{"id":8949,"date":"2011-06-29T12:59:56","date_gmt":"2011-06-29T15:59:56","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=8949"},"modified":"2023-03-29T01:15:05","modified_gmt":"2023-03-29T04:15:05","slug":"entrevista-cicero-lins","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/06\/29\/entrevista-cicero-lins\/","title":{"rendered":"Scream &#038; Yell recomenda: C\u00edcero Lins"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-8951\" title=\"cicero\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/cicero.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/jotadablio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jorge Wagner<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma pessoa como outra qualquer. Algu\u00e9m confrontado como as responsabilidades da vida adulta, a solid\u00e3o, o peso do mundo. Algu\u00e9m que encarou o fim de sua banda num momento em que retornava de uma temporada de seis meses no exterior cheio de equipamentos comprados com a ideia de montar um est\u00fadio. Que terminou os estudos e se viu desempregado e sem interesse em prosseguir na \u00e1rea que havia escolhido para estudar. Que saiu de casa e foi morar sozinho em um pequeno apartamento em Botafogo, Zona Sul carioca, a tr\u00eas horas de dist\u00e2ncia do local onde se foi criado e onde toda a sua fam\u00edlia ainda mora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente DJ e produtor de tr\u00eas festas alternativas de sucesso na noite carioca (Mambembe, Benflogin e Yellow Submarine \u2013 essa \u00faltima, respons\u00e1vel por reunir, em uma \u00fanica noite, mais de mil e duzentas pessoas interessadas em ouvir, cantar e dan\u00e7ar, em um mesmo ambiente, coisas como Jorge Ben e Rolling Stones), C\u00edcero Lins, 25 anos, foi guitarrista e vocalista da Alice, uma das muitas bandas surgidas durante o pseudo-movimento indie carioca da d\u00e9cada passada w que chegou ao fim deixando dois discos t\u00e3o interessantes quanto desconhecidos (\u201cAnteluz\u201d, de 2005, e \u201cRu\u00eddo\u201d, de 2007). Tr\u00eas anos depois do fim do grupo (ou qualquer coisa pr\u00f3xima disso, j\u00e1 que o pr\u00f3prio m\u00fasico diz n\u00e3o saber exatamente quando a banda acabou), retoma suas atividades art\u00edsticas com seu primeiro disco solo, o bom \u201cCan\u00e7\u00f5es de Apartamento\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se comparado a \u201cRu\u00eddo\u201d (que, embora citasse no encarte Tom Jobim e Chico Buarque, podia ainda ser facilmente classificado como um disco de rock), \u201cCan\u00e7\u00f5es de Apartamento\u201d \u00e9 um disco de MPB. Uma MPB distinta, por sorte, de tudo o que tem sido feito por \u201cnovos paulistas\u201d, \u201cnovos curitibanos\u201d e todos esses r\u00f3tulos bairristas que pouco falam sobre alguma coisa. Uma MPB sem pretens\u00f5es de reinventar a roda, mas n\u00e3o engessada, que n\u00e3o ignora a exist\u00eancia de \u201cThe Bends\u201d ou \u201cSuburbs\u201d. \u00c9 como se pud\u00e9ssemos imaginar Thom Yorke discutindo Tom Jobim com Marcelo Camelo, ou Caetano Veloso, ainda jovem, convidando Moska para assistir um DVD do Arcade Fire, e tudo isso parecesse muito natural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confessional do primeiro ao \u00faltimo verso, \u201cCan\u00e7\u00f5es de Apartamento\u201d \u00e9 um disco sobre solid\u00e3o e saudades, abandonos e fugas e paix\u00f5es antigas que s\u00e3o bem recebidas quando desejam voltar, desde que seja por apenas uma noite. Sobre passeios no parque em uma tarde de domingo, sobre a constata\u00e7\u00e3o de que aquele amor antigo repete com outros todo o discurso utilizado com voc\u00ea em outras \u00e9pocas, sobre a ilus\u00e3o de salva\u00e7\u00e3o com a chegada do fim de semana. Tudo embalado em Tropic\u00e1lia e Bossa Nova, Radiohead e sanfonas, tamborins e microfonias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gravado de forma independente entre novembro de 2010 e abril deste ano, mixado por Igor Ferreira e masterizado por Ricardo Garcia, \u201cCan\u00e7\u00f5es de Apartamento\u201d foi liberado para download no \u00faltimo dia 22 de junho no Facebook (baixe <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/cancoes.de.apartamento?sk=app_178091127385\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>) e tamb\u00e9m pode ser baixado gratuitamente no site oficial do m\u00fasico: <a href=\"http:\/\/www.cicero.net.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.cicero.net.br\/<\/a>. Algumas semanas antes, C\u00edcero abriu as portas de seu lar\/ref\u00fagio\/est\u00fadio para conversar com o Scream &amp; Yell sobre o fim da Alice, sua estr\u00e9ia como artista solo, sobre solid\u00e3o e a influ\u00eancia do setlist das festas que produz sob suas composi\u00e7\u00f5es. A seguir, o bate papo.<\/p>\n<p align=\"center\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/B2bQeULS4i4\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/B2bQeULS4i4\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Alice lan\u00e7ou \u201cRu\u00eddo\u201d em 2007. Um ano depois voc\u00ea e o Rodrigo Abud, baixista, viajaram para os Estados Unidos falando em comprar equipamentos para um pr\u00f3ximo disco da banda, que acabou assim que voc\u00eas voltaram. O que aconteceu?<\/strong><br \/>\nA Alice na verdade foi parando, foi perdendo \u00e2nimo, e a gente nem sabe direito quando foi que ela acabou. Quando viajei pra Nova York no final de 2008 era com plano de voltar e montar um est\u00fadio pra Alice. No come\u00e7o de 2009, meados de 2009, quando voltei para o Brasil \u00e9 que constatei que a Alice j\u00e1 era meio que&#8230; uma hist\u00f3ria, n\u00e3o era mais uma realidade. Cada um tinha ido pra um lado, cada um estava com uma outra prioridade, cada um estava com uma outra perspectiva. Ent\u00e3o o que aconteceu foi o seguinte: peguei o mote que era aquele de estar com tudo na m\u00e3o e replanejei pra fazer um disco. N\u00e3o sabia se ia ser um disco solo, se ia ser um disco com uma outra banda que eu viesse a montar, se ia ser um disco com uma Alice renascida das cinzas ou se ia ser um disco gravado por uma outra pessoa, que nem fosse talvez eu cantando, mas compondo pra algu\u00e9m. Eu sabia que ia fazer um disco. Essa era uma certeza que eu tinha e que tenho. Vou fazer disco ainda por bastante tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quando veio a op\u00e7\u00e3o pelo disco solo?<\/strong><br \/>\nForam dois processos paralelos: o primeiro era pra onde eu ia artisticamente, j\u00e1 que eu j\u00e1 n\u00e3o tinha mais uma banda, e o outro era pra onde eu iria socialmente mesmo, porque j\u00e1 tinha acabado a faculdade de direito, j\u00e1 tinha mudado o status de universit\u00e1rio para desempregado, ent\u00e3o, tipo, \u201cvai fazer o qu\u00ea?!\u201d. Ou voc\u00ea vai ser um advogado ou vai ser um m\u00fasico, e j\u00e1 n\u00e3o dava pra ser as duas coisas como quando voc\u00ea era de uma bandinha e estudante de direito. Ent\u00e3o falei, \u201ccara, prefiro arriscar ser m\u00fasico, e tentar fazer alguma coisa com m\u00fasica\u201d. E ent\u00e3o rolou o processo de mudar pra um apartamento. E comecei a bolar uma forma de ganhar dinheiro sem ser com o Direito porque eu n\u00e3o&#8230; n\u00e3o s\u00e3o os meus valores, militar pelo Estado. Qq=uando eu comecei a lidar com as quest\u00f5es de morar num apartamento sozinho longe de casa, de ganhar dinheiro, de saber o que \u00e9 realmente estar sozinho, realmente ter companhia, de saber o que realmente te faz falta e o que n\u00e3o te faz falta eu vi ali talvez o melhor momento pra fazer m\u00fasica que eu tive na vida, que era onde eu estava com uma coisa muito grande minha me pedindo para ser interpretada de alguma forma. Era uma coisa minha, eu com o mundo, essa coisa de acordar pela manh\u00e3 e, porra, sou eu com essa casa, esse apartamento de 25m\u00b2 a 3 horas de casa. E \u00e9 aqui que voc\u00ea come\u00e7a a ver o que realmente \u00e9 estar sozinho, o que realmente \u00e9 estar acompanhado. Ah&#8230; bacana, ent\u00e3o vou escrever sobre isso. O que realmente te d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de felicidade? Ah&#8230; \u00e9 isso! \u00c9 ter algu\u00e9m pra tu poder ir num parque ler um livro e discutir Caetano, e n\u00e3o um grande amor que voc\u00ea acreditou que pudesse existir, mas que na vida real \u00e9 uma conjun\u00e7\u00e3o de fatores que te leva a sentir as coisas, e n\u00e3o necessariamente as coisas como descritas nos livros, nas novelas. E a\u00ed quando voc\u00ea come\u00e7a a ver as coisas com esse prisma, voc\u00ea come\u00e7a a querer falar sobre essas coisas especificamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Algumas coisas que j\u00e1 estavam presentes no \u201cRu\u00eddo\u201d vem ecoar no seu trabalho solo, mas tem bastante coisa que foi deixada de lado tamb\u00e9m. Como se deu essa escolha sobre o que manter e o que mudar no seu som?<\/strong><br \/>\nEu compunha as m\u00fasicas na Alice. As m\u00fasicas do \u201cAnteluz\u201d s\u00e3o composi\u00e7\u00f5es minhas, as m\u00fasicas do \u201cRu\u00eddo\u201d s\u00e3o composi\u00e7\u00f5es minhas e as m\u00fasicas do \u201cCan\u00e7\u00e3o de Apartamento\u201d s\u00e3o tamb\u00e9m. Mas a Alice era uma banda, era uma din\u00e2mica de grupo. Era a minha ideia vezes a ideia do baixista, vezes a do baterista e que dava o resultado final. No \u201cCan\u00e7\u00f5es\u201d isso n\u00e3o aconteceu. Muitas das coisas que a Alice estava encaminhando evolutivamente pra ser n\u00e3o eram minhas, s\u00f3. Eram tamb\u00e9m de um guitarrista, de um baixista e de um baterista. No \u201cCan\u00e7\u00f5es\u201d ficou s\u00f3 o que era meu naquela hist\u00f3ria ali. O \u201cAnteluz\u201d trata de temas que hoje em dia eu vejo com carinho e tudo mais, mas que eu tratava de uma forma um tanto superficial, um tanto comprada de terceiros, tipo \u201couvi e achei legal\u201d, e tal. No \u201cCan\u00e7\u00f5es de Apartamento\u201d foi um tro\u00e7o mais intimista, foi um tro\u00e7o mais de auto-an\u00e1lise. Ent\u00e3o talvez a sonoridade das m\u00fasicas, e as letras, tenham ficado menos universais, sabe? Ele fala sobre essas pequenas coisas que voc\u00ea sente mas que fazem toda a diferen\u00e7a quando voc\u00ea est\u00e1 sozinho, quando voc\u00ea tem tempo de constatar elas. Acho que isso remete a um amadurecimento, a evolu\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 mais uma caminhada normal de quem est\u00e1&#8230; indo, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando voc\u00ea volta de Nova York, voc\u00ea d\u00e1 um g\u00e1s na produ\u00e7\u00e3o das festas. Uma delas, a mais bem sucedida, Yellow Submarine, tem a caracter\u00edstica de misturar cl\u00e1ssicos do rock e cl\u00e1ssicos nacionais, como a Tropic\u00e1lia etc. Como essas noites ouvindo esses sons chegam a influenciar no seu trabalho como compositor hoje em dia?<\/strong><br \/>\n100%! A Yellow foi um fator determinante para o \u201cCan\u00e7\u00f5es de Apartamento\u201d por v\u00e1rios motivos. O primeiro porque \u00e9 meu trabalho. Eu fui obrigado, com muito prazer, a mergulhar no mundo da m\u00fasica brasileira e do classic rock como eu fazia recreativamente antes. Ent\u00e3o, tipo, fui pesquisar Tropic\u00e1lia, fui pesquisar Bossa Nova, Jovem Guarda, rockabilly, fui pesquisar o twist, o punk-rock, o rock &amp; roll dos anos 70&#8230; e fui ouvindo aquilo tudo pra fazer uma festa. At\u00e9 a\u00ed a Yellow n\u00e3o era uma coisa t\u00e3o bombada no Rio e come\u00e7ou a bombar e foi uma surpresa pra mim e para o Jorge (nota: Junior Du\u2019 Jorge, produtor das festas ao lado de C\u00edcero). A gente tinha que juntar o Chico com os Stones com o Tropicalismo e com tudo e colocar a galera pra dan\u00e7ar durante 6, 7 horas. Isso acabou ficando impregnado em mim e foi muito dif\u00edcil na hora de fazer o disco, tentar n\u00e3o cair nessa f\u00f3rmula que eu j\u00e1 sei que funciona. Na hora de fazer uma m\u00fasica, por voc\u00ea trabalhar com isso, voc\u00ea sabe o tipo de compasso, o tipo de cad\u00eancia mel\u00f3dica, de letra, de evolu\u00e7\u00e3o que vai fazer a galera levantar, porque voc\u00ea toca \u201cJorge Maravilha\u201d, voc\u00ea toca \u201cAlegria, Alegria\u201d, voc\u00ea toca \u201cRevolution\u201d. Voc\u00ea come\u00e7a a entender a mec\u00e2nica da coisa, e pro \u201cCan\u00e7\u00f5es\u201d eu achei que seria um pouco jogar sujo fazer isso, embora desse pra fazer. Pra qu\u00ea fazer isso, entendeu? O que tentei fazer foi absorver o que eu realmente gostava daquilo e botar nas m\u00fasicas, mas \u00e9 ineg\u00e1vel que aquilo est\u00e1 impregnado no disco. Tive que ouvir muita gente, muita discografia pra saber o que podia colocar ou n\u00e3o na festa, e muita coisa no disco n\u00e3o seria desse jeito se n\u00e3o fosse a Yellow.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um tema bastante presente no disco e mesmo algumas vezes no seu discurso enquanto a gente conversa \u00e9 a solid\u00e3o. Voc\u00ea, que \u00e9 um cara de 25 anos morando sozinho num bom bairro da capital carioca, se sente uma pessoa solit\u00e1ria? Como \u00e9 trabalhar com essa quest\u00e3o na hora de compor?<\/strong><br \/>\nEu me mudei de um lugar do Rio de Janeiro, Santa Cruz, que a rela\u00e7\u00e3o entre as pessoas \u00e9 completamente diferente do lugar onde estou morando, que \u00e9 um lugar onde acho que a solid\u00e3o \u00e9 muito maior. Por v\u00e1rias quest\u00f5es. Muita gente, pouco espa\u00e7o, muita coisa pra se fazer o tempo inteiro. A solid\u00e3o aqui \u00e9 mais paran\u00f3ica do que aquela solid\u00e3o mais arejada, das \u00e1reas mais afastadas do centro. Em contrapartida comecei a trabalhar com uma coisa que me coloca em uma exposi\u00e7\u00e3o muito grande. Voc\u00ea est\u00e1 em contato com muita gente, muita gente acaba te conhecendo, mas voc\u00ea n\u00e3o conhece ningu\u00e9m. Voc\u00ea acaba se sentindo mais sozinho, porque voc\u00ea n\u00e3o tem um motivo palp\u00e1vel para estar sozinho. Voc\u00ea est\u00e1 com um monte de gente, um monte de gente te conhece, um monte de gente conversando contigo, voc\u00ea mora num bairro com uma popula\u00e7\u00e3o absurdamente grande, gente subindo e descendo o tempo inteiro, voc\u00ea abre sua janela e v\u00ea a sua vizinha cozinhando e voc\u00ea continua se sentindo sozinho e voc\u00ea come\u00e7a a procurar o que \u00e9 a solid\u00e3o. Porque quando morava em Santa Cruz e sonhava com uma vida e tal, a solid\u00e3o era um pouco rom\u00e2ntica e agora \u00e9 mais palp\u00e1vel, ela n\u00e3o tem nenhum motivo para ser&#8230; e \u00e9. Acho que nesse aspecto comecei a ver que a solid\u00e3o \u00e9 muito mais um \u201cmal do s\u00e9culo\u201d do que uma caracter\u00edstica da minha personalidade. S\u00e3o milhares de pessoas sozinhas&#8230; juntas, sabe? E esse foi o mote do \u201cCan\u00e7\u00f5es de Apartamento\u201d. Estou aqui no meu apartamento, tenho a minha vida, me relaciono com a pessoa do apartamento ao lado, mas estou aqui e ela l\u00e1. Est\u00e3o todos sozinhos. E isso gera uma paran\u00f3ia que eu acho que \u00e9 o grande potencial destrutivo dessa nossa sociedade. As pessoas se relacionam at\u00e9 certo ponto, mas dali pra dentro \u00e9 solid\u00e3o. E isso \u00e9 a semente da loucura. \u201cJo\u00e3o e o P\u00e9 de Feij\u00e3o\u201d \u00e9 uma m\u00fasica que fala da mais sincera forma de solid\u00e3o que eu senti ao morar longe pra cacete, sabe? E \u201cVagalumes Cegos\u201d fala da forma mais sincera de se combater isso, que eu acredito, que \u00e9 quebrar com essa paran\u00f3ia, com essa pressa, com essa muvuca, n\u00e3o comprar esse meio de vida e ir fazer o b\u00e1sico, estar com algu\u00e9m em algum momento, porque a solid\u00e3o entra e destr\u00f3i tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cA\u00e7\u00facar ou Ado\u00e7ante\u201d tem um outro lado disso. \u00c9 um \u201centra aqui, compartilha essa noite comigo, beba o meu caf\u00e9, s\u00f3 que quando acabar a noite voc\u00ea vai pra l\u00e1 e eu fico aqui\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\nVoc\u00ea falou tudo! O \u201cCan\u00e7\u00f5es\u201d \u00e9 isso. S\u00e3o dez can\u00e7\u00f5es que tratam da forma como vejo o mundo, como estou lidando com a solid\u00e3o e como todo mundo lida. \u201cA\u00e7\u00facar ou Ado\u00e7ante\u201d \u00e9 isso. \u00c9 \u201centra, vamos dividir essas horas, mas, olha&#8230; que bom que voc\u00ea lembra, mas \u00e9 s\u00f3 isso\u201d. \u00c9 o que eu tenho visto nos \u00faltimos tr\u00eas anos que tenho vivido sozinho \u00e9 o que eu vejo as pessoas fazendo o tempo inteiro. Os amores s\u00e3o assim, as amizades s\u00e3o assim. \u201cPelo Interfone\u201d tem isso tamb\u00e9m, esse \u201cvai nesse in\u00e9dito de novo\u201d. \u201cA\u00e7\u00facar e Ado\u00e7ante\u201d e \u201cPelo Interfone\u201d s\u00e3o m\u00fasicas ligadas. \u00c9 justamente sobre essa esteira rolante dos relacionamentos que as coisas acontecem hoje em dia. Uma fala de um ex-amor, \u201centra pra ver como voc\u00ea deixou o lugar\u201d, aquilo devastou em algum momento aquela pessoa, mas ela j\u00e1 arrumou a casa, j\u00e1 se tocou, e p\u00e1, solid\u00e3o, e \u00e9 isso. E essa pessoa, depois que toma o caf\u00e9 e vai embora, ela vai procurar o amor em outro lugar, e vai projetar todas aquelas coisas dela numa outra pessoa. S\u00f3 que \u00e9 uma coisa t\u00e3o&#8230; de mudar de lugar, t\u00e3o sem relacionamento, que \u00e9 a mesma coisa, sabe? \u201cFala pra ele tamb\u00e9m, e quando acabar, fala pra um outro tamb\u00e9m\u201d. N\u00e3o \u00e9 desesperan\u00e7oso. N\u00e3o quero que o disco soe desesperan\u00e7oso, de forma nenhuma. \u00c9 apenas uma cr\u00f4nica pessoal minha de como eu vejo que as coisas est\u00e3o. N\u00e3o fa\u00e7o ju\u00edzo de valores, mas \u00e9 o que vejo acontecendo. Vejo como as pessoas procuram cada vez mais em drogas, Deus, terapia, yoga&#8230; solu\u00e7\u00f5es que n\u00e3o v\u00e3o estar l\u00e1. S\u00e3o coisas que existem que est\u00e3o ali, mas que se voc\u00ea n\u00e3o tiver uma postura, essas coisas n\u00e3o v\u00e3o mudar em nada a sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cCan\u00e7\u00f5es\u201d foi liberado pra download agora no dia 22 e, ainda esse m\u00eas deve sair o clipe de \u201cTempo de Pipa\u201d, com a participa\u00e7\u00e3o da Let\u00edcia Collin. E o esquema do disco f\u00edsico, da divulga\u00e7\u00e3o e de vendas agora, como vai ser?<\/strong><br \/>\nO disco f\u00edsico sai at\u00e9 o final de julho. Na parte de divulga\u00e7\u00e3o, fazendo as festas a gente come\u00e7ou a entender mais ou menos como funciona o Rio de Janeiro quando voc\u00ea quer capitalizar alguma coisa que tem a ver com arte. O Rio de Janeiro \u00e9 totalmente diferente de S\u00e3o Paulo, totalmente diferente de outros estados. O carioca tem uma caracter\u00edstica que pode ser uma qualidade e um defeito, mas que tem virado nos \u00faltimos tempos um defeito, e que eu gostaria que se tornasse uma qualidade. O carioca milita menos em causas, em grupos, em tribos, em coisas assim do que acontece em outros estados. O que acontece \u00e9 que o carioca n\u00e3o tem muito o h\u00e1bito de \u201cPo, tem show do Fulano de Tal numa quarta-feira. Vou l\u00e1 assistir!\u201d. Ele n\u00e3o faz isso. \u00c9 uma coisa que aqui n\u00e3o rola. Mas se tem alguma coisa legal num lugar legal numa sexta-feira, e tem alguma coisa legal, num lugar legal e que vai ter o show daquele cara legal numa sexta-feira tamb\u00e9m, a\u00ed a galera vai, entende? \u00c9 o que acontece com a Yellow, que acabou virando um ambiente bacana onde o pessoal gosta de ir, porque se encontram iguais ali. O que eu pretendo fazer comercialmente com o disco \u00e9 tentar veicular a m\u00fasica pra todo mundo, das formas que j\u00e1 s\u00e3o at\u00e9 velhas, como a internet, os sites, blogs etc, vou tentar veicular isso atrav\u00e9s de amizades, de contatos e tudo mais, e fazer a galera se interessar pela coisa, e vou tentar produzir eventos que tenham talvez a cara do carioca, um pouco mais, e tocar nesses eventos, fazer show nesses eventos, mas que tenha uma galera interessada em ouvir o \u201cCan\u00e7\u00f5es de Apartamento\u201d. Talvez se eu conseguisse fazer essa atmosfera girar em torno do show do \u201cCan\u00e7\u00f5es de Apartamento\u201d \u2013 e a\u00ed entra uma outra quest\u00e3o de que uma andorinha s\u00f3 n\u00e3o faz ver\u00e3o, que j\u00e1 um outro assunto \u2013, acho que a gente conseguiria fazer a galera, sem militar como um movimento, se reunir em torno daquela galera que faz aquela coisa que \u00e9 legal, que tem m\u00fasicas que as pessoas gostam. Ningu\u00e9m que teve banda em 2005, que era a \u00e9poca da Alice, acredita ainda em ser produzido por algu\u00e9m e tocar num grande festival e bombar pro Brasil inteiro. Isso n\u00e3o existe mais. Agora voc\u00ea tem que ser seu pr\u00f3prio produtor. Voc\u00ea tem que entrar em contato com uma casa, ou ter uma equipe de amigos que est\u00e3o ali tamb\u00e9m pelo ideal e que vai produzir seu show, e a entrada \u00e9 contigo mesmo, a log\u00edstica da coisa \u00e9 contigo mesmo, que \u00e9 pra voc\u00ea ir tapando os buracos por onde sai o dinheiro, que \u00e9 pra poder pagar os m\u00fasicos, pagar os custos e viver de m\u00fasica. Eu ainda n\u00e3o sei como o Rio de Janeiro vai se organizar em rela\u00e7\u00e3o a isso. Mas se a coisa estiver mais ou menos organizada, e esse poder de organiza\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo \u00e9 algo que eles t\u00eam de \u00f3timo e que a gente largou pra l\u00e1, se a gente conseguisse se organizar minimamente, a gente conseguiria fazer isso, talvez, funcionar, sem depender de&#8230; o cara trabalhar de segunda a sexta em qualquer outra coisa e fazer m\u00fasica no final de semana.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8952 aligncenter\" title=\"cicero1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/cicero1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.cicero.net.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>http:\/\/www.cicero.net.br\/<\/strong><\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Jorge Wagner\nConfessional do primeiro ao \u00faltimo verso, Can\u00e7\u00f5es de Apartamento \u00e9 um disco sobre solid\u00e3o e saudades, abandonos e fugas\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/06\/29\/entrevista-cicero-lins\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8949"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8949"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8949\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73686,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8949\/revisions\/73686"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8949"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8949"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8949"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}