{"id":88660,"date":"2025-04-14T11:04:27","date_gmt":"2025-04-14T14:04:27","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=88660"},"modified":"2025-05-16T18:47:30","modified_gmt":"2025-05-16T21:47:30","slug":"critica-lonely-people-with-power-novo-disco-do-deafheaven-e-avassalador-em-todos-os-bons-sentidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/04\/14\/critica-lonely-people-with-power-novo-disco-do-deafheaven-e-avassalador-em-todos-os-bons-sentidos\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: \u201cLonely People With Power\u201d, novo disco do Deafheaven, \u00e9 avassalador em todos os bons sentidos"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lage.guilherme66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Guilherme Lage<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Deafheaven foi por muitos anos tachado como uma &#8220;banda de metal para quem n\u00e3o gosta de metal&#8221;. A express\u00e3o chega a beirar o c\u00f4mico levando em considera\u00e7\u00e3o que o quinteto californiano sempre bebeu das \u00e1guas mais turvas do metal extremo desde sua concep\u00e7\u00e3o em 2010. Talvez a mescla com o shoegaze, que ajuda a suavizar a pesada artilharia black metal, d\u00ea a impress\u00e3o de que o grupo tenda a ser menos &#8220;true&#8221; do que o esperado para o g\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fora isso, as letras tamb\u00e9m podem ajudar nessa percep\u00e7\u00e3o, uma vez que nas linhas gritadas se encontram reflex\u00f5es sobre vida e morte, as frustra\u00e7\u00f5es do amor estanque, poesia e sobra pouco espa\u00e7o para mal\u00edcia ou qualquer sentimento mais c\u00ednico geralmente associado ao estilo. E ainda que as resenhas dos sabe tudo da Pitchfork tenham afastado muitos usu\u00e1rios de patches em coletes jeans da banda, o quinteto n\u00e3o \u00e9 nenhum novato quando a controv\u00e9rsia \u00e9 &#8220;o metal tem que ser assim&#8221;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-88662 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/deafheaven2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/deafheaven2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/deafheaven2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais que os detratores dos californianos tenham muita muni\u00e7\u00e3o para atac\u00e1-los, seja qual for a dire\u00e7\u00e3o escolhida pelo grupo, de uma coisa n\u00e3o pode acus\u00e1-los: falta de originalidade. Desde que surgiram em 2011 com \u201cRoads To Judah\u201d, a banda nunca entregou um disco igual. Essa criatividade se mant\u00e9m intacta em \u201c<a href=\"https:\/\/deafheavens.bandcamp.com\/album\/lonely-people-with-power\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lonely People With Power<\/a>\u201d, lan\u00e7ado no \u00faltimo dia 28 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao chegar \u00e0 (inacredit\u00e1vel) marca de seis \u00e1lbuns, a banda se mostra cada vez mais visceral em uma obra avassaladora em todos os bons sentidos. As faixas aqui s\u00e3o longas, mas bem mais curtas do que o habitual \u2013 n\u00e3o h\u00e1 nenhuma m\u00fasica que extrapole os 8 minutos, talvez um legado de seu mais contestado \u00e1lbum, Inifnite Granit (2021), que exp\u00f4s o grupo a uma forma mais doce de fazer m\u00fasica, deixando quase que para tr\u00e1s os urros incessantes do black metal para uma abordagem totalmente post-rock e shoegaze.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daquele \u00e1lbum, no entanto, sobrou pouco para comparar, uma vez que \u201cLonely People With Power\u201d \u00e9, talvez o disco mais pesado do grupo em 15 anos de estrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A abertura &#8220;Incidental I&#8221; \u00e9 et\u00e9rea, um prel\u00fadio que prepara muito pouco o ouvinte para o que vem a seguir. \u201cDoberman\u201d \u00e9 uma apela\u00e7\u00e3o. A princ\u00edpio, a banda parece preparar mais uma pe\u00e7a \u00e9pica de \u201cblackgaze\u201d, cadenciada pelos belos riffs dos guitarristas Kerry McCoy e Shiv Mehra. Apesar do primeiro impacto, no entanto, o que a banda entrega \u00e9 faixa mais aut\u00eantica de post-black metal de toda a carreira. \u00c9 uma evolu\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, sem tentativas demais ou for\u00e7a\u00e7\u00e3o de barra. Visceral por excel\u00eancia e natureza.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Deafheaven - Magnolia (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2h_WVPSoMwU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, a faixa utilizada como primeiro single do disco, &#8220;Magnolia&#8221;, \u00e9 selvagem. Antes de formar o Deafheaven, McCoy e o vocalista George Clarke tiveram uma banda de grindcore e death metal, chamada &#8220;Rise of Caligula&#8221;. Nestaa faixa, os dois parecem resgatar essa veia mais brutal, que evoca, sem medo algum, o desejo de ser agressivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cThe Garden Route\u201d corrige uma injusti\u00e7a hist\u00f3rica da banda com sua pr\u00f3pria m\u00fasica. Em discos passados, o baixo era apenas um coadjuvante, com poucas chances de brilhar entre as faixas. Aqui, o baixista Chris Johnson consegue espa\u00e7o para ser t\u00e3o interessante quanto os riffs fantasmag\u00f3ricos do duo de guitarristas, que permeiam a can\u00e7\u00e3o como uma penumbra em torno dos vocais de Clarke.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHeathen\u201d, o segundo single de trabalho do \u00e1lbum, \u00e9 uma m\u00fasica linda. Aqui aparecem os primeiros vocais limpos do disco, que evocam um sentimento que o quinteto sabe muito bem como causar: a nostalgia. A folga dura pouco, no entanto, com berros que beiram o enlouquecedor absorvendo toda a calmaria logo na chegada do primeiro refr\u00e3o. Os gritos se intercalam com por\u00e7\u00f5es de spoken word para logo depois retornarem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste n\u00famero, o baterista Daniel Tracy d\u00e1 uma verdadeira aula, com uma t\u00e9cnica pouco esperada, que vai do rock alternativo ao quase \u201cjazzy\u201d. \u00c9 art\u00edstico, quase cinematogr\u00e1fico, \u00e9 o que o Deafheaven tem de melhor. O spoken word \u00e9 mantido na introdu\u00e7\u00e3o de \u201cAmethyst\u201d, carregada por um riff melanc\u00f3lico, quase uma caracter\u00edstica de quem n\u00e3o usa afina\u00e7\u00f5es convencionais, a m\u00fasica novamente explode em peso emocional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Incidental II&#8221;, com participa\u00e7\u00e3o de Jae Matthews (Boy Harsher), traz algo que o grupo ainda n\u00e3o havia experimentado, mas que j\u00e1 foi feito por algu\u00e9m antes. A m\u00fasica (parece) ter uma influ\u00eancia bem clara de &#8220;Trumpeting Ecstasy&#8221;, do disco de mesmo nome, de 2017, do quarteto de Maryland Full Of Hell, em parceria com Nicole Dollanganger. Dado a m\u00fatua e p\u00fablica admira\u00e7\u00e3o que as bandas t\u00eam uma pela outra, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil chegar \u00e0 conclus\u00e3o de que a influ\u00eancia seja genu\u00edna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cRevelator\u201d novamente traz riffs bastante influenciados por death metal, sem nenhuma dose de shoegaze para absorver o impacto, antes de se tornar a m\u00fasica mais abertamente black do quinteto. A faixa sacramenta uma opini\u00e3o: \u201cLonely People With Power\u201d traz a melhor performance vocal de Clarke em todo o tempo \u00e0 frente do Deafheaven.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 \u201cBody Behavior\u201d \u00e9 inacredit\u00e1vel. Mais uma vez o baixo aparece com clareza, dando o tom de toda a can\u00e7\u00e3o. Totalmente e at\u00e9 descaradamente inspirada em post-punk, o Defaheaven fez uma m\u00fasica para balan\u00e7ar a cabe\u00e7a e bater o p\u00e9 no ch\u00e3o. Talvez o ponto alto de todo o disco. \u201cIncidental III\u201d \u00e9 outro interl\u00fadio, desta vez com spoken word feita por Paul Banks, um dos maiores her\u00f3is da cena indie 2000s e vocalista do Interpol. A faixa \u00e9 uma boa pausa para preparar o fechamento do disco.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Deafheaven - Winona (Short Film)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4cjJ-b-W_7A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cWinona\u201d e \u201cThe Marvelous Orange Tree\u201d, talvez a banda apare\u00e7a em sua parte mais referencial de todo o disco. \u00d3timas, as duas faixas, no entanto, relembram um pouco o passado. \u201cWinona\u201d, em especial, poderia fazer parte de \u201cSunbather\u201d (2013), quando a banda ainda carregava uma forte influ\u00eancia do Alcest.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em linhas gerais, h\u00e1 algo quase cinematogr\u00e1fico sobre o disco. O Deafheaven consegue mostrar um lado art\u00edstico incrivelmente forte de uma banda que a cada dia soa mais como ela mesma e ningu\u00e9m mais. Em um \u00e1lbum que soa quase como can\u00e7\u00f5es de \u201camor\u201d para o fim do mundo, a banda mostra que h\u00e1 sentimentos dif\u00edceis para lidar na vida e que nada volta, mesmo sob o lindo sol de fim de tarde da Calif\u00f3rnia. Um trabalho que tem tudo para ser o maior da carreira e um dos melhores discos do ano.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Lonely People With Power\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nuiuG2WyfAcLsgpacnRuV5P5o-yqQWyBU\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Guilherme Lage (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lage.guilherme66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fb.com\/lage.guilherme66<\/a>) \u00e9 jornalista e mora em Vila Velha, ES.\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/guilherme-lage\/\">Leia mais textos dele<\/a>!<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em um \u00e1lbum que soa quase como can\u00e7\u00f5es de \u201camor\u201d para o fim do mundo, a banda mostra que h\u00e1 sentimentos dif\u00edceis para lidar na vida.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/04\/14\/critica-lonely-people-with-power-novo-disco-do-deafheaven-e-avassalador-em-todos-os-bons-sentidos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":58,"featured_media":88661,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[6601],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88660"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/58"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88660"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88660\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":89258,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88660\/revisions\/89258"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/88661"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88660"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88660"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88660"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}