{"id":89759,"date":"2025-06-13T01:35:47","date_gmt":"2025-06-13T04:35:47","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=89759"},"modified":"2025-07-01T01:36:16","modified_gmt":"2025-07-01T04:36:16","slug":"olhar-de-cinema-2025-safira-moreira-fala-sobre-o-processo-de-criacao-de-cais-seu-primeiro-longa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/06\/13\/olhar-de-cinema-2025-safira-moreira-fala-sobre-o-processo-de-criacao-de-cais-seu-primeiro-longa\/","title":{"rendered":"Olhar de Cinema 2025: Safira Moreira fala sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o de &#8220;Cais&#8221;, seu primeiro longa"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Longa metragem intimista, &#8220;Cais&#8221; (2025), primeiro longa de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/moreirasafira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Safira Moreira<\/a>, cuja carreira inclui diversos curtas premiados, vinha sendo desenvolvido h\u00e1 alguns anos tendo com produ\u00e7\u00e3o cuidadosa de Fl\u00e1via Santana, da Mulungu Realiza\u00e7\u00f5es Culturais,, ao lado da Omnir\u00e1 Filmes e a Giro Planejamento Cultural. O filme integrou recentemente o Festival Internacional de Cine en Guadalajara, no M\u00e9xico, e ser\u00e1 exibido em julho no BlackStar Film Festival, na Filad\u00e9lfia (EUA), tendo sido premiado, em 2024, no Sundance Documentary Fund, vinculado ao Sundance Institute.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Cais&#8221;, que contou com o patroc\u00ednio do Rumos Ita\u00fa Cultural e o Fundo Avon Mulheres no Audiovisual (FAMA), aborda a recente perda da cineasta, cuja m\u00e3e faleceu h\u00e1 pouco tempo, bem como a chegada de seu primeiro filho. &#8220;Ando ansiosa para saber como o filme ser\u00e1 absorvido pela audi\u00eancia&#8221;, comenta Safira. Durante a fase inicial de pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, Safira perdeu sua m\u00e3e. Ap\u00f3s um per\u00edodo no qual se fazia imprescind\u00edvel uma pausa na realiza\u00e7\u00e3o do filme, um sentimento de luto, mas tamb\u00e9m de reflex\u00e3o e consci\u00eancia sobre o modo como seria necess\u00e1rio resignificar a obra, acabou por nortear o trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro momento importante da vida de Safira durante essa fase de cria\u00e7\u00e3o de &#8220;Cais&#8221; foi a chegada de seu primeiro filho. O longa passou por mudan\u00e7as nesse processo que trouxeram \u00e0 diretora uma constru\u00e7\u00e3o narrativa que divide emocionalmente com o p\u00fablico essas quest\u00f5es de sua vida pessoal. No mesmo per\u00edodo de produ\u00e7\u00e3o, Safira Moreira realizou curtas metragens como &#8220;Al\u00e1gbed\u00e9&#8221; (2021) e &#8220;Da Pele Prata&#8221; (2025). S\u00e3o trabalhos que, tamb\u00e9m, abordam aspectos familiares e culturais da vida pessoal da diretora, auxiliando na matura\u00e7\u00e3o de &#8220;Cais&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mateus Aleluia e Tigan\u00e1 Santana, m\u00fasicos baianos, enriquecem de modo emocionante o filme com depoimentos sobre ancestralidade, vida, morte e perenidade do conhecimento. Em certo momento, em uma rima visual precisa, vemos a jovem m\u00e3e Safira e seu rebento, o pequeno Amani. Logo em seguida, Seu Mateus fala sobre os aspectos citados. Parceira de Safira na montagem do filme, a cineasta e montadora Tenille Bezerra colaborou nessa constru\u00e7\u00e3o visual e narrativa a enriquecer &#8220;Cais&#8221;, filme que \u00e9 um dos destaques da edi\u00e7\u00e3o 2025 do festival curitibano <a href=\"https:\/\/www.olhardecinema.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Olhar de Cinema<\/a>. No papo abaixo, Safira fala sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o do longa. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cais | Trailler\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/1018111004?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"747\" height=\"420\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Cais&#8221;, mesmo sendo um filme que traz a passagem de sua m\u00e3e como um guia de reflex\u00e3o para a audi\u00eancia, \u00e9 uma obra que equilibra de maneira muito impactante aspectos sobre a vida, sobre a consci\u00eancia da finitude, sobre essa paz interior diante dessa plenitude. Como diretora, como foi essa constru\u00e7\u00e3o narrativa e como\u00a0 foi emocionalmente para voc\u00ea dividir com o p\u00fablico essas quest\u00f5es de sua vida pessoal?<\/strong><br \/>\nO filme estreia em junho, e ando ansiosa para saber como ele ser\u00e1 absorvido pela audi\u00eancia. Mas &#8220;Cais&#8221; \u00e9 um filme sobre tempo, os movimentos da vida. Sinto que \u00e9 um ant\u00eddoto que criei para mim mesma, para atravessar o luto, compreender de um modo mais amplo a vida, e a ancestralidade que s\u00f3 existe no presente. E agora quero poder oferec\u00ea-lo as pessoas que estejam lidando com temas dif\u00edceis em suas vidas. O filme tem uma trajet\u00f3ria intuitiva antes de tudo. \u00c9ramos uma equipe de quatro adultos e um beb\u00ea, atravessando a Bahia e o Maranh\u00e3o de carro, filmando coisas que eu sonhava, que minha m\u00e3e guiava, que t\u00ednhamos que encontrar no caminho. Um caminho que tem o Rio Paragua\u00e7u como condutor, e o Rio Alegre como presente. Foi sendo esculpido no tempo, mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda nessa abordagem, quero te perguntar sobre as rimas visuais t\u00e3o eficientes que o filme traz, como a que vemos voc\u00ea com o pequeno Amani e, logo em seguida, vemos Matheus Aleluia falar t\u00e3o sabiamente sobre tais aspectos de vida, de envelhecimento, e de equil\u00edbrio dentro dessa percep\u00e7\u00e3o. Isso, claro, somadas \u00e0s observa\u00e7\u00f5es de Tigan\u00e1 Santana.\u00a0Na montagem, como foi esse di\u00e1logo entre voc\u00ea e Tenille Bezerra para a cria\u00e7\u00e3o dessa estrutura entre imagens e falas que dialogam t\u00e3o bem?<\/strong><br \/>\nEu vejo seu Mateus como uma grande voz de sabedoria, que em poucas palavras consegue decodificar os mist\u00e9rios da vida. \u00c9 uma d\u00e1diva escut\u00e1-lo, assim como Tigan\u00e1, Dona Maninha, outras vozes do filme. Tenille \u00e9 madrinha de meu filho, algu\u00e9m que est\u00e1 muito pr\u00f3xima aos acontecimentos de minha vida, e uma montadora extremamente sens\u00edvel. A poesia atravessa nossas vidas, e acredito que esse olhar pro mundo, para as \u00e1guas profundas, para o tempo, \u00e9 algo que nos conecta. Assim, quando entrego \u00e0 ela as imagens e inten\u00e7\u00f5es de &#8220;Cais&#8221;, o que vem desse encontro \u00e9 muito especial. Ter a coragem de respeitar os sil\u00eancios do filme, n\u00e3o ter pressa em cont\u00e1-lo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-89762\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Cais_Still-2-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"394\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Cais_Still-2-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Cais_Still-2-copiar-300x158.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lembro-me de termos conversado sobre &#8220;Cais&#8221; ainda em sua fase inicial, quando o projeto passou pelo Brasil Cine Mundi, em Belo Horizonte. De l\u00e1 para c\u00e1, muita coisa aconteceu em sua vida. O falecimento de sua m\u00e3e, a chegada de seu filho s\u00e3o duas delas. Como esses acontecimentos, entre outros que voc\u00ea queira citar, afetaram a constru\u00e7\u00e3o do seu roteiro e escolhas de dire\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSinto que &#8220;Cais&#8221; \u00e9 um filme guiado pelo mist\u00e9rio. Era o rio da vida que corria solto diante dos meus olhos, e n\u00e3o havia possibilidade de pensar sobre outra coisa que n\u00e3o a din\u00e2mica da vida-morte-vida. Tem algo sobre o filme que \u00e9 o fato de eu ter desistido de faz\u00ea-lo no momento em que minha m\u00e3e adoeceu gravemente. Era imposs\u00edvel alcan\u00e7ar o filme que estava na minha cabe\u00e7a desde 2018, era imposs\u00edvel alcan\u00e7ar qualquer coisa. E \u00e9 desse imposs\u00edvel, insond\u00e1vel, incaptur\u00e1vel, que &#8220;Cais&#8221; renasce. Um dia, semanas depois da passagem de minha m\u00e3e, entre o sono e o sonho, eu vi a possibilidade de construir um outro filme, e percorri os rios da Bahia e do Maranh\u00e3o em busca da alegria de minha m\u00e3e, de sua for\u00e7a vital, e fui em busca de mim tamb\u00e9m, em busca de um solo firme para meu filho e sobrinhos. N\u00e3o havia um roteiro cinematogr\u00e1fico, s\u00f3 o desejo de encontrar certas paisagens restauradoras, vozes que sempre me transformaram (como Mateus Aleluia e Tigan\u00e1 Santana). Um desejo de agarrar a vida mesmo, e o cinema como um meio para isso. Foi a certeza de que fiz cinema para realizar &#8220;Cais&#8221;, e esse filme me salvar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outros trabalhos seus foram finalizados durante a produ\u00e7\u00e3o de &#8220;Cais&#8221;. Filmes como &#8220;Al\u00e1gbed\u00e9&#8221;, &#8220;Da Pele Prata&#8221;, entre outros. Como esses projetos ajudaram na matura\u00e7\u00e3o de seu primeiro longa?<\/strong><br \/>\nEu sinto que &#8220;Al\u00e1gbed\u00e9&#8221; e &#8220;Da Pele Prata&#8221; s\u00e3o filmes importantes para minha constru\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Nesses dois filmes eu olho para o trabalho de um ferreiro, Z\u00e9 diabo, e um ourives, meu pai, Chico da Prata. S\u00e3o of\u00edcios milenares, que atravessam o tempo, em mat\u00e9rias densas, com uma capacidade vital infinda. Trabalhos que est\u00e3o espalhados pelo mundo, em terreiros de candombl\u00e9, com filhos e filhas de santo. Esses filmes me trouxeram maturidade em compreender a gram\u00e1tica do of\u00edcio, quase como se eu me espalhasse neles para absorver melhor o meu trabalho enquanto uma cineasta-art\u00edfice. Que tem um certo modo de contar, que persegue certos temas, que apreende determinadas energias no trabalho que realiza.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Travessia\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9CePRp0wvCw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Trecho AL\u00c1GBED\u00c9 | \u00c9 Tudo Verdade 2022\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wZU3ai_6avI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde, de Salvador, e \u00e9 autor de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/11\/entrevista-mitico-guitarrista-baiano-alvaro-assmar-ganha-biografia-joao-paulo-barreto-fala-sobre-uma-vida-blues\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uma Vida Blues<\/a>\u201d, biografia de \u00c1lvaro Assmar.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Scream &#038; Yell conversou com a diretora Safira Moreira sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o de &#8220;Cais&#8221;, filme que \u00e9 um dos destaques da edi\u00e7\u00e3o 2025 do festival curitibano Olhar de Cinema.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/06\/13\/olhar-de-cinema-2025-safira-moreira-fala-sobre-o-processo-de-criacao-de-cais-seu-primeiro-longa\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":89760,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[3818,7744],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89759"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89759"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89759\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":89763,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89759\/revisions\/89763"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89760"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89759"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89759"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89759"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}