{"id":87451,"date":"2025-02-14T23:51:42","date_gmt":"2025-02-15T02:51:42","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=87451"},"modified":"2025-04-03T17:15:42","modified_gmt":"2025-04-03T20:15:42","slug":"cinema-homens-de-barro-constroi-a-narrativa-de-um-improvavel-romance-gay-no-interior-do-rio-grande-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/02\/14\/cinema-homens-de-barro-constroi-a-narrativa-de-um-improvavel-romance-gay-no-interior-do-rio-grande-do-sul\/","title":{"rendered":"Cinema: \u201cHomens de Barro\u201d constr\u00f3i a narrativa de um improv\u00e1vel romance gay no interior do Rio Grande do Sul"},"content":{"rendered":"<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-87453\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/homensdebarro2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"938\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/homensdebarro2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/homensdebarro2-240x300.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">texto de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Renan Guerra<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um casal de jovens apaixonados em um delicado romance que \u00e9 perpassado por uma rixa entre fam\u00edlias. Voc\u00ea j\u00e1 ouviu essa hist\u00f3ria: ela est\u00e1 l\u00e1 em \u201cRomeu e Julieta\u201d, o cl\u00e1ssico shakespeariano escrito entre 1591 e 1595. Essa famosa narrativa ganha outros contornos e nuances quando levadas para o interior do Rio Grande do Sul, com uma perspectiva homoafetiva, como acontece no filme \u201cHomens de Barro\u201d (2025), que marca a primeira a incurs\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o de longa de fic\u00e7\u00e3o da produtora brasileira de cinema Angelisa Stein. Uma coprodu\u00e7\u00e3o Brasil e Argentina, o longa tem codire\u00e7\u00e3o do argentino Fernando Musa, que assina o roteiro com o tamb\u00e9m argentino Gonzalo Heredia, e dire\u00e7\u00e3o de fotografia do premiado Bruno Polidoro (que tamb\u00e9m trabalhou no longa \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/05\/10\/cinema-a-primeira-morte-de-joana-e-um-delicado-retrato-sobre-amadurecimento-e-sobre-se-entender-enquanto-pessoa-lgbtia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Primeira Morte de Joana<\/a>\u201d, de Cristiane Oliveira, outro filme ga\u00facho de tem\u00e1tica LGBTQIA+).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHomens de Barro\u201d \u00e9 narrado por \u00c2ngelo (Jo\u00e3o Pedro Prates), um integrante da fam\u00edlia Miranda, que vive com seus pais e com o irm\u00e3o Marciano (Alexandre Borin). Na casa ao lado vive a fam\u00edlia Tamai com seu filho \u00fanico P\u00e1ssaro (Gui Mallmann). Por rixas nos neg\u00f3cios, j\u00e1 que ambas as fam\u00edlias trabalham fabricando tijolos, os pais dos meninos, \u00c9lvio Miranda (Rafael Guerra) e Oscar Tamai (Cassiano Ranzolin), acabam entrando em uma esp\u00e9cie de guerra fria que pode explodir a qualquer momento e gerar chagas eternas nas duas fam\u00edlias. Essa tens\u00e3o entre vizinhos dura para al\u00e9m da presen\u00e7a dos dois pais, sendo repassada para os filhos. J\u00e1 adultos, \u00c2ngelo, Marciano e P\u00e1ssaro voltam a circular pelos mesmos ambientes da pequena cidade rural ondem vivem. Nessas, \u00c2ngelo acaba se envolvendo sexual e romanticamente com P\u00e1ssaro, criando um romance que se torna proibido por diferentes agentes externos: a homofobia de uma cidade de interior, a rela\u00e7\u00e3o historicamente conturbada de suas fam\u00edlias e a m\u00e1goa guardada por Marciano (a sua esp\u00e9cie de heran\u00e7a paterna simb\u00f3lica).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gravado na regi\u00e3o do Bel\u00e9m Velho, bairro rural da grande Porto Alegre, o que primeiro salta aos olhos no filme s\u00e3o as cores e os tons constru\u00eddos pela fotografia de Polidoro. Os cen\u00e1rios com suas casas de marcenaria, seus bares de mesas nas portas, com o carteado a ser jogado sob luzes incandescentes, tudo \u00e9 bastante natural aos olhos de quem j\u00e1 trafegou pelo interior do Rio Grande do Sul. Em segundo lugar, chama aten\u00e7\u00e3o a fala carregada de sotaque e que ganha naturalidade quando dita pelas vozes de atores realmente ga\u00fachos. Al\u00e9m disso tudo, \u00e9 curiosa tamb\u00e9m a suspens\u00e3o temporal do filme: n\u00e3o sabemos quando essa hist\u00f3ria se passa, estamos no passado? N\u00e3o h\u00e1 celulares em tela e isso \u00e9 um marcador forte quando falamos de um filme sobre jovens que circulam entre motos e festas \u2013 que parecem bastante modernas. Em contrapartida, os personagens fumam muito, como se ainda estiv\u00e9ssemos nos anos 1980. Essa suspens\u00e3o ajuda a criar essa esp\u00e9cie de mitologia para o universo do filme de Angelisa Stein.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHomens de Barro\u201d nos mergulha naquele pequeno microcosmo e torna cr\u00edveis suas narrativas familiares e amorosas, desenvolvendo uma cumplicidade do espectador com aquilo que se v\u00ea na tela e isso \u00e9 o grande trunfo do filme, pois ap\u00f3s embarcarmos na narrativa, at\u00e9 conseguimos nos abster das falhas e fraquezas da trama. A curta dura\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria nem sempre possibilita um aprofundamento de seus personagens e, com certeza, a hist\u00f3ria s\u00f3 teria a ganhar se o trio principal fosse mais bem desenhado. O nosso pr\u00f3prio narrador \u00c2ngelo \u00e9 apresentado de forma pouco profunda, faltam-lhe detalhes que poderiam dar mais nuance ao seu amor, aos seus medos e suas a\u00e7\u00f5es. A simplicidade e facilidade com que as coisas se desenvolvem na hist\u00f3ria nem sempre soam verossimilhantes e isso pode criar certas quebras ao olhar do espectador, por isso retornamos a ideia de que a melhor forma de se entender o filme \u00e9 embarcando nessa suspens\u00e3o proposta pela narrativa. Confiando nisso ganhamos um romance que remete aos formatos cl\u00e1ssicos: a paix\u00e3o juvenil, a descoberta do prazer, o poder dos encontros e a descoberta da trag\u00e9dia como parte do humano. Tudo isso habita esse universo masculino e d\u00fabio de \u201cHomens de Barro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dito tudo isso, \u00e9 interessante pensar nas escolhas estil\u00edsticas da narrativa, em como as cores, os sons e as ambi\u00eancias fazem desse um filme bastante cinest\u00e9sico, em que as sensa\u00e7\u00f5es contam tanto quanto as informa\u00e7\u00f5es e isso auxilia a suprir as faltas da hist\u00f3ria. \u201cHomens de Barro\u201d n\u00e3o \u00e9 um filme perfeito, mas \u00e9 em suas imperfei\u00e7\u00f5es que somos transbordados por sua humanidade, por sua busca explorat\u00f3ria pelo outro e isso \u00e9 enriquecedor de se ver nas telas brasileiras.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"HOMENS DE BARRO | Trailer Oficial | 6 de fevereiro nos Cinemas\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dnY8H8vzCXg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>&nbsp;\u00e9 jornalista<\/em>&nbsp;e<em>&nbsp;escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. Faz parte do&nbsp;<a href=\"http:\/\/vamosfalarsobremusica.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/vamosfalarsobremusica.com.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1630729890879000&amp;usg=AFQjCNGttyQx5OWOAKRyi7iGq8E4oacvuw\">Podcast Vamos Falar Sobre M\u00fasica<\/a>&nbsp;e colabora com o&nbsp;<a href=\"https:\/\/monkeybuzz.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/monkeybuzz.com.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1630729890879000&amp;usg=AFQjCNFjG1FOw9vBGrawiUhocH4mshwTtw\">Monkeybuzz<\/a>&nbsp;e a&nbsp;<a href=\"https:\/\/revistabalaclava.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/revistabalaclava.com\/&amp;source=gmail&amp;ust=1630729890879000&amp;usg=AFQjCNFqHswo4qEcyg8fw9VPM8IWsRH5oQ\">Revista Balaclava<\/a>.&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u00c9 interessante pensar nas escolhas estil\u00edsticas da narrativa, em como cores, sons e ambi\u00eancias fazem desse um filme bastante cinest\u00e9sico, em que as sensa\u00e7\u00f5es contam tanto quanto as informa\u00e7\u00f5es\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/02\/14\/cinema-homens-de-barro-constroi-a-narrativa-de-um-improvavel-romance-gay-no-interior-do-rio-grande-do-sul\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":87452,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87451"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87451"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87451\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":87455,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87451\/revisions\/87455"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/87452"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87451"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87451"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87451"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}