{"id":89239,"date":"2025-05-16T00:09:38","date_gmt":"2025-05-16T03:09:38","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=89239"},"modified":"2025-06-25T00:25:03","modified_gmt":"2025-06-25T03:25:03","slug":"steve-diggle-buzzcocks-se-a-escala-de-um-show-bom-vai-a-10-o-brasil-faz-ir-a-15","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/05\/16\/steve-diggle-buzzcocks-se-a-escala-de-um-show-bom-vai-a-10-o-brasil-faz-ir-a-15\/","title":{"rendered":"Steve Diggle (Buzzcocks): &#8220;Se a escala de um show bom vai a 10, o Brasil faz ir a 15&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lage.guilherme66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Guilherme Lage<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea j\u00e1 deve ter caminhado por a\u00ed, perdido em pensamentos, cantarolando &#8220;ever fallen in lin love with someone, ever fallen in love&#8230;&#8221; sem conseguir lembrar exatamente de onde conhece essa m\u00fasica. Ouviu numa festa? Numa colet\u00e2nea, talvez? Pois saiba que voc\u00ea anda cantando um dos maiores cl\u00e1ssicos do punk rock ingl\u00eas, sa\u00eddo das mentes de uma das duplas mais ic\u00f4nicas do g\u00eanero: o saudoso Pete Shelley e Steve Diggle, do Buzzcocks.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O duo faz parte daquelas duplas lend\u00e1rias que ajudaram a cristalizar o punk no final dos anos 70. Tipo <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/16\/discografia-comentada-the-clash\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Joe Strummer e Mick Jones<\/a> e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/01\/discografia-comentada-ramones\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Joey e Johnny Ra<\/a>&#8230;\u00e9 melhor parar por aqui. Ah, deixa, dois caras que n\u00e3o se bicam e s\u00e3o adultos o suficiente para n\u00e3o sair na porrada por 15 anos merecem sim estar nesta lista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEver Fallen in Love\u201d est\u00e1 em &#8220;Love Bites&#8221;, de 1978, segundo disco da banda de Manchester. Naquela \u00e9poca, quando &#8220;Oi!&#8221; ainda era s\u00f3 um cumprimento, o punk brit\u00e2nico bebia de outras fontes, como o power pop, caso do Buzzcocks. A banda come\u00e7ou dois anos antes, formada por Shelley e o ent\u00e3o vocalista Howard Devoto. Diggle entrou depois, como baixista. Os tr\u00eas se conheceram <a href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/programmes\/articles\/4f0B5rf6z2wYQpm5WNqsqP7\/they-swear-they-were-there-sex-pistols-at-the-lesser-free-trade-hall\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">num show dos Sex Pistols<\/a>. Estavam ali para encontrar outras pessoas, mas um tal Malcolm Mclaren apresentou Steve a Pete, que estava na bilheteria do rol\u00ea, e o resto \u00e9 hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A forma\u00e7\u00e3o com Devoto durou pouco: um ano depois (putz&#8230; logo em 77), Howard resolveu sair (para formar o Magazine) e Pete assumiu os vocais com Steve se transferindo para as seis cordas. A banda lan\u00e7ou \u201cAnother Music For a Different Kitchen\u201d pouco antes de \u201cLove Bites\u201d, naquele mesmo 1978, entrando para uma seleta lista de bandas que lan\u00e7aram dois \u00e1lbuns hist\u00f3ricos no mesmo ano (junto de Black Sabbath e poucos outros). O disco trazia algo que ainda n\u00e3o havia sido tentado na cena inglesa. Como o pr\u00f3prio Steve narra nesta entrevista, o Buzzcocks tinha o dom de pegar uma m\u00fasica pop e lev\u00e1-la para um lugar super estranho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo na banda gritava \u201cManchester\u201d. N\u00e3o apenas nos sotaques, mas tamb\u00e9m no jeito de se vestir, de ser portar, eram aut\u00eanticos filhos da classe trabalhadora, como seus conterr\u00e2neos do Joy Division (que, ali\u00e1s, tamb\u00e9m estavam no hist\u00f3rico show dos Pistols). O esp\u00edrito da Manchester era justamente esse, os diamantes lapidados nos ch\u00e3os das f\u00e1bricas, a poesia que nascia da labuta. As rachaduras da m\u00e1quina que a faziam ruir por dentro. O grupo estourou e depois de v\u00e1rias apari\u00e7\u00f5es no \u201cTop of The Pops\u201d e um tipo diferente de tens\u00e3o (\u201cA Different Kind of Tension\u201d, 1979), ficaram de saco cheio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1981, numa atitude de dar inveja a qualquer um que j\u00e1 quis mandar o pr\u00f3prio emprego para a casa do caralho, os quatro jovens, ainda com seus 20 e poucos anos, disseram: &#8220;Cansei! Te vejo por a\u00ed&#8221;. Cada um tomou seu rumo: Diggle formou o Flag Of Convenience com o baterista John Maher e Shelley saiu numa respeitada carreira solo. O desencontro durou oito anos at\u00e9 que, em 1989, Pete e Steve se trombaram e n\u00e3o se largaram mais. A banda passou por diversas mudan\u00e7as de forma\u00e7\u00e3o, mas o cerne criativo se manteve por mais 29 anos e rendeu outros sete \u00e1lbuns (como &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2003\/06\/03\/cds-buzzcocks-beach-boys-minus-5\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Buzzcocks<\/a>&#8220;, de 2003, e \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/06\/01\/tres-discos-frank-black-buzzcocks-death-cab-for-cutie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Flat-Pack Philosophy<\/a>\u201d, de 2006). O \u00faltimo a contar com os riffs de Pete foi \u201cThe Way\u201d, 2014. Quatro anos mais tarde, o lend\u00e1rio m\u00fasico partiu deste mundo, v\u00edtima de um ataque card\u00edaco, aos 63 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo que tenha encarado o microfone em cl\u00e1ssicos como \u201cHarmony in My Head\u201d e \u201cAutonomy\u201d, Steve Diggle n\u00e3o era o mais acostumado dos m\u00fasicos a estar na frente do palco. Isso mudou naquele ano, quando precisou se tornar o \u00fanico compositor e vocalista da banda. Este posto solit\u00e1rio rendeu o \u00f3timo \u00e1lbum \u201cSonics In The Soul\u201d (2022). Ele tamb\u00e9m lan\u00e7ou uma biografia em 2024: \u201c<a href=\"https:\/\/found.ee\/Autonomy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Autonomy: Portrait of a Buzzcock<\/a>\u201d, ainda in\u00e9dita no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre o amigo e parceiro Pete, Diggle rememora: \u201c\u00c0s vezes \u00e9 dif\u00edcil para mim acreditar que realmente faz tanto tempo que ele morreu\u201d, confessa em entrevista ao Scream &amp; Yell. No nosso papo ainda houve espa\u00e7o para falar da chuva de Manchester, de turn\u00eas hist\u00f3ricas e brodagem ao lado do Clash e do Nirvana, sobre a arte de massacrar televisores e do potencial sonoro de um aspirador de p\u00f3. Sem contar o questionamento filos\u00f3fico: afinal, dessa vida, o que se leva?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Buzzcocks Live at Reggies 9.20.24\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0Sli1tZ0gLg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 disse, inclusive em seu pr\u00f3prio livro, que \u00e9 um mancunian (pessoa nascida em Manchester) antes de ser um Buzzcock. Pode falar um pouco sobre sua rela\u00e7\u00e3o com a cidade e como ela te inspira como m\u00fasico e pessoa?<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, \u00e9 aquela coisa de crescer em um lugar e ele meio que ajudar a te formar enquanto pessoa, em quem voc\u00ea \u00e9. Quando voc\u00ea cresce em Manchester, isso meio que faz parte do seu DNA, fica para sempre em voc\u00ea. Isso tem muito a ver com quem voc\u00ea se torna, com quem voc\u00ea foi quando era jovem. A\u00ed de repente voc\u00ea est\u00e1 em uma banda, e isso come\u00e7a a aparecer no que voc\u00ea faz. A m\u00fasica do Buzzcocks vem de Manchester, h\u00e1 coisas aqui que te influenciam, nos seus pensamentos, como voc\u00ea se conecta com as pessoas. Se tiv\u00e9ssemos nascido em outro lugar, seria outro tipo de Buzzcocks, sabe? (risos). Mas a\u00ed sua banda se torna internacional e voc\u00ea percebe que o que est\u00e1 escrevendo \u00e9 sobre a condi\u00e7\u00e3o humana, \u00e9 algo que todo mundo pode se conectar em qualquer lugar do mundo, e \u00e9 isso que \u00e9 importante. H\u00e1 diferen\u00e7as, mas todos somos humanos, em todos os lugares do mundo, todos n\u00f3s passamos pelas mesmas coisas. E eu acho que \u00e9 por isso que as pessoas gostam do Buzzcocks, porque elas conseguem se identificar com o que dizemos e fazemos, \u00e9 algo meio que: \u201cah, eu tamb\u00e9m j\u00e1 passei por isso\u201d. E isso \u00e9 muito importante!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 veio ao Brasil, sabe como o p\u00fablico \u00e9 barulhento e apaixonado por m\u00fasica. E o Buzzcocks faz um tipo de m\u00fasica que \u00e9 muito f\u00e1cil de se identificar, porque \u00e9 direta e simples e muito f\u00e1cil de se conectar. \u00c9 nisso que voc\u00ea pensa quando est\u00e1 compondo?<\/strong><br \/>\nSim, meio que a m\u00fasica sai desse jeito, esse tipo de som meio que se destaca. E voc\u00ea est\u00e1 certo, \u00e9 muito simples, mas eu acho que a simplicidade \u00e9 tudo. Fazer algo simples e se comunicar \u00e9 mais dif\u00edcil que fazer algo complicado e n\u00e3o se comunicar, sabe? Tem que ser simples e muito direto tamb\u00e9m, as guitarras, as m\u00fasicas t\u00eam estruturas que voc\u00ea consegue se lembrar, as letras s\u00e3o f\u00e1ceis de entender, isso \u00e9 muito importante quando se trata de comunica\u00e7\u00e3o. N\u00f3s n\u00e3o nos concentramos conscientemente em sentar e compor desse jeito, mas \u00e9 simplesmente quem n\u00f3s somos, sabe? Acho que \u00e9 a m\u00e1gica da m\u00fasica tamb\u00e9m, porque nos shows \u00e9 o mais importante. N\u00f3s vemos as pessoas que v\u00e3o aos shows e elas est\u00e3o super animadas, e aquela coisa de \u201cuau, todo mundo entende\u201d. Essa \u00e9 a melhor coisa, essa atitude do rock n\u2019 roll, porque \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m te d\u00e1 a oportunidade de sentir e expressar outras emo\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Buzzcocks - Manchester Rain [Official Video]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pC0WxEOle3s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando sobre o \u00e1lbum \u201cSonics In The Soul\u201d, ele foi escrito durante a pandemia, certo? Algumas m\u00fasicas do disco me deram um pouco essa sensa\u00e7\u00e3o de \u201csaudade\u201d de algo, como \u201cManchester Rain\u201d, que me parece meio sobre ver uma vers\u00e3o sua mais jovem na chuva de Manchester. E tamb\u00e9m \u201cNothingless World\u201d, que me fez pensar um pouco em uma pessoa que observa a vida dela passar. Concorda?<\/strong><br \/>\nOlha, h\u00e1 muitas coisas ali, mas voc\u00ea est\u00e1 certo sobre \u201cManchester Rain\u201d. Antes do lockdown e toda aquela loucura, n\u00f3s est\u00e1vamos fazendo um show em Manchester e estava chovendo do lado de fora. E l\u00e1 havia uns moleques e eles estavam falando \u201cn\u00f3s vamos montar uma banda! N\u00f3s os adoramos\u201d e eu pensei: esse era eu 40 anos atr\u00e1s! Foi muito inspirador, sabe? Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre a chuva, \u00e9 tamb\u00e9m uma chuva metaf\u00f3rica, ent\u00e3o acho que essa parte entra sim nessa quest\u00e3o de \u201csaudade\u201d dos velhos tempos. E da\u00ed vem toda essa quest\u00e3o da letra: \u201cHow do you solve a problem deep inside? How do you solve a problem you can&#8217;t explain? Standing on the corner, standing in the Manchester rain\u201d (cantando). Pode ser uma chuva de verdade ou pode ser uma chuva metaf\u00f3rica na sua alma (risos). \u00c0s vezes at\u00e9 mudo a letra da m\u00fasica, para dar esse toque. Mas voc\u00ea est\u00e1 certo, \u00e9 meio que estar encurralado contra uma parede: como voc\u00ea resolve esses problemas? Como lida com essas coisas? \u00c9 sobre isso que estou cantando em \u201cManchester Rain\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 \u201cNothingless World\u201d \u00e9 mais uma declara\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica,. Porque muitos fil\u00f3sofos falam sobre mundos sem nada, sem significado, de que nada significa nada no final das contas. \u00c9 uma m\u00fasica bem existencial e ao mesmo tempo muito sem significado no final, entende? Porque mesmo quando nada est\u00e1 bom na sua vida, isso realmente importa? Porque no fim voc\u00ea vai morrer, sabe? Isso acontece (risos). (A m\u00fasica) Era sobre isso na verdade: \u201cnothing means nothing in a nothingless world\u201d. Uma vez que voc\u00ea sabe disso, a\u00ed pode come\u00e7ar a viver (risos). Porque as pessoas pensam: se eu tiver uma casa grande, um carr\u00e3o, eu vou ser feliz ou vou ser isso ou aquilo e \u00e9 t\u00e3o insignificante no final, porque voc\u00ea n\u00e3o pode levar uma casa grande, n\u00e3o pode levar um carr\u00e3o para o t\u00famulo, e isso n\u00e3o \u00e9 o fim do mundo. O que importa \u00e9 o sol brilhando no fim da rua enquanto voc\u00ea caminha, o que importa \u00e9 que voc\u00ea est\u00e1 vivo. Essa m\u00fasica \u00e9 mais uma declara\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica mesmo. E \u00e9 uma m\u00fasica legal, \u00e9 diferente do resto do disco, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Buzzcocks - Nothingless World [Official Video]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7RJgFip5sCs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim! Falando um pouquinho agora sobre o Pete e a morte dele. Voc\u00ea sempre foi um compositor na banda, mas como foi para voc\u00ea se tornar o \u00fanico compositor? E o \u00fanico vocalista? Foi um desafio? Tipo \u201co que eu t\u00f4 fazendo?\u201d ou \u201cn\u00e3o, a gente precisa seguir em frente e \u00e9 assim que vai ser daqui pra frente\u201d?<\/strong><br \/>\nFoi uma \u00e9poca extremamente dolorosa, porque Pete e eu est\u00e1vamos juntos h\u00e1 43 anos, ent\u00e3o perdi um irm\u00e3o e um amigo, n\u00e3o s\u00f3 um parceiro de composi\u00e7\u00e3o. Foi muito dif\u00edcil, n\u00e3o s\u00f3 na quest\u00e3o de subir no palco e tocar, mas tamb\u00e9m de pensar \u201cnossa, ele n\u00e3o est\u00e1 mais aqui\u201d&#8230; Est\u00e1vamos acostumados um com o outro. Era eu e ele vivemos toda aquela cena, tivemos alguns membros diferentes na banda, mas eu e ele est\u00e1vamos sempre juntos. (Perde-lo) Foi muito doloroso, triste, eu n\u00e3o conseguia nem pegar na guitarra por um tempo depois que ele morreu. A\u00ed um dia decidi pegar a guitarra para ver se eu ainda conseguia tocar e cantar \u201cWhat Do I Get?\u201d. Cheguei ao primeiro refr\u00e3o e tive que largar a guitarra, porque era ele quem cantava aquela m\u00fasica (risos). E eu fiquei pensando: \u201cPorra! O que eu vou fazer em um show?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a\u00ed, enquanto as semanas passavam, n\u00f3s t\u00ednhamos alguns shows (pr\u00e9-agendados) para fazer, que n\u00f3s far\u00edamos como Buzzcocks, com o Pete. Ent\u00e3o pensamos em fazer esses shows como tributo a ele. Por isso tive que deixar as m\u00fasicas boas para esses shows. Recebemos alguns convidados, fizemos uma grande celebra\u00e7\u00e3o e depois daquilo t\u00ednhamos mais shows marcados. N\u00e3o teve jeito, eu tive que me recompor e fazer aqueles shows, passar por essa transi\u00e7\u00e3o. Houve um momento de confus\u00e3o de \u201cser\u00e1 que \u00e9 isso mesmo? Ainda somos o Buzzcocks, mas ainda dever\u00edamos ser?\u201d Foi um tempo muito emocional. Foi uma escolha continuar tocando essas m\u00fasicas, as dele e as minhas tamb\u00e9m. Mas quando fizemos o \u201cSonics In The Soul\u201d, foi um pouco estranho, porque existia aquela din\u00e2mica: ele comp\u00f5e algo, depois eu componho algo, e isso n\u00e3o existia mais. Ent\u00e3o pensei: como traz\u00ea-lo comigo para esse disco de alguma forma? A primeira faixa, \u201cSenses Out Of Control\u201d, ela se parece muito com o in\u00edcio do Buzzcocks. Enquanto eu compunha algumas m\u00fasicas, tinha esses flashbacks do nosso primeiro ensaio como banda, e pensei \u201cporra, isso nunca mais vai acontecer, aquele momento nunca mais vai acontecer\u201d. E pensei: \u201cvou compor uma m\u00fasica que nem quando fizemos no nosso primeiro ensaio\u201d e \u201cSenses Out Of Control\u201d saiu meio que desse sentimento. No background coloquei um pouco do Pete, no \u201coh, no!\u201d (risos). Ele sempre fazia esse tipo de coisa, era a cara dele. Ent\u00e3o ficou \u201csenses out of control, oh no!\u201d (risos). Passei por todas as etapas do disco e, pensando um pouco nisso, escrevendo do meu jeito e do jeito que penso que ele escreveria, esse processo todo de compor o disco foi como uma viagem para mim, sabe? De ter e transmitir uma experi\u00eancia completa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 igual a um livro: voc\u00ea tem que ler a primeira p\u00e1gina e depois a \u00faltima p\u00e1gina, \u00e9 assim que chega ao fim da hist\u00f3ria. Ent\u00e3o fiz do \u00e1lbum uma experi\u00eancia completa, como uma boa volta numa montanha-russa. Queria que fosse uma experi\u00eancia igual era com os discos nos anos 70, eles eram uma experi\u00eancia completa, aquela coisa de ir do in\u00edcio ao fim do \u00e1lbum. E voc\u00ea tem essa experi\u00eancia com o \u201cSonics InThe Soul\u201d. Hoje em dia a molecada escolhe o que ouvir no Spotify \u201chum, vou ouvir essa e aquela m\u00fasica\u201d, n\u00e3o escuta \u00e1lbuns inteiros, n\u00e3o t\u00eam toda a experi\u00eancia. E \u00e9 engra\u00e7ado, porque na \u00e9poca que a gente comprava discos, voc\u00ea comprava pelos hits (risos), a\u00ed voc\u00ea ficava enjoado deles e pensava: &#8220;Vou ouvir o disco todo&#8221;. E ent\u00e3o se apaixonava (pelas outras m\u00fasicas e pelo \u00e1lbum como um todo) (risos). Mas hoje a molecada tem tudo nos pr\u00f3prios celulares. Ent\u00e3o acho que eles t\u00eam a pr\u00f3pria experi\u00eancia, \u00e9 o que eu espero. Mas voltando ao Pete, s\u00e3o coisas da vida. N\u00f3s precisamos superar coisas, e precisamos encarar a realidade de que as pessoas morrem e n\u00f3s precisamos seguir em frente, e foi isso que fizemos. N\u00e3o consigo acreditar que esse ano j\u00e1 se completam sete anos que ele morreu. Para mim parece que foi h\u00e1 dois anos, ou melhor, parece duas semanas! Estou como frontman da banda h\u00e1 sete anos. N\u00e3o d\u00e1 para acreditar, \u00e9 muito estranho, voc\u00ea n\u00e3o acha? \u00c9 muito estranho como passamos t\u00e3o r\u00e1pido por essa vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Algo que eu sempre quis perguntar \u00e0s bandas seminais do punk rock ingl\u00eas: voc\u00eas levaram os Sex Pistols para Manchester em 1976, certo? Eu sempre me perguntei se existia algum tipo de camaradagem entre voc\u00eas, entre voc\u00eas, o Clash, os Sex Pistols. Voc\u00eas eram pr\u00f3ximos?<\/strong><br \/>\nSim, muito! Todos n\u00f3s come\u00e7amos meio que na mesma \u00e9poca, e \u00e9ramos todos como irm\u00e3os! N\u00f3s trouxemos os Sex Pistols e foi a\u00ed que n\u00f3s nos conhecemos e ficamos unidos. Depois fizemos a \u201cWhite Riot Tour\u201d com o Clash. N\u00f3s nos conhec\u00edamos muito bem, \u00e9ramos todos muito amigos. Era a mesma coisa com o The Jam, com o The Damned (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/03\/12\/ao-vivo-offspring-brilha-com-seu-cirquinho-punk-enquanto-sublime-tortura-fas-saiba-como-foi-o-punk-is-coming-festival\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que tocou no Brasil recentemente<\/a>), havia essa uni\u00e3o no punk rock em 76. Era uma \u00e9poca em que nos ajud\u00e1vamos, and\u00e1vamos juntos, com os Pistols e o Clash. N\u00e3o existia nenhum tipo de rivalidade, muito pelo contr\u00e1rio, era todo mundo muito junto.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Another Music In A Different Kitchen (2018 Remastered Version)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_meARJDYF0eah2XmlL1hvnOvliKJrtXgvg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu sempre adorei punk rock, assim como outros amigos e sempre amei o \u201cAnother Music in a Different Kitchen\u201d! Pode me falar um pouco sobre como foi gravar aquele disco? Voc\u00eas eram jovens pra caramba, uns 21, 22 anos.<\/strong><br \/>\nNossa, sim! A gente tinha s\u00f3 22 anos, n\u00e3o d\u00e1 nem pra acreditar (risos). Aquele foi um \u00f3timo \u00e1lbum, porque os Sex Pistols tinham acabado de lan\u00e7ar o \u201cNever Mind The Bollocks\u201d, e o Clash tinha acabado de lan\u00e7ar o primeiro \u00e1lbum (\u201cThe Clash\u201d). Na \u00e9poca que gravamos o nosso primeiro, que n\u00e3o foi muito depois, eu havia escrito \u201cFast Cars\u201d, que nem \u00e9 uma m\u00fasica que curto tanto, mas havia tamb\u00e9m uma m\u00fasica chamada \u201cAutonomy\u201d, que era um pouco mais experimental. Naquela \u00e9poca ningu\u00e9m estava fazendo aquele tipo de m\u00fasica, n\u00e3o havia tanto espa\u00e7o assim. Havia tamb\u00e9m outra m\u00fasica chamada \u201cFiction Romance\u201d. Ent\u00e3o come\u00e7amos a experimentar com as guitarras, coisas nas estruturas, mais angulares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o \u00e1lbum saiu muita gente vinha falar comigo sobre isso, ent\u00e3o acho que o disco inspirou muita gente, sobre o que elas podiam fazer. Isso deu uma identidade ao Buzzcocks tamb\u00e9m. As pessoas ouviam e falavam: &#8220;Que porra \u00e9 essa? O que eles est\u00e3o fazendo?&#8221; (risos). Isso nos destacou um pouco das outras bandas porque fomos os primeiros. No in\u00edcio todo mundo pensava \u201cah, as bandas de punk rock, elas s\u00e3o todas iguais\u201d. A\u00ed quando come\u00e7amos a fazer discos e o Clash come\u00e7ou a fazer outros \u00e1lbuns, n\u00f3s ganhamos uma identidade. Houve todo um desenvolvimento a partir daquilo. Mas aquele primeiro disco \u00e9 \u00f3timo, e voc\u00ea tem raz\u00e3o, n\u00e3o acredito que eu tinha s\u00f3 22 anos (risos), \u00e9 incr\u00edvel (mais risos). \u00c9 engra\u00e7ado porque nessa idade voc\u00ea n\u00e3o sabe de muita coisa, ou acha que sabe de tudo, mas acaba quebrando a cara, n\u00e9? Olha para tr\u00e1s e pensa: \u201cPorra, eu n\u00e3o sei o que estou fazendo hoje em dia, imagina naquela \u00e9poca\u201d (risos). E era uma \u00e9poca m\u00e1gica tamb\u00e9m, porque imagina, em 76, 77, foi quando o punk rock explodiu no mundo todo, todo mundo estava comprando discos, acho que a m\u00e1gica daquele tempo me transporta de volta a aquele \u00e1lbum. Havia algo no ar, sabe? \u00c9 o tipo de coisa que acontece a cada&#8230;. sei l\u00e1, 10 anos, e \u00e9 sempre um momento incr\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E nos anos 90 voc\u00eas fizeram uma turn\u00ea com o Nirvana, pra mim isso foi meio que ver um ciclo se completando, porque o Nirvana vinha dessa cena underground e voc\u00eas s\u00e3o meio que padrinhos do grunge. Aquele pessoal adorava voc\u00eas. Bandas como Mudhoney e Nirvana sempre adoraram voc\u00eas. Como foi essa tour?<\/strong><br \/>\nBom, o grunge era o punk na metade da velocidade, n\u00e9? (risos). Mas foi \u00f3timo! N\u00f3s est\u00e1vamos tocando em Boston e \u201cTeen Spirit\u201d tinha acabado de sair, o \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/10\/05\/nevermind-e-ainda-hoje-um-disco-atual-e-sensacional\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nevermind<\/a>\u201d tinha acabado de sair. (A m\u00fasica) Estava estourada em todo o mundo. N\u00f3s t\u00ednhamos um show chamado \u201cTrade Test Transmissions\u201d, que o palco tinha um monte de televisores, e toda noite eu destru\u00eda uma televis\u00e3o, na verdade, umas seis por noite (risos). E ent\u00e3o est\u00e1vamos no palco em Boston e assim que sa\u00edmos, encontramos os caras do Nirvana no camarim, eles vieram falar com a gente. O Kurt chegou para mim e disse: \u201cEu adorei o jeito que voc\u00ea quebrou aquela televis\u00e3o\u201d! (risos) E completou: \u201cEu quero quebrar uma tamb\u00e9m\u201d. Falei pra ele: \u201cBora sair em turn\u00ea juntos e eu te mostro como se faz\u201d (risos). E foi isso que rolou, n\u00f3s tocamos na Europa com eles, e nos tornamos \u00f3timos amigos naquela turn\u00ea. Ficamos amigos do Dave Grohl, do Krist Novoselic, do Pat Smear, foi uma \u00f3tima turn\u00ea. Claro, ele se matou no final, mas viajamos juntos e foi incr\u00edvel, e eles amavam o Buzzcocks&#8230; Lembro de estar no \u00f4nibus de turn\u00ea com o Kurt e ele adorava \u201cHarmony in My Head\u201d, por causa do som do vocal, aquele som mais gutural. Contei a ele que fumei 20 cigarros para conseguir aquele som e ele ficou fascinado. Ele era \u00f3timo, todos eram. Dave, Krist, todo mundo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Buzzcocks - Harmony In My Head\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VrafPlgQlME?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem algo sobre as bandas de Manchester, que quando ou\u00e7o, seja voc\u00eas, ou o Joy Division, Stone Roses ou at\u00e9 mesmo o Oasis, penso: \u201cHum, essa banda \u00e9 de Manchester\u201d. O que voc\u00ea acha que faz com que as bandas da\u00ed tenham um som t\u00e3o identific\u00e1vel e t\u00e3o \u00fanico?<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 meio incr\u00edvel, n\u00e3o \u00e9? Porque n\u00f3s come\u00e7amos o Buzzcocks, a\u00ed o Joy Division apareceu e levamos eles em turn\u00ea. Depois vieram os Stone Roses, agora o Oasis. Eu acho que \u00e9 meio que a mentalidade de Manchester. Eu n\u00e3o sei o que \u00e9, se h\u00e1 algo na \u00e1gua, mas \u00e9 que Manchester \u00e9 uma cidade bem grande, mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande quanto Londres. Acho que temos tempo de olhar para dentro de n\u00f3s mesmos um pouco, perceber coisas. As m\u00fasicas saem diferentes quando \u00e9 uma banda de Manchester do que quando voc\u00ea tem algu\u00e9m de Manchester tocando em uma banda de fora, sabe? \u00c9 algo mesmo sobre a mentalidade, do que acontece por aqui, como se traduz em m\u00fasica. \u00c9 realmente identific\u00e1vel quando algo vem de Manchester, mas ainda \u00e9 um mist\u00e9rio. Mas que bom, porque \u00e9 incr\u00edvel a quantidade de boas bandas que saem daqui (risos). Acho que \u00e9 um bom ambiente para se trabalhar em m\u00fasica. Chove muito, ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o pode ir \u00e0 praia (risos). Ent\u00e3o \u00e9 aquela coisa: \u201c\u00c9, vou ter que me virar com m\u00fasica mesmo\u201d (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando ou\u00e7o Buzzcocks, principalmente do fim dos anos 70, \u00e9 bastante experimental, mas ao mesmo tempo d\u00e1 para perceber a influ\u00eancia da m\u00fasica pop dos anos 60, tamb\u00e9m de bandas alem\u00e3s daquele tempo. Como voc\u00eas se inspiraram nisso e levaram para a sua m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nBom, quando come\u00e7amos, a gente gostava muito do krautrock de bandas alem\u00e3s como Can e Neu! E eles eram bastante experimentais! Mas tamb\u00e9m gost\u00e1vamos da m\u00fasica pop dos anos 60. Eram boas m\u00fasicas, sabe? Aquele tipo de can\u00e7\u00e3o que voc\u00ea consegue cantar mesmo. Ent\u00e3o decidimos colocar essas coisas juntas. Porque \u00e0s vezes, no Buzzcocks, o que acontece \u00e9 mesmo essa quest\u00e3o mais angular. As m\u00fasicas come\u00e7am legais, f\u00e1ceis, e a\u00ed de repente v\u00e3o para esse lugar muito esquisito. Parece que n\u00e3o devia funcionar, mas funciona. Acho que esse \u00e9 o poder do Buzzcocks, trazer uma certa estranheza para uma m\u00fasica pop, algo que n\u00e3o necessariamente faz sentido ou \u201cest\u00e1 totalmente certo\u201d, mas \u00e9 isso que nos deu grande parte da nossa identidade. Tipo, quando eu era jovem, tinha uns 16 anos, eu acordava e minha m\u00e3e estava limpando a casa com um aspirador e eu ficava louco (risos): \u201cVoc\u00ea pode desligar isso?!!! Estou de ressaca\u201d. Depois comprei umas caixas de som e coloquei no meu quarto junto com um gravador, e gravava do meu quarto o barulho do aspirador e comecei a tocar o barulho nas minhas caixas de som, e pensei: \u201cNossa, isso \u00e9 White noise, que incr\u00edvel, e eu s\u00f3 gravei um aspirador\u201d (risos). Foi da\u00ed que percebi que havia possibilidades t\u00e3o boas em barulhos assim tanto quanto em m\u00fasica pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por fim, o que voc\u00ea est\u00e1 esperando dos shows no Brasil? Voc\u00eas j\u00e1 vieram aqui algumas vezes, voc\u00ea se identifica com as plateias brasileiras de alguma forma? Porque a galera \u00e9 maluca, muito agitada.<\/strong><br \/>\nNossa, eu amo isso, quanto mais agitada, melhor, porque esse \u00e9 o esp\u00edrito. Porque mesmo que eles conhe\u00e7am as m\u00fasicas, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1 s\u00f3 para tocar as m\u00fasicas, est\u00e1 l\u00e1 para dividir uma experi\u00eancia! Uma experi\u00eancia incr\u00edvel de uma hora e meia, algo m\u00e1gico. \u00c9 onde voc\u00ea v\u00ea deus, o diabo, tudo (risos), tudo que conecta nossa esp\u00e9cie. Momentos dif\u00edceis, momentos bons, tudo junto em um mesmo lugar. A plateia brasileira \u00e9 incr\u00edvel, voc\u00eas queimam por dentro, e eu amo isso. Eu amo tocar para plateias brasileiras, \u00e9 m\u00e1gico. Melhora totalmente qualquer experi\u00eancia, levam para outro n\u00edvel. Se a escala de um show bom vai a 10, o Brasil faz ir a 15. E \u00e9 disso que eu gosto, precisamos de empolga\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sonics In The Soul\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_kAnAmp2M_05iGhTpPw-0etcDar5P2UZrI\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Buzzcocks   Live\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FaxRt719sbk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Buzzcocks - Breakdown (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hzUJIA4u9hs?list=PLHahHqCn1Cvlbu_ex-AGKSQvlWHlkqRFp\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Guilherme Lage (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lage.guilherme66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fb.com\/lage.guilherme66<\/a>) \u00e9 jornalista e mora em Vila Velha, ES.\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/guilherme-lage\/\">Leia outras entrevistas dele<\/a>!<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Quando come\u00e7amos, a gente gostava muito de krautrock e bandas alem\u00e3s como Can e Neu! 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