{"id":89855,"date":"2025-06-17T00:01:21","date_gmt":"2025-06-17T03:01:21","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=89855"},"modified":"2025-07-24T23:44:22","modified_gmt":"2025-07-25T02:44:22","slug":"qotsa-josh-homme-encara-a-propria-mortalidade-no-filme-alive-in-the-catacombs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/06\/17\/qotsa-josh-homme-encara-a-propria-mortalidade-no-filme-alive-in-the-catacombs\/","title":{"rendered":"QOTSA: Josh Homme encara a pr\u00f3pria mortalidade no filme \u201cAlive in the Catacombs\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos 2000, o Queens of the Stone Age era a encarna\u00e7\u00e3o da masculinidade do stoner rock moderno: riffs rob\u00f3ticos, postura sarc\u00e1stica, sexy e levemente autoconsciente. O l\u00edder Josh Homme era o centro gravitacional disso tudo &#8211; um anti-her\u00f3i ruivo, talentoso e imprevis\u00edvel. Duas d\u00e9cadas e muitas turbul\u00eancias depois, o filme-concerto \u201cAlive in the Catacombs\u201d (2025) apresenta o mesmo artista em um ambiente drasticamente diferente: as catacumbas \u00famidas e f\u00fanebres de Paris. E mais do que isso, como algu\u00e9m que n\u00e3o performa invulnerabilidade, mas sim um retrato de um frontman \u00e0s voltas com sua pr\u00f3pria mortalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme foi lan\u00e7ado digitalmente <a href=\"https:\/\/qotsa.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no site da banda<\/a> em 5 de junho, com o \u00e1udio dispon\u00edvel nos portais de streaming em 13 de junho (ou\u00e7a o show na integra no final do texto), juntamente com uma edi\u00e7\u00e3o limitada em vinil com apenas 5 mil c\u00f3pias numeradas atualmente em pr\u00e9-venda.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Queens of the Stone Age - Alive in the Catacombs (Official Trailer)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RYwubNR8m1o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais que um show, \u201cAlive in the Catacombs\u201d \u00e9 praticamente uma medita\u00e7\u00e3o sobre morte, mem\u00f3ria e identidade de seu principal compositor. O QOTSA tentou tocar nesse espa\u00e7o (que abriga os restos mortais de mais de seis milh\u00f5es de pessoas) por mais de vinte anos, at\u00e9 finalmente obter permiss\u00e3o do governo franc\u00eas. A espera resultou em um dos registros mais distintos de uma banda: um concerto subterr\u00e2neo gravado em julho de 2024 que transforma ossos, umidade e escurid\u00e3o em um cen\u00e1rio melancolicamente bonito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atmosfera \u00e9 solene: ilumina\u00e7\u00e3o amarela, \u00e1gua pingando do teto, m\u00fasicos de apoio se enfileirando em corredores l\u00fagubres, enquanto Homme, Troy Van Leeuwen, Dean Fertita, Michael Shuman e Jon Theodore mostram arranjos semi ac\u00fasticos e percuss\u00f5es pouco convencionais. O repert\u00f3rio deixa de lado hits como &#8220;No One Knows&#8221;, &#8220;Go With the Flow\u201d e &#8220;Make it Wit Chu&#8221;, apostando nas faixas \u201cRunning Joke\/Paper Machete\u201d, \u201cKalopsia\u201d, \u201cVillains of Circumstance\u201d, \u201cSuture Up Your Future\u201d e \u201cI Never Came\u201d, todas retrabalhadas com sonoridades mais taciturnas e dram\u00e1ticas. E \u00e9 realmente incr\u00edvel que essa apresenta\u00e7\u00e3o tenha sido captada de forma n\u00edtida e supostamente sem v\u00e1rios takes (como o material de divulga\u00e7\u00e3o afirma).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-89856 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/alive1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/alive1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/alive1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAlive in the Catacombs\u201d tamb\u00e9m \u00e9 bel\u00edssimo visualmente. A dire\u00e7\u00e3o de Thomas Rames e a fotografia de Th\u00e9o Fauger (com o uso da ferramenta Stemirax, que permite sobreposi\u00e7\u00f5es visuais em tempo real) criam um ambiente no qual os m\u00fasicos parecem surgir como vultos e apari\u00e7\u00f5es. Segundo os pr\u00f3prios realizadores, a inten\u00e7\u00e3o era fazer das catacumbas a protagonista do filme. E Homme, que opta por apenas cantar (sem tocar instrumentos), est\u00e1 mais &#8216;Red Elvis\u2019 do que nunca, entregando sua performance vocal mais emocional at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas tudo isso precisa de um contexto maior. Desde o epis\u00f3dio em que chutou uma fot\u00f3grafa no meio de um show em 2017, at\u00e9 as longas batalhas judiciais com sua ex-esposa Brody Dalle, que envolveram acusa\u00e7\u00f5es m\u00fatuas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, depend\u00eancia qu\u00edmica e disputas pela guarda dos filhos, a imagem p\u00fablica de Homme foi profundamente desgastada. Em 2022, veio o diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer. Em 2023, a recupera\u00e7\u00e3o. Em 2024, no meio da turn\u00ea europeia da banda, ele precisou de uma nova cirurgia de emerg\u00eancia. E assim, \u201cAlive in the Catacombs\u201d foi gravado entre uma febre de quase 40\u00b0 e uma consequente interna\u00e7\u00e3o de seu obstinado idealizador. S\u00e3o eventos que, inevitavelmente, moldam a hist\u00f3ria e vis\u00e3o do filme &#8211; assim como a imagem do vocalista deitado em um altar de pedra, como se oferecesse seu corpo em um ritual de sacrif\u00edcio.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Behind the Scenes: Alive in Paris and Before (Trailer)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lyaVYAKkgFU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa narrativa \u00e9 refor\u00e7ada pelo mini-document\u00e1rio que o acompanha, \u201cAlive in Paris and Before\u201d, dirigido por Andreas Neumann. Nele, vemos sucessivos ensaios, intera\u00e7\u00f5es com seus filhos, o cancelamento dos shows da turn\u00ea, Homme em estado f\u00edsico debilitado insistindo em gravar nas catacumbas, pausas para repouso em uma maca entre os takes. \u00c9 quase como se a mensagem a ser passada fosse: \u201ceste n\u00e3o \u00e9 mais o roqueiro agressivo e descontrolado, \u00e9 um homem doente e vulner\u00e1vel tentando se reconectar com sua arte, paternidade e sua pr\u00f3pria humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem \u00e9 forte, mas tamb\u00e9m pode ser devidamente calculada para causar empatia no p\u00fablico. Sim, existe algo bem sincero na entrega de Homme nesse filme. Mas h\u00e1, tamb\u00e9m, uma constru\u00e7\u00e3o cuidadosa do personagem. Mostrar sua fragilidade f\u00edsica, emocional e art\u00edstica pode ser um gesto genu\u00edno, mas deve tamb\u00e9m ser encarada como uma forma de reabilita\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, tentando dobrar sua pr\u00f3pria mitologia: se antes ele era o anti-her\u00f3i autodestrutivo, agora \u00e9 o m\u00e1rtir resiliente. Doente, mas comprometido. Ferido, mas verdadeiro. &#8220;Quando voc\u00ea est\u00e1 passando pelo inferno, continue indo&#8221;, como ele mesmo chega a sussurrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, nada disso diminui a qualidade do filme. \u00c9 justamente essa tens\u00e3o entre sinceridade e constru\u00e7\u00e3o que torna o projeto t\u00e3o interessante, al\u00e9m de documentar com belas imagens uma performance musical inusitada e artisticamente ousada. Existe grandeza e melancolia nos arranjos, na dire\u00e7\u00e3o de arte, na entrega vocal. Josh Homme canta como se estivesse se despedindo, pedindo perd\u00e3o, ou apenas tentando seguir em frente &#8211; talvez tudo isso simultaneamente. De todo modo, vale ver e sentir suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es. Mesmo que com um certo grau de ceticismo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Queens of the Stone Age - Running Joke \/ Paper Machete (Alive in the Catacombs) (Official Audio)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DTPssePBRG4?list=OLAK5uy_mMBioHa5QfVrGLqMtoQzWkjqBsHvH53F0\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A imagem \u00e9 forte, mas tamb\u00e9m pode ser calculada para causar empatia. 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