{"id":89514,"date":"2025-05-30T00:01:40","date_gmt":"2025-05-30T03:01:40","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=89514"},"modified":"2025-06-24T23:00:13","modified_gmt":"2025-06-25T02:00:13","slug":"buzzcocks-em-porto-alegre-uma-aula-com-licoes-do-punk-rock-ao-power-pop","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/05\/30\/buzzcocks-em-porto-alegre-uma-aula-com-licoes-do-punk-rock-ao-power-pop\/","title":{"rendered":"Buzzcocks em Porto Alegre: uma aula com li\u00e7\u00f5es do punk rock ao power pop"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><br \/>\nfotos de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/gmaglia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Giovanni Maglia<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Buzzcocks surgiu durante a efervesc\u00eancia do punk ingl\u00eas, mas n\u00e3o pode restringir-se ao estilo que promoveu uma revolu\u00e7\u00e3o cultural por meio dos tr\u00eas acordes. O quarteto de Manchester \u00e9, em ess\u00eancia, um representante do power pop que construiu o pr\u00f3prio nome em cima de melodias cantoral\u00e1veis e refr\u00e3es ganchudos. Elementos do punk rock (\u00eanfase no rock), principalmente o 77 (uma refer\u00eancia a 1977, ano emblem\u00e1tico para o estilo), fazem parte do som da banda \u2013 como a urg\u00eancia, a simplicidade e a energia. Contudo, n\u00e3o o resumem. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/05\/26\/ao-vivo-em-sao-paulo-buzzcocks-mantem-energia-punk-com-classicos-e-meleca-no-nariz\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">E isso fica claro ao vivo<\/a>. Foi o que se testemunhou na \u00faltima ter\u00e7a-feira (27), no Bar Opini\u00e3o, em Porto Alegre. Tendo \u00e0 frente o veterano de disposi\u00e7\u00e3o juvenil Steve Diggle (70 anos), <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/05\/16\/steve-diggle-buzzcocks-se-a-escala-de-um-show-bom-vai-a-10-o-brasil-faz-ir-a-15\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00fanico integrante da forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica<\/a>, o grupo brit\u00e2nico desfilou hits numa performance entrosada e com doses de barulho pop que durou cerca de 1h50min.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde que foi criado, em 1976, pelo hoje finado guitarrista e cantor Pete Shelley e pelo ent\u00e3o vocalista Howard Devoto \u2013 que depois formou o Magazine \u2013 o Buzzcocks apostou na melodia. Al\u00e9m da musicalidade bem trabalhada e mais acess\u00edvel dentro do punk rock, o grupo tamb\u00e9m trouxe outros diferenciais. Esteticamente, carrega refer\u00eancias da subcultura mod, fugindo da imagem desleixada e com roupas rasgadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na parte l\u00edrica, aborda sentimentos e preocupa\u00e7\u00f5es adolescentes (considerando-se a fase antiga) em vez de protesto e contesta\u00e7\u00e3o. Assim, tornou-se influ\u00eancia para uma gama de artistas indie e\/ou inclinados ao pop. O EP de estreia da banda, \u201cSpiral Scratch\u201d \u2013 com Devoto ao microfone, Shelley s\u00f3 tocando guitarra e Diggle com a fun\u00e7\u00e3o das quatro cordas graves \u2013 \u00e9 um dos primeiros lan\u00e7amentos de punk rock no Reino Unido. O registro veio ao mundo em janeiro de 1977, sendo precedido pelo single \u2018New Rose\u2019, do The Damned.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assistir ao conjunto ingl\u00eas em a\u00e7\u00e3o \u00e9 perceber que ali est\u00e3o muitos elementos que ajudaram a moldar o britpop &#8211; como bem pontuou o camarada Rust Costa, da banda <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/30\/faixa-a-faixa-conheca-o-ep-de-estreia-da-banda-porto-alegrense-provdence\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Prov!dence<\/a> e um dos m\u00fasicos que acompanha Wander Wildner, ao fim da apresenta\u00e7\u00e3o. Em cena, o \u00fanico elemento decorativo era uma bandeira do Brasil sobre os amplificadores de guitarra usados por Diggle. De resto, palco limpo, somente com o equipamento necess\u00e1rio para projetar o som dos instrumentos. Com pouco mais de 30 minutos de atraso, a atra\u00e7\u00e3o principal da noite deu as caras. Diggle, vestindo camisa polo Fred Perry branca, entrou com um pandeiro na m\u00e3o puxando o tradicional coro futebol\u00edstico \u201col\u00ea, ol\u00ea, ol\u00ea\u201d. Jogo ganho!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-89517 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/buzz2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/buzz2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/buzz2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Distribuindo simpatia, o artista &#8211; que entrou para o Buzzcocks como baixista, logo foi al\u00e7ado a guitarrista e, com a morte do cantor Pete Shelley em 2018, acumulou ainda o posto de vocalista &#8211; agradeceu ao p\u00fablico diversas vezes. Nitidamente, o cara estafa feliz de estar ali tocando. Atuando como maestro, o frontman teve a companhia do guitarrista Mani Perazzoli e da azeitada cozinha formada por Danny Farrant (bateria) e Chris Remington (baixo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O repert\u00f3rio abriu com quatro singles lan\u00e7ados ainda na d\u00e9cada de 1970: \u2018What Do I Get?\u2019, \u2018Harmony in My Head\u2019, \u2018I Don&#8217;t Mind\u2019 e \u2018Everybody&#8217;s Happy Nowadays\u2019 &#8211; sendo que, no segundo som aqui listado, Diggle mostrou que tamb\u00e9m se d\u00e1 bem com o lado ruidoso da guitarra. Na sequ\u00eancia, a instigante \u2018Senses Out of Control\u2019, do mais recente \u00e1lbum \u201cSonics in the Soul\u201d (2022). Em seguida, \u2018Fast Cars\u2019, \u2018Sick City Sometimes\u2019 (originalmente cantada pelo pr\u00f3prio Diggle no disco que leva o nome da banda, de 2003), \u2018Isolation\u2019 e \u2018Autonomy\u2019. A poderosa \u2018Bad Dreams\u2019 deu seguimento, refor\u00e7ando in loco que o disco mais atual do Buzzcocks \u00e9 uma baita obra. Depois, foi a vez de \u2018Why Can&#8217;t I Touch It?\u2019, \u2018Destination Zero\u2019, \u2018Love You More\u2019. Fechando a primeira parte do set, o cl\u00e1ssico \u2018Orgasm Addict\u2019 e \u2018Manchester Rain\u2019, outra da fase atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao sair para o curto intervalo entre os dois atos do espet\u00e1culo, Diggle deixou a guitarra soando, provocando minutos de microfonia que fizeram alguns presentes levarem as m\u00e3os aos ouvidos para reduzir a perturba\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diggle abriu o bis com uma vers\u00e3o de \u2018Love is Lies\u2019 somente no viol\u00e3o e voz. A sequ\u00eancia teve \u2018Why She&#8217;s a Girl From the Chainstore\u2019, \u2018Just Got to Let It Go\u2019, \u2018Boredom\u2019, \u2018Chasing Rainbows \/ Modern Times\u2019 (com direito a trecho acelerado, de pegada punk, ao fim), \u2018Third Dimension\u2019, \u2018Gotta Get Better\u2019 e o hino atemporal \u2018Ever Fallen in Love (With Someone You Shouldn&#8217;t&#8217;ve)\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encerrando com a humildade dos verdadeiros gentlemen, Diggle intensificou os cumprimentos com os f\u00e3s colados ao palco, retomou os \u201col\u00eas\u201d e, novamente, deixou a microfonia soar. A impress\u00e3o \u00e9 que as \u00f3timas composi\u00e7\u00f5es do Buzzcocks ganham ainda mais pot\u00eancia ao vivo, com execu\u00e7\u00f5es precisas que fazem temas aparentemente simples tornaram-se grandiosos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-89516 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/treva.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/treva.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/treva-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O quarteto paulista Treva (foto acima) abriu os tr\u00eas shows que o Buzzcocks fez no Brasil em 2025 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/05\/26\/ao-vivo-em-sao-paulo-buzzcocks-mantem-energia-punk-com-classicos-e-meleca-no-nariz\/\">S\u00e3o Paulo<\/a>, Curitiba e Porto Alegre). Com um som calcado no punk\u2019n\u2019roll com elementos do blues, que remete a bandas como Social Distortion, o grupo divulga can\u00e7\u00f5es de seu \u00e1lbum de estreia \u201cEm Pr\u00f3pria Raz\u00e3o\u201d (2023). Entre os integrantes, est\u00e3o Felipe Ribeiro (guitarra e voz) e Eduardo Moratori (baixo), ambos ex-membros da banda de metalcore carioca Confronto. Durante o show na capital ga\u00facha, Felipe agradeceu reiteradas vezes ao p\u00fablico e a quem trabalha em eventos &#8211; talvez por ele mesmo ser um oper\u00e1rio do showbusiness e saber a import\u00e2ncia que tem a galera da graxa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&#039;Ever Fallen in Love (with someone you shouldn&#039;t&#039;ve) , Buzzcocks live in Porto Alegre, Brazil.\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FjuPVzK8p-Y?list=PL3M6mGqCRZBO4ZI6koWZSQ5YGC1g7jyy5\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista, vocalista da\u00a0<a href=\"https:\/\/diokane.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Diokane<\/a>\u00a0e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Ben Para Todo Mal<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Diggle, vestindo camisa polo Fred Perry branca, entrou com um pandeiro na m\u00e3o puxando o tradicional coro futebol\u00edstico \u201col\u00ea, ol\u00ea, ol\u00ea\u201d. Jogo ganho!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/05\/30\/buzzcocks-em-porto-alegre-uma-aula-com-licoes-do-punk-rock-ao-power-pop\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":52,"featured_media":89515,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4292,7713],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89514"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89514"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89514\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":89520,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89514\/revisions\/89520"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89515"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89514"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89514"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89514"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}