{"id":89769,"date":"2025-06-13T11:49:12","date_gmt":"2025-06-13T14:49:12","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=89769"},"modified":"2025-09-08T12:15:26","modified_gmt":"2025-09-08T15:15:26","slug":"entrevista-bob-mould-fala-sobre-novo-disco-solo-o-legado-do-husker-du-trump-e-shows-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/06\/13\/entrevista-bob-mould-fala-sobre-novo-disco-solo-o-legado-do-husker-du-trump-e-shows-no-brasil\/","title":{"rendered":"Entrevista: Bob Mould fala sobre novo disco solo, o legado do H\u00fcsker D\u00fc, Trump e shows no Brasil"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais conhecido por seu trabalho com o H\u00fcsker D\u00fc, uma das mais importantes e influentes bandas do hardcore dos anos 1980 nos EUA, o vocalista e guitarrista Robert Arthur Mould, ou <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Bob+Mould\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bob Mould<\/a>, possui uma discografia que passa de 20 \u00e1lbuns, incluindo os seis cl\u00e1ssicos com o hist\u00f3rico power trio de Minnesota, dois discos marcantes e de grande popularidade com o Sugar nos anos 1990, um disco colaborativo com Richard Morel e uma extensa e marcante carreira solo, que acaba de chegar ao seu lan\u00e7amento de n\u00famero 14 com o intenso e interessante \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/03\/17\/musica-em-here-we-go-crazy-bob-mould-reconhece-seu-proprio-legado-e-abraca-vigorosamente-a-resignacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Here We Go Crazy<\/a>\u201d (2025).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu mais recente disco, o sexto ao lado do baixista Jason Narducy e do baterista Jon Wurster, o m\u00fasico de quase 65 anos de idade (a serem completados em outubro) continua fazendo o que sabe de melhor: uma mistura altamente inspirada de punk\/hardcore com melodias mais pop e letras interessantes, que se intercalam de maneira fluida e natural ao longo de 11 m\u00fasicas espalhadas por cerca de 30 minutos de boa m\u00fasica, com destaque para a solar faixa-t\u00edtulo, as intensas \u201cNeanderthal\u201d e \u201cHard to Get\u201d, a grudenta \u201cWhen Your Heart is Broken\u201d e a bela \u201cLost or Stolen\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista abaixo, feita por telefone no final de maio ap\u00f3s uma s\u00e9rie de shows pelos EUA, um simp\u00e1tico e disposto Mould falou sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o do seu mais recente trabalho e como ele pode ser comparado com seus trabalhos anteriores, discorreu sobre a situa\u00e7\u00e3o dos EUA sob um novo mandato de Trump e como foi ver seu nome associado ao candidato a vice democrata derrotado, o ex-governador de Minessota, Tim Walz, que se disse f\u00e3 do H\u00fcsker D\u00fc, relembrou sua (at\u00e9 agora) <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/07\/bob-mould-ao-vivo-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00fanica passagem pelo Brasil<\/a>, em 2013, revelou como o in\u00edcio precoce como compositor, aos 9 anos, ainda influencia a sua forma de escrever, e contou quais discos mudaram a sua vida.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Here We Go Crazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_luxPFkrgjLrvPx_Fzo-OcSpj5tYcQTRhw\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vi os setlists da sua turn\u00ea atual e notei que os dois \u00faltimos discos dominam a maior parte do repert\u00f3rio, junto com m\u00fasicas do H\u00fcsker D\u00fc. Queria saber se voc\u00ea acha que d\u00e1 pra estabelecer algum tipo de conex\u00e3o entre esses dois \u00faltimos \u00e1lbuns e aquele material mais antigo \u2014 n\u00e3o s\u00f3 sonoramente, mas tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o ao momento do mundo: os anos 1980 e agora, com a segunda administra\u00e7\u00e3o Trump e o estado atual das coisas.<\/strong><br \/>\nBom, acho que tudo soa como \u201ceu\u201d. Ent\u00e3o, voc\u00ea est\u00e1 certo. Na turn\u00ea atual, temos nos concentrado nos seis \u00e1lbuns que fizemos juntos com essa forma\u00e7\u00e3o (Nota: desde \u201cSilver Age\u201d, de 2012). O restante do set, geralmente seis ou sete m\u00fasicas, s\u00e3o do H\u00fcsker D\u00fc, com m\u00fasicas que escrevi para a banda. E, respondendo mais diretamente \u00e0 sua pergunta se tudo \u00e9 intencionalmente pol\u00edtico ou voltado para alguma dire\u00e7\u00e3o&#8230; Por exemplo, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/12\/20\/cds-silversun-bloc-party-bob-mould\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Silver Age<\/a>\u201d (2012), \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/09\/cds-bunnymens-springsteen-e-mould\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Beauty &amp; Ruin<\/a>\u201d (2014), \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/16\/tres-discos-bob-mould-dinosaur-jr-angel-olsen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Patch the Sky<\/a>\u201d (2016) e \u201cSunshine Rock\u201d (2019) n\u00e3o s\u00e3o discos exatamente pol\u00edticos. \u201cSunshine Rock\u201d tem alguma coisa nesse sentido, mas ningu\u00e9m percebeu \u2014 ent\u00e3o ficou por isso mesmo. Mas em 2020, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/27\/meu-disco-favorito-de-2020-bob-mould\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blue Hearts<\/a>\u201d foi claramente um disco de protesto contra a administra\u00e7\u00e3o Trump. Eu tentei criar uma analogia com o primeiro mandato do governo (Ronald) Reagan e a marginaliza\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o que senti no in\u00edcio dos anos 1980 \u2014 emo\u00e7\u00f5es que acho que muita gente compartilhava na cena underground naquela \u00e9poca. Ent\u00e3o, sim, isso \u00e9 um fato bastante claro. J\u00e1 \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/03\/17\/musica-em-here-we-go-crazy-bob-mould-reconhece-seu-proprio-legado-e-abraca-vigorosamente-a-resignacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Here We Go Crazy<\/a>\u201d (2025), meu disco mais recente, n\u00e3o tem muito protesto pol\u00edtico expl\u00edcito. \u00c9 um \u00e1lbum mais pessoal, com um olhar mais observacional. Em termos de som, acho que qualquer coisa que eu fa\u00e7a com uma guitarra com distor\u00e7\u00e3o e volume altos ser\u00e1 bastante reconhec\u00edvel (risos). Uma resposta longa para a sua pergunta, mas acho que \u00e9 isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre o novo disco: ele tem m\u00fasicas bem fortes, assim como \u201cBlue Hearts\u201d, mas o que mais me chamou aten\u00e7\u00e3o foi a produ\u00e7\u00e3o, ele soa mais grandioso. Voc\u00ea gravou em Chicago, no Electrical Audio Studio (famoso est\u00fadio de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/07\/16\/entrevista-steve-albini\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Steve Albini<\/a>). J\u00e1 pensava desde o in\u00edcio, durante o processo de composi\u00e7\u00e3o, que essas m\u00fasicas pediam um som \u201cmaior\u201d para fazer justi\u00e7a ao que voc\u00ea queria expressar?<\/strong><br \/>\nObrigado pelo elogio sobre as m\u00fasicas! \u00c9 engra\u00e7ado porque esse disco tem muito menos coisas acontecendo. Acho que \u00e9 um exemplo cl\u00e1ssico de como, quanto menos coisas voc\u00ea coloca em termos de ferramentas sonoras, maior ser\u00e1 o resultado final. Em termos de produ\u00e7\u00e3o, esse \u00e9 o \u00e1lbum mais simples que fiz em muito tempo. \u00c9 menos complicado que \u201cBlue Hearts\u201d, e com certeza tem muito menos elementos do que \u201cSunshine Rock\u201d, que era cheio de orquestra\u00e7\u00f5es, sintetizadores, v\u00e1rias guitarras e camadas de amplificadores grandes\u2026 Este disco novo tem amplificadores pequenos, normalmente duas guitarras ao mesmo tempo \u2014 \u00e0s vezes uma terceira para o solo. E n\u00e3o tem quase nada de material sint\u00e9tico, tem uns sintetizadores anal\u00f3gicos, mas muito pouco \u2013 nada de sintetizadores digitais. Foi uma decis\u00e3o consciente, tomada ainda no processo de composi\u00e7\u00e3o. Eu costumo fazer demos bem elaboradas antes de gravar, mas nesse disco fiz demos bem mais simples. Meus colegas de banda estavam preocupados com a grava\u00e7\u00e3o chegando, perguntando: \u201cCad\u00ea os demos?\u201d. E eu falei: \u201cFiquem tranquilos, voc\u00eas j\u00e1 conhecem essas m\u00fasicas\u201d. Quando mandei as demos, bem b\u00e1sicas, dez dias antes da grava\u00e7\u00e3o, eles ouviram e disseram: \u201c\u00c9, voc\u00ea estava certo\u201d (risos). \u00c9 um disco bastante simples, demorou pra ser escrito, mas \u00e9 muito mais enxuto que os cinco anteriores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na segunda m\u00fasica do disco, \u201cNeanderthal\u201d, voc\u00ea fala sobre dificuldades da sua inf\u00e2ncia. E na sua biografia (\u201cSee a Little Light\u201d, de 2013, escrita em parceria com o jornalista Michael Azerrad), voc\u00ea comenta sobre os singles que seu pai levava pra casa \u2014 Beatles, The Monkees, etc \u2014 e como come\u00e7ou a escrever m\u00fasicas ainda muito novo, com nove anos. Esse jeito mais direto e simples de compor, como em \u201cWhen Your Heart Is Broken\u201d, outra do novo disco, que \u00e9 quase uma m\u00fasica pop nesse sentido, ainda tem a ver com aquele garoto de nove anos escrevendo can\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nBom, \u00e9 a\u00ed que o DNA da minha forma de compor foi definido, sabe? Ouvindo m\u00fasica pop dos anos 1960, ouvindo m\u00fasica no r\u00e1dio AM, ouvindo Motown. Sim, esse tipo de coisa\u2026 \u00e9 como livros infantis. Quando somos crian\u00e7as, lemos, ouvimos, aprendemos &#8211; e n\u00e3o temos nada na cabe\u00e7a al\u00e9m daquilo que absorvemos. E essas coisas, quando acontecem cedo na vida, moldam tudo o que fazemos. Ent\u00e3o sim, esse tipo de m\u00fasica estabeleceu as bases para a minha forma de compor. E\u2026 estou tentando pensar em como dizer isso. Acho que o que voc\u00ea est\u00e1 me perguntando \u00e9 se eu realmente volto a isso conscientemente. Na verdade, isso faz parte de quem eu sou. Talvez eu possa te dar um bom exemplo, n\u00e3o deste disco, mas de uma forma como eu conscientemente voltei a essas refer\u00eancias. No disco \u201cBeauty and Ruin\u201d tem uma m\u00fasica chamada \u201cI Don&#8217;t Know You Anymore\u201d. O riff, a melodia e a estrutura dela s\u00e3o bem simples &#8211; uma estrutura cl\u00e1ssica do pop. E, quando a m\u00fasica chega \u00e0quela queda r\u00e1pida, e depois emenda em m\u00faltiplos refr\u00f5es at\u00e9 o fade out, eu j\u00e1 sabia que esse seria o jeito de encerr\u00e1-la. Mas eu pensei: \u201cComo manter isso interessante?\u201d Da\u00ed eu me lembrei de um grupo pop dos anos 1960 chamado The Association. Eles tinham uma m\u00fasica chamada \u201cWindy\u201d. E se voc\u00ea voltar e ouvir \u201cWindy\u201d, e prestar aten\u00e7\u00e3o em como ela termina \u2014 na repeti\u00e7\u00e3o do refr\u00e3o, mas com mais e mais elementos mel\u00f3dicos sendo adicionados conforme a m\u00fasica vai desaparecendo \u2014 \u00e9 exatamente esse tipo de fade out que usei. S\u00f3 fui empilhando coisas, sabe? Ent\u00e3o \u00e9 um exemplo bem direto em que eu pensei: \u201cComo posso deixar esse fade out interessante? Ah, eu lembro daquela m\u00fasica da minha inf\u00e2ncia com um final que me marcou. Deixa eu voltar nela, estudar com lupa, ver o que posso aproveitar e aplicar no que eu estou fazendo\u201d. Esse seria um exemplo literal para a sua pergunta.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bob Mould - I Don&#039;t Know You Anymore (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZZ0ZEpJRpAE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"NEW * Windy - The Association {Stereo} 1967\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IRqUUaM8tnI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Espiritualmente, n\u00e3o. Eu simplesmente escrevo discos. A menos que eu comece com a ideia de escrever algo com uma estrutura externa, tipo uma \u00f3pera dos tr\u00eas vint\u00e9ns ou algo shakespeariano, o que n\u00e3o \u00e9 meu caso &#8211; eu simplesmente costumo compor can\u00e7\u00f5es. E, quando surge uma m\u00fasica que n\u00e3o sai da minha cabe\u00e7a por semanas ou meses, geralmente \u00e9 ali que come\u00e7a a cria\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum que voc\u00ea vai ouvir. Essa m\u00fasica vira uma esp\u00e9cie de totem, um ponto de partida, e ent\u00e3o come\u00e7o a escrever outras que possam se construir a partir dela, complement\u00e1-la ou se encaixar no que eu considero a estrutura de um bom \u00e1lbum pop. A forma de introduzir um \u00e1lbum, de apresentar os personagens, de passar do fim do lado A para o come\u00e7o do lado B, e de como encerrar o disco\u2026 o ritmo, a narrativa, como manter algu\u00e9m interessado por 35 minutos, tudo isso entra nesse processo. As m\u00fasicas que v\u00eam depois da primeira geralmente j\u00e1 nascem com um lugar certo dentro da estrutura do \u00e1lbum. E isso eu aprendi ouvindo singles e \u00e1lbuns dos anos 1960 e 70. Essa f\u00f3rmula, sinceramente, n\u00e3o mudou muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea ainda pensa nos seus \u00e1lbuns como \u201clado A\u201d e \u201clado B\u201d, no sentido de ter essa mudan\u00e7a de ritmo ou de esp\u00edrito, vamos dizer, entre as duas partes do disco?<\/strong><br \/>\nBom, sim, quero dizer, teoricamente, se todo mundo estivesse ouvindo vinil e me escutando dessa forma, o ponto-chave seria: como voc\u00ea encerra o lado A? Porque existe aquela pausa \u2014 o momento em que a pessoa se levanta, coloca a capa do disco e a folha com as letras de lado, vai at\u00e9 a vitrola, levanta o bra\u00e7o do toca-discos, vira o vinil, e coloca a agulha de novo no in\u00edcio do lado B. Ent\u00e3o, nos velhos tempos, esse era um momento em que voc\u00ea tinha muito controle sobre a narrativa. Era uma pausa real, n\u00e3o \u00e9 algu\u00e9m apertando &#8220;pular faixa&#8221; no iPhone (risos). \u00c9 algo concreto, quase como no teatro. H\u00e1 esse momento em que todo mundo d\u00e1 uma pausa, e voc\u00ea pode reiniciar a hist\u00f3ria, redefinir a atmosfera. No caso desse disco, \u201cFur Mink Augurs\u201d encerra o lado A. E \u00e9\u2026 \u00e9 uma cacofonia, tem um solo de bateria, \u00e9 provavelmente a faixa mais produzida do \u00e1lbum, porque tentei criar esse tipo de tornado de ideias, imagens abstratas, sons improvisados. E a\u00ed, quando tudo isso para, a sequ\u00eancia \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o ac\u00fastica bem minimalista\u2026 esse \u00e9 exatamente o momento que eu descrevi para voc\u00ea. \u00c9 quando eu posso redefinir a narrativa, posso redefinir as emo\u00e7\u00f5es. E isso me d\u00e1 um novo ponto de partida para continuar o \u00e1lbum.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bob Mould - Fur Mink Augurs (Visualizer)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/D30emDl-n7I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bob Mould - Lost Or Stolen (Visualizer)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kQJwJqLUITE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Este ano e o ano passado marcaram os 40 anos de tr\u00eas \u00e1lbuns muito importantes do H\u00fcsker D\u00fc: \u201cZen Arcade\u201d (1984), \u201cNew Day Rising\u201d (1985) e \u201cFlip Your Wig\u201d (1985). Quando voc\u00eas estavam escrevendo esses discos, imaginava que, 40 anos depois, ainda estariam sendo celebrados \u2014 inclusive sendo mencionados em uma campanha presidencial nos EUA, como aconteceu com Tim Walz (governador de Minessotta, estado natal do Husker Du, e candidato a vice-presidente na chapa com Kamala Harris em 2024) e Beto O\u2019Rourke (ex-deputado e candidato ao governo do Texas em 2022) no ano passado?<\/strong><br \/>\nQuando eu estava trabalhando na m\u00fasica e depois, eventualmente, escrevendo as letras que viriam a se tornar \u201cZen Arcade\u201d, acho que a gente sabia que tinha algo diferente ali (nota: o baixista Greg Norton <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/08\/08\/entrevista-greg-norton-fala-sobre-o-novo-disco-do-ultrabomb-o-legado-do-husker-du-e-os-40-anos-de-zen-arcade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">disse praticamente a mesma coisa<\/a> ao Scream &amp; Yell). Mas n\u00e3o acho que\u2026 Aos 23 anos, acho que eu estava mais preocupado em conseguir chegar vivo aos 30, do jeito que eu vivia naquela \u00e9poca. Ent\u00e3o, n\u00e3o, acho que n\u00e3o pensava nisso. A gente sabia que estava fazendo algo fora do comum, mas n\u00e3o acho que algu\u00e9m, com aquela idade, realmente\u2026 Eu, pelo menos, n\u00e3o pensava que aquilo sobreviveria, que passaria nesse primeiro teste do tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E como voc\u00ea mencionou sobre o Walz e o Beto&#8230; (Nota: Suspira profundamente antes de voltar a falar) \u00c9 realmente uma pena o que aconteceu nos Estados Unidos em novembro de 2024. Considere isso: eu passei a minha vida inteira com ideias, valores e formas de viver. E sigo meu trabalho, junto a colegas, com o mundo da m\u00fasica de modo geral. Tento fazer o certo, tento compartilhar o que acredito serem boas ideias sobre como viver neste planeta. E a\u00ed, no ano passado, acontece esse momento em que o Beto O\u2019Rourke e o Tim Walz saem para correr juntos e acabam conversando sobre cultura, artes e o jeito americano de contar hist\u00f3rias &#8211; e eu acabo fazendo parte dessa conversa. Com algu\u00e9m que pode estar \u00e0 beira de receber um enorme poder, concedido pelo povo americano. E pra mim, aquilo n\u00e3o foi: \u201cUau, eu fui mencionado\u201d (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que eu senti foi: \u201cTodo esse trabalho que eu fiz, e que milhares de pessoas como eu fizeram, chegou aos ouvidos de algu\u00e9m que talvez tenha o poder de influenciar a dire\u00e7\u00e3o do futuro do mundo\u201d. Ent\u00e3o, esse \u00e9 um cen\u00e1rio cheio de esperan\u00e7a, foi algo que me fez realmente pensar: \u201cCaramba, talvez\u2026 talvez essa mensagem tenha sido ouvida. Talvez essa seja a nossa hora. Talvez tudo aquilo em que acreditei a vida inteira possa mesmo se realizar\u201d. Infelizmente, o que vimos at\u00e9 agora neste ano mostra que nada disso vai acontecer. Ent\u00e3o \u00e9 muito mais do que: \u201cAh, eu sa\u00ed na imprensa ao lado do candidato \u00e0 vice-presid\u00eancia\u201d. N\u00e3o era isso que eu estava pensando (risos). Por um instante, eu senti que talvez eu tivesse algum tipo de poder de a\u00e7\u00e3o no mundo. E\u2026 n\u00e3o foi assim que as coisas aconteceram. Mas, sabe\u2026 a vida continua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea veio ao Brasil h\u00e1 mais de 10 anos para fazer alguns shows. Voc\u00ea tocou duas vezes em S\u00e3o Paulo e uma no Rio de Janeiro em 2013. O que voc\u00ea lembra dessa viagem, teve algo que chamou sua aten\u00e7\u00e3o durante a visita?<\/strong><br \/>\nFoi incr\u00edvel. Quando vou pela primeira vez para qualquer lugar, eu tento prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s nuances e aos pequenos detalhes, ao ambiente, \u00e0 cultura. Para entender como s\u00e3o as coisas. Os shows em S\u00e3o Paulo foram \u00f3timos, o local era excelente (Nota: os shows na cidade foram no Sesc Pompeia). Lembro que, assim que chegamos, os produtores nos buscaram, nos levaram para o hotel e nos disseram: \u201cEst\u00e1 vendo aquele shopping ali? Voc\u00ea pode ir at\u00e9 l\u00e1. Fora isso, \u00e9 melhor ir com algu\u00e9m, porque pode se perder\u201d. Voc\u00ea me entende, eles estavam sendo protetores com o artista, claro, tentando garantir que nada aconte\u00e7a ou que as coisas se compliquem. Foi um pouco como se estiv\u00e9ssemos \u201cpresos\u201d. Ainda assim, pude conversar com pessoas, sair pra jantar, observar como as pessoas se comunicavam, como compartilhavam os espa\u00e7os p\u00fablicos, esses tipos de coisas. Pareceu um lugar realmente \u00f3timo. No caminho do aeroporto para o hotel, pude ver uma enorme desigualdade na vida brasileira, isso foi algo que ficou muito evidente de forma imediata. Mas o meu trabalho \u00e9 meio que ver, ouvir e aprender, sem chegar com qualquer ideia, somente absorver. Tudo foi muito fascinante. N\u00f3s tamb\u00e9m tocamos no Rio, que tinha uma vibe totalmente diferente de S\u00e3o Paulo. \u00c9 meio que um lugar lindo e uma festa linda, talvez a desigualdade n\u00e3o fosse t\u00e3o evidente. Mas definitivamente me senti mais como um turista de f\u00e9rias de certa forma (risos). Senti como se tivesse que ficar mais atento. Eu sa\u00ed sozinho no Rio e depois de alguns minutos foi algo como \u201cOk, eu entendo, estou chamando a aten\u00e7\u00e3o\u201d (risos). Esse tipo de coisa, j\u00e1 viajei um pouco ao longo da minha vida. Mas, no geral, as pessoas foram incr\u00edveis: muito calorosas, carinhosas. Foi \u00f3timo poder tocar e compartilhar minha m\u00fasica nos shows. Mas \u00e9 esse \u00e9 o soci\u00f3logo dentro de mim, que sempre tenta observar e aprender, comparar com outras experi\u00eancias e entender o que realmente est\u00e1 acontecendo, tipo \u201cO que \u00e9 isso? Qual a minha percep\u00e7\u00e3o do Brasil? E o que realmente est\u00e1 acontecendo aqui?\u201d. E o contraste social foi o que mais saltou aos olhos. Voc\u00ea sai do aeroporto que \u00e9 muito limpo e seguro e come\u00e7a a andar no carro e pensa \u201cOh, Meu deus\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bob Mould - Makes No Sense At All (Sesc Pompeia, 2013)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nygQdFGVBb8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, isso ainda \u00e9 uma realidade por aqui, infelizmente.<\/strong><br \/>\nPois \u00e9. Acho que agora os EUA est\u00e3o come\u00e7ando a entrar nessa mesma l\u00f3gica. Temos divis\u00f5es muito claras, sempre tivemos, de muitas formas diferentes. \u00c9 como mencionei antes, quando falamos sobre o Tim Walz, \u00e9 esse tipo de coisa &#8211; artistas e escritores percebem isso muito r\u00e1pido. E agora estamos vendo o que acontece quando um governo tenta silenciar essas vozes. N\u00f3s estamos vivendo isso agora, n\u00e3o \u00e9 uma aula que estamos tendo na faculdade (risos). Estamos realmente vivendo isso. Mas esse \u00e9 o trabalho, \u00e9 a minha miss\u00e3o, \u00e9 o que \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 a minha \u00faltima pergunta: me diga tr\u00eas discos que mudaram sua vida e por qu\u00ea? Sei que \u00e9 imposs\u00edvel escolher s\u00f3 tr\u00eas, mas&#8230;<\/strong><br \/>\n\u201cRevolver\u201d (1966), dos Beatles. O primeiro dos Ramones&#8230;(Nota: lan\u00e7ado em 1976). Estou tentando pensar em outro. Vou com o \u201cLoveless\u201d (1991), do My Bloody Valentine. S\u00f3 pra gente cobrir diferentes fases na linha do tempo (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 uma lista excelente.<\/strong><br \/>\nPois \u00e9. Dif\u00edcil de bater (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muito obrigado pelo seu tempo, Bob. Espero te ver no Brasil em breve.<\/strong><br \/>\nEstou esperan\u00e7oso que algo vai acontecer nos pr\u00f3ximos anos. Eu e a banda nos divertimos muito em 2013, o p\u00fablico foi incr\u00edvel e espero que algo se concretize em breve. E te agrade\u00e7o por reservar um tempo para conversar comigo. Foi muito legal!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/24\/entrevista-bob-mould\/\"><em>Leia tamb\u00e9m: Bob Mould em um papo animado sobre H\u00fcsker D\u00fc, Sugar e carreira solo (2013)<\/em><\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bob Mould: When Your Heart Is Broken | The Tonight Show Starring Jimmy Fallon\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3cBY-JlivFU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bob Mould - Makes No Sense At All (Live at Rough Trade Berlin 2025)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bS-YPdn-dac?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bob Mould and Dave Grohl - New Day Rising (Husker Du Tribute) 2011\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XHjHBojMsRs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"BOB MOULD ao vivo no Sesc Pomp\u00e9ia, S\u00e3o Paulo, Brasil (05.10.2013 - SHOW COMPLETO)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/o5739QiRYuQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bob Mould Band at Paradise Rock Club, Boston MA, May 2, 2025 (full set)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/B57dTH_fb88?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a>\u00a0\u00e9 autor dos livros \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885339\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo dos EUA<\/a>\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885649\/ref=pd_lpo_14_t_0\/145-6204651-9007215?_encoding=UTF8&amp;pd_rd_i=8562885649&amp;pd_rd_r=0e02080e-01a3-422c-9e95-933a79ef9d17&amp;pd_rd_w=qJ5vJ&amp;pd_rd_wg=0obt1&amp;pf_rd_p=6102dabe-0e19-4db6-8e11-875a53ad30be&amp;pf_rd_r=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH&amp;psc=1&amp;refRID=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade, Vol 2 \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo pelo Mundo<\/a>\u201d, ambos pela Edi\u00e7\u00f5es Ideal. Tamb\u00e9m colabora coma a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vice.com\/pt_br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vice Brasil<\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/cvltnation.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CVLT Nation<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.loudmagazine.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Loud!<\/a>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Lend\u00e1rio m\u00fasico dos EUA revela como foi a grava\u00e7\u00e3o de \u201cHere We Go Crazy\u201d e relembra apresenta\u00e7\u00f5es em S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro em 2013.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/06\/13\/entrevista-bob-mould-fala-sobre-novo-disco-solo-o-legado-do-husker-du-trump-e-shows-no-brasil\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":88,"featured_media":89770,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[164],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89769"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89769"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89769\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":89865,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89769\/revisions\/89865"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89770"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89769"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89769"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89769"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}