{"id":88923,"date":"2025-04-28T17:18:14","date_gmt":"2025-04-28T20:18:14","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=88923"},"modified":"2025-07-03T02:25:51","modified_gmt":"2025-07-03T05:25:51","slug":"entrevista-a-nova-fase-do-the-monic","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/04\/28\/entrevista-a-nova-fase-do-the-monic\/","title":{"rendered":"Entrevista: A nova fase do The M\u00f6nic"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quatro anos atr\u00e1s, em 2021, em meio a pandemia, a banda <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/themonicband\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The M\u00f6nic<\/a> sofreu um enorme baque: a baterista Daniely Sim\u00f5es havia decidido deixar a banda. Dani Buarque (vocal, guitarra), Ale Labelle (vocal, guitarra) e Joan Bedin (vocal e baixo) j\u00e1 tinham passado pela experi\u00eancia dif\u00edcil de ficar sem baterista quando Mairena deixou o posto da BBGG, esp\u00e9cie de embri\u00e3o do The M\u00f6nic. Elas conheceram Daniely nas audi\u00e7\u00f5es para a vaga do BBGG, e a qu\u00edmica foi t\u00e3o grande que ela n\u00e3o s\u00f3 entrou na banda como o quarteto decidiu iniciar uma nova fase com um novo nome The M\u00f6nic.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em mar\u00e7o de 2025, exatos quatro anos ap\u00f3s Thiago Coiote assumir as baquetas, a The M\u00f6nic volta a ser um quarteto feminino com o retorno de Daniely Sim\u00f5es, que assumiu o lugar de Thiago n\u00e3o apenas no novo single da banda, \u201cLobotomia\u201d (2025), como tamb\u00e9m nos shows que elas fizeram abrindo para o Garbage e o L7 em S\u00e3o Paulo. \u201cFoi como acender uma fogueira que nunca tinha se apagado, s\u00f3 tava ali, quietinha, esperando o momento certo pra reacender\u201d, conta Dani Buarque sobre o retorno da parceria \u00e0 banda. \u201cA Daniely foi parte essencial da nossa forma\u00e7\u00e3o original e da cria\u00e7\u00e3o do som da The M\u00f6nic\u201d, justifica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a produ\u00e7\u00e3o do disco de estreia, \u201cDeus Picio\u201d (2019), foi dividida entre a pr\u00f3pria banda ao lado de Carlos Eduardo Freitas e A\u00e9cio Oliveira, e \u201cCuidado Voc\u00ea\u201d contou com Rafael Ramos nos bot\u00f5es, o single \u201cLobotomia\u201d retoma uma parceria com Alexandre Capil\u00e9 (Sugar Kane) na produ\u00e7\u00e3o: foi ele quem produziu \u201cHigh\u201d e \u201cBuda\u201d, os dois primeiros singles do The M\u00f6nic em 2018. Em \u201cLobotomia\u201d, a banda faz critica a forma como a sociedade lida com o meio ambiente e denuncia os efeitos do consumismo desenfreado e da neglig\u00eancia ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa abaixo, feita por e-mail, Dani Buarque fala sobre a nova fase da banda com Danielly, o processo de composi\u00e7\u00e3o do novo single, o projeto N\u00e3o Tem Banda Com Mina, a import\u00e2ncia de se posicionar politicamente, redes sociais como instrumento de engajamento art\u00edstico, revela um novo lan\u00e7amento ao lado do Eskr\u00f6ta (\u201cem breve sai um EP ao vivo da apresenta\u00e7\u00e3o da The M\u00f6nic convida Eskr\u00f6ta no palco Supernova do Rock in Rio\u201d) e fala dos shows ao lado de Garbage e L7. Leia abaixo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The M\u00f6nic - Lobotomia (V\u00eddeo Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-73rdc838dw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda na atualidade vive uma nova fase com o retorno da Daniely Sim\u00f5es \u00e0 banda. Como foi reviver essa conex\u00e3o musical depois de tanto tempo?<\/strong><br \/>\nFoi como acender uma fogueira que nunca tinha se apagado, s\u00f3 estava ali, quietinha, esperando o momento certo para reacender. A Daniely foi parte essencial da nossa forma\u00e7\u00e3o original e da cria\u00e7\u00e3o do som da The M\u00f6nic. Quando fizemos o primeiro ensaio, era como se nunca tiv\u00e9ssemos parado de tocar. Tem uma qu\u00edmica ali, bate diferente. Tem sido bonito demais viver isso de novo. E o mais doido? A volta de v\u00e1rios f\u00e3s de quando tudo era mato (haha). Uma galera que a gente via h\u00e1 4 anos atr\u00e1s de volta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que mudou na din\u00e2mica da banda com essa volta? Voc\u00eas j\u00e1 percebem alguma diferen\u00e7a na forma como voc\u00eas criam e ensaiam?<\/strong><br \/>\nA volta da Dani trouxe uma energia nova, mas tamb\u00e9m uma mem\u00f3ria afetiva e musical que fortaleceu tudo. \u201cLobotomia\u201d \u00e9 a prova disso. A Daniely mandou pra mim a m\u00fasica na guitarra sem saber da sa\u00edda do Coiote, ela sempre foi compositora, e tinha esse som guardado porque estava sem banda. E isso bem no dia que pedi pro universo um sinal do que fazer. Enquanto eu ouvia a m\u00fasica j\u00e1 gravei um improviso. Depois de 6 minutos que ela havia me enviado a m\u00fasica, ela j\u00e1 tinha a minha vers\u00e3o com voz. Ali foi onde tudo ficou claro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cLobotomia\u201d, inclusive, marca um momento importante na trajet\u00f3ria de voc\u00eas. Como foi o processo de composi\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o desse single? E como foi trabalhar com o Capil\u00e9 novamente?<\/strong><br \/>\nFoi quase um passe de m\u00e1gica. Em uma conversa casual no WhatsApp, eu mencionei que estava super afim de fazer algo mais pesado, tipo a m\u00fasica \u201cCasualty\u201d do Linkin Park. A\u00ed, (entra) a hist\u00f3ria que contei acima. M\u00e1gica \u00e9 a palavra. E voltar a trabalhar com o Capil\u00e9 foi doido. O Capil\u00e9 foi quem gravou os nossos dois primeiros singles e, ent\u00e3o, poder voltar ao est\u00fadio onde tudo come\u00e7ou, com ele e a forma\u00e7\u00e3o original da banda, foi muito especial. Ele co-produziu a faixa com a gente e trouxe toda a energia que esse som precisava. Al\u00e9m da gente e o Capil\u00e9 tamb\u00e9m contamos com o Rafael Ramos que acompanhou todo o processo da pr\u00e9 produ\u00e7\u00e3o \u00e0 finaliza\u00e7\u00e3o. Baita time.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O novo single tem uma pegada mais pesada, com elementos de grunge e hardcore. Esse \u00e9 um caminho que voc\u00eas pretendem seguir daqui pra frente?<\/strong><br \/>\nA gente nunca gostou de se limitar a r\u00f3tulos, mas o som mais pesado sempre fez parte do nosso DNA \u2014 e agora a gente est\u00e1 abra\u00e7ando isso com mais for\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o estrat\u00e9gica, \u00e9 algo que brota de como a gente est\u00e1 se sentindo agora. A urg\u00eancia, a raiva, a vontade de rasgar o verbo est\u00e3o mais presentes, ent\u00e3o naturalmente isso se reflete na sonoridade. Pode esperar mais peso, sim, mas sem perder a melodia que sempre guiou nossas composi\u00e7\u00f5es. E tamb\u00e9m n\u00e3o se assustem se em breve vir uma baladinha. \u00c9 nosso jeitinho (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The M\u00f6nic - Simplifica (Webclipe) - Tour Nordeste 2023\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/k1dmey4pm4U?list=PLKWJdP22OEB_bLyeulpTVDlm3JRDCbH1a\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A The M\u00f6nic sempre transitou entre o ingl\u00eas e o portugu\u00eas e, nos \u00faltimos anos, tem apostado totalmente em can\u00e7\u00f5es na nossa l\u00edngua p\u00e1tria. Como se deu a transi\u00e7\u00e3o da linguagem e como tem sido a receptividade por parte do p\u00fablico desde a mudan\u00e7a?<\/strong><br \/>\nNo come\u00e7o, cantar em ingl\u00eas era mais confort\u00e1vel pra falar de certos sentimentos, talvez por ser mais indireto, e por ser mais f\u00e1cil mesmo encaixar melodia no ingl\u00eas. Mas com o tempo, a necessidade de conex\u00e3o real com o p\u00fablico falou mais alto. Quando a gente come\u00e7ou a escrever em portugu\u00eas, abriu-se um novo portal \u2014 tanto pra gente quanto pra quem escuta. A resposta tem sido linda. As pessoas cantam junto, se reconhecem nas letras, se conectam com a gente. Essa \u00e9 nossa parte favorita de tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00eas enxergam a evolu\u00e7\u00e3o da banda desde \u201cDeus Picio\u201d at\u00e9 agora? Quais aprendizados foram mais marcantes nesse percurso nesses 7 anos de estrada?<\/strong><br \/>\nA gente nasceu com urg\u00eancia, querendo dizer tudo ao mesmo tempo em \u201cDeus Picio\u201d. Hoje, a gente aprendeu a respirar entre os gritos. Aprendemos a cuidar da nossa estrutura, da nossa sa\u00fade mental, e a entender o nosso som como algo em constante transforma\u00e7\u00e3o. Descobrimos a import\u00e2ncia de criar comunidade, de fomentar a cena e de fazer tudo do nosso jeito sem guru, sem f\u00f3rmula. Cada show, cada trope\u00e7o e cada conquista ensinaram muito. Acho que os maiores aprendizados \u00e9 que a gente pode \u2014 e deve \u2014 confiar na nossa verdade, e tamb\u00e9m confiar no processo. Se est\u00e1 vivo, ainda d\u00e1 tempo (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gostaria de saber mais sobre o projeto &#8216;N\u00e3o Tem Mina com Banda&#8217;. Como ele surgiu e quais t\u00eam sido os resultados e aprendizados at\u00e9 aqui?<\/strong><br \/>\nA N\u00e3o Tem Banda Com Mina veio da necessidade de criar espa\u00e7o pra gente tocar. No come\u00e7o da banda, a gente n\u00e3o era chamada pra tocar nos lugares. Ent\u00e3o, criamos uma festa chamada Festa Surdina, e essa festa marcou a volta da m\u00fasica ao vivo na Funhouse, que era uma casa underground, uma das pioneiras da cena ali do in\u00edcio dos anos 2000 em SP. N\u00f3s \u00e9ramos curadoras, eu e a Ale Labelle (vocal\/guitarra), ent\u00e3o muitas bandas de todo o Brasil procuravam a gente pra tocar na nossa festa. E assim, come\u00e7amos a fazer o interc\u00e2mbio. As bandas vinham pra c\u00e1 pra tocar na nossa festa, e a gente conseguia descolar shows pra The M\u00f6nic fora de S\u00e3o Paulo. Ent\u00e3o, foi assim que a gente come\u00e7ou a conseguir sair da cidade. Desde antes de ter banda sempre achei bizarro a cena de rock ser dominada apenas por um tipo de pessoa, ent\u00e3o essa festa passou a ter uma regra, precisava ter pelo menos uma mina no line-up da noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nunca deixei de apoiar as bandas de homens que gostava, mas nunca deixei de questionar esse espa\u00e7o. Ent\u00e3o com a caneta e o mic na m\u00e3o entendemos que ali t\u00ednhamos um poder de ocupar esse espa\u00e7o que hav\u00edamos criado, com as nossas regras. E em 2023, oficializamos a regra de ter edi\u00e7\u00f5es somente com 80% de mulheres em cima do palco. Nossa estrat\u00e9gia pra fomentar a cena local \u00e9 sempre tentar negociar com o contratante de pegar a festa, assim a gente consegue exigir que a gente toque com bandas de mulheres da cena local. A gente j\u00e1 foi desde o Sul at\u00e9 o Nordeste. Pra gente sempre bateu diferente quando a gente toca com mina no palco e tamb\u00e9m na plateia. Quando vem as garotas no show dizer que tocam e que se inspiram no rol\u00ea que a gente faz, d\u00e1 um quentinho no cora\u00e7\u00e3o. Independente se for 5, 50 ou 500, alcan\u00e7ando alguma mulher e encorajando ela a meter as caras e ir pra cima, a gente j\u00e1 fica feliz pra krleo. Esse movimento \u00e9 sobre isso. Sobre se a gente n\u00e3o ir l\u00e1 e ocupar, ningu\u00e9m vai puxar a cadeira pra gente sentar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The M\u00f6nic - Lobotomia (Mini-doc) @ Est\u00fadio Costella\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ika_CtKdhd4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando a \u201cLobotomia\u201d, a letra traz uma cr\u00edtica ao consumo desenfreado e ao descaso com o meio ambiente. Como voc\u00eas veem o papel da m\u00fasica nesse debate?<\/strong><br \/>\n\u201cLobotomia\u201d \u00e9 uma cr\u00edtica direta ao modo como nos tornamos insens\u00edveis diante das consequ\u00eancias do nosso pr\u00f3prio consumo. N\u00e3o se trata de um desejo nost\u00e1lgico de voltar \u00e0 idade da pedra ou trocar a tecnologia pela charrete \u2014 a quest\u00e3o \u00e9 encarar, com lucidez, o impacto que nossa exist\u00eancia causa no planeta e o quanto desse impacto j\u00e1 \u00e9 irrevers\u00edvel. A m\u00fasica prop\u00f5e esse desconforto: como chegamos at\u00e9 aqui? Como fomos anestesiados a ponto de normalizar a destrui\u00e7\u00e3o? A &#8216;lobotomia&#8217; \u00e9 simb\u00f3lica \u2014 \u00e9 a perda da consci\u00eancia cr\u00edtica, \u00e9 seguir vivendo no autom\u00e1tico, sem se dar conta do rastro que deixamos. E ainda assim, seguimos como se nada estivesse acontecendo, colocando filhos no mundo sem sequer repensar o mundo que estamos deixando para eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas sempre tiveram um discurso forte e aut\u00eantico e n\u00e3o se omitem de se posicionar. Acreditam que a cena do rock brasileiro est\u00e1 mais aberta para esse tipo de posicionamento atualmente?<\/strong><br \/>\nSil\u00eancio tamb\u00e9m \u00e9 um posicionamento \u2014 e n\u00e3o \u00e9 o nosso. A ess\u00eancia do rock sempre foi de contesta\u00e7\u00e3o. O estranho \u00e9 quem diz que gosta de rock e se incomoda com pauta social, pol\u00edtica, ecol\u00f3gica. N\u00e3o se preocupar com essas coisas \u00e9 um privil\u00e9gio. E querer que isso n\u00e3o seja discutido \u00e9 outro privil\u00e9gio. Pra mim, \u00e9 incoerente agora que eu tenho a caneta e microfone na m\u00e3o, fingir que n\u00e3o estou vendo coisas que sempre me incomodaram. Artista n\u00e3o \u00e9 um ursinho de pel\u00facia pra fazer o que quem comprou quer que ele fa\u00e7a. A arte vem do inc\u00f4modo, de por pra fora dor, revolta, alegria, amor, seja l\u00e1 o que for. O problema \u00e9 que as pessoas confundem entretenimento com arte. Quer ouvir a m\u00fasica mas sem o artista ter um posicionamento? Vai na porra do karaok\u00ea, man\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas s\u00e3o muito ativas nas redes sociais, o que \u00e9 algo que muita gente tem discutido em diversas esferas. Como voc\u00eas veem a import\u00e2ncia de produzir conte\u00fado de forma constante nas redes? Isso tem sido uma estrat\u00e9gia chave para voc\u00eas, ou \u00e9 mais sobre manter um v\u00ednculo aut\u00eantico com o p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nPor enquanto, as redes s\u00e3o nosso canal direto com quem ouve a gente. A gente cuida de tudo, do marketing ao conte\u00fado, e isso faz parte da nossa autonomia como banda. Hoje a maioria dos artistas s\u00e3o meio ref\u00e9ns das redes sociais, mas e nos anos 90? Sem rede social? Era mais f\u00e1cil? Aposto que n\u00e3o. Ent\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o demonizo essa realidade doida que a gente tem. S\u00f3 acho que a gente precisa ter coer\u00eancia e sabedoria ao us\u00e1-las, pra n\u00e3o virar uma funcion\u00e1ria CLT do Mark Zuckerberg. A gente tem que usar as ferramentas a nosso favor, fazer o algoritmo trabalhar pra gente, n\u00e3o o contr\u00e1rio. \u00c9 muito sedutor quando vemos resultados e ficamos tentados a produzir cada vez mais. Mas o principal \u00e9 n\u00e3o esquecer do nosso objetivo maior: fazer m\u00fasica e n\u00e3o deitar pras m\u00e9tricas de vaidades (likes, seguidores, etc). As redes sociais s\u00e3o de gra\u00e7a porque o produto s\u00e3o os usu\u00e1rios. Se seu conte\u00fado prende as pessoas na plataforma ele \u00e9 mais espalhado. O que \u00e9 um paradoxo. N\u00e3o queremos elas na tela, queremos elas nos shows, colocando nossas m\u00fasicas nas festas, no churrasco, em casa, tocando guitarra, baixo, o que for. Mas pra isso acontecer a gente tem que passar as vezes no feed delas, n\u00e9? (risos) enfim. Pra mim, a estrat\u00e9gia est\u00e1 100% ligada a isso. Ao meu limite como criadora de conte\u00fado, pra que eu nunca seja mais criadora de conte\u00fado do que, de fato, artista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas realizaram nos \u00faltimos meses apresenta\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas junto a Eskr\u00f6ta no Rock in Rio e no Knotfest. Como se deu a aproxima\u00e7\u00e3o de voc\u00eas e o que mais marcou essas apresenta\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nFoi hist\u00f3rico mesmo. A gente abriu os dois maiores festivais de rock do Brasil com a for\u00e7a de duas bandas independentes, com mulheres no comando. A aproxima\u00e7\u00e3o com a Eskr\u00f6ta veio de admira\u00e7\u00e3o m\u00fatua e de respeito pela caminhada uma da outra. Dividir esses palcos foi uma celebra\u00e7\u00e3o da pot\u00eancia feminina no rock. E o mais marcante foi ver o p\u00fablico chegando cedo, cantando, vibrando, enchendo os palcos com a gente. Lembro que a gente ia dividir 26 minutos no Knotfest, mas no dia seguinte do Rock in Rio o Knotfest entrou em contato com a gente e convidou cada banda pra fazer apresenta\u00e7\u00e3o solo em dias distintos, ou seja, dobrou nosso tempo de palco. O que fizemos? Uma convidou a outra pra participar do seu show, assim ambas as bandas ocuparam os 2 dias de festival. Al\u00e9m da experi\u00eancia foda, o que mais marcou foi a for\u00e7a da nossa cena de mulheres se apoiando. E spoiler: em breve sai um EP ao vivo da apresenta\u00e7\u00e3o da The M\u00f6nic convida Eskr\u00f6ta no palco Supernova do Rock in Rio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas recentemente abriram shows para Garbage e L7, duas bandas ic\u00f4nicas. Como foi essa experi\u00eancia?<\/strong><br \/>\nFoi surreal. S\u00e3o mulheres que, al\u00e9m de artistas incr\u00edveis, s\u00e3o gigantes no que acreditam, posicionamentos que transcendem a m\u00fasica e n\u00e3o tinha como a gente n\u00e3o ser totalmente inspiradas por elas por toda a nossa vida. O apoio delas foi absolutamente incr\u00edvel. A Jennifer, do L7, fez duas lives com a gente: uma para nos apresentar aos seguidores dela e outra do nosso show. E o carinho dela foi constante, tanto nas redes quanto pessoalmente. J\u00e1 a Shirley Manson, do Garbage, nos convidou para abrir a turn\u00ea inteira do Brasil. No \u00faltimo show, ela fez um discurso emocionante, de quase dois minutos, falando sobre a nossa trajet\u00f3ria com a BBGG, quando abrimos o show do Garbage em 2017 e entrevistei ela. Ela comentou sobre o quanto a banda cresceu desde ent\u00e3o e o quanto a cena de mulheres precisa de mais mulheres como ela, como a gente, mulheres destemidas. Foi um discurso lindo e sincero. Ainda estamos meio sem acreditar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com disco novo na pra\u00e7a, o que podemos esperar da The M\u00f6nic nos pr\u00f3ximos meses? H\u00e1 planos para um novo \u00e1lbum ou turn\u00ea?<\/strong><br \/>\nTem muita coisa vindo! A gente est\u00e1 compondo bastante, sentindo o terreno pro pr\u00f3ximo \u00e1lbum, mas sem pressa. Ao mesmo tempo, queremos muito estar na estrada \u2014 turn\u00ea \u00e9 o que alimenta as monstrinhas aqui hahah. Pra esse semestre tem dois featz\u00e3o vindo a\u00ed e quem sabe m\u00fasica in\u00e9dita \ud83d\ude42<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The M\u00f6nic - Bateu (Clipe Oficial)  Ep.01\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/E0y2cw4oTvc?list=PLKWJdP22OEB-MU-zUf6eDSbO0a80r35zg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The M\u00f6nic - Maldizer (acoustic)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pDqdf8aj_Wg?list=PLKWJdP22OEB8mevvJ6pZ27Z82e59-aTT1\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The M\u00f6nic Ao Vivo (2024)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/trj1h18qoKA?list=PLKWJdP22OEB-uyp_Hhtv6BsYy5M-yNnL3\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0 escreve no Scream &amp; Yell desde 2014. Escreve tamb\u00e9m no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.phono.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.phono.com.br<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Anne Godoneo \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Dani Buarque fala sobre a nova fase da banda com Danielly, o processo de composi\u00e7\u00e3o do novo single, o projeto N\u00e3o Tem Banda Com Mina, a import\u00e2ncia de se posicionar politicamente e mais\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/04\/28\/entrevista-a-nova-fase-do-the-monic\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":88924,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3123],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88923"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88923"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88923\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":88942,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88923\/revisions\/88942"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/88924"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88923"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88923"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88923"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}