{"id":89259,"date":"2025-05-18T08:47:04","date_gmt":"2025-05-18T11:47:04","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=89259"},"modified":"2025-06-19T19:14:00","modified_gmt":"2025-06-19T22:14:00","slug":"carcass-revisita-a-discografia-e-faz-intensivao-de-metal-extremo-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/05\/18\/carcass-revisita-a-discografia-e-faz-intensivao-de-metal-extremo-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Carcass revisita a discografia e faz intensiv\u00e3o de metal extremo em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/amusicadofabio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fabio Machado<\/a><br \/>\nfotos de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/dougmosh.prod\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Douglas Mosh<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00faltima vez que o Carcass esteve no Brasil foi como parte do line-up do Summer Breeze 2024 (atual <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Bangers+Open+Air\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bangers Open Air<\/a>), a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o era muito auspiciosa: al\u00e9m do tempo mais limitado para se apresentar, o show rolou sob um sol implac\u00e1vel. O vocalista\/baixista Jeff Walker sentiu bastante o golpe, a ponto de tocar parte do set com um saco de gelo na cabe\u00e7a para aliviar a temperatura. Foi um show pesado e executado com a qualidade caracter\u00edstica da banda, mas era inevit\u00e1vel pensar que, em circunst\u00e2ncias melhores, o poder de fogo desse quarteto de Liverpool (n\u00e3o confundir com outros similares), considerado uma das institui\u00e7\u00f5es do metal extremo, seria ainda mais implac\u00e1vel. Pois em 2025 a oportunidade veio, com um show agendado do Carioca Club sem festival, sem bandas de abertura, e o mais importante: sob condi\u00e7\u00f5es mais amenas de temperatura para evitar mais gente passando mal de calor enquanto berra sobre procedimentos m\u00e9dicos obscuros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s 20h, a pista do Carioca estava longe de estar lotada, mas j\u00e1 havia um pequeno grupo mais entusiasmado posicionado l\u00e1 na frente do palco. Boa parte do p\u00fablico ainda estava confraternizando do lado de fora nos bares do entorno, como \u00e9 tradicional do estilo. Nos tel\u00f5es, a j\u00e1 cl\u00e1ssica imagem de stand-by do \u201cCarcass TV\u201d que aparece antes dos shows, enquanto o som do PA deixava rolar uma playlist com as melhores do AC\/DC (sim, n\u00e3o s\u00f3 de blastbeat e gutural vive o homem). Ainda passariam mais 30 minutos at\u00e9 que as luzes do Carioca se apagassem e a intro com uma vers\u00e3o ligeiramente mais sinistra de \u201c1985\u201d soasse como pren\u00fancio para o que estava por vir, enquanto os integrantes chegavam a seus postos: Daniel Wildling (bateria), Bill Steer (guitarra), James Blackford (guitarra) e o j\u00e1 citado Jeff Walker, agora ostentando um corte de cabelo mais curto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A essa altura a pista j\u00e1 estava cheia e na ansiedade pelo in\u00edcio do show, que come\u00e7ou com a devida brutalidade com \u201cUnfit for Human Consumption\u201d seguida por \u201cBuried Dreams\u201d &#8211; destaques dos \u00e1lbuns \u201cSurgical Steel\u201d e \u201cHeartwork\u201d, respectivamente &#8211; sob aprova\u00e7\u00e3o total dos presentes na pista. Sem tempo a perder, emendaram \u201cKelly\u00b4s Meat Emporium\u201d do mais recente \u201cTorn Arteries\u201d; e \u201cIncarnated Solvent Abuse\u201d do seminal \u201cNecroticism: Descanting the Insalubrious\u201d para alegria de quem estava pirando nas rodas l\u00e1 pelo meio da pista. E diferente do ano passado, as circunst\u00e2ncias estavam do lado do Carcass: jogando para a torcida, num ambiente mais intimista que um palco de festival e com uma qualidade sonora que facilitava a compreens\u00e3o de cada riff, solo e virada de bateria executados na noite (e n\u00e3o foram poucos).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-89262 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-13-copiar-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-13-copiar-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-13-copiar-1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A saraivada de cl\u00e1ssicos continuou, agora com a cadenciada \u201cNo Love Lost\u201d, outra do \u201cHeartwork\u201d com refr\u00e3o berrado em un\u00edssono por quem l\u00e1 estava, e que provavelmente foi a porta de entrada de muita gente para a banda brit\u00e2nica ao se deparar com clipes no saudoso F\u00faria MTV nos anos 1990. A noite tamb\u00e9m reservou alguns medleys, elemento j\u00e1 tradicional no set dos brit\u00e2nicos: um com &#8220;Tomorrow Belongs to Nobody&#8221; (do disco \u201cSwansong\u201d) e \u201cDeath Certificate\u201d (mais uma do \u201cHeartwork\u201d), essa \u00faltima com grandes momentos em dueto nas guitarras de Steer e Blackford; e outro com \u201cBlack Star\/Keep on Rotting in the Free World\u201d, mais duas do \u201cSwansong\u201d, um disco meio injusti\u00e7ado na d\u00e9cada de 90 por se afastar das ra\u00edzes mais death do conjunto, mas que agora parece estar sendo redescoberto de forma positiva por uma nova gera\u00e7\u00e3o, uma vez que \u00e9 presen\u00e7a constante nos shows.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por essa variedade de discos e eras, n\u00e3o \u00e9 exagero dizer que um show do Carcass \u00e9 praticamente um intensiv\u00e3o de metal extremo, j\u00e1 que a discografia do grupo \u00e9 algo que se confunde com os prim\u00f3rdios do grindcore e death metal ingl\u00eas e que vai agregando outros elementos \u00e0 sua sonoridade. Haja visto a sequ\u00eancia com \u201cGenital Grinder\u201d e \u201cPyosisified (Rotten to the Gore), trazidas diretamente do primeiro disco \u201cReek of Putrefaction\u201d e que aqueceram o cora\u00e7\u00e3o dos f\u00e3s mais old school com uma massa sonora avassaladora. Sem falar na tempestade grind de \u201cTools of the Trade\u201d (do mesmo EP de 1992), que contribuiu para animar mais ainda o circle pit no local.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-89263 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-23-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-23-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-23-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois dessa pequena viagem no tempo, o Carcass retoma a era moderna trazendo \u201cThe Scythe&#8217;s Remorseless Swing\u201d (de \u201cTorn Arteries\u201d) um \u00e9pico de 5 minutos quase mel\u00f3dico perto das desgraceiras anteriores, mas tamb\u00e9m repleto de riffs, mudan\u00e7as de andamento e vocais r\u00edspidos. E assim seguiu com \u201c316L Grade Surgical Steel\u201d (mais uma do \u201cSurgical Steel\u201d), outra que tem de tudo um pouco: melodias dobradas de guitarra, bateria que vai do r\u00e1pido ao bumbo duplo moendo, e grandes solos de Bill Steer &#8211; que aqui, merece uma men\u00e7\u00e3o \u00e0 parte por parecer a pessoa menos death metal num rol\u00ea repleto de camisetas pretas, pulando e sorrindo pelo palco com cal\u00e7a jeans boca de sino e uma Gibson que n\u00e3o o deixariam de fora em nenhum festival dos anos 70. O contraponto desse visual \u00e9 a sua capacidade de compor riffs com precis\u00e3o extrema que s\u00e3o a alma da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m merece elogios o batera Daniel Wildling, que mesmo diante da tarefa absurda que \u00e9 performar uma discografia que vai de 0 a 150 em segundos, consegue realiz\u00e1-la com maestria e um literal sorriso no rosto quase todo o tempo, mesmo em meio a blast beats insanos. Essa pot\u00eancia sonora se manteve no final, com mais duas favoritas dos f\u00e3s: \u201cThis Mortal Coil\u201d (de \u201cHeartwork\u201d) e \u201cCorporal Jigsore Quandary\u201d (de Necroticism: Descanting the Insalubrious\u201d). A essa altura, Jeff Walker e os demais integrantes poderiam se dar por satisfeitos e arrumarem suas coisas para sair diante do arsenal de alto calibre apresentado na noite. Mas ainda havia tempo para mais uma dobradinha no bis, com o groove arrastado de \u201cRuptured in Purulence\u201d seguido por \u201cHeartwork\u201d, faixa-t\u00edtulo do disco de mesmo nome que mostrou l\u00e1 atr\u00e1s, em 1993, que os meninos de Liverpool n\u00e3o eram s\u00f3 podreira e morbidez. Um encerramento \u00e0 altura para uma apresenta\u00e7\u00e3o que comprovou o que j\u00e1 era esperado: com as circunst\u00e2ncias certas e uma tr\u00e9gua do calor, o Carcass consegue mostrar todo o seu potencial sonoro.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-89264 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-26-copiar-2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-26-copiar-2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-26-copiar-2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013 <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/amusicadofabio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fabio Machado<\/a>\u00a0\u00e9 m\u00fasico e jornalista (n\u00e3o necessariamente nessa ordem). Baixista na Falsos Conejos, Mevoi, Thrills &amp; the Chase e outros projetos.\u00a0<\/em><br \/>\n<em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/dougmosh.prod\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Douglas Mosh<\/a>\u00a0\u00e9 fot\u00f3grafo de shows e produtor. Conhe\u00e7a seu trabalho em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/dougmosh.prod\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">instagram.com\/dougmosh.prod<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pela variedade de discos e eras, n\u00e3o \u00e9 exagero dizer que um show do Carcass \u00e9 um intensiv\u00e3o de metal extremo, j\u00e1 que a discografia do grupo \u00e9 algo que se confunde com os prim\u00f3rdios do grindcore e death metal ingl\u00eas.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/05\/18\/carcass-revisita-a-discografia-e-faz-intensivao-de-metal-extremo-em-sao-paulo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":143,"featured_media":89261,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7694],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89259"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/143"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89259"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89259\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":89265,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89259\/revisions\/89265"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89261"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89259"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89259"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89259"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}