{"id":88035,"date":"2025-03-11T12:34:51","date_gmt":"2025-03-11T15:34:51","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=88035"},"modified":"2025-04-09T13:20:01","modified_gmt":"2025-04-09T16:20:01","slug":"critica-natural-o-segundo-disco-do-terraplana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/03\/11\/critica-natural-o-segundo-disco-do-terraplana\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: &#8220;Natural&#8221;, o segundo disco do terraplana"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">texto de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/igrmllr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Igor M\u00fcller<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O shoegaze \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o mais s\u00f3lida do alternativo \u2013 o ouvinte do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/programadeindie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a> sabe que essa \u00e9 uma piada interna levada muito \u00e0 s\u00e9rio. Mais do que o g\u00eanero, os timbres e as texturas s\u00e3o recorrentes em diversas bandas desde o meio da d\u00e9cada passada. A sonoridade, unanimidade entre as gera\u00e7\u00f5es de indies mais velhos, parece tamb\u00e9m atingir outras mais novas, adaptadas aos regimes de compress\u00e3o digital e dos streamings, cada vez menos din\u00e2micos e mais massivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O novo shoegaze mescla texturas do g\u00eanero com outras refer\u00eancias dos anos 90, como slowcore, post-hardcore e at\u00e9 mesmo o rock alternativo hegem\u00f4nico, tanto na matriz &#8216;loud quiet loud&#8217; da primeira metade da d\u00e9cada at\u00e9 o som hipertenso da segunda parte. At\u00e9 mesmo o p\u00f3s-punk pode estar nessa equa\u00e7\u00e3o. O shoegaze contempor\u00e2neo parece aglutinar o rock alternativo sem perder seu jeito de ser.<\/p>\n<figure id=\"attachment_88036\" aria-describedby=\"caption-attachment-88036\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-88036\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/terraplana2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/terraplana2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/terraplana2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/terraplana2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-88036\" class=\"wp-caption-text\"><em>Capa do \u00e1lbum &#8220;Natural&#8221;, do terraplana, arte de Julia Lacerda<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um caso muito interessante acontece no Brasil, com os paranaenses do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/trrpln\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">terraplana<\/a>, grupo formado por Stephani Heuczuk (voz e baixo), Vin\u00edcius Louren\u00e7o (voz e guitarra), Cassiano Kruchelski (voz e guitarra) e Wendeu Silverio (bateria. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/05\/04\/musica-primeiro-album-cheio-do-quarteto-paranaense-terraplana-olhar-pra-tras-e-uma-estreia-soberba-que-merece-atencao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O certeiro \u201cOlhar Pra Tr\u00e1s\u201d, de 2023<\/a>, atinge tanto o p\u00fablico j\u00e1 acostumado com o shoegaze, como apresenta horizontes que aproximam um novo p\u00fablico. O disco cumpre todos os pr\u00e9-requisitos do g\u00eanero, mas a estrutura conceitual, minimal e enxuta dialoga com a nova realidade da audi\u00e7\u00e3o musical, mais impaciente e meton\u00edmica, consequ\u00eancia da informa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua circulando em nossos dias, que mutila a experi\u00eancia sonora mais demorada. Para voc\u00ea ter ideia, alguns discos de bandas cl\u00e1ssicas como Ride e Swervedriver duram uma hora e quinze, contra os 28 minutos encapsulados de \u201cOlhar Pra Tr\u00e1s\u201d. Antes de qualquer cr\u00edtica, isso \u00e9 um m\u00e9rito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Can\u00e7\u00f5es de amor doloridas, com guitarras gigantescas, riffs bem cortados dialogando uns com os outros, harm\u00f4nicos involunt\u00e1rios que se chocam no alto da onda colossal do plano sonoro e misturam nos vocais, em un\u00edssonos, enterrados no meio de toda essa turbul\u00eancia administrada agora por um conceito enxuto que atende a audi\u00e7\u00e3o dos nossos tempos. Algo dessa redu\u00e7\u00e3o minimal acontece no cl\u00e1ssico instant\u00e2neo \u201cVioleta\u201d (2019), do Terno Rei. Algo dessa redu\u00e7\u00e3o pode ter a ver com Gustavo Schirmer estar por tr\u00e1s da produ\u00e7\u00e3o dos dois discos, mas isso \u00e9 s\u00f3 especula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s uma estreia muito bem sucedida, e da consolida\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio alternativo brasileiro, o desafio do terraplana se torna continuar original sem abrir m\u00e3o das conquistas do trabalho anterior. E a nova ossatura dos curitibanos se revela em \u201c<a href=\"https:\/\/ditto.fm\/natural-terraplana\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Natural<\/a>\u201d (2025), segundo disco <a href=\"https:\/\/ditto.fm\/natural-terraplana\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">rec\u00e9m-lan\u00e7ado pela Balaclava Records<\/a>. A banda salta de um shoegaze estrito para uma banda de guitarras bem ao gosto do alternativo noventeiro. Algumas dessas influ\u00eancias que excedem o territ\u00f3rio da sonoridade j\u00e1 eram explicitadas pela banda, tais como Acetone, Duster, Unwound e outras tantas que circundam no territ\u00f3rio post-hardcore e adjac\u00eancias desde \u201cOlhar Pra Tr\u00e1s\u201d, mas \u00e9 em \u201cNatural\u201d que elas se tornam evidentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso tamb\u00e9m pode vir ao encontro com a maior sinergia da banda, com a experi\u00eancia de palco, que cria uma intera\u00e7\u00e3o que os permite buscar solu\u00e7\u00f5es diferentes das experimentadas anteriormente. J\u00e1 na abertura isso salta aos olhos. Ainda \u201cQue Salto No Escuro\u201d tenha uma leve saudade de Cocteau Twins no come\u00e7o, as guitarras avan\u00e7am em uma mec\u00e2nica um pouco diferente, e a voz, ainda que enterrada no meio dos instrumentos, parece n\u00e3o ficar enfuma\u00e7ada no meio do flare sonoro t\u00edpico do shoegaze. Tudo parece vir ao encontro em espa\u00e7os de respiro que a sonoridade congestionada do shoegaze tradicional costuma obliterar. H\u00e1 uma luminosidade que percorre essas frestas que refrescam o som de \u201cNatural\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"terraplana - hear a whisper (feat. Winter)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bNjNmdBSGl0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAmanhecer\u201d, segunda faixa do \u00e1lbum, chega aos ouvidos com um balan\u00e7o diferente. O baixo espoca de uma maneira mais swingada, e por que n\u00e3o, sensual, com muita influ\u00eancia de Unwound na constru\u00e7\u00e3o dessa linha, confessou Ste, a baixista do terraplana. O baixo tamb\u00e9m chama a aten\u00e7\u00e3o em \u201cHear a Whisper\u201d, parceria com a conterr\u00e2nea Winter. A linha tem um gosto de Joy Division, entrecortada por uma sonoridade de bandas que remetem ao revival p\u00f3s-punk de bandas mais recentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 \u201cCharlie\u201d, o primeiro single de \u201cNatural\u201d, \u00e9 um &#8216;loud quiet loud&#8217; moderno, mas com aquela saudade das madrugadas da MTV e com o charme do sotaque paranaense dos vocais na palavra divagando. \u201cAirbag\u201d \u00e9 outra faixa que acompanha o mesmo esp\u00edrito, assim como \u201cHoras Iguais\u201d, m\u00fasicas que acrescentam \u00e0 paleta do terraplana mais cores, ainda que as novas guardem tamb\u00e9m um certo grau de introvers\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"terraplana - todo dia (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/p0-OgABe-_c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A introvers\u00e3o pega demais os cora\u00e7\u00f5es dos apaixonados por rock triste na bela \u201cTodo Dia\u201d, com um sabor do trio californiano Duster em sua melhor forma. \u201cDesaparecendo\u201d tamb\u00e9m \u00e9 rock triste, o shoegaze mais estrito do \u00e1lbum, cora\u00e7\u00e3o na boca e uma vontade de fazer aquelas vers\u00f5es de dez horas ininterruptas que existem no YouTube. Completam o \u00e1lbum \u201cS.N.C\u201d., com um solo no meio da m\u00fasica que \u00e9 das melhores ideias de guitarra do rock brasileiro dos \u00faltimos anos, e a doce \u201cMorro Azul\u201d, faixa mais longa da carreira da banda, dilatando ao limite o shoegaze de estrutura diminuta do \u00e1lbum anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais dif\u00edcil do que acertar de primeira, \u00e9 n\u00e3o errar de segunda. \u201cNatural\u201d \u00e9 o famoso &#8216;sophomore effort&#8217;, o esfor\u00e7o secundarista que a cr\u00edtica musical angl\u00f3fona gosta tanto de falar, uma aquisi\u00e7\u00e3o de novos fatores, sem romper inteiramente com o que j\u00e1 havia conquistado. \u00c9 preciso decompor um pouco da coes\u00e3o do anterior para abra\u00e7ar os novos elementos, nesse sentido o disco surge um pouco mais irregular, mas n\u00e3o menos interessante. Deixa no ar (e na mente) para quais lugares a sonoridade do terraplana pode caminhar nos pr\u00f3ximos anos, mas isso \u00e9 assunto pra depois, no momento s\u00f3 interessa saber como as m\u00fasicas do novo \u00e1lbum <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/03\/22\/ao-vivo-terraplana-passa-pela-prova-do-sesc-pompeia-com-musicas-novas-e-som-alto-noise-e-potente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">v\u00e3o soar ao vivo<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fique atento <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/trrpln\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">na agenda deles<\/a>. O (novo) show promete&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"salto no escuro\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jBy-_xsgGcA?list=OLAK5uy_lRO9yBdv-7iPmijcr3oRvabcSYSMh48U8\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/igrmllr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Igor M\u00fcller<\/a> \u00e9 locutor de r\u00e1dio e um dos respons\u00e1veis pelo <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/programadeindie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie.<\/a> A foto que abre o texto \u00e9 de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/solmostarda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@solmostarda<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O disco surge um pouco mais irregular, mas n\u00e3o menos interessante. 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