{"id":88607,"date":"2025-04-11T09:46:47","date_gmt":"2025-04-11T12:46:47","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=88607"},"modified":"2025-06-24T14:07:48","modified_gmt":"2025-06-24T17:07:48","slug":"entrevista-a-musica-e-um-local-de-resistencia-diz-pedro-abrunhosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/04\/11\/entrevista-a-musica-e-um-local-de-resistencia-diz-pedro-abrunhosa\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;A m\u00fasica \u00e9 um local de resist\u00eancia nesse mundo&#8221;, diz Pedro Abrunhosa"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leandro.saueia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leandro Saueia<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o Brasil passa ao mundo a imagem de pa\u00eds produtor de m\u00fasica alegre e r\u00edtmica, com Portugal acontece justamente o oposto. Por l\u00e1, \u00e9 a melancolia do fado que permeia a vis\u00e3o global sobre a produ\u00e7\u00e3o musical do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obviamente, essa vis\u00e3o \u00e9 generalista \u2014 e equivocada. Assim como tivemos in\u00fameros artistas brasileiros que se colocaram em oposi\u00e7\u00e3o a essa \u201cditadura da alegria\u201d, no Al\u00e9m-Mar Pedro Abrunhosa fincou sua bandeira na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria. O cantor e compositor incorporou o funk (o americano, como ele gosta de frisar) ao seu som e o sexo, de maneira mais direta e natural, \u00e0s suas letras \u2014 revolucionando o pop portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cViagens\u201d (1994), seu disco de estreia, foi lan\u00e7ado quando ele j\u00e1 tinha 33 anos e um passado no mundo do jazz. A guinada para o pop foi mais do que bem-sucedida. O \u00e1lbum tornou-se um fen\u00f4meno de vendas e abriu caminho para uma carreira que segue surpreendendo \u2014 o belo \u201cEspiritual\u201d, seu trabalho de in\u00e9ditas mais recente, de 2018, que o diga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abrunhosa n\u00e3o \u00e9 um sucesso de p\u00fablico no Brasil, mas pode-se dizer que o m\u00fasico nascido no Porto \u00e9 um \u201cautor dos autores\u201d. Lenine, Ney Matogrosso, Z\u00e9lia Duncan, Elba Ramalho, Chico C\u00e9sar, Ivete Sangalo e Maria Beth\u00e2nia est\u00e3o entre os artistas que j\u00e1 dividiram o palco com ele e gravaram m\u00fasicas suas, ou ao seu lado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa a seguir, feita via Zoom pouco antes de ele se apresentar em sua cidade natal, o cantor falou sobre esses concertos e da sua rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica brasileira. Ele ainda deu dicas para ajudar os ne\u00f3fitos a conhecerem melhor o pop portugu\u00eas \u2014 e comentou o que achou de ver \u201cViagens\u201d ser eleito pela conceituada revista Blitz <a href=\"https:\/\/expresso.pt\/blitz\/2024-11-15-viagens-de-pedro-abrunhosa-eleito-o-melhor-disco-da-musica-portuguesa-dos-ultimos-40-anos-por-juri-da-blitz-com-170-personalidades-e1514a9e\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o melhor \u00e1lbum feito na Terrinha<\/a> nos \u00faltimos 40 anos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pedro Abrunhosa - Tempestade (com Carolina Deslandes)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lPkQAwm476Y?list=PLXZnGJpQhiWdmV0aOPpGMxjr29fM5gncm\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos come\u00e7ar pela turn\u00ea brasileira. Ao contr\u00e1rio do que acontece em Portugal, aqui voc\u00ea vai encontrar um p\u00fablico menos familiarizado com a sua obra.<\/strong><br \/>\nBom, de fato eu j\u00e1 estive no Brasil v\u00e1rias vezes. Sobretudo em S\u00e3o Paulo, Rio, Porto Alegre e Curitiba. Estive na Bahia tamb\u00e9m. Mas j\u00e1 faz algum tempo. E \u00e9 natural. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds com muita m\u00fasica e n\u00e3o precisa da m\u00fasica dos outros pa\u00edses. E isso se entende bem. O Brasil colocou a l\u00edngua portuguesa no mapa da m\u00fasica internacional, de uma forma bastante mais eficaz at\u00e9 do que muitos dos autores portugueses. Isto na d\u00e9cada de 1940, 1950. J\u00e1 para n\u00e3o falar do Noel Rosa l\u00e1 para tr\u00e1s. Portanto, essa imensid\u00e3o musical que o Brasil \u00e9, de vez em quando recebe a m\u00fasica portuguesa. E quando recebe, eu noto que h\u00e1 sobretudo uma incid\u00eancia do Brasil sobre as letras. As minhas letras t\u00eam tido bastante impacto, algumas delas, no Brasil. E eu creio que essa \u00e9 uma das raz\u00f5es pelas quais eu regresso com frequ\u00eancia ao pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao longo desse tempo, voc\u00ea colaborou com muitos artistas daqui. Gente como Z\u00e9lia Duncan e Lenine. Justamente um pessoal que estava modernizando a m\u00fasica brasileira do mesmo jeito que voc\u00ea estava fazendo em Portugal<\/strong><br \/>\nExato. Eu comecei a receber convites do Brasil logo em 1994, para ceder m\u00fasicas minhas para o repert\u00f3rio (de outros artistas). Um dos primeiros pedidos foi de Sandra de S\u00e1. Logo depois eu fui fazer show a\u00ed com a Fernanda Abreu e com a Elba Ramalho. Eu fiz uma pequena turn\u00ea pelo Brasil e correu muito bem. E de repente eu comecei a receber tamb\u00e9m pedidos para utilizarem as minhas m\u00fasicas. Uma vez mais, sobretudo por causa das letras, por parte da Maria Beth\u00e2nia, que gravou v\u00e1rias m\u00fasicas minhas. E conheci o Lenine. Na \u00e9poca conheci bastante gente. O Chico C\u00e9sar, o Paulinho Mosca&#8230; e com o Lenine criei uma liga\u00e7\u00e3o muito interessante. E convidei Lenine para um dueto. Gravamos \u201cDiabo no Corpo\u201d. J\u00e1 faz um tempo tamb\u00e9m (a m\u00fasica saiu em 2002). E a\u00ed ele veio fazer show comigo. E n\u00f3s j\u00e1 fizemos v\u00e1rias vezes. Temos uma grande afinidade musical. O Lenine tem a sua m\u00fasica enraizada na grande m\u00fasica negra. A sua rela\u00e7\u00e3o com o mangue \u00e9&#8230; seminal. H\u00e1 coisas que ele vai buscar muito, onde eu tamb\u00e9m vou buscar, no funk americano. Aquela capacidade r\u00edtmica do Lenine \u00e9 uma coisa devastadora. \u00c9 impressionante. E temos tamb\u00e9m uma apet\u00eancia grande pela literatura e pelos grandes temas da escrita. \u00c9 isso que que nos une. A Z\u00e9lia Duncan tamb\u00e9m. A seguir, vem numa fase em que eu gravo com ela. E mais recentemente, no \u00faltimo disco, gravei com o Ney Matogrosso. Portanto, h\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o minha muito interessante com a m\u00fasica brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 interessante, porque assim como voc\u00ea, o Lenine s\u00f3 se encontrou musicalmente depois de uma certa idade.<\/strong><br \/>\nSabe, quando se chega \u00e0 m\u00fasica pop com 33 anos, voc\u00ea j\u00e1 \u00e9 velho (risos). Agora, o que tem de interessante, e \u00e9 isso que acho que \u00e9 comum com o Lenine, \u00e9 a dimens\u00e3o, \u00e9 que no pop talvez voc\u00ea seja velho, mas na narrativa, na profundidade, na incisividade de alguns termos tamb\u00e9m, e numa certa maestria do palco, \u00e9 uma idade em que j\u00e1 se \u00e9 maduro para estar em cima do palco e que j\u00e1 se mostra essa maturidade de uma outra forma. E, portanto, n\u00e3o estamos na atividade pelo sup\u00e9rfluo, n\u00f3s estamos na atividade pelo fundamental. E o Lenine \u00e9, para mim, um dos grandes exemplos dessa mudan\u00e7a da MPB, de uma transi\u00e7\u00e3o de uma MPB que \u00e9 trazida por grandes nomes, mas h\u00e1 um artista como o Lenine, que projeta a MPB para o futuro&#8230; Portanto, \u00e9 a qualidade que faz com que, quer eu ou quer o Lenine, ao fim destes anos todos, creio eu, continuemos aqui.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pedro Abrunhosa, Os Bandem\u00f3nio - Diabo No Corpo\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dXX6FOmDB4k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A gera\u00e7\u00e3o do rock brasileiro dos anos 90 se diferenciou daquela da d\u00e9cada de 80 por incorporar refer\u00eancias regionais na sua m\u00fasica. Quando voc\u00ea vem com o \u201cViagens\u201d, vi que ele causou um estranhamento ali de come\u00e7o, porque tamb\u00e9m era uma proposta diferente em rela\u00e7\u00e3o ao que estava acontecendo no cen\u00e1rio portugu\u00eas. Foi isso mesmo?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um pouco isso. A m\u00fasica pop portuguesa sempre se afastou um pouco de uma certa dire\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica, pr\u00e1tica, \u00e0s vezes agressiva, que o rock tem. O rock \u00e9, sobretudo, uma can\u00e7\u00e3o de capacidade disruptiva e pol\u00edtica tamb\u00e9m. Eu me lembro do movimento punk (buscando) centrar o rock em um g\u00e9nero de uma certa rebeldia em rela\u00e7\u00e3o ao marasmo. O rock n\u00e3o \u00e9 m\u00fasica ambiente. O rock n\u00e3o \u00e9 m\u00fasica de sal\u00e3o. \u00c9 outra coisa. O rock portugu\u00eas n\u00e3o falava de coisas fundamentais como o sexo, e se falasse, era de uma maneira educada, digamos assim. E na realidade (\u00e9 algo que) faz parte da vida de n\u00f3s todos. E a pr\u00f3pria dureza pol\u00edtica tamb\u00e9m faz parte das vidas de n\u00f3s todos. E \u00e9 nesse sentido que trazer para o universo do rock a sonoridade. Uma sonoridade mais dura, mais pr\u00e1tica, mais&#8230; Sobretudo dan\u00e7ante. Muito dan\u00e7ante. A minha m\u00fasica \u00e9, na origem, muito dan\u00e7ante, tem muito balan\u00e7o. Muito daquilo que falei h\u00e1 pouco da m\u00fasica negra. Eu venho do jazz, venho do funk, com James Brown e com o Prince. E essa alegria era o que faltava. Esse direcionamento era o que faltava. Apesar de haver rock muito bom em Portugal, n\u00e3o havia um certo m\u00fasculo na m\u00fasica. E eu creio que \u00e9 a tem\u00e1tica, por um lado e, por outro, o som (que fizeram o \u00e1lbum se destacar). E o Lenine faz o mesmo: essa jun\u00e7\u00e3o dos elementos el\u00e9tricos, das guitarras el\u00e9tricas, mas com a batida, com essa for\u00e7a da batida, isso fez a diferen\u00e7a toda. Quer no meu caso, quer no dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por outro lado, seu disco mais recente, \u201cEspiritual\u201d (2018) \u00e9 um disco acima de tudo de cantor-compositor. Enquanto ouvia eu pensei no <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/11\/um-breve-olhar-sobre-a-discografia-de-leonard-cohen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonard Cohen<\/a>.<\/strong><br \/>\nSim, sim, sim. Eu entendo e estou muito de acordo, \u00e9 isso que voc\u00ea disse. A mim interessa me aprofundar a capacidade do songwriter, do escritor de can\u00e7\u00f5es. E isso l\u00e1 est\u00e1, era isso que eu te falava. A escrita s\u00f3 melhora com a idade. Voc\u00ea vai ver o Manuel Bandeira e no final da vida ele escreve de uma forma ainda mais forte. O Drummond escreve de uma maneira mais poderosa e o Chico, que agora escreve menos m\u00fasica e est\u00e1 mais romanceando, porque \u00e9 natural, porque h\u00e1 uma necessidade maior da escrita. E a minha escrita, ela est\u00e1, naturalmente, muito influenciada pela escrita do Cohen, claro, e a do Tom Waits tamb\u00e9m. Por qu\u00ea? Porque n\u00f3s somos bar\u00edtonos. Eu sou bar\u00edtono e n\u00e3o d\u00e1 para ficar l\u00e1 em cima da banda. Voc\u00ea tem a banda que est\u00e1 aqui, (aponta para uma altura mediana) e aqui tem o vocalista (um degrau acima). O bar\u00edtono est\u00e1 por baixo, e, portanto, tem que haver uma escrita pr\u00f3pria para isso. \u00c9 uma escrita de storytelling, de contar uma hist\u00f3ria. E \u00e9 isso, por exemplo, que est\u00e1 na base da \u201cBalada de Gisberta\u201d, (composi\u00e7\u00e3o de Pedro gravada por Maria Beth\u00e2nia) que eu escrevi h\u00e1 18 anos, ou mais. E eu entendo que a minha mais-valia \u00e9, de fato, a escrita. E, como sou bar\u00edtono, eu tenho que p\u00f4r a escrita por baixo, mas depois ela tem que virar por cima e, ent\u00e3o, p\u00f4r a banda ao servi\u00e7o do texto. \u00c9 isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao vivo como a coisa funciona? Como voc\u00ea dosa o material antigo, mais dan\u00e7ante, com essas can\u00e7\u00f5es introspectivas?<\/strong><br \/>\nVoc\u00eas t\u00eam uma express\u00e3o que eu gosto muito, que \u00e9 pauleira. O show tem um lado pauleira, porque eu gosto da festa, gosto da dan\u00e7a, do beat. Mas depois tem esse lado po\u00e9tico. Mas se voc\u00ea for ver, a trag\u00e9dia grega \u00e9 a mesma coisa. Voc\u00ea exp\u00f5e o que vai acontecer e a\u00ed o pessoal fica esperando. De repente acontece a bagun\u00e7a, e logo depois tem o ep\u00edlogo. Portanto, esse contraste entre festa e interioridade \u00e9 algo dos meus shows, que s\u00e3o fortes e muito po\u00e9ticos. No Brasil eu n\u00e3o vou levar a banda toda, vou levar parte da banda e vamos fazer um espet\u00e1culo que est\u00e1 muito equilibrado entre a festa e essa tal interioridade. N\u00f3s estamos vivendo (um tempo) em que \u00e9 preciso refletir e pensar. E a m\u00fasica \u00e9 um local de resist\u00eancia nesse mundo em que estamos todos virando utilitaristas e instrumentos de poder. A literatura, a m\u00fasica, toda a arte, \u00e9 uma forma de resistir e de contrariar esse ciclo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Viagens\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_lJOzq6zIsB2QLj5Iy8tiyn03ecDEYLXqc\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cViagens\u201d, seu primeiro disco, foi eleito pela revista Blitz o melhor \u00e1lbum portugu\u00eas dos \u00faltimos 40 anos. Voc\u00ea concordou com resultado? (risos)<\/strong><br \/>\nEsta express\u00e3o, melhor, \u00e9 sempre&#8230; complicada. Porque, se calhar, \u00e9 o disco mais consent\u00e2neo com o seu tempo. Ele transmite muito do seu pr\u00f3prio tempo e faz outra coisa: abre portas para o futuro. Nesse sentido, a arte \u00e9 sempre um compromisso entre o que est\u00e1 feito e o que falta fazer. E esse disco conseguiu isso. O \u201cViagens\u201d \u00e9 um disco que retrata sociologicamente o mundo, o meu pa\u00eds e simultaneamente, consegue tocar a popula\u00e7\u00e3o portuguesa de igual maneira. Portanto, \u00e9 um disco que fratura, que rompe, que ousa. Ele \u00e9 diferente e rompe com aquela coisa do fado, da mulher de bigode chorando (risos), o marinheiro que n\u00e3o volta, ele j\u00e1 n\u00e3o tem isso. E que, simultaneamente, ganha o respeito dos portugueses. Portanto, consegue as duas coisas. Tradi\u00e7\u00e3o com o futuro. H\u00e1 momentos, h\u00e1 obras que, de repente, capturam o zeitgeist, esse momento do tempo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-88611 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/pedro2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"938\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/pedro2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/pedro2-240x300.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aproveitando o assunto, que discos ou artistas <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">do pop portugu\u00eas<\/a> voc\u00ea recomendaria para um brasileiro que quer entrar nesse universo?<\/strong><br \/>\nEu sempre gostei muito dos <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/07\/20\/roque-da-casa-09-herois-do-mar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Her\u00f3is do Mar<\/a>. \u00c9 um grupo j\u00e1 antigo e com muita atitude. Gosto de quem acrescenta algo. E, no fundo, a arte \u00e9 isso, \u00e9 acrescentar, n\u00e3o \u00e9 fazer o que est\u00e1 feito. A\u00ed voc\u00ea tem os escritores de can\u00e7\u00f5es, como o Jorge Palma. Os <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/06\/18\/roque-da-casa-07-ornatos-violeta\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ornatos Violeta<\/a>, l\u00e1 atr\u00e1s, tamb\u00e9m. Eles n\u00e3o t\u00eam muitos discos, mas \u00e9 fundamental ouvi-los. Tem um grupo j\u00e1 veterano, que eu acho que \u00e9 o melhor grupo de rock portugu\u00eas, que \u00e9 o M\u00e3o Morta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eles s\u00e3o cultuados aqui por f\u00e3s de p\u00f3s-punk.<\/strong><br \/>\nE depois h\u00e1 uma s\u00e9rie de cantoras novas. A Carolina Deslandes, por exemplo. H\u00e1 uma garota muito nova chamada Milhanas. Vale a pena ouvir o trabalho dela. H\u00e1 muitas mulheres entrando com muita for\u00e7a, com boa escrita e boa m\u00fasica. A m\u00fasica portuguesa tem coisas muito interessantes agora para ouvir.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pedro Abrunhosa &amp; Comit\u00e9 Caviar com Orquestra Cl\u00e1ssica do Sul - Ao vivo no Porto\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9N74y5I3LGY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Concerto de apresenta\u00e7\u00e3o de &#039;Espiritual&#039; - 18.12.2018\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GuK7jTm37Qw?list=PLXZnGJpQhiWeaRHcr5_FN2-bmJ7SGjwUk\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pedro Abrunhosa &amp; Orquestra Sinf\u00f3nica Casa da M\u00fasica - &quot;Ilumina-me&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HCgbwJbIjrk?list=PLXZnGJpQhiWeWLOQkkNgozdXfPnmsZwQO\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>&#8211; <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leandro.saueia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leandro Saueia<\/a> \u00e9 jornalista e voltou a ser freelance ap\u00f3s muito tempo trabalhando em um emprego fixo. Esta entrevista \u00e9 o primeiro texto publicado do resto de sua vida.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;N\u00f3s estamos vivendo (um tempo) em que \u00e9 preciso refletir e pensar. 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