{"id":89011,"date":"2025-05-05T07:00:31","date_gmt":"2025-05-05T10:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=89011"},"modified":"2025-06-02T10:56:20","modified_gmt":"2025-06-02T13:56:20","slug":"entrevista-pela-primeira-vez-vamos-tocar-moon-safari-do-jeito-certo-diz-o-air-as-vesperas-de-show-no-c6-fest","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/05\/05\/entrevista-pela-primeira-vez-vamos-tocar-moon-safari-do-jeito-certo-diz-o-air-as-vesperas-de-show-no-c6-fest\/","title":{"rendered":"Air: &#8220;Quer\u00edamos fazer m\u00fasica que tirasse as pessoas da realidade e as levasse para um mundo paralelo&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/noacapelas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 quase como se tiv\u00e9ssemos inventado uma m\u00e1quina do tempo\u201d. \u00c9 assim que Nicolas Godin, uma das metades do duo franc\u00eas <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/airfrenchband\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Air<\/a>, descreve a sensa\u00e7\u00e3o de voltar aos palcos para tocar o \u00e1lbum \u201cMoon Safari\u201d na \u00edntegra. \u201cEssa turn\u00ea \u00e9 a primeira vez que vamos tocar &#8216;Moon Safari&#8217; do jeito certo. N\u00e3o precisamos mais mudar as m\u00fasicas para encaix\u00e1-las em quem somos hoje. \u00c9 por isso que acredito que \u00e9 melhor nos ver agora do que h\u00e1 30 anos\u201d, destaca Godin. Para ele, a inten\u00e7\u00e3o do Air desde o primeiro acorde era fazer um disco \u201catemporal\u201d, mas n\u00e3o havia como prever o sucesso que o disco faria. \u00c9 um sentimento que seu parceiro ecoa: \u201cNaquela \u00e9poca, era dif\u00edcil que uma banda francesa fosse conhecida globalmente. N\u00e3o t\u00ednhamos expectativas concretas, mas t\u00ednhamos esperan\u00e7a\u201d, diz Dunckel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Influenciado por Stevie Wonder, Ennio Morricone, Kraftwerk, Debussy e trilhas sonoras de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, \u201cMoon Safari\u201d permanece atual para o duo. \u201cNa \u00e9poca, quer\u00edamos fazer m\u00fasica que tirasse as pessoas da realidade e as levasse para um mundo paralelo. Se fizermos um disco novo, vamos utilizar o mesmo processo: criar algo para ignorar a escurid\u00e3o dos nossos tempos\u201d, afirma Godin. Antes que os f\u00e3s se animem, por\u00e9m, trata-se apenas de uma hip\u00f3tese, uma vez que o Air n\u00e3o lan\u00e7a material in\u00e9dito desde 2012: o foco da dupla parece mesmo centrado em \u201cMoon Safari\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante meia hora de entrevista, Dunckel e Godin falaram sobre diferentes temas. Entre eles, h\u00e1 a liga\u00e7\u00e3o de \u201cMoon Safari\u201d com a inf\u00e2ncia e a nostalgia, a escolha pelo ingl\u00eas no disco e at\u00e9 mesmo a opini\u00e3o da dupla sobre o uso de intelig\u00eancia artificial na m\u00fasica atual. Os franceses do Air tamb\u00e9m falam sobre a liga\u00e7\u00e3o que t\u00eam com a m\u00fasica brasileira \u2013 e, em especial, com a bossa nova. \u201cMuitas das m\u00fasicas que n\u00f3s fizemos em \u2018Moon Safari\u2019 come\u00e7aram como uma bossa nova. Nas baterias eletr\u00f4nicas que usamos na \u00e9poca, constantemente us\u00e1vamos esse ritmo pr\u00e9-programado\u201d, conta Godin. A seguir, os principais trechos da coletiva.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-89012 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/airc6.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"938\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/airc6.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/airc6-240x300.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018MOON SAFARI\u2019 DE VOLTA AOS PALCOS<\/strong><br \/>\nNicolas Godin: \u201cH\u00e1 uma grande diferen\u00e7a entre a \u00e9poca da turn\u00ea original de \u2018Moon Safari\u2019 e agora \u2013 e \u00e9 um dos processos mais incr\u00edveis da minha carreira. O que acontece \u00e9 que discos levam tempo para serem feitos. Toda vez que voc\u00ea faz um disco, ele demora para ser gravado, masterizado, lan\u00e7ado e divulgado. Quando finalmente chega a \u00e9poca de fazer uma turn\u00ea, sua cabe\u00e7a j\u00e1 est\u00e1 em outro lugar \u2013 no pr\u00f3ximo disco, talvez. Voc\u00ea precisa fazer shows, mas n\u00e3o quer mais tocar as mesmas m\u00fasicas porque voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 mais a mesma pessoa, o mesmo artista, o mesmo m\u00fasico. Been there, done that, sabe? Agora, quase 30 anos depois, \u00e9 a primeira vez que aceitamos o disco como ele era em 1998. \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o excelente ir para o palco e tocar as m\u00fasicas do jeito que elas foram feitas. E \u00e9 a primeira vez que fazemos isso. E \u00e9 um al\u00edvio para n\u00f3s n\u00e3o precisar mudar as m\u00fasicas para encaixar em quem sou eu hoje, ou no JB de hoje. \u00c9 um disco cult: n\u00e3o precisamos nos preocupar com o que vem a\u00ed. \u00c9 por isso que acredito que \u00e9 melhor nos ver agora do que h\u00e1 30 anos. Pela primeira vez, vamos tocar do jeito certo. \u00c9 quase como se f\u00f4ssemos uma banda tributo tocando o disco \u2013 s\u00f3 que somos n\u00f3s mesmos!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EXPECTATIVAS NO LAN\u00c7AMENTO<\/strong><br \/>\nJean-Beno\u00eet Dunckel: \u201cQuando terminamos \u2018Moon Safari\u2019, nunca imaginamos que ele seria t\u00e3o bem-sucedido. Acredito que est\u00e1vamos \u00e0 procura de um som. N\u00e3o busc\u00e1vamos um som que fosse de um \u00e1lbum mainstream, mas sim de um disco artisticamente poderoso. Mas n\u00e3o t\u00ednhamos certeza que far\u00edamos sucesso, porque \u00e0s vezes a boa m\u00fasica \u00e9 ignorada justamente porque \u00e9 muito boa para se tornar conhecida. Tivemos a chance de ter uma \u00f3tima gravadora e alguma exposi\u00e7\u00e3o, o que fez o disco explodir na Inglaterra. Foi uma surpresa \u2013 e algo que fez a nossa vida mudar muito. \u00c9ramos jovens e est\u00e1vamos animados. Foi assim que aconteceu\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-89013 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/airmoon.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/airmoon.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/airmoon-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ATEMPORALIDADE<\/strong><br \/>\nNicolas Godin: \u201cQuando est\u00e1vamos gravando o disco, nossa principal preocupa\u00e7\u00e3o era fazer algo atemporal. Est\u00e1vamos obcecados por essa ideia. Foi uma press\u00e3o enorme, porque t\u00ednhamos medo de criar can\u00e7\u00f5es que n\u00e3o envelhecessem bem. Ao mesmo tempo, acho que s\u00f3 ter\u00edamos a resposta [que o disco soaria moderno depois de 30 anos] com o passar do tempo. Hoje, sabemos que tomamos as decis\u00f5es certas. Quando escutamos \u2018Moon Safari\u2019 e outros discos que fizemos, percebemos que eles ainda soam frescos. \u00c9 uma enorme recompensa.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ALCANCE E LINGUAGEM<\/strong><br \/>\nJean-Beno\u00eet Dunckel: \u201cNa \u00e9poca de \u2018Moon Safari\u2019, est\u00e1vamos pensando em fazer a m\u00fasica que n\u00f3s gost\u00e1vamos. Usamos o ingl\u00eas como idioma porque quer\u00edamos alcan\u00e7ar o n\u00famero m\u00e1ximo de pessoas \u2013 e bem, o ingl\u00eas \u00e9 uma l\u00edngua internacional, assim como a m\u00fasica que quer\u00edamos fazer. T\u00ednhamos a esperan\u00e7a de que ela poderia funcionar no mundo todo, mas n\u00e3o t\u00ednhamos certeza porque somos franceses. Naquela \u00e9poca, era dif\u00edcil que uma banda francesa fosse conhecida globalmente. N\u00e3o t\u00ednhamos expectativas concretas, mas t\u00ednhamos esperan\u00e7a. E quer\u00edamos que o disco fosse po\u00e9tico, porque busc\u00e1vamos um esp\u00edrito novo, uma alma nova. Tamb\u00e9m busc\u00e1vamos uma forma nova de unir os instrumentos. Era um processo que tinha a ver menos sobre can\u00e7\u00f5es \u2013 e mais com a m\u00fasica certa. \u00c0s vezes, tentamos transformar alguns temas instrumentais em can\u00e7\u00f5es, injetando palavras, mas nem sempre funcionava. \u00c9 por isso que algumas m\u00fasicas do disco s\u00e3o instrumentais.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><br \/>\nNicolas Godin: \u201cDefinitivamente, Stevie Wonder. &#8216;Songs in the Key of Life&#8217; e &#8216;Talking Book&#8217; foram dois discos important\u00edssimos para n\u00f3s. Basicamente, todos os instrumentos que n\u00f3s usamos em \u201cMoon Safari\u201d foram comprados a partir da lista de instrumentos na contracapa de &#8216;Talking Book&#8217;. \u00c9 da\u00ed que vem o nosso som: minimoog, talkbox, clavinet, tudo, sabe? Outro disco importante \u00e9 &#8216;The Man-Machine&#8217;, do Kraftwerk, e as trilhas sonoras de Ennio Morricone. Nossa ideia principal era mixar Kraftwerk e Ennio Morricone.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jean Benoit: \u201cKraftwerk, com certeza. Na hora de compor as m\u00fasicas, por\u00e9m, preciso falar tamb\u00e9m de Maurice Ravel, Claude Debussy e Eric Satie \u2013 os compositores franceses do final do s\u00e9culo XIX e come\u00e7o do s\u00e9culo XX. Eles tinham harmonias incr\u00edveis, meio sonhadoras, flutuantes, e o Air tamb\u00e9m queria flutuar no espa\u00e7o. Tamb\u00e9m nos influenciamos muito por programas de TV, trilha sonoras que v\u00edamos quando \u00e9ramos crian\u00e7as, como \u2018Cosmos\u2019. E claro, Beach Boys: n\u00f3s gost\u00e1vamos muito dos Beach Boys por conta das harmonias, era uma \u00e9poca em que n\u00f3s ouv\u00edamos \u2018Pet Sounds\u2019 demais. Outro trabalho da \u00e9poca que bateu bastante para n\u00f3s foi \u2018Insects Are All Around Us\u2019, do Money Mark. N\u00f3s am\u00e1vamos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEGADO DO DISCO<\/strong><br \/>\nNicolas Godin: \u201cVivemos num ponto de inflex\u00e3o na nossa carreira: n\u00f3s temos um legado, mas ao mesmo tempo somos artistas. Temos de coexistir nesses dois aspectos do nosso trabalho: de um lado, temos orgulho do que fizemos, mas tamb\u00e9m procuramos criar coisas novas. Quando come\u00e7amos nossa carreira, v\u00edamos bandas como o Kraftwerk nesse lugar \u2013 e de repente, \u00e9 a nossa vez. \u00c9 como ter uma nova carreira, virando uma banda que pode tocar sua m\u00fasica como se fosse uma pe\u00e7a de teatro. \u00c9 quase como se \u201cMoon Safari\u201d fosse independente de n\u00f3s agora. \u00c9 um disco com sua pr\u00f3pria vida, seu pr\u00f3prio legado, e que agora nos leva numa espa\u00e7onave, numa m\u00e1quina do tempo. H\u00e1 dias em que acordamos e parece que estamos em 1998, tocando com os mesmos instrumentos daquela \u00e9poca. Eu gostaria que as pessoas pudessem viver o que estou dizendo, porque \u00e9 incr\u00edvel: \u00e9 quase como se tiv\u00e9ssemos inventado uma m\u00e1quina do tempo. \u00c9 muito louco, at\u00e9 meio psicod\u00e9lico, sabe? Tem dias em que n\u00e3o sabemos se \u00e9 realidade ou um sonho \u2013 embora talvez nunca saibamos mesmo onde estamos na nossa vida.\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"AIR - All I Need (feat. Beth Hirsch) (from Moon Safari - Official Audio)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kxWFyvTg6mc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>COMO LIDAR COM A NOSTALGIA<\/strong><br \/>\nJean-Beno\u00eet Dunckel: \u201cO problema com a nostalgia \u00e9 que se voc\u00ea pensar muito nela, voc\u00ea acaba enlouquecendo. Tentamos n\u00e3o ser muito nost\u00e1lgicos porque isso pode ser destrutivo. Enquanto artistas, sempre buscamos estar atualizados com o que est\u00e1 acontecendo agora \u2013 assim como fizemos na \u00e9poca de \u2018Moon Safari\u2019. Sempre quisemos fazer algo que ningu\u00e9m nunca ouviu antes. Ainda hoje, estamos buscando ser um pouquinho avant-garde. Nunca quisemos reproduzir fielmente algo do passado, porque n\u00e3o somos artistas nost\u00e1lgicos. N\u00f3s queremos olhar al\u00e9m do horizonte nas possibilidades da m\u00fasica. No entanto, quando estamos no palco, algumas boas lembran\u00e7as voltam, porque acredito que a melodia e os acordes t\u00eam a possibilidade de capturar o esp\u00edrito de uma \u00e9poca. No palco, \u00e0s vezes temos vis\u00f5es de n\u00f3s mesmos em 1998 \u2013 at\u00e9 podemos quase sentir o cheiro do est\u00fadio e de Paris naquela \u00e9poca. Cada show \u00e9, sim, uma experi\u00eancia nost\u00e1lgica, mas n\u00e3o somos pessoas nost\u00e1lgicas em si.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INF\u00c2NCIA E ESCAPISMO<\/strong><br \/>\nJean-Beno\u00eet Dunckel: \u201cFizemos Moon Safari quando t\u00ednhamos 26, 27 anos. Era uma \u00e9poca em que precis\u00e1vamos dizer adeus para a nossa inf\u00e2ncia. Acredito que colocamos nesse disco tudo que n\u00f3s gost\u00e1vamos sobre sermos crian\u00e7as. Sab\u00edamos que aquela fase estava chegando ao fim. \u00c9 por isso que o disco tem um pouco de melancolia: ela vem da sensa\u00e7\u00e3o de ter responsabilidades, de n\u00e3o poder mais ser uma crian\u00e7a novamente. \u2018Moon Safari\u2019 surge da necessidade de escapar do mundo adulto, da responsabilidade de achar emprego, ter de trabalhar e entrar nesse mundo ca\u00f3tico. O disco \u00e9 como uma recusa: n\u00f3s gravamos a m\u00fasica que n\u00f3s gost\u00e1vamos de ouvir quando \u00e9ramos crian\u00e7as\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_89014\" aria-describedby=\"caption-attachment-89014\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-89014 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/air25.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"611\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/air25.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/air25-300x244.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-89014\" class=\"wp-caption-text\"><em>Em seu 25\u00ba anivers\u00e1rio, &#8220;Moon Safari&#8221; foi reeditado em uma vers\u00e3o comemorativa com 2 CDs e DVD<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MUNDO PARALELO<\/strong><br \/>\nNicolas Godin: \u201cAcredito que o disco ainda tem a mesma mensagem hoje em dia, que \u00e9 a de criar uma bolha pr\u00f3pria. Na \u00e9poca, quer\u00edamos fazer m\u00fasica que tirasse as pessoas da realidade e as levasse para um mundo paralelo, em que elas n\u00e3o fossem afetadas pelo que acontece no dia a dia. Acredito que hoje isso \u00e9 ainda mais intenso, porque a realidade \u00e9 bem pior que em 1998. Acredito que se fizermos um novo disco, vamos utilizar o mesmo processo: criar algo para ignorar a escurid\u00e3o dos nossos tempos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTELIG\u00caNCIA ARTIFICIAL<\/strong><br \/>\nNicolas Godin: \u201cN\u00e3o sei dizer se ela \u00e9 boa ou m\u00e1. At\u00e9 agora, a intelig\u00eancia artificial s\u00f3 substituiu coisas para as quais eu n\u00e3o ligo, como a m\u00fasica comercial. Em termos de arte aut\u00eantica, ainda n\u00e3o ouvi nada que seja realmente bom, embora talvez demore apenas alguns meses para isso acontecer. O que sei \u00e9 que por enquanto n\u00e3o h\u00e1 uma IA que fa\u00e7a uma m\u00fasica t\u00e3o boa quanto as dos grandes artistas da hist\u00f3ria. O que sei dizer tamb\u00e9m \u00e9 que um dos fatos que eu mais curtia quando come\u00e7amos a fazer m\u00fasica \u00e9 que havia uma s\u00e9rie de limita\u00e7\u00f5es. T\u00ednhamos pouco equipamento e poucos canais para gravar, pouca mem\u00f3ria nos nossos discos r\u00edgidos. Por causa disso, tivemos de ser bastante criativos. Em \u2018Moon Safari\u2019, \u00e0s vezes s\u00f3 h\u00e1 sete instrumentos sendo usados, porque n\u00f3s s\u00f3 t\u00ednhamos oito canais para trabalhar. \u00c0s vezes, a limita\u00e7\u00e3o faz parte da cria\u00e7\u00e3o. Hoje, h\u00e1 uma possibilidade infinita, ent\u00e3o deve ser dif\u00edcil saber o que fazer.\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-89015 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/airmoon2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"645\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/airmoon2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/airmoon2-300x258.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BOSSA NOVA<\/strong><br \/>\nNicolas Godin: \u201cH\u00e1 muito em comum entre a m\u00fasica francesa e a m\u00fasica brasileira. Se voc\u00ea olhar bem para a bossa nova, as progress\u00f5es de acordes e as melodias s\u00e3o muito pr\u00f3ximas ao que fazemos aqui. N\u00e3o sou um profundo conhecedor da m\u00fasica global, mas acredito que h\u00e1 uma conex\u00e3o entre n\u00f3s. \u00c9 claro que a bossa nova tamb\u00e9m se inspira em muito da m\u00fasica erudita que n\u00f3s ouvimos, mas tamb\u00e9m nos inspiramos em Jo\u00e3o Gilberto ou Tom Jobim, em cantores que cantam de maneira sofisticada, quieta. A m\u00fasica brasileira \u00e9 muito respeitada na Fran\u00e7a, por alguma raz\u00e3o que n\u00e3o sabemos. Essa n\u00e3o \u00e9 uma resposta que eu poderia dar para qualquer pa\u00eds, n\u00e3o estou jogando conversa fiada. Muitas das m\u00fasicas que n\u00f3s fizemos em \u2018Moon Safari\u2019 come\u00e7aram como uma bossa nova. Nas baterias eletr\u00f4nicas que us\u00e1vamos na \u00e9poca, constantemente us\u00e1vamos o ritmo pr\u00e9-programado de bossa nova para compor, embora depois as m\u00fasicas tenham virado outra coisa. \u00c9 divertido.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DNA AIR<\/strong><br \/>\nJean-Beno\u00eet Dunckel: \u201cSei que h\u00e1 muitos artistas novos, como Billie Eilish ou essa cena jovem de Los Angeles, que gostam muito do Air porque gostam do nosso lado instrumental. Por outro lado, \u00e9 dif\u00edcil falar de bandas que tenham o nosso DNA: muito dos que n\u00f3s fizemos era inspirado no passado, e \u00e0s vezes os artistas de hoje est\u00e3o olhando nas mesmas fontes que n\u00f3s. Mas acredito que h\u00e1 muita gente por a\u00ed que gosta da nossa vibe, dessa coisa mais relaxada, calma e lenta, meio flutuante.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nicolas Godin: \u201c\u00c9 engra\u00e7ado: muita gente nos associa a um movimento chamado French Touch, que \u00e9 basicamente um movimento de house music. N\u00e3o \u00e9 o que fazemos, \u00e9 estranho. Mas somos todos amigos desse pessoal. Por outro lado, na Inglaterra, h\u00e1 bandas como o Portishead, em quem vejo claramente o mesmo DNA que o nosso. Eles tamb\u00e9m samplearam Ennio Morricone ou John Barry, todas essas trilhas sonoras dos anos 1960. A m\u00fasica deles tamb\u00e9m \u00e9 lenta e minimalista na produ\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o foi uma influ\u00eancia bem grande para n\u00f3s tamb\u00e9m. A grande diferen\u00e7a \u00e9 que eles s\u00e3o bastante depressivos. Outro nome que partilha do nosso DNA \u00e9 Money Mark, que tem um som de \u00f3rg\u00e3o e um estilo de produ\u00e7\u00e3o que tem muito a ver conosco.\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"AIR play &quot;Moon Safari&quot; - Royal Albert Hall - ARTE Concert\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uQauaVbPEAA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas)<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista. Apresenta o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/programadeindie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a>\u00a0e escreve a newsletter\u00a0<a href=\"https:\/\/meusdiscosmeusdrinks.substack.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Meus Discos, Meus Drinks e Nada Mais<\/a>. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em entrevista coletiva, banda destaca detalhes das inten\u00e7\u00f5es e da grava\u00e7\u00e3o de obra-prima de 1998 \u2013 e que ser\u00e1 relida na \u00edntegra no festival.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/05\/05\/entrevista-pela-primeira-vez-vamos-tocar-moon-safari-do-jeito-certo-diz-o-air-as-vesperas-de-show-no-c6-fest\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":89016,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1266,6587],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89011"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89011"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89011\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":89380,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89011\/revisions\/89380"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89016"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89011"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89011"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89011"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}