{"id":87397,"date":"2025-02-09T22:25:17","date_gmt":"2025-02-10T01:25:17","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=87397"},"modified":"2025-04-12T08:41:02","modified_gmt":"2025-04-12T11:41:02","slug":"entrevista-os-filmes-de-terror-brasileiros-sao-tao-bons-quanto-os-de-outros-paises-diz-rodrigo-aragao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/02\/09\/entrevista-os-filmes-de-terror-brasileiros-sao-tao-bons-quanto-os-de-outros-paises-diz-rodrigo-aragao\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;Os filmes de terror brasileiros s\u00e3o t\u00e3o bons quanto os de outros pa\u00edses&#8221;, diz Rodrigo Arag\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/leandro_luz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leandro Luz<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Selecionado para a Mostra Olhos Livres da <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/mostra-de-cinema-de-tiradentes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">28\u00aa Mostra de Cinema de Tiradentes<\/a>, Rodrigo Arag\u00e3o esteve presente na cidade mineira para apresentar o seu novo longa-metragem intitulado \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/02\/10\/28a-mostra-de-cinema-de-tiradentes-predio-vazio-de-rodrigo-aragao-e-ao-mesmo-tempo-comedia-de-horror-e-filme-de-cerco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pr\u00e9dio Vazio<\/a>\u201d (2025). No filme, uma jovem mulher decide sair em busca de sua m\u00e3e no \u00faltimo dia de Carnaval em Guarapari ap\u00f3s receber uma liga\u00e7\u00e3o que a leva a um edif\u00edcio decr\u00e9pito e aparentemente abandonado, a n\u00e3o ser pela presen\u00e7a delirante de uma estranha zeladora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">T\u00e9cnico de efeitos especiais com mais de 30 anos de carreira, reconhecido como um dos maiores de seu ramo no Brasil, Arag\u00e3o tem uma trajet\u00f3ria \u00edmpar no cinema brasileiro, seja pelo seu trabalho em relevantes produ\u00e7\u00f5es brasileiras ins\u00f3litas feitas por terceiros, como \u201cEnterre Seus Mortos\u201d (Marco Dutra, 2024) e \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/10\/09\/cinema-o-clube-dos-canibais-de-guto-parente-e-cinico-debochado-e-aterrorizante\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Clube dos Canibais<\/a>\u201d (Guto Parente, 2018), seja na artesania de seus pr\u00f3prios projetos capitaneados pela sua produtora, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/fabulas.filmes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">F\u00e1bulas Filmes<\/a>. S\u00e3o diversas pe\u00e7as de teatro e curtas-metragens nas costas, al\u00e9m de 7 longas-metragens que j\u00e1 circularam mais de 100 festivais pelo mundo e conquistaram mais de 30 pr\u00eamios: \u201cMangue Negro\u201d, \u201cA Noite do Chupacabras\u201d, \u201cMar Negro\u201d, \u201cAs F\u00e1bulas Negras\u201d, \u201cA Mata Negra\u201d, \u201cO Cemit\u00e9rio das Almas Perdidas\u201d e \u201cPr\u00e9dio Vazio\u201d, este \u00faltimo seu mais recente trabalho e o primeiro a ser ambientado em um cen\u00e1rio urbano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascido e criado no Esp\u00edrito Santo, em uma vila de pescadores recheada de causos e crendices, Arag\u00e3o aprendeu desde muito cedo a contar hist\u00f3rias e a querer transform\u00e1-las em cinema, isto porque seu pai era dono e projecionista de uma pequena sala, garantindo ao menino uma entrada precoce no mundo das fitas brasileiras. Come\u00e7ou a trabalhar com maquiagem e efeitos especiais ainda na adolesc\u00eancia, fruto de algumas oficinas das quais participou, e o salto para diretor de cinema, ainda que tenha demorado um pouco para acontecer, o catapultou para o front da produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea de filmes fant\u00e1sticos no Brasil, especialmente os de terror.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Disputado tanto por cineastas de peso quanto por jovens realizadores perif\u00e9ricos, Arag\u00e3o circulou o pa\u00eds ministrando oficinas de cinema e deixando &#8220;filhotes\u201d por onde passou. Se hoje um cineasta como Joel Caetano est\u00e1 trilhando o seu pr\u00f3prio caminho, pode ter certeza que tem dedo do capixaba nesse ac\u00famulo de sabedoria e nessa vontade de se expressar por meio do gore e da divers\u00e3o sangrenta. Para al\u00e9m da juventude, Rodrigo Arag\u00e3o sempre esteve muito pr\u00f3ximo de cineastas que o precederam, como \u00e9 o caso de Petter Baiestorf e, evidentemente, o seu maior \u00eddolo e a sua grande refer\u00eancia, Jos\u00e9 Mojica Marins. Arag\u00e3o e Mojica fizeram juntos \u201cO Saci\u201d, seguimento do filme \u201cAs F\u00e1bulas Negras\u201d (2015), no qual Arag\u00e3o escreveu e produziu, tendo sido este o \u00faltimo trabalho dirigido pelo mestre do horror brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s fazer filmes que variaram, em termos de or\u00e7amento, de R$ 50.000,00 a R$ 2.000.000,00, sendo aquele o mais comum e frequente, Arag\u00e3o est\u00e1 atualmente envolvido no projeto \u201cFolcl\u00f3rica\u201d, seu primeiro filme infanto-juvenil. Seu sonho de ter o seu pr\u00f3prio est\u00fadio cinematogr\u00e1fico para fazer os seus filmes e os filmes dos companheiros de profiss\u00e3o segue firme e forte, aguardando o financiamento necess\u00e1rio para que consiga transformar um velho galp\u00e3o em um espa\u00e7o de arte e de resist\u00eancia in\u00e9dito em seu estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPr\u00e9dio Vazio\u201d, belo filme sobre maternidade, determina\u00e7\u00e3o e a nossa incapacidade de lidar com os pr\u00f3prios erros, ainda n\u00e3o tem data de estreia no circuito comercial. Segundo o diretor, o filme ir\u00e1 percorrer mostras e festivais pelo Brasil e pelo mundo ao longo do primeiro semestre e, provavelmente na altura das comemora\u00e7\u00f5es do halloween, ir\u00e1 tentar o circuito. Ainda que tenha sido anunciado depois desta entrevista, que voc\u00ea l\u00ea a seguir, o filme ganhou o pr\u00eamio de contrato de distribui\u00e7\u00e3o no valor de R$100.000,00, oferecido pela Retrato Filmes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conversa durante a realiza\u00e7\u00e3o da 28\u00aa Mostra de Cinema de Tiradentes, entre uma tempestade e outra que assolou a cidade durante os 9 dias de programa\u00e7\u00e3o, Rodrigo Arag\u00e3o falou sobre a import\u00e2ncia dos realizadores &#8211; no Brasil e no mundo &#8211; assumirem que est\u00e3o fazendo cinema de g\u00eanero, sem que sejam necess\u00e1rios subterf\u00fagios que poderiam facilmente valorizar as obras diante dos olhos do grande p\u00fablico. Ainda, comentou acerca dos desafios enfrentados para financiar projetos de horror no Brasil, o deleite de poder trabalhar com a \u201cdama do cinema de terror brasileiro\u201d Gilda Nomacce e da experi\u00eancia singular de se fazer um longa-metragem em uma \u201ccidade pequena\u201d a partir da metodologia do \u201cfilme-escola\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"PR\u00c9DIO VAZIO - TRAILER\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RmH4cU1BioU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cMangue Negro\u201d. L\u00e1 se v\u00e3o quase 20 anos! Em 2025, seu primeiro longa-metragem completa 17 anos, para ser mais exato. Sei que \u00e9 uma pergunta ampla, mas o que voc\u00ea acha que mudou de 2008 para c\u00e1, tanto na cadeia produtiva quanto na rela\u00e7\u00e3o do espectador com o cinema brasileiro de horror feito no Brasil?<\/strong><br \/>\n&#8220;Mangue Negro\u201d foi um filme totalmente independente, movido totalmente por paix\u00e3o. \u00c9 um filme literalmente do quintal da minha casa, feito durante tr\u00eas anos. Acho que o principal era uma frase que eu ouvia de todo mundo quando falava que estava fazendo um filme de terror: \u201cFilme de terror? N\u00e3o se faz filme de terror no Brasil\u201d. S\u00f3 o Mojica, mas ele tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 fazendo. Havia uma estranheza. Era quase como se voc\u00ea estivesse fazendo uma coisa alien\u00edgena. Hoje n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o estranho devido a democratiza\u00e7\u00e3o, a amplia\u00e7\u00e3o das leis de incentivo, a democratiza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de equipamento, de hoje voc\u00ea ter acesso a equipamentos com qualidade de imagem muito grande. A gente ainda tem um longo caminho pela frente, mas esses \u00faltimos 17 anos foram muito bons. Acho que estamos no nosso melhor momento para o cinema de g\u00eanero. Mas, como digo a todos, a gente ainda tem que pegar uma grande fatia do p\u00fablico que ainda n\u00e3o descobriu esses filmes. Esse \u00e9 o maior desafio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse gancho, falando a respeito de contextos de produ\u00e7\u00e3o, muitos pesquisadores e estudiosos consideram voc\u00ea um artes\u00e3o do cinema de horror feito no Brasil. Ainda que o cinema brasileiro, para al\u00e9m do Mojica, nos anos 1960, 1970, 1980, at\u00e9 chegar nos dias de hoje, n\u00e3o tenha uma tradi\u00e7\u00e3o de se relacionar com o cinema de horror de forma mais direta, o horror sempre esteve ali. Se voc\u00ea for pensar na produ\u00e7\u00e3o da Boca do Lixo, por exemplo, e pegar os filmes de Jean Garrett\u2026 como o \u201cExcita\u00e7\u00e3o\u201d (1976), por exemplo, entre outros, o horror sempre atravessou um pouco. Como voc\u00ea acha que o contexto de produ\u00e7\u00e3o determina o que o filme \u00e9 ou o que ele pode ser?<\/strong><br \/>\nAcho que o terror atravessou essa \u00e9poca, que \u00e9 um g\u00eanero que sempre foi amado por muita gente, mas havia uma coisa: o terror muitas vezes teve que se disfar\u00e7ar de outros g\u00eaneros. Como voc\u00ea falou, o \u201cExcita\u00e7\u00e3o\u201d, da Boca do Lixo\u2026 muitas vezes os filmes eram de terror, mas eram disfar\u00e7ados de er\u00f3tico\u2026 para ser vendido. N\u00f3s passamos por uma \u00e9poca, tamb\u00e9m, que \u00e9 o que eu chamo de \u201cterror envergonhado\u201d, que \u00e9 esse terror que o diretor j\u00e1 vai falar: \u201colha, mas o meu filme n\u00e3o \u00e9 um filme de terror, n\u00e3o, \u00e9 um suspense psicol\u00f3gico&#8221;. Como se o terror fosse uma coisa menor. Havia uma certa vergonha de voc\u00ea falar que \u00e9 um filme de terror. Talvez seja por isso que a minha fala de ontem (na Mostra de Tiradentes) come\u00e7ou com \u201ceste \u00e9 um filme de terror brasileiro\u201d. \u00c9 muito importante a gente se assumir, entender que temos f\u00e3s do g\u00eanero e que os filmes de terror brasileiros s\u00e3o t\u00e3o bons quanto os de outros pa\u00edses. Essa \u00e9 a grande quest\u00e3o, da gente poder fazer esse tipo de filme. E muitas vezes at\u00e9 s\u00e3o filmes que t\u00eam que ter determinadas tem\u00e1ticas ou serem apresentados de determinadas maneiras, at\u00e9 para conseguir ganhar um edital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma necessidade mercadol\u00f3gica.<\/strong><br \/>\n\u00c9\u2026 de como voc\u00ea vai financiar, porque o terror tem v\u00e1rias caracter\u00edsticas. Ele tem f\u00e3s, ele chama a aten\u00e7\u00e3o, mas muitas vezes voc\u00ea tem dificuldade de conseguir patroc\u00ednio, porque uma empresa n\u00e3o quer colocar o nome num filme de terror e muitas vezes, em alguns editais, determinadas bancas n\u00e3o d\u00e3o pr\u00eamios para filmes de terror porque acham que \u00e9 um g\u00eanero menor. E eu acho que essa \u00e9 a grande mudan\u00e7a que a gente precisa (passar)\u2026 de entender que todo grande cineasta j\u00e1 fez terror. Kubrick, Spielberg, todo mundo que voc\u00ea pensar j\u00e1 fez. Que \u00e9 um g\u00eanero dif\u00edcil, que \u00e9 um g\u00eanero nobre. E que \u00e9 um g\u00eanero importante para o mercado. Ent\u00e3o, talvez o terror brasileiro ainda precise perder um pouco da vergonha para que ele possa aparecer mais e para que ela consiga encontrar o seu p\u00fablico.<\/p>\n<figure id=\"attachment_87403\" aria-describedby=\"caption-attachment-87403\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-87403\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/rodrigoaragao2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/rodrigoaragao2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/rodrigoaragao2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-87403\" class=\"wp-caption-text\"><em>Rodrigo Arag\u00e3o dirigindo cena de &#8220;Pr\u00e9dio Vazio&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o \u201cPr\u00e9dio Vazio\u201d? Ele teve financiamento do Funcultura, do Esp\u00edrito Santo. E tamb\u00e9m teve uma quest\u00e3o muito peculiar com a produ\u00e7\u00e3o, que deve ter sido diferente de todas as outras, que \u00e9 o que voc\u00eas chamam de \u201cfilme-escola\u201d, certo? Me conta como foi isso.<\/strong><br \/>\nO \u201cfilme-escola\u201d \u00e9 a maneira que a gente encontrou de produzir no Esp\u00edrito Santo, ou seja, de formar profissionais em um filme que tem uma grande demanda de efeitos especiais, de cenografia, de um tipo de interpreta\u00e7\u00e3o diferente, sem precisar importar profissionais do Rio, de S\u00e3o Paulo. Foram oito oficinas para 280 alunos, onde os os alunos que a gente identificou com a maior capacidade foram inclu\u00eddos, e isso formou 50% da equipe. Ent\u00e3o, esses alunos tiveram a experi\u00eancia de conhecer um set na pr\u00e1tica, e isso foi \u00f3timo para eles e foi \u00f3timo para o filme. Acho que para quem quiser produzir agora no Esp\u00edrito Santo, eu acho que isso \u00e9 uma linha de racioc\u00ednio. Esses alunos j\u00e1 foram para outros filmes. Muitos deles j\u00e1 entraram no mercado com for\u00e7a e isso \u00e9 maravilhoso. Aconselho realizadores de outros estados que t\u00eam dificuldade para encontrar profissionais no estado a fazerem coisas parecidas, porque funcionou muito bem para mim e pretendo continuar com esse modelo nos meus pr\u00f3ximos trabalhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 teve experi\u00eancias fazendo oficinas de maquiagens e efeitos no Brasil inteiro. Imagino que isso tenha te ajudado nessa condu\u00e7\u00e3o, n\u00e9?<\/strong><br \/>\n\u00c9, \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma coisa que me pareceu muito marcante na sess\u00e3o de ontem na tenda [do filme \u201cPr\u00e9dio Vazio\u201d], e pensando no contexto de Tiradentes, que \u00e9 um contexto sempre duro, dif\u00edcil, \u00e9 que os filmes at\u00e9 aqui estavam sendo muito\u2026 filmes de homens, sobre homens. E a\u00ed voc\u00ea chega para apresentar o seu filme e tem, sei l\u00e1, umas cinco, seis, sete, dez mulheres do seu lado.<\/strong><br \/>\n\u00c9 maravilhoso!<\/p>\n<figure id=\"attachment_87404\" aria-describedby=\"caption-attachment-87404\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-87404\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/rodrigoaragao4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/rodrigoaragao4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/rodrigoaragao4-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-87404\" class=\"wp-caption-text\"><em>Gilda Nomacce com um dos fantasmas de &#8220;Pr\u00e9dio Vazio&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria que voc\u00ea comentasse um pouco a participa\u00e7\u00e3o delas nesse filme, porque as protagonistas s\u00e3o femininas, as quest\u00f5es s\u00e3o em parte femininas. E queria que voc\u00ea come\u00e7asse a responder a partir, \u00f3bvio, do grande nome do seu filme que \u00e9 a Gilda [Nomacce].<\/strong><br \/>\nEu acho que as mulheres s\u00e3o incr\u00edveis. Elas s\u00e3o muito boas de trabalhar, assim. E, realmente, esse \u00e9 um filme com a grande parte da equipe feminina. At\u00e9 nessas oficinas as mulheres se destacaram, ent\u00e3o a gente passou a ter uma equipe t\u00e9cnica formada mais por mulheres, o que foi emocionante. E a Gilda\u2026 eu sempre fui um admirador do trabalho dela. Eu tive a oportunidade de fazer um cap\u00edtulo de uma s\u00e9rie onde pude dirigi-la em S\u00e3o Paulo, e imediatamente falei que queria trabalhar (com ela). Ela se destaca das outras pessoas, n\u00e3o s\u00f3 pelo talento impressionante, mas como uma pessoa muito f\u00e1cil, muito carinhosa, muito sens\u00edvel para trabalhar. E eu acho que a Gilda hoje \u00e9 a grande dama do cinema de terror brasileiro. Ela merece esse t\u00edtulo. Espero que esse filme seja mais um tijolinho na carreira dela. S\u00f3 tenho orgulho de ter trabalhado com essa mulher. Eu espero poder trabalhar com ela em mais filmes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea falou muito no debate a respeito da sua rela\u00e7\u00e3o com a sua esposa, que \u00e9 a sua produtora ao mesmo tempo. Como \u00e9 essa rela\u00e7\u00e3o com ela, no seu dia a dia, de pensar os filmes\u2026 de pensar a vida e de pensar os filmes? T\u00e1 tudo junto?<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 maravilhoso! A Mayra \u00e9 a produtora dos meus filmes, a gente se conheceu no meu primeiro filme e estamos juntos\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mais ou menos a idade do \u201cMangue Negro\u201d \u00e9 a idade que voc\u00eas tem de casado?<\/strong><br \/>\n\u00c9 exatamente isso. E, cara, eu fa\u00e7o a parte f\u00e1cil. Eu sou a parte criativa e ela \u00e9 quem cuida de toda a parte complicada. Ent\u00e3o eu s\u00f3 posso ser muito f\u00e3 dela porque ela \u00e9 quem produz, quem organiza, planeja, monta os projetos. Eu tenho muita sorte de ter encontrado essa parceira, essa mulher, e que me fez admirar mais todas as mulheres.<\/p>\n<figure id=\"attachment_87405\" aria-describedby=\"caption-attachment-87405\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-87405\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/rodrigoaragao3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/rodrigoaragao3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/rodrigoaragao3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-87405\" class=\"wp-caption-text\"><em>Rodrigo Arag\u00e3o dirigindo cena de &#8220;Pr\u00e9dio Vazio&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entrando mais a fundo no \u201cPr\u00e9dio Vazio\u201d, voc\u00ea falou tamb\u00e9m sobre algumas refer\u00eancias para o filme. \u201cSuspiria\u201d, enfim, d\u00e1 para perceber, do ponto de vista da dire\u00e7\u00e3o de arte. Fiquei com uma curiosidade muito pontual: aquelas almas, no momento em que elas aparecem, me lembrou muito \u201cGhost\u201d (1990).<\/strong><br \/>\n(risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea lembra de\u2026?<\/strong><br \/>\nLembro sim (risos). Isso foi conversado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apesar do dramalh\u00e3o, tem algumas cenas espec\u00edficas, na hora em que os esp\u00edritos v\u00eam buscar as almas das pessoas. Me pareceu um arranjo muito\u2026 tecnicamente parecido.<\/strong><br \/>\n\u00c9, foi uma coisa que aconteceu\u2026 essas oficinas, todos esses fantasmas vieram das oficinas tamb\u00e9m. Porque o elenco \u00e9 pequeno, e \u00e9 um processo complicado essa quest\u00e3o dos fantasmas n\u00e3o serem malvados. Eles s\u00e3o famintos e tal. Ent\u00e3o, assim, a quest\u00e3o da caracteriza\u00e7\u00e3o. N\u00f3s quer\u00edamos uma caracteriza\u00e7\u00e3o dessaturada, ou seja, quase preto e branco. Tanto de figurino quanto de maquiagem, eles s\u00e3o bem cinzas. Mas eles ficaram parecendo muito zumbis. No primeiro corte, sem efeitos, eles ficaram parecendo muito com zumbis, ent\u00e3o a gente teve que procurar alguma linguagem para tirar um pouco a coisa dos zumbis e jogar para os fantasmas. E eu confesso para voc\u00ea que a gente montou e algu\u00e9m me falou isso: \u201colha, t\u00e1 parecendo &#8216;Ghost&#8217;, hein? (risos) E a gente tentou at\u00e9 depois colocar umas coisinhas, mas acho que isso \u00e9 do imagin\u00e1rio, cara. Quando voc\u00ea pensa em um vulto, uma sombra, uma coisa, a gente bate no que eles fizeram. Ent\u00e3o foi meio inconsciente, na verdade, mas\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas eu falei como um elogio, n\u00e3o como um dem\u00e9rito, porque\u2026 bom, eu cresci vendo filmes de terror tamb\u00e9m, essa coisa de crian\u00e7a, antigamente, que tinha essa coisa com a televis\u00e3o.<\/strong><br \/>\nAcho que t\u00e1 ali, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu amo filmes de horror e tudo, mas eu me lembro de ficar muito assustado com filmes, com cenas \u00e0s vezes horror\u00edficas, mas que n\u00e3o s\u00e3o de filmes de terror. Ent\u00e3o, n\u00e3o sei, essas cenas mesmo do \u201cGhost\u201d me aterrorizavam.<\/strong><br \/>\nAs almas levando\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9, sei l\u00e1, os Oompa-Loompas do \u201cA Fant\u00e1stica F\u00e1brica de Chocolate\u201d era uma coisa que me assustava quando crian\u00e7a.<\/strong><br \/>\nTodas as crian\u00e7as. Aquilo \u00e9 um trauma coletivo para todas as crian\u00e7as (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rodrigo, voc\u00ea disse que ontem foi a primeira sess\u00e3o p\u00fablica do filme. Eu queria saber como voc\u00ea sentiu a sess\u00e3o, porque tem sess\u00f5es que funcionam e tem sess\u00f5es que n\u00e3o funcionam. E me pareceu que a sess\u00e3o de ontem funcionou. Eu vi pessoas rindo. Vi uma fileira de garotas na minha frente se assustando. Hoje, no debate, tinha uma menina muito emocionada que deu um depoimento\u2026 queria que voc\u00ea trouxesse um pouco a sua impress\u00e3o dessa sess\u00e3o.<\/strong><br \/>\nEstou muito feliz com a sess\u00e3o de Tiradentes. Eu tamb\u00e9m n\u00e3o sabia como um p\u00fablico t\u00e3o espec\u00edfico e t\u00e3o especializado ia reagir a um filme de terror t\u00e3o\u2026 feito para ser divertido, feito para ser popular. Ent\u00e3o, eu acho que como uma primeira sess\u00e3o foi melhor do que as minhas melhores expectativas, mesmo. Sinto mais f\u00e9, mais esperan\u00e7a que esse filme v\u00e1 ter caminhos abertos, assim. E continuo nesse grande desafio, que para mim \u00e9 o grande desafio do cinema brasileiro de fazer esse filme encontrar o p\u00fablico dele dentro de uma parte muito dif\u00edcil que \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o. Encontrar as janelas! E essa \u00e9 a minha tarefa durante 2025. Fazer esse filme encontrar o p\u00fablico dele. Mas Tiradentes foi o melhor come\u00e7o que eu podia ter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para fechar, voc\u00ea dedicou a sess\u00e3o ao Mojica, \u00f3bvio. Quer dizer, n\u00e3o sei se \u00e9 \u00f3bvio, mas eu acompanho o seu trabalho h\u00e1 muito tempo e acho que foi importante. N\u00e3o vou te perguntar qual a sua rela\u00e7\u00e3o com Mojica, porque isso muita gente j\u00e1 sabe, voc\u00ea j\u00e1 respondeu em muitas entrevistas, mas eu queria fazer uma pergunta mais espec\u00edfica sobre o \u201cPr\u00e9dio Vazio\u201d e o Mojica. Eu senti, nesse filme, talvez mais do que em todos os seus outros filmes, uma esp\u00e9cie de atmosfera de del\u00edrio e de loucura, muito por conta da interpreta\u00e7\u00e3o da Gilda, mas tamb\u00e9m pelo ambiente que se trata, que me lembra muito os filmes do Mojica. N\u00e3o s\u00f3 os filmes do Z\u00e9 do Caix\u00e3o, mas os outros filmes que ele fez tamb\u00e9m: \u201cFinis Hominis\u201d, \u201cO Despertar da Besta\u201d, uma coisa psicod\u00e9lica, assim. Isso foi consciente durante ou voc\u00ea percebeu depois?<\/strong><br \/>\nCara, n\u00e3o foi. Eu acho que eu sou\u2026 eu me reconheci t\u00e3o contaminado pelo trabalho do Mojica que eu confesso que, por exemplo, no \u201cO Cemit\u00e9rio das Almas Perdidas\u201d eu tive cenas que eu falei: \u201ceu vou homenagear o Mojica, eu vou fazer cena dos olhos injetados de sangue e tal, vou fazer uma homenagem\u201d. E no &#8220;Pr\u00e9dio Vazio&#8221; isso n\u00e3o aconteceu. Durante a montagem, assim, principalmente a sequ\u00eancia final, reconheci ali a descida ao inferno dele, do \u201cEsta Noite Encarnarei no Teu Cad\u00e1ver\u201d. E confesso que eu n\u00e3o pensei nisso durante o processo, mas depois eu vi que ele tava ali. Ent\u00e3o eu falo que o Mojica\u2026 ele est\u00e1 presente na minha vida, sempre. Eu acho que esse filme mostrou isso, que mesmo inconsciente, ele estava ali\u2026 e ontem foi uma coisa meio especial, porque eu n\u00e3o estava pensando em falar dele, e essas lembran\u00e7as de Facebook me mostraram que h\u00e1 dez anos atr\u00e1s eu tava ali naquele mesmo lugar\u2026 o \u00faltimo filme que ele fez, ent\u00e3o me bateu essa\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O epis\u00f3dio do Saci [do filme \u201cAs F\u00e1bulas Negras\u201d].<\/strong><br \/>\n\u00c9, exatamente. Exatamente dez anos atr\u00e1s. Eu n\u00e3o tinha\u2026 eu n\u00e3o tinha pensado nisso tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/02\/10\/28a-mostra-de-cinema-de-tiradentes-predio-vazio-de-rodrigo-aragao-e-ao-mesmo-tempo-comedia-de-horror-e-filme-de-cerco\/\"><em>Leia tamb\u00e9m: \u201cPr\u00e9dio Vazio\u201d, de Rodrigo Arag\u00e3o, \u00e9 ao mesmo tempo uma com\u00e9dia de horror e um filme de cerco<\/em><\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-87406\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/prediovazio.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1108\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/prediovazio.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/prediovazio-203x300.jpg 203w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Leandro Luz (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leandro_luz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@leandro_luz<\/a>) escreve e pesquisa sobre cinema desde 2010. Coordena os projetos de audiovisual do Sesc RJ desde 2019 e exerce atividades de cr\u00edtica nos podcasts\u00a0<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Plano-Sequ\u00eancia<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1 disco, 1 filme.<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Selecionado para a Mostra Olhos Livres da 28\u00aa Mostra de Cinema de Tiradentes, Arag\u00e3o esteve presente na cidade mineira para apresentar o seu novo longa-metragem intitulado \u201cPr\u00e9dio Vazio\u201d\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/02\/09\/entrevista-os-filmes-de-terror-brasileiros-sao-tao-bons-quanto-os-de-outros-paises-diz-rodrigo-aragao\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":137,"featured_media":87407,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[6544,7594],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87397"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/137"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87397"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87397\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":87419,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87397\/revisions\/87419"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/87407"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87397"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87397"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87397"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}