{"id":89579,"date":"2025-06-03T00:01:11","date_gmt":"2025-06-03T03:01:11","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=89579"},"modified":"2025-07-11T21:52:22","modified_gmt":"2025-07-12T00:52:22","slug":"musica-valerie-june-retorna-com-novos-feiticos-em-owls-omens-and-oracles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/06\/03\/musica-valerie-june-retorna-com-novos-feiticos-em-owls-omens-and-oracles\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: Valerie June retorna com novos feiti\u00e7os em &#8220;Owls, Omens and Oracles&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0texto de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/luiz_young\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Luiz Spinelli<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de receitar sonhos em 2021 com &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/04\/12\/musica-valerie-june-e-as-mulheres-que-cantam-com-lobos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Moon and Stars: Prescriptions for Dreamers<\/a>&#8220;, Valerie June retorna com novos feiti\u00e7os. &#8220;Owls, Omens and Oracles&#8221; (2025, Concord Records), lan\u00e7ado em abril, amplia ainda mais sua jornada espiritual e musical. Acompanhada por M. Ward (She &amp; Him) na produ\u00e7\u00e3o, June parece se aprofundar no mergulho c\u00f3smico que come\u00e7ou em seus trabalhos anteriores, com seguran\u00e7a e liberdade art\u00edstica raras em dias de playlists e impacto medido por n\u00fameros de seguidores em redes sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Owls, Omens, and Oracles&#8221; percorre caminhos m\u00edsticos em que o soul, o R&amp;B, o country e a psicodelia dan\u00e7am \u00e0 luz de uma fogueira sob o c\u00e9u de Marlboro, como se sempre tivessem habitado o mesmo universo. No entanto, a produ\u00e7\u00e3o mais pop, as colabora\u00e7\u00f5es bonitas e o clima on\u00edrico do disco n\u00e3o s\u00e3o o suficiente para esconder o peso maior do lado melanc\u00f3lico.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Valerie June - Endless Tree\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7ouIRoohndQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que o \u00e1lbum abra exalando otimismo com \u201cJoy, Joy!\u201d, em uma de suas faixas menos inspiradas, ela sabe que \u201cHas this old world been hard and rough\u201d. Na sequ\u00eancia, o disco logo engata e em \u201cEndless tree\u201d as coisas j\u00e1 funcionam muito melhor. No ch\u00e3o seguro da Americana que remete aos seus trabalhos anteriores, a trovadora pergunta: \u201cAre you ready to see \/ A world where we could all be free?\u201d. Eu quero estar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cInside Me\u201d traz um intimismo que impressiona. Confessional, Valerie explora a rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3prio corpo e esp\u00edrito e fala daquilo que carrega por dentro com a sabedoria de quem aprendeu a n\u00e3o se desculpar. A produ\u00e7\u00e3o aqui minimalista de M. Ward deixa espa\u00e7o para que a voz peculiar da feiticeira sulista cres\u00e7a em camadas, com um &#8216;call and response&#8217; bonito misturado com spoken word que brilha no cantinho da mixagem, como uma fogueira que vai acendendo aos poucos at\u00e9 iluminar a escurid\u00e3o da noite. Ou isso \u00e9 magia e June aprendeu a ler o futuro nos detalhes da natureza e estamos ouvindo a can\u00e7\u00e3o que ela cantou no caminho. \u00c9 assim t\u00e3o bonito.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-89581 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/valerie2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/valerie2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/valerie2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando chega em \u201cLove Me Any Ole Way\u201d o ouvinte j\u00e1 est\u00e1 arrebatado. Guiada por baixo e sopros dignos da Stax, a cantora mostra que tem a alma de Memphis e louva o amor sem amarras, num pedido de aceita\u00e7\u00e3o que ecoa como um mantra em tempos de performance afetiva: \u201cIn the darkness, hold my hand \/ Tell me you understand\u201d. A crueza e ternura desses versos traz uma sinceridade capaz de emocionar punks velhos. Soul \u00e9 foda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco ainda conta com a participa\u00e7\u00e3o especial dos lend\u00e1rios The Blind Boys of Alabama, em \u201cChanged\u201d, emprestando sua espiritualidade e d\u00e9cadas de experi\u00eancia a momentos que mais parecem ora\u00e7\u00f5es cantadas. J\u00e1 Norah Jones, que havia brilhado em \u201cI Got Soul\u201d, de &#8220;The Order of Time&#8221; &#8211; <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/24\/tres-discos-de-soul-valerie-june-gemma-the-travellers-e-benjamin-booker\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">talvez o ponto alto da carreira de Valerie<\/a> at\u00e9 aqui &#8211; retorna para encantar em \u201cSweet Things Just for You\u201d, a faixa mais suave do novo registro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sweet Things Just for You (Visualizer)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/95jsoPUlHgg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco \u00e9 um pouco irregular. As faixas mais pop s\u00e3o abaixo do que a sacerdotisa de Memphis pode fazer, mas nunca gen\u00e9ricas. O \u00e1lbum &#8211; ainda que mire claramente em ampliar o p\u00fablico da cantora &#8211; parece ter sido composto com os olhos voltados para dentro e os p\u00e9s fincados em ch\u00e3o sagrado. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o t\u00edtulo convoque corujas, press\u00e1gios e or\u00e1culos, tr\u00eas formas de escuta atenta que n\u00e3o se contentam com a superf\u00edcie.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valerie nos oferece aqui mais que um conjunto de can\u00e7\u00f5es, ela evoca um ritual sonoro para tempos confusos de governo Trump, genoc\u00eddio e avan\u00e7o da extrema-direita. Onde antes ela parecia buscar respostas nas estrelas, agora ela escava o solo, as ra\u00edzes e sua ancestralidade em busca de seguran\u00e7a &#8211; Humberto Gessinger was right?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s percorrer essa jornada, Valerie June se transforma no pr\u00f3prio or\u00e1culo, como uma ponte entre o passado spiritual da m\u00fasica negra americana e um futuro em que alma, ancestralidade e afeto se encontram sem pedir licen\u00e7a. Em tempos de algoritmos e cinismos, &#8220;Owls, Omens, and Oracles&#8221; \u00e9 um lembrete de que apesar de todo o terror da sociedade contempor\u00e2nea ainda somos humanos e h\u00e1 beleza em olhar o mundo com encantamento. Quem ouvir com o cora\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o conseguir\u00e1 escutar os segredos antigos sussurrados em cada faixa. Ou\u00e7a na integra abaixo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Owls, Omens, and Oracles\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_m-5gJOSt-8zRgayHmGADaj9RRR4SaIGOc\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<em><a href=\"https:\/\/twitter.com\/luiz_young\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Luiz Espinelly<\/a>, professor de literatura e guitarrista da Josephines:\u00a0<a href=\"https:\/\/josephines.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/josephines.bandcamp.com\/<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Owls, Omens, and Oracles&#8221; \u00e9 um lembrete de que apesar de todo o terror da sociedade contempor\u00e2nea ainda somos humanos e h\u00e1 beleza em olhar o mundo com encantamento.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/06\/03\/musica-valerie-june-retorna-com-novos-feiticos-em-owls-omens-and-oracles\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":96,"featured_media":89580,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2120],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89579"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/96"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89579"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89579\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":89595,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89579\/revisions\/89595"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89580"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89579"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89579"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89579"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}