{"id":88292,"date":"2025-03-24T00:21:10","date_gmt":"2025-03-24T03:21:10","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=88292"},"modified":"2025-04-23T18:00:04","modified_gmt":"2025-04-23T21:00:04","slug":"teatro-avenida-paulista-da-consolacao-ao-paraiso-de-felipe-hirsch-e-uma-ode-apaixonada-pelas-contradicoes-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/03\/24\/teatro-avenida-paulista-da-consolacao-ao-paraiso-de-felipe-hirsch-e-uma-ode-apaixonada-pelas-contradicoes-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Teatro: \u201cAvenida Paulista, da Consola\u00e7\u00e3o ao Para\u00edso\u201d, de Felipe Hirsch, \u00e9 uma ode apaixonada pelas contradi\u00e7\u00f5es de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">\u00a0<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-88294\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/saosaopaulo2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/saosaopaulo2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/saosaopaulo2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/saosaopaulo2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<\/strong><strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/_renanguerra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">As cidades, os territ\u00f3rios e seus espa\u00e7os geogr\u00e1ficos s\u00e3o importantes espa\u00e7os de cria\u00e7\u00e3o e inspira\u00e7\u00e3o para a arte: a Paris dos autores da Nouvelle Vague, a Hong Kong de Wong Kar-Wai, a Nova York de Woody Allen, a Bahia de Jorge Amado, o Leblon de Manoel Carlos ou os sub\u00farbios de Nelson Rodrigues. Os espa\u00e7os dialogam com as obras. E S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m \u00e9 espa\u00e7o desse universo art\u00edstico: a cidade das can\u00e7\u00f5es de Itamar Assump\u00e7\u00e3o, as ruas dos filmes de Ugo Giorgetti, a diversidade das novelas de Silvio de Abreu e o cen\u00e1rio f\u00e9rtil dos outros mundos de Z\u00e9 Celso Martinez Corr\u00eaa. E mais que isso, S\u00e3o Paulo ainda \u00e9 o campo de experimenta\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia de muitos n\u00e3o paulistas. \u00c9 cidade de migrantes, de refugiados, de quem n\u00e3o \u00e9 daqui e aqui se encontra. Felipe Hirsch, por exemplo, nasceu no Rio de Janeiro, cresceu e se desenvolveu em Curitiba, mas encontrou outros rumos em S\u00e3o Paulo \u2013 uma cidade que segue cativando os outsiders, os esquisitos, os que n\u00e3o se encaixam e que aqui se acham. Com isso, Hirsch apresenta seu espet\u00e1culo mais paulistano, sua ode \u00e0 S\u00e3o Paulo, sua alegoria po\u00e9tica sobre as dicotomias dessa cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAvenida Paulista, da Consola\u00e7\u00e3o ao Para\u00edso\u201d \u00e9 uma express\u00e3o sincera do que h\u00e1 de belo e de horr\u00edvel numa das espinhas dorsais de SP, a avenida que movimenta a arte, a cultura, a economia e a pol\u00edtica da regi\u00e3o. E tudo isso \u00e9 apresentado bem no centro da avenida, no Centro Cultural FIESP, no Teatro do SESI-SP, que celebra 60 anos de hist\u00f3ria, e que h\u00e1 20 anos foi palco do espet\u00e1culo \u201c<a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/mais\/dropsie.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Avenida Dropsie<\/a>\u201d, \u201c<a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/mais\/nostalgia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nostalgia<\/a>\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/mais\/somefuria.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Vida \u00e9 Cheia de Som e F\u00faria<\/a>\u201d, todos de Hirsch. (A FIESP \u00e9 tamb\u00e9m espa\u00e7o que ficou marcado pela presen\u00e7a de um amplo pato infl\u00e1vel, s\u00edmbolo de muitas manifesta\u00e7\u00f5es da direita; pato, inclusive, que \u00e9 alvo de uma das piadas do espet\u00e1culo de Hirsch). Enfim, um casamento interessante de uma obra e de seu ponto de refer\u00eancia. Como sacramentou o DJ Z\u00e9 Pedro na sa\u00edda do espet\u00e1culo, esta \u00e9 uma pe\u00e7a cart\u00e3o-postal, que segundo ele deveria ficar fixa em exibi\u00e7\u00e3o na avenida, tal qual algumas pe\u00e7as da Broadway. O espet\u00e1culo de Hirsch \u00e9 a mais m\u00faltipla representa\u00e7\u00e3o da Paulista hoje &#8211; e, a partir disso, funciona como esp\u00e9cie de microcosmo da cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As tr\u00eas horas de dura\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo parecem exageradas, por\u00e9m s\u00e3o t\u00e3o reveladoras quanto um domingo todo zanzando pela avenida aberta aos pedestres. Isso se d\u00e1 pelo fato de que o mais sublime do espet\u00e1culo \u00e9 sua humanidade, \u00e9 sua forma de olhar para as sutilezas do outro e observar com interesse suas particularidades. Esse resultado deixa claro que essa \u00e9 uma obra constru\u00edda por artistas que realmente vivem a cidade. \u00c9 comum que alguns artistas, em determinado ponto de suas carreiras, acabem restritos ao universo de circula\u00e7\u00e3o do mundinho das artes, fechados em vernissages, estreias e festas em apartamentos bem mobiliados; isso cria um afastamento do cotidiano e do real. \u201cAvenida Paulista, da Consola\u00e7\u00e3o ao Para\u00edso\u201d \u00e9 um espet\u00e1culo de quem vive S\u00e3o Paulo de verdade, de quem anda na rua, de quem pega metr\u00f4 e fica atento aos trombadinhas nas escadarias de acesso; algu\u00e9m que anda pelo v\u00e3o do MASP em diferentes dias; algu\u00e9m que entra a esmo no Parque Trianon; algu\u00e9m que sabe a luta que \u00e9 trafegar com guarda-chuvas pela avenida em dias de chuva; algu\u00e9m que entende a diversidade que habita aquelas m\u00faltiplas janelas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso possibilita a constru\u00e7\u00e3o de personagens absolutamente reais e quase palp\u00e1veis: quem circula pela Paulista conhece aquelas pessoas, j\u00e1 conversou com elas no ponto de \u00f4nibus, j\u00e1 as encontrou descendo a Augusta, j\u00e1 esbarrou na feirinha do Parque Trianon e j\u00e1 fugiu delas na frente do shopping Cidade S\u00e3o Paulo. E isso obviamente \u00e9 expandido pela cria\u00e7\u00e3o coletiva ao lado do elenco, composto por atores de diferentes idades e backgrounds \u2013 destaque para Aretha Sadick e Ver\u00f3nica Valenttino, dois talentos incr\u00edveis que vale ficar de olho. Al\u00e9m disso, destaca-se a parceria de Hirsch com diferentes m\u00fasicos. Alzira E., Arnaldo Antunes, DJ K, Kiko Dinucci, J\u00e9ssica Caitano, Ju\u00e7ara Mar\u00e7al, Maria Beraldo, Maria Esmeralda, Maur\u00edcio Pereira, Negro Leo, Nuno Ramos, Rodrigo Campos, Rodrigo Ogi, Romulo Fr\u00f3es e Tulipa Ruiz criaram can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas para o espet\u00e1culo, indo dos sons da vanguarda paulista ao ritmo fren\u00e9tico do funk bruxaria \u2013 tudo amarrado pela trilha sonora original, de Arthur de Faria, com a dire\u00e7\u00e3o musical e os arranjos de Maria Beraldo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ficha t\u00e9cnica \u00e9 gigante, mas merece destaque, pois marca realmente a coletividade desse projeto. Por exemplo, a dire\u00e7\u00e3o de arte e cenografia \u00e9 de Daniela Thomas e Felipe Tassara, e o design de luz, de Beto Bruel, profissionais que s\u00e3o parceiros de Hirsch h\u00e1 mais de 25 anos. A dramaturgia da pe\u00e7a \u00e9 assinada por Caetano Galindo, Felipe Hirsch, Guilherme Gontijo Flores e Juuar, numa cria\u00e7\u00e3o coletiva com o elenco de atores. E Juuar ainda assina a codire\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a junto a Felipe Hirsch.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas essas cabe\u00e7as pensantes criam um imag\u00e9tico urbano que acaba evocando muitas outras imagens, algumas refer\u00eancias diretas do diretor e da equipe, outras apenas correla\u00e7\u00f5es que propomos por aqui. Na avenida Paulista do espet\u00e1culo cabe a avenida aleg\u00f3rica do Teatro Oficina de Z\u00e9 Celso Martinez Corr\u00eaa; as linhas brutas, mas convidativas de Lina Bo Bardi; o olhar po\u00e9tico de cronista urbano de Maur\u00edcio Pereira; o humor musical do Premeditando o Breque; os cen\u00e1rios poss\u00edveis dos sons de Itamar Assump\u00e7\u00e3o; os personagens comuns de Ugo Giorgetti; as figuras noturnas de Wilson Barros em seu \u201cAnjos da Noite\u201d (Mar\u00edlia P\u00eara dan\u00e7ando no v\u00e3o do MASP \u00e9 uma cena que poderia estar na pe\u00e7a de Hirsch); e a cidade quase surrealista de Isay Weinfeld e Marcio Kogan em \u201cFogo e Paix\u00e3o\u201d. Isso tudo cria uma narrativa completamente direta sobre a Avenida Paulista, ao mesmo tempo em que constr\u00f3i alegorias de toda S\u00e3o Paulo e, ainda assim, bastante caras aos grandes centros urbanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na mesma medida em que h\u00e1 universalidade no espet\u00e1culo de Hirsch, h\u00e1 tamb\u00e9m a busca por uma constru\u00e7\u00e3o de identidade completamente local, criando um imagin\u00e1rio poss\u00edvel entre as dicotomias que habitam SP: seu caos, sua liberdade, seus exageros e suas necessidades. \u201cAvenida Paulista, da Consola\u00e7\u00e3o ao Para\u00edso\u201d \u00e9 um convite para que voc\u00ea deixe seu carro na garagem e bata perna pela paulista, indo de seus v\u00e3os e galerias aos seus pr\u00e9dios de muitos corredores, tudo numa descoberta \u00fanica da r\u00edspida beleza de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>O espet\u00e1culo t\u00e1 em cartaz no teatro do SESI-SP, no Centro Cultural FIESP, e ficar\u00e1 em cartaz at\u00e9 29 de junho, com apresenta\u00e7\u00f5es gratuitas de quinta a s\u00e1bado, \u00e0s 20h, e aos domingos, \u00e0s 19h. <a href=\"https:\/\/www.sesisp.org.br\/cultura\/noticia\/avenida-paulista-da-consolacao-ao-paraiso-de-felipe-hirsch-estreia-no-teatro-do-sesi-sp-em-fevereiro-de-2025\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00c9 preciso reservar o ingresso no site<\/a>!<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"\u201cAvenida Paulista, da Consola\u00e7\u00e3o ao Para\u00edso\u201d traz um mosaico de hist\u00f3rias\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eWL1ZxMKnnk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista<\/em>\u00a0e<em>\u00a0escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. Faz parte do\u00a0<a href=\"http:\/\/vamosfalarsobremusica.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/vamosfalarsobremusica.com.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1630729890879000&amp;usg=AFQjCNGttyQx5OWOAKRyi7iGq8E4oacvuw\">Podcast Vamos Falar Sobre M\u00fasica<\/a>\u00a0e colabora com o\u00a0<a href=\"https:\/\/monkeybuzz.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/monkeybuzz.com.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1630729890879000&amp;usg=AFQjCNFjG1FOw9vBGrawiUhocH4mshwTtw\">Monkeybuzz<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"https:\/\/revistabalaclava.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/revistabalaclava.com\/&amp;source=gmail&amp;ust=1630729890879000&amp;usg=AFQjCNFqHswo4qEcyg8fw9VPM8IWsRH5oQ\">Revista Balaclava<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As tr\u00eas horas de dura\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo parecem exageradas, por\u00e9m s\u00e3o t\u00e3o reveladoras quanto um domingo todo zanzando pela avenida aberta aos pedestres\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/03\/24\/teatro-avenida-paulista-da-consolacao-ao-paraiso-de-felipe-hirsch-e-uma-ode-apaixonada-pelas-contradicoes-de-sao-paulo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":88293,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7496],"tags":[7633,4122],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88292"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88292"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88292\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":88300,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88292\/revisions\/88300"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/88293"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88292"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88292"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88292"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}