{"id":88650,"date":"2025-04-13T11:55:05","date_gmt":"2025-04-13T14:55:05","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=88650"},"modified":"2025-05-06T10:19:05","modified_gmt":"2025-05-06T13:19:05","slug":"esse-voce-precisa-ver-dig-e-um-artefato-do-fim-da-era-dos-rockstars-e-da-musica-como-os-conheciamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/04\/13\/esse-voce-precisa-ver-dig-e-um-artefato-do-fim-da-era-dos-rockstars-e-da-musica-como-os-conheciamos\/","title":{"rendered":"Esse voc\u00ea precisa ver: \u201cDIG!\u201d \u00e9 um artefato do fim da era dos rockstars \u2013 e da m\u00fasica \u2013 como os conhec\u00edamos"},"content":{"rendered":"<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-88652 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dig1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dig1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dig1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a cineasta Ondi Timoner iniciou as filmagens que originariam seu primeiro trabalho, em 1996, sua inten\u00e7\u00e3o era documentar o surgimento do que se anunciava como uma pretensa \u201cnova cena\u201d que se formava ap\u00f3s o estouro da bolha grunge. Centrando foco em duas bandas, The Brian Jonestown Massacre (origin\u00e1ria de S\u00e3o Francisco) e The Dandy Warhols (que iniciaram suas atividades em Portland), a inten\u00e7\u00e3o da diretora era capturar um mundo de possibilidades que, se acreditava ent\u00e3o, abriria portas para grupos que bebiam na fonte revisionista da neo-psicodelia, como era o caso dos dois grupos. Seu document\u00e1rio, al\u00e9m de gerar aten\u00e7\u00e3o e entusiasmo junto aos novos nomes, poderia ser capaz de expor as idiossincrasias de uma ind\u00fastria fonogr\u00e1fica na qual o dinheiro ainda corria solto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A recep\u00e7\u00e3o que o longa, j\u00e1 finalizado e batizado como \u201cDIG!\u201d teve, oito anos e mais de 2500 horas de filmagens depois, foi talvez muito maior do que se esperaria. Ou pelo menos muito diferente: afinal, o mundo j\u00e1 n\u00e3o era mais o mesmo em 2004, quando o doc recebeu um lan\u00e7amento limitado em cinemas dos EUA, e, mais tarde, foi lan\u00e7ado em DVD. Muito longe de servir como testemunho de uma nova onda \u2013 que seria suplantada pelos \u201cneo-garagismos\u201d de Nova York na virada do mil\u00eanio \u2013 \u201cDIG!\u201d terminou alcan\u00e7ando uma reputa\u00e7\u00e3o cult que corroborava a boa recep\u00e7\u00e3o tida em suas exibi\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas. Ao n\u00e3o poupar esfor\u00e7os e apresentar uma narrativa crua, documentada atrav\u00e9s de um longo per\u00edodo, Timoner e seu irm\u00e3o, David, registraram de maneira contundente as trajet\u00f3rias de conjuntos completamente diferentes entre si. E, no processo, detalha de maneira c\u00e2ndida, hil\u00e1ria e chocante tanto a deteriora\u00e7\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o de companheirismo e camaradagem art\u00edstica transformada em competi\u00e7\u00e3o t\u00f3xica, quanto os (muitos) excessos que acompanham a vida de pessoas dispostas a adotar o estilo de vida rockstar que sonham para si (ainda que a realidade esteja muito distante disso).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto os membros do The Dandy Warhols quanto os integrantes do The Brian Jonestown Massacre (e principalmente suas figuras centrais \u2013 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2003\/08\/01\/auto-entrevista-courtney-taylor-taylor-fala-sobre-o-novo-disco-do-dandy-warhols\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o vocalista e guitarrista Courtney Taylor-Taylor<\/a> e o cantor e multiinstrumentista Anton Newcombe) s\u00e3o apresentados como figuras t\u00e3o exc\u00eantricas quanto problem\u00e1ticas, ainda que no primeiro caso a vida na estrada seja mostrada como relativamente menos turbulenta do que a segunda. J\u00e1 no in\u00edcio, o espectador \u00e9 capaz de testemunhar em primeira m\u00e3o o entusiasmo do frontman do Brian Jonestown Massacre ao falar sobre a \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d que, de alguma forma, parece arquitetar: a atitude de Newcombe, a princ\u00edpio, \u00e9 de empolga\u00e7\u00e3o ao visualizar a mudan\u00e7a cultural que pretendia junto aos co-geracionais dos Warhols. Ao mesmo tempo, Taylor-Taylor fala sobre Anton com rever\u00eancia, ainda que se mostre mais reticente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os motivos logo ficam claros; embora a conviv\u00eancia dos Dandy Warhols estivesse longe de ser a mais funcional, o clima em meio aos membros do grupo de Newcombe \u00e9 simplesmente ca\u00f3tica. Em meio a longas e inconclusivas jams usando c\u00edtaras, conceitos mirabolantes para o trabalho que lan\u00e7ariam em seu novo contrato com a TVT Records, brigas hom\u00e9ricas f\u00edsicas e verbais dentro e fora dos palcos (muitas vezes envolvendo o segundo membro central do BJM, o percussionista Joel Gion), e passagens gr\u00e1ficas retratando o consumo de coca\u00edna por parte dos m\u00fasicos \u2013 especialmente do vocalista, gradativamente mais intrat\u00e1vel \u2013 a rela\u00e7\u00e3o entre Anton e seus companheiros \u00e9 como uma bomba rel\u00f3gio sem temporizador, onde a indefini\u00e7\u00e3o do momento da detona\u00e7\u00e3o apenas agrava o clima reinante de desordem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de acertar em centrar o foco dram\u00e1tico nos integrantes do grupo de S\u00e3o Francisco, o filme de Timoner alicer\u00e7a o desenvolvimento da narrativa no sucesso massivo (para os padr\u00f5es independentes) do Dandy Warhols, que assinam com a major Capitol Records e s\u00e3o encarados como uma promessa comercial, ao passo que seus colegas tem shows interrompidos e atividades marcadas por eventuais hiatos e at\u00e9 pris\u00f5es. Isso alimenta em Newcombe o sentimento de competi\u00e7\u00e3o e mesmo de animosidade, o que leva a um distanciamento permanente entre as bandas, mesmo que esta animosidade seja praticamente unilateral: em determinados momentos, tanto Courtney quanto a tecladista Zia McCabe (que se mostra a pessoa mais sensata do grupo na maioria das vezes) demonstram dificuldade em entender a origem e o motivo da repentina inimizade, sedimentada em um deslocamento ideol\u00f3gico que os colocava em um plano mais \u201cmoderno\u201d que os ideais setentistas defendidos por Anton e companhia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-88653 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dig2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dig2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dig2-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um ponto imposs\u00edvel de ignorar ao assistir \u201cDIG!\u201d \u00e9 uma esp\u00e9cie de protagonismo atrelado ao vocalista dos Warhols. Taylor-Taylor funciona, de fato, como um narrador dos acontecimentos, detalhando com franqueza tanto os percal\u00e7os enfrentados por ele mesmo e pelos colegas quanto as atribula\u00e7\u00f5es com as quais Newcombe e companhia se deparam. Pondo em perspectiva, trata-se do \u00fanico membro de quaisquer banda a ser agraciado com este benef\u00edcio (at\u00e9 agora, como falaremos adiante). As participa\u00e7\u00f5es mais, digamos, \u201cconvencionais\u201d em document\u00e1rios partem de executivos e membros de gravadoras, jornalistas, e mesmo f\u00e3s e ouvintes. Embora essencial para a experi\u00eancia de acompanhar o filme, a narra\u00e7\u00e3o de Taylor-Taylor pode ser interpretada como um privil\u00e9gio de parcialidade, quase unidimensional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, o grande trunfo em \u201cDIG!\u201d n\u00e3o poderia ser outro que n\u00e3o o musical. A narrativa abordada pelo document\u00e1rio se inicia justamente em 1996, o ano mais prol\u00edfico da carreira do BJM at\u00e9 ent\u00e3o (no qual o grupo lan\u00e7ou os \u00e1lbuns \u201cTake It From the Man!\u201d, \u201cTheir Satanic Majesty\u2019s Second Request\u201d \u2013 em uma refer\u00eancia expl\u00edcita e irresist\u00edvel aos Rolling Stones \u2013 e \u201cThank God For Mental Illness\u201d, todos pela indie Bomp! Records) e captura o processo de composi\u00e7\u00e3o e registro do vasto e visceral \u201cStrung Out In Heaven\u201d, seu primeiro e \u00fanico a chegar ao p\u00fablico sob a j\u00e1 citada TVT. Em compara\u00e7\u00e3o, o ritmo de trabalho dos Dandy Warhols n\u00e3o chega sequer perto de ser t\u00e3o prol\u00edfico ou ambicioso, mas ganha pontos por sua consist\u00eancia (ou seguran\u00e7a). Ap\u00f3s dois \u00e1lbuns noventistas bons, embora comercialmente inexpressivos, o quarteto \u00e9 exibido finalmente sendo capaz de colher os louros da fama gra\u00e7as ao sucesso de \u201cBohemian Like You\u201d, principal single de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2001\/10\/22\/tres-cds-dandy-warwols-pulp-e-andrew-bird\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Thirteen Tales From Suburban Bohemia<\/a>\u201d (2001), o segundo a ser lan\u00e7ado pela poderosa Capitol. O estilo de vida bo\u00eamio alardeado nos t\u00edtulos do disco e da faixa de trabalho, por\u00e9m, \u00e9 muito mais est\u00e9tico do que essencial; al\u00e9m de servir como um press\u00e1gio do vol\u00e1til apelo pop dos Warhols (que seriam dispensados pela gravadora em 2008), esta constata\u00e7\u00e3o acaba por fazer do antagonismo entre os dois grupos, em suas incompatibilidades art\u00edsticas e pessoais, uma inevitabilidade muito maior do que o acaso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este mesmo acaso terminou fazendo de \u201cDIG!\u201d um fen\u00f4meno maior do que qualquer banda poderia imaginar, com algumas das passagens mais tensas do longa se transformando em momentos ic\u00f4nicos e facilmente referenci\u00e1veis (destaque para muitas das frases proferidas por Newcombe, como \u201cEu nunca fa\u00e7o nada de errado, por isso nunca pe\u00e7o desculpas\u201d, ou \u201cPorra, voc\u00ea quebrou minha c\u00edtara, filho da puta!\u201d; ou o coment\u00e1rio certeiro de uma jornalista que menciona que \u201ca maioria das bandas abusa das drogas depois de serem bem sucedidas, e n\u00e3o antes\u201d). Gera\u00e7\u00f5es inteiras de novas bandas \u2013 muitas das quais iniciaram seus trabalhos apenas ap\u00f3s o lan\u00e7amento do filme, e tamb\u00e9m da solidifica\u00e7\u00e3o dos legados de ambas bandas \u2013 passaram a ver e entender o document\u00e1rio de Timoner como um testemunho de uma antiga realidade em ru\u00ednas, onde a ambi\u00e7\u00e3o e um certo tom de arrog\u00e2ncia deixaram de ser artigos de raridade para serem pr\u00e9-requisitos em um novo mundo mais reativo e cheio de pudores, para o bem, ou para o mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 justamente a reputa\u00e7\u00e3o conquistada pelo filme que justificou seu relan\u00e7amento, j\u00e1 em 2025. Batizada \u201cDIG! XX\u201d, a nova vers\u00e3o n\u00e3o apenas remasteriza as filmagens vistas no longa original, como tamb\u00e9m adiciona cerca de 45 minutos de novos registros de \u00e9poca. Al\u00e9m do conte\u00fado adicional, o novo relan\u00e7amento tamb\u00e9m possui um grande diferencial: al\u00e9m da narra\u00e7\u00e3o original de Taylor-Taylor, o trabalho agora tamb\u00e9m conta com novas faixas de \u00e1udio gravadas por Joel Gion, que procuram aclarar muitas das quest\u00f5es abertas pela vis\u00e3o original de Ondi e seu irm\u00e3o. Se, por um lado, a nova vers\u00e3o realmente expande o universo de caos e combust\u00e3o espont\u00e2nea que rodeava os dois grupos, a quase hora a mais de conte\u00fado arrisca fazer com que a produ\u00e7\u00e3o sucumba justamente \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o do excesso outrora retratado com honestidade e franqueza (a introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 nova vers\u00e3o de \u201cDIG!\u201d em suas exibi\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas nos EUA, ali\u00e1s, vem como cortesia de Dave Grohl, por si s\u00f3 um embaixador do rock menos como uma ideologia e mais como um conceito est\u00e9tico repleto de ditames e limita\u00e7\u00f5es). S\u00f3 mais um motivo para se ater ao material original: excesso, por si s\u00f3, \u00e9 um elemento central na trama e no legado de \u201cDIG!\u201d \u2013 melhor procurar evitar que o mesmo se transformar em sua maior fraqueza.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"DIG! XX - Official UK Trailer\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ye6DtQ7j4FI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a>\u00a0\u00e9 professor, tradutor, m\u00fasico, escritor e estudante de Jornalismo. Leia mais textos dele\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/davi-caro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cDIG! 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