{"id":88505,"date":"2025-04-07T10:18:02","date_gmt":"2025-04-07T13:18:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=88505"},"modified":"2025-06-18T00:18:21","modified_gmt":"2025-06-18T03:18:21","slug":"entrevista-com-os-pes-nos-anos-2000-supervao-filosofa-sobre-nostalgia-e-avisa-o-indie-esta-vivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/04\/07\/entrevista-com-os-pes-nos-anos-2000-supervao-filosofa-sobre-nostalgia-e-avisa-o-indie-esta-vivo\/","title":{"rendered":"Entrevista: Com os p\u00e9s nos anos 2000, Superv\u00e3o filosofa sobre nostalgia e avisa que \u201co indie est\u00e1 vivo\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Saem o mullet, o bigodinho ir\u00f4nico e o Launchpad eletr\u00f4nico; entram em cena os All Stars, as camisetas brancas b\u00e1sicas e as guitarras \u00e0 la Strokes. Essa seria uma forma r\u00e1pida de descrever a transforma\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/supervao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Superv\u00e3o<\/a> entre \u201cFaz Party\u201d, o disco de estreia lan\u00e7ado em 2019, e o recente \u201c<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/AVGN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Amores e V\u00edcios da Gera\u00e7\u00e3o Nostalgia<\/a>\u201d, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/02\/02\/melhores-de-2024-scream-yell-lucio-ribeiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">favorito do jornalista L\u00facio Ribeiro<\/a> no ano passado. Com mais de dez anos na estrada, a banda de S\u00e3o Leopoldo chegou ao segundo \u00e1lbum no final de 2024 e tem arrancado elogios por onde passa com um show en\u00e9rgico, divertido e dan\u00e7ante, como uma boa pista de balada roqueira nos j\u00e1 distantes anos 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o tem coisa que eu quero fazer mais da minha vida do que tocar. Ensaiar eu at\u00e9 gosto, mas p\u00f4, tocar ao vivo? Gosto de ver todo mundo louco, gosto quando vira um acontecimento\u201d, diz M\u00e1rio Arruda, vocalista, guitarrista e um dos dois membros fundadores da Superv\u00e3o, que se transformou de duo em quarteto nos \u00faltimos tempos. Agora, al\u00e9m dele e de Leonardo Serafini (guitarra e voz), a banda conta tamb\u00e9m com Ol\u00edmpio Machado (baixo) e Rafaela Both (bateria). Antes de crescer, por\u00e9m, a Superv\u00e3o quase acabou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cChegamos a fazer 10 anos de banda sem nunca ter parado, mas no final de 2023 a gente resolveu dar um tempo pela primeira vez. Quando a gente foi se reencontrar, a gente queria acabar com a banda\u201d, comenta Serafini. \u201cNa \u00e9poca, eu percebi que estava tentando fazer um hit \u2013 e \u00e9 chato tentar fazer m\u00fasica pro pessoal gostar. Olhei no espelho e estava de mullet e bigodinho, meio trapzinho indie. Foi a\u00ed que eu entendi que a gente tinha de parar\u201d, explica Arruda. O que salvou a banda foi uma daquelas cenas de filme: antes de se despedir de Leonardo, o vocalista mostrou uma nova m\u00fasica, feita na guitarra. E a partir dali, os dois redescobriram a paix\u00e3o de tocar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFoi um reencontro nosso mesmo, de tocar e encontrar a can\u00e7\u00e3o, encontrar o rock, as guitarras de novo, botando de lado os computadores e os softwares\u201d, diz Serafini, que teoriza a respeito do nome do disco lan\u00e7ado no ano passado. \u201cQuando veio o nome do disco na cabe\u00e7a, a gente n\u00e3o sabia o que queria dizer, mas parecia que queria dizer alguma coisa (risos). Mas eu diria que essa \u00e9 a nostalgia do \u00e1lbum: o reencontro com o nosso passado.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista a seguir, Serafini e Arruda contam mais sobre os bastidores da composi\u00e7\u00e3o e da grava\u00e7\u00e3o de \u201c<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/AVGN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Amores e V\u00edcios da Gera\u00e7\u00e3o Nostalgia<\/a>\u201d, um disco que remete n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 fase heroica de bandas como os j\u00e1 citados Strokes e Arctic Monkeys, mas tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/03\/20\/ao-vivo-superguidis-encerra-silencio-com-show-de-duas-horas-e-30-musicas-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Superguidis<\/a> \u2013 Andrio Maquenzi, vocalista do grupo ga\u00facho, aparece inclusive em \u201cCabelo\u201d. \u201cPara mim, a Superguidis \u00e9 a banda mais massa de todas\u201d, confessa o vocalista. Ele tamb\u00e9m fala sobre a produ\u00e7\u00e3o do disco, cunhada para n\u00e3o ser apenas mero decalque dos anos 2000. \u201cAcredito que por mais que tu tente copiar uma coisa, ela nunca vai ficar igual. &#8216;Noia York&#8217; por exemplo, \u00e9 muito parecida com &#8216;Fake Tales of San Francisco&#8217;, mas n\u00e3o tem essa: a gente entrou num fluxo e o desejo levou a gente para outro lugar\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grupo conta ainda como est\u00e1 sendo a chegada dos novos integrantes, faz planos para o futuro e elogia o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/circuitonovamusica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Circuito Nova M\u00fasica<\/a>, festival itinerante organizado pela Mais Um Hits e por L\u00facio Ribeiro pelo Estado de S\u00e3o Paulo no m\u00eas de janeiro. \u201cMinha \u00fanica dor no cora\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/02\/20\/tres-shows-ou-mais-circuito-nova-musica-papangu-pullovers\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00e9 que eu j\u00e1 toquei nele<\/a> \u2013 e para tocar de novo tem que fazer outra banda\u201d, diz Arruda, que tamb\u00e9m manda not\u00edcias de Porto Alegre p\u00f3s-enchente. \u201cComo cena, estamos no melhor momento, mas a infraestrutura est\u00e1 no pior momento\u201d, diz ele. Se depender da Superv\u00e3o, por\u00e9m, a cena vai continuar quente: \u201cO rock eu n\u00e3o sei [se acabou], mas o indie est\u00e1 vivo!\u201d, defende Serafini.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Love e V\u00edcio Em Sunshine\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/G6cj7O8e9TA?list=OLAK5uy_mcIs8DPVazUfPF-1A3PaWHUoD3JTnXXGo\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A primeira coisa que se ouve no \u201cFaz Party\u201d, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/07\/26\/entrevista-supervao-lanca-faz-party-um-disco-sobre-coragem\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o primeiro disco da Superv\u00e3o<\/a>, \u00e9 uma percuss\u00e3o de samba, bem brasileira. Cinco anos depois, quem der o play no \u201cAmores e V\u00edcios da Gera\u00e7\u00e3o Nostalgia\u201d vai ouvir uma guitarra bem anos 2000. Onde \u00e9 que foi parar aquela banda de 2019? O que aconteceu entre um disco e outro?<\/strong><br \/>\nLeonardo: Vivemos um processo longo nesses cinco anos \u2013 e se voc\u00ea for ouvir as m\u00fasicas que a gente lan\u00e7ou entre um disco e outro, tem mais outras \u201cbandas\u201d que foram testadas. O \u201cFaz Party\u201d surgiu de um momento muito espec\u00edfico, que veio de um selo que n\u00f3s t\u00ednhamos chamado Lezma Records. Era um selo que fazia muitas festas misturando pista e shows. Aos poucos, come\u00e7amos a ter cada vez mais DJs nas festas, mais m\u00fasica eletr\u00f4nica, mais foco em dan\u00e7a \u2013 e os shows da banda foram ficando mais eletr\u00f4nicos. E o que acontece depois? Veio a pandemia \u2013 e na pandemia a gente caiu de vez numa distopia musical. Lan\u00e7amos um EP chamado \u201cDepois do Fim do Mundo\u201d totalmente eletr\u00f4nico, feito sem a gente se encontrar. A gente [Leonardo e M\u00e1rio] nem se falava direito, s\u00f3 ficava trocando ideias musicais. Chegamos a fazer 10 anos de banda sem nunca ter parado, mas no final de 2023 a gente resolveu dar um tempo pela primeira vez. Eu e o M\u00e1rio cansamos, chegamos num momento de querer respirar, tirar f\u00e9rias. Ficamos uns dois meses sem nos falar. Fui viajar, o M\u00e1rio tinha acabado o doutorado\u2026 e quando a gente foi se reencontrar, a gente queria acabar com a banda. \u201cDeu, n\u00e9?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: \u00c9 aquele neg\u00f3cio: voc\u00ea vai fazendo a banda, algo despretensioso, e a\u00ed a vida come\u00e7a a apertar. Cara, eu quero fazer m\u00fasica para sempre \u2013 mas como \u00e9 que faz para fazer m\u00fasica para sempre? Percebi que estava tentando fazer uma m\u00fasica que pudesse estourar, tentando fazer um hit\u2026 e \u00e9 chato tentar fazer m\u00fasica pro pessoal gostar. Comecei a questionar o que eu estava fazendo. Lembro que foi uma fase meio R&amp;B, meio trapzinho indie. Lembro de olhar no espelho e ver a minha imagem: eu estava de mullet e bigodinho, com umas roupas que n\u00e3o eram da minha raiz. Foi a\u00ed que entendi que a gente tinha que parar, que eu estava me envergonhando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que tem dispon\u00edvel para ouvir dessa fase que voc\u00ea diria pra ningu\u00e9m ouvir?<\/strong><br \/>\nM\u00e1rio: P\u00f4, o que tinha de m\u00fasica solo eu tirei do ar. Acho que as ruins da Superv\u00e3o a gente tirou tamb\u00e9m, mas deixamos no ar o que \u00e9 bom. Tem \u201cSad Boy\u201d, que \u00e9 uma m\u00fasica que acho legal, e outra que chama \u201cMelhor Momento\u201d. As que a gente n\u00e3o gostava a gente tirou. \u201cMelhor Momento\u201d \u00e9 muito boa, s\u00e9rio. Mas no clipe eu t\u00f4 total transtornado, de mullet e bigodinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo: P\u00f4, mas essa parte \u00e9 boa. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: \u00c9 efeito da loucura da pandemia. Mas tamb\u00e9m \u00e9 efeito disso, de tentar fazer uma m\u00fasica para ser mais abrangente. E eu enjoei. Chegou uma hora que pensei que n\u00e3o tinha mais nada para fazer. Acho at\u00e9 que o Leo estava at\u00e9 mais enjoado do que eu. Foi bem certinho: a gente se juntou e falou que j\u00e1 era. \u201c\u00c9, vamos parar, n\u00e3o tem como\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Superv\u00e3o - Melhor Momento\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/89IslJmgnBQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas a\u00ed\u2026 voc\u00eas n\u00e3o pararam.<\/strong><br \/>\nM\u00e1rio: A gente j\u00e1 estava quase se despedindo, da\u00ed eu virei pro Leo e mostrei uma guia de uma m\u00fasica. Era a primeira vers\u00e3o de \u201cCabelo\u201d. Ele virou e falou:\u201d bah, essa ficou boa, hein?\u201d. Eu: \u201cN\u00e3o quer gravar uma guitarra ent\u00e3o?\u201d. Resolvemos gravar, ficamos umas tr\u00eas horas tocando, s\u00f3 na fun\u00e7\u00e3o mesmo. E a\u00ed voltamos na outra semana, e depois de duas semanas come\u00e7amos a nos ver de novo para gravar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo: Come\u00e7ou tudo de novo, n\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: E de novo a gente s\u00f3 ficava trabalhando nas m\u00fasicas, falava do que a gente estava ouvindo e ficava tocando. E eu estava ouvindo indie de novo. Mas cara, esse neg\u00f3cio de ficar s\u00f3 tocando\u2026 Lembro que na \u00e9poca minha guitarra ainda estava toda fodida. Levei no luthier e quando ela voltou, pensei: \u201cMeu Deus, como \u00e9 bom tocar uma guitarra\u201d. T\u00e1 ligado? Pegar uma guitarra \u00e9 um neg\u00f3cio muito f\u00e1cil de tocar \u2013 e eu estava desacostumado. Nunca fui de ter instrumento bom, e com esse lance de tocar eletr\u00f4nico, tudo vivia dando problema. Papo reto, cara: eu tinha um Launchpad, era legal de usar, mas ele sempre dava problema no USB. Sempre fui de tacar o terror nos shows, mas quando ia apertar o neg\u00f3cio eu tinha que ficar calminho. Eu tinha que ser duas pessoas no palco. E quando voltei a tocar guitarra foi do caralho. \u201cP\u00f4, d\u00e1 para tocar forte na guitarra e ela n\u00e3o estraga!\u201d. Isso foi melhorando a vida, deu mais alegria. Era menos problema, menos burocracia, menos pretens\u00e3o. Foi total sem pensar, foi s\u00f3 o prazer de tocar, deixando a m\u00fasica falar \u2013 e acho que ela falou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo: Foi um reencontro nosso mesmo, de tocar e encontrar a can\u00e7\u00e3o, encontrar o rock, as guitarras de novo, botando de lado os computadores e os softwares. Essa \u00e9 a nostalgia do \u00e1lbum: esse reencontro com o nosso passado. Foi assim que a gente se conheceu e come\u00e7ou a tocar, com essas influ\u00eancias. Foi isso que aconteceu.]<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Superv\u00e3o - Cabelo @ Bar Alto, S\u00e3o Paulo - 23\/01\/2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DDQS42uyKuI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nessa \u00e9poca voc\u00eas estavam apenas em duas pessoas. Como foi que voc\u00eas perceberam que precisavam de mais gente na banda?<\/strong><br \/>\nLeonardo: Na \u00e9poca do \u201cFaz Party\u201d, n\u00f3s chegamos at\u00e9 a ter um baixista [Ricardo Giacomoni], mas foi outra perda que tivemos na pandemia. Chegamos a fazer uns shows apenas com n\u00f3s dois no palco, e come\u00e7amos a achar pesado. Tinha que usar muita programa\u00e7\u00e3o. E a\u00ed quando come\u00e7amos a pensar no \u201cAVGN\u201d (\u201cAmores e V\u00edcios da Gera\u00e7\u00e3o Nostalgia\u201d), as baterias foram pensadas para formato de banda. Por mais que elas tenham sido programadas, a gente pensou em programar as baterias como se fosse um humano tocando. \u00c9 engra\u00e7ado, porque antigamente a gente fazia o contr\u00e1rio. E a est\u00e9tica do \u00e1lbum remete a isso: ser algo mais org\u00e2nico, mais cru, buscando n\u00e3o a perfei\u00e7\u00e3o, mas o humano. O disco passa por esse sentimento de que \u00e0s vezes n\u00e3o d\u00e1 certo, mas que \u00e9 importante estar l\u00e1, carregando a banda, dividindo sentimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 importante falar: que nostalgia \u00e9 essa? Quantos anos voc\u00eas t\u00eam?<\/strong><br \/>\nLeonardo: A gente \u00e9 cria dos anos 2000. Temos 35 agora, mas a nossa efervesc\u00eancia est\u00e1 ali nos anos 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A pandemia foi uma \u00e9poca nost\u00e1lgica. Foi o momento em que o millennial descobre que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o jovem. Por outro lado, quem ouve o disco n\u00e3o sabe se voc\u00eas t\u00eam 25 ou 35 \u2013 e esse deslocamento pode acabar mudando a experi\u00eancia de quem ouve o disco.<\/strong><br \/>\nLeonardo: Pode rolar. Acho at\u00e9 que \u00e9 uma inten\u00e7\u00e3o deixar meio em aberto. Que gera\u00e7\u00e3o \u00e9 essa? Que nostalgia \u00e9 essa? Pessoalmente, para mim \u00e9 a nostalgia do reencontro com o fazer, de me sentir mais emocionado com a m\u00fasica. Pegando o gancho da idade, preciso dizer que sempre fui uma pessoa contra a nostalgia. Mas, com o passar do tempo, os traumas que a gente vai vivendo, voc\u00ea come\u00e7a a perder o senso das coisas que te fizeram come\u00e7ar. \u00c9 pandemia, \u00e9 guerra, o capitalismo selvagem que est\u00e1 cada vez pior. Parece que tudo faz com que a gente tenha de recorrer a alguma coisa para ter uma seguran\u00e7a. Com a idade, a gente come\u00e7a a se sentir nost\u00e1lgico. N\u00e3o \u00e9 uma nostalgia careta ou purista, de pensar que no meu tempo era melhor, mas uma nostalgia desse reencontro, fazendo as pazes com o que a gente \u00e9. Quando veio o nome do disco na cabe\u00e7a, a gente n\u00e3o sabia o que queria dizer, mas parecia que queria dizer alguma coisa (risos). E toda vez que a gente falava para algu\u00e9m, a pessoa dizia que fazia sentido \u2013 mas perguntava qual era a nostalgia. Era a nostalgia do indie rock? Da gera\u00e7\u00e3o de voc\u00eas? E n\u00e3o tem resposta. E tem outra coisa tamb\u00e9m: a gente come\u00e7ou a ver uma galera mais nova aqui em Porto Alegre se interessando pelo indie, pelo rock, mas que n\u00e3o entendia como fazer festa com rock. A gente achou estranho, porque nos anos 2000 as festas todas eram de indie rock e eram uma loucura. Por outro lado, entendo: a galera mais jovem viveu a volta do dream pop, da psicodelia, as pessoas ficam paradas vendo os shows, ent\u00e3o o disco tamb\u00e9m quis fazer uma tentativa. \u201cAh, voc\u00eas acham que n\u00e3o d\u00e1 para curtir uma festa de rock? D\u00e1 sim, vamo l\u00e1\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m de tocar, voc\u00eas produziam festas. Imagino que a m\u00fasica n\u00e3o seja a \u00fanica profiss\u00e3o de voc\u00eas, mas voc\u00eas parecem ter desenvolvido uma rela\u00e7\u00e3o profissional com a m\u00fasica. \u00c9 algo que pode levar a uma perda do encanto pela arte. Como \u00e9 recuperar essa paix\u00e3o? D\u00e1 para achar esse ponto de partida de novo?<\/strong><br \/>\nLeonardo: A gente passou por v\u00e1rios momentos assim. Come\u00e7amos numa vibe de \u201carte pela arte\u201d, s\u00f3 para curtir, era um lance de divers\u00e3o. Era sobre brincar, querer fazer um som e propor uma est\u00e9tica \u2013 e as pessoas foram se conectando, as coisas come\u00e7aram a dar certo. Sempre carregamos esse peso de ter \u201cvidas duplas\u201d \u2013 o pr\u00f3prio baixista saiu por causa disso na \u00e9poca da pandemia. Por outro lado, entendemos que viver de m\u00fasica \u00e9 muito mais amplo do que s\u00f3 ter uma banda e tocar. Nosso baixista, o Ol\u00edmpio, atualmente \u00e9 t\u00e9cnico de som e viaja pelo Brasil fazendo PA para um monte de gente. O M\u00e1rio d\u00e1 aula de m\u00fasica e de produ\u00e7\u00e3o, eu fa\u00e7o assessoria de imprensa para as bandas, n\u00f3s vamos juntando esse mundo. Mas \u00e9 isso: no come\u00e7o era s\u00f3 divers\u00e3o e depois come\u00e7amos a correr atr\u00e1s do dinheiro. Deu certo. Sempre conseguimos empatar as contas para n\u00e3o colocar grana de outros lugares, mas a banda virou trabalho. E ficou chato. Em vez de comemorar um show importante, a gente j\u00e1 estava pensando no pr\u00f3ximo. Come\u00e7amos a nos podar criativamente, pensando que algo bom n\u00e3o ia dar certo para o mercado. N\u00e3o tem como dizer que m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 trabalho. N\u00f3s investimos tempo e tomamos risco, seja para fazer uma turn\u00ea ou produzir um show legal. Em Porto Alegre falta local de show, ent\u00e3o precisamos montar o espa\u00e7o, alugar o equipamento\u2026 e isso fez a gente se perder nas responsabilidades. Foi por isso que a gente queria acabar a banda. Voltar a tocar guitarra no quarto trouxe essa conex\u00e3o de volta. E colocar outras pessoas para dentro fez com que a gente se divertisse mais tocando. Tocar tudo s\u00f3 em duas pessoas era muito pesado: decidir comunica\u00e7\u00e3o, arte, log\u00edstica, produ\u00e7\u00e3o\u2026 Tivemos de colocar outras pessoas para lembrar como era tocar. \u00c9 por isso que o \u00e1lbum d\u00f3i, que \u00e0s vezes ele \u00e9 triste, mas tamb\u00e9m tem esse tom de \u201cfoda-se, \u00e9 isso que tem\u201d. \u00c9 importante n\u00e3o se levar t\u00e3o a s\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse novo regime da Superv\u00e3o \u00e9 uma democracia igualit\u00e1ria ou voc\u00eas dois t\u00eam mais peso?<\/strong><br \/>\nLeonardo: \u00c9 algo que a gente ainda est\u00e1 descobrindo, porque \u00e9 muito recente para n\u00f3s. O Ol\u00edmpio \u00e9 um cara que a gente conhecia h\u00e1 mais tempo, porque ele fazia o nosso PA e tamb\u00e9m mixou e masterizou algumas m\u00fasicas. Ele j\u00e1 viajou v\u00e1rias vezes com a gente e entendia quem somos eu e o M\u00e1rio. E ele entrou na banda porque falou que a gente ia ter de gravar o disco ao vivo \u2013 e a\u00ed a gente mandou ele tocar baixo. J\u00e1 a Rafaela a gente conheceu no est\u00fadio, por indica\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 a personagem mais nova da nossa hist\u00f3ria. Acabamos de fazer a primeira viagem com a banda, estamos come\u00e7ando novas composi\u00e7\u00f5es e estamos nos descobrindo. A ideia \u00e9 ser uma democracia, mas tamb\u00e9m j\u00e1 sacamos que tem coisas que \u00e9 dif\u00edcil compartilhar com todo mundo. N\u00e3o tem uma resposta. Mas acreditamos muito no lance de ser uma banda \u2013 e n\u00e3o de ser um compositor com outras pessoas tocando.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-88508 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/supervao2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"687\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/supervao2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/supervao2-300x275.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m da chegada da Rafaela e do Ol\u00edmpio, o disco tem diversas participa\u00e7\u00f5es. Tem Papisa, tem Andrio Maquenzi, tem o Roger Canal. Como foi chamar mais gente para participar dessa brincadeira?<\/strong><br \/>\nM\u00e1rio: Era uma coisa que a gente j\u00e1 tinha antes. Sempre quisemos fazer m\u00fasica com outras pessoas. Em 2023, quando a gente come\u00e7ou a fazer alguns singles, n\u00f3s fizemos v\u00e1rios feats \u2013 com a Kuki, com a Olho Mec\u00e2nico, com a Viridiana. Gosto muito da ideia do feat quando tem a ver com a m\u00fasica. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para pegar dois p\u00fablicos, mas \u00e9 porque o som tem muito a ver. No nosso caso, \u00e9 bem por a\u00ed. \u201cLove e V\u00edcio em Sunshine\u201d era uma m\u00fasica que a gente tentou gravar o baixo, mas n\u00e3o estava rolando, ent\u00e3o chamamos a Gabriela (Lery) para fazer. Quanto ao Andrio\u2026 cara, a gente ia em todos os shows da Superguidis. N\u00e3o \u00e9 que a gente ia em alguns. A gente ia em todos. Em Porto Alegre, em S\u00e3o Leopoldo, em Novo Hamburgo, at\u00e9 no interior a gente pegou um carro de galera e foi. Para o Andrio, a gente juntou tr\u00eas m\u00fasicas e mandou na melhor vibe \u201cvai que ele aceita\u201d. Para mim, a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/03\/20\/ao-vivo-superguidis-encerra-silencio-com-show-de-duas-horas-e-30-musicas-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Superguidis \u00e9 a banda mais massa de todas<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00eas mandaram para o Andrio al\u00e9m de \u201cCabelo\u201d?<\/strong><br \/>\nM\u00e1rio: Mandamos uma que n\u00e3o entrou no disco e acho que \u201cSei L\u00e1, N\u00e3o Deu\u201d. E a\u00ed teve o Roger Canal: \u201cNoia York\u201d \u00e9 um conceito dele, que ele difunde. Ele gravou um EP chamado \u201cNoia York Est\u00e1 Me Matando\u201d e a gente precisava chamar ele. De quem eu n\u00e3o falei?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Da Papisa.<\/strong><br \/>\nM\u00e1rio: Ent\u00e3o: o Leo escreveu uma m\u00fasica m\u00f3 bonita. E eu tenho uma mania de compor letra em que eu s\u00f3 fa\u00e7o a primeira parte. Sempre. Deixo sempre o segundo verso em branco, porque se a gente achar que a m\u00fasica \u00e9 ruim eu n\u00e3o preciso continuar. Mas nesse caso a gente foi achando que a m\u00fasica foi ficando bonita e pensamos que poderia ter algu\u00e9m cantando. E tinha que ser a Rita, porque ela canta maravilhosamente bem. A verdade \u00e9 que n\u00e3o tem nenhum feat de algu\u00e9m que a gente n\u00e3o conhe\u00e7a. \u00c9 tudo gente que n\u00f3s j\u00e1 conhec\u00edamos h\u00e1 uma cara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo: At\u00e9 chegamos a pensar em chamar uma galera que a gente n\u00e3o conhecia. Mas a\u00ed rolava: \u201cP\u00f4, mas esse cara a gente n\u00e3o saca direito\u201d. Quando falamos do Andrio, sab\u00edamos que tinha que ser \u2013 se era para arriscar algu\u00e9m, tinha que ser ele. No caso da Rita, a gente tinha muita coisa em comum. Lan\u00e7amos o nosso primeiro disco quando ela lan\u00e7ou o \u201cFenda\u201d, que \u00e9 um disco meio m\u00edstico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: E p\u00f4, fenda \u00e9 um v\u00e3o, n\u00e9? (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo: A gente se identificou muito. A\u00ed agora a gente fez uma m\u00fasica de amor e ela tamb\u00e9m estava fazendo um disco com a tem\u00e1tica do amor (&#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/25\/entrevista-nao-me-contento-com-o-nicho-diz-papisa-que-esta-lancando-o-album-solar-amor-delirio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Amor Del\u00edrio<\/a>&#8220;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: \u00c9 um fluxo de cria\u00e7\u00e3o que acontece meio junto. Foi tri massa, n\u00f3s fomos falando com ela no WhatsApp e ela gravou a segunda parte da m\u00fasica. Eu lembro que eu berrava: \u201cbah, foda, olha que lindo!\u201d. Ela queria regravar e eu dizendo que n\u00e3o precisava, estava lindo mesmo. \u00c9 s\u00f3 os feat de verdade, esse neg\u00f3cio \u00e9 s\u00e9rio (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem uma coisa no \u201cAmores e V\u00edcios da Gera\u00e7\u00e3o Nostalgia\u201d que me deixou muito curioso. As m\u00fasicas n\u00e3o tem s\u00f3 uma conex\u00e3o est\u00e9tica com os anos 2000, mas tamb\u00e9m um esmero de produ\u00e7\u00e3o. Naquela \u00e9poca, tinha muitas bandas que copiavam Strokes ou Arctic Monkeys na cara dura, mas n\u00e3o foi algo que eu senti no disco. A est\u00e9tica remete \u00e0quela \u00e9poca, mas n\u00e3o \u00e9 um decalque. Como foi pensar na produ\u00e7\u00e3o para n\u00e3o soar s\u00f3 como mera c\u00f3pia?<\/strong><br \/>\nM\u00e1rio: A verdade \u00e9 que a gente n\u00e3o pensou em muita coisa, s\u00f3 fomos fazendo o que a gente gostava e o que a gente queria ouvir. Mas sobre o lance de ser parecido e n\u00e3o ser, tenho algo a dizer. Minha tese de doutorado foi sobre diferen\u00e7a e repeti\u00e7\u00e3o. E eu estudei isso a fundo. Percebi que \u00e0s vezes s\u00f3 um detalhe j\u00e1 faz as coisas serem diferentes. Se voc\u00ea flui para um lado e sei l\u00e1, gosta de algo dos Strokes, a coisa pode caminhar para os Strokes, mas em algum momento voc\u00ea faz algo diferente e a m\u00fasica vira outra coisa. No disco, acho que as guitarras e a bateria s\u00e3o bem Strokes, mas o jeito de cantar e o baixo s\u00e3o diferentes. O jeito de cantar veio de um lance meio de ouvir muito rap, muito rap. Foi algo que fez eu me ligar que se voc\u00ea faz uma m\u00fasica lenta, mas tem um jeito de cantar menos arrastado, a m\u00fasica ganha uma vida. Foi um recurso que usei nas m\u00fasicas mais lentas do disco. Nas mais r\u00e1pidas, por\u00e9m, usei um lado mais mel\u00f3dico. E a\u00ed ficou diferente dos Strokes. Ao mesmo tempo, voc\u00ea pode dizer que o Arctic Monkeys tem algo de rap: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/01\/16\/musica-whatever-people-say-i-am-thats-what-im-not-arctic-monkeys\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no primeiro disco, o Alex Turner canta muito r\u00e1pido<\/a>. Mas claro, n\u00e3o \u00e9 rap: \u00e9 s\u00f3 um gosto de ter ouvido e aprendido algumas coisas. \u00c9 algo que eu <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/09\/06\/critica-em-romance-fontaines-d-c-da-um-passo-adiante-em-relacao-a-tudo-que-ja-fizeram\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">vejo agora no Fontaines DC<\/a>. O cara l\u00e1 canta num pique r\u00e1pido, faz rima: n\u00e3o \u00e9 rap real, mas \u00e9 uma influ\u00eancia no indie. E por isso que acredito que, por mais que tu tente copiar uma coisa, ela nunca vai ficar igual. \u201cNoia York\u201d, por exemplo, \u00e9 muito parecida com \u201cFake Tales of San Francisco\u201d, mas n\u00e3o tem essa: a gente entrou num fluxo e o desejo levou a gente para outro lugar. A m\u00fasica ganha vida pr\u00f3pria. Outro exemplo bom \u00e9 \u201cSei L\u00e1 N\u00e3o Deu\u201d. O nome do projeto dela no Ableton era \u201cLos Hermanos\u201d, mas \u00e9 a m\u00fasica menos Los Hermanos do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo: A verdade \u00e9 que a gente tentou copiar, mas n\u00e3o conseguiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 engra\u00e7ado, porque quando penso na melodia, eu ou\u00e7o Los Hermanos ali. \u201cSei l\u00e1, n\u00e3o deu\u201d \u00e9 uma prima de \u201cpois \u00e9, n\u00e3o deu\u201d.<\/strong><br \/>\nM\u00e1rio: P\u00f4, a\u00ed tu esclareceu! \u00c9 foda: o cara tenta copiar uma parte e da\u00ed copia outra. Mas tem muito isso do inconsciente: um dia desses eu fui fazer uma m\u00fasica nova e fiquei pensando num momento, mas quando terminei a letra, acabei falando de outra coisa que eu n\u00e3o queria falar. E quando me dei conta disso na produ\u00e7\u00e3o, me despreocupei com achar que estava cometendo pl\u00e1gio, porque no fim das contas n\u00e3o vai ficar parecido, vai ser uma refer\u00eancia. Mas eu tamb\u00e9m me arrisco: tenho a ideia de que todas as m\u00fasicas s\u00e3o um pouco de pl\u00e1gio das outras. Embora o expediente seja novo: na \u00e9poca do \u201cFaz Party\u201d, eu tinha um m\u00e9todo diferente: em vez de pegar uma refer\u00eancia inteira do indie 2000, eu pegava um baixo de dub, misturava com uma guitarra dos anos 1980 e uma bateria de house. Era um neg\u00f3cio mais esquizofr\u00eanico.<\/p>\n<figure id=\"attachment_88509\" aria-describedby=\"caption-attachment-88509\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-88509\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/supervao3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/supervao3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/supervao3-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/supervao3-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-88509\" class=\"wp-caption-text\"><em>\u201cAVGN\u201d<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cFaz Party\u201d e \u201cAVGN\u201d s\u00e3o dois discos bem diferentes. Como tem sido a recep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico para o \u00e1lbum novo?<\/strong><br \/>\nM\u00e1rio: Acho que foi um al\u00edvio. Acho que os nossos amigos antigamente pensavam assim: \u201cbah, os guri s\u00e3o tri, n\u00e9? Somos amigos, mas eles se perderam\u2026\u201d. E a\u00ed quando a gente lan\u00e7ou o disco novo todo mundo falou: \u201cagora sim, \u00e9 o indie porra, vamo dale!\u201d. Foi a\u00ed que sacamos que est\u00e1vamos fazendo a coisa certa. A verdade \u00e9 que a galera que gostava mais da Superv\u00e3o eletr\u00f4nica n\u00e3o era bem a galera do eletr\u00f4nico, mas sim uma galera indie que estava numa influ\u00eancia de uma cena eletr\u00f4nica. N\u00e3o acho que com o disco novo a gente perdeu p\u00fablico. Teve gente que eu ouvi falar assim: \u201cp\u00f4, ouve essa banda a\u00ed. Agora \u00e9 indie, mas antes\u2026 era um neg\u00f3cio meio estranho\u201d. Vou falar o qu\u00ea? O pessoal n\u00e3o conseguia entender. Antes tinha gente que ficava desconfiada, em d\u00favida se podia gostar da banda porque a gente era meio pop. Tem muito disso: a m\u00fasica \u00e9 um fator de identifica\u00e7\u00e3o das pessoas \u2013 e se voc\u00ea n\u00e3o sabe dizer o g\u00eanero da banda, como \u00e9 que voc\u00ea vai se identificar? O p\u00fablico ficava sem entender. E o algoritmo n\u00e3o sabia para quem entregar. No \u201cFaz Party\u201d, eu achava que quem curtia BaianaSystem ou Teto Preto poderia gostar, mas era diferente. Era pouco brasileiro para o f\u00e3 de BaianaSystem e pouco rave para o f\u00e3 de Teto Preto. Havia uma vitalidade de cria\u00e7\u00e3o, mas era vontade demais de criar. Quanto mais fui estudando a cria\u00e7\u00e3o, fui vendo que para criar algo que consiga existir no mundo, n\u00e3o d\u00e1 para querer criar do in\u00edcio ao fim. \u00c9 preciso aderir a territ\u00f3rios existentes. O que a gente fazia era meio solit\u00e1rio. Agora, n\u00e3o: \u00e9 o indie, v\u00e9io. Gosta de indie? Ent\u00e3o ouve l\u00e1, p\u00f4. Acho na real que tem mais gente ouvindo agora agora. Eu acho. Estou torcendo, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De um lado, voc\u00eas est\u00e3o h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada na estrada. Do outro, quem ouvir o disco pode achar que \u00e9 uma banda nova, uma revela\u00e7\u00e3o. Como voc\u00eas se sentem com isso?<\/strong><br \/>\nM\u00e1rio: Acho que \u00e9 coisa boa!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo: Ando achando que essa ideia de novo e velho hoje em dia est\u00e1 muito dif\u00edcil de entender. N\u00e3o vou julgar ningu\u00e9m por dizer que \u00e9 novo, porque para muita gente \u00e9 algo novo. O pr\u00f3prio jeito que o M\u00e1rio contou a narrativa remete a isso: pela reinven\u00e7\u00e3o, \u00e9 um \u00e1lbum totalmente diferente do que a banda j\u00e1 fez. E n\u00f3s mesmos estamos acessando coisas novas tamb\u00e9m. Ter uma banda com pessoas novas d\u00e1 um g\u00e1s que a gente n\u00e3o tinha antes. Embora eu tamb\u00e9m tenha essa d\u00favida sobre como me portar, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: A novidade \u00e9 contextual. Uma novidade \u00e9 uma coisa pra quem n\u00e3o conhece antes. Estamos a\u00ed h\u00e1 dez anos, mas sempre \u00e9 pouca gente. Historicamente, no Spotify, umas 200 mil pessoas ouviram a Superv\u00e3o. \u00c9 pouco: o Brasil tem 210 milh\u00f5es de pessoas. Nem no RS d\u00e1 pra dizer que as pessoas conhecem a gente. Se a banda continuar crescendo ela ainda vai seguir sendo novidade. O pr\u00f3prio Terno Rei \u00e9 um exemplo: at\u00e9 o \u201cVioleta\u201d, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/02\/27\/entrevista-terno-rei\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">eles eram uma banda nova<\/a>. Com o \u201cVioleta\u201d, eles viraram uma banda nova para muito mais gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo: E para quem j\u00e1 estava tocando h\u00e1 muito tempo, \u00e9 muito claro o lance da pandemia. Parece que muita coisa foi deletada. At\u00e9 para quem j\u00e1 conhecia as coisas, tudo parecia novo depois da pandemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: A pandemia foi foda. Mas cara, eu t\u00f4 no maior g\u00e1s que eu j\u00e1 tive de tocar. Tocar uma guitarra nova, com os pedalzinho tudo funcionando, com bateria, o Ol\u00edmpio no baixo. N\u00e3o tem o que dar errado, \u00e9 o megazord!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo: No pr\u00f3prio show, quem olha n\u00e3o pensa que a gente \u00e9 uma banda velha. Porque estamos tocando com jovialidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: N\u00f3s nos divertimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 divertido isso. O Strokes e o Arctic Monkeys s\u00e3o bandas meio paradas no palco. Quando fui ver o show de voc\u00eas, fiquei com medo disso acontecer. E na primeira m\u00fasica o M\u00e1rio j\u00e1 foi pro meio da galera, na melhor escola rock ga\u00facho de fazer show.<\/strong><br \/>\nM\u00e1rio: \u00d4 Bruno, n\u00e3o tem coisa que eu quero fazer mais da minha vida do que tocar. \u00c9 muito bom. Ensaiar eu at\u00e9 gosto, mas p\u00f4, tocar ao vivo? Gosto de ver todo mundo louco, gosto quando vira um acontecimento. Em S\u00e3o Paulo achei que o pessoal n\u00e3o foi muito de participar. Mas em Campinas, em Americana, no lan\u00e7amento em Porto Alegre, a\u00ed foi roda punk generalizada. Para mim essa \u00e9 a coisa mais afud\u00ea de todas, \u00e9 o que mudou minha vida muitas vezes: ir num show, assistir e voltar para casa achando que tudo mudou, que voc\u00ea quer montar uma banda ou fazer um novo tipo de som. Tocar \u00e9 a melhor coisa do mundo. Tu conhece as pessoas, elas ficam empolgadas, tu fica empolgado tamb\u00e9m. E p\u00f4, acabei de comprar uma guitarra nova. \u00c0s vezes estou em casa, passo no est\u00fadio e penso: \u201cputa que pariu, mas \u00e9 bonita mesmo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo: O show \u00e9 essa vontade de se conectar com as pessoas. O maior trauma \u00e9 quando o p\u00fablico \u00e9 muito observador. N\u00e3o somos muito focados nesse lance de t\u00e9cnica ou de tocar super bem, a gente quer \u00e9 se conectar. Tocar para p\u00fablico sentado para n\u00f3s seria o mais dif\u00edcil. O lance \u00e9 tentar fazer um acontecimento, alguma coisa que nem sempre \u00e9 boa, mas \u00e9 um acontecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas acabaram de citar o Circuito Nova M\u00fasica,<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/02\/20\/tres-shows-ou-mais-circuito-nova-musica-papangu-pullovers\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> em que voc\u00eas, a Madre e o batata boy percorreram quatro cidades em SP em janeiro<\/a>, com organiza\u00e7\u00e3o do L\u00facio Ribeiro e do pessoal da Mais Um Hits. Como foi esse rol\u00ea?<\/strong><br \/>\nM\u00e1rio: P\u00f4, foi a melhor coisa. Tem que fazer de novo! \u00c9 a melhor coisa do mundo, ainda mais com as pessoas que foram. E p\u00f4, conhecer o L\u00facio, ficar incomodando ele? Toda hora eu perguntava coisa para ele. Foi tri massa. E vou dizer: teve umas pessoas que fiquei impressionado. Em Americana e em Campinas, o pessoal ficou empolgado. Tu tem no\u00e7\u00e3o que o pessoal pediu palheta para n\u00f3s depois do show? Eu queria dar, mas n\u00e3o podia porque eu s\u00f3 tinha uma e ainda ia precisar tocar no dia seguinte. Rolou isso, eu n\u00e3o t\u00f4 mentindo. Tu n\u00e3o conhece o pinta, a\u00ed o pinta vem e fala um neg\u00f3cio desses pra ti? \u00c9 foda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo: O projeto todo \u00e9 uma ideia muito massa. \u00c9 um acerto muito grande do Mais Um e do L\u00facio criar esse festival itinerante e ir para outras cidades. J\u00e1 t\u00ednhamos tocado algumas vezes em S\u00e3o Paulo, mas nunca chegamos no interior. E essa organiza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias bandas viajarem juntas \u00e9 perfeito. Voc\u00ea consegue um p\u00fablico e s\u00f3 por esse acontecimento j\u00e1 gera p\u00fablico. Muita gente que foi ver os shows n\u00e3o conhecia nenhuma das bandas, mas se interessaram pelo projeto. E a gente vai se conectando: ficamos t\u00e3o pr\u00f3ximos que a gente se encontrou com a Madre e fez uma m\u00fasica, em breve vai sair um feat. \u00c9 um neg\u00f3cio que cria muita rede e chama a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, para al\u00e9m da m\u00eddia. Mais do que a m\u00eddia, o p\u00fablico comprou a ideia, ainda mais no interior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: \u00c9 muito bom conhecer as bandas! Quando voc\u00ea toca num festival, e depois voc\u00ea se v\u00ea no outro, parece que voc\u00ea j\u00e1 \u00e9 amigo h\u00e1 \u201cmilianos\u201d. \u201cSomo faixa\u201d. \u00c9 um projeto muito afud\u00ea. Minha \u00fanica dor no cora\u00e7\u00e3o \u00e9 que eu j\u00e1 toquei nele \u2013 e para tocar de novo tem que fazer outra banda. Foi muito afud\u00ea, a coisa mais tri que tem, e nos trataram super bem: botaram a gente numa ch\u00e1cara, passamos o som e voltamos pra piscina, fomos tocar direto da piscina. A\u00ed n\u00e3o tem como reclamar, n\u00e9?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Superv\u00e3o - AVGN ao vivo (Love e V\u00edcio \/ Nostalgia)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wlon622gUaA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em S\u00e3o Paulo, tem se falado muito sobre constru\u00e7\u00e3o de cena, com o surgimento de casas e pequenas portinhas para tocar. Como est\u00e3o as coisas em Porto Alegre?<\/strong><br \/>\nM\u00e1rio: Est\u00e1 ruim! Fechou tudo! Mas as bandas est\u00e3o melhores do que nunca! \u00c9 a melhor safra em 15 anos, pelo menos pela pilha da gurizada, sabe? Agora, por exemplo, come\u00e7ou a bombar um lugar chamado Caos, que \u00e9 underground mesmo, mas que a galera vai. Os shows de rock come\u00e7aram a ficar lotados de novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo: [Com a enchente], n\u00f3s perdemos v\u00e1rios locais massa. E todos os outros indiretamente se ferraram com o que aconteceu. Muita gente ficou com medo do futuro, medo de investir na cena cultural numa cidade em que pode dar merda de novo. Ao mesmo tempo, tem uma cena nova e um p\u00fablico que sacou que tem que aproveitar a cultura, que viu na cultura um jeito de viver mais feliz, mesmo com a infraestrutura meio cagada. Aos poucos, os lugares est\u00e3o come\u00e7ando a surgir de novo e o p\u00fablico est\u00e1 comprando muito a ideia. Em todo show, n\u00e3o importa se a banda \u00e9 nova ou \u00e9 pequena, a galera est\u00e1 chegando junto. Est\u00e1 rolando uma efervesc\u00eancia p\u00f3s-trag\u00e9dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: A volta do indie \u00e9 real. Em Porto Alegre, o pessoal ficou muito focado em m\u00fasica eletr\u00f4nica, em bloco de carnaval\u2026 e aqui \u00e9 assim: as pessoas v\u00e3o total numa ideia s\u00f3. Agora, rolou o neg\u00f3cio do indie. Quem \u00e9 indie h\u00e1 uma cara parece que deixou de ter vergonha de ser indie. E rolou uma mistura: tem os v\u00e9io que est\u00e3o h\u00e1 muito tempo no rol\u00ea, a galera da nossa gera\u00e7\u00e3o, que ia no Beco, e uma galera mais nova que nunca viveu o indie. Juntou todo mundo e est\u00e1 dando certo. O neg\u00f3cio t\u00e1 b\u00e3o. Mas \u00e9 dif\u00edcil: o lan\u00e7amento do nosso disco foi feito num lugar que \u00e9 de m\u00fasica eletr\u00f4nica, tivemos que alugar tudo. Ficou lotado, mas tiramos pouca grana para todo mundo que trabalhou. O neg\u00f3cio est\u00e1 efervescente, mas o mercado n\u00e3o est\u00e1 bom. Como cena, estamos no melhor momento, mas a infraestrutura da cena est\u00e1 no pior momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o j\u00e1 que a cena est\u00e1 boa, quero sugest\u00e3o de cinco bandas para ouvir de Porto Alegre agora.<\/strong><br \/>\nLeonardo: Ovo Frito, Is\u00f3topos\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: A Recreio vai lan\u00e7ar um disco muito foda em breve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gostei muito do primeiro deles. \u201cPassarinhos\u201d \u00e9 uma m\u00fasica foda.<\/strong><br \/>\nLeonardo: \u00c9 a minha favorita deles. A Viridiana tamb\u00e9m vai lan\u00e7ar um novo \u00e1lbum agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: Pra fechar, tem que falar da Bella e o Olmo da Bruxa. Falamos cinco, mas dava pra falar mais. A Ovo Frito est\u00e1 para lan\u00e7ar disco novo. E a Is\u00f3topos, reza a lenda, tem dois discos prontos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa entrevista \u00e9 sobre um disco que saiu h\u00e1 poucos meses. Mas voc\u00eas j\u00e1 est\u00e3o falando de feat, de m\u00fasica nova\u2026 O que vem por a\u00ed no futuro da Superv\u00e3o?<\/strong><br \/>\nLeonardo: Vamos tocar, tocar e tocar. Mas sim, estamos come\u00e7ando a pensar nas pr\u00f3ximas composi\u00e7\u00f5es\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: J\u00e1 tem umas sete composi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo: Mas estamos vendo para onde vamos. Queremos usar parceiros novos no disco, trabalhar com coisas diferentes al\u00e9m da nossa cabe\u00e7a\u2026 Mas primeiro a gente est\u00e1 focado em tocar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: Queremos fazer muitos shows. \u00d4 Bruno, avisa o pessoal a\u00ed que n\u00f3s queremos tocar muito. S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Nordeste, todos os lugares do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo: Quero ir pra Minas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio: Goi\u00e2nia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo: E enquanto isso a gente vai tocando o pr\u00f3ximo disco sem muita pressa. O neg\u00f3cio \u00e9 tocar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o rock? Acabou?<\/strong><br \/>\nM\u00e1rio: O rock? Ih rapaz, nunca esteve t\u00e3o vivo. \u00c9 o melhor momento!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo: O rock eu n\u00e3o sei, mas o indie est\u00e1 vivo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Superv\u00e3o e Papisa - Querendo Um Tempo @ Bar Alto, S\u00e3o Paulo - 23\/01\/2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9upD6g12hcI?list=PL6gBQKY5zwa0_Hhp07GYDl0BXjjPqi5SZ\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas)<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista. Apresenta o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/programadeindie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a>\u00a0e escreve a newsletter\u00a0<a href=\"https:\/\/meusdiscosmeusdrinks.substack.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Meus Discos, Meus Drinks e Nada Mais<\/a>. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O grupo conta ainda como est\u00e1 sendo a chegada dos novos integrantes, faz planos para o futuro e elogia o Circuito Nova M\u00fasica, festival itinerante organizado pela Mais Um Hits e por L\u00facio Ribeiro\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/04\/07\/entrevista-com-os-pes-nos-anos-2000-supervao-filosofa-sobre-nostalgia-e-avisa-o-indie-esta-vivo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":88507,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1436],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88505"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88505"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88505\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":88511,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88505\/revisions\/88511"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/88507"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88505"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88505"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88505"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}