{"id":88395,"date":"2025-03-28T01:05:46","date_gmt":"2025-03-28T04:05:46","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=88395"},"modified":"2025-04-30T13:58:44","modified_gmt":"2025-04-30T16:58:44","slug":"entrevista-the-completers-banda-post-punk-gaucha-fala-sobre-seu-album-de-estreia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/03\/28\/entrevista-the-completers-banda-post-punk-gaucha-fala-sobre-seu-album-de-estreia\/","title":{"rendered":"Entrevista: The Completers, banda post punk ga\u00facha, fala sobre seu \u00e1lbum de estreia"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Colocar na rua um \u00e1lbum completo est\u00e1 entre os anseios mais comuns de quem tem banda. Logo, a trajet\u00f3ria do quarteto post punk porto-alegrense The Completers vai se completando com a chegada do disco de estreia. Marcando a primeira d\u00e9cada de exist\u00eancia, que se completa em 2025, o grupo lan\u00e7a seu debut autointitulado. O trabalho est\u00e1 <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/album\/1mUJl05BcH1Fa6qxiO2cSc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dispon\u00edvel nas plataformas digitais<\/a> e \u00e9 ofertado em CD, LP e K7 (<a href=\"https:\/\/yeahyourecords.lojavirtualnuvem.com.br\/the-completers\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pedidos aqui<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grava\u00e7\u00e3o apresenta 10 temas de tend\u00eancia melanc\u00f3lica criados e gravados no mais puro etos punk do fa\u00e7a-voc\u00ea-mesmo por Felipe Vicente (vocal, guitarra e sintetizador), Jonas Dalacorte (guitarra), Lucas Richter (baixo) e Guilherme Chiarelli Gon\u00e7alves (bateria e pads). Com base em uma eleg\u00e2ncia mel\u00f3dica sem exageros na execu\u00e7\u00e3o, as faixas agregam experimentalismo, krautrock e toques eletr\u00f4nicos. S\u00e3o sons pra dan\u00e7ar no vale das trevas, pra chacoalhar o esqueleto com consci\u00eancia de classe nesse inferninho que se tornou a exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Past Year\u2019, segunda faixa do registro, foi escolhida como single e ganhou videoclipe dirigido por Theo Tajes, sendo um \u00f3timo cart\u00e3o de visitas. \u201cEssa foi uma das \u00faltimas m\u00fasicas que fizemos e, quando a finalizamos, foi unanime que ela tinha cara de single, que deveria ser usada para iniciar a divulga\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum\u201d, relata o baterista Guilherme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A produ\u00e7\u00e3o do disco ficou sob a batuta dos pr\u00f3prios integrantes, e a mixagem \u00e9 assinada pelo guitarrista Jonas. Para a masteriza\u00e7\u00e3o, foi recrutado o estadunidense Carl Saff (que j\u00e1 trabalhou com Sonic Youth, Dead Moon, Wipers, Mudhoney e Fu Manchu). A arte da capa \u00e9 de Renato Ren, que colocou a est\u00e9tica funcional da Bauhaus (a escola de arte, n\u00e3o a banda) a servi\u00e7o da sonoridade dos ga\u00fachos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista a seguir, feita presencialmente ap\u00f3s ensaio num dia de calor escaldante, os quatro m\u00fasicos refletem sobre o atual momento \u2013 individual e musical \u2013 e como as personalidades de cada um se completam na banda. Em pauta: a jornada at\u00e9 aqui, a satisfa\u00e7\u00e3o com o resultado da obra, elucubra\u00e7\u00f5es sobre post punk e as alegrias &amp; agruras do submundo dos artistas independentes.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"End\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zPq8gngcU0g?list=OLAK5uy_mVOt_uAK3vtAQUbtPm3GUC0cXjNGdQeXc\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os integrantes da The Completers v\u00eam de um hist\u00f3rico de outros projetos mais extremos, principalmente hardcore e power violence. Como rolou essa aglomera\u00e7\u00e3o em torno de uma banda post punk?<\/strong><br \/>\nJonas \u2013 Eu, o Lucas e o Guilherme tocamos juntos antes, acho que 2011 ou 2012. Mas era som mais extremo. A\u00ed, por volta de 2015, o Guilherme mandou um e-mail convidando pra nos juntarmos novamente, mas fazendo algo diferente. N\u00e3o tinha a defini\u00e7\u00e3o de qual sonoridade exatamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme \u2013 A gente j\u00e1 tinha tocado em outras bandas em algum momento. Tipo: eu e o Lucas em algum projeto, o Jonas e o Lipe em outro. L\u00e1 por 2012, eu, o Lucas e o Jonas montamos um trio. A gente tinha ouvido o compacto do Sugar Pie Koko e piramos! \u201cAh, vamos fazer um som assim!\u201d, que \u00e9 um power violence, um crust. Ficamos s\u00f3 ensaiando, acho que era uma fase em que a gente meio que estava tamb\u00e9m sem outras bandas. Da\u00ed, em 2015, estava rolando, em n\u00edvel mundial, uma cena de bandas punks tocando com chorus (pedal de efeito), influenciados por The Wipers. Tipo o Warsong, na Espanha, Nervosas, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jonas \u2013 The Stranged, de Portland.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme \u2013 Isso! Toda essa galera de Portland ou influenciados por nomes de l\u00e1. The Stops tamb\u00e9m. Enfim\u2026 nossa ideia era fazer punk com chorus. Tocamos por um ano como trio instrumental, pois n\u00e3o achamos ningu\u00e9m pra assumir o microfone. A\u00ed apareceu o Lipe, que tinha ficado sem banda, e o chamamos. Ele disse que n\u00e3o estava a fim de cantar, queria s\u00f3 tocar guitarra. S\u00f3 que ele caiu na nossa armadilha. Tocou guitarra no primeiro ensaio, a\u00ed no segundo cantou alguma coisa. E a gente: \u201c\u00f3, temos vocalista\u201d! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe \u2013 Foi no segundo ensaio que tivemos o primeiro escopo de um som. Foi \u2018Silence\u2019, que j\u00e1 tinha uma vers\u00e3o feita por voc\u00eas, e acabamos remoldando ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas \u2013 A banda n\u00e3o surgiu com a proposta de ser post punk. Era meio punk rock com chorus. Com a entrada do Lipe, fomos reduzindo gradativamente o bpm das composi\u00e7\u00f5es e acabou indo pra esse lado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme \u2013 Foi algo natural. O Lipe que prop\u00f4s: \u201cvamos tentar tocar essas m\u00fasicas que voc\u00eas j\u00e1 t\u00eam um pouco mais lentas pra ver o que se aproveita\u201d. Ele meio que deu a coordenada. E nisso a gente come\u00e7ou a ouvir outros sons. Por exemplo: explorar mais a carreira do The Cure, Joy Division, The Sound, Wire\u2026 E isso influenciou o que est\u00e1vamos tentando fazer naquele momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas \u2013 Eu, at\u00e9 ent\u00e3o, nunca tinha ouvido muito post punk pra al\u00e9m das bandas mais cl\u00e1ssicas. Fui conhecer com a Completers, com as refer\u00eancias pra banda e com esses tr\u00eas parceiros que foram lan\u00e7ando sugest\u00f5es. Da\u00ed fui conhecendo e me interessando mais. Pra mim, o in\u00edcio da Completers meio que coincidiu com o meu conhecimento mais a fundo de artistas com esse r\u00f3tulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que acreditam que o post punk, usado aqui como uma express\u00e3o guarda-chuva para sonoridades mais melanc\u00f3licas e ou de tom nost\u00e1lgico, tem esse apelo fora do pr\u00f3prio nicho? Tipo: galera do som extremo curte, do rock mais tradicional e at\u00e9 gente que tem gostos mais pop.<\/strong><br \/>\nFelipe \u2013 Fazendo gancho com a quest\u00e3o anterior\u2026 Acho que, antes de eu come\u00e7ar a tocar com os guris, a banda era uma parada muito mais r\u00e1pida e agressiva. E, conforme o tempo foi passando, a parte experimental aflorou, e isso acaba fazendo com que mais pessoas possam gostar. Pelo lance de ter um som mais viagem, mais lento e at\u00e9 algo com pegada um pouco mais pop. Esse direcionamento abre portas e faz com que o p\u00fablico perceba nossa m\u00fasica de uma maneira diferente, n\u00e3o t\u00e3o punk, n\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pida, nem t\u00e3o g\u00f3tica. Falando nisso\u2026 \u00c9 doido que tem pessoas do rol\u00ea g\u00f3tico mais tradicional que gostam da gente, nos convidam pra tocar em festas bem nichadas. Considerando o modo de vestir, somos mais simples. A experimenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m colabora pra ter apelo fora da bolha. O lance de, em uma hora fazer um som mais r\u00e1pido, em outra um som mais experimental ou eletr\u00f4nico, talvez mais garagem, mais punk. Isso acaba sendo meio que ecl\u00e9tico dentro de um mesmo estilo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jonas \u2013 Imagino que o post punk abra\u00e7a v\u00e1rios grupos. Talvez a galera do metal, do som mais extremo, curta isso pelo clima das m\u00fasicas, falando meio que tecnicamente, do sentimento que passa. A\u00ed quem curte algo mais pop, entre aspas, talvez seja pelo apelo dos The Smiths e The Cure da vida. Se eu paro e penso muito sobre isso, n\u00e3o consigo achar uma resposta. Tipo, \u00e9 uma loucura, basicamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas \u2013 Pessoalmente, o que me atraiu foi o lance um pouco mais mel\u00f3dico. Eu ouvia muita m\u00fasica extrema, muito punk rock, e o que me abriu pro post punk foi a quest\u00e3o dos efeitos e, principalmente, da melodia. De as m\u00fasicas terem uma melodia um pouco diferente do que eu estava acostumado a ouvir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme \u2013 Somado a isso que os guris falaram, tem a parada de o post punk trazer tamb\u00e9m um sentimento de nostalgia, de uma \u00e9poca que \u00e0s vezes as pessoas nem viveram, mas remete a algo. Tipo: \u201cmeu primo ouvia um som parecido com esse que eles fazem e tal\u201d. Tamb\u00e9m soma na resposta o fato de que, nos anos 1980, muitas bandas de metal e punk em algum momento viraram post punk ou hard rock. Pega o Ministry, por exemplo, que come\u00e7ou mais post punk e foi para o industrial. O Riistetyt teve uma fase post punk, o Discharge virou meio glam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jonas \u2013 Outra doideira tamb\u00e9m, pensando mais no Brasil, que v\u00e1rias galeras entram no mesmo balaio, porque o som \u00e9 \u201cdos anos 80\u201d. E, no resto do mundo \u00e9 post punk. Talvez seja pelo advento da tecnologia, batera com samples, sintetizador, toda essa porra assim. Artistas dessa \u00e9poca foram pra esse lado de experimentar coisas novas, com novas tecnologias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe \u2013 Nosso som acaba sendo meio que esse resgate dos anos 1980, que querendo ou n\u00e3o s\u00e3o muitas pessoas que gostam. Existe o post punk nos anos 1980, um rock mais anos 1980, um eletr\u00f4nico anos 1980. O pr\u00f3prio New Order veio do post punk e foi para o eletr\u00f4nico. Ent\u00e3o acho que tem esse resgate da galera que gosta de som dos 1980 que curte a Completers.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-88396 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/completers2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"530\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/completers2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/completers2-300x212.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/completers2-120x85.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O post punk \u00e9 um termo gen\u00e9rico, e at\u00e9 bem ecl\u00e9tico dentro das pr\u00f3prias conven\u00e7\u00f5es. Com ele, bandas exploraram a pr\u00f3pria inventividade, historicamente. Esse experimentalismo talvez tenha libertado muita gente, estimulado as pessoas a se permitirem musicalmente dentro do rock e seus subg\u00eaneros.<\/strong><br \/>\nLucas \u2013 Tive muitas fases rigorosas de gosto musical. Comecei ouvindo Green Day e Offspring. A\u00ed, via o encarte dessas bandas e ia atr\u00e1s de outras que tinham ali. Fiz o meu gosto no hardcore californiano. Depois s\u00f3 queria ouvir punk em portugu\u00eas. Era s\u00f3 Olho Seco, C\u00f3lera e Ratos de Por\u00e3o. Deixei de escutar o que eu curtia antes e foquei nisso. Teve tamb\u00e9m a \u00e9poca que foi s\u00f3 anarcopunk, tipo Sin Dios, Los Crudos\u2026 Era um neg\u00f3cio ou outro, n\u00e9? N\u00e3o agregava em nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jonas \u2013 Tem a idade tamb\u00e9m, que faz com que a gente v\u00e1 se abrindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas \u2013 Pouco antes de ir fundo no post punk, me permiti revisitar todas essas outras fases anteriores sem preconceitos e restri\u00e7\u00f5es. Quando o post punk apareceu, chegou como uma consequ\u00eancia disso tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jonas \u2013 Permitir-se resgatar coisas que o cara ouvia em outros momentos sem preconceito ou ouvir coisas novas que tu tinha preconceito, agrega demais pra fazer um som novo. Tive uma fase, por exemplo, no meio da Completers, em que eu s\u00f3 ouvia reggae. Inconscientemente isso aparece em algum som.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe \u2013 Tudo acaba virando refer\u00eancia, n\u00e9? \u00c0s vezes o cara puxa umas influ\u00eancias que nem m\u00fasicas s\u00e3o. O lance de escrever letra acaba abrindo mais ainda a possibilidade de refer\u00eancias. \u201cAh, um som sobre isso n\u00e3o pode ser feliz, tem que ser triste, tem que ter uma atmosfera dark, tem que ter uma atmosfera mais pra cima, mais pra baixo\u201d, sei l\u00e1. Acho que acaba tendo essa percep\u00e7\u00e3o mais abrangente. Quest\u00f5es pol\u00edticas, pessoais, relacionamentos e at\u00e9 uma fantasia, \u00e0s vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme \u2013 Quem sabe quando o disco sair as pessoas tamb\u00e9m se deem conta de que talvez o som n\u00e3o seja t\u00e3o post punk, n\u00e9? Talvez eles percebam que tem outras influ\u00eancias ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O artista \u00e9 sempre cuidadoso em classificar a pr\u00f3pria obra dele. Mas ouvi o \u00e1lbum e achei bem post punk (risos). Talvez a produ\u00e7\u00e3o. Tem um qu\u00ea de sombrio marcante, mas, ao mesmo tempo, est\u00e1 palat\u00e1vel. Est\u00e1 tipo som pra dan\u00e7ar nas trevas.<\/strong><br \/>\nLucas \u2013 A minha percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de mais elementos experimentais que nos anteriores. Ent\u00e3o, vejo muito essa coisa mais experimental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem uma leva de artistas que foram tachados post punk no passado que, agora, em retrospectiva, tu percebes que faziam umas doideiras, mas ainda assim conseguiram ser pop. Riffs de guitarra incomuns, por exemplo. O pr\u00f3prio Talking Heads, que teve em evid\u00eancia recentemente com o relan\u00e7amento do filme \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/08\/30\/cinema-stop-making-sense-o-iconico-filme-show-dos-talking-heads-fica-ainda-mais-grandioso-restaurado-em-4k-e-numa-sala-imax\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Stop Making Sense<\/a>\u201d.<\/strong><br \/>\nLucas \u2013 Nosso disco tem detalhes de guitarra que mudam muito a m\u00fasica. Ressaltou que a bateria e o baixo s\u00e3o mais simples e, as guitarras, cada uma vai pra um lado. E isso agrega camadas importantes para as composi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme \u2013 Apesar de as m\u00fasicas desse \u00e1lbum terem sido compostas entre 2016 e 2019, teve todo um processo de amadurecimento delas durante a grava\u00e7\u00e3o. Creio que isso acabou somando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jonas \u2013 At\u00e9 na p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o do disco, na real, rolou isso. Como n\u00f3s mesmos gravamos e lan\u00e7amos, houve mais liberdade pra tentar v\u00e1rias coisas que, talvez, se tivesse algu\u00e9m de fora, n\u00e3o rolaria. Tipo, tentar botar cinco, seis guitarras uma em cima da outra. Ou o Guilherme gravar uma parte de uma guitarra s\u00f3 pra ver como fica. Foi sem restri\u00e7\u00e3o mesmo de pode ou n\u00e3o pode, de se prender ao estilo do post punk.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe \u2013 Tu comentou sobre o lance de dan\u00e7ar nas trevas. \u00c9 meio isso. No momento atual que a gente vive, que \u00e9 ladeira abaixo, isso \u00e9 importante. Essa forma de express\u00e3o dentro do post punk encaixa meio que perfeitamente. Porque eu sinto que a gente est\u00e1 numa decad\u00eancia como seres humanos e, de alguma forma, encontra uma maneira de dan\u00e7ar nesse fim de mundo. O estilo de som, essa n\u00e9voa que paira sobre g\u00eanero, das letras tamb\u00e9m, \u00e9 meio que nessa pilha de continuar alimentando a cultura no mundo decadente. \u00c9 massa esse lance de dan\u00e7ar, de se divertir, no apocalipse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando nisso, a m\u00fasica \u00e9 meio que uma t\u00e1bua da salva\u00e7\u00e3o pra voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nJonas \u2013 Desde o princ\u00edpio, quando tive contato com o punk e percebi que d\u00e1 pra fazer qualquer coisa. Se eu gosto de ouvir algo, sei que posso fazer tamb\u00e9m. A partir desse momento, nunca mais pensei sobre a quest\u00e3o. \u00c9 uma necessidade fisiol\u00f3gica na minha vida. Posso comer miojo todos os dias, mas vou juntar dinheiro pra poder ensaiar. Fico doente se eu n\u00e3o puder tocar. \u00c9 terap\u00eautico, tu joga pra fora os dem\u00f4nios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 dif\u00edcil explicar pra quem n\u00e3o faz som, porque a m\u00fasica \u00e9 uma linguagem n\u00e3o verbal. E, de alguma forma, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 isso mesmo: colocar o que incomoda pra fora. Expurgar.<\/strong><br \/>\nLucas \u2013 Pra mim \u00e9 uma mistura de precisar, mas tamb\u00e9m de gostar muito do resultado, do que se est\u00e1 fazendo. Eu escuto as m\u00fasicas da Completers e acho legal, \u00e9 algo que eu ouviria. Me d\u00e1 orgulho e prazer. E, ao mesmo tempo, tem a necessidade f\u00edsica, que \u00e9 o que o Jonas est\u00e1 falando, que \u00e9 terap\u00eautico. Estar com os amigos tocando \u00e9 muito bom. J\u00e1 tive muitas bandas simult\u00e2neas, hoje em dia estou tocando em duas. Pela idade e compromissos da vida a gente vai direcionando os esfor\u00e7os, as energias e o tempo necess\u00e1rio. Afinal, tem que dividir com outras atividades. Todo o tempo em que estou com os guris, com essa banda, pra mim, \u00e9 muito importante. \u00c9 produtivo. Se as outras pessoas v\u00e3o gostar, h\u00e1 possibilidades, mas se n\u00e3o curtirem, vou continuar fazendo igual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme \u2013 Al\u00e9m de ser um rem\u00e9dio pra n\u00f3s mesmos, chega um momento que a gente quer compartilhar isso com outras pessoas. D\u00e1 vontade de trocar experi\u00eancias com quem est\u00e1 assistindo, com outras bandas, sair em turn\u00ea. N\u00e3o pra ganhar dinheiro, mas, pra ver um amigo teu que mora longe, mostrar o que tu t\u00e1 fazendo pra ele, ele te apresentar o projeto que tem na cidade dele. Isso acaba alimentando a alma. A gente quer fazer essa troca, fazer um disco, transformar aquelas m\u00fasicas em algo concreto e material pra posteridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas \u2013 Tem um carinho envolvido em tudo que est\u00e1 sendo produzido. N\u00e3o sei se todas as pessoas percebem, se isso consegue transbordar na nossa m\u00fasica, mas pra n\u00f3s \u00e9 ineg\u00e1vel. H\u00e1 um cuidado, uma dedica\u00e7\u00e3o que a gente faz com o maior prazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe \u2013 Costumo comentar que a forma\u00e7\u00e3o que a gente tem, tanto por tempo de amizade, quanto com rela\u00e7\u00e3o de banda profissional, meio que \u00e9 banda dos sonhos pra mim. No sentido de amadurecimento, de objetivo, acho que quase tudo. Como qualquer relacionamento, em alguns momentos, tem diverg\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jonas \u2013 Mas at\u00e9 a resolu\u00e7\u00e3o dos conflitos \u00e9 tranquila.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe \u2013 Acho que \u00e9 muito sobre esse lance de entender que somos quatro pessoas. E tem isso que o Guilherme comentou, de a gente ir pra um lugar tocar e conhecer o movimento desse local, conversar com algu\u00e9m que nunca conversou\u2026 Isso \u00e9 um resgate de energias. \u00c9 muito bacana chegar no infinito do mundo e ver que tem um cara que est\u00e1 batalhando pelos mesmos ideais, que pensa parecido. Mesmo antes de a internet existir, a m\u00fasica promovia essa comunica\u00e7\u00e3o, juntava pessoas com ideais parecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jonas \u2013 Ir pra outra cidade e perceber que uma pessoa que tu nunca viu na vida, e que provavelmente nunca teria visto, compartilha algo contigo justamente por uma coisa que tu fez porque precisava fazer. Isso pra mim at\u00e9 hoje, 20 anos tendo banda, ainda \u00e9 surreal. Perceber como a m\u00fasica toca as pessoas. O punk \u00e9 maravilhoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim! E isso \u00e9 algo que transcende a m\u00fasica, que envolve quest\u00f5es subjetivas. Por isso pergunto: como essa bagagem do punk que voc\u00eas tiveram anteriormente se manifesta na Completers pra al\u00e9m do som?<\/strong><br \/>\nJonas \u2013 A gente mesmo gravou o disco, por exemplo, que \u00e9 algo bem fa\u00e7a voc\u00ea mesmo. \u00c9 autonomia em rela\u00e7\u00e3o a tudo, basicamente. O etos \u00e9 a locomotiva da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme \u2013 Acho que a parte de letra, o conte\u00fado, nas entrelinhas tem alguma coisa de punk, de contesta\u00e7\u00e3o. O Felipe pode falar um pouco melhor sobre isso. Mas, como o Jonas comentou, n\u00f3s que produzimos o disco, o Jonas mixou, a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/yeahyourecords\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Yeah You<\/a>, que \u00e9 o meu selo, est\u00e1 lan\u00e7ando. N\u00f3s que fizemos toda a correria burocr\u00e1tica, entramos em contato com algu\u00e9m pra masterizar, achamos f\u00e1brica pra prensar. Foi a gente que contatou o artista Renato Ren, l\u00e1 do Esp\u00edrito Santo, pra fazer a arte da capa e do encarte \u2013 algo que rolou por meio de contatos vindos da cultura punk, no caso com o Mozine (da L\u00e4j\u00e4 Records, Mukeka di Rato, Merda), que fez a ponte pra n\u00f3s. Al\u00e9m da m\u00fasica, tem outras formas que o punk se manifesta na Completers hoje. Seja no disco, na produ\u00e7\u00e3o de shows tamb\u00e9m, totalmente independente, na correia pra fazer camiseta e vender em show\u2026 Tudo isso \u00e9 heran\u00e7a do punk. N\u00e3o esperar que algu\u00e9m chegue e fa\u00e7a, n\u00f3s mesmos fazemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jonas \u2013 Criar uma movimenta\u00e7\u00e3o em torno de pessoas pr\u00f3ximas da gente, at\u00e9 financeiramente, ter um retorno pra quem passa perrengue conosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas \u2013 At\u00e9 nas coisas menores, nos conflitos entre os quatro da banda, que s\u00e3o resolvidos de forma madura e r\u00e1pida. Acredito que isso tem muito do punk tamb\u00e9m, da consci\u00eancia, da bagagem que cada um traz pra conseguir resolver os problemas que at\u00e9 fogem da banda, quest\u00f5es pessoais que acabam estourando no grupo. \u00c9 uma maturidade, de forma generalizada. Percebo que a cabe\u00e7a dos quatro est\u00e1 muito alinhada e focada pra banda tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe \u2013 Tem a pilha de o punk ser um lance que faz o cara pensar diferente, n\u00e9? Molda muito. N\u00e3o sei se molda \u00e9 a palavra certa, mas faz pensar na quest\u00e3o da contracultura, da contesta\u00e7\u00e3o, da esquerda mais \u00e0 esquerda. Acaba sendo um ciclo que se autocompleta, no sentido de come\u00e7ar a ouvir punk, ter uma banda e alinhar teu estilo de vida \u00e0 filosofia e \u00e0 cren\u00e7a punk, \u00e0 contesta\u00e7\u00e3o. A\u00ed se descobre uma banda que canta exatamente o que tu sempre quis falar, te dando caminho pra fazer o mesmo. Tem rela\u00e7\u00e3o com a postura diante da vida. Tendo participado do movimento, n\u00e3o consigo me enxergar sem fazer um som, sem compor alguma coisa que tenha a ver. Como \u00e9 algo que vai al\u00e9m da est\u00e9tica musical, pode ser at\u00e9 algo que pare\u00e7a Milton Nascimento com uma tem\u00e1tica de contesta\u00e7\u00e3o. E tamb\u00e9m acho que o respeito sobressai, a admira\u00e7\u00e3o que a gente tem uns pelos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A impress\u00e3o que d\u00e1 \u00e9 que a Completers busca uma profissionaliza\u00e7\u00e3o, apostando em qualidade dos materiais e juntando profissionais de outras \u00e1reas pra trampar junto. Procede?<\/strong><br \/>\nLucas \u2013 Diria que sim. A rela\u00e7\u00e3o que a gente tem \u00e9 muito boa, o som que a gente faz, na minha vis\u00e3o, \u00e9 legal. Curto ouvir as m\u00fasicas, gosto de estar com os caras, de ensaiar, de gravar, de sair para tocar. Tudo parece ser bom, ent\u00e3o por que n\u00e3o levar adiante? Por que n\u00e3o tentar fazer tudo com o m\u00e1ximo de carinho poss\u00edvel e se esfor\u00e7ar pra que a gente consiga fazer bem feito? \u00c9 uma dedica\u00e7\u00e3o que a gente coloca sem tanta expectativa, mas cientes de que pode render, porque a gente acredita e gosta do que faz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe \u2013 Tem a parada de que \u00e9 um trampo, \u00e9 um trabalho, mas n\u00e3o \u00e9 um emprego, sabe? \u00c9 um trabalho porque a gente quer fazer e \u00e9, de fato, um trampo. \u00c9 trabalhoso! Sair de casa com 40 graus para um ensaio, carregando um monte de equipamento, depois de um dia cumprindo papel num emprego, \u00e9 um corre. Tem de ter vontade. Existe ainda o questionamento de o que \u00e9 fazer dar certo. Penso que os alcances que temos tido comprovam que, cada vez mais, d\u00e1 mais certo. \u00c0s vezes eu costumo pensar que, sei l\u00e1, se por algum motivo a banda acabasse agora, j\u00e1 teria dado certo. \u00c9 muito legal ver gente se identificando com algum pormenor da banda, com uma guitarra, com um efeito de batera, com uma letra, com um sentimento qualquer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme \u2013 O profissionalismo n\u00e3o \u00e9 a causa, mas talvez seja uma consequ\u00eancia. E esse lance de ter apoio tamb\u00e9m tem a ver com o punk, com o fa\u00e7a voc\u00ea mesmo. Mas pra fazer, dependemos desse suporte de pessoas pr\u00f3ximas que se identifiquem com o que a gente t\u00e1 criando. Tem o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/10\/06\/entrevista-wender-zanon-lanca-primeira-hq-gosto-estranho-dando-protagonismo-a-sua-cidade-natal-canoas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wender Zanon<\/a> e a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/09\/04\/artistas-brasileiros-revisitam-album-de-brian-eno-45-anos-apos-seu-lancamento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Luiza Padilha<\/a> trabalhando com gente na parte de contatos, cuidando da agenda e produ\u00e7\u00e3o de shows. Gravamos um clipe com o Theo Tajes\u2026. Estamos sempre agregando pessoas no nosso trabalho. Queremos compartilhar com quem se identifica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma curiosidade: a banda se paga?<\/strong><br \/>\nGuilherme \u2013 Temos um caixa, mas tentamos n\u00e3o mexer nessa grana. Tipo, ensaio tiramos do nosso bolso. As economias ficam pra viagem, grava\u00e7\u00e3o. Por exemplo: o \u00e1lbum foi o Jonas que gravou. Foi um trampo dele, a gente pagou do caixa da banda. Queremos valorizar tamb\u00e9m o trabalho dessas pessoas que est\u00e3o somando conosco. Em uns momentos o caixa est\u00e1 saud\u00e1vel, em outros n\u00e3o. Pegamos esse dinheiro pra fazer camiseta, pra ajudar nos custos de shows fora. Uma vez por ano a gente tira a grana do Spotify, que n\u00e3o \u00e9 muito, mas, como \u00e9 em d\u00f3lar, convertido d\u00e1 uma engordada. O v\u00eddeo (para o single &#8220;Past Year&#8221;) mais recente zerou o caixa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Completers &quot;Past Year&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JlvG0EJmWuE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que s\u00f3 agora, com uma d\u00e9cada de estrada, lan\u00e7ar o primeiro \u00e1lbum completo?<\/strong><br \/>\nGuilherme \u2013 \u00c9 um projeto que t\u00ednhamos desde o in\u00edcio, tanto que em 2017 saiu o que seria o primeiro single, \u2018Silence\u2019. Se n\u00e3o fosse a pandemia, ter\u00edamos lan\u00e7ado antes. Mas a\u00ed atrasou tudo. Na crise sanit\u00e1ria disponibilizamos outro single, \u2018End\u2019. Nosso plano era, uns meses depois, ter o \u00e1lbum pronto, mas n\u00e3o rolou. Na sequ\u00eancia teve o tempo de a gente voltar a ensaiar, se entrosar novamente. Retomar de onde a gente parou, relembrar algumas coisas que est\u00e1vamos compondo para o disco. Eu perdi completamente o senso de sociabilidade, saia na rua e n\u00e3o conseguia falar com as pessoas, isso que eu ainda trampei presencial. Encontrava meus companheiros de banda e n\u00e3o sa\u00eda assunto. Os dois anos de pandemia viraram quatro anos de retomada. Por isso, o \u00e1lbum representa supera\u00e7\u00e3o. Era pra ter sa\u00eddo em 2020, mas se postergou quase cinco anos. As baterias foram gravadas em 2019, ent\u00e3o a ideia era j\u00e1 seguir ali a grava\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m quer\u00edamos fazer as coisas do nosso jeito, no nosso tempo, n\u00e3o tinha um produtor pressionando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas \u2013 Essa demora, entre aspas, eu acho que \u00e9 um respeito ao tempo de cada um dos quatro e ao tempo da banda. Foi mais do que gostar\u00edamos, mas paci\u00eancia. O lado positivo \u00e9 que saturamos todas as possibilidades de todas as m\u00fasicas. Ficamos satisfeitos com o resultado final delas, pois j\u00e1 tiveram diversas vers\u00f5es. A gente experimentou e reexperimentou.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Completers &quot;End&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1ZndPD7Fhyg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Algo que me chamou a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que o \u00e1lbum come\u00e7a pelo fim. Quer dizer com \u2018End\u2019. Brincadeira \u00e0 parte, por que abrir o debut com uma faixa que n\u00e3o \u00e9 nova, que j\u00e1 foi single, em vez de um som in\u00e9dito?<\/strong><br \/>\nGuilherme \u2013 S\u00e3o 10 m\u00fasicas, sendo que duas foram singles j\u00e1 lan\u00e7ados: \u2018Silence\u2019 e \u2018End\u2019. Antes do \u00e1lbum em si, saiu outra m\u00fasica de trabalho, que \u00e9 \u2018Past Year\u2019, que tem clipe. A ideia de come\u00e7ar com \u2018End\u2019 n\u00e3o tem uma proposta. Com o tempo a gente experimentou todas as ordens poss\u00edveis de m\u00fasica. Pensamos o disco como o lado A e o lado B, tanto que vai ser em vinil e em fita. .<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe \u2013 \u00c9 que o fim \u00e9 s\u00f3 o come\u00e7o (risos). Na minha cabe\u00e7a, nunca tinha pensado dessa forma, de ser oportunidade de mostrar um som in\u00e9dito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme \u2013 Era a m\u00fasica que come\u00e7ava os shows tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe \u2013 Em algum momento fez sentido pela forma com que a m\u00fasica inicia, pela letra ou algo assim. A\u00ed s\u00f3 ficou, automaticamente, sendo a primeira m\u00fasica do disco. Tem essa pilha de ser um som de entrada e acabou indo para o disco assim tamb\u00e9m. Talvez uma escolha por afinidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme \u2013 \u00c9 bizarro que agora, depois de pronto, que a gente percebe que o disco come\u00e7a pelo fim e termina com uma miragem (a m\u00fasica que encerra o trabalho chama-se \u2018Mirage\u2019).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas \u2013 Pelo fato de o \u00e1lbum ter levado bastante tempo, todas as m\u00fasicas pra n\u00f3s j\u00e1 eram meio que antigas e conhecidas. Talvez tenha passado despercebido isso. Nem levamos em considera\u00e7\u00e3o o que j\u00e1 tinha sa\u00eddo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme \u2013 O que pensamos quando desenhamos a ideia do disco foi come\u00e7ar por cima, ter uma queda, subir um pouco e cair novamente. Tipo uma onda. Dentro desse contexto, fomos estudando ordens das m\u00fasicas que se encaixavam com outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As letras t\u00eam algum eixo tem\u00e1tico?<\/strong><br \/>\nFelipe \u2013 Elas seguem uma linha, n\u00e3o sei dizer exatamente qual a motiva\u00e7\u00e3o central. Acho que \u00e9 muito sobre tentar todo dia ser algu\u00e9m melhor dentro sociedade. Tipo: o que eu posso fazer pra tornar o mundo menos pior pra mim e para os outros. Porque o mundo sendo um lugar melhor, eu me sinto melhor e vice-versa. Isso conversa com quest\u00f5es pessoais, relacionamentos (com fam\u00edlia, com amigos), essa ida e vinda de pessoas na vida. Tem ocasi\u00f5es em que se conversa com algu\u00e9m e rola identifica\u00e7\u00e3o com a pessoa. Passa um m\u00eas e aparece a sensa\u00e7\u00e3o de que a gente n\u00e3o se conhece mais. S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que fazem parte desse grande mist\u00e9rio que \u00e9 viver. Poucas letras falam sobre algo muito espec\u00edfico. A maioria tem rela\u00e7\u00e3o com a grande confus\u00e3o mental que \u00e9 existir num mundo moderno, de muita coisa acontecendo, em que termina o dia e tu n\u00e3o lembra de nada porque \u00e9 muita informa\u00e7\u00e3o. Como viemos do punk, tem a contesta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, refer\u00eancias de uma esquerda mais \u00e0 esquerda, da contracultura e da politiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Completers costuma ter um visual de palco, meio social darks, lembrando Joy Division, por exemplo. Isso n\u00e3o \u00e9 uma novidade no mundo da m\u00fasica, v\u00e1rias bandas j\u00e1 usaram de tal recurso \u2013 de Nation of Ulisses a Refused, passando por nomes do revival dark 2000 como Interpol. Mas \u00e9 bacana, demonstra uma preocupa\u00e7\u00e3o e um respeito com o que vai ser apresentado. Como surgiu esse lance e por que resolveram manter?<\/strong><br \/>\nGuilherme \u2013 \u00c9 um estilo de roupa que sempre curti e uso no dia a dia para trabalhar. H\u00e1 alguns anos percebi que estava ok estender isso tamb\u00e9m para o palco. Notei que bandas que eu curtia se vestiam assim tamb\u00e9m: The Clash, Wire, o Klaus Flouride no Dead Kennedys, o Greg Ginn no Black Flag\u2026 Isso antes mesmo da The Completers existir, j\u00e1 com os Ornitorrincos. Eventualmente rola um outfit \u201cfim de semana\u201d com camiseta. N\u00e3o h\u00e1 uma regra muito clara. Vai do mood e temperatura do dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas \u2013 Pra mim n\u00e3o \u00e9 uma roupa que costumo usar, mas na Completers eu gosto. Como o Gui comentou, n\u00e3o \u00e9 sempre que usamos e muito menos uma regra de conduta. Mas pra mim faz sentido. Talvez possa ter alguma rela\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m com uma vis\u00e3o de que diversos elementos podem somar \u00e0 nossa m\u00fasica e aos nossos shows. A capa de um disco \u00e9 importante. As fotos de divulga\u00e7\u00e3o, os cartazes, as letras, as luzes e cores nos shows&#8230; Tudo importa. S\u00e3o diversas formas de nos expressarmos, criar e recriar a nossa identidade enquanto banda e indiv\u00edduos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jonas \u2013 \u00c9 como o Lucas falou, tudo importa. Quando algu\u00e9m fala que o &#8220;vis\u00fa&#8221; n\u00e3o importa ou que \u00e9 irrelevante, acho que \u00e9 uma mentira pra si mesmo (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe \u2013 As roupas que uso nos shows quase sempre s\u00e3o roupas que costumo usar &#8220;para sair&#8221;. Acho massa o apelo est\u00e9tico que temos (mesmo que simples), acaba fazendo parte do contexto de apresenta\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00eas esperam com esse \u00e1lbum de estreia?<\/strong><br \/>\nFelipe \u2013 Que consigamos fazer trampos novos. Desovar os que j\u00e1 tem para que outros possam surgir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme \u2013 Gostaria que pessoas que j\u00e1 conhecem a banda se identifiquem com o material. Nos cobravam esse \u00e1lbum completo. Tomara que consigamos satisfazer esse povo, que gostem do resultado tanto quanto n\u00f3s, que nossa m\u00fasica toque e atinja ouvintes em outros lugares do mundo. Temos um p\u00fablico fiel fora do Brasil, mas seria legal que nossa arte se espalhasse por mais lugares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa repercuss\u00e3o na gringa tem a ver com a entrevista que voc\u00eas deram para a Maximum Rock\u2019n\u2019Roll (fanzine estadunidense c\u00e2none da m\u00fasica independente\/punk)?<\/strong><br \/>\nGuilherme \u2013 Na verdade isso foi uma consequ\u00eancia de a nossa m\u00fasica ter se espalhado logo quando j\u00e1 saiu o primeiro single. Por exemplo: tiveram pelo menos dois selos da Alemanha interessados em lan\u00e7ar um disco nosso, mas por a gente estar fazendo as coisas dentro do nosso tempo, o assunto acabou morrendo. Vendemos c\u00f3pias para p\u00fablico da It\u00e1lia, da Fran\u00e7a, dos Estados Unidos. O pessoal da Maximum Rock\u2019n\u2019Roll nos acolheu desde que enviamos os primeiros materiais. \u00d3bvio que a divulga\u00e7\u00e3o e a visibilidade que a revista e que a KEXP, r\u00e1dio que j\u00e1 tocou nosso som, acabam contribuindo para difundir o trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando para a quest\u00e3o das expectativas com um trocadilho: o que esse primeiro disco completo da Completers completa na trajet\u00f3ria de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nLucas \u2013 Sobre o que eu espero: \u00e9 uma mistura do que os guris j\u00e1 disseram. Tipo, que as pessoas gostem, mas se n\u00e3o gostarem tudo bem. Espero poder tocar bastante em lugares que a gente j\u00e1 tocou, em outros que a gente nunca esteve, rever amigos, fazer novas amizades e poder focar em m\u00fasicas novas. Pra mim \u00e9 sempre uma felicidade muito grande ver algo que eu ajudei a construir se materializar fisicamente. O que completa \u00e9 que eu gosto muito de ver as bandas que fa\u00e7o parte sendo lan\u00e7adas, seja em CD, fita cassete ou vinil. Ent\u00e3o para mim isso \u00e9 uma satisfa\u00e7\u00e3o indescrit\u00edvel. E esse \u00e1lbum da Completers est\u00e1 sendo lan\u00e7ado nos tr\u00eas formatos f\u00edsicos, algo que eu nunca tive em nenhuma banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe \u2013 Tem essa quest\u00e3o do trabalho palp\u00e1vel, no sentido material, como o Lucas comentou. E, ainda, \u00e9 meio que a realiza\u00e7\u00e3o, ou talvez a percep\u00e7\u00e3o, de que de todas as minhas bandas, eu senti que agora \u00e9 o momento mais maduro e fiel ao que eu gostaria de cantar, ao que eu gostaria de escrever, ao que eu gostaria de compor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme \u2013 O \u00e1lbum de estreia da Completers representa bem a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho e de um amadurecimento musical. Faz uns 30 anos ou mais que eu tenho banda, que eu toco, sempre sonhei em chegar num n\u00edvel como agora. \u00c9 um trabalho que fiz com meus amigos, em uma fase madura. Al\u00e9m disso, nas outras bandas, sempre lan\u00e7ava uma demo, um EP, um split. Em algumas eu entrava j\u00e1 num processo de grava\u00e7\u00e3o e de produ\u00e7\u00e3o de um disco. O nosso debut \u00e9 algo que os quatro criaram desde o in\u00edcio. Eu at\u00e9 brincava que n\u00e3o podia morrer antes de o disco estar pronto. Quero muito pegar e ver, ouvir, fazer o show de lan\u00e7amento e outras apresenta\u00e7\u00f5es pra divulgar o registro. Cheguei ao \u00e1pice da vida, estou realizado. O que vier \u00e9 lucro, musicalmente falando.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Completers - Silence \/ Be Gone (OCulto - Porto Alegre) 01.11.2019\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TqwJDhpR72A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Completers - Hypnosis [Ocidente Bar - 03.09.2023]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rfgWJO0h5_E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Completers - Past Year [Quinto Club, Porto Alegre-RS - 18.12.2022]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8_fbhhokOXA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"THE COMPLETERS - Live at Levante Ps\u00edquico I [2017] [FULL SET]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/c8rKWs642Qc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista, vocalista da\u00a0<a href=\"https:\/\/diokane.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Diokane<\/a>\u00a0e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Ben Para Todo Mal<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O disco traz 10 temas de tend\u00eancia melanc\u00f3lica criados no mais puro etos punk do fa\u00e7a-voc\u00ea-mesmo por Felipe Vicente (vocal, guitarra e sintetizador), Jonas Dalacorte (guitarra), Lucas Richter (baixo) e Guilherme Chiarelli Gon\u00e7alves (bateria e pads)\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/03\/28\/entrevista-the-completers-banda-post-punk-gaucha-fala-sobre-seu-album-de-estreia\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":149,"featured_media":88397,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7637,7636],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88395"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/149"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88395"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88395\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":88457,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88395\/revisions\/88457"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/88397"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88395"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88395"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}