{"id":88683,"date":"2025-04-15T17:31:10","date_gmt":"2025-04-15T20:31:10","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=88683"},"modified":"2025-05-09T09:59:09","modified_gmt":"2025-05-09T12:59:09","slug":"critica-adolescencia-e-tudo-isso-que-parece-ser","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/04\/15\/critica-adolescencia-e-tudo-isso-que-parece-ser\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: \u201cAdolesc\u00eancia\u201d \u00e9 tudo isso que parece ser?"},"content":{"rendered":"<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-88684 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/adolescencia.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"938\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/adolescencia.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/adolescencia-240x300.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 v\u00e1rias maneiras de se dizer uma coisa. Renato Russo, no encarte do terceiro disco da Legi\u00e3o Urbana, dizia que a letra de \u201cQue Pa\u00eds \u00e9 Este?\u201d (1979) era, de certa forma, adolescente e ing\u00eanua, principalmente se comparada a \u201c\u00cdndios\u201d (1986), que ele escreveu sete anos depois e trata do mesmo assunto (\u201cPoderia at\u00e9 ser a mesma m\u00fasica\u201d, ele provoca) \u2013 ele voltaria ao tema seis anos depois, em 1993, com \u201cPerfei\u00e7\u00e3o\u201d, talvez seu melhor resultado&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma que Renato Russo, o trio Jack Thorne, Stephen Graham e Philip Barantini poderia desbravar o tema de \u201cAdolesc\u00eancia\u201d (\u201cAdolescence\u201d, 2025, Netflix) de diversas maneiras, e escolheu o mais cru e direto poss\u00edvel. Ou seja, eles optaram por fazer \u201cQue Pa\u00eds \u00e9 Este?\u201d a \u201cPerfei\u00e7\u00e3o\u201d. Por\u00e9m, para n\u00e3o soar t\u00e3o \u201cpunk\u201d para as massas, o n\u00facleo criativo da s\u00e9rie decidiu envelop\u00e1-la em um formato \u201cprovocante\u201d, como se colocar a letra de \u201cQue Pa\u00eds \u00e9 Este?\u201d no arranjo de \u201cPerfei\u00e7\u00e3o\u201d resolvesse a quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem, quando esse texto come\u00e7ou a ser rascunhado, \u201cAdolesc\u00eancia\u201d j\u00e1 era um dos maiores sucessos da hist\u00f3ria da Netflix com 66 milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es em seus 11 primeiros dias dispon\u00edveis na plataforma (de 13 a 24 de mar\u00e7o). Hoje, mais de um m\u00eas depois, e com mais de 100 milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es na plataforma (sem contar as milhares de sugest\u00f5es de pauta de psic\u00f3logos e textos com foco em RH no Linkedin), \u201cAdolesc\u00eancia\u201d \u00e9 um sucesso avassalador que colocou o tema da juventude em tempos de internet em alerta em todo o mundo \u2013 algo que j\u00e1 vinha sendo discutido insistentemente desde que casos como o do massacre de Columbine, em 1998 (!), virou algo corriqueiro nos Estados Unidos, ainda que poucos pais olhassem para a porta fechada do quarto de seus filhos pensando \u201cpoderia ter sido ele\u201d \u2013 e ir\u00e1 ganhar Emmy e Globo de Ouro no final da temporada (anotem).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea j\u00e1 deve conhecer a hist\u00f3ria (baseada em um caso real): um garoto de 13 anos \u00e9 acusado de assassinar uma colega de escola, levando a fam\u00edlia, a terapeuta e o investigador do caso a se perguntarem: o que realmente aconteceu? Durante quatro horas, a escola em que o garoto estuda, a delegacia para onde ele ser\u00e1 levado, o local em que ele ir\u00e1 aguardar julgamento e a casa de seus pais ser\u00e3o usados como cen\u00e1rio enquanto o roteiro n\u00e3o apenas joga todas as pe\u00e7as do quebra-cabe\u00e7a no colo do espectador, como o ajuda a monta-las, evitando arestas ou interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-88688 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/adolescencia4-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/adolescencia4-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/adolescencia4-1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O foco da s\u00e9rie \u00e9 problematizar (criticamente) como os adolescentes est\u00e3o lidando com a internet, esse novo mundo aparentemente sem fronteiras (e sem lei), e as consequ\u00eancias disso. Se no s\u00e9culo passado, o universo de um adolescente se restringia a sua casa, a sua rua e a sua escola, hoje esse ambiente se ampliou, sendo influenciado tanto por sua casa, rua e escola, como pelo mundo todo a todo o momento. \u00c9 a hiperconectividade colocada em xeque ao extremo, no caso, envolvendo o assassinato de uma adolescente. Ainda que olhe para o crime e para aquilo que o resulta, o pensamento mais interessante que a obra prop\u00f5e \u00e9 a de que pais precisam conhecer seus filhos, uma discuss\u00e3o deixada de lado durante s\u00e9culos, em que muita gente tinha\/teve fihos para atender a demandas e conven\u00e7\u00f5es sociais sem ter o m\u00ednimo tato ou desejo de criar uma crian\u00e7a, uma falha social que deve ter resultado n\u00e3o apenas em traumas como em quedas de imp\u00e9rios, guerras e muitas trag\u00e9dias &#8211; Freud explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Thorne, Graham e Barantini capturaram, com extrema intelig\u00eancia, o zeitgeist e o ofereceram ao p\u00fablico como se fosse p\u00e3o com manteiga no caf\u00e9 da manh\u00e3. H\u00e1 grandes m\u00e9ritos na empreitada, sim, ainda que seja preciso separar algumas pe\u00e7as, pois se \u201cAdolesc\u00eancia\u201d toca em um tema que, de maneira assustadora, muita gente vinha ignorando at\u00e9 ent\u00e3o, ela o faz de maneira absolutamente \u00f3bvia e direta, utilizando o formato (quatro epis\u00f3dios de 60 minutos filmados em plano-sequ\u00eancia, ou seja, sem um \u00fanico corte) para dar ao todo um acabamento (ah\u00f1) art\u00edstico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois \u201cpor\u00e9m\u201d: o plano-sequ\u00eancia \u00e9 uma pris\u00e3o da qual a s\u00e9rie n\u00e3o consegue se livrar, e que al\u00e9m de cansar o espectador em muitos momentos \u2013 n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que s\u00e3o apenas quatro epis\u00f3dios, mais do que isso comprometeria seu impacto \u2013, impede mergulhos profundos nos personagens, excetuando, de forma novamente \u00f3bvia, o terceiro epis\u00f3dio, \u00fanico dos quatro com entrelinhas e quest\u00f5es psicol\u00f3gicas. Por outro lado, a pris\u00e3o em que o plano-sequ\u00eancia colocou o roteiro favoreceu a for\u00e7a da mensagem (principalmente para um p\u00fablico cada vez mais impaciente com entrelinhas e elocubra\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas), fazendo de \u201cAdolesc\u00eancia\u201d um daqueles casos em que seu maior defeito \u00e9, tamb\u00e9m, sua maior virtude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, o sucesso \u00e9 mais uma consequ\u00eancia do que um atestado de qualidade \u2013 uma das maiores bilheterias da hist\u00f3ria do cinema, \u201cTitanic\u201d (1997) nunca entrou na lista de melhores filmes de todos os tempos \u2013 deixando a quest\u00e3o que ecoa nesse texto: como obra art\u00edstica, \u201cAdolesc\u00eancia\u201d \u00e9 tudo isso que parece ser? Ainda que os n\u00fameros sejam impressionantes e que a mensagem tenha sido passada para o espectador, a d\u00favida talvez seja uma resposta&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/04\/03\/um-mergulho-em-adolescencia-o-hit-de-quase-100-milhoes-de-views-da-netflix\/\">Um mergulho em \u201cAdolesc\u00eancia\u201d, o hit de quase 100 milh\u00f5es de views da Netflix<\/a><\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Adolesc\u00eancia | Trailer oficial | Netflix\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mh48KXaCSxM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Thorne, Graham e Barantini capturaram, com extrema intelig\u00eancia, o zeitgeist e o ofereceram ao p\u00fablico como se fosse p\u00e3o com manteiga no caf\u00e9 da manh\u00e3. 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