{"id":88780,"date":"2025-04-22T08:42:29","date_gmt":"2025-04-22T11:42:29","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=88780"},"modified":"2025-06-26T06:52:35","modified_gmt":"2025-06-26T09:52:35","slug":"entrevista-o-balanco-criativo-de-francis-hime","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/04\/22\/entrevista-o-balanco-criativo-de-francis-hime\/","title":{"rendered":"Entrevista: O balan\u00e7o criativo de Francis Hime"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/diegoqueijo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Diego Queijo<\/a><br \/>\nfoto de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/passoscaio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Caio Passos<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 na paz do bairro Jardim Bot\u00e2nico que Francis Hime comp\u00f5e. A casa, na face sul do Corcovado, abriga um escrit\u00f3rio onde se encontram pastas, uma cole\u00e7\u00e3o de CDs de m\u00fasica erudita, anota\u00e7\u00f5es, partituras, um piano el\u00e9trico Kurzweil, um Wurlitzer e um piano ac\u00fastico Steinway &amp; Sons cheio de mem\u00f3rias. Mas, de acordo com Hime, o principal \u2018instrumento\u2019 necess\u00e1rio para uma composi\u00e7\u00e3o, hoje, \u00e9 uma rede de tecido pendurada atr\u00e1s do velho piano. Ali, deitado, suspenso entre um balan\u00e7ar e outro, um dos pianistas \u00edcones da era dourada de um Brasil que transformou a can\u00e7\u00e3o em patrim\u00f4nio cultural sonoro, sonha com melodias, imagina arranjos, e busca novas formas de contar hist\u00f3rias atrav\u00e9s da m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos 85 anos, Francis Hime est\u00e1 em paz. Mas inquieto. 52 anos depois de lan\u00e7ar seu primeiro disco solo, de 1973 (com a abertura matadora de \u201cAtr\u00e1s da Porta\u201d, imortalizada, tamb\u00e9m, na voz de Elis Regina), e mais de 20 \u00e1lbuns na bagagem, Hime acaba de lan\u00e7ar um novo trabalho intitulado \u201cN\u00e3o navego pra chegar\u201d (Biscoito Fino, 2025).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo de sua trajet\u00f3ria, Hime contribuiu de forma significativa para a forma\u00e7\u00e3o de uma certa identidade sonora do Brasil, dialogando com a bossa nova, a MPB e a m\u00fasica erudita. Suas parcerias com grandes nomes, como Chico Buarque (\u2018Trocando em Mi\u00fados\u2019, \u2018Vai Passar\u2019, etc.) e Vinicius de Moraes (\u2018Samba de Maria\u2019, entre outras), resultaram em composi\u00e7\u00f5es que ajudaram a imortalizar uma \u00e9poca, com reflex\u00e3o e resist\u00eancia diante de realidades sociais e pol\u00edticas do pa\u00eds. Com o novo \u00e1lbum \u2013 e uma sele\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas e parcerias com artistas contempor\u00e2neos \u2013 Hime demonstra que, apesar das mudan\u00e7as na ind\u00fastria musical e nas prefer\u00eancias do p\u00fablico, ainda tem muita lenha para queimar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00e1lbum definitivamente est\u00e1 \u00e0 altura da discografia de Francis Hime. Nas 11 faixas \u00e9 poss\u00edvel encontrar de tudo. Boas letras, melodias autorais (como faziam os maias pr\u00e9-Intelig\u00eancia Artificial!) e parceiros com espa\u00e7o para demonstrarem a que vieram. Trata-se de uma celebra\u00e7\u00e3o sofisticada de sua trajet\u00f3ria musical aos 85 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Musicalmente, o \u00e1lbum passeia entre o samba e a MPB cl\u00e1ssica, com arranjos que equilibram o lirismo e a complexidade harm\u00f4nica caracter\u00edstica do autor. Hime, claro, demonstra dom\u00ednio absoluto da linguagem da can\u00e7\u00e3o brasileira. Uma pena que, diferentemente de outros lan\u00e7amentos atuais, o Spotify n\u00e3o traga, pelo menos ainda, as letras das m\u00fasicas desse disco \u2013 mas: a ficha t\u00e9cnica completa est\u00e1 dispon\u00edvel aos aficionados no fim da entrevista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em resumo, \u00e9 um biscoito fin\u00edssimo direto do forno antigo que ajudou a criar essa receita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta entrevista exclusiva ao Scream &amp; Yell, Francis Hime fala sobre o instrumento que o consagrou, compartilha hist\u00f3rias, desafios e tenta expor a ess\u00eancia de sua m\u00fasica, revelando como a emo\u00e7\u00e3o permanece feito o farol da inven\u00e7\u00e3o na busca por novas formas de se conectar com o p\u00fablico. Como \u00e9 dif\u00edcil encontrar ang\u00fastia art\u00edstica e inconformismo \u2013 para al\u00e9m dos temas das pr\u00f3prias can\u00e7\u00f5es e letras do disco \u2013 em um senhor simp\u00e1tico, feliz e em paz. Um pioneiro que continua a navegar no balan\u00e7o das \u00e1guas da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a palavra, Francis Hime:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Imaginada\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XObZ_vvxh1A?list=OLAK5uy_nFQRKYybVK_Eg_nnHU0w6CtB-4R70EPuM\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Francis, vamos come\u00e7ar do come\u00e7o. Seu primeiro contato com a m\u00fasica foi muito cedo, ainda na inf\u00e2ncia, e eu queria que voc\u00ea falasse um pouco sobre essa descoberta do piano.<\/strong><br \/>\nFoi esse piano aqui (aponta para o instrumento ac\u00fastico Steinway &amp; Sons ao lado) que meu av\u00f4, que era pianista tamb\u00e9m, amador, me deu quando eu tinha seis, sete anos. Meus pais achavam que eu levava jeito e me colocaram para estudar no Conservat\u00f3rio Brasileiro de M\u00fasica. Mas eu n\u00e3o gostava muito, n\u00e3o. Queria outras coisas, jogar bola, enfim, tudo que uma crian\u00e7a gosta. Mas eu levava jeito e fiz o conservat\u00f3rio quase inteiro, fui at\u00e9 o s\u00e9timo ano. Aos poucos, fui gostando de improvisar, de brincar com o piano. N\u00e3o gostava muito de estudar os exerc\u00edcios todos, mas fui levando. E isso acabou sendo uma semente para o pianista e compositor que eu me tornaria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi o in\u00edcio de uma rela\u00e7\u00e3o longeva. O que te atraiu mais?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o fui atra\u00eddo pelo piano logo de cara. Eu n\u00e3o gostei muito no in\u00edcio. Mas aos poucos fiquei fascinado com a ideia de criar coisas. O piano tem uma possibilidade enorme. Acho que o que me atraiu foi essa capacidade de inventar, n\u00e3o tanto de seguir o que j\u00e1 estava pronto. Foi essa liberdade de criar que me pegou de verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para voc\u00ea, m\u00fasica \u00e9 mais emo\u00e7\u00e3o ou mais t\u00e9cnica?<\/strong><br \/>\nMais emo\u00e7\u00e3o, sem d\u00favida nenhuma. Apesar de ter estudado desde cedo e desenvolvido uma t\u00e9cnica que me permitiria tocar concertos eruditos, a emo\u00e7\u00e3o de criar sempre foi mais forte e \u00e9 mais forte at\u00e9 hoje. Hoje em dia, eu n\u00e3o passo horas no piano, eu fico ali na rede (aponta para a rede na entrada do escrit\u00f3rio), compondo, imaginando. Fa\u00e7o arranjos na minha cabe\u00e7a, com uma orquestra completa, e depois confiro no piano. Hoje uso bastante o piano el\u00e9trico, que \u00e9 mais pr\u00e1tico e n\u00e3o incomoda ningu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando percebeu que conseguia expressar sentimentos ou emocionar as pessoas com sua m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nOlha&#8230; Talvez quando&#8230; Quando conheci Vin\u00edcius de Moraes, que foi meu primeiro parceiro. Eu tinha 15, 16 anos. Ele era muito amigo da minha m\u00e3e, D\u00e1lia Antonina, artista pl\u00e1stica. E ele um dia foi l\u00e1 em casa, ali na Lagoa, rua Baronesa de Pocon\u00e9, e eu toquei pra ele a \u2018Valsa de Eur\u00eddice\u2019. Toquei e ele ficou encantado. E eu dizia pra ele, \u201cvou fazer engenharia, n\u00e3o vou fazer m\u00fasica n\u00e3o\u201d. E acabei fazendo engenharia, mas encostei o diploma e nunca exerci. Ele disse, \u201cp\u00f4, Daly, esse menino tem que fazer m\u00fasica, n\u00e9? Vai deixar ele fazer engenharia? O Brasil vai perder um m\u00fasico e ganhar um engenheiro que talvez n\u00e3o seja t\u00e3o bom\u201d. A\u00ed eu acabei seguindo. Talvez tenha sido ali. (Nota: depois, Hime tamb\u00e9m trabalhou com Vinicius de Moraes em \u201cSamba de Maria\u201d, \u201cSem Mais Adeus\u201d e \u201cAnoiteceu\u201d, entre outras\u2026) Alguns anos mais tarde, quando me formei engenheiro, em vez de estar l\u00e1 no Maracan\u00e3zinho fazendo a entrega simb\u00f3lica do canudo, do diploma, eu estava em S\u00e3o Paulo participando do programa de abertura da Bandeirantes, em 1969. Ent\u00e3o, ali ficou claro onde \u00e9 que estava o meu caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O fato de voc\u00ea se formar em engenharia mec\u00e2nica influenciou na abordagem musical? Tem a ver? Faz algum sentido?<\/strong><br \/>\nOlha, engenharia mec\u00e2nica em si, n\u00e3o propriamente. Eu escolhi a mec\u00e2nica porque eu achava que era o ramo da engenharia que talvez naquele momento fizesse mais sentido. Porque na realidade eu n\u00e3o planejava seguir como m\u00fasico. Mas a engenharia me ajudou muito na m\u00fasica, sim, no planejamento dos arranjos, no equil\u00edbrio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea considera o mais essencial dessa esp\u00e9cie de identidade musical do Brasil? O que nos faz ser como somos?<\/strong><br \/>\n\u00c9 a diversidade. A diversidade fant\u00e1stica. O povo brasileiro \u00e9 muito musical, ent\u00e3o ele n\u00e3o s\u00f3 faz m\u00fasica, mesmo que n\u00e3o seja profissional, como absorve muito bem tamb\u00e9m as variedades. Eu particularmente gosto de compor em muitos estilos, samba, bai\u00e3o, muitos g\u00eaneros, valsas e tamb\u00e9m de uns tempos para c\u00e1 enveredei pelo campo da m\u00fasica erudita, com v\u00e1rios concertos. O mais recente foi um concerto para dois cellos, que foi executado h\u00e1 dois anos com o Hugo Pilger e o Matias de Oliveira, que infelizmente nos deixou no ano passado. E tem o concerto de viol\u00e3o com o F\u00e1bio Zanon, o concerto de violino, concerto de harpa, de clarinete\u2026 Acho que o pr\u00f3ximo vai ser de fagote, estou pensando\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como essa m\u00fasica erudita e a m\u00fasica popular se misturam nesse seu processo criativo?<\/strong><br \/>\nA minha m\u00fasica geralmente \u00e9 bastante sofisticada. Eu escrevo para a orquestra, enfim. E a m\u00fasica mel\u00f3dica, ela tem um p\u00e9 na m\u00fasica popular. Que \u00e9 a contribui\u00e7\u00e3o que eu acho que eu posso dar para a nossa m\u00fasica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Francis Hime | Making Of do \u00e1lbum &quot;N\u00e3o Navego Pra Chegar&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MDYHUQ26pPk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estamos em 2025 e voc\u00ea est\u00e1 lan\u00e7ando um \u00e1lbum novo, \u2018N\u00e3o navego pra chegar\u2019. Mas olhando para a sua trajet\u00f3ria desde o in\u00edcio, o que permanece, o que ainda te move artisticamente?<\/strong><br \/>\nCompor. O dia em que eu componho, fico feliz. E quando n\u00e3o componho, n\u00e3o consigo concatenar uma ideia, fico meio jururu. E quando vai para o disco, a\u00ed \u00e9 uma maravilha, porque a\u00ed eu posso dividir isso com m\u00fasicos que gostam muito da minha m\u00fasica. Como o Paulo Arag\u00e3o, que fez a produ\u00e7\u00e3o musical desse disco, e tantos outros. E tamb\u00e9m procurar fazer novas parcerias \u00e9 algo que me move, e que teoricamente pode dar certo ou n\u00e3o. Mas at\u00e9 hoje eu tive a sorte de sempre dar certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E sobre a motiva\u00e7\u00e3o desse projeto, o que voc\u00ea deseja com esse \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nLevar a minha m\u00fasica a ser conhecida por mais pessoas e fazer shows. Eu adoro fazer shows. Antigamente eu n\u00e3o gostava n\u00e3o. Morria de medo de subir em palco. Mas hoje em dia me sinto mais \u00e0 vontade nele do que fora dele. \u00c9 curioso isso. No come\u00e7o da minha carreira era um horror. Tremia, bebia, enchia a cara para fazer um show. Um dia, no Teatro da Paz, em Bel\u00e9m, meia hora antes eu passei mal do est\u00f4mago. E pensei \u2018poxa, vou ter que fazer a seco o show e vai ser uma cat\u00e1strofe\u2019. Fiz e foi uma maravilha. Depois disso nunca mais bebi antes do show. Depois, sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual voc\u00ea considera que foi o grande desafio para chegar a esse disco cheio de parcerias?<\/strong><br \/>\nAs dificuldades pessoais que eu tive para fazer. Tive problemas de sa\u00fade e fui fazendo, planejando o disco, a\u00ed tive que adiar e, aos poucos, fui vendo aquela coisa ali nascer. A\u00ed comecei a ver que o sonho estava se concretizando, que inclusive os cantores se animaram a cantar, que todos responderam ao meu chamado, enfim. Ent\u00e3o o disco ficou muito bom, ficou muito bonito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E esse \u00e1lbum vai ser lan\u00e7ado no streaming, que \u00e9 bem diferente do vinil do seu primeiro disco, l\u00e1 em 1973. Voc\u00ea ouve m\u00fasica nessas plataformas?<\/strong><br \/>\nOu\u00e7o, sim. Quer dizer, quando eu fa\u00e7o um disco, eu n\u00e3o estou pensando no streaming. Eu estou pensando em um disco como se a pessoa fosse ouvir inteiro, da forma como ele foi feito.. N\u00e3o \u00e9 o que acontece na maioria das vezes, n\u00e9? Mas eu ainda tenho um olhar, assim, no sentido de fazer um trabalho que seja pensado em um todo, na ordem das m\u00fasicas, a instrumenta\u00e7\u00e3o. Nada \u00e9 aleat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acha que essas plataformas s\u00e3o boas?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o porque divulgam\u2026 E \u00e9 a forma como a banda toca hoje em dia. Tem que aproveitar o que tem de bom na internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre a escolha de parceiros e int\u00e9rpretes, como voc\u00ea decide isso?<\/strong><br \/>\nOs int\u00e9rpretes foram escolhidos a partir das m\u00fasicas, das composi\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, a m\u00fasica com Ivan Lins, por exemplo, n\u00f3s dois cantamos no disco. A m\u00fasica com Z\u00e9 Renato, eu dou umas pinceladas, mas quem canta mesmo a maior parte \u00e9 o Z\u00e9. A m\u00fasica com Maur\u00edcio Carrilho, que ele n\u00e3o canta, eu convidei a M\u00f4nica Salmaso. Ent\u00e3o, depende de cada m\u00fasica. A Simone fez um disco h\u00e1 uns anos sobre Martinho da Vila (\u201cCaf\u00e9 com Leite\u201d, 1996). E canta muito bem samba. Ent\u00e3o, pensei, \u2018p\u00f4, s\u00f3 pode ser a Simone\u2019. \u2018Samba pra Martinho\u2019 \u00e9 um samba-enredo que foi composto por mim. Geraldinho Carneiro e Olivia (Hime), que fizeram a letra. Fiz h\u00e1 uns dois anos. Tinha um concurso para um desfile de escola de samba (Vila Isabel, em 2022), onde homenagearam o Martinho, mas a gente levou muito tempo para fazer e quando ficou pronto a inscri\u00e7\u00e3o j\u00e1 tinha acabado. Mas eu gostei tanto que resolvi colocar no disco. E \u00e9 um dos destaques. Outra m\u00fasica que eu gosto muito, que d\u00e1 t\u00edtulo ao disco \u00e9 \u2018N\u00e3o navego pra chegar\u2019, com a M\u00f4nica Salmaso, que tem aquela voz deslumbrante, e n\u00e3o podia ficar de fora. A M\u00f4nica canta tudo. A \u2018Chula Chula\u2019, que tem um p\u00e9 no Nordeste, eu convidei o Lenine para cantar comigo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Francis Hime Feat. Simone | Samba Pra Martinho (Clipe)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Hp-AmJNh8tQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E essa do Ziraldo (1933\/2024), \u2018Infinita\u2019?<\/strong><br \/>\nOlivia descobriu essa m\u00fasica antiga minha que estava in\u00e9dita at\u00e9 hoje, que \u00e9 com letra do Ziraldo. Eu fiz para uma pe\u00e7a dele chamada \u2018Belas figuras\u2019. S\u00f3 tinha sido usada na pe\u00e7a, ent\u00e3o ela descobriu e n\u00f3s cantamos juntos. Ficou bem bonito\u2026 Ele era meu amigo. Tem outras que ficaram in\u00e9ditas. Tem poemas que ele me deu que acabei n\u00e3o musicando. Vai ver que um dia eu vou fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E nesse \u00e1lbum Olivia Hime tamb\u00e9m \u00e9 sua principal parceira\u2026<\/strong><br \/>\nEla tem cinco letras. Ela chega e descobre o que a m\u00fasica est\u00e1 dizendo. Ent\u00e3o a\u00ed n\u00e3o tem erro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando sobre o t\u00edtulo do \u00e1lbum, \u2018N\u00e3o navego pra chegar\u2019, sugere que talvez o caminho importe mais do que o destino?<\/strong><br \/>\n\u00c9, exatamente. Fala um pouco sobre isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso reflete um pouco da tua jornada art\u00edstica tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nSim, reflete. Porque \u00e9 o fazer, n\u00e9, que d\u00e1 muito prazer. At\u00e9 rimou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Francis, a emo\u00e7\u00e3o \u00e9 mesmo a palavra-chave?<\/strong><br \/>\nSim, mas nossa, muito! Se n\u00e3o me emocionar, n\u00e3o componho. Tocar talvez at\u00e9 toque, mas compor, sem emo\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem jeito. Ouvindo Tchaikovsky, Stravinsky, Beethoven, Debussy, Ravel, tanta gente que veio antes e que me emociona. E essas parcerias com esses amigos, tem uma carga de emo\u00e7\u00e3o, de hist\u00f3rias. Quando completo uma m\u00fasica, d\u00e1 aquela alegria, subo correndo as escadas para mostrar para a Ol\u00edvia. Ent\u00e3o \u00e9 curioso essa coisa da cria\u00e7\u00e3o, voc\u00ea come\u00e7a a dedilhar alguma coisa, ou juntar, e de repente sai uma ideia que te toma, nem \u00e9 voc\u00ea mais que a domina, ela que te domina. E quando se concretiza, \u00e9 muito bom.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-88781 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Francis-Hime_Digital_NaoNavego_2025-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Francis-Hime_Digital_NaoNavego_2025-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Francis-Hime_Digital_NaoNavego_2025-copiar-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Francis-Hime_Digital_NaoNavego_2025-copiar-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Repert\u00f3rio de \u2018N\u00e3o navego pra chegar\u2019:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1-Imaginada (Francis Hime, Ivan Lins e Olivia Hime) \u2013 com Ivan Lins<br \/>\n2-Chuva (Francis Hime e Z\u00e9lia Duncan)<br \/>\n3-Samba pra Martinho (Francis Hime, Geraldo Carneiro e Olivia Hime) \u2013 com Simone<br \/>\n4-N\u00e3o navego para chegar (Maur\u00edcio Carrilho, Francis e Olivia Hime) \u2013 com M\u00f4nica<br \/>\nSalmaso<br \/>\n5- Um rio (Francis Hime e Olivia Hime) \u2013 com Dori Caymmi e Olivia Hime<br \/>\n6-Tempo breve (Francis Hime e Br\u00e1ulio Pedroso) \u2013 com Z\u00e9lia Duncan<br \/>\n7-Imensid\u00e3o (Francis Hime, Z\u00e9 Renato e Olivia Hime) \u2013 com Z\u00e9 Renato<br \/>\n8-Shakespeareana (Francis Hime e Geraldo Carneiro) \u2013 com Quarteto Maogani<br \/>\n9- Tomara que caia (Francis Hime e Moraes Moreira) \u2013 com Leila Pinheiro<br \/>\n10- Chula Chula (Francis Hime e Geraldo Carneiro) \u2013 com Lenine<br \/>\n11-Infinita (Francis Hime e Ziraldo) \u2013 com Olivia Hime<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Instrumentistas que participam do projeto: Paulo Arag\u00e3o, Jorge Helder, Diego Zangado, Ricardo Silveira, Luciana Rabello, Maur\u00edcio Carrilho, Kiko Horta, Marcus Thadeu, Aquiles, Dirceu Leite, Hugo Pilger e Cristiano Alves.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Ficha T\u00e9cnica:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Produ\u00e7\u00e3o Musical: Paulo Arag\u00e3o<br \/>\nDire\u00e7\u00e3o Musical: Francis Hime<br \/>\nDire\u00e7\u00e3o Art\u00edstica: Olivia Hime<br \/>\nArranjos: Francis Hime (exceto \u201cShakespaeareana\u201d, de Paulo Arag\u00e3o)<br \/>\nGrava\u00e7\u00e3o, mixagem e masteriza\u00e7\u00e3o: Lucas Ariel<br \/>\nGravado no est\u00fadio da Biscoito Fino<br \/>\nFotos de divulga\u00e7\u00e3o de Francis Hime: Nana Moraes<br \/>\nProjeto gr\u00e1fico: Ruth Freihof<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Francis Hime  - &quot;50 anos de mu\u0301sica&quot; | Show Completo\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Yq3xVbf-APY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Francis Hime | Navega Ilumina | 50 anos de mu\u0301sica\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Db1kGGQxZqs?list=PLjMk_448Pd1O1b9bRGgoQJenUcv1XrMKt\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Francis Hime canta &quot;Anoiteceu&quot; - 1979\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2-paazsVSkI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Francis Hime | Programa Instrumental Sesc Brasil\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7iMftuXzAq0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Programa ensaio Francis Hime e Olivia hime\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gxNNj57XeQI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Diego Queijo \u00e9 jornalista! Acompanhe:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/diegoqueijo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">instagram.com\/diegoqueijo<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Aos 85 anos, Francis Hime est\u00e1 em paz. 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