{"id":89360,"date":"2025-05-26T10:04:12","date_gmt":"2025-05-26T13:04:12","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=89360"},"modified":"2025-06-14T23:30:06","modified_gmt":"2025-06-15T02:30:06","slug":"ao-vivo-em-sao-paulo-buzzcocks-mantem-energia-punk-com-classicos-e-meleca-no-nariz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/05\/26\/ao-vivo-em-sao-paulo-buzzcocks-mantem-energia-punk-com-classicos-e-meleca-no-nariz\/","title":{"rendered":"Ao vivo: Em S\u00e3o Paulo, Buzzcocks mant\u00e9m energia punk com cl\u00e1ssicos e meleca no nariz"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><br \/>\n<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com mais de 45 anos de estrada, os Buzzcocks voltaram ao Brasil em 2025 com o que restou de sua forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/05\/16\/steve-diggle-buzzcocks-se-a-escala-de-um-show-bom-vai-a-10-o-brasil-faz-ir-a-15\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Steve Diggle<\/a>, guitarrista e agora vocalista principal desde a morte do grande Pete Shelley, em 2018. O que se viu no Carioca Club no s\u00e1bado, 24\/05, enquanto C6 Fest e Virada Cultural movimentavam a cidade, foi uma celebra\u00e7\u00e3o ao legado punk brit\u00e2nico &#8211; por mais contradit\u00f3rio que isso possa ser para um som que historicamente desafiava padr\u00f5es e proibi\u00e7\u00f5es do establishment.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem abriu a noite foi a paulistana <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/sweet77suburbia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sweet Suburbia<\/a>, \u00e0s 18h. Com forte influ\u00eancia das primeiras ondas do punk, o grupo existe desde 2003 e <a href=\"https:\/\/sweetsuburbia.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">possui na bagagem<\/a> tr\u00eas EPs e o disco cheio &#8220;Paranoia Day by Day\u201d (2008), todos com faixas cantadas em ingl\u00eas. Apesar do tempo de estrada, a banda n\u00e3o faz shows com frequ\u00eancia, algo que ficou percept\u00edvel na apresenta\u00e7\u00e3o &#8211; descontando que os m\u00fasicos tamb\u00e9m sofreram o rev\u00e9s t\u00e9cnico de microfonias nas primeiras m\u00fasicas, atrapalhando a performance que j\u00e1 era um pouco travada e hesitante. Foi um set enxuto de cerca de meia hora e nove m\u00fasicas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sweet Suburbia - Lost Youth Generation. Carioca Club 24\/05\/2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tz7Re8Lk0Mc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, \u00e0s 18h47, foi a vez d\u2019Os Exclu\u00eddos, banda veterana do underground paulistano, na estrada desde 1998. O grupo iniciou os trabalhos dedicando \u201c\u00c9 Por Isso Que o Punk N\u00e3o Morre\u201d a Steve Diggle. Entre letras em portugu\u00eas e guitarras afiadas, o quarteto \u00e9 um exemplo de como o punk se adaptou ao contexto brasileiro ao longo das d\u00e9cadas, ganhando camadas sociais e lingu\u00edsticas que extrapolam a imita\u00e7\u00e3o de moldes estrangeiros. Os Exclu\u00eddos apresentou um repert\u00f3rio conciso e competente, emendando uma composi\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a outra e refr\u00f5es que n\u00e3o desperdi\u00e7avam energia. Durante a terceira composi\u00e7\u00e3o, um breve susto com uma queda de press\u00e3o de algu\u00e9m na frente do palco interrompeu momentaneamente o set, mas tudo seguiu sem problemas at\u00e9 o encerramento, \u00e0s 19h13.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s 19h33, quando as cortinas se reabriram e o tel\u00e3o revelou o logo dos Buzzcocks, o Carioca Club j\u00e1 estava devidamente cheio para receber a atra\u00e7\u00e3o principal. Uma intro kitsch de \u201cAlso Sprach Zarathustra\u201d (eternizada como um dos temas de \u201c2001: Uma Odisseia no Espa\u00e7o\u201d, de Stanley Kubrick) conferia um certo humor \u00e0 coisa toda. Os membros da banda surgiram no palco &#8211; com direito a uma bandeira do Brasil cobrindo um dos amplificadores &#8211; e come\u00e7aram a tocar. Animado, Steve Diggle apareceu tocando uma pandeirola com um sorris\u00e3o no rosto, arrancando muitos aplausos antes mesmo de emitir a primeira nota em sua guitarra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem perder tempo, o grupo iniciou com a explosiva &#8220;What Do I Get&#8221;, cl\u00e1ssico absoluto da primeira fase da banda, e seguiu com \u201cHarmony in My Head\u201d, cantada em coro pelos f\u00e3s. A conex\u00e3o com o p\u00fablico foi instant\u00e2nea, com Diggle pedindo palmas e descendo at\u00e9 a beirada do palco para interagir com a galera. Hoje com 70 anos, Diggle \u00e9 uma figura paradoxal: franzino, quase fr\u00e1gil, mas ainda capaz de comandar um espet\u00e1culo como se tivesse uns 30. Seu sotaque de Manchester e o microfone mal regulado dificultaram a comunica\u00e7\u00e3o nas falas com o p\u00fablico, mas o entendimento das palavras n\u00e3o fez muita falta. Quando pedia palmas para acompanhar o ritmo da bateria, os f\u00e3s obedeciam sem pensar duas vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Empunhando sua guitarra Telecaster, Diggle conduziu mais cl\u00e1ssicos como \u201cI Don\u2019t Mind\u201d e \u201cEverybody\u2019s Happy Nowadays\u201d com entusiasmo, mesmo sem conseguir replicar os falsetes de Pete Shelley no refr\u00e3o. Nada disso importava para o p\u00fablico, que preenchia os vocais com paix\u00e3o enquanto os hits vinham em sequ\u00eancia, com direito a crowd surfing de um f\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda que cerca Diggle \u2013 um trio de m\u00fasicos visivelmente mais novos que ele \u2013 segura o tranco com muita dec\u00eancia. Chris Remington no baixo, Mani Perazzoli na guitarra e Danny Farrant na bateria tocam com garra e firmeza na estrutura\u00e7\u00e3o do groove, principalmente nos momentos de flerte com a psicodelia pop de \u201cBad Dreams\u201d. E ali isso significou muito para os espectadores, que se dividiam entre punks de moicano, mo\u00e7as de indument\u00e1ria meio g\u00f3tica, caras com pecha de intelectuais com camisetas dos Wipers, f\u00e3s de Ramones, e at\u00e9 um sujeito com a frase \u201ccerveja, jiu jitsu e pancadaria\u201d estampada nas costas como se fosse seu lema de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cWhy Can\u2019t I Touch It?\u201d, \u201cFast Cars\u201d, \u201cSenses Out of Control\u201d \u2014 pancada atr\u00e1s de pancada, o set foi um desfile de cl\u00e1ssicos, com pitadas do disco mais recente, \u201cSonics in the Soul\u201d (2022). Em \u201cManchester Rain\u201d, Diggle soou quase po\u00e9tico, at\u00e9 sair do palco com um teatrinho de falsa despedida para o bis j\u00e1 aguardado. Ele voltou minutos depois, com a cereja do bolo: vestido uma camiseta do Santos Futebol Clube de 1998, viol\u00e3o nas m\u00e3os e a balada \u201cLove Is Lies\u201d (a primeira balada ac\u00fastica da hist\u00f3ria dos Buzzcocks) na manga. Uma imagem meio improv\u00e1vel, mas real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois disso, vieram \u201cPromises\u201d, \u201cWhy She&#8217;s a Girl From the Chainstore\u201d, \u201cJust Got to Let It Go\u201d, \u201cBoredom\u201d e \u201cChasing Rainbows\u201d, esta \u00faltima com Diggle puxando um \u201col\u00ea, ol\u00ea, ol\u00ea, S\u00e3o Paulo!\u201d que deixou o p\u00fablico confuso entre responder com o nome da cidade, da banda, ou o de algum time de futebol. A massa n\u00e3o se entendeu muito, mas o esp\u00edrito da intera\u00e7\u00e3o estava ali. A banda encerrou seu set com \u201cEver Fallen in Love (With Someone You Shouldn&#8217;t&#8217;ve)\u201d, \u2013 o hino definitivo dos cora\u00e7\u00f5es punk apaixonados e confusos &#8211; e Diggle puxou mais uma tentativa de \u201col\u00ea, ol\u00ea, ol\u00ea\u201d, desta vez com a plateia respondendo com \u201cBuzzcocks! Buzzcocks!\u201d com convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O show entregou o que prometia: uma noite para quem queria ver ao vivo o resqu\u00edcio de um dos pilares do punk brit\u00e2nico. E, se \u00e9 verdade que Diggle passou boa parte do show com uma meleca pendurada no nariz (como relatou uma testemunha pr\u00f3xima do palco), talvez isso explique mais sobre a autenticidade da coisa toda do que qualquer review t\u00e9cnico. Afinal, se isso n\u00e3o \u00e9 punk, o que \u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Setlist:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>What Do I Get?<\/em><br \/>\n<em>Harmony in My Head<\/em><br \/>\n<em>I Don&#8217;t Mind<\/em><br \/>\n<em>Everybody&#8217;s Happy Nowadays<\/em><br \/>\n<em>Senses Out of Control<\/em><br \/>\n<em>Fast Cars<\/em><br \/>\n<em>Sick City Sometimes<\/em><br \/>\n<em>Isolation<\/em><br \/>\n<em>Autonomy<\/em><br \/>\n<em>Bad Dreams<\/em><br \/>\n<em>Why Can&#8217;t I Touch It?<\/em><br \/>\n<em>Destination Zero<\/em><br \/>\n<em>Love You More<\/em><br \/>\n<em>Orgasm Addict<\/em><br \/>\n<em>Manchester Rain<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Bis:<\/em><br \/>\n<em>Love Is Lies<\/em><br \/>\n<em>Promises<\/em><br \/>\n<em>Why She&#8217;s a Girl From the Chainstore<\/em><br \/>\n<em>Just Got to Let It Go<\/em><br \/>\n<em>Boredom<\/em><br \/>\n<em>Chasing Rainbows<\/em><br \/>\n<em>Ever Fallen in Love (With Someone You Shouldn&#8217;t&#8217;ve)<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"BUZZCOCKS EM S\u00c3O PAULO\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HAQ4drSKxlw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O \u00f3timo show entregou o que prometia: uma noite para quem queria ver ao vivo o resqu\u00edcio de um dos pilares do punk brit\u00e2nico.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/05\/26\/ao-vivo-em-sao-paulo-buzzcocks-mantem-energia-punk-com-classicos-e-meleca-no-nariz\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":89368,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4292],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89360"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89360"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89360\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":89369,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89360\/revisions\/89369"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89368"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89360"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89360"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89360"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}