{"id":88809,"date":"2025-04-22T13:25:27","date_gmt":"2025-04-22T16:25:27","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=88809"},"modified":"2025-05-14T00:09:45","modified_gmt":"2025-05-14T03:09:45","slug":"ao-vivo-marina-mole-e-gueersh-no-mamae-bar-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/04\/22\/ao-vivo-marina-mole-e-gueersh-no-mamae-bar-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Ao vivo: Marina Mole e gueersh no Mam\u00e3e Bar, em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><br \/>\nfotos de Isabella Pontes<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na mesma sexta-feira (11), no Allianz Parque, Gilberto Gil faria, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/04\/12\/em-sao-paulo-gilberto-gil-faz-show-poderoso-com-som-impecavel-e-coro-de-semanistia-do-publico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">para mais de 50 mil pessoas<\/a>, o primeiro de quatro shows praticamente sold out em S\u00e3o Paulo despedindo-se das turn\u00eas. No mesmo hor\u00e1rio, no bairro do Bixiga, a Bazuros lan\u00e7ava <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/04\/04\/entrevista-bazuros-traz-cumbia-punk-paulistana-no-album-mucha-lucha-poca-plata\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">seu disco &#8220;Mucha Lucha, Poca Plata&#8221;<\/a> no Sol y Sombra, o Urian Heep fazia show no Tokio Marine Hall e mais de uma dezenas de artistas se apresentava pela cidade. No Mam\u00e3e Bar, casa na Barra Funda que surgiu em 2023 e vem abrindo espa\u00e7o para shows, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/mole.marina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marina Mole<\/a> e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/01\/06\/entrevista-gueersh-explora-novas-paisagens-sonoras-com-interferencias-na-fazendinha\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">gueersh<\/a> eram as atra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<figure id=\"attachment_88810\" aria-describedby=\"caption-attachment-88810\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-88810\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_7604-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_7604-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_7604-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-88810\" class=\"wp-caption-text\"><em>Marina Mole<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">No inferninho do Anexo do Mam\u00e3e Bar, Marina Mole, a persona musicista da artista Marina Milhomem, abriu a noite em mais um cap\u00edtulo que come\u00e7ou com o disco \u201cPerdi As Track S\u00f3 Tem Demo\u201d (2022), lan\u00e7ado pela Seloki Records. Mas o que se viu ali foi bem diferente da sonoridade da estreia caseira e introspectiva: guitarras na linha de frente, suor escorrendo e um esp\u00edrito bem mais urgente. \u201cChega pra c\u00e1, por favor, tem como chegar pra c\u00e1?\u201d, ela chamou a plateia, logo no in\u00edcio do show. Este era mais que um pedido de proximidade: era um convite para entrar numa dan\u00e7a envolta por suas letras vulner\u00e1veis e um som que flertava com punk, surf music e post-punk.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No setlist, cerca de dez composi\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas tocadas com for\u00e7a por uma banda afiada formada por Cleo (bateria), Lucas Monch (baixo) e Vitor Wutzki (guitarra e backing vocals). Com uma pintura no rosto que lembrava um elo perdido entre o Coringa e o Teatro M\u00e1gico, Marina cantava letras que transitavam entre a ironia e a dor de amores desperdi\u00e7ados. \u201cDeve Ser Amor\u201d (m\u00fasica de Arnaldo Baptista que a banda tocou no encerramento da exposi\u00e7\u00e3o do eterno mutante na Casa Slamb reapareceu aqui), \u201cSlow Dancing\u201d e \u201cTerr\u00edvel\u201d alternavam sarcasmo, ansiedade e alguma poesia brega, explodindo com distor\u00e7\u00f5es e batidas nervosas que pareciam feitas para exorcizar seus pr\u00f3prios fantasmas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_88811\" aria-describedby=\"caption-attachment-88811\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-88811\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_7604-copiar11.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_7604-copiar11.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_7604-copiar11-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-88811\" class=\"wp-caption-text\"><em>Marina Mole<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, a performance n\u00e3o escapou de um trope\u00e7o t\u00e9cnico: os vocais de Marina ficaram baixos em boa parte da apresenta\u00e7\u00e3o \u2014 especialmente para quem estava mais ao fundo da casa. Num som onde as palavras importam tanto quanto os riffs, ficou faltando esse devido cuidado com o volume da voz. Mas mesmo assim, a equaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o apagou a entrega da vocalista, que se esgoelava enquanto dedilhava sua guitarra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O gran finale veio com \u201cCora\u00e7\u00e3o Remendado\u201d, faixa que parecia costurar em linhas tortas o indie, punk e p\u00e1ginas de um di\u00e1rio rasgado. Ainda antes do final, Marina largou as seis cordas e o microfone para se lan\u00e7ar \u00e0 plateia e participar de uma animada roda de pogo. Se o primeiro disco tinha um clima de demos gravadas em um computador num quarto escuro, o show no Mam\u00e3e Bar mostrou que seu pr\u00f3ximo lan\u00e7amento promete rocks acelerados e vocais exaltados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 passava da 1h da manh\u00e3 quando a gueersh subiu ao palco do Mam\u00e3e Bar, assumindo a dif\u00edcil miss\u00e3o de acender a chama da plateia que ficou para v\u00ea-los. Mas o p\u00fablico que permanecia ali, embora ligeiramente menor \u2013 consequ\u00eancia direta do atraso na programa\u00e7\u00e3o \u2013 foi agraciado com grandes doses de barulho, improvisos e microfonias.<\/p>\n<figure id=\"attachment_88813\" aria-describedby=\"caption-attachment-88813\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-88813\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_7791.CR2-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_7791.CR2-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_7791.CR2-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-88813\" class=\"wp-caption-text\"><em>gueersh<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O quinteto formado por L\u00edvia Gomes (voz, synths), David Dinucci (guitarra), Guilherme Paz (guitarra, voz, percuss\u00e3o), Thomaz Alves (baixo) e Igor Arruda (bateria) entregou um belo exemplo de \u201ccaos controlado\u201d. Logo na introdu\u00e7\u00e3o, aconteceu um gesto que resume bem o esp\u00edrito da gueersh: a distribui\u00e7\u00e3o de flautas de pl\u00e1stico para o p\u00fablico, acompanhada do convite para que todos somassem seus sopros \u00e0 massa sonora que se formava no palco. O que come\u00e7ou de maneira t\u00edmida, logo se tornou uma cacofonia ensurdecedora, at\u00e9 que o baterista Igor anunciasse o in\u00edcio de \u201cBrasileirinhe\u201d com uma virada de bateria. \u201cMarra\u201d &#8211; a can\u00e7\u00e3o que ganhou um videoclipe caprichado &#8211; foi bem recebida, seguida por uma s\u00e9rie de composi\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas que devem integrar o sucessor de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/01\/06\/entrevista-gueersh-explora-novas-paisagens-sonoras-com-interferencias-na-fazendinha\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Interfer\u00eancias na Fazendinha<\/a>\u201d (2024).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O novo material manteve o equil\u00edbrio inst\u00e1vel (e instigante) entre improvisa\u00e7\u00e3o e indie rock, com arranjos que oscilavam entre a precis\u00e3o de guitarras conversando entre si e a imprevisibilidade de um free jazz. E falando em jazz, a participa\u00e7\u00e3o especial do saxofonista R\u00f4mulo Fran\u00e7a costurou o set com ainda mais textura ao som do grupo, refor\u00e7ando a est\u00e9tica que a banda vem construindo entre o art rock, um \u201cnoise tropicalista\u201d e a liberdade de n\u00e3o poder ser limitado a apenas um r\u00f3tulo musical.<\/p>\n<figure id=\"attachment_88812\" aria-describedby=\"caption-attachment-88812\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-88812 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_7653.CR2-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_7653.CR2-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_7653.CR2-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-88812\" class=\"wp-caption-text\"><em>gueersh<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas assim como Marina Mole, a gueersh tamb\u00e9m sofreu com a m\u00e1-equaliza\u00e7\u00e3o do som da casa: novamente, os vocais foram engolidos pelas camadas instrumentais em diversos momentos \u2013 o que, no caso da banda, at\u00e9 contribuiu para acentuar a atmosfera viajante da performance, mas que ainda assim deixou de dar corpo aos tons mais altos dos vocais de L\u00edvia. O \u00e1pice da performance veio no final, com uma vers\u00e3o ainda mais livre e incendi\u00e1ria de \u201cVaninha Perereca\u201d, faixa que figurou entre as <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/02\/04\/scream-yell-melhores-musicas-nacionais-de-2024\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Melhores M\u00fasicas Nacionais de 2024 do Scream &amp; Yell<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre microfonias prolongadas, delays intermitentes e dan\u00e7as desconjuntadas, o encerramento parecia mais uma convoca\u00e7\u00e3o para o transe geral de todos os presentes &#8211; tanto no palco quanto na plateia. Na madrugada adentro, a gueersh mostrou que seu experimentalismo pode ser dan\u00e7ante, hipn\u00f3tico e comunit\u00e1rio. Quem ficou at\u00e9 o fim da noite saiu com a certeza de que o underground ainda sabe ser imprevis\u00edvel, esquisito e profundamente cat\u00e1rtico.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"gueersh live @ mam\u00e3e bar - SP -  11\/04\/2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UxRcnV2ATRM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Marina Mole fez um show que sinaliza caminhos para seu segundo disco. J\u00e1 a gueersh segue sendo ser imprevis\u00edvel, esquisito e profundamente cat\u00e1rtico.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/04\/22\/ao-vivo-marina-mole-e-gueersh-no-mamae-bar-em-sao-paulo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":88814,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[6646,7666],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88809"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88809"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88809\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":88829,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88809\/revisions\/88829"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/88814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88809"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88809"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88809"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}