{"id":89162,"date":"2025-05-11T22:32:50","date_gmt":"2025-05-12T01:32:50","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=89162"},"modified":"2025-06-13T11:10:11","modified_gmt":"2025-06-13T14:10:11","slug":"ao-vivo-em-sao-paulo-beat-entrega-show-que-deixaria-ate-o-veio-do-king-crimson-orgulhoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/05\/11\/ao-vivo-em-sao-paulo-beat-entrega-show-que-deixaria-ate-o-veio-do-king-crimson-orgulhoso\/","title":{"rendered":"Ao vivo em S\u00e3o Paulo, Beat entrega show que deixaria at\u00e9 o &#8216;v\u00e9io do King Crimson&#8217; orgulhoso"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><br \/>\nfotos <\/strong><strong>de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/dougmosh.prod\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Douglas Mosh<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabe aquele tipo de show que, se voc\u00ea fechar os olhos, pode jurar que est\u00e1 ouvindo fantasmas, ou talvez at\u00e9 ETs de alguma outra civiliza\u00e7\u00e3o movida a guitarras estranhas? Pois bem, foi exatamente isso que rolou no Espa\u00e7o Unimed, em S\u00e3o Paulo, na noite de sexta-feira, dia 9 de maio. O imponente King Crimson de Robert Fripp n\u00e3o estava ali como aconteceu em outubro de 2019, mas o Beat &#8211; encarna\u00e7\u00e3o liderada por Adrian Belew &#8211; fez o seu melhor para garantir que uma obra que deixou sua marca na hist\u00f3ria da m\u00fasica finalmente visitasse o Brasil. E que visita\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A forma\u00e7\u00e3o da banda \u2013 Belew, Tony Levin, Steve Vai e Danny Carey \u2013 poderia ser facilmente chamada de um \u201csupergrupo\u201d revisitando tempos nost\u00e1lgicos, mas vai al\u00e9m disso: \u00e9 uma reapropria\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea de uma fase essencial do King Crimson &#8211; a trilogia de \u00e1lbuns \u201cDiscipline\u201d (1981), \u201cBeat\u201d (1982) e \u201cThree of a Perfect Pair\u201d (1984).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um pouco de contexto: Adrian Belew, conhecido por suas colabora\u00e7\u00f5es com Talking Heads, Frank Zappa, David Bowie, Tom Tom Club e outros, teve uma passagem marcante pelo King Crimson entre 1981 e 2009. Durante os anos 80, a banda adotou uma sonoridade que mesclava elementos do post-punk, new wave, funk, minimalismo, world music e percuss\u00e3o africana. No entanto, Belew foi injustamente exclu\u00eddo pelo chef\u00e3o Robert Fripp da \u00faltima encarna\u00e7\u00e3o do Crimson que excursionou entre 2013 e 2021, sendo substitu\u00eddo por Jakko Jakszyk.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s um per\u00edodo de estranhamento e algumas trocas de farpas em entrevistas e redes sociais com \u201co v\u00e9io do King Crimson\u201d &#8211; forma nem t\u00e3o elegante mas mem\u00e9tica e popular entre os f\u00e3s brasileiros para designar Fripp e seu temperamento reservado e exigente &#8211; Belew continuou sua carreira solo e, em 2016, apresentou-se no Carioca Club em S\u00e3o Paulo com o Adrian Belew Trio, onde j\u00e1 ensaiava ali parte do repert\u00f3rio que hoje integra o set do Beat.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-89168 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-26-copiar-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-26-copiar-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-26-copiar-1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais recentemente, depois de resolver suas diferen\u00e7as com Fripp, Belew prop\u00f4s montar uma banda dedicada \u00e0 fase oitentista do King Crimson. Embora o dono da banda tenha optado por n\u00e3o participar &#8211; este per\u00edodo teve uma s\u00e9rie de discuss\u00f5es sobre a abordagem e o som do grupo, desembocando na aus\u00eancia de Fripp em grava\u00e7\u00f5es de disco e uma breve separa\u00e7\u00e3o da banda ap\u00f3s turn\u00eas &#8211; ele autorizou o projeto. E assim Belew recrutou Tony Levin (membro da forma\u00e7\u00e3o da \u00e9poca), o baterista do Tool, Danny Carey, e o virtuose Steve Vai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conex\u00e3o de Vai com o universo do Crimson n\u00e3o vem de agora; co-criador do G3 \u2014 turn\u00ea de guitarristas como Joe Satriani, John Petrucci, Eric Johnson e Yngwie Malmsteen \u2014, ele trouxe Fripp para uma edi\u00e7\u00e3o brasileira do projeto, em 2004. Fripp, que apresentou suas soundscapes viajantes na ocasi\u00e3o, foi lamentavelmente vaiado por uma plateia cabe\u00e7a-dura que demandava virtuosismo guitarr\u00edstico expl\u00edcito em diversas notas em alta velocidade. Apesar desse epis\u00f3dio, Fripp n\u00e3o guardou m\u00e1goas em rela\u00e7\u00e3o ao anfitri\u00e3o e declarou que \u201cSteve Vai seria o \u00fanico guitarrista que poderia tocar suas partes\u201d, n\u00e3o apenas aben\u00e7oando o Beat e sugerindo seu nome, como tamb\u00e9m dando conselhos sobre como executar suas linhas intrincadas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-89170 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-33-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-33-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-33-copiar-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na noite do show em S\u00e3o Paulo, o ambiente fora do Espa\u00e7o Unimed j\u00e1 dava o tom de ineditismo: antes de entrar para a apresenta\u00e7\u00e3o, alguns f\u00e3s faziam seu esquenta com cervejas compradas de ambulantes na porta, com &#8220;The Sheltering Sky&#8221; rolando em um sistema de som improvisado em uma barraca de pastel, e, do outro lado da rua, um vendedor de cachorro-quente fazendo a concorr\u00eancia com \u201cSartori in Tangier\u201d. A combina\u00e7\u00e3o das duas faixas tocando simultaneamente se mostrava t\u00e3o surreal quanto o que viria a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e1 dentro, os admiradores do King Crimson (a maioria visivelmente acima dos 30, 40 ou 50 anos) se misturavam a v\u00e1rias camisetas do Tool &#8211; gente que veio ver Carey em a\u00e7\u00e3o. O show teve in\u00edcio \u00e0s 22h02, com Belew saudando o p\u00fablico com um &#8220;obrigado, boa noite&#8221;. A abertura ficou por conta de um apito em \u201cNeurotica\u201d e aquela grande massa sonora: Belew e Vai se entrela\u00e7avam em linhas de guitarra angulares e timbres agudos que simulavam sirenes, enquanto o Chapman Stick de Levin e a bateria de Carey proporcionavam uma base por vezes s\u00f3lida e viradas quase \u00e0 beira do caos. A plateia se viu perdida no meio de uma loucura r\u00edtmica e vocais pr\u00e9-gravados que surgiam mais como lampejos do que algo facilmente decifr\u00e1vel.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-89165 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-10-copiar-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-10-copiar-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-10-copiar-1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sublime \u201cNeal and Jack and Me\u201d trouxe refer\u00eancias l\u00edricas a Kerouac e Neal Cassady, de \u201cOn the Road\u201d &#8211; n\u00e3o por acaso, o disco \u201cBeat\u201d foi inspirado pela Gera\u00e7\u00e3o Beat. \u201cVamos acender as luzes! Olha como voc\u00eas s\u00e3o bonitos! Obrigado por terem vindo!\u201d, pediu Belew antes de \u201cHeartbeat\u201d, o \u00fanico single do \u00e1lbum. Apesar de conter um tempo quebrado, a melodia flerta com algo pr\u00f3ximo de uma balada radiof\u00f4nica para aqueles tempos do Crimson.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSartori in Tangier\u201d contou com as perip\u00e9cias de Steve Vai, demonstrando uma ex\u00edmia habilidade em coordenar as notas no bra\u00e7o da guitarra, a alavanca de tremolo e mudan\u00e7as de tom em uma pedaleira de efeitos. Diferente de um show solo ou do G3, Vai n\u00e3o estava em um espet\u00e1culo de t\u00e9cnica exibicionista, mas em um espa\u00e7o onde sua forma de tocar se tornava uma extens\u00e3o do experimentalismo. Quando ele tomou o controle da can\u00e7\u00e3o, foi um desses raros momentos em que a m\u00fasica se torna quase uma experi\u00eancia de deslocamento; n\u00e3o se tratava apenas de habilidades, mas de como elas s\u00e3o colocadas a servi\u00e7o do som. Vai n\u00e3o estava tentando ser virtuoso; ele simplesmente fazia sua guitarra soar carregada de sentimento ao sustentar suas notas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-89166 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-13-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-13-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-13-copiar-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo depois, Belew apresentou sua \u201cTwang Bar King\u201d &#8211; uma Fender Mustang de 1966 modificada com os primeiros sintetizadores de guitarra da Roland e pintura de Mike Getz com est\u00e9tica kitsch (que parece sa\u00edda de um pesadelo pop dos anos 80 ou at\u00e9 mesmo de um quadro do Romero Britto). O instrumento mais parece uma guitarra assombrada pela alma de um sintetizador e \u00e9 parte importante do som que Belew faz em \u201cModel Man\u201d &#8211; uma can\u00e7\u00e3o com versos bonitos e refr\u00e3o harmonioso, mas com linhas cada vez mais recheadas de timbres estranhos e mudan\u00e7as de pitch em sua alavanca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Belew pode estar com 75 anos, mas ele estava t\u00e3o el\u00e9trico quanto um menino empolgado com seu novo brinquedo. Ele comenta \u201ceste sentimento \u00e9 muito bom\u201d, antes de engatar a estranh\u00edssima \u201cDig Me\u201d, talvez a composi\u00e7\u00e3o mais desconcertante do set. Uma faixa abstrata meio spoken word com voz dobrada, ritmo torto e uma constru\u00e7\u00e3o que s\u00f3 encontra certo equil\u00edbrio nos refr\u00f5es mel\u00f3dicos. \u201cAposto que voc\u00eas n\u00e3o esperavam ouvir essa\u201d, brincou ele ao final.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-89171 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-35-copiar-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-35-copiar-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-35-copiar-1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMan With an Open Heart\u201d teve os primeiros coros espont\u00e2neos da plateia, com seu estribilho f\u00e1cil de cantar. A ruidosa \u201cIndustry\u201d veio em seguida, com Levin e Carey marcando o ritmo na bateria e synths, al\u00e9m de mais momentos de Belew explorando os limites de sua guitarra. \u201cLarks&#8217; Tongues in Aspic (Part III)\u201d encerrou o primeiro ato em clima de tens\u00e3o r\u00edtmica e agressividade, com Levin usando seus \u201cfunky fingers\u201d \u2014 extens\u00f5es que transformam os dedos em baquetas \u2014 para refor\u00e7ar o peso das linhas de baixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Veio ent\u00e3o uma pausa de 20 minutos \u2014 nada inesperado para uma banda cujos membros t\u00eam entre 64 e 78 anos. O p\u00fablico, sem reclamar, aproveitou para ir ao banheiro, comprar cerveja ou desembolsar R$200 em camisetas. Alguns jovens de vinte e poucos anos buscaram posi\u00e7\u00f5es mais pr\u00f3ximas do palco para a segunda metade do show \u2014 um atestado de que aquela m\u00fasica ainda conseguia ser relevante, mesmo mais de 40 anos depois.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-89173 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-4-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-4-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-4-copiar-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo ato come\u00e7ou com Danny Carey sozinho no palco para iniciar as percuss\u00f5es de &#8220;Waiting Man&#8221;, sendo depois acompanhado por Belew nas baquetas, que novamente ria e se divertia. Carey provou ser um baterista monstruoso &#8211; n\u00e3o s\u00f3 por ter quase dois metros de altura &#8211; mas tamb\u00e9m por executar com facilidade as partes originalmente criadas pelo lend\u00e1rio Bill Bruford. Steve Vai apareceu discretamente das sombras, adicionando texturas com toques econ\u00f4micos. A faixa ainda contou com vocais espirituosos e microfonias peculiares de Belew.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em &#8220;Sheltering Sky\u201d, Vai se permitiu exagerar um pouco em sua performance at\u00e9 ent\u00e3o contida e botar para fora seus tradicionais solos r\u00e1pidos e virtuos\u00edsticos. N\u00e3o que isso tenha atrapalhado a ambienta\u00e7\u00e3o da can\u00e7\u00e3o &#8211; que foi prolongada al\u00e9m dos seus 8 minutos originais; o que incomodou mesmo foi a insist\u00eancia de alguns f\u00e3s que cismavam em conversar durante este momento denso e suave. Em seguida veio &#8220;Sleepless\u201d, o \u00fanico single de \u201dThree of a Perfect Pair\u201d, com Levin novamente empunhando os funky fingers no baixo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-89169 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-30-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-30-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-30-copiar-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Frame By Frame\u201d foi a primeira catarse da noite, com grande parte do p\u00fablico cantando. Vai j\u00e1 havia dito que essa seria a faixa mais desafiadora do set para ele \u2014 especialmente por conta da t\u00e9cnica de palhetada cont\u00ednua usada por Fripp. Por consequ\u00eancia, Vai imprimiu seu pr\u00f3prio estilo no arranjo. Mas o problema maior \u00e9 que no refr\u00e3o sua guitarra ficou muito mais alta, a ponto de encobrir as notas de Adrian Belew.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo depois, Vai sacou uma guitarra Stratocaster para dedilhar as notas iniciais de \u201cMatte Kudasai\u201d. Novamente a plateia buscou participar, acompanhando os vocais de Belew, que completava o arranjo com belas notas tocadas em slide. Mas a catarse foi ainda maior em \u201cElephant Talk\u201d, com o p\u00fablico em \u00eaxtase durante a introdu\u00e7\u00e3o tocada por Levin no Chapman Stick e alguns f\u00e3s arriscando dan\u00e7ar ao ritmo fren\u00e9tico.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-89174 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-8-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-8-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-8-copiar-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Three of a Perfect Pair\u201d veio com seus arpejos complicados e compassos alternados, explodindo em mais um refr\u00e3o cantado pela massa empolgada. \u201cIndiscipline\u201d fechou o segundo ato, com Carey estendendo sua introdu\u00e7\u00e3o com uma breve demonstra\u00e7\u00e3o de sua t\u00e9cnica, antes que a can\u00e7\u00e3o explodisse em puro peso com Belew abusando da alavanca de sua guitarra Parker Fly para tirar notas agudas e terminar com um \u201cI like it!\u201d man\u00edaco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s breve sa\u00edda, a banda retornou para o bis. De volta aos holofotes, Belew disse que tinha algo importante a anunciar e o p\u00fablico come\u00e7ou a gritar \u201cDanny Carey&#8221;. Belew fez piada, perguntando se eles poderiam tocar mais uma ou se a plateia gostaria de gritar \u201cAdrian Belew\u201d tamb\u00e9m. Nesse momento, um roadie trouxe um bolo ao palco e a plateia foi convidada a cantar \u201cparab\u00e9ns a voc\u00ea\u201d para o baterista, que saiu de seu posto para tirar um peda\u00e7o do doce com a baqueta e agradecer o carinho. Era como se o bolo revertesse toda a solenidade do rock progressivo cabe\u00e7udo para algo mais fluido, mais humano.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-89172 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-36-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-36-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-36-copiar-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Belew anuncia que a banda fugiria um pouco do repert\u00f3rio oitentista para tocar uma m\u00fasica mais antiga do King Crimson. E quando eles iniciaram \u201cRed\u201d, era como se o passado e o presente estivessem se fundindo em uma massa de riffs e disson\u00e2ncias, seguida por uma en\u00e9rgica vers\u00e3o de \u201cThela Hun Ginjeet\u201d, cheia de frenesi. Terminado o show \u00e0s 0h27, a banda se reuniu na frente do palco para agradecer a todos, tirando fotos com o p\u00fablico ao fundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim, o show do Beat n\u00e3o foi apenas um tributo aos anos 80 do King Crimson: foi uma reinterpreta\u00e7\u00e3o sem ser uma r\u00e9plica exata das grava\u00e7\u00f5es originais, mas mantendo uma atitude respeitosa \u00e0s composi\u00e7\u00f5es. A adapta\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas ao estilo de cada novo integrante trouxe autenticidade ao repert\u00f3rio. E foi importante ver Adrian Belew, que tem uma rela\u00e7\u00e3o complexa com seu pr\u00f3prio passado no Crimson, se divertir com seu legado e ter o devido reconhecimento ao explorar novamente as possibilidades de um som que ainda tem sua marca indel\u00e9vel na m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o era somente honrar a mem\u00f3ria de uma era, mas descobrir o que ainda poderia ser feito com aquelas ideias, fazendo com que elas continuassem a existir e se transformar. Se Robert Fripp n\u00e3o se arrepende por n\u00e3o participar desse Beat, no m\u00ednimo o \u2018v\u00e9io do King Crimson\u2019 est\u00e1 orgulhoso. E quem sabe, at\u00e9 ele n\u00e3o teria esbo\u00e7ado um \u201cI like it!\u201d no final.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-89164 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-1-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-1-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/dougmosh-1-copiar-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Setlist:<\/strong><br \/>\n<em>Neurotica<\/em><br \/>\n<em>Neal and Jack and Me<\/em><br \/>\n<em>Heartbeat<\/em><br \/>\n<em>Sartori in Tangier<\/em><br \/>\n<em>Model Man<\/em><br \/>\n<em>Dig Me<\/em><br \/>\n<em>Man With an Open Heart<\/em><br \/>\n<em>Industry<\/em><br \/>\n<em>Larks&#8217; Tongues in Aspic (Part III)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Waiting Man<\/em><br \/>\n<em>The Sheltering Sky<\/em><br \/>\n<em>Sleepless<\/em><br \/>\n<em>Frame by Frame<\/em><br \/>\n<em>Matte Kudasai<\/em><br \/>\n<em>Elephant Talk<\/em><br \/>\n<em>Three of a Perfect Pair<\/em><br \/>\n<em>Indiscipline<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Bis:<\/em><br \/>\n<em>Red<\/em><br \/>\n<em>Thela Hun Ginjeet<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"BEAT | Neal, Jack and Me | \ud83c\udde7\ud83c\uddf7 Live in S\u00e3o Paulo 2025 | 4K Video | #beattour #kingcrimson\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/s7TAoyhpUU4?list=PL3M6mGqCRZBNIGsk6ZpGrYtYtMeT4u6Kb\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><br \/>\n<em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/dougmosh.prod\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Douglas Mosh<\/a>\u00a0\u00e9 fot\u00f3grafo de shows e produtor. Conhe\u00e7a seu trabalho em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/dougmosh.prod\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">instagram.com\/dougmosh.prod<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Show n\u00e3o foi apenas um tributo aos anos 80 do King Crimson: foi uma reinterpreta\u00e7\u00e3o sem ser uma r\u00e9plica exata das grava\u00e7\u00f5es originais, mas mantendo uma atitude respeitosa \u00e0s composi\u00e7\u00f5es.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/05\/11\/ao-vivo-em-sao-paulo-beat-entrega-show-que-deixaria-ate-o-veio-do-king-crimson-orgulhoso\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":89167,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7688,7684,7687,3180,7685,7686,401],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89162"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89162"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89162\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":89176,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89162\/revisions\/89176"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89167"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89162"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89162"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89162"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}