{"id":88257,"date":"2025-03-21T08:52:49","date_gmt":"2025-03-21T11:52:49","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=88257"},"modified":"2025-04-21T01:35:22","modified_gmt":"2025-04-21T04:35:22","slug":"memoria-de-peixe-lanca-iii-e-deseja-fomentar-o-lado-positivo-da-troca-cultural-entre-brasil-e-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/03\/21\/memoria-de-peixe-lanca-iii-e-deseja-fomentar-o-lado-positivo-da-troca-cultural-entre-brasil-e-portugal\/","title":{"rendered":"Entrevista: Mem\u00f3ria de Peixe lan\u00e7a &#8220;III&#8221; e deseja fomentar o lado positivo da troca cultural entre Brasil e Portugal"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.m.salgado.5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>, especial de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O encontro com os <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/mmrdpx\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mem\u00f3ria de Peixe<\/a> come\u00e7ou numa tarde de sexta-feira no Est\u00fadio M\u00e3e do C\u00e9u, em Lisboa, onde o guitarrista e fundador da banda, Miguel Nicolau, apresentou o espa\u00e7o no qual o grupo trabalha e comp\u00f5e a sua m\u00fasica. A banda, de matriz instrumental, formou-se em 2011 quando Miguel criou um projeto de guitarras em \u2018loop\u2019 ao qual se juntou o baterista Nuno Oliveira. O \u00e1lbum hom\u00f4nimo de estreia, lan\u00e7ado em 2012, denotou um esp\u00edrito roqueiro e imediato (com ecos dos Battles e das bandas da Warp Records) e proporcionou ao duo uma boa proje\u00e7\u00e3o e receptividade cr\u00edtica em Portugal al\u00e9m de participa\u00e7\u00f5es em festivais como Milh\u00f5es de Festa (Portugal), Liverpool Sound City (Inglaterra) e Coquetel Molotov (Brasil), entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguiu-se o disco \u201cHimiko Cloud\u201d (2016), que contou com Marco Franco na bateria, representativo de uma fase mais agressiva, com menos barreiras e imposi\u00e7\u00f5es de formas, de cariz mais explorat\u00f3rio e cruzando a fantasia e o sci-fi. O trabalho favoreceu as ambi\u00e7\u00f5es do grupo, que excursionou os palcos europeus com maior frequ\u00eancia. Atualmente, os Mem\u00f3ria de Peixe apresentam-se como um power trio composto por Miguel Nicolau (guitarra, vozes), Filipe Louro (baixo, vozes) e Pedro Melo Alves (bateria, vozes) e est\u00e3o com \u00e1lbum nas plataformas, \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/album\/0xGVlrUtHTJAGxSZy9yCe5?si=dt85xE2tQ5CEMerU5TKPAg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">III<\/a>\u201d (2025). O disco ter\u00e1 edi\u00e7\u00e3o em vinil pelo selo leiriense Omnichord Records e em cassete pela editora Ticket To Ride Records.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande novidade do trabalho, que procura transmitir uma mensagem de paz interior e de esperan\u00e7a em fun\u00e7\u00e3o do conturbado cen\u00e1rio mundial (propondo igualmente uma viagem e sumarizando os caminhos sonoros anteriores), passa pela explora\u00e7\u00e3o da voz como fator determinante no \u2018storytelling\u2019 e no potencial mel\u00f3dico da banda. Exemplo disso s\u00e3o faixas como \u201cUnder The Sea\u201d ou \u201cNot Tonight\u201d, onde o contributo vocal do m\u00fasico lisboeta Norberto Lobo, que colaborou na fase inicial do \u00e1lbum, atestou a sua import\u00e2ncia no processo criativo dos Mem\u00f3ria de Peixe. No disco, destacam-se igualmente o single cintilante \u201cGood Morning\u201d e o seu arrebatado sucessor (\u201c3:13\u201d), que explora um lado vertiginoso, inspirado no universo ficcional e desafiador de David Lynch, e inclui um solo do saxofonista Jos\u00e9 Soares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00e1lbum termina de forma interessante, com a orquestral \u201cGood Night\u201d, traduzindo o gosto do trio pelo universo da m\u00fasica cl\u00e1ssica. Sobre a faixa, Miguel Nicolau explica o seu \u00e2mago e funcionalidade: \u201cA m\u00fasica foi composta pelo Pedro Melo Alves. Ele achou que dev\u00edamos fazer um \u2018medley\u2019 de todas as can\u00e7\u00f5es, das partes identit\u00e1rias e melodias e recontextualiz\u00e1-las para fechar o disco. Foi quase como uma grava\u00e7\u00e3o perdida algures no espa\u00e7o e no tempo tal como um astronauta vem de outra realidade. N\u00f3s gostamos de brincar com estas mensagens que at\u00e9 podem vir do futuro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em dezembro de 2024 os Mem\u00f3ria de Peixe fizeram um tour nacional de pr\u00e9-apresenta\u00e7\u00e3o de \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/album\/0xGVlrUtHTJAGxSZy9yCe5?si=dt85xE2tQ5CEMerU5TKPAg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">III<\/a>\u201d que, segundo Miguel Nicolau, \u201csurpreendeu-nos pela boa ades\u00e3o do p\u00fablico, que ainda se lembrava do projeto ao fim de v\u00e1rios anos e revelou vontade em conhecer os novos passos da banda\u201d. Presentemente, os Mem\u00f3ria de Peixe est\u00e3o a apostar fortemente num concerto de apresenta\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum na Culturgest (Lisboa), a 16 de abril, e Miguel promete que o trio far\u00e1 mais shows de norte a sul de Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o questiono sobre a maior ambi\u00e7\u00e3o do grupo, o fundador e guitarrista dos Mem\u00f3ria de Peixe revela um sentido pr\u00e1tico: \u201cO objetivo \u00e9 continuar a poder ter o privil\u00e9gio de fazer a m\u00fasica que nos apraz e, de alguma maneira, as pessoas gostarem de escutar a banda\u201d. E expressa por fim um sentimento mais amplo. \u201cA m\u00fasica atualmente \u00e9 um adere\u00e7o para alguma coisa. Por vezes como consequ\u00eancia do mundo em que vivemos. Portanto, quando aparece algu\u00e9m que se esfor\u00e7a para superar o gesto b\u00e1sico de fazer \u2018scroll\u2019 ou seja, procura ir aos shows e quer saber mais sobre um grupo, trata-se de um ato admir\u00e1vel. Eu sei o privil\u00e9gio que representa essa atitude, porque fa\u00e7o isso com os outros e comigo tamb\u00e9m. O meu papel \u00e9 de tentar ao m\u00e1ximo servir a m\u00fasica, aquilo que puder fazer para ajudar e o resto vem por acr\u00e9scimo\u201d, conclui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Lisboa para o Brasil, Miguel Nicolau, guitarrista e fundador dos Mem\u00f3ria de Peixe, conversou com o Scream &amp; Yell:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Good Morning\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HgxOlfbNEaY?list=OLAK5uy_nOdyNj5g87TFqzRvAjmofFAa8ku5Ki9vI\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Porque demoraram nove anos para fazer \u201cIII\u201d (2025) e que objetivos pretendiam alcan\u00e7ar com este trabalho?<\/strong><br \/>\nO percurso de nove anos, \u00e0s vezes, acaba por ser n\u00e3o ser o \u2018timing\u2019 que idealizamos quando come\u00e7amos os projetos, pelo meio houve a pandemia e depois acontece a vida que nos traz coisas muito interessantes. Faz com que procuremos novos caminhos e as outras pessoas procurem o seu rumo tamb\u00e9m. No fundo n\u00f3s andamos \u00e0 boleia (carona) daquilo que \u00e9 o crescimento pessoal e individual, porque escutamos m\u00fasica diferente, crescemos enquanto indiv\u00edduos e trabalhamos com diversos artistas. A mudan\u00e7a s\u00f4nica dos Mem\u00f3ria de Peixe tem muito a ver com isso. Est\u00e1 igualmente relacionada com o fato de eu deixar de pensar tanto em mim e no projeto e aprender mais com os outros. Esta posi\u00e7\u00e3o de produtor musical (trabalhou com JP Sim\u00f5es, Da Chick, Lisa Sereno ou Monday) em que tamb\u00e9m me encontro \u00e9 uma colabora\u00e7\u00e3o art\u00edstica, mas depende mais dos outros m\u00fasicos. Isso foi muito importante para perceber que existem imensas realidades diferentes. Por exemplo, a voz era uma coisa que eu n\u00e3o usava muito, e uma can\u00e7\u00e3o quando tem um poema existe, tamb\u00e9m, a parte l\u00edrica, mas esse lado evoca imagens e sentimentos. A m\u00fasica instrumental pode faz\u00ea-lo, no entanto n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o direta e at\u00e9 permite sonhar mais. Mas, a presen\u00e7a da voz ou a premissa de criarmos hist\u00f3rias foi algo que neste disco \u00e9 determinante. Acabou por ser o culminar destes nove anos e de trabalhar muito mais com refer\u00eancias e sonoridades diferentes e de colaborar com artistas que cantam. Quando conheci o Pedro Melo Alves chegamos \u00e0 conclus\u00e3o que partilh\u00e1vamos imensas influ\u00eancias musicais, onde em v\u00e1rias delas a voz era apenas um instrumento ou carregava uma mensagem. A partir da\u00ed comecei a perceber que havia espa\u00e7o no disco para criar um todo que nos caracteriza agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cMem\u00f3ria de Peixe\u201d (2012) pende ao pop\/rock e assente em loops sobrepostos de guitarra e &#8220;Himiko Cloud&#8221; (2016), n\u00e3o renegou as bases iniciais, mas apostou numa maior explora\u00e7\u00e3o cruzando a fantasia e o sci-fi. Globalmente, \u201cIII\u201d (2025) mant\u00e9m o esp\u00edrito de viagem sonora anterior, mas a banda ganha um novo f\u00f4lego com a ado\u00e7\u00e3o do psicadelismo e da influ\u00eancia jazz\u00edstica. Concorda com esta leitura?<\/strong><br \/>\nSim, concordo. Acho que, como voc\u00ea diz, nos outros discos j\u00e1 havia espa\u00e7o e gosto por essa \u00e1rea. Mas, com os m\u00fasicos que comp\u00f5em o grupo agora e com a abertura que eles proporcionam para se poder trabalhar nas can\u00e7\u00f5es desta forma, intensamente, permite perceber v\u00e1rias perspetivas das mesmas m\u00fasicas. Por vezes n\u00e3o h\u00e1 tempo para fazer isso e aqui fizemo-lo porque era o que quer\u00edamos. Incorporamos lados e g\u00eaneros diferentes dentro da pr\u00f3pria faixa, porque a can\u00e7\u00e3o tem momentos. O objetivo \u00e9 que a m\u00fasica seja expressiva a ponto de contar uma viagem. Se a determinada altura da viagem existe um derrapar, porque \u00e9 que essa tens\u00e3o n\u00e3o pode ser posta at\u00e9 no pr\u00f3prio tempo da m\u00fasica e o universo come\u00e7ar a dessincronizar-se? H\u00e1 que pensar na faixa como uma viagem e ter este leque de op\u00e7\u00f5es. Isso \u00e9 poss\u00edvel quando tens m\u00fasicos que entendem a m\u00fasica como uma express\u00e3o maior e n\u00e3o est\u00e3o agarrados a um determinado estilo, com o qual n\u00e3o tenho nada contra. O que descobri nestes m\u00fasicos fant\u00e1sticos e amigos, em que partilhamos v\u00e1rias influ\u00eancias, foi que quando fazemos m\u00fasica s\u00f3 estamos a pensar na ideia. A implementa\u00e7\u00e3o dos g\u00eaneros que voc\u00ea falou \u00e0s vezes \u00e9 inconsciente. O que pensamos \u00e9 numa can\u00e7\u00e3o que tem uma hist\u00f3ria, a qual, ocasionalmente, criamos na cabe\u00e7a para ajudar o processo de composi\u00e7\u00e3o e quando o universo come\u00e7a a dessincronizar, pede uma coisa diferente. A partir da\u00ed vamos trabalhar sem perder o lado da can\u00e7\u00e3o. N\u00f3s pretend\u00edamos que fosse um \u00e1lbum equilibrado entre aquilo que \u00e9 a audi\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica e o que s\u00e3o as mensagens que podem viajar para outros lados. O &#8220;Himiko Cloud&#8221; (2016) foi um disco muito intenso e imersivo e apesar de eu gostar bastante dele, n\u00e3o \u00e9 para todas as ocasi\u00f5es. O primeiro \u00e1lbum (\u201cMem\u00f3ria de Peixe\u201d, de 2012) era mais imediato porque eram can\u00e7\u00f5es mais pop e rock. Em \u201cIII\u201d (2025) tentamos equilibrar um pouco as coisas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mem\u00f3ria de Peixe - Good Morning\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/i_kOJpf-0lE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cGood Morning\u201d \u00e9 uma faixa cintilante, renovada e sugere o nascer de um novo dia. Foi por essa raz\u00e3o que a escolheram como primeiro single?<\/strong><br \/>\nSem d\u00favida. Para n\u00f3s, a faixa fala sobre um acordar que vem de um momento dist\u00f3pico, que \u00e9 um pouco o que estamos a viver com estas quest\u00f5es pol\u00edticas, de instabilidade e desinforma\u00e7\u00e3o e at\u00e9 de repeti\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria hist\u00f3ria. H\u00e1 aqui um lado dos Mem\u00f3ria de Peixe que \u00e9 um \u2018full circle\u2019 e que as pessoas \u00e0s vezes como s\u00e3o desinformadas n\u00e3o se apercebem o que est\u00e1 por detr\u00e1s de certas a\u00e7\u00f5es. Por isso, a faixa \u201cGood Morning\u201d est\u00e1 contextualizada neste per\u00edodo atribulado do mundo e o v\u00eddeo tenta passar isso. H\u00e1 tamb\u00e9m uma fic\u00e7\u00e3o, no sentido em que isto est\u00e1 prestes a acabar e dava algum jeito que viesse uma mensagem. Neste caso, a mensagem vem de algu\u00e9m de outra realidade que traz um aviso \u00e0 navega\u00e7\u00e3o, despertando e acordando, antes que aconte\u00e7a aquilo que est\u00e1 pr\u00f3ximo de suceder. Tamb\u00e9m pode ser algo que aconteceu a essa pessoa noutra vida ou realidade. Essa \u00e9 a grande mensagem de \u201cGood Morning\u201d, que responde de forma metaf\u00f3rica, mas \u00e9 basicamente o que queremos passar. H\u00e1 uma nova alvorada para n\u00f3s e um sentido de miss\u00e3o em que os Mem\u00f3ria de Peixe pretendem dar um pouco dessa alegria que o disco transmite. \u00c9 um \u00e1lbum que fala da gravidade da nossa situa\u00e7\u00e3o e tenta igualmente dar esperan\u00e7a, porque o mundo j\u00e1 passou por coisas piores e sobreviveu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Este \u00e1lbum ser\u00e1 lan\u00e7ado em vinil pela Omnichord Records e em cassete pela Ticket To Ride Records. Como avalia o trabalho do selo leiriense Omnichord e a sua liga\u00e7\u00e3o com os Mem\u00f3ria de Peixe?<\/strong><br \/>\nEu sigo <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/03\/27\/conheca-seis-selos-musicais-de-portugal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o trabalho da Omnichord Records<\/a> h\u00e1 muitos anos, ali\u00e1s como n\u00e3o seguiria quando eles t\u00eam estado envolvidos em experi\u00eancias musicais, mas tamb\u00e9m comunit\u00e1rias e agregadoras. Isso \u00e9 uma miss\u00e3o humana e transcende qualquer conversa que se possa ter sobre determinada editora. Os artistas com quem eles trabalham s\u00e3o refer\u00eancias no panorama musical portugu\u00eas. Eles t\u00eam feito bastante pelos m\u00fasicos, pela arte, para nos unirmos, que \u00e9 uma coisa cada vez mais dif\u00edcil nos dias que correm, e para procurar desafios mais amplos. Isto surgiu naturalmente, porque h\u00e1 projetos em que o Pedro Melo Alves est\u00e1 envolvido com a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/12\/27\/ao-vivo-surma-apresenta-alla-em-lisboa-e-celebra-a-sua-fase-mais-criativa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Surma<\/a> e enquanto produtor eu trabalhei o disco de Bloom (de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/05\/03\/entrevista-jp-simoes-homenageia-jose-mario-branco-em-novo-disco-e-rememora-suas-conexoes-com-o-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">JP Sim\u00f5es<\/a>), tal como o \u00e1lbum da Lisa Sereno e ambos foram editados pela Omnichord Records. Portanto, j\u00e1 havia admira\u00e7\u00e3o pelo trabalho desse selo. Eles s\u00e3o uma fam\u00edlia e pertencem \u00e0 zona oeste de Portugal como eu (Miguel Nicolau \u00e9 natural da cidade de Caldas da Rainha). A liga\u00e7\u00e3o existe e conhe\u00e7o muitos m\u00fasicos de l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Relativamente \u00e0 m\u00fasica brasileira, existem artistas que voc\u00eas admirem e com os quais gostassem de fazer uma parceria?<\/strong><br \/>\nO Brasil est\u00e1 com uma cena independente e alternativa incr\u00edvel. Quando eu era mi\u00fado (garoto) escutava os cl\u00e1ssicos brasileiros e o Tom Jobim e aprendi a tocar guitarra a partir da bossa nova antes de qualquer coisa. Quando atuamos no festival Coquetel Molotov, no Recife, em 2013, percebemos que havia uma cena gigante. Temos o Rodrigo Amarante, C\u00edcero, a Maria Lu\u00edza Jobim que na \u00e9poca tinha um projeto (Opala) e depois lan\u00e7ou o seu disco, os inevit\u00e1veis e espetaculares Boogarins e at\u00e9 o Carne Doce. Eu acompanho muito o que se vai fazendo e at\u00e9 tenho uma playlist onde incluo os artistas que mencionei. Sei tamb\u00e9m que existe uma abertura muito grande em Portugal para esses m\u00fasicos estarem c\u00e1 e atuarem regularmente. Estou a pensar no Tim Bernardes e tantos outros. N\u00f3s gostamos de todos. Por isso, se houver abertura para fazer algo n\u00f3s teremos interesse em pensar nisso, mas tem de fazer sentido para ambos. N\u00e3o aponto um nome espec\u00edfico porque existem muitos e adoramos a cena brasileira que est\u00e1 a acontecer atualmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 a mensagem dos Mem\u00f3ria de Peixe para os leitores do Scream &amp; Yell?<\/strong><br \/>\nEstamos todos juntos. Essa \u00e9 a grande mensagem. A m\u00fasica tem este lado agregador e unificador e, especialmente, em alturas onde tentam fazer exatamente o oposto. Somos todos representantes e neste momento Portugal, Brasil e o mundo todo precisam de pensar nisso. A nossa liga\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00f3bvia. N\u00f3s queremos muito fomentar o lado positivo que existe na troca cultural e o caminho n\u00e3o pode ser pela separa\u00e7\u00e3o, pelo preconceito e \u00e9 precisamente o contr\u00e1rio. A m\u00fasica prova historicamente que serve como linguagem universal. Portanto, ainda mais estranho \u00e9 estarmos a criar separa\u00e7\u00f5es entre aquilo que \u00e9 melhor e pior ou entre o que vem primeiro ou depois. Pegando nesse fato, estamos juntos e vamos continuar a fazer por continuarmos unidos. \u00c9 esse o cerne deste disco e de sermos igualmente resilientes e puxarmos para a frente. Eu creio que \u00e9 uma mensagem de paz interior e de procurarmos a paz com os outros. Isso \u00e9 suficientemente universal para que as pessoas percebam que estamos a viver um momento conturbado no mundo e que precisamos de nos unir. O \u00e1lbum dos Mem\u00f3ria de Peixe \u00e9 s\u00f3 sobre a paz interior e percebendo quem somos entendemos qual \u00e9 o nosso lugar no mundo e as a\u00e7\u00f5es concretas que podem ser feitas para que melhoremos o atual panorama. No fundo, este disco tenta dar algum conforto \u00e0s pessoas nesta fase dif\u00edcil em que vivemos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"MEM\u00d3RIA DE PEIXE - FISHTANK | HQ AUDIO\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iZrSv_-tmzk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Pedro Salgado (siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010 contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/pedro-salgado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Anna-Bobyrieva.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A grande novidade do trabalho, que procura transmitir uma mensagem de paz e de esperan\u00e7a em fun\u00e7\u00e3o do conturbado cen\u00e1rio mundial, passa pela explora\u00e7\u00e3o da voz como fator determinante\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/03\/21\/memoria-de-peixe-lanca-iii-e-deseja-fomentar-o-lado-positivo-da-troca-cultural-entre-brasil-e-portugal\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":88258,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7632,47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88257"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88257"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88257\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":88775,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88257\/revisions\/88775"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/88258"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88257"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88257"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88257"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}