{"id":87804,"date":"2025-02-21T02:47:00","date_gmt":"2025-02-21T05:47:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=87804"},"modified":"2025-05-20T00:19:17","modified_gmt":"2025-05-20T03:19:17","slug":"entrevista-estar-no-big-star-era-como-ser-ringo-starr-nos-beatles-diz-jody-stephens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/02\/21\/entrevista-estar-no-big-star-era-como-ser-ringo-starr-nos-beatles-diz-jody-stephens\/","title":{"rendered":"Entrevista: \u201cEstar no Big Star era como ser Ringo Starr nos Beatles\u201d, diz Jody Stephens"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><\/strong>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/igrmllr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Igor M\u00fcller<\/a>, do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/programadeindie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contos de fadas n\u00e3o acontecem no universo da m\u00fasica alternativa todos os dias, mas quase todo indie que se preze conhece a hist\u00f3ria do Big Star. N\u00e3o pause se voc\u00ea j\u00e1 ouviu essa antes, caro leitor: esta \u00e9 a banda que n\u00e3o s\u00f3 deu origem ao termo power pop, mas tamb\u00e9m gravou discos t\u00e3o belos quanto mal sucedidos comercialmente nos anos 1970 \u2013 a tr\u00edade \u201c#1 Record\u201d, \u201cRadio City\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/03\/19\/third-sisters-lovers-big-star\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Third<\/a>\u201d &#8211; que s\u00e3o refer\u00eancia obrigat\u00f3ria para gente como Wilco, R.E.M., Teenage Fanclub e Replacements. O culto por tais bandas, inclusive, fez o Big Star voltar \u00e0 vida nos anos 1990 e 2000, al\u00e9m de al\u00e7ar o conjunto liderado por Alex Chilton e Chris Bell a um posto entre os gigantes da m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos quatro homens que integraram a banda, apenas um est\u00e1 vivo para contar essa hist\u00f3ria: o baterista Jody Stephens, que tocou n\u00e3o s\u00f3 em todos os discos dos anos 1970 como tamb\u00e9m no tempor\u00e3o \u201cIn Space\u201d, lan\u00e7ado em 2000. \u201cPara mim, estar no Big Star era como estar nos Beatles. Eu sei como Ringo Starr se sentiu quando ele entrou nos Beatles\u201d, compara o m\u00fasico de 72 anos, em entrevista feita com o <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/show\/3yFeGyU7mx5AVdMevm5zRW\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a> via Zoom em fevereiro de 2024 \u2013 e publicada agora em formato texto no Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa \u2013 a mais extensa j\u00e1 publicada em portugu\u00eas com um membro do Big Star \u2013, Stephens faz uma viagem no tempo. Conta como se apaixonou pela m\u00fasica (com \u201cI Wanna Hold Your Hand\u201d, dos Beatles), como conheceu os amigos Andy Hummel, Chris Bell e Alex Chilton e como foram as primeiras grava\u00e7\u00f5es do quarteto nos est\u00fadios da Ardent, uma subsidi\u00e1ria da Stax, hist\u00f3rico selo de m\u00fasica negra de Memphis. \u201cN\u00f3s pass\u00e1vamos horas no est\u00fadio, gravando e aprendendo, entendendo que tipo de sons poder\u00edamos tirar dali\u201d, lembra Jody, que sempre duvidou de que teria uma carreira na m\u00fasica. \u201cEu continuava indo para a aula nessa \u00e9poca. Sempre achei que era um tiro no escuro ter uma banda, n\u00e3o importa qu\u00e3o boa ela fosse.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sa\u00edda de Bell ap\u00f3s a decep\u00e7\u00e3o com o fracasso do primeiro disco e a continuidade do grupo, primeiro como trio (em \u201cRadio City\u201d, de 1974) e depois como duo (com a sa\u00edda de Hummel, nas grava\u00e7\u00f5es de \u201cThird\u201d, que s\u00f3 seria lan\u00e7ado em 1978) tamb\u00e9m fazem parte do papo. Stephens, por\u00e9m, se enganou: ap\u00f3s fazer Marketing na faculdade, ele voltaria para a Ardent para n\u00e3o s\u00f3 ajudar bandas como R.E.M. e Replacements a gravarem discos como \u201cGreen\u201d e \u201cPleased to Meet Me\u201d, como veria os pupilos ajudarem o Big Star a <a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2009\/07\/02\/hyde-park-big-star-e-tindersticks\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">voltar \u00e0 ativa nos anos 1990<\/a>, com ele e Alex, ao lado de Jon Auer e Ken Stringfellow, dos Posies, tocando at\u00e9 a morte de Chilton, em 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A retomada do Big Star, transformada em livro, filme (o document\u00e1rio \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/09\/30\/o-documentario-sobre-o-big-sta\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nothing Can Hurt Me<\/a>\u201d, lan\u00e7ado no in\u00edcio dos anos 2010) e turn\u00ea comemorativa repleta de convidados &#8211; Mike Mills (R.E.M.), Pat Sansone e Jeff Tweedy (Wilco), Ira Kaplan (Yo La Tengo), Norman Blake (Teenage Fanclub), Jessica Pratt, entre muitos outros &#8211; , tamb\u00e9m levou Stephens a montar uma banda, o Those Pretty Wrongs, bem como colaborar com artistas novatos como os <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/01\/14\/meu-disco-favorito-de-2020-the-lemon-twigs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lemon Twigs<\/a> \u2013 que tocam no Brasil em maio na pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o do Popload Festival. \u00c9 uma trajet\u00f3ria de mais de cinco d\u00e9cadas, da qual Stephens n\u00e3o se arrepende de nada. \u201cSe voc\u00ea pensar sobre o impacto que aqueles discos causaram, eu certamente n\u00e3o faria nada de diferente com eles. N\u00e3o sei se poder\u00edamos ter feito algo de diferente tendo um empres\u00e1rio ou com um agente. No fim das contas, tudo deu certo\u201d, diz o baterista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista, Jody Stephens tamb\u00e9m conta hist\u00f3rias saborosas do R.E.M, fala sobre o que acha do termo power pop, disserta sobre sua rela\u00e7\u00e3o com drogas e revela qual \u00e9 sua vers\u00e3o favorita do Big Star. Ele tamb\u00e9m lan\u00e7a um desafio aos colecionadores de discos: encontrar uma edi\u00e7\u00e3o do compacto duplo do Big Star lan\u00e7ado pela Stax no Brasil em 1972, com quatro faixas do repert\u00f3rio de \u201c#1 Record\u201d. Quem encontrar pode mandar cartas para a reda\u00e7\u00e3o deste site (screamyell@gmail.com).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Big Star - Thirteen [Alternate Mix] (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NnEzkeaopmA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jody, para come\u00e7ar vamos voltar no tempo. Como voc\u00ea descobriu que queria fazer m\u00fasica? Voc\u00ea se lembra de quando tudo come\u00e7ou?<\/strong><br \/>\nJody Stephens: Claro! Definitivamente. Foi com os Beatles tocando \u201cI Wanna Hold Your Hand\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi no \u201cThe Ed Sullivan Show\u201d?<\/strong><br \/>\nEm parte, sim! Mas eu tinha ouvido a m\u00fasica deles antes da apresenta\u00e7\u00e3o na TV. Antes do v\u00eddeo, havia a m\u00fasica e a forma como eles apareciam na capa do disco. Aquilo capturou minha aten\u00e7\u00e3o \u2013 e a do meu irm\u00e3o tamb\u00e9m. N\u00f3s dois ficamos muito animados com os Beatles e come\u00e7amos a tocar. Meu irm\u00e3o Jimmy escolheu o baixo, eu fiquei com a bateria. Desde pequeno, eu j\u00e1 gostava de fazer ritmos, batucando no banco de tr\u00e1s do carro enquanto meus pais dirigiam. Mas, como disse: eu estava muito animado s\u00f3 com \u201cI Wanna Hold Your Hand\u201d, mas a\u00ed vimos os Beatles no Ed Sullivan e foi demais. Foi o come\u00e7o de tudo, sabe? Depois vieram as bandas da Invas\u00e3o Brit\u00e2nica, como os Rolling Stones\u2026 o Charlie Watts \u00e9 um baita baterista para mim. Preciso tamb\u00e9m falar de John Bonham, do Led Zeppelin, uma baita influ\u00eancia, bem como Al Jackson Jr., do <a href=\"https:\/\/x.com\/screamyell\/status\/1707800655870472478\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Booker T. &amp; the MGs<\/a>, o pessoal da Stax. Foram influ\u00eancias muito importantes e transformadoras para mim, ainda mais porque eles tocavam aqui no nosso quintal, em Memphis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea conheceu o Chris Bell e o Andy Hummel? Quando voc\u00eas come\u00e7aram a tocar juntos?<\/strong><br \/>\nConheci o Andy alguns anos antes de 1970, provavelmente em 1966 ou 1967. Ele tocava numa banda com o meu irm\u00e3o e com um cara chamado Mike Fleming, que nos apresentou. Eu ainda estava no ensino m\u00e9dio, enquanto eles estavam na faculdade. Alguns anos depois, os dois vieram ver a banda em que eu tocava e o Andy me perguntou se queria fazer umas jams com a banda dele, que tinha o Chris Bell e uns outros caras. Topei, e, no fim das contas, acabamos ficando s\u00f3 n\u00f3s tr\u00eas, como um trio. Foi nessa \u00e9poca que o Chris e o Andy convenceram o Alex Chilton a assistir nossos ensaios. O Alex estava voltando para Memphis e acho que ele gostou do que viu. Foi a\u00ed que tudo come\u00e7ou para o Big Star.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi conhecer o Alex? Ele tinha a mesma idade que voc\u00eas, mas ele j\u00e1 tinha tido uma carreira com os Box Tops.<\/strong><br \/>\nEu tinha muito respeito por ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas voc\u00ea ficou intimidado com a presen\u00e7a dele?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o me lembro de me sentir intimidado, n\u00e3o. Eu tinha muito respeito pelo Alex, mas por alguma raz\u00e3o, eu achava que o Box Tops era uma banda da cidade. Eu realmente gostava de \u201cThe Letter\u201d, mas era uma coisa nossa, sabe? N\u00e3o \u00e9 como se fossem os Beatles, com todas aquelas can\u00e7\u00f5es, com aquele sotaque ingl\u00eas. Ou mesmo o pessoal da Stax, que eram de Memphis, mas que eu nunca vi andando na rua. A Stax era o meu Olimpo, sabe? Eles eram deuses mesmo! N\u00e3o eram acess\u00edveis como o Box Tops. Por isso, n\u00e3o fiquei intimidado ou hipnotizado com Alex, mas tinha muito respeito. E quando fomos apresentados e come\u00e7amos a fazer as primeiras can\u00e7\u00f5es do Big Star, ganhei ainda mais respeito por ele, por sua habilidade de tocar, por seu senso mel\u00f3dico, e claro, por sua voz!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Box Tops - The Letter (Upbeat 1967)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HIWY8UyW9bw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como essas primeiras sess\u00f5es se transformaram em \u201c#1 Record\u201d? Do que voc\u00ea se lembra daquela \u00e9poca?<\/strong><br \/>\nBem, Chris e Andy eram muito amigos de John Fry, que abriu os est\u00fadios da Ardent quando tinha 14 anos. Os pais dele tamb\u00e9m trabalhavam com grava\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o ele tinha aprendido muito quando era novo. John era um homem muito esperto e um engenheiro brilhante, tinha um ouvido incr\u00edvel. Sonicamente, preciso dizer que ele era o quinto membro do Big Star, um grande respons\u00e1vel pelo que se ouve naquele disco. Mas John era esperto: ele treinava outras pessoas para serem bons engenheiros de som e trabalhar com ele, para que ele n\u00e3o precisasse gravar o tempo todo. Ele escolheu Chris e Andy como pupilos, e n\u00f3s pass\u00e1vamos horas no est\u00fadio, gravando e aprendendo, entendendo que tipo de sons poder\u00edamos tirar dali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hoje em dia, \u00e9 dif\u00edcil separar o que \u00e9 o disco da hist\u00f3ria posterior da banda. Muitos relatos d\u00e3o conta de que Chris Bell tinha enormes expectativas de que \u201c#1 Record\u201d ia ser um sucesso. E voc\u00ea? Tamb\u00e9m achava que voc\u00eas iam estourar?<\/strong><br \/>\nSim! Eu estava muito animado com o que n\u00f3s est\u00e1vamos fazendo e com as m\u00fasicas que Alex, Chris e Andy estavam criando. Para mim, estar no Big Star era como estar nos Beatles. Eu sei como Ringo Starr se sentiu quando ele entrou nos Beatles. \u00c9 engra\u00e7ado, voltar a falar sobre aquela \u00e9poca me traz mem\u00f3rias muito vivas, e \u00e0s vezes eu me perco um pouco no que estou falando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Faz parte, estamos falando de cinquenta anos de mem\u00f3rias! (risos)<\/strong><br \/>\nPois \u00e9! Mas o que eu ia dizer\u2026 \u00e9 que Andy e Chris conheciam John Fry, que era o dono dos est\u00fadios Ardent. John n\u00e3o s\u00f3 ensinou pros dois os macetes de engenharia de som, mas deu a eles as chaves do est\u00fadio para que eles pudessem aprender. E foi assim que n\u00f3s come\u00e7amos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que eu queria saber \u00e9 se voc\u00ea estava mais animado porque era seu primeiro disco ou porque realmente achava que, como diz o t\u00edtulo do disco, voc\u00eas iam chegar ao topo das paradas de sucesso?<\/strong><br \/>\nChris achava que sim, ele acreditava nisso de corpo e alma. Ele estava muito animado \u2013 e, por conta dele, n\u00f3s tamb\u00e9m est\u00e1vamos muito animados. Mas quando lan\u00e7amos o disco, n\u00f3s tivemos alguns problemas com a distribui\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, tivemos \u00f3timas cr\u00edticas de revistas como a Billboard, a Cashbox, a Rolling Stone, at\u00e9 mesmo da NME. Depois de muitos anos, n\u00f3s at\u00e9 chegamos l\u00e1, mas inicialmente tivemos mesmo esse problema de distribui\u00e7\u00e3o \u2013 at\u00e9 porque nunca tivemos um empres\u00e1rio ou um booker. O que \u00e9 engra\u00e7ado \u00e9 que eu continuava indo para a aula nessa \u00e9poca. Sempre achei que era um tiro no escuro ter uma banda, n\u00e3o importa qu\u00e3o boa ela fosse. Era dif\u00edcil imaginar que eu teria uma carreira por conta da banda. E Andy tamb\u00e9m achava isso, por isso n\u00f3s dois continu\u00e1vamos estudando. Andy acabou saindo da banda depois de \u201cRadio City\u201d, porque vimos o que ia acontecer. Ele decidiu ir para a faculdade, estudou Literatura e depois Engenharia Mec\u00e2nica. J\u00e1 eu estudei Marketing, o que me levou a ficar \u00e0 frente da Ardent.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/bigstar3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"580\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi ver Chris sair da banda meses depois do lan\u00e7amento do disco?<\/strong><br \/>\nFoi uma decep\u00e7\u00e3o. Chris era um cara t\u00e3o talentoso! Eu sempre comparei Chris e Alex a Lennon e McCartney, porque eles traziam muitas perspectivas diferentes para a banda. Alex era Lennon e Chris era McCartney. Mas, no final do dia, eles tinham um esp\u00edrito muito parecido. Foi uma decep\u00e7\u00e3o ver Chris partir, e no final das contas a banda meio que estava \u00e0 deriva. A\u00ed John King, que era o gerente de divulga\u00e7\u00e3o da Ardent, criou uma conven\u00e7\u00e3o de cr\u00edticos de rock e nos convidou para tocar. Subimos ao palco como um trio: eu, Alex e Andy. Acabou sendo o que nos fez voltar a existir como banda. \u00c9 engra\u00e7ado: naquela \u00e9poca, os cr\u00edticos de rock meio que eram o nosso p\u00fablico \u2013 o \u00fanico p\u00fablico que n\u00f3s t\u00ednhamos, na verdade. Eles sabiam todas as letras. A conven\u00e7\u00e3o tinha open bar, o que ajudou tamb\u00e9m a animar o show. Provavelmente tinha drogas tamb\u00e9m. E foi a\u00ed que nos unimos para gravar \u201cRadio City\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(Nota do Rep\u00f3rter: Realizada em 1973, a Rock Writers Convention teve a participa\u00e7\u00e3o de nomes como Richard Meltzer, Lester Bangs, Lenny Kaye <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/02\/14\/dvd-quase-famosos-por-marcelo-costa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">e um jovem Cameron Crowe<\/a>, que come\u00e7ava a escrever para a revista Rolling Stone. O evento custou cerca de US$ 100 mil aos cofres da Stax, matriz da Ardent).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2024, comemoramos o anivers\u00e1rio de 50 anos de \u201cRadio City\u201d. <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/31O6GskFVHbOzPz8I6KmhT\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">No epis\u00f3dio que fizemos sobre o disco no Programa de Indie<\/a>, chegamos \u00e0 conclus\u00e3o que \u201c#1 Record\u201d era um disco mais produzido, enquanto \u201cRadio City\u201d refletia a banda tocando ao vivo no est\u00fadio. Voc\u00ea concorda com essa defini\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nCom certeza. Quer dizer, mais ou menos: quando nos reunimos como um trio, n\u00f3s passamos bastante tempo trabalhando naquelas m\u00fasicas. N\u00f3s precis\u00e1vamos entender o que quer\u00edamos ali, ent\u00e3o gastamos um tempo criando as partes, como seria a bateria. Mas quando chegamos ao est\u00fadio, sim, foi um disco tocado ao vivo. \u00c9ramos um trio. Alex at\u00e9 cantava enquanto n\u00f3s toc\u00e1vamos na grava\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sei quanto do vocal dele foi regravado, mas era esse o esp\u00edrito. Era um disco ao vivo, era o tipo de energia que n\u00f3s t\u00ednhamos quando toc\u00e1vamos ao vivo. Havia overdubs, mas n\u00e3o muitos \u2013 e especialmente nos backing vocals, talvez alguma coisa na guitarra em \u201cSeptember Gurls\u201d ou em \u201cDaisy Glaze\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Big Star Memphis Big Star- 05- Way out west- Live in Memphis 94\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HntE4X74Ay4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pela primeira vez em um disco da banda, voc\u00ea canta em \u201cWay Out West\u201d. Como isso aconteceu?<\/strong><br \/>\nEu adorei cantar! A m\u00fasica \u00e9 do Andy, mas ele n\u00e3o queria cantar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei. Andy tinha escrito \u201cThe India Song\u201d, e ele e Alex cantaram essa m\u00fasica em un\u00edssono no primeiro disco. Quando chegou a hora de gravar \u201cWay Out West\u201d, n\u00e3o sei bem por que Andy n\u00e3o queria cantar. Talvez ele n\u00e3o se visse como um bom cantor. Eu tamb\u00e9m n\u00e3o achava que eu cantasse bem, mas n\u00e3o deixei isso ser um problema (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cRadio City\u201d tamb\u00e9m tem algumas m\u00fasicas que n\u00e3o foram tocadas por voc\u00ea e por Andy, mas sim por outros m\u00fasicos \u2013 Danny Jones e Richard Roseborough, que faziam parte de uma banda que Alex Chilton formou nesse intervalo que o Big Star n\u00e3o estava ativo. Como elas foram parar no disco?<\/strong><br \/>\nComo eu disse, n\u00f3s ficamos meio \u00e0 deriva depois de lan\u00e7ar \u201c#1 Record\u201d. E nesse meio-tempo, Alex gravou algumas can\u00e7\u00f5es com os dois. Richard tocou tamb\u00e9m em v\u00e1rias faixas de \u201cI Am The Cosmos\u201d, de Chris Bell, eu mesmo toquei em umas quatro m\u00fasicas daquele disco. Ele era um baterista incr\u00edvel, como d\u00e1 pra ouvir em \u201cWhat\u2019s Going Ahn\u201d, \u201cMod Lang\u201d e \u201cShe\u2019s a Mover\u201d, as tr\u00eas faixas que ele participou. Tentamos at\u00e9 regravar essas m\u00fasicas, mas n\u00e3o conseguimos recriar a profundidade emocional que Richard entregou ali. Ele era um cara que conseguia tocar beeem devagar, o que ajuda a enfatizar o sentimento e o solo que Alex faz nessas m\u00fasicas. Sempre tento dar cr\u00e9dito para Richard, porque ele era um baterista especial e um cara incr\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os tr\u00eas discos do Big Star gravados nos anos 1970 t\u00eam uma unidade sonora, mas tamb\u00e9m tem caracter\u00edsticas muito particulares. Acredito que voc\u00ea teve de se adaptar bastante para tocar de maneira diferente em cada um daqueles discos. Como voc\u00ea descreveria o seu estilo como baterista?<\/strong><br \/>\nBem, sempre presto aten\u00e7\u00e3o na m\u00fasica e nos vocais. Para mim, \u00e9 como tudo come\u00e7a. Mas tamb\u00e9m fico de olho no que os baixistas est\u00e3o fazendo. Para mim, meu jeito de tocar \u00e9 sempre baseado no que o vocalista est\u00e1 fazendo, pensando no mood, na emo\u00e7\u00e3o que est\u00e1 surgindo durante as grava\u00e7\u00f5es. Alex e Chris tinham uma capacidade incr\u00edvel de demonstrar emo\u00e7\u00f5es e realizar inflex\u00f5es. Eles sempre foram uma inspira\u00e7\u00e3o na forma como eu tocava. Em \u201cThird\u201d, que \u00e9 um disco bem escuro, pesado, melanc\u00f3lico, reduzi bem o ritmo da bateria. Ali, estou respondendo muito \u00e0s emo\u00e7\u00f5es das can\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o toquei nem em todas as faixas de \u201cThird\u201d: em algumas faixas, como \u201cKanga Roo\u201d ou \u201cOh Dana\u201d, quem fez a bateria foi Jim Dickinson. Talvez ele tenha tocado em algumas outras, mas sei que nessas duas ele estava \u2013 porque eram m\u00fasicas que precisavam de uma bateria meio maluca. Jim n\u00e3o tocava bateria sempre, ent\u00e3o ele estava \u00e0 altura dessa tarefa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cThird\u201d \u00e9 tamb\u00e9m um disco que tem uma das suas raras composi\u00e7\u00f5es, \u201cFor You\u201d. Sobre o que ela \u00e9?<\/strong><br \/>\n\u00c9 sobre a garota com quem eu estava saindo naquela \u00e9poca. Alex disse que queria me ver escrevendo uma m\u00fasica. Foi a primeira vez que eu tentei. Andy me deu uma guitarra que tinha sido do Chris, Alex me mostrou alguns acordes e tentei criar alguma coisa. Levei a m\u00fasica para o Alex, e a ideia era tentar fazer algo diferente, com cordas, porque eu simplesmente amava \u201cEleanor Rigby\u201d. Pedi para criarem um arranjo de cordas e o Alex gostou. A\u00ed acabamos tendo v\u00e1rias can\u00e7\u00f5es com cordas ao longo do disco: \u201cStroke It Noel\u201d, \u201cNighttime\u201d, \u201cBlue Moon\u201d. Foi uma inspira\u00e7\u00e3o para o Alex.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A m\u00fasica era sobre uma das irm\u00e3s Aldridge?<\/strong><br \/>\nSim, era para Holiday! Vale dizer: Holiday e Lesa, sua irm\u00e3, que namorava Alex, n\u00e3o eram g\u00eameas. Algu\u00e9m chegou a dizer que elas eram, mas na verdade elas tinham um ano de diferen\u00e7a entre si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 por causa delas o nome de \u201cSister Lovers\u201d, que quase virou o nome do disco? Ou era o nome de uma banda que acabou n\u00e3o acontecendo?<\/strong><br \/>\nSim! Bem, o Alex chegou a mencionar que Sister Lovers poderia ser um nome novo para a nossa banda, a forma\u00e7\u00e3o que s\u00f3 tinha n\u00f3s dois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas a\u00ed voc\u00eas acabaram com a banda.<\/strong><br \/>\nSim, n\u00f3s acabamos com o Big Star e Jim Dickinson, que produziu o disco, tinha d\u00favidas se mixava o disco com John Fry ou com Alex. Acabamos fazendo com John Fry, e \u00e9 por isso que o disco soa daquele jeito. N\u00e3o sabemos o que Alex teria feito. Mas Fry soube o que fazer com o disco: ele era um cara brilhante e deu uma cara incr\u00edvel para o disco. Foi assim que o \u201cThird\u201d saiu, sem o envolvimento de Alex.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 interessante ouvir isso, porque em muitas entrevistas voc\u00ea chega a dizer que \u201cThird\u201d \u00e9 um disco solo do Alex, em vez de exatamente um disco do Big Star. Por que?<\/strong><br \/>\nBem, sabe, \u00e9 engra\u00e7ado: hoje, n\u00e3o consigo imaginar porque o Alex n\u00e3o se envolveu na mixagem do disco. Acabamos o disco em 1974 ou talvez no come\u00e7o de 1975, mas ele n\u00e3o chegou a sair at\u00e9 1978. \u00c9 uma \u00e9poca meio enevoada da nossa vida. Mas foi Jim Dickinson quem disse que poderia ter mixado com John Fry ou com Alex, porque me lembro de ouvir algumas mixagens diferentes, lembro de dizer que o som era incr\u00edvel. Talvez eu tenha ficado t\u00edmido ao fazer sugest\u00f5es, porque John e Jim estavam \u00e0 frente da mixagem \u2013 e \u00e9 um momento muito dif\u00edcil de fazer sugest\u00f5es, porque mudar uma pequena parte da mixagem pode mudar tudo o que foi criado ali sonicamente. Basicamente assisti o processo, mas estava muito animado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cThird\u201d tamb\u00e9m \u00e9 frequentemente lembrado como um dos discos mais tristes da hist\u00f3ria. Aquela foi uma \u00e9poca triste na sua vida? O processo de grava\u00e7\u00e3o foi triste?<\/strong><br \/>\nAlex estava numa \u00e9poca bem barra-pesada. N\u00f3s fal\u00e1vamos muito sobre isso \u2013 e claro, havia muitas drogas e \u00e1lcool ao nosso redor, o que amplifica qualquer melancolia, qualquer tristeza. Mas eu estava bem, eu me sentia bem. Sou um cara feliz e minha vida estava indo bem. Eu tinha uma namorada, ia para as aulas, tinha um emprego, tinha coisas que me mantinham ocupado. Nunca usei drogas. Tentei algumas coisas, uma ou duas vezes, mas larguei \u2013 seja porque odiei ou porque gostei demais delas! (risos) Mas estava vendo Alex, um cara brilhante, indo por esse caminho bem escuro. \u00c9 engra\u00e7ado: quando voltamos com o Big Star, nos anos 1990, lembro que o Alex n\u00e3o gostava muito de tocar as m\u00fasicas daquele disco, porque foi uma \u00e9poca bem dif\u00edcil. Lembro que toc\u00e1vamos \u201cThank You Friends\u201d e \u201cFor You\u201d, mas parava por a\u00ed.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/bigstar4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"580\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 toda uma discuss\u00e3o sobre a ordem das m\u00fasicas de \u201cThird\u201d, que tem v\u00e1rias vers\u00f5es diferentes. Voc\u00ea tem uma vers\u00e3o favorita?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o tenho, s\u00e9rio. Eu teria de voltar no tempo para ouvir as diferentes vers\u00f5es. Para falar a verdade, n\u00e3o sei. Faz tanto tempo que eu ouvi!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alguns anos depois que o Big Star terminou, j\u00e1 na d\u00e9cada de 1980, alguns artistas come\u00e7aram a mencionar a banda em entrevistas \u2013 estou falando principalmente de R.E.M. e Replacements aqui. Como foi ver esse movimento de resgate da banda?<\/strong><br \/>\nFoi divertido! Eu era um grande f\u00e3 do R.E.M. e fiquei muito animado quando vi <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DENLxDPRRCY\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mike Mills<\/a> e Peter Buck falando bem da gente na Rolling Stone. Depois, veio o Bobby Gillespie do Primal Scream, o Paul Westerberg, todos eles falando da gente. Quando comecei a trabalhar na Ardent, em janeiro de 1987, os Replacements pediram para gravar \u201cPleased to Meet Me\u201d l\u00e1. N\u00e3o cheguei a conhec\u00ea-los ou ver as sess\u00f5es, porque acredito que um est\u00fadio \u00e9 como uma embaixada \u2013 quando uma banda entra no est\u00fadio, aquele lugar passa a ser territ\u00f3rio dela. Nunca quis interromper banda nenhuma, sempre respeitei a privacidade deles. Fiz isso durante muito tempo, at\u00e9 ouvir algu\u00e9m dizer que n\u00e3o entendia porque ningu\u00e9m da Ardent aparecia na sala para dar um oi e agradecer. Muita gente achou que estava sendo esnobada, e a\u00ed mudei. O que eu me lembro \u00e9 que eles tinham uma m\u00fasica chamada \u201cAlex Chilton\u201d, e eu conhecia Jim Dickinson, que produziu o disco. Mas n\u00e3o convivi com eles, at\u00e9 porque eles gravavam de noite e eu trabalhava na Ardent das 9h \u00e0s 17h. Lembro que conheci o Tommy Stinson no meio das grava\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o cheguei a falar com os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(Nota do editor: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/17\/entrevista-tommy-stinson-fala-sobre-novo-disco-solo-os-anos-com-o-guns-n-roses-e-o-legado-do-replacements\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em entrevista ao Scream &amp; Yell<\/a>, Tommy Stintson relembra que o Replacements chegou a convidar Alex Chilton para produzir o disco &#8220;Tim&#8221;: &nbsp;&#8220;Come\u00e7amos a trabalhar nesse disco com o Alex Chilton (Big Star) como produtor. E foi rapidamente percebido que o Alex n\u00e3o era o cara certo para o projeto, por mais que n\u00f3s tamb\u00e9m am\u00e1ssemos o Alex Chilton e tudo mais. Mas sentimos que precis\u00e1vamos de algu\u00e9m que fosse mais um produtor do que um compositor&#8221;).<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Replacements - Alex Chilton (Official Promo Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ftTOEJfzdq0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi mais ou menos nessa \u00e9poca que as pessoas come\u00e7aram a falar sobre o termo power pop. O que voc\u00ea acha dele?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um termo meio limitado. Ele reduz a m\u00fasica que n\u00f3s faz\u00edamos. Se voc\u00ea pensar nos nossos discos, havia v\u00e1rios estilos de m\u00fasica dentro do disco. Acho que quando se ouve o termo power pop, voc\u00ea sabe que n\u00e3o \u00e9 country nem rap, ou punk. Isso ajuda. Mas acho que o power pop exclui uma influ\u00eancia grande que n\u00f3s t\u00ednhamos do soul. As m\u00fasicas, as letras, a forma como Chris e Alex cantavam, tudo ali tinha uma influ\u00eancia do soul e do que eles estavam sentindo na \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como essa onda de bandas falando sobre o Big Star levou \u00e0 reuni\u00e3o da banda nos anos 1990?<\/strong><br \/>\nBem, no come\u00e7o de 1993, recebi uma liga\u00e7\u00e3o do pessoal da Universidade do Missouri para saber se eu toparia me unir ao Alex para um festival que eles iam fazer dali a alguns meses. Falei que topava, mas que eles precisavam convencer o Alex \u2013 e eu n\u00e3o tinha o n\u00famero dele na \u00e9poca. N\u00e3o achei que eles achariam o n\u00famero do Alex, nem que ele toparia voltar. Mas ele aceitou, talvez s\u00f3 porque n\u00e3o fosse fazer nada demais naquela noite espec\u00edfica. Eles convidaram algumas pessoas para tocar conosco, mas n\u00e3o est\u00e1vamos conseguindo avan\u00e7ar. A\u00ed, sugeri que cham\u00e1ssemos Jon Auer e Ken Stringfellow, dos Posies. Eu os tinha conhecido h\u00e1 alguns anos, eles j\u00e1 tinham lan\u00e7ado \u201cI Am the Cosmos\u201d como single, era uma vers\u00e3o brilhante. Achei que n\u00e3o havia ningu\u00e9m melhor para fazer backing vocals como eles. Eles vieram a bordo, fomos para Seattle e fizemos ensaios por alguns dias. Eu n\u00e3o tocava bateria h\u00e1 alguns anos, ent\u00e3o precisei praticar por um bom tempo para estar pronto pro show. \u00c9 por isso que hoje toco bateria todos os dias \u2013 \u00e9 realmente dif\u00edcil n\u00e3o tocar por dois ou tr\u00eas anos e depois ter que \u201cmontar no cavalo\u201d de novo. Hoje, toco meia hora todo dia, e se tenho um show marcado, preciso tocar pelo menos uma hora, cinco dias por semana. Talvez esteja dando muitos detalhes da minha vida aqui, mas enfim: \u00e0s vezes, a gente espera o inesperado \u2013 e voltar com o Big Star foi inesperado pra mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>(Nota: O show em quest\u00e3o rendeu um disco ao vivo e o registro abaixo)<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Big Star-01-In the street-Columbia-Live at Missouri 4\/25\/93\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OLCZ5epKDXQ?list=PL44E181C721CA1998\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 faz quase tr\u00eas d\u00e9cadas que voc\u00ea est\u00e1 na estrada tocando as m\u00fasicas do Big Star, com muitos m\u00fasicos, incluindo gente do Wilco e do R.E.M.. \u00c9 uma esp\u00e9cie de reden\u00e7\u00e3o na jornada do her\u00f3i do Big Star?<\/strong><br \/>\nSei que \u00e9 excitante e \u00e9 muito divertido estar com essa banda hoje em dia. Odeio ensaiar, mas vale a pena por causa dessa banda. S\u00e3o m\u00fasicas muito divertidas de tocar e que me trazem muitos sentimentos \u00e0 tona. Al\u00e9m disso, a conex\u00e3o com o p\u00fablico \u00e9 realmente algo diferente, o la\u00e7o entre os m\u00fasicos, tudo \u00e9 muito incr\u00edvel \u2013 seja na forma\u00e7\u00e3o do Big Star que tivemos com Alex ou no novo projeto que temos agora, Music from Big Star.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2024, voc\u00eas tocaram na Espanha e em alguns locais dos EUA. Existe alguma chance de vermos esse show aqui no Brasil um dia?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei. Jaime Hernandez, um produtor de shows na Espanha, marcou v\u00e1rios dos nossos shows como Big Star ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, em M\u00e1laga, <a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2012\/06\/02\/barcelona-primavera-sound-dia-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no Primavera Sound<\/a>, em <a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2012\/05\/29\/londres-little-venice-camden-town-e-big-star\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">v\u00e1rios lugares<\/a>. Ele tamb\u00e9m chegou a lan\u00e7ar algumas das can\u00e7\u00f5es dos Posies e nos convidou recentemente. N\u00e3o \u00e9 um show barato, infelizmente. Somos quatro m\u00fasicos, \u00e9 preciso contar os quartos de hotel, as passagens, o seguro dos equipamentos. Na Espanha, tocamos em Barcelona, Gijon, Madri e Val\u00eancia, e tivemos de nos locomover de trem e de avi\u00e3o. Existe uma log\u00edstica complicada, e claro, o nosso cach\u00ea. N\u00e3o \u00e9 algo barato. Quando fizemos o show especial do \u201cThird\u201d, era pior ainda, porque a banda tinha oito pessoas, com direito a um quarteto de cordas, \u00e0s vezes um percussionista, isso tudo ficava caro. \u00c9 preciso de algu\u00e9m com algum dinheiro querendo fazer as coisas acontecerem. Se algu\u00e9m no Brasil tiver esse dinheiro, eu adoraria ir!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Big Star&#039;s Third Sisters Lovers with Ira Kaplan (Yo La Tengo) - O&#039; Dana\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aOFCnDpgX6k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 por isso que n\u00f3s jogamos na loteria toda semana!<\/strong><br \/>\nJody: Muito bom! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos falar sobre os est\u00fadios da Ardent agora. N\u00e3o sou especialista t\u00e9cnico no assunto, mas todos os discos gravados a\u00ed que ouvi parecem ter uma qualidade s\u00f4nica muito especial. Como voc\u00ea explicaria a \u201cm\u00e1gica\u201d que h\u00e1 a\u00ed?<\/strong><br \/>\nBem, h\u00e1 algumas coisas que fazem o Ardent ser \u00fanico. Os equipamentos importam, claro, mas tamb\u00e9m temos que levar em considera\u00e7\u00e3o o talento por tr\u00e1s dos equipamentos. John Fry foi um professor para muita gente, como Richard Roseborough, Jim Dickinson, Joe Hardy, Skid Mills, todos eles aprenderam muito com Fry \u2013 e se n\u00e3o trabalharam diretamente com ele, aprenderam com o que ele criou por l\u00e1. Preciso dizer: a forma como um engenheiro compreende o som \u00e9 quase como compor uma m\u00fasica. Ele precisa entender de onde a m\u00fasica vem e dar sentido a essa inspira\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso entender como um pensamento sonoro se transforma em uma m\u00fasica. E claro, para isso \u00e9 preciso muito conhecimento t\u00e9cnico, mas tamb\u00e9m \u00e9 preciso entender como a m\u00fasica quer ser ouvida. Um engenheiro de som pode arruinar a alma de uma m\u00fasica. Um produtor pode arruinar. Um engenheiro de masteriza\u00e7\u00e3o pode matar uma m\u00fasica, deixando-a alta demais. Muitas coisas t\u00eam que acontecer para uma m\u00fasica nascer do jeito que ela deveria ser escutada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muitos artistas gravaram na Ardent ao longo dos anos. Voc\u00ea n\u00e3o chegou a conhecer os Replacements, mas gostaria de saber se h\u00e1 hist\u00f3rias do est\u00fadio que gostaria de contar pra gente.<\/strong><br \/>\nDeixa eu pensar\u2026 uma vez tivemos Jimmy e Stevie Ray Vaughan gravando com a gente. Eu n\u00e3o sabia muito sobre Jimmy, mas Stevie era um cara incr\u00edvel. Ele tinha um fogo interior, toda nota que ele tocava era muito bem pensada, ele sabia o que estava fazendo. O R.E.M. gravou o \u201cGreen\u201d aqui em 1988. Eu j\u00e1 era um grande f\u00e3 deles e eles passaram cinco ou seis semanas por aqui. Pudemos dar umas voltas por a\u00ed e disso surgiu uma grande amizade com Peter Buck e Mike Mills. Lembro que o Michael Stipe levou o cachorro dele, Max, para aquela viagem. Uma vez, fomos jantar e Michael come\u00e7ou a contar como ele tinha trabalhado como fritador em um restaurante, e como ele gostava daquilo. Passei a admir\u00e1-lo muito \u2013 at\u00e9 porque \u00e9 sempre preciso gostar do que se faz. Um fritador traz muito prazer para as pessoas se consegue fazer boa comida. Foi uma grande li\u00e7\u00e3o que eu aprendi ali: se voc\u00ea vai fazer algo, fa\u00e7a bem. \u00c9 importante se orgulhar do trabalho que voc\u00ea faz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 quem chame a Ardent de \u201cAbbey Road americana\u201d, at\u00e9 mesmo transformando o est\u00fadio em um ponto de peregrina\u00e7\u00e3o. H\u00e1 muitos turistas por a\u00ed?<\/strong><br \/>\nCostum\u00e1vamos ter bastante gente por aqui, mas agora interrompemos as visitas por conta das reformas que estamos fazendo. Acho que depois da reforma, voltaremos a estar no mesmo n\u00edvel de Abbey Road e outros grandes est\u00fadios, vamos renovar os equipamentos e tamb\u00e9m a apar\u00eancia aqui do est\u00fadio. Vai ficar incr\u00edvel. Mas \u00e9 engra\u00e7ado: tem muita gente da Inglaterra e da Austr\u00e1lia, de toda parte do mundo, do Jap\u00e3o, que vem visitar o est\u00fadio. Tem muita gente que tamb\u00e9m vem visitar porque s\u00e3o f\u00e3s do ZZ Top ou do Led Zeppelin, que tamb\u00e9m gravaram aqui \u2013 na sede anterior do Ardent Studios, \u00e9 verdade, n\u00e3o \u00e9 onde estamos agora. Mas eu me orgulho muito dessa hist\u00f3ria: James Taylor, quase todo mundo da Stax tirando Otis Redding, as Staple Singers, Sam e Dave, Isaac Hayes, tem muita hist\u00f3ria! Joe Walsh, isso para n\u00e3o falar do REM, Replacements, Mudhoney, uma porrada de bandas incr\u00edveis. \u00c9 muito mais legal trabalhar na Ardent do que em Abbey Road! Se eu tivesse que escolher tudo de novo, eu escolheria trabalhar na Ardent e com John Fry. Dito isso, eu e Luther Russell gravamos na Ardent e fizemos alguns overdubs na Calif\u00f3rnia, porque Luther vive em Pasadena, na Calif\u00f3rnia. Estamos agora escrevendo m\u00fasicas para nosso quarto disco como Those Pretty Wrongs, mas para quem estiver ouvindo a gente, ou\u00e7am o \u201cHoliday Camp\u201d, nosso \u00e1lbum de 2023! A Mojo deu quatro estrelas pro disco, a Uncut deu nota 8.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Holiday Camp\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mhzASvJOi42TSSHFdV0_dy5JsNOmNG2Bg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A pr\u00f3xima pergunta era justamente sobre o Those Pretty Wrongs. Como foi o come\u00e7o desse projeto?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 vou falar disso, mas deixa eu terminar de te contar: eu e Luther vamos gravar nosso pr\u00f3ximo disco em Abbey Road, no est\u00fadio 2, onde os Beatles fizeram a maior parte das m\u00fasicas deles. Vamos gravar com John Leckie, que foi operador de fita em discos como \u201cAll Things Must Pass\u201d, de George Harrison. John produziu os Posies, produziu <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/02\/04\/the-bends-o-melhor-do-radiohead\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8220;The Bends\u201d<\/a>, do Radiohead, e uma s\u00e9rie de outros discos. Vamos ter um dia de completa euforia por l\u00e1. E temos uma m\u00fasica chamada \u201cLiverpool at Last\u201d, que estar\u00e1 no nosso pr\u00f3ximo disco. N\u00e3o vou tocar bateria por l\u00e1, porque mal podemos pagar pelo est\u00fadio. \u00c9 um luxo poder fazer sess\u00f5es em Abbey Road, o tempo deles \u00e9 muito caro, mas vamos gravar apenas alguns viol\u00f5es e talvez usar o piano que foi usado em \u201cLady Madonna\u201d. Vamos usar o que eles tiverem por l\u00e1 que n\u00e3o tenha custo de aluguel para usar. Vai ser um dia bem divertido, mas o resto do disco ser\u00e1 gravado aqui na Ardent.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que incr\u00edvel! Mas como essa hist\u00f3ria do Those Pretty Wrongs come\u00e7ou?<\/strong><br \/>\nUm dos meus trabalhos aqui na Ardent era cuidar dos contatos de A&amp;R \u2013 a parte de artistas e repert\u00f3rio das gravadoras. Eu tinha de falar com os executivos para saber se eles precisariam de n\u00f3s. E um dos meus contatos era Gary Gersh, da Geffen, que assinou com os Posies e tamb\u00e9m com uma banda chamada The Freewheelers, que era a banda de Luther Russell. Foi assim que n\u00f3s nos conhecemos. Ao longo dos anos, eu e Luther conversamos muito, sempre nos encontramos por a\u00ed. Quando Daniel McCarthy terminou o document\u00e1rio dele sobre o Big Star, \u201cNothing Can Hurt Me\u201d, Daniel me convidou para ir para Los Angeles cantar algumas m\u00fasicas na estreia. E eu achei que seria divertido, porque eu n\u00e3o costumava cantar muito, e alistei Luther para tocar comigo \u2013 especialmente porque n\u00e3o havia dinheiro para levar ningu\u00e9m de Memphis comigo. N\u00f3s come\u00e7amos a tocar juntos e come\u00e7amos a nos dar bem, ao ponto de que Luther sugeriu que dever\u00edamos escrever algumas m\u00fasicas. Eu n\u00e3o tinha d\u00favida de que Luther poderia fazer isso bem, ele \u00e9 um grande compositor, mas n\u00e3o tinha a mesma certeza sobre mim. Ok, eu escrevi \u201cFor You\u201d e algumas outras coisas, mas eu nunca realmente tinha sentado para compor. Achei que \u00edamos fazer s\u00f3 quatro m\u00fasicas, mas chegamos a doze, e a\u00ed gravamos dez dessas m\u00fasicas no nosso primeiro disco. A\u00ed ele disse para a gente gravar outro disco. Fizemos outras dez m\u00fasicas e um segundo disco. \u00c9 engra\u00e7ado: ao longo dos anos, sempre tive muita inspira\u00e7\u00e3o musical, colhi muitas refer\u00eancias, ent\u00e3o acabou sendo mais f\u00e1cil do que eu esperava. A\u00ed veio a \u00e9poca da pandemia e Luther sugeriu que dever\u00edamos fazer algo \u00fatil com o nosso tempo. Acabamos nos internando dentro da Ardent por um tempo e gravamos nosso mais recente disco, \u201cHoliday Camp\u201d. Agora j\u00e1 temos mais algumas m\u00fasicas prontas. Temos sorte de que as pessoas est\u00e3o ouvindo o que n\u00f3s gravamos. Por algum motivo, n\u00e3o fizemos muitas coisas nos EUA, mas as pessoas gostam muito da gente na Inglaterra, a Mojo e a Uncut sempre falam da gente. A Mojo at\u00e9 incluiu uma m\u00fasica nossa em uma colet\u00e2nea deles recentemente. E \u00e9 f\u00e1cil fazer turn\u00eas pela Inglaterra, porque d\u00e1 pra fazer tudo via trem. \u00c9 barato: n\u00f3s dois podemos ir de Londres para Glasgow por US$ 150. Nos EUA, precisar\u00edamos viajar de carro, contratar um motorista e gastar\u00edamos muito mais \u2013 at\u00e9 porque eu n\u00e3o confiaria em nenhum de n\u00f3s dois para dirigir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muito bom! Recentemente, o senhor tamb\u00e9m trabalhou com os Lemon Twigs, uma das bandas mais bacanas dos \u00faltimos anos \u2013 e que vai tocar aqui no Brasil em breve. Como foi tocar com eles?<\/strong><br \/>\nAdoro aqueles caras! Na primeira vez que falamos, o empres\u00e1rio deles me ligou enquanto eles estavam fazendo uma turn\u00ea. Eles iam passar por Memphis e queriam conhecer o est\u00fadio. Eles ficaram muito animados, eram muito jovens. Talvez eles tivessem 17 ou 18 anos na \u00e9poca. Foi uma conversa bem bacana. Eles deixaram o disco deles comigo na \u00e9poca e adorei. Ficamos em contato e eles me convidaram para ir \u00e0 casa dos pais deles, em Long Island. Eles tinham um pequeno est\u00fadio dentro de casa, e acho que tocamos umas duas ou tr\u00eas m\u00fasicas. Eles acabaram usando uma delas, \u201cThe Student Becomes the Teacher\u201d. Foi uma viagem muito divertida. Passei a noite por l\u00e1 e ajudei os pais deles a fazer o jantar, foi uma noite de fam\u00edlia, tipo uma festa do pijama. Foi muito divertido!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Student Becomes The Teacher\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vNYZhCxJQfQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estamos quase chegando no fim da entrevista. Se voc\u00ea tivesse uma m\u00e1quina do tempo, voc\u00ea mudaria algo na hist\u00f3ria do Big Star?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o! Se voc\u00ea pensar sobre o impacto que aqueles discos causaram, eu certamente n\u00e3o faria nada de diferente com eles. E n\u00e3o sei se poder\u00edamos ter feito algo de diferente tendo um empres\u00e1rio ou com um agente. No fim das contas, tudo deu certo: quando Andy saiu da banda, ele arranjou um \u00f3timo emprego, ele tinha uma boa fam\u00edlia e viveu uma vida boa. Alex tamb\u00e9m viveu uma vida boa, em seus pr\u00f3prios termos, e continuou a fazer m\u00fasica. Chris infelizmente morreu em 1978\u2026 e bem, eu estou na Ardent desde 1977. Tem sido uma vida boa e ainda posso tocar! N\u00e3o mudaria nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nessas cinco d\u00e9cadas, o Big Star foi regravado in\u00fameras vezes. Voc\u00ea tem uma cover favorita da banda?<\/strong><br \/>\nBem, o Wilco tem uma vers\u00e3o de \u201cThirteen\u201d que \u00e9 bem incr\u00edvel. As Bangles t\u00eam uma \u00f3tima releitura de \u201cSeptember Gurls\u201d. Quem mais? Tem a \u201cHolocaust\u201d do This Mortal Coil. E claro, tem a vers\u00e3o de \u201cKanga Roo\u201d do Jeff Buckley, que \u00e9 excelente. Eu pude v\u00ea-lo aqui em Memphis e foi incr\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 uma vers\u00e3o incr\u00edvel mesmo.<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o deveria dizer isso, mas acho que a de Jeff \u00e9 a minha favorita. (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>U\u00e9, por que n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAh, eu deveria dizer que \u00e9 a do Wilco porque eu conhe\u00e7o todos os caras da banda! Eu amo a vers\u00e3o do Wilco para \u201cThirteen\u201d. Mas \u201cKanga Roo\u201d? \u00c9 uma m\u00fasica muito inesperada para ter uma releitura. E Jeff Buckley? Uau!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>(Nota: Ou\u00e7a todas as vers\u00f5es citadas abaixo)<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"As covers do Big Star favoritas de Jody Stephens\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PL3M6mGqCRZBNG4jj6gVwKmOvGvWT7FpWF\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma das nossas tradi\u00e7\u00f5es do Programa de Indie \u00e9 encerrar os epis\u00f3dios com uma pergunta cl\u00e1ssica ao estilo \u201cAlta Fidelidade\u201d. Quais seriam os cinco discos que o senhor levaria para uma ilha deserta?<\/strong><br \/>\nOh, meu Deus! Eu n\u00e3o sei! \u201cGrace\u201d, de Jeff Buckley, com certeza. James Taylor! Eu amo James Taylor, tem uma vibe muito feliz, provavelmente iria com \u201cFire and Rain\u201d. S\u00e3o discos doces, muito bons de ouvir. Acho que eu n\u00e3o levaria um disco do Big Star. N\u00e3o sei, talvez \u201cRadio City\u201d. P\u00f4, faltam s\u00f3 dois, isso aqui \u00e9 perigoso. \u201cSmile\u201d, dos Jayhakws, \u00e9 um disco impressionante. Acho que preciso de um tempo pra pensar. E eu conheci recentemente os caras do My Morning Jacket, estou descobrindo a carreira deles. P\u00f4, essa \u00e9 uma pergunta dif\u00edcil, tem muita m\u00fasica boa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu achei que a sua lista ia ser inteira de Beatles.<\/strong><br \/>\nPois \u00e9, isso \u00e9 muito dif\u00edcil! Talvez eu levasse \u201cSgt Pepper\u2019s\u201d. \u00c9 dif\u00edcil: os Beatles s\u00e3o o meu Big Star. Eles evolu\u00edram ao longo dos anos. A nossa evolu\u00e7\u00e3o foi mais pronunciada de um disco para outro, entre os tr\u00eas discos. As pessoas amam o Big Star por causa desses tr\u00eas discos. Cada um dos discos que fizemos acerta as pessoas em sentimentos espec\u00edficos. \u00c9 dif\u00edcil escolher um disco s\u00f3. E acho que os Beatles s\u00e3o assim tamb\u00e9m, \u00e9 imposs\u00edvel escolher s\u00f3 um disco, mas acho que fico com \u201cSgt Pepper\u2019s\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu espero que a gente tenha novas oportunidades para conversar em breve e talvez a gente tenha uma chance de ter uma lista definitiva!<\/strong><br \/>\nSim! Putz, como \u00e9 que chama aquele disco do Jackson Browne? Talvez eu devesse levar aquele disco. \u00c9 um disco que tem um gal\u00e3o de \u00e1gua na capa, talvez eu precisasse de um pouco de \u00e1gua numa ilha deserta. (risos). Estou sendo bobo, mas eu sou um grande f\u00e3 de Jackson Browne. \u00c9 dif\u00edcil responder essa pergunta, mas o lado bom da m\u00fasica \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o precisa ficar restrito a um top 5. Voc\u00ea pode ouvir o que quiser: de \u201cSgt. Pepper\u2019s\u201d a Wilco e depois ouvir os Jayhawks ou os Lemon Twigs. N\u00e3o \u00e9 preciso escolher um favorito, porque h\u00e1 tempo para ouvir todo mundo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jody, \u00e9 um prazer enorme conversar contigo. \u00c9 uma honra para mim e para o Igor. Estamos juntos nesse programa h\u00e1 quase cinco anos e uma das bandas que nos uniu foi o Big Star. N\u00f3s ficamos amigos por causa de bandas como o Big Star, e \u00e9 um sonho virando realidade falar contigo.<\/strong><br \/>\n\u00c9 muito legal ouvir isso de algu\u00e9m do Brasil. Ali\u00e1s, voc\u00eas j\u00e1 ouviram falar de um EP do Big Star que saiu no Brasil?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o!<\/strong><br \/>\nExiste! Eu n\u00e3o tenho uma c\u00f3pia, mas se voc\u00ea procurar no Google poder\u00e1 encontrar. \u00c9 interessante, porque ele saiu na \u00e9poca de \u201c#1 Record\u201d. V\u00e1 atr\u00e1s! E me avise se descobrir alguma coisa! Muito obrigado pela conversa!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(Nota do rep\u00f3rter: o EP que Jody se refere \u00e9 <a href=\"https:\/\/www.discogs.com\/pt_BR\/release\/9389507-Big-Star-Big-Star\/image\/SW1hZ2U6MjU3Mzg1MTY=\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um compacto duplo lan\u00e7ado pela Stax em 1972 no Brasil<\/a>, com quatro m\u00fasicas do primeiro \u00e1lbum da banda: \u201cFeel\u201d, \u201cWhen My Baby\u2019s Beside Me\u201d, \u201cThe Ballad of El Goodo\u201d e \u201cTry Again\u201d. No Discogs, o pre\u00e7o m\u00e9dio do compacto \u00e9 de US$ 360.)<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Big Star- 01- In the street- Live in Memphis 94\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iu2ynqXpoAw?list=PLiYUJuK6oySBAyuXg8mcFIHZXbmzyK7up\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Big Star&#039;s Third - Full Performance (Live on KEXP)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QfXVqjma9j8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Psychedelic Stuff\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/55OypMUaFMY?list=OLAK5uy_lC30piCUo68kcXbAAZ2mgvhlCwE49xMQM\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Like St. Joan (Kanga Roo) (Demo)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zA7RaICr5XI?list=OLAK5uy_kFCfXhaKDPgsMAb1Z3M_SYRZbVOF_1mfY\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jody Stephens (Big Star) - What&#039;s In My Bag?\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/i4SYy5_2Wn4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas)<\/a>&nbsp;\u00e9 jornalista. Apresenta o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/programadeindie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a>&nbsp;e escreve a newsletter&nbsp;<a href=\"https:\/\/meusdiscosmeusdrinks.substack.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Meus Discos, Meus Drinks e Nada Mais<\/a>. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Jody Stephens tamb\u00e9m conta hist\u00f3rias saborosas do R.E.M, fala sobre o que acha do termo power pop, disserta sobre sua rela\u00e7\u00e3o com drogas e revela qual \u00e9 sua vers\u00e3o favorita do Big Star\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/02\/21\/entrevista-estar-no-big-star-era-como-ser-ringo-starr-nos-beatles-diz-jody-stephens\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":87796,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3026],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87804"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87804"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87804\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":87805,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87804\/revisions\/87805"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/87796"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87804"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87804"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87804"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}