{"id":89588,"date":"2025-06-03T12:03:29","date_gmt":"2025-06-03T15:03:29","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=89588"},"modified":"2025-08-11T13:22:42","modified_gmt":"2025-08-11T16:22:42","slug":"entrevista-godofredo-fala-sobre-novo-disco-filme-da-varda-e-o-lo-fi-como-alternativa-na-era-do-tutorial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/06\/03\/entrevista-godofredo-fala-sobre-novo-disco-filme-da-varda-e-o-lo-fi-como-alternativa-na-era-do-tutorial\/","title":{"rendered":"Entrevista: godofredo fala sobre o \u00e1lbum &#8220;Tutorial&#8221;, o clipe de \u201cFilme da Varda\u201d, e o lo-fi como alternativa na era do tutorial"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jane Birkin se foi. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/05\/23\/cinema-varda-por-agnes-de-agnes-varda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Agn\u00e8s Varda<\/a> tamb\u00e9m. Mas suas ideias continuam em movimento \u2014 como se trope\u00e7assem pelas ruas esburacadas e cal\u00e7adas mal cuidadas de Belo Horizonte, cidade onde a banda <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/godofredobanda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">godofredo<\/a> d\u00e1 continuidade ao legado de sensibilidade das duas artistas no single \u201cFilme da Varda\u201d. Lan\u00e7ada em abril, com clipe dirigido por Anna Laranjeira, a faixa integra o rec\u00e9m lan\u00e7ado \u00e1lbum \u201c<a href=\"https:\/\/album.link\/i\/1814840516\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tutorial<\/a>\u201d. Com refer\u00eancias ao cinema franc\u00eas e uma sonoridade doce que ecoa o rock alternativo lo-fi, a m\u00fasica costura pequenas epifanias cotidianas com delicadeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A inspira\u00e7\u00e3o veio do filme \u201cJane B. por Agn\u00e8s V.\u201d (1988), em que Varda tra\u00e7a um retrato \u00edntimo da atriz, cantora e musa Jane Birkin. Na letra, Camila Soares \u2014 baixista e vocalista \u2014 entrela\u00e7a sua pr\u00f3pria vis\u00e3o de mundo \u00e0 da protagonista do filme. \u201cEscrevi num momento da vida em que me sentia aberta \u00e0s pessoas, pronta para me apaixonar, mas ainda entendendo quais viv\u00eancias queria seguir. Assistindo ao filme, me senti ainda mais preparada para me afastar daquela vis\u00e3o idealizada da juventude e buscar experi\u00eancias mais simples\u201d, conta Camila.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O clipe, protagonizado por ela e realizado por uma equipe inteiramente composta por mulheres e pessoas n\u00e3o-bin\u00e1rias, transparece o posicionamento est\u00e9tico e pol\u00edtico da faixa e dos seus autores. Junto com \u201cGuarda-Roupas\u201d (o primeiro single lan\u00e7ado em fevereiro), &#8220;Filme da Varda\u201d marca uma fase mais colaborativa, madura e coesa da godofredo. Agora formada por Camila, Vinicius Cabral (vocais e guitarra), Gabriel Elias (guitarra) e Rodrigo Piteco (bateria), a banda volta ap\u00f3s um hiato de cinco anos desde \u201cArquivos Vol. 3\u201d (que apesar do nome, <a href=\"https:\/\/godofredobanda.bandcamp.com\/album\/arquivos-vol-3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00e9 o disco de estreia<\/a>), \u00e1lbum lan\u00e7ado durante a pandemia. \u201cNo primeiro ensaio entre eu, Camila e Elias j\u00e1 teve m\u00fasica nascendo\u201d, lembra Vinicius. Com a nova forma\u00e7\u00e3o, o quarteto se encontrou e passou a lapidar uma nova identidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O t\u00edtulo do novo trabalho, \u201c<a href=\"https:\/\/album.link\/i\/1814840516\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tutorial<\/a>\u201d, carrega ironia e cr\u00edtica contra a l\u00f3gica digital contempor\u00e2nea. \u201cHoje em dia as pessoas precisam de instru\u00e7\u00f5es para fazer tudo. Tipo v\u00eddeo de TikTok pra aprender a regar uma planta, ou ChatGPT pra ensinar a limpar a bunda\u201d, provoca Vinicius. \u201cFizemos um disco que a gente sabe que meio que teria que ensinar as pessoas a ouvir. Um tutorial pra passar pelas faixas, na ordem que pensamos pra elas.\u201d O \u00e1lbum est\u00e1 sendo lan\u00e7ado pelo selo <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/estudiocentral___\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Est\u00fadio Central<\/a>, tamb\u00e9m respons\u00e1vel pela grava\u00e7\u00e3o. Fundado por Gabriel Elias, o Central se tornou um novo ponto de encontro da cena independente mineira e mais um lugar onde coisas interessantes acontecem longe dos filtros estreitos do eixo Rio-S\u00e3o Paulo. \u201cTudo se resume \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o de capital em torno da cidade [paulista]. E consequentemente isso faz com que as coisas comecem a obedecer uma f\u00f3rmula, um modus operandi, e as pessoas n\u00e3o se esfor\u00e7am para sair disso. E isso piora e muito a circula\u00e7\u00e3o de bandas no Brasil, quando vamos desbravar o nosso interior? O Brasil \u00e9 gigantesco e sinto que musicalmente, tudo se resume a S\u00e3o Paulo, para a m\u00eddia&#8221;, comenta Elias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As influ\u00eancias da godofredo s\u00e3o diversas: Pavement, Stereolab, Guided by Voices, Beat Happening, Os Paralamas do Sucesso, Fellini, Akira S &amp; as Garotas que Erraram, punk dos anos 1980 e rock argentino se misturam sem hierarquia. E com esse card\u00e1pio, o grupo encontra espa\u00e7o para ampliar o espectro da banda. Se o disco anterior apostava num lo-fi introspectivo, &#8220;Tutorial\u201d expande os arranjos, explorando camadas mel\u00f3dicas com guitarras, teclados e viol\u00f5es. O resultado \u00e9 um som que transita entre o anal\u00f3gico e o estranhamento do mundo digital no indie brazuca. \u201cA gente resolveu assumir totalmente uma est\u00e9tica que l\u00e1 fora j\u00e1 t\u00e1 no auge (vide Cindy Lee por exemplo). N\u00e3o em termos de grava\u00e7\u00e3o mais \u2018tosca\u2019, ou caseira, mas no sentido de uma fluidez de banda que n\u00e3o t\u00e1 muito preocupada com uma produ\u00e7\u00e3o quadradinha, t\u00e9cnica. N\u00e3o do jeito que o indie passou a ser produzido no Brasil hoje\u201d, compara Vinicius.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com \u201c<a href=\"https:\/\/album.link\/i\/1814840516\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tutorial<\/a>\u201d j\u00e1 dispon\u00edvel, a banda considera uma mini-turn\u00ea de divulga\u00e7\u00e3o e j\u00e1 declara empolga\u00e7\u00e3o para gravar um pr\u00f3ximo disco, a godofredo aposta que, no meio de um fluxo incessante de informa\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas e descart\u00e1veis, ainda h\u00e1 espa\u00e7o para beleza, espontaneidade e can\u00e7\u00f5es feitas com cora\u00e7\u00e3o. Que Birkin e Varda \u2014 onde quer que estejam \u2014 possam ouvir esse registro sens\u00edvel da for\u00e7a que h\u00e1 em viver com menos pressa e filtros, com mais presen\u00e7a. Confira a entrevista completa com Vinicius e Elias abaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Inferno\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/L-071EHqFsM?list=OLAK5uy_nNd8p9L4s4AL53N53AXJwqB0IHsBL8iq8\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para come\u00e7ar com uma curiosidade: de onde surgiu o nome da banda? \u00c9 uma homenagem ao pai do Beto Guedes?<\/strong><br \/>\nVinicius: Tamb\u00e9m. Temos duas vers\u00f5es pro nome. Uma \u00e9 essa (Godofredo Guedes). A outra, que tamb\u00e9m \u00e9 verdadeira, \u00e9 que eu tinha um robozinho na inf\u00e2ncia que chamava godofredo. Era um rob\u00f4 desses cl\u00e1ssicos, com uma TV na barriga. Era uma coisa meio afetiva, meio v\u00eddeo-instala\u00e7\u00e3o infantil. E tamb\u00e9m \u00e9 um nome sonoro, j\u00e1 meio musical. Encaixou tudo, porque a banda tem um lado \u201ccan\u00e7\u00e3o infantil degenerada\u201d que acho que t\u00e1 bem n\u00edtido agora nesse disco. E tem dois papais de beb\u00eas na banda, ou seja\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias: Sempre achei que fosse um nome de um gato, lembro de quando eu vi pela primeira vez no Spotify, me cativou de cara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entre o lan\u00e7amento de \u201cArquivos Vol. 3\u201d em 2020 e o novo disco se passaram alguns anos. O que aconteceu?<\/strong><br \/>\nVinicius: Foram longu\u00edssimos 5 anos. O Dedeco [ex-guitarrista] saiu e foi formar a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/pairapairapaira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Paira<\/a>, mas mesmo antes disso a gente j\u00e1 tinha incorporado o Elias e a Camila. Depois veio o Rodrigo, que assumiu as baquetas de um jeito genial. Acabamos consolidando um grupo com uma qu\u00edmica bem \u00fanica &#8211; no primeiro ensaio entre eu, Camila e Elias j\u00e1 teve m\u00fasica nascendo. Ent\u00e3o o que aconteceu foi que a pandemia durou muito mais do que o previsto, e que o 1\u00ba disco n\u00e3o circulou em turn\u00ea. Ent\u00e3o quando as coisas come\u00e7aram a abrir a gente j\u00e1 tinha essa nova banda, e come\u00e7amos a circular com o repert\u00f3rio antigo, introduzindo aos poucos m\u00fasicas novas, que fomos fazendo at\u00e9 termos um repert\u00f3rio que dava pra gravar. Foi um hiato pra renascer a banda mesmo, e criar uma nova identidade a partir daquela ideia original l\u00e1 de tr\u00e1s que, querendo ou n\u00e3o, era muito focada em mim. Agora a coisa evoluiu mais como banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias: \u00c9 meio engra\u00e7ado porque eu lembro do meu primeiro ensaio com a godofredo, eu ia entrar no baixo e o Vini e o Rodrigo iriam para guitarra e bateria respectivamente. Mas sempre ficava faltando algo, nesse meio tempo a Camila estava de mudan\u00e7a para Belo Horizonte e tinha comentado que tinha uma amiga que tocava baixo, o Vini conversou e foi isso que rolou. Acho nossa banda bem \u00fanica, uma qu\u00edmica muito intensa entre os quatro, que v\u00e3o virar cinco daqui a pouco.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"godofredo - Guarda-Roupas (Videoclipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BoiTHHv5REs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi a experi\u00eancia de produzir os clipes de \u201cGuarda-Roupas\u201d e \u201cFilme da Varda\u201d? Eles foram pensados como parte do conceito do disco ou obras \u00e0 parte?<\/strong><br \/>\nVinicius: \u201cGuarda-Roupas\u201d tem mais a ver com o disco. \u201cFilme da Varda\u201d j\u00e1 \u00e9 mais independente, uma obra \u00e0 parte. Em \u201cGuarda-Roupas\u201d a gente precisava apresentar a banda nesse novo formato. E o clipe pega esse clima. Foi gravado no Est\u00fadio Central, que \u00e9 onde gravamos o disco e \u00e9 o nosso selo tamb\u00e9m. O figurino teve todo um rol\u00ea de interpretar as identidades de cada um na banda, etc. E, claro, acho que de todas as can\u00e7\u00f5es, essa era a que contava melhor a hist\u00f3ria do pr\u00f3prio \u00e1lbum. \u201cFilme da Varda\u201d j\u00e1 \u00e9 uma m\u00fasica com uma refer\u00eancia ao cinema, ent\u00e3o o clipe mergulhou muito nisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias: Em \u201cGuarda-Roupas\u201d eu sempre pensei abertamente em fazer uma m\u00fasica infantil para o filho do Vinicius, lembro de me perguntar o que essa crian\u00e7a escutaria e fiquei com vontade de fazer uma homenagem pra ela. Em contrapartida, o Vini fez uma letra sobre o meu processo de mudan\u00e7a e o nascimento do Est\u00fadio Central. J\u00e1 em \u201cFilme da Varda\u201d sempre pensei em m\u00fasicas americanas dos anos 50, trabalhamos muito com imagens e a forma como cada um percebe elas. Acho a godofredo a minha banda mais esot\u00e9rica, estamos ligados de maneiras estranhas e temos uma rela\u00e7\u00e3o meio simbi\u00f3tica na composi\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"godofredo - Filme da Varda (Videoclipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/q1hTiEkPJtM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que o nome do novo disco \u00e9 \u201cTutorial\u201d? Existe um conceito ou ideia central por tr\u00e1s desse t\u00edtulo?<\/strong><br \/>\nVinicius: Existe. Veio um pouco da ideia de que hoje em dia as pessoas precisam de instru\u00e7\u00f5es para fazer tudo. Tipo v\u00eddeo de TikTok pra aprender a regar uma planta, ou ChatGPT pra ensinar a limpar a bunda. Fizemos um disco que a gente sabe que meio que teria que ensinar as pessoas a ouvir. Um tutorial pra passar pelas faixas, na ordem que pensamos pra elas, etc. Ent\u00e3o a ideia \u00e9 dar uma alfinetada nesse contexto da informa\u00e7\u00e3o que vai evaporando, que n\u00e3o tem reten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o vira conhecimento. A gente quer fazer um disco pra ficar. E pra isso \u00e9 necess\u00e1rio pegar a galera pela m\u00e3o mesmo. Bora fazer um faixa a faixa? (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias: Estranho voc\u00ea falar isso (sou o mais desatento da banda e o pessoal provavelmente j\u00e1 comentou sobre esse significado v\u00e1rias vezes), mas pra mim sempre foi um tutorial de como lidamos com essa nova fase da vida que a godofredo se coloca. Pra mim \u00e9 um \u00e1lbum extremamente pessoal sobre quatro pessoas que se juntaram e tem uma banda. \u00c9 um disco de primeiras coisas (mesmo sendo o segundo da godofredo); nosso primeiro juntos, o primeiro que lan\u00e7amos pelo selo do Est\u00fadio Central. De certa maneira \u00e9 um tutorial sobre a gente tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTutorial\u201d tem uma sonoridade mais ampla, com mais guitarras, teclados e viol\u00f5es, se distanciando um pouco do indie lo-fi mais b\u00e1sico do primeiro disco. Al\u00e9m da nova forma\u00e7\u00e3o, o que houve de diferente em rela\u00e7\u00e3o ao disco anterior?<\/strong><br \/>\nVinicius: Acho que tem, realmente, uns arranjos mais diversos, com teclados, e tal, mas em v\u00e1rios sentidos acho ele ainda mais indie lo-fi. Na verdade isso tem a ver com termos gravado tudo de forma anal\u00f3gica, experimentando bastante no est\u00fadio. A gente resolveu assumir totalmente uma est\u00e9tica que l\u00e1 fora j\u00e1 t\u00e1 no auge (vide <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/06\/18\/critica-cindy-lee-tenta-reconfigurar-o-prazer-ritualistico-de-ouvir-musica-em-diamond-jubilee\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cindy Lee<\/a> por exemplo). N\u00e3o em termos de grava\u00e7\u00e3o mais \u201ctosca\u201d, ou caseira, mas no sentido de uma fluidez de banda que n\u00e3o t\u00e1 muito preocupada com uma produ\u00e7\u00e3o quadradinha, t\u00e9cnica. N\u00e3o do jeito que o indie passou a ser produzido no Brasil hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias: Discos tem sido uma quest\u00e3o, hoje em dia sinto que aqui fugimos muito desse formato, mas que l\u00e1 fora, nunca esteve t\u00e3o forte. Outra coisa que tenho sentido muito s\u00e3o os artistas cada vez mais fazendo \u00e1lbuns em locais que eles se sentem confort\u00e1veis e menos em est\u00fadios gigantes com equipamentos que podem custar uma casa inteira. Aqui no est\u00fadio, temos equipamentos honestos, mas muito distantes de um est\u00fadio high end. Mas estranhamente me senti mais em casa produzindo aqui (n\u00e3o s\u00f3 por ser a minha casa), mas pelo fato que a atmosfera de organiza\u00e7\u00e3o, experimenta\u00e7\u00e3o e criatividade, lembra como se a gente tivesse em casa. Eu encaro como um disco lo-fi, mas ao mesmo tempo tenho recebido v\u00e1rios coment\u00e1rios das pessoas que acharam a produ\u00e7\u00e3o muito boa e bem-feita. Temos que repensar o papel do est\u00fadio na produ\u00e7\u00e3o de um artista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u00e1lbum ser\u00e1 lan\u00e7ado pelo selo Belo Horizonte Central. Como surgiu essa parceria?<\/strong><br \/>\nVinicius: O Central \u00e9 o est\u00fadio do nosso guitarrista, o Elias. Ele foi fundado h\u00e1 um ano, que foi quando come\u00e7amos a gravar o disco. Logo depois o Central come\u00e7ou a fazer eventos tamb\u00e9m, e acabou virando em pouco tempo uma refer\u00eancia nisso aqui em BH, que t\u00e1 passando por muitas transi\u00e7\u00f5es. Foi natural a transi\u00e7\u00e3o disso tudo pra selo, quando notamos que tinham muitas bandas legais come\u00e7ando e circulando por aqui. A\u00ed resolvemos engrossar o caldo. \u201cTutorial\u201d \u00e9 o primeiro \u00e1lbum lan\u00e7ado pelo Central, mas tem bandas na fila pra lan\u00e7ar, como <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/escadacima\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Escadacima<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ursamenorbanda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ursamenor<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cayenabanda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cayena<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/teniasdechinelo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">T\u00eanias de Chinelo<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias: Foi muito natural essa parceria, eu sempre quis ter um selo (risos). Mas pra mim ter um selo passa muito por ter um local para ele funcionar, acho que sou muito materialista e entendo que precisamos de locais f\u00edsicos para podermos ter como nos expressar. N\u00e3o adianta nada termos diversos selos, mas esses selos n\u00e3o terem liga\u00e7\u00f5es com locais e pessoas, fica muito impessoal e muito na ideia, coisa que eu sou extremamente avesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O som de voc\u00eas claramente carrega influ\u00eancias de guitar bands dos anos 90, como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/22\/discografia-comentada-todos-os-discos-do-pavement\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pavement<\/a>, Guided by Voices e Stereolab. Al\u00e9m destes nomes, o que mais inspira voc\u00eas que n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o evidente nas m\u00fasicas?<\/strong><br \/>\nVinicius: Acho que a influ\u00eancia mais invis\u00edvel que temos \u00e9 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/06\/02\/discografia-comentada-os-paralamas-do-sucesso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Os Paralamas do Sucesso<\/a> (risos). Me inspiro muito nas m\u00e9tricas e nas letras no Herbert [Vianna], e acho os caras a grande banda do rock brasileiro. Acho que s\u00e3o as refer\u00eancias brasileiras que ficam mais em segundo plano, infelizmente. Fellini, Picassos Falsos, Chance, Akira S &amp; as Garotas que Erraram. Tem todo um rol\u00ea do punk e do p\u00f3s-punk brasileiro, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/09\/22\/10-perolas-raras-do-rock-brasil-anos-80\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">anos 80<\/a>. E, claro, acho que carrego muita influ\u00eancia do rock argentino, sempre. Tirando isso temos as refer\u00eancias gerais da banda, que pendem mais pras guitar bands dos 90, mas o Elias sempre traz coisas mais obscuras. Mas no fundo, acho que n\u00f3s estamos mais ligados no rock alternativo atual, que acho muito rico. Pra fechar: Beat Happening, no aspecto meio \u201cmelodia infantil e foda-se\u201d, foi uma enorme refer\u00eancia pro disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias: Acho que eu tento ser uma mistura de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/05\/11\/entrevista-david-pajo-slint-tortoise-zwan-papa-m-interpol\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">David Pajo<\/a>, Gabriel Ventura e Jeff Parker, agora se eu consigo \u00e9 outra hist\u00f3ria (risos). Pra mim o Ventura, (junto do Kiko [Dinucci]), \u00e9 o melhor guitarrista brasileiro dos \u00faltimos 10 anos. O disco solo dele \u00e9 coisa de maluco, sou f\u00e3 assumido. Mas nesse \u00e1lbum eu brinquei de querer ser o [Stephen] Malkmus (risos), acho que me influenciou muito no trabalho dele no The Jicks e na maneira desconexa centrada que ele toca. Normalmente n\u00e3o sou o guitarrista solo em minhas bandas, mas na godofredo eu sou e gosto de exercitar esse meu lado, me d\u00e1 coragem pra fazer outras coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O primeiro disco da godofredo saiu em meio \u00e0 pandemia. Como voc\u00eas enxergam as mudan\u00e7as da cena independente desde ent\u00e3o?<\/strong><br \/>\nVinicius: Mudou tudo. Pra pior. Me parece que o retorno dos festivais e de alguns circuitos em novas casas de show deu uma glamourizada. Isso aparece no som das bandas que tem despontado hoje. H\u00e1 um alternativo meio pasteurizado. A gente quer ir na contram\u00e3o, mas sei que vamos pagar um pre\u00e7o por isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias: Brinco que a m\u00fasica refletiu e muito essa nova fase do capital que estamos. Vivemos o del\u00edrio dist\u00f3pico que a banda S\u00e9culos Apaixonados falou em 2016, \u201cEle Tamb\u00e9m Foi Para S\u00e3o Paulo\u201d. Tudo se resume \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o de capital em torno da cidade. E consequentemente isso faz com que as coisas comecem a obedecer uma f\u00f3rmula, \u00e9 meio chato falar isso, mas sinto que as coisas est\u00e3o bem pl\u00e1sticas ultimamente, t\u00eam um modus operandi e as pessoas n\u00e3o se esfor\u00e7am para sair disso. E isso piora e muito a circula\u00e7\u00e3o de bandas no Brasil, quando vamos desbravar o nosso interior? O Brasil \u00e9 gigantesco e sinto que musicalmente, tudo se resume a S\u00e3o Paulo, para a m\u00eddia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ele Tamb\u00e9m Foi para S\u00e3o Paulo\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kGUIZPEpdlY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vinicius tamb\u00e9m participou do <a href=\"https:\/\/theinnernettes.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Innernettes<\/a> e assina m\u00fasicas da Paira, projeto do Dedeco, ex-membro da banda. Como esses projetos dialogam (ou n\u00e3o) com a sonoridade da godofredo?<\/strong><br \/>\nVinicius: The Innernettes \u00e9 uma loucura \u00e0 parte. N\u00e3o tem nada a ver! (risos). Acho que a Paira tamb\u00e9m \u00e9 um projeto muito autoral do Dedeco e da Clara Borges. Eu fa\u00e7o boa parte das letras deles, at\u00e9 aqui, mas \u00e9 uma experi\u00eancia meio ghost writer (risos). Nunca tinha tido essa experi\u00eancia, mas essa escrita me ajudou a manter um padr\u00e3o l\u00edrico do qual tenho me orgulhado muito. \u00c9 importante destacar que o Elias foi da banda <a href=\"https:\/\/mineirosdalua.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mineiros da Lua<\/a> (ou ainda \u00e9?) e da <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bandaquiles\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Aquiles<\/a>. Toca tamb\u00e9m em v\u00e1rias outras bandas da cena de BH hoje. A Camila toca atualmente na <a href=\"https:\/\/gaspacho.bandcamp.com\/album\/gaspacho\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gaspacho<\/a>, que \u00e9 uma banda que de certa forma continua o legado da sua ex-banda, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/olympiatennisclub\/?hl=en\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Olympia T\u00eanis Club,<\/a> l\u00e1 de Juiz de Fora. E o Rodrigo tamb\u00e9m tem outros projetos. Adora tocar bateria pra l\u00e1 e pra c\u00e1. \u00c9 um g\u00eanio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias: Sobre a Mineiros, nem eu sei que p\u00e9 que t\u00e1 a banda (risos). Ia ter um disco, mas n\u00e3o sei mais. Acho que eu sou muito singular em cada banda, a godofredo \u00e9 a banda que eu sou o guitarrista e produtor, gosto muito desse papel e como ele t\u00e1 de acordo com o que eu quero fazer na banda. Al\u00e9m da Mineiros, toco na <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/adedalos\/?hl=en\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">D\u00e9dalos<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bandakosovo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Kosovo<\/a> e Aquiles. Em cada uma assumo um papel que a banda precisa e me ajuda a sempre estar praticando minha criatividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m do lan\u00e7amento do novo disco, o que mais vem por a\u00ed? Quais s\u00e3o os pr\u00f3ximos planos da banda?<\/strong><br \/>\nVinicius: Show de lan\u00e7amento, grava\u00e7\u00e3o de session e mini-turn\u00ea. Isso \u00e9 o m\u00ednimo. Mas j\u00e1 temos o repert\u00f3rio do pr\u00f3ximo disco na gaveta. O plano \u00e9 entrar em est\u00fadio no final do ano. Como ficamos muito tempo sem lan\u00e7ar nada, acumularam-se as can\u00e7\u00f5es. E o pr\u00f3ximo disco vai ser ainda melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias: Mini-turn\u00ea? Estava achando que finalmente ir\u00edamos fazer as 20 datas em um m\u00eas. Brincadeiras \u00e0 parte, acho que j\u00e1 estamos pensando no disco novo e como ele vai sair da gaveta. Mas acho que vai ser bom botar esse disco na roda, testar ele para diversos p\u00fablicos e ver se conseguimos rodar o Brasil. \u00c9 isso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Medo\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/snQUHTchTsY?list=OLAK5uy_mFb1crAK3WRTCuVisCz8vMZtOpjzWLCQo\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As influ\u00eancias da godofredo s\u00e3o diversas: Pavement, Stereolab, Guided by Voices, Beat Happening, Paralamas, Fellini, Akira S &#038; as Garotas que Erraram, p\u00f3s punk anos 1980 e rock argentino\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/06\/03\/entrevista-godofredo-fala-sobre-novo-disco-filme-da-varda-e-o-lo-fi-como-alternativa-na-era-do-tutorial\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":89589,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4323],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89588"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89588"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89588\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":89639,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89588\/revisions\/89639"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89589"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89588"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89588"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89588"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}