{"id":90053,"date":"2025-07-01T01:32:28","date_gmt":"2025-07-01T04:32:28","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=90053"},"modified":"2025-09-08T12:15:53","modified_gmt":"2025-09-08T15:15:53","slug":"entrevista-bebendo-cervejas-com-linda-martini","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/01\/entrevista-bebendo-cervejas-com-linda-martini\/","title":{"rendered":"Entrevista: Bebendo cervejas com Linda Martini"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/noacapelas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Capelas<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/screamyell\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de 20 anos na estrada, o que uma banda ainda tem a dizer? Essa d\u00favida \u00e9 uma das principais for\u00e7as motrizes de \u201c<a href=\"https:\/\/linktr.ee\/lindamartini\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Passa-Montanhas<\/a>\u201d, \u00e1lbum que os portugueses do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lindamartini\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Linda Martini<\/a> colocaram no mundo no in\u00edcio de 2025. A despeito do peso de suas duas d\u00e9cadas de hist\u00f3ria, por\u00e9m, a temporada j\u00e1 marca uma s\u00e9rie de estreias para os lusitanos: al\u00e9m de lan\u00e7ar o primeiro trabalho com uma nova forma\u00e7\u00e3o, com o guitarrista Rui Carvalho substituindo o fundador Pedro Geraldes, o grupo tamb\u00e9m fez sua primeira can\u00e7\u00e3o com mais de dez minutos e esteve pela primeira vez no Brasil <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/02\/22\/tres-shows-the-cigarettes-sting-linda-martini\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">para dois shows em S\u00e3o Paulo<\/a>, realizados em fevereiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00f3s nos sentimos em Portugal, porque as pessoas estavam cantando junto. As m\u00fasicas que normalmente cantam l\u00e1, tamb\u00e9m cantaram aqui. Foi especial\u201d, descreve Henriques sobre a noite de estreia em S\u00e3o Paulo, n\u2019A Porta Maldita. Na tarde seguinte \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o (e dias antes do segundo show no Bar Alto), o quarteto \u2013 o \u201cnovato\u201d Rui, mais H\u00e9lio Morais (bateria), Cl\u00e1udia Guerreiro (baixo) e Andr\u00e9 Henriques (voz e guitarra) \u2013 aproveitou para bater um papo com o Scream &amp; Yell, realizado na cervejaria Tap Tap, em Perdizes, destrinchando o processo criativo do \u00e1lbum, um dos mais densos e pol\u00edticos da carreira da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o sentimos que um artista ou m\u00fasico tem a obriga\u00e7\u00e3o de falar sobre um tema espec\u00edfico. Mas \u00e9 inevit\u00e1vel tu n\u00e3o refletires o mundo que se passa \u00e0 tua volta, especialmente se n\u00e3o vives numa bolha\u201d, diz Henriques. \u201cHoje, todo mundo est\u00e1 percebendo que a liberdade j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o que era e pode n\u00e3o ser o que \u00e9 daqui a dois anos. E isto imp\u00f5e-se, mesmo que tu estejas a fazer uma m\u00fasica de amor, um texto de amor sobre a tua namorada, o teu filho, a tua av\u00f3\u201d, complementa o vocalista, refletindo sobre um trabalho composto enquanto a extrema-direita, pelas m\u00e3os do partido Chega, passa a ganhar cada vez mais relev\u00e2ncia em Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A chegada de um novo membro tamb\u00e9m chacoalhou as estruturas do Linda Martini \u2013 at\u00e9 porque, inicialmente, Rui entrou para acompanhar a banda na turn\u00ea do \u00e1lbum \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/07\/18\/entrevista-linda-martini-vira-trio-e-lanca-seu-sexto-album-error-mais-lento-mais-repetitivo-mais-pesado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Err\u00f4r<\/a>\u201d (2022), e passou meses como integrante tempor\u00e1rio do grupo. Al\u00e9m disso, habituada a trabalhar em um processo de resid\u00eancia, na qual cada integrante leva suas ideias para elaborar um novo disco, a banda desta vez se viu sem material na hora de come\u00e7ar o retiro. \u201cNenhum de n\u00f3s sabia se ia correr bem. Pod\u00edamos chegar l\u00e1 na resid\u00eancia e n\u00e3o sair nada. Mas l\u00e1 pelo primeiro dia, assim que come\u00e7ou a sair, come\u00e7amos a perceber que havia tamb\u00e9m uma liga\u00e7\u00e3o criativa\u201d, conta Carvalho, dono de uma carreira solo como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/02\/entrevista-filho-da-mae\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Filho da M\u00e3e<\/a> \u2013 e tamb\u00e9m marido de Cl\u00e1udia Guerreiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista a seguir, os quatro n\u00e3o s\u00f3 falam sobre \u201cPassa Montanhas\u201d e a turn\u00ea no Brasil, mas tamb\u00e9m mostram os bastidores de uma banda inventiva, capaz de dosar melodia, peso, distor\u00e7\u00e3o e delicadeza em um s\u00f3 universo. \u201cEmociona-me o rock e o pesado. Acho que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a m\u00fasica bonita que tem essa capacidade de emocionar. A raiva, no sentido positivo de liberta\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma coisa que me emociona\u201d, diz Carvalho. Os quatro tamb\u00e9m falam sobre a liga\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica brasileira, dissertam sobre o uso de palavr\u00f5es e projetam o futuro \u00e0 moda dos Rolling Stones. \u201cVamos para mais 60 anos. Vou ficar o mais velhinho da banda!\u201d, brinca Rui.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Passa-Montanhas\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_k7SZCgtbehmFUyFz1OIJorgbJEAKRjcG4\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa: O Linda Martini acaba de fazer o primeiro show no Brasil, tendo mais de 20 anos de banda. Imagino que voc\u00eas j\u00e1 tinham recebido sondagens antes, mas nunca tinha acontecido. Por que agora?<\/strong><br \/>\nH\u00e9lio Morais: Era para ter demorado menos tempo, n\u00e9? Antes da pandemia, a gente tinha definido esse plano [de vir para o Brasil]. Tinha uma galera que morava em Portugal quando a gente come\u00e7ou e depois voltou para o Brasil. Quando eu vim com <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/07\/24\/entrevista-helio-morais-paus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a (banda) PAUS<\/a>, em 2019, muita gente me perguntava quando o Linda Martini viria. E eu duvidava se ia ter p\u00fablico. Na \u00e9poca, decidimos juntar dinheiro para fazer uma coisa bem feita, com alguns shows, com uma boa promo\u00e7\u00e3o. A\u00ed veio a pandemia e tivemos que dividir o dinheiro (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9 Henriques: N\u00e3o havia (como agendar) shows.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e9lio Morais: Ficamos meio assim, praticamente desistimos (de vir). Mas rolou agora \u2013 e era como tinha que ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa: Como foi fazer <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/02\/22\/tres-shows-the-cigarettes-sting-linda-martini\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">esse primeiro show no A Porta Maldita<\/a>? Tinha gente querendo ver voc\u00eas e at\u00e9 mesmo cantando e pedindo m\u00fasicas do disco novo.<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9 Henriques: N\u00f3s est\u00e1vamos meio em d\u00favida na hora de fazer o setlist. Pensamos que, como nunca viemos para c\u00e1, se calhar, as pessoas iam querer ouvir as coisas mais antigas, como \u201cAmor Combate\u201d (do disco de estreia da Linda Martini, \u201cOlhos de Mongol\u201d, de 2006). Mas nunca fomos uma banda assim. \u00c9 claro que gostamos das coisas antigas e as tocamos com frequ\u00eancia. Mas nunca fomos uma banda da saudade, de olhar para tr\u00e1s ou de ter que tocar \u201caquela\u201d porque \u201caquela\u201d \u00e9 importante. Decidimos fazer uma cena para n\u00f3s, pensando nas pessoas que viriam, mas tamb\u00e9m no que \u00e9 que nos apetece tocar. E nos surpreendemos muito! O espa\u00e7o \u00e9 muito menor do que n\u00f3s estamos acostumados a tocar l\u00e1. Quando come\u00e7amos, toc\u00e1vamos em muitos bares e clubes deste tamanho, mas h\u00e1 muito tempo que n\u00e3o t\u00ednhamos a experi\u00eancia de tocar num clube pequeno \u2013 e adoramos fazer isso. A proximidade que tu tens com as pessoas \u00e9 diferente: est\u00e1s cara a cara, n\u00e3o h\u00e1 um fosso ou um seguran\u00e7a. \u00c9 uma coisa muito pr\u00f3xima, sente-te muito ligado \u00e0s pessoas. H\u00e1 uma energia na sala toda que te contamina. Foi\u2026 bonito. Sab\u00edamos que viriam algumas pessoas, talvez duas, tr\u00eas, dez. N\u00e3o sei quantas foram que j\u00e1 conheciam a banda. Mas nos sentimos em Portugal, porque as pessoas estavam cantando. As m\u00fasicas que as pessoas normalmente cantam l\u00e1, tamb\u00e9m cantaram aqui. Foi especial.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-90058 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/passa1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/passa1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/passa1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa: Vamos falar do disco novo. Na hist\u00f3ria da m\u00fasica pop, \u00e9 bem comum as bandas come\u00e7arem pesadas, barulhentas, e irem amaciando a sonoridade com o tempo. No \u201cSirumba\u201d (2016), voc\u00eas tiveram um momento mais pr\u00f3ximo da can\u00e7\u00e3o. Na teoria, \u00e9 pra ser um disco para chegar a um p\u00fablico maior. Mas, na sequ\u00eancia, vem o \u201cLinda Martini\u201d (2018), que \u00e9 um disco mais porrada. E a\u00ed na sequ\u00eancia vieram outros discos ainda mais porrada: o \u201cErr\u00f4r\u201d (2022) e o \u201cPassa Montanhas\u201d (2025). Como foi pensar a sonoridade do novo disco?<\/strong><br \/>\nCl\u00e1udia Guerreiro: A verdade \u00e9 que fizemos algumas altera\u00e7\u00f5es na banda. Olhando para tr\u00e1s, nunca quisemos amolecer. Mas h\u00e1 alturas na vida em que tu est\u00e1s mais para um tipo de m\u00fasica. O \u201cSirumba\u201d saiu numa altura dessas, em que a coisa se acalmou um pouco. O processo tamb\u00e9m foi um bocadinho diferente. O Pedro estava morando no Porto, j\u00e1 eu estava gr\u00e1vida, ent\u00e3o estava um bocadinho mais ausente. Assim, as bases foram feitas mais entre o Andr\u00e9 e o H\u00e9lio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa: Seus pops! (risos)<\/strong><br \/>\nCl\u00e1udia Guerreiro: Por isso, acho que depois no \u201cLinda Martini\u201d est\u00e1vamos com saudades [dessa din\u00e2mica]. Quando fizemos o \u201cErr\u00f4r\u201d, quer\u00edamos o peso, uma coisa mais\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e9lio Morais: Densa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udia Guerreiro: Densa, lenta, negra. E do \u201cErr\u00f4r\u201d para o \u201cPassa-Montanhas\u201d, o Pedro deixou de fazer parte da banda e entrou o Rui, que tem um passado rock muito espec\u00edfico. Ele tem um projeto solo, o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/02\/entrevista-filho-da-mae\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Filho da M\u00e3e<\/a>, e isso trouxe algo diferente \u00e0 banda. Sem d\u00favida, o peso viria com ele. Mas \u00e9 diferente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Linda Martini - &quot;A cantiga \u00e9&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mJez7FfsXOA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: Este \u00e9 o primeiro disco do qual voc\u00ea participa da cria\u00e7\u00e3o, Rui?<\/strong><br \/>\n<strong>Marcelo Costa: E aproveitando: como foi a adapta\u00e7\u00e3o? Temos aqui tr\u00eas m\u00fasicos que est\u00e3o juntos h\u00e1 20 anos, numa banda de sonoridade forte. Como foi entrar nesse meio?<\/strong><br \/>\nRui Carvalho: Foi gradual. Houve uma adapta\u00e7\u00e3o que se fez muito r\u00e1pido, que \u00e9 a parte da qu\u00edmica na garagem \u2013 e que depois passa para o palco. Percebemos que t\u00ednhamos todos mais ou menos a mesma maneira de falar, ouv\u00edamos m\u00fasica muito parecida. N\u00e3o foi dif\u00edcil. Depois, h\u00e1 um segundo n\u00edvel de adapta\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o do som. H\u00e1 anos toco sozinho, estou habituado a ter um som desenhado para isso \u2013 o que \u00e9 muito diferente de ter uma banda. A\u00ed j\u00e1 h\u00e1 mais dificuldades. Por fim, h\u00e1 a parte do processo criativo, que nenhum de n\u00f3s sabia se ia correr bem. Pod\u00edamos chegar l\u00e1 na resid\u00eancia e n\u00e3o sair nada. Mas l\u00e1 pelo primeiro dia, assim que come\u00e7ou a sair, come\u00e7amos a perceber que havia tamb\u00e9m uma liga\u00e7\u00e3o criativa. Quando isso aconteceu, ficamos todos mais tranquilos. Mas \u00e9 isso: h\u00e1 um processo de adapta\u00e7\u00e3o de tr\u00eas velhos que tocam h\u00e1 20 anos juntos (risos), com suas discuss\u00f5es pr\u00f3prias. Nisto, tens que entrar de mansinho, de fininho, at\u00e9 poderes mandar algu\u00e9m \u00e0 merda, por exemplo. (risos). N\u00e3o aconteceu [de mandar \u00e0 merda], mas pode acontecer amanh\u00e3. A verdade \u00e9 que o processo foi um bocado gradual, org\u00e2nico e definitivo. N\u00e3o houve um briefing.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e9lio Morais: Mesmo no disco em que o Rui entrou para tocar ao vivo, o \u201cErr\u00f4r\u201d, ele n\u00e3o tocou as partes do Pedro. Ele fez arranjos dele por cima das nossas m\u00fasicas, praticamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: Mas teve uma fase em que voc\u00eas n\u00e3o sabiam se ele era membro ou n\u00e3o da banda, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><br \/>\nH\u00e9lio Morais: Houve. E era mau isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: H\u00e1 fotos de divulga\u00e7\u00e3o da \u00e9poca <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/07\/18\/entrevista-linda-martini-vira-trio-e-lanca-seu-sexto-album-error-mais-lento-mais-repetitivo-mais-pesado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em que voc\u00eas est\u00e3o s\u00f3 os tr\u00eas<\/a>.<\/strong><br \/>\nH\u00e9lio Morais: E olha que ele j\u00e1 estava h\u00e1 nove meses conosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udia Guerreiro: J\u00e1 \u00e9 um filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: Como diria certo poeta brasileiro, \u201cdepois de nove meses voc\u00ea v\u00ea o resultado\u201d.<\/strong><br \/>\nH\u00e9lio Morais: N\u00f3s d\u00e1vamos entrevistas nos shows e ele n\u00e3o. Era esquisito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udia Guerreiro: Naquela \u00e9poca, tudo teve que ser decidido muito r\u00e1pido. A sa\u00edda do Pedro foi em cima da sa\u00edda do disco (\u201cErr\u00f4r\u201d), tivemos que tomar uma s\u00e9rie de decis\u00f5es para assumir que \u00e9ramos o n\u00facleo. Depois, fomos com calma para ver o que acontecia. T\u00ednhamos de ver tamb\u00e9m se ele queria continuar conosco ou n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa: O \u201cPassa Montanhas\u201d foi feito em um processo de resid\u00eancia, algo que voc\u00eas fizeram pela primeira vez no \u201cLinda Martini\u201d. Como funciona esse processo? E o que voc\u00eas levam para a resid\u00eancia?<\/strong><br \/>\nH\u00e9lio Morais: Foi uma necessidade. Houve uma altura em que n\u00f3s est\u00e1vamos com dificuldades. O \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/04\/01\/sobre-tres-discos-de-bandas-portuga\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Turbo Lento<\/a>\u201d foi um disco que levou muito tempo para ser feito, porque o Pedro j\u00e1 estava morando no Porto. Ele vinha todas as semanas a Lisboa, mas era pouco \u2013 at\u00e9 porque durante a semana, o Andr\u00e9 tinha um trabalho em tempo integral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9 Henriques: Eu fui pai na \u00e9poca, era o meu primeiro filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e9lio Morais: Era dif\u00edcil ter tempo para compor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udia Guerreiro: Depois, no \u201cSirumba\u201d, fiquei gr\u00e1vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e9lio Morais: Naquela altura, eu e o Andr\u00e9 ensai\u00e1vamos muito, quase todos os dias da semana. Ali, surgiu a ideia de que se fiz\u00e9ssemos isso o dia todo, a coisa renderia muito mais. No disco seguinte, o \u201cLinda Martini\u201d, decidimos fazer um retiro. Copiamos o Rui neste aspecto, na verdade. N\u00e3o \u00e9 segredo que o Rui e a Cl\u00e1udia s\u00e3o um casal. E, a certa altura, ela nos disse que ele fez uma resid\u00eancia em tal s\u00edtio para compor e foi muito fixe (legal). Fomos para o mesmo s\u00edtio. Quer dizer, n\u00e3o \u00e9 um s\u00edtio \u2013 \u00e9 um lugar, como voc\u00eas dizem aqui. Fizemos essa resid\u00eancia, correu muito bem e passamos a adotar esse esquema. Eu n\u00e3o sou pai, mas todos eles t\u00eam filhos e o Pedro tamb\u00e9m. O processo ajudava porque era uma semana em que n\u00e3o havia preocupa\u00e7\u00e3o nenhuma: est\u00e1vamos ali s\u00f3, de manh\u00e3 \u00e0 noite, pensando na m\u00fasica. Tom\u00e1vamos caf\u00e9 juntos, \u00edamos para a sala, grav\u00e1vamos, faz\u00edamos o almo\u00e7o, fal\u00e1vamos, \u00edamos para a sala, fal\u00e1vamos ao jantar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Linda Martini - &quot;Faz-se de luz&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mI3Q1FA1Wbg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: Mas a resid\u00eancia serve para compor, para gravar\u2026?<\/strong><br \/>\nH\u00e9lio Morais: Compor. O que fazemos s\u00e3o os registros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9 Henriques: Mas ainda n\u00e3o h\u00e1 letra, n\u00e3o h\u00e1 voz. Normalmente, \u00e9 s\u00f3 o instrumental e as ideias. Algumas v\u00eam de casa, outras surgem l\u00e1, e \u00e9 toda a gente a cozinhar por uma semana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: Quem \u00e9 o melhor cozinheiro?<\/strong><br \/>\nH\u00e9lio Morais: \u00c9 uma merda a quest\u00e3o de dizer quem cozinha melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udia Guerreiro: Por qu\u00ea?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9 Henriques: \u00c9s tu quem cozinhas melhor, Claudia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e9lio Morais: \u00c9 um problema, porque h\u00e1 logo uma leitura [de que a mulher \u00e9 quem deve cozinhar].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9 Henriques: A verdade \u00e9 que toda a gente cozinha. Mas a Claudia tem a m\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udia Guerreiro: Lavar a lou\u00e7a \u00e9 mais dif\u00edcil, eles gostam menos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9 Henriques: A\u00ed j\u00e1 est\u00e1s a entrar no g\u00eanero. Eu tamb\u00e9m gosto de lavar a lou\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e9lio Morais: Tamb\u00e9m eu, mas a Cl\u00e1udia nunca aceita que ningu\u00e9m lave a lou\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udia Guerreiro: O que \u00e9 que eu fa\u00e7o bem? \u00c9 lan\u00e7ar a disc\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rui Carvalho: Foste muito b\u00edblica agora. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa: Para o \u201cPassa Montanhas\u201d, voc\u00eas chegaram com algo pronto? Ou foi tudo constru\u00eddo ali?<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9 Henriques: Foi a primeira vez que n\u00f3s fomos para uma resid\u00eancia sem nada. Nos outros discos, sempre que \u00edamos trabalhar, havia muitas ideias na mala. Aqui n\u00e3o havia quase nada: havia uma ou duas coisas que eu e o Rui t\u00ednhamos cozinhado na guitarra, mas era muito pouco. O que aconteceu \u00e9 que quando sa\u00edmos de l\u00e1, sentimos que era um disco muito fechado. Na estrutura, at\u00e9 mais fechado que o \u201cErr\u00f4r\u201d \u2013 que era um disco denso, mas com estruturas que eram labirintos. Come\u00e7a aqui, depois entorta, vira \u00e0 direita, vira \u00e0 esquerda e depois avan\u00e7a. Como chegamos aqui? N\u00e3o sabemos. O disco \u00e9 muito labir\u00edntico e muito para dentro, s\u00f3 n\u00f3s \u00e9 que o conseguimos decifrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: Quando voc\u00eas saem da resid\u00eancia, o que \u00e9 o disco na cabe\u00e7a de voc\u00eas? \u00c9 um momento em que j\u00e1 h\u00e1 uma estrutura de can\u00e7\u00f5es, mas as letras, por exemplo, ainda n\u00e3o vieram.<\/strong><br \/>\nCl\u00e1udia Guerreiro: O disco \u00e9 sempre muito mais pesado. Eu, pelo menos, sempre saio com a sensa\u00e7\u00e3o de que temos um disco realmente pesado. Depois, naturalmente, quando entra a voz, \u00e9 claro que vai amaciar um pouco \u2013 ainda mais porque o Andr\u00e9 n\u00e3o \u00e9 um artista de hardcore.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9 Henriques: Sim, isso acontece. A voz, para al\u00e9m do texto, tem uma carga. Al\u00e9m disso, tens o tema que cada texto vai abordar, tens o componente da melodia. \u00c9 isso que a Cl\u00e1udia diz. H\u00e1 uma melodia que tu n\u00e3o ouvias na resid\u00eancia. Quando metes uma voz, \u00e9 claro que aquilo vai para outro lugar. Depois, h\u00e1 o trabalho das letras. \u00c9 sempre um pesadelo para mim porque tenho aquela tormenta de n\u00e3o querer estragar, querer embelezar. Passo ali um ou dois meses onde tenho ataques de p\u00e2nico.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-90060 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/serra2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/serra2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/serra2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa: As letras s\u00e3o sempre suas?<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9 Henriques: Sim. Meus ataques de p\u00e2nico acontecem porque para mim as can\u00e7\u00f5es est\u00e3o feitas, ent\u00e3o o que \u00e9 que vou acrescentar? Posso tornar isso melhor ou n\u00e3o? \u00c9 sempre dif\u00edcil. J\u00e1 escrevi sobre tanta coisa tamb\u00e9m, n\u00e3o quero me repetir, quero escrever sobre coisas diferentes e tentar sempre, tal como na guitarra, procurar uma outra vers\u00e3o de mim. Na voz, isso tamb\u00e9m acontece. Mas nas letras \u00e9 sempre dif\u00edcil: parece que a cada disco quero inventar a roda e h\u00e1 ali um processo meio dif\u00edcil. O que eu senti desta vez foi que o fato de n\u00e3o termos trazido nada na mala fez com que o resultado da resid\u00eancia ficasse muito distante do disco final. Antes, n\u00e3o: no passado \u00edamos para a resid\u00eancia e o que sa\u00eda dali era quase o disco. Faltava colocar a voz por cima, mas a m\u00fasica era aquela. Desta vez, n\u00e3o. Tivemos que cavar alguns espa\u00e7os para colocar a voz. Falava com eles: \u201caqui, era fixe ter um refr\u00e3o\u201d, \u201caqui n\u00e3o temos bem uma estrutura\u201d, \u201cse calhar mais \u00e0 frente era giro voltar a chamar isso\u201d. \u00c9 por isso que, quando lan\u00e7amos o \u201cPassa Montanhas\u201d em Portugal, inclu\u00edmos na pr\u00e9-venda a \u201cSerra\u201d, uma fita K7 que leva o nome do espa\u00e7o onde fizemos a resid\u00eancia (<a href=\"https:\/\/lindamartini.bigcartel.com\/product\/cassete-serra-edicao-limitada\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dispon\u00edvel aqui<\/a>). Nela, tens ali as vers\u00f5es instrumentais que n\u00f3s fizemos. D\u00e1 mesmo para perceber a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e9lio Morais: Tamb\u00e9m teve outra mudan\u00e7a. O Rui est\u00e1 muito acostumado a compor gravando \u2013 e n\u00f3s n\u00e3o. E nos ensaios que fizemos depois da resid\u00eancia, nunca pegamos tanto nas m\u00fasicas como nesse disco. O fato de irmos para casa e escutarmos fez a gente mudar muito as m\u00fasicas. Trabalhamos mesmo muito. Houve um momento em que eu j\u00e1 estava cansado, porque havia cinco vers\u00f5es de uma mesma m\u00fasica e eu n\u00e3o sabia qual era melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rui Carvalho: N\u00f3s mudamos tudo at\u00e9 o fim, at\u00e9 o \u00faltimo momento, criando alguma ansiedade antes da grava\u00e7\u00e3o. Essa ansiedade nem sempre \u00e9 m\u00e1, ela gera uma surpresa. E quando come\u00e7amos a ver que as m\u00fasicas na Catalunha estavam a soar como estavam, come\u00e7amos a animar cada vez mais, porque vimos o que o disco estava a ser. Uma coisa que eu gostei muito no Linda Martini \u00e9 porque as letras s\u00e3o discutidas por todos. N\u00f3s falamos sobre elas, discutimos para sabermos todos do que \u00e9 que isto se trata. Isto faz com que o disco tenha ficado muito mais coerente, por estarmos \u00e0 volta da mesma ideia. Foi uma parte muito interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: O que \u00e9 \u201cPassa Montanhas\u201d?<\/strong><br \/>\nH\u00e9lio Morais: \u00c9 Balaclava. Por isso que a gente vai tocar no Bar Alto! (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: Mas qual \u00e9 o conceito?<\/strong><br \/>\nH\u00e9lio Morais: O t\u00edtulo vem depois da foto que a gente cogitou por muitos meses para ser a capa do disco. Vou tentar resumir porque \u00e9 uma hist\u00f3ria muito grande. Todos n\u00f3s crescemos no sub\u00farbio de Lisboa, entre Massam\u00e1 e Queluz, na linha de Sintra. Nos anos 1990, havia n\u00e3o exatamente gangues, mas sim grupos de jovens que sa\u00edam na porrada uns com os outros. E havia um problema enorme com o consumo de hero\u00edna na \u00e9poca. No final dos anos 1990, secaram o consumo de maconha, a\u00ed introduziram a hero\u00edna e a galera ficou presa naquilo. Havia uma \u201cgangue\u201d em particular, que era o Gueto, que era de onde eu morava. E nela, havia um cara que era o Beto, supostamente era um l\u00edder, embora n\u00e3o houvesse l\u00edderes. Fato \u00e9 que o Beto j\u00e1 estava vendo a coisa um pouco diferente do resto. Ele entendeu que n\u00e3o fazia sentido sair na porrada porque aquela galera tinha mais coisas em comum do que em desacordo. Foi a\u00ed que ele inventou este personagem, o Corvo, e criou boatos de que ele estava fazendo mal para as pessoas, assaltando as pessoas. De repente, as gangues rivais come\u00e7aram a se unir para perseguir esse inimigo comum, que era ele. At\u00e9 que teve um dia que ele se revelou, explicou o porqu\u00ea de estar fazendo aquilo, que era basicamente para juntar as pessoas. Foi algo super midi\u00e1tico. Pois bem: um pouco antes da gente fazer a resid\u00eancia, uma amiga minha me enviou uma reportagem do (jornal) P\u00fablico e tinha essa foto numa reportagem sobre o Beto nos anos 1990. Ficamos um tempo achando que aquela foto poderia ser uma capa, mas tinha que fazer sentido. E a\u00ed por conta disso a gente chamou o disco de \u201cPassa Montanhas\u201d, que \u00e9 o nome que n\u00f3s damos \u00e0 balaclava, e unimos significados para que isso fizesse sentido.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Linda Martini - &quot;Uma banda&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iTf8BW-8DhE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: Esta \u00e9 a segunda vez que h\u00e1 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/05\/21\/batendo-uma-bola-com-chico-buarque\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Chico Buarque<\/a> citado em uma composi\u00e7\u00e3o de voc\u00eas. A primeira foi em \u201cFebril (Tanto Mar)\u201d, no \u201cTurbo Lento\u201d, que cita \u201cTanto Mar\u201d. Agora, \u201cUma Banda\u201d cita \u201cA Banda\u201d. Por que voltar a Chico?<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9 Henriques: \u00c9 sempre acidental. Nunca \u00e9 planeado, voc\u00eas dizem planejado. \u201cUma Banda\u201d surge neste disco porque o Rui entrou para a banda e est\u00e1vamos a fazer a tour do \u201cErr\u00f4r\u201d, com muitos shows, todas as semanas, muitas horas no carro a andar de Norte a Sul de Portugal. Um dia, n\u00f3s est\u00e1vamos a pensar no que seriam os 20 anos da banda, que se completariam em 2023. Est\u00e1vamos a falar que \u00edamos fazer uns concertos para celebrar a data. E a\u00ed o Rui come\u00e7ou a brincar: \u201cfoda-se, vou matar a banda\u201d. Naquele sentido de \u201cesta merda j\u00e1 durou 20 anos, agora vou gorar isso, vou dar azar, mau olhado, agora que eu entrei, isto vai morrer\u201d. Achei muita piada nisso e comecei a escrever algumas coisas sobre isto de ser uma banda. Nenhum de n\u00f3s estudou m\u00fasica ou sabe ler uma pauta, \u00e0s vezes n\u00e3o sabemos nem em que nota estamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: Nem o Rui?<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9 Henriques: O Rui at\u00e9 engana melhor, mas n\u00e3o sabe. A cena \u00e9 esta: sempre tivemos bandas desde mi\u00fados e nenhum de n\u00f3s pensou que a banda ia comer uma por\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande da nossa vida, que 20 anos depois \u00edamos estar a fazer m\u00fasica. De repente, quando isso acontece, \u00e9 a altura de questionar. A mim, pareceu o momento ideal de questionar, num momento quase de autoflagela\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 isto de ser uma banda. Quando estou para finalizar a letra, lembrei-me de \u201cA Banda\u201d, do Chico. A letra estava quase toda feita, e de repente estou a escrever de uma banda. S\u00e3o 20 anos, vai ver a banda passar? A banda j\u00e1 passou. J\u00e1 s\u00e3o velhos, e de repente aparece o Chico. Mas \u00e9 sempre acidental. Por qu\u00ea? Voc\u00eas sabem, l\u00e1 em Portugal, n\u00f3s ouvimos muita m\u00fasica brasileira. A gera\u00e7\u00e3o dos nossos pais, a gera\u00e7\u00e3o antes do 25 de Abril, ouvia muito o Chico, o Caetano, o Milton Nascimento, a lista \u00e9 imensa. As minhas mem\u00f3rias de crian\u00e7a s\u00e3o estar em casa aos finais de semana e o meu pai p\u00f4r esses discos. Para n\u00f3s, esses nomes s\u00e3o irm\u00e3os de Zeca Afonso, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco ou Fausto. \u00c9 igual, \u00e9 geracional. Eles falavam da ditadura militar aqui e n\u00f3s fal\u00e1vamos do Salazar l\u00e1, as coisas se comunicavam. \u00c9 depois l\u00e1 est\u00e1, o Zeca Afonso aparece, o Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco aparece, e tamb\u00e9m o Chico, mas s\u00f3 nos percebemos no final que temos a sagrada trindade dos cantautores para n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: \u00c9 uma refer\u00eancia interessante porque nenhuma banda t\u00e3o barulhenta quanto o Linda Martini cita o Chico aqui no Brasil.<\/strong><br \/>\nCl\u00e1udia Guerreiro: Mas \u00e9 que em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil mesmo h\u00e1 muitas refer\u00eancias para n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e9lio Moraes: H\u00e1 o \u201cCaretano\u201d. (risos).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-90059 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/passa2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/passa2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/passa2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: O Linda Martini tem 20 anos \u2013 e s\u00e3o 20 anos em que Portugal mudou muito, em altos e baixos. Crises, troikas, geringon\u00e7as, uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as. \u00c9 claro que a banda n\u00e3o \u00e9 primariamente uma banda pol\u00edtica, mas como voc\u00eas enxergam a rela\u00e7\u00e3o da banda com o pa\u00eds?<\/strong><br \/>\nCl\u00e1udia Guerreiro: Acho que a banda agora reflete mais este aspecto, ou pelo menos tem uma tend\u00eancia maior a isso neste momento da nossa vida. Se calhar, preocupam-nos mais coisas agora do que nos preocupavam h\u00e1 20 anos. As pessoas t\u00eam filhos, ficam mais preocupadas, a ver o tempo passar, as tend\u00eancias a mudar. Quando \u00e9ramos putos, quando \u00e9ramos mais novos, se calhar ainda viv\u00edamos a vantagem de um p\u00f3s-25 de Abril.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: E do Mercado Comum Europeu.<\/strong><br \/>\nCl\u00e1udia Guerreiro: Sim, exato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e9lio Morais: E o fascismo era uma coisa distante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udia Guerreiro: E o tempo j\u00e1 est\u00e1 a dar a volta, n\u00e3o \u00e9? Ent\u00e3o agora, realmente, essas quest\u00f5es voltam numa altura em que se calhar, n\u00f3s pensamos mais nelas. J\u00e1 fizemos tamb\u00e9m tanta coisa que, passado tanto tempo, est\u00e1vamos \u00e0 procura de falar do que n\u00e3o dissemos \u2013 e a esta altura realmente h\u00e1 coisas diferentes, infelizmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9 Henriques: \u00c9 porque o tema toca a mais gente. O tema impele porque \u00e9 transversal: aconteceu aqui, acontece nos Estados Unidos, em muitos pa\u00edses da Europa e em Portugal. Mas, por exemplo, se tu olhares um bocadinho para tr\u00e1s, n\u00f3s nunca tivemos a preocupa\u00e7\u00e3o premeditada de falar sobre o que se passa. N\u00e3o h\u00e1 uma agenda. \u00c9 porque as coisas s\u00e3o muito intuitivas. Como n\u00f3s n\u00e3o temos a escola e n\u00e3o sabemos tocar de academia, tamb\u00e9m n\u00e3o temos a escola do pensamento erudito. Portanto, o que sai \u00e9 o que tem de sair, \u00e9 o que a m\u00fasica sugere. Durante muitos anos, trabalhei num emprego formal numa grande consultoria enquanto j\u00e1 fazia (parte d)a banda. Sentia-me completamente mastigado ao viver uma vida que n\u00e3o era a que eu queria. Aos finais de semana, dava shows e era incr\u00edvel, mas depois tinha uma casa, tinha fam\u00edlia, ia come\u00e7ar a ter filhos e havia aquela preocupa\u00e7\u00e3o de ter que ganhar dinheiro. Sentia uma disson\u00e2ncia grande. E \u00e9 por isso que muitas letras nossas falam do trabalho, de rela\u00e7\u00f5es laborais. \u201cRatos\u201d, \u201cFarda Limpa\u201d, \u201cCron\u00f3fago\u201d, tudo fala disto: de te sentires oprimido porque est\u00e1s a trabalhar para algu\u00e9m que fica com o teu dinheiro \u2013 o patr\u00e3o, ou o Estado. E tu ficas a viver feito formiguinha porque tens que pagar a renda, tens que pagar a casa, tens que p\u00f4r comida na mesa. Temos muitas m\u00fasicas que falam disso porque era uma coisa que eu vivia muito na pele. N\u00e3o sentimos que um artista ou m\u00fasico tem a obriga\u00e7\u00e3o de falar sobre um tema espec\u00edfico. Ele tem a obriga\u00e7\u00e3o de fazer a m\u00fasica que tem para fazer. Mas \u00e9 inevit\u00e1vel tu n\u00e3o refletires o mundo que se passa \u00e0 tua volta, especialmente se n\u00e3o vives numa bolha. O que se passa aqui, concordando com o que a Claudia disse, \u00e9 que hoje temos um tema como t\u00ednhamos antes da Revolu\u00e7\u00e3o [dos Cravos]. Hoje temos um tema que parece estar a juntar toda a gente, que est\u00e1 a perceber que a liberdade j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o que era e pode n\u00e3o ser o que \u00e9 daqui a dois anos. Voc\u00eas j\u00e1 viveram bem isso na pele. E de repente, isto junta toda a gente, isto imp\u00f5e-se. Isto vai infiltrar-se, mesmo que tu n\u00e3o queiras, mesmo que tu estejas a fazer uma m\u00fasica de amor, um texto de amor sobre a tua namorada, o teu filho, a tua av\u00f3. Isso vai se infiltrar porque sentes isso. Nesse disco, mais do que nunca, os temas s\u00e3o mais expl\u00edcitos \u2013 n\u00e3o por uma vontade nossa de fazer um disco pol\u00edtico, mas \u00e9 porque isso que estamos a sentir na pele.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Linda Martini - &quot;Cora\u00e7\u00f5es r\u00e1pidos&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/M7jKU8yQE_g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa: Tem uma coisa que eu queria saber. Quando o disco ficou pronto, como ele soou para voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nH\u00e9lio Morais: Um \u00f3timo exemplo \u00e9 quando eu ouvi o disco todo e depois mandei-lhes uma mensagem falando: \u201co disco \u00e9 do caralho, mas n\u00e3o tem single, n\u00e3o vai tocar na r\u00e1dio\u201d. A\u00ed o Andr\u00e9, no dia seguinte, meio de zoeira, mandou uma m\u00fasica e disse: \u201cj\u00e1 tem um single\u201d. A gente achou que a estrutura era redondinha at\u00e9 demais. Mas quando voc\u00ea ouve a vers\u00e3o final de \u201cCora\u00e7\u00f5es R\u00e1pidos\u201d, que \u00e9 a tal m\u00fasica, ela n\u00e3o tem nada de single. A gente colocou uma bigorna no come\u00e7o da m\u00fasica, um barulho infernal. Ou seja: a coisa pode come\u00e7ar de um jeito, mas depois passa pelos filtros do quatro e j\u00e1 foi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rui Carvalho: A gente deixou um single na boca e depois destruiu. \u00c9 uma m\u00fasica engra\u00e7ada, porque primeiro n\u00f3s conseguimos tirar tudo o que h\u00e1 de eletricidade ali, ficando quase uma m\u00fasica popular, da base tradicional portuguesa. E daquilo vai. \u00c9 uma coisa de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e9lio Morais: O \u201cPassa Montanhas\u201d tamb\u00e9m vai ser sempre o primeiro disco do Rui. Ou seja, vai ser sempre \u00edmpar. \u00c9 a primeira vez que fizemos juntos. J\u00e1 nos emocionamos v\u00e1rias vezes ao final de um disco, sempre achamos que \u00e9 o melhor que j\u00e1 fizemos. Isso n\u00e3o \u00e9 novidade. Mas esse tem um gosto especial porque \u00e9 o primeiro com o Rui e a gente tamb\u00e9m queria ter essa sensa\u00e7\u00e3o com ele \u2013 e havia medo de n\u00e3o termos essa sensa\u00e7\u00e3o. A verdade \u00e9 que quando a gente escutou o disco a primeira vez em seguida, na Catalunha, todos n\u00f3s molharam os olhos. Uns numas m\u00fasicas, outros noutras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claudia Guerreiro: A mim foi no \u201cAssombro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e9lio Morais: A mim foi em \u201cUma Banda\u201d, n\u00e3o sei o porqu\u00ea. Porque \u00e9 este lugar de questionamento do que a gente \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa: Andr\u00e9, qual te emocionou mais?<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9 Henriques: O \u201cAssombro\u201d e o \u201cUma Banda\u201d. Fiquei muito comovido com o disco todo e se calhar por isso, porque foi muito tempo. N\u00f3s n\u00e3o sab\u00edamos o que ia acontecer. Est\u00e1vamos com a mesma banda h\u00e1 tantos anos, e de repente entra o Rui? Era um momento de questionamento para n\u00f3s. A ansiedade de n\u00e3o saber o que podia resultar. E quando tu ouves, vem aquela sensa\u00e7\u00e3o de endorfinas, todo o suor abaixo, \u201cfoda-se\u201d. Foi mesmo uma emo\u00e7\u00e3o muito grande.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rui Carvalho: Fiquei muito emocionado. \u00c9 uma emo\u00e7\u00e3o misturada com orgulho. Me emociono com \u201cO Assombro\u201d, claro. Mas tamb\u00e9m fiquei impressionado com \u201cA M\u00e3o Como A Mar\u00e9\u201d, pela din\u00e2mica, pela delicadeza de um disco de rock duro. N\u00f3s somos bem porcos a tocar ao vivo. Mas nesta m\u00fasica, conseguimos ter uma delicadeza que \u00e9 mais t\u00edpica do jazz ou de alguma coisa assim. O disco tem muitos momentos assim e emocionou-me essa delicadeza quando conseguimos acabar uma m\u00fasica, sendo que ela acaba numa porcalhice total, numa destrui\u00e7\u00e3o total. Emociona-me o rock e o pesado. Acho que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a m\u00fasica bonita que tem essa capacidade de emocionar. A raiva, no sentido positivo de liberta\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma coisa que me emociona \u2013 e o disco tem esses momentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udia Guerreiro: Gosto muito do arco que o disco faz. Ele come\u00e7a de uma maneira, com uma vida, e acaba quase com a mesma vida. Ele come\u00e7a em baixo e acaba em baixo. S\u00e3o v\u00e1rios n\u00edveis de justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e9lio Morais: Tem uma que me emociona muito tamb\u00e9m, que \u00e9 \u201c\u00c0s Vezes Perco-Me\u201d. Eu fiquei com um orgulho do caralho do baixo da Claudia. A m\u00fasica come\u00e7a com o baixo a ditar a melodia, com uma batida. Depois, a gente muda a batida e ela botou o mesmo baixo, s\u00e3o as mesmas notas, a mesma sequ\u00eancia, com um ritmo um pouco diferente. \u00c9 algo que me d\u00e1 orgulho: \u00e9 a mesma coisa, mas \u00e9 totalmente diferente. A gente se perde no meio da m\u00fasica e depois volta. N\u00e3o sei explicar muito bem o porqu\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rui Carvalho: \u00c9 uma conversa confusa de pessoas que n\u00e3o sabem ler ou escrever m\u00fasica. Tivemos que nos orientar de quais eram as voltas para estarmos no ritmo no caminho, mas nos perdemos v\u00e1rias vezes. Essa m\u00fasica tem um nome muito adequado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udia Guerreiro: Pois, o nome da m\u00fasica vem disso: eu me perdia nas voltas e a certa altura disse: \u201c\u00e0s vezes perco-me\u201d. O Andr\u00e9 agarrou nisso e construiu a letra \u00e0 volta, \u00e9 assim mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: \u00c9 a primeira vez em muito tempo que o Linda Martini tem uma m\u00fasica de dez minutos \u2013 no caso, \u201cA M\u00e3o Como A Mar\u00e9\u201d.<\/strong><br \/>\nCl\u00e1udia Guerreiro: \u00c9 a primeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e9lio Morais: N\u00e3o \u00e9 a primeira, mas \u00e9. A \u201cLi\u00e7\u00e3o de Voo\u201d tem mais tempo, mas tem uns quatro minutos s\u00f3 de ru\u00eddo. M\u00fasica do princ\u00edpio ao fim, com a gente tocando, \u00e9 a primeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rui Carvalho: Mas para n\u00f3s ela tem s\u00f3 cinco minutos, ela n\u00e3o tem dez minutos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udia Guerreiro: \u00c9 uma m\u00fasica que tem um bom feeling de ter dez minutos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rui Carvalho: D\u00e1 muito gosto de tocar, \u00e9 muito saborosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: Como \u00e9 fazer uma m\u00fasica t\u00e3o grande? \u00c9 um statement? Ou s\u00f3 saiu assim?<\/strong><br \/>\nCl\u00e1udia Guerreiro: Saiu assim. Como \u00e9 o Pink Floyd: \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de ter todo o tempo a fazer isso, tem-se todo o tempo no mundo. Quem quiser n\u00e3o ouvir, n\u00e3o ouve, mas isto \u00e9 um bom jeito de tocar, para crescer, muito devagarinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9 Henriques: Mas h\u00e1 uma coisa muito gira na cassete que n\u00f3s gravamos, na fita. Essa m\u00fasica partiu de duas guitarras que eu e o Rui est\u00e1vamos a tentar casar. Ele tinha uma coisa e eu estava a tocar uma coisa por cima, que aparece no meio da m\u00fasica. Nem sequer \u00e9 o in\u00edcio, aparece l\u00e1 no meio. N\u00f3s achamos que \u00e9 o refr\u00e3o, apesar de ser a \u00fanica parte onde n\u00e3o canto. E h\u00e1 uma parte assim mais harmoniosa, mais bonita. Nessa primeira grava\u00e7\u00e3o, n\u00f3s s\u00f3 t\u00ednhamos isso, coisa de uns 20 segundos. Era a ideia mais curta que t\u00ednhamos e foi a m\u00fasica mais longa. Agora, como chegamos l\u00e1? N\u00e3o sei. T\u00ednhamos aquele bocado e de repente, acho que quando voltamos para a sala de ensaios, come\u00e7aste [Rui] com o in\u00edcio. E depois toda a gente foi tentando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rui Carvalho: Acho que n\u00f3s j\u00e1 t\u00ednhamos falado, antes da resid\u00eancia, de tentar fazer alguma coisa assim. Eu era recente na banda, mas vi perfeitamente que eles n\u00e3o estavam presos a um conceito. Isso \u00e9 espetacular numa banda que tem 20 anos. E falamos um bocado do Pink Floyd, de uma ideia que eles j\u00e1 tiveram v\u00e1rias vezes, de fazer uma coisa que fosse mais uma pe\u00e7a, embora ainda seja uma can\u00e7\u00e3o. T\u00ednhamos a ideia de fazer algo assim, de come\u00e7ar quase do nada e depois derreter-se, diluir-se. Mas t\u00ednhamos esta ideia da delicadeza, de fazer alguma coisa que quase n\u00e3o se ouve. O que \u00e9 engra\u00e7ado de ter essa ideia, e a m\u00fasica acaba de ser feita porque tem essa delicadeza, que acho que o disco precisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udia Guerreiro: Acho que gostamos muito de jogar com din\u00e2mica. Muito embaixo, muito em cima. Tu [Rui], (na carreira) solo, tamb\u00e9m tens isso completamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e9lio Morais: O Andr\u00e9 a solo tamb\u00e9m tem muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udia Guerreiro: Esta m\u00fasica \u00e9 completamente sobre din\u00e2micas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rui Carvalho: E sobre intera\u00e7\u00e3o com os outros.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Linda Martini | Cem Metros Sereia\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4Z2OVft5_5E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa: E n\u00e3o \u00e9 um single. (risos)<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9 Henriques: Mas sabes que o nosso maior single, que n\u00f3s tocamos ontem, n\u00e3o \u00e9 um single. \u00c9 o \u201cCem Metros Sereia\u201d. Nunca tocou na r\u00e1dio, nem em Portugal ou em pa\u00eds nenhum. Nunca teve um v\u00eddeo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: Nem na Antena 3?<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9 Henriques: Nunca! S\u00f3 em programas de autor, se calhar o Henrique Amaro deve ter tocado \u00e0s 11 da noite. Mas nunca passou em r\u00e1dio, teve airplay ou esteve em playlists.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udia Guerreiro: E \u00e9 o maior single.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9 Henriques: E \u00e9 s\u00f3 pela comunidade que n\u00f3s juntamos \u00e0 volta, as pessoas. Ontem vimos isso e foi isso que nos emocionou: de repente as pessoas est\u00e3o a cantar uma m\u00fasica que tem s\u00f3 uma frase. \u00c9 uma m\u00fasica longa, um bocado instrumental, e de repente tem uma frase que toda a gente agarra. E olha, agora que falei nisso do \u201cCem Metros Sereia\u201d, eis aqui uma liga\u00e7\u00e3o ao Brasil que n\u00e3o \u00e9 nada \u00f3bvia. Nos anos 1990, n\u00e3o sei se voc\u00eas t\u00eam essa no\u00e7\u00e3o, mas em Portugal parecia que era brega cantar em portugu\u00eas. Por alguma raz\u00e3o, todas as bandas queriam cantar em ingl\u00eas. Os palavr\u00f5es at\u00e9 eram usados. Mas s\u00f3 havia dois usos: na m\u00fasica popular, quando se queria ser engra\u00e7ado, ou ent\u00e3o na m\u00fasica punk, mas naquele punk antigo, em que tudo parecia muito gratuito. Nunca ningu\u00e9m usava o palavr\u00e3o como n\u00f3s estamos a falar aqui. N\u00f3s estamos juntos, j\u00e1 dizemos \u201cfoda-se\u201d ou \u201ccaralho\u201d trinta vezes, cem vezes. Parecia-nos sempre estranho porque isso n\u00e3o aparecia nas m\u00fasicas. \u201cPorque \u00e9 que eu n\u00e3o digo foda-se numa m\u00fasica?\u201d Lembrei dessa conversa porque o Caetano tem uma m\u00fasica que \u00e9 o \u201cEstou-Me A Vir\u201d, acho que \u00e9 do \u201cZii e Zie\u201d. E ele deu uma entrevista nessa altura onde ele dizia que tinha estado em Portugal e tinha adorado a express\u00e3o \u201cestou-me a vir\u201d. Voc\u00eas dizem \u201cgozar\u201d, n\u00f3s dizemos \u201cestou me a vir\u201d. E ele dizia que aquilo era mais parecido com o ingl\u00eas \u2013 \u201cI\u2019m coming\u201d. Pensei que aquilo era bonito e pensei porque n\u00e3o dizia aquilo numa m\u00fasica tamb\u00e9m. A liga\u00e7\u00e3o vem da\u00ed. Em \u201cN\u00f3s, Os Outros\u201d, veio \u201cse me vier, espero te chegar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: \u00c9 algo que um ouvinte brasileiro n\u00e3o percebe.<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9 Henriques: Mas l\u00e1 tamb\u00e9m n\u00e3o, ningu\u00e9m sabe isso que vem da\u00ed, s\u00f3 n\u00f3s \u00e9 que sabemos. Por isso que \u00e9 giro falar <strong>contigo disso.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: \u201cS\u00f3 n\u00f3s dois \u00e9 que sabemos\u2026\u201d<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9 Henriques: (risos). Mas a cena \u00e9 que de repente eu comecei a discutir isso. N\u00e3o \u00e9 gratuito, n\u00e3o vou procurar dizer \u201cfoda-se\u201d numa m\u00fasica se ela n\u00e3o me levar para essa dire\u00e7\u00e3o, mas se levar, por que n\u00e3o? E essa ideia do \u201cfoder \u00e9 perto de amar\u201d apareceu numa altura em que pensamos assim: vou dizer o que tiver que dizer. E pode ser \u201cfoda-se\u201d, pode ser \u201ccaralho\u201d, porque ser o que for. Isso vem do Brasil. O Caetano sempre teve uma linguagem mais aberta. Em Portugal, n\u00e3o tens isso. N\u00e3o tens o Z\u00e9 Mario Branco ou o Zeca Afonso a dizer \u201cfoda-se, caralho\u201d. \u00c9 o portugu\u00eas correto, portugu\u00eas padr\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udia Guerreiro: Era uma grande defesa \u00e0 tua educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9 Henriques: E o portugu\u00eas era solene. E havia uma coisa que nos irritava: como durante muitos anos n\u00e3o se escreveu em portugu\u00eas, quando as bandas come\u00e7aram a cantar em portugu\u00eas, toda a gente queria ser poeta. Queriam usar a palavra dif\u00edcil, \u201ctu tens que ir ao dicion\u00e1rio para perceber o que eu estou a dizer\u201d. N\u00e3o quer\u00edamos isso, quer\u00edamos escrever como estou a falar contigo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Linda Martini - Cem Metros Sereia @ A Porta Maldita, S\u00e3o Paulo - 13\/02\/2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KlbdS7sPydY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa: Tem alguma das m\u00fasicas do disco tocando nas r\u00e1dios em Portugal agora? E pergunto isso porque no Brasil n\u00e3o tem nenhuma banda que chegue ao n\u00edvel de peso de voc\u00eas tocando nas r\u00e1dios. Para n\u00f3s, quando voc\u00eas falam de um single que vai tocar na r\u00e1dio, isso \u00e9 algo que n\u00e3o existe no Brasil.<\/strong><br \/>\nH\u00e9lio Morais: S\u00f3 tem uma r\u00e1dio nacional que ainda toca um pouco a gente, que \u00e9 a Antena 3. Cada disco sempre tem pelo menos uma m\u00fasica que entra nas playlists deles. Fora isso, s\u00f3 tem r\u00e1dios mais locais, como a Radar, tinha a Super Bock, que terminou. A Vodafone FM passava indie e deixou de passar. No momento tem s\u00f3 a Antena 3 e a Radar, e a Radar \u00e9 local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udia Guerreiro: Mas voc\u00eas t\u00eam muita m\u00fasica brasileira a passar na r\u00e1dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa: Mas em termos de rock, n\u00e3o.<\/strong><br \/>\nCl\u00e1udia Guerreiro: Mas h\u00e1 uma produ\u00e7\u00e3o gigante da m\u00fasica c\u00e1, que n\u00e3o se compara com a produ\u00e7\u00e3o de m\u00fasica que n\u00f3s temos l\u00e1. H\u00e1 muita coisa que voc\u00eas podem passar na r\u00e1dio antes de chegar aos indies.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa: Mas pensa na primeira m\u00fasica do primeirodisco da Maria Beraldo (nota: que participaria do show do Linda Martini no Bar Alto). \u00c9 uma m\u00fasica muito pop. Poderia tocar.<\/strong><br \/>\nH\u00e9lio Morais: Mas \u00e9 que provavelmente ela j\u00e1 est\u00e1 encaixada no indie.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: Mas a Maria Beraldo \u00e9 uma cantora de m\u00fasica brasileira radical, que o ouvinte m\u00e9dio de m\u00fasica brasileira n\u00e3o alcan\u00e7a.<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9 Henriques: Mas a nossa hist\u00f3ria de r\u00e1dio \u00e9 muito curiosa, porque n\u00f3s temos a sorte de ter um pa\u00eds muito pequeno. N\u00e3o tem compara\u00e7\u00e3o com o Brasil nesse aspecto. E temos a sorte de ter a Antena 3, sendo uma r\u00e1dio nacional com apoio do Estado e que tem uma curadoria que consiga encaixar alguma m\u00fasica portuguesa. Mas a verdade \u00e9 que, por exemplo: no \u201cTurbo Lento\u201d, um dos singles foi a \u201cVolta\u201d. \u00c9, se calhar, das can\u00e7\u00f5es mais radiof\u00f4nicas que j\u00e1 fizemos. \u00c9 mais calma, n\u00e3o tem muita distor\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem gritos. E lembro que naquela altura, eu tinha uma amiga que trabalhava numa r\u00e1dio mais comercial e a gravadora tentou fazer o pitch para a m\u00fasica entrar l\u00e1. E eles achavam barulhenta, eles achavam horr\u00edvel. Ou seja, a percep\u00e7\u00e3o que n\u00f3s temos, a percep\u00e7\u00e3o de quem consome m\u00fasica independente, \u00e9 uma. Mas para o p\u00fablico em geral, o que estava a dizer com a Maria Beraldo, nem tudo \u00e9 f\u00e1cil, n\u00e3o \u00e9 redondo. N\u00f3s nunca tivemos muita facilidade com as r\u00e1dios mainstream. Tirando a Antena 3 e as r\u00e1dios pequenas, de nicho, focadas no underground, nunca fomos uma banda de r\u00e1dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e9lio Morais: Para voc\u00eas verem: a coisa menos redonda e pop que tocou alguma vez na r\u00e1dio com mais audi\u00eancia em Portugal \u00e9 o Capit\u00e3o Fausto. \u00c9 a coisa mais indie que alguma vez tocou l\u00e1. E \u00e9 redondinha tamb\u00e9m. Mas para a r\u00e1dio mainstream, \u00e9 uma coisa muito fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas: Voc\u00eas est\u00e3o juntos h\u00e1 20 anos. J\u00e1 houve algum momento em que voc\u00eas acharam que j\u00e1 disseram tudo o que tinham para dizer?<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9 Henriques: Vou te confessar uma coisa. Cada vez que acabo um disco com eles, sempre acho que n\u00e3o sei como fazer um disco depois. Quando vamos partir para um disco novo, sinto sempre essa ansiedade do que vou fazer, do que n\u00f3s vamos fazer. Quando pego na guitarra, parece que tudo o que fa\u00e7o j\u00e1 soa como coisas que j\u00e1 fiz. Come\u00e7o a escrever e as primeiras ideias, durante um ou dois meses, v\u00e3o todas para o lixo. Fico frustrado porque parece que \u00e9 tudo igual, porque se calhar j\u00e1 fiz e j\u00e1 toquei melhor. N\u00e3o h\u00e1 nenhum disco em que n\u00e3o aconte\u00e7a isso. Em todos, \u00e9 uma luta interna muito grande. Mas depois que o trabalho em si come\u00e7a a se formar, lembro que n\u00e3o \u00e9 um trabalho sozinho, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o trabalho de uma pessoa. Sou eu com a minha inseguran\u00e7a, o Rui com a inseguran\u00e7a dele, os dois com as deles. E \u00e0s vezes h\u00e1 um que puxa uma ideia, outro puxa outra e de repente as coisas s\u00e3o transformadas por quatro cabe\u00e7as diferentes e ganhas uma seguran\u00e7a extra. \u201cOk, h\u00e1 ali uma cena, podemos ir por aqui\u201d. Mas em todos os discos \u00e9 um processo dif\u00edcil, sinto mesmo uma ang\u00fastia grande. Sempre que come\u00e7o um disco, acho que n\u00e3o vou conseguir fazer. Digo que n\u00e3o sei como se faz uma m\u00fasica, um texto. E quando olho para o trabalho acabado, \u00e9 estranho, porque parece que n\u00e3o fiz bem parte daquilo. E em certa medida n\u00e3o fiz, porque contribu\u00ed e dei meu cunho, mas no final aquilo \u00e9 t\u00e3o transformado e cresce tanto. Essa \u00e9 a magia de ter um projeto como este, t\u00e3o democr\u00e1tico no sentido da partilha de ideias. Tu nunca sentes que nada \u00e9 inteiramente teu. Uma ideia que pode at\u00e9 partir de ti \u00e9 t\u00e3o transformada que de repente tu acabas te perguntando como fez aquilo. N\u00e3o fui eu que fiz, \u00e9 toda a gente. \u00c9 um pr\u00e9dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udia Guerreiro: [O Linda Martini] n\u00e3o \u00e9 aquela banda em que tu chegas e digas que esta m\u00fasica fui eu quem fiz. N\u00e3o: por mais que haja m\u00fasicas que s\u00e3o mais um ou outro, \u00e9 uma coisa completamente diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa: E voc\u00eas est\u00e3o prontos para mais 20 anos juntos?<\/strong><br \/>\nH\u00e9lio Morais: Se a sa\u00fade permitir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rui Carvalho: 60 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa: P\u00f4, os Stones est\u00e3o h\u00e1 a\u00ed h\u00e1 mais de sessenta.<\/strong><br \/>\nH\u00e9lio Morais: Mas eles j\u00e1 botaram sangue novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa: [aponta para Rui] Mas temos um sangue novo aqui.<\/strong><br \/>\nRui Carvalho: Eu vou ficar o mais velhinho da banda!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Linda Martini - &quot;Assombro&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KZ8sE1yHRlU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Linda Martini - E N\u00e3o Sobrou Ningu\u00e9m @ Noite MIL Music, Bar Alto, S\u00e3o Paulo - 18\/02\/2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/c2E8EJMNBEs?list=PL6gBQKY5zwa3L7N3b3DUjRcRIfCRXopsi\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Linda Martini - Cora\u00e7\u00f5es R\u00e1pidos @ A Porta Maldita, S\u00e3o Paulo - 13\/02\/2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/z6q7d3lhnho?list=PL6gBQKY5zwa0wvw7bzO1bbVd2oSu2iiGp\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas)<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista. Apresenta o\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/indieeldorado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a>, na Eldorado FM, e escreve a newsletter\u00a0<a href=\"https:\/\/meusdiscosmeusdrinks.substack.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Meus Discos, Meus Drinks e Nada Mais<\/a>. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010.<br \/>\n\u2013\u00a0Marcelo Costa\u00a0(<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Ana Viotti \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Lan\u00e7ado em fevereiro, \u201cPassa Montanhas\u201d \u00e9 o primeiro disco do grupo composto com Rui Carvalho (Filho da M\u00e3e) e reflete sobre longevidade musical, peso e situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Portugal\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/01\/entrevista-bebendo-cervejas-com-linda-martini\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":90061,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[272,47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90053"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90053"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90053\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":90062,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90053\/revisions\/90062"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90061"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90053"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90053"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90053"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}