eam este efeito sobre mim). Ent\u00e3o esta m\u00fasica, \u201cUm C\u00e9u Inteiro\u201d, ficou engavetada, combinamos que seria uma m\u00fasica-segredo, que ningu\u00e9m iria ouvir. Tempos depois, quando enviei pro Allen uma pasta com minhas composi\u00e7\u00f5es pra escolhermos quais ir\u00edamos produzir pro disco, esta foi junto e foi a primeira que ele escolheu. S\u00f3 que eu n\u00e3o podia grav\u00e1-la. Ent\u00e3o tomei coragem, enviei um \u00e1udio pra Alzira, que \u00e9 minha amiga, me abrindo, contando tudo pra ela. E ela me deu a resposta mais linda do mundo: disse que queria muito que eu gravasse minha m\u00fasica, que ela tinha \u201cm\u00fasica com duas letras, por que ent\u00e3o n\u00e3o poderia haver uma letra com duas m\u00fasicas?\u201d. Disse que a liberdade, a arte, a beleza e a m\u00fasica est\u00e3o em um outro patamar, e que este patamar \u00e9 que deve ser respeitado. Concluiu dizendo: \u201co resto \u00e9 muito pessoal, e a m\u00fasica \u00e9 universal\u201d. Fiquei muito emocionada com sua generosidade e de arrudA, ambos me incentivando a gravar minha vers\u00e3o musicada do poema, que depois descobri, \u00e9 dedicado \u00e0 Alzira. Ent\u00e3o esta can\u00e7\u00e3o \u00e9 um pequeno milagre que p\u00f4de acontecer gra\u00e7as \u00e0 generosidade destes dois artistas que tanto admiro. Ela tem uma atmosfera lunar, de sonho, pra mim \u00e9 uma m\u00fasica azul. Allen escolheu come\u00e7ar apenas com teclado e voz, e depois outros elementos v\u00e3o entrando e aumentando a densidade da can\u00e7\u00e3o, que tem um dueto nosso na segunda parte. Ele se recusava a cantar comigo mas eu insisti bastante at\u00e9 ele ceder! Gravamos as vozes em seu est\u00fadio Casa Embura, que fica no meio da floresta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>04} \u201cBabel\u201d \u2013<\/strong> Esta m\u00fasica \u00e9 uma parceria minha com Allen. O \u00e1lbum \u201cC\u00e9u de Gondry\u201d inicialmente seria um EP com apenas 5 m\u00fasicas. Quando decidi que se tornaria um \u00e1lbum com 8 can\u00e7\u00f5es (por sugest\u00e3o de meu amigo Tat\u00e1 Aeroplano, que disse que disco \u00e9 muito mais legal, melhor pra fechar show, pra divulgar), eu e Allen combinamos de compor juntos pra criar as m\u00fasicas que faltavam. \u201cBabel\u201d \u00e9 uma delas (a outra \u00e9 \u201c1000 paisagens\u201d). Comecei ent\u00e3o a buscar em meu celular trechos de m\u00fasicas que crio e gravo, esbo\u00e7os que deixo l\u00e1 pra um dia, talvez, virarem can\u00e7\u00f5es. Achei este peda\u00e7o de m\u00fasica cantarolado com palavras soltas e meio sem sentido, uma letra monstro. Fui buscando o significado daquelas palavras esparsas, tentando buscar em mim o que eu estava querendo dizer, mesmo que inconscientemente, quando cantarolei aquilo. Ent\u00e3o eu tive um processo de auto-investiga\u00e7\u00e3o e por um bom tempo eu escrevi a letra desta m\u00fasica sem saber muito bem de que eu estava falando. Eram sentimentos esparsos, sensa\u00e7\u00f5es, impress\u00f5es. Eu sabia que a atmosfera era triste, mas, tamb\u00e9m, havia ali beleza. E a m\u00fasica foi acontecendo como cacos que fui juntando, como destro\u00e7os, como uma babel onde se falam diferentes l\u00ednguas. Enviei para Allen e ele criou o refr\u00e3o final. Foi t\u00e3o bonito, porque o que ele criou me fez entender o que eu havia criado sem saber direito o que era. O que ele depreendeu do que eu havia feito deu sentido \u00e0quilo. Mais uma vez, a can\u00e7\u00e3o traz uma atmosfera melanc\u00f3lica e de triste beleza. A parte inicial tem uma melodia descendente como a de \u201cDear Prudence\u201d ou \u201cNa Hora do Almo\u00e7o\u201d, de Belchior. Uma linha mel\u00f3dica que sugere um mergulho interior. \u00c9 uma m\u00fasica simples, despretensiosa, despida, sem muitos floreios.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-90067 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/helo3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/helo3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/helo3-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/helo3-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>05) \u201cQuem \u00e9 Voc\u00ea?\u201d<\/strong> <strong>\u2013<\/strong> Esta can\u00e7\u00e3o \u00e9 uma parceria minha com Luz Marina. Naquela \u00e9poca do isolamento da pandemia, em que todos quer\u00edamos nos conectar de alguma forma, a Luz postou em seu Facebook um convite: \u201cQuem a\u00ed quer compor comigo?\u201d. Eu escrevi imediatamente pra ela, e em seguida ela me enviou um poema seu. Este poema era \u201cQuem \u00e9 Voc\u00ea?\u201d. Eu adorei e compus a m\u00fasica na mesma hora. Me inspirei um pouco na can\u00e7\u00e3o \u201cWhite Rabbit\u201d, do Jefferson Airplane. Depois que a m\u00fasica foi produzida ela foi pra outro lugar, mas quando compus conseguia imagin\u00e1-la na voz de Grace Slick. A can\u00e7\u00e3o fala de amor (ou desejo) \u00e0 dist\u00e2ncia, dos tempos modernos, do que imaginamos a partir do que n\u00e3o vemos, e foi criada quando est\u00e1vamos imersas neste universo virtual. Foi a primeira m\u00fasica do \u00e1lbum a ser produzida e lan\u00e7ada. Eu e Allen buscamos uma sonoridade mais eletr\u00f4nica, mais crua e vazia no in\u00edcio, e depois a m\u00fasica se preenche, embala e sempre que escuto sinto que estou andando de carro com o vidro aberto e sentindo o vento no rosto e nos cabelos. Ficou leve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>06) \u201cCada Gota\u201d \u2013<\/strong> Esta parceria minha com arrudA foi composta da mesma forma que \u201cUm C\u00e9u Inteiro\u201d. Vi seu poema postado no Facebook, amei instantaneamente e musiquei. Durante a pandemia havia uma plataforma, n\u00e3o me recordo o nome agora, que selecionava clipes para postar no seu canal. Havia regras: a can\u00e7\u00e3o tinha que ser executada em trio, e as can\u00e7\u00f5es selecionadas recebiam um valor em dinheiro, o que para os m\u00fasicos que n\u00e3o estavam conseguindo trabalhar durante o isolamento era algo maravilhoso. Os clipes eram aqueles caseiros, de celular, cada um se gravando no seu quadrado. Resolvi chamar pra compor meu trio os m\u00fasicos Lucas Gon\u00e7alves, que tocou baixo, e o Andr\u00e9 Hosoi, meu colega no Barbatuques, que tocou bandolim. Eu toquei guitarra, viol\u00e3o de a\u00e7o e gravei as vozes. Os meninos me enviaram seus \u00e1udios, eu joguei tudo no Logic, coloquei uns efeitos (um inclusive bem espacial e maluco no bandolim do Hosoi), montei o v\u00eddeo no Final Cut e enviei. Naqueles tempos aprendi a produzir v\u00eddeos e \u00e1udios em casa, foi o que salvou. Fomos selecionados e o v\u00eddeo foi divulgado no tal canal. Tempos depois, quando eu e Allen est\u00e1vamos escolhendo as m\u00fasicas pro \u00e1lbum, quis resgatar esta can\u00e7\u00e3o, que fala da grandeza que existe nas pequenas coisas, do oceano que existe em cada gota. Usamos os \u00e1udios originais, Allen colocou uma guitarra que casou super bem com o que hav\u00edamos gravado anteriormente. Est\u00e3o esta can\u00e7\u00e3o \u00e9 h\u00edbrida, foi produzida em dois momentos diferentes. Nasceu de uma forma caseira e depois foi finalizada em est\u00fadio, ganhando uma mix e uma master mais caprichadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>07) \u201c\u00c1lbum\u201d \u2013<\/strong> Foi composta por Ro Fonseca, Bareta e Edu Marin, do trio Barb\u00e1rie. \u00c9 a \u00fanica m\u00fasica do \u00e1lbum que n\u00e3o \u00e9 de minha autoria, mas quando a ouvi pela primeira vez pensei: \u201ccomo eu gostaria de ter composto esta can\u00e7\u00e3o!\u201d. O Ro foi o produtor de meu primeiro disco, \u201cEspa\u00e7o Invade\u201d, lan\u00e7ado em 2010, e eu gosto muito do trabalho dele. Essa m\u00fasica fala de um amor perdido, e a letra se desenrola como algu\u00e9m que est\u00e1 vendo um \u00e1lbum de fotografias de viagens: mem\u00f3rias de lugares pelo mundo e saudades de situa\u00e7\u00f5es vividas com algu\u00e9m que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 mais l\u00e1. A harmonia \u00e9 a coisa mais linda do mundo e eu fiquei com vontade de fazer um arranjo de flautas com uma cama harm\u00f4nica bem impactante, que fizesse a m\u00fasica crescer no final. Modulamos o refr\u00e3o pra ele ficar em uma regi\u00e3o mais aguda do que a vers\u00e3o original, refor\u00e7ando este momento de forte densidade emocional da m\u00fasica. Colocamos metalofones no intermezzo, que conferiram um car\u00e1ter on\u00edrico pra faixa. Convidamos o Felipe Antunes pra cantar comigo, um amigo, cantor e compositor de quem sou muito f\u00e3. Gravamos as vozes no est\u00fadio do Allen, que fica no meio do mato, passamos o dia l\u00e1 em meio a cantos de passarinhos e essa atmosfera de paz transparece na faixa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>08) \u201cEste Poema\u201d \u2013 <\/strong>Esta m\u00fasica \u00e9 uma parceria minha com o escritor Marcelino Freire. Marcelino \u00e9 bastante conhecido por seus livros em prosa, mas o que nem todos sabem \u00e9 que ele \u00e9 tamb\u00e9m um grande poeta. Eu musiquei este poema por ocasi\u00e3o de um show que fiz com uma outra banda de que fa\u00e7o parte, a Sons &amp; Furyas, em que Marcelino fez uma participa\u00e7\u00e3o especial lendo textos de sua autoria. Na \u00e9poca ele enviou alguns poemas in\u00e9ditos para mim e Vanessa Bumagny, a outra compositora da banda, e cada uma musicou um. O que escolhi foi \u201cEste Poema\u201d (que n\u00e3o tinha ainda nome na \u00e9poca). Ele fala da grandeza do amor, de como o poema \u00e9 feito para a pessoa amada e n\u00e3o para os livros ou para a literatura. Ele se vale de um formato liter\u00e1rio, o poema, para justamente recha\u00e7ar a literatura e engrandecer o amor, para coloc\u00e1-lo acima do patamar da literatura (que \u00e9 o objeto de amor de um escritor). Escolhi colocar acordes dissonantes quando a letra \u00e9 mais raivosa, e acordes harm\u00f4nicos quando o poema traz a declara\u00e7\u00e3o de amor. Quando fomos produzir a faixa, Allen, que \u00e9 f\u00e3 de Arto Lindsay e estava escrevendo um trabalho de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o sobre ele, se inspirou e colocou umas guitarras super barulhentas nos momentos dissonantes. Nos momentos em que a harmonia relaxava eu fiz camas vocais bem ternas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-90066 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/helo2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"493\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/helo2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/helo2-300x197.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cVejo este \u00e1lbum como uma colcha de retalhos\u201d, explica Hel\u00f4. \u201cS\u00e3o sensa\u00e7\u00f5es, impress\u00f5es, sentimentos meio borrados e difusos&#8221;, explica a cantora. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/01\/faixa-a-faixa-helo-ribeiro-comenta-as-inspiracoes-de-ceu-de-gondry-seu-terceiro-disco-solo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":90065,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7771],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90064"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90064"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90064\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":90069,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90064\/revisions\/90069"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90065"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90064"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90064"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90064"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}