{"id":88348,"date":"2025-03-25T02:03:58","date_gmt":"2025-03-25T05:03:58","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=88348"},"modified":"2025-04-11T09:48:31","modified_gmt":"2025-04-11T12:48:31","slug":"entrevista-jon-spencer-fala-sobre-novo-show-e-relembra-encontros-com-ze-do-caixao-fabio-moon-e-gabriel-ba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/03\/25\/entrevista-jon-spencer-fala-sobre-novo-show-e-relembra-encontros-com-ze-do-caixao-fabio-moon-e-gabriel-ba\/","title":{"rendered":"Entrevista: Jon Spencer fala sobre novo projeto e relembra encontros com Z\u00e9 do Caix\u00e3o, F\u00e1bio Moon e Gabriel B\u00e1"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jonathan Spencer \u00e9 um artista absolutamente inquieto que montou sua primeira banda barulhenta de blues rock experimental, o Pussy Galore, quando tinha 20 anos, em 1985, em Washington DC, inspirado por Rolling Stones e Einst\u00fcrzende Neubauten. Depois, em 1989, em Nova York, formou o Boss Hog e em 1991 juntou-se a Judah Bauer e Russell Simins na Jon Spencer Blues Explosion, seu projeto musical mais longevo (1991\/2022) e famoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suas aventuras musicais, por\u00e9m, n\u00e3o pararam por a\u00ed. Ele saiu em turn\u00ea com o bluesman R. L. Burnside na metade dos anos 90, e na metade dos anos 2000 formou o Heavy Trash, banda que trouxe ao Brasil em 2009 \u2013 sua estreia no pa\u00eds foi em 2001 quando veio para o Abril Pro Rock, em Recife, <a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/jonspencer.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">e fez dois shows na mesma noite<\/a>, no Sesc Pompeia com a Blues Explosion, que at\u00e9 hoje s\u00e3o relembrados em mesas de bar da capital paulista. Com o fim da Blues Explosion nasceu a Jon Spencer &amp; the Hitmakers em 2023 \u2013 que j\u00e1 n\u00e3o existe mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abaixo, Jon Spencer relembra como o punk, a new wave, a no wave, o hardcore, e a m\u00fasica industrial o colocaram no caminho do verdadeiro rock&#8217;n&#8217;roll, explica como conheceu os novos parceiros e diz que alguns dos grandes momentos que teve no Brasil foram ao lado de Z\u00e9 do Caix\u00e3o e de F\u00e1bio Moon e Gabriel B\u00e1. Leia abaixo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Wrong\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8DVv-zHOXhg?list=OLAK5uy_lch4p_49GycJASfEnGy3kYojxjQDK6Ras\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desde o Pussy Galore, voc\u00ea montou diversos projetos. Como surgiu essa nova colabora\u00e7\u00e3o com Kendall e Macky? Como foi gravar o disco &#8220;Sick of Being Sick!&#8221; (2024) com eles?<\/strong><br \/>\nConheci Kendall e Macky quando produzi (\u201cSkin Suit\u201d, 2020) o segundo \u00e1lbum da banda deles, The Bobby Lees. Uns anos depois, Samantha Fish me convidou para produzir um disco seu (\u201cDeath Wish Blues\u201d, 2023), e chamei Kendall para tocar baixo nesse \u00e1lbum. A Samantha ent\u00e3o perguntou se eu gostaria de acompanh\u00e1-la na estrada com a Shake Em On Down blues tour, e eu topei, embora n\u00e3o tivesse banda na \u00e9poca (o HITmakers, minha banda anterior, j\u00e1 tinha encerrado as atividades). Meu primeiro pensamento foi perguntar a Kendall se ele queria entrar nessa tamb\u00e9m, e como a The Bobby Lees tamb\u00e9m estava em hiato, foi f\u00e1cil incluir Macky. Kendall e Macky j\u00e1 s\u00e3o m\u00fasicos excelentes, mas o fato de tocarem juntos como uma se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica por tantos anos os torna ainda mais formid\u00e1veis. Gravar \u201cSick Of Being Sick\u201d com eles foi moleza. Eles s\u00e3o entusiasmados e est\u00e3o prontos para qualquer desafio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea veio em 2001 para o Abril Pro Rock, em Recife, e fez dois shows na mesma noite no Sesc Pompeia, em S\u00e3o Paulo, com a Blues Explosion; depois voltou em 2009 com o Heavy Trash. Voc\u00ea lembra algo dessas passagens por S\u00e3o Paulo? S\u00e3o shows que as pessoas comentam at\u00e9 hoje&#8230;<\/strong><br \/>\nLembro de alguns bons momentos com Heavy Trash. Uma coisa que se destacou foi conhecer o Z\u00e9 do Caix\u00e3o e tocar um som com ele na TV! Outro grande momento foi conhecer dois grandes artistas brasileiros de quadrinhos, os irm\u00e3os (F\u00e1bio) Moon e (Gabriel) B\u00e1.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Heavy Trash + Z\u00e9 do Caix\u00e3o (Coffin Joe) - You Can&#039;t Win\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Mt7aGWlWjGc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse novo show que vir\u00e1 ao Brasil voc\u00ea costuma tocar muitas coisas da Blues Explosion e, tamb\u00e9m, do Pussy Galore. Como \u00e9 para voc\u00ea revisitar essas can\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma verdadeira alegria revisitar essas m\u00fasicas e reinterpret\u00e1-las com Kendall &amp; Macky. \u00c9 t\u00e3o bom tocar os hits! Espero que as pessoas fiquem t\u00e3o empolgadas quanto eu para ouvir alguns cl\u00e1ssicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o fazendo exatamente o mesmo set toda noite, certo. O que faz uma can\u00e7\u00e3o entrar no show? Como voc\u00ea as escolhe?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o fazemos o mesmo set todas as noites. E n\u00e3o usamos um set list. Eu simplesmente chamo uma m\u00fasica ou come\u00e7o eu mesmo. Com exce\u00e7\u00e3o das primeiras m\u00fasicas (do set), tento n\u00e3o planejar nada na minha cabe\u00e7a. N\u00e3o ter um set list \u2013 e n\u00e3o tocar o mesmo set em todos os shows \u2013 mant\u00e9m as coisas frescas para n\u00f3s. Tamb\u00e9m nos d\u00e1 a oportunidade de nos mover e reagir \u00e0 energia da sala e ao humor da multid\u00e3o. Tento me deixar aberto \u2013 para ser um canal para o que est\u00e1 acontecendo naquele momento no palco e no p\u00fablico. \u00c0s vezes, acho que as m\u00fasicas me escolhem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em uma entrevista para um grande jornalista da MTV Brasil em 2001, o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/09\/09\/entrevista-aos-60-fabio-massari-nao-cansa-de-fazer-coisas-legais-e-conta-de-varias-delas-nessa-conversa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">F\u00e1bio Massari<\/a>, voc\u00ea contou que n\u00e3o estava comprando tantos CDs porque Nova York era uma cidade muito cara para morar e criar um filho, certo. Bem, o filho cresceu, Nova York ficou ainda mais cara, mas voc\u00ea tem comprado discos novos? Ouvido coisas novas? Contam que <a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/jonspencer.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">voc\u00ea comprou o &#8220;Tecnicolor&#8221;, dos Mutantes<\/a>, em S\u00e3o Paulo em 2001&#8230;<\/strong><br \/>\nSim, eu ainda compro discos. Ir a uma loja de discos ainda me deixa muito feliz. Mas a maioria dos discos que compro s\u00e3o velhos e usados.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fabio Massari entrevista Jon Spencer +trecho do show dos Blues Explosion no Abril Pro Rock 2001(MTV)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/I-A0O1EIvhk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o temos tantas entrevistas suas em portugu\u00eas no Brasil, por isso gostaria de fazer uma pergunta sobre forma\u00e7\u00e3o, pois h\u00e1 tanto gente que idolatra voc\u00ea quanto uma ou duas gera\u00e7\u00f5es que ainda precisam ser catequisadas por sua vers\u00e3o de rock&#8217;n&#8217;roll. Por isso, gostaria de perguntar como o rock&#8217;n&#8217;roll entrou na sua vida e tomou toda essa propor\u00e7\u00e3o de ser algo que voc\u00ea faz, e se diverte, a 40 anos?<\/strong><br \/>\nSou uma crian\u00e7a dos anos 60 que cresceu na Am\u00e9rica, ent\u00e3o sempre fui exposto ao rock&#8217;n&#8217;roll \u2013 fez parte da minha forma\u00e7\u00e3o. Quando eu era pequeno, todo desenho animado no s\u00e1bado de manh\u00e3 dos anos 70 tinha uma banda de rock&#8217;n&#8217;roll fict\u00edcia e descolada. O seriado dos Monkees estava em distribui\u00e7\u00e3o e era reprisado todas as tardes no canal de TV da minha cidade. O choque e a rebeli\u00e3o do rock&#8217;n&#8217;roll (e o movimento jovem dos anos 60), por\u00e9m, j\u00e1 tinham sido cooptados e tornados seguros h\u00e1 muito tempo. Da\u00ed que quando eu era adolescente, o que era chamado de &#8220;rock&#8221; n\u00e3o me interessava. Sendo de uma pequena cidade da Nova Inglaterra (Jon nasceu em Hanover, New Hampshire, uma cidade de menos de 12 mil habitantes no censo de 2020), o \u00fanico rock que eu ouvia era algo pesado como Aerosmith e (Led) Zeppelin ou algo mais pop como Al Stewart &amp; Boston. Punk e new wave eram um completo mist\u00e9rio, pois n\u00e3o eram tocados no r\u00e1dio ou na TV (e n\u00e3o havia internet!). Mas aos poucos, eu fui lentamente juntando pequenas pistas, pedacinho por pedacinho, e descobri NOVAS bandas e novos sons. Foi por meio deles \u2014 do punk, new wave, no wave, hardcore, industrial \u2014 que descobri o verdadeiro rock&#8217;n&#8217;roll, sua rica hist\u00f3ria e que forma de arte estranha e afirmativa da vida ele \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 temos sorte de poder ter voc\u00ea entre n\u00f3s pela terceira vez, mas n\u00e3o custa sonhar: a Blues Explosion encerrou as atividades, mas se produtores da Am\u00e9rica do Sul convidassem voc\u00ea e Cristina para uma turn\u00ea maluca de dois concertos por cidade, uma noite Pussy Galore, outra noite Boss Hog (quem sabe com Bob Bert, Mickey Finn ou <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/02\/27\/entrevista-kid-congo-powers-fala-sobre-autobiografia-carreira-solo-e-seus-trabalhos-com-gun-club-the-cramps-e-nick-cave\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Kid Congo<\/a>). Seria poss\u00edvel sonhar tanto assim, ou ao menos com metade disso?<\/strong><br \/>\nBem, nunca diga nunca, mas n\u00e3o perca tempo pensando nisso! Quem sabe se isso pode ou n\u00e3o acontecer. Eu encorajo todos a virem me ver com Kendall &amp; Macky!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para encerrar, o que o p\u00fablico brasileiro pode esperar dessa nova vers\u00e3o de Jon Spencer ao vivo? Blues? Punk rock? Noise? Divers\u00e3o?<\/strong><br \/>\n\u00c9 aquilo que a gente j\u00e1 conversou: haver\u00e1 um pouco de Blues Explosion, um pouco de Pussy Galore, tamb\u00e9m algumas do HITmakers, junto com m\u00fasicas do \u201cSick Of Being Sick\u201d e um monte de coisas completamente novas. Haver\u00e1 blues &#8211; de um certo tipo de blues, definitivamente teremos um pouco de punk rock, assim como um pouco de barulho. E n\u00e3o s\u00f3 muita divers\u00e3o, mas tamb\u00e9m muita energia e paix\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jon Spencer *FULL SHOW* - Brooklyn Bowl, New York 2023-12-28\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0ZnuNPX98gs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" O Jon Spencer que S\u00e3o Paulo e Jundia\u00ed ir\u00e3o ver no come\u00e7o de abril \u00e9 um projeto novo que ele formou com a baixista Kendall Wind e com o baterista Macky Spider Bowman\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/03\/25\/entrevista-jon-spencer-fala-sobre-novo-show-e-relembra-encontros-com-ze-do-caixao-fabio-moon-e-gabriel-ba\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":88350,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[279],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88348"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88348"}],"version-history":[{"count":23,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88348\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":88529,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88348\/revisions\/88529"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/88350"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88348"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88348"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88348"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}