{"id":87381,"date":"2025-02-08T00:01:00","date_gmt":"2025-02-08T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=87381"},"modified":"2025-03-12T22:17:23","modified_gmt":"2025-03-13T01:17:23","slug":"esse-voce-precisa-ver-o-lado-mais-visionario-e-controverso-de-david-lynch-ainda-e-visivel-em-seu-duna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/02\/08\/esse-voce-precisa-ver-o-lado-mais-visionario-e-controverso-de-david-lynch-ainda-e-visivel-em-seu-duna\/","title":{"rendered":"Esse voc\u00ea precisa ver: O lado mais vision\u00e1rio (e controverso) de David Lynch ainda \u00e9 vis\u00edvel em seu \u201cDuna\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dif\u00edcil saber at\u00e9 onde uma obra pode ser chamada de \u201csubestimada\u201d. Claro, \u00e9 completamente plaus\u00edvel acreditar que algo \u00e9 digno de muito mais aten\u00e7\u00e3o do que normalmente recebe, ou que tal objeto de estudo n\u00e3o foi julgado merecedor de uma an\u00e1lise mais apurada. No entanto, paradoxalmente, uma obra tida como subestimada por muitos n\u00e3o pode ser, de fato, tida como tal. No que tange a chamada cultura \u201ccult\u201d, ent\u00e3o, \u00e9 que essa contradi\u00e7\u00e3o se torna mais latente e inescap\u00e1vel \u2013 ainda mais quando o respons\u00e1vel por uma obra do t\u00edtulo \u00e9, por si s\u00f3, visto como uma esp\u00e9cie de avatar de tudo que se pode entender como \u201ccult\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foram poucos aqueles que se dedicaram a rememorar a vida e obra de David Lynch quando do falecimento do realizador, neste janeiro de 2025. Muitos de seus admiradores, ao prestar tributo ao legado do cineasta americano, n\u00e3o perderam a oportunidade de evocar filmes como \u201cEraserhead\u201d (1980), \u201cMulholland Drive\u201d (1998) ou \u201cLost Highway\u201d (1994), \u00eaxitos praticamente un\u00e2nimes de p\u00fablico e de cr\u00edtica. Neste ponto, \u00e9 necess\u00e1rio deixar claro que \u201cDuna\u201d (\u201cDune\u201d, 1984) n\u00e3o \u00e9 necessariamente uma obra merecedora do adjetivo \u201csubestimado\u201d: afinal, a adapta\u00e7\u00e3o do livro de Frank Herbert, escrito em meados dos anos 60 e transposto por Lynch para a tela grande pela primeira vez, parece angariar ano ap\u00f3s ano parcelas enormes tanto de devotos, que se v\u00eaem transportados para o dist\u00f3pico universo permeado por disputas \u00e9ticas e pol\u00edticas com elementos t\u00edpicos da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica como pano de fundo, quanto detratores, incomodados com a megalomania que parece tomar conta de cada linha de di\u00e1logo, cada passagem, cada momento de tens\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_87383\" aria-describedby=\"caption-attachment-87383\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-87383\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/dune2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/dune2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/dune2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-87383\" class=\"wp-caption-text\"><em>Francesca Annis e Kyle MacLachlan em &#8220;Dune&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se pode deixar de considerar que o mundo no qual a primeira adapta\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica de \u201cDuna\u201d existe hoje em dia \u00e9 muito, sen\u00e3o totalmente, diferente daquele que a viu chegar aos cinemas pela primeira vez: desde ent\u00e3o, o enredo desenvolvido por Herbert (e continuado em sequ\u00eancias pelas m\u00e3os do mesmo) j\u00e1 p\u00f4de ser visto tanto nas telas das televis\u00f5es (como em \u201cFrank Herbert\u2019s Dune\u201d, que chegou ao Sci-Fi Channel no ano 2000) quanto em telas de cinema ainda maiores \u2013 vide o magn\u00edfico trabalho de Denis Villeneuve, cuidadoso o bastante para lan\u00e7ar sua adapta\u00e7\u00e3o em duas partes (com a segunda sendo forte candidata \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de melhor filme de 2024).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reconsiderar o trabalho de Lynch \u00e0 luz do que veio depois, ou especialmente ap\u00f3s sua morte, pode parecer um exerc\u00edcio de injusti\u00e7a, mas tamb\u00e9m cria a oportunidade de descobrir, ou redescobrir, diferentes tipos de beleza e virtude em um trabalho que, em sua forma final n\u00e3o agradou nem mesmo ao pr\u00f3prio diretor \u2013 que n\u00e3o poupou palavras ao descrever a p\u00e9ssima experi\u00eancia que teve junto ao est\u00fadio, que editou indiscriminadamente o material gravado. N\u00e3o que se trate de um filme perfeito; qualquer um acostumado com outras j\u00f3ias de seu curr\u00edculo n\u00e3o vai necessariamente se sentir \u00e0 vontade com o \u00e9pico futurista. Tampouco o v\u00e3o os fan\u00e1ticos por franquias como \u201cStar Wars\u201d, \u201cStar Trek\u201d ou \u201cBattlestar Galactica\u201d (embora todas tenham bastante em comum com o escrito por Herbert). Seja como for, assistir a primeira adapta\u00e7\u00e3o de \u201cDuna\u201d para os cinemas requer, mais do que paci\u00eancia, um incr\u00edvel exerc\u00edcio de perspectiva. A recompensa garantida aos mais dispostos, por\u00e9m, \u00e9 muito maior do que se pode esperar \u00e0 princ\u00edpio.<\/p>\n<figure id=\"attachment_87385\" aria-describedby=\"caption-attachment-87385\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-87385\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/dune3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/dune3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/dune3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-87385\" class=\"wp-caption-text\"><em>Paul L. Smit e Sting em &#8220;Dune&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos aqueles j\u00e1 familiarizados com a complicada hist\u00f3ria atrav\u00e9s da adapta\u00e7\u00e3o mais recente j\u00e1 conhecem os meandros abordados aqui: num futuro distante, o funcionamento da sociedade como um todo \u00e9 dependente do uso de uma especiaria encontrada exclusivamente no planeta Arrakis, que, devido \u00e0 sua import\u00e2ncia, \u00e9 comandado de forma alternada por dois cl\u00e3s \u2013 os Atreides, leais ao duque Leto (J\u00fcrgen Prochnow), e os Harkonnen, liderados pelo s\u00e1dico Bar\u00e3o Vladimir (Kenneth McMillan) ao lado de seu sobrinho, Feyd Rautha (Sting) \u2013 mediados pelo imperador Shaddam IV (Jos\u00e9 Ferrer). Se aproximando do fim de seu per\u00edodo \u00e0 frente do \u00e1rido planeta, os Harkonnen tramam juntamente com a autoridade m\u00e1xima para exterminarem os Atreides, cujo herdeiro, Paul (Kyle McLahlan) se v\u00ea envolvido em uma estranha profecia \u2013 o que o levar\u00e1 a ser considerado uma esp\u00e9cie de salvador, particularmente pelos nativos de Arrakis, os Fremen. Em tempo, a trag\u00e9dia resultante da conspira\u00e7\u00e3o dos Harkonnen for\u00e7a Paul e sua m\u00e3e, Lady Jessica (Francesca Annis) para o ex\u00edlio no deserto, onde as chances de sobreviv\u00eancia s\u00e3o tornadas remotas muito devido \u00e0 exist\u00eancia de gigantescos vermes que habitam as colinas arenosas. Encontrando os nativos reprimidos, e com a ajuda tanto da valente Chani (Sean Young) e de seu instrutor de combate, Gurney Halleck (Patrick Stewart), Paul deve provar seu valor e vingar o cruel ataque \u00e0 sua fam\u00edlia, ao mesmo tempo em que tenta entender o significado de sua presen\u00e7a em um ambiente simultaneamente in\u00f3spito e familiar, confrontando seu destino e compreendendo seu papel como o messias (ou Muad\u2019Dib) de um povo \u00e0 beira da extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora vivamos em um mundo onde as possibilidades infinitas da s\u00e9tima arte s\u00e3o capazes de conceber improv\u00e1veis obras-primas (como os j\u00e1 mencionados dois longas de Villeneuve), \u00e9 inimagin\u00e1vel o qu\u00e3o imposs\u00edvel uma adapta\u00e7\u00e3o de \u201cDuna\u201d deve ter soado a um espectador ocasional de cinemas nos anos 80. Ao ponto de outras tentativas anteriores terem falhado de forma retumbante: no in\u00edcio da d\u00e9cada anterior, com uma vers\u00e3o filmada por Alejandro Jodorowsky tendo sido planejada, esquematizada e roteirizada, mas foi tida como \u201csuic\u00eddio comercial\u201d e cancelada (o excelente document\u00e1rio \u201cJodorowsky\u2019s Dune\u201d, lan\u00e7ado em 2013, ajuda a criar um vislumbre do qu\u00e3o deslumbrante e invi\u00e1vel a produ\u00e7\u00e3o deve ter parecido aos est\u00fadios e ao p\u00fablico desde sua g\u00eanese). Tentativas foram feitas, j\u00e1 no final da d\u00e9cada de 1970, de atrelar o diretor Ridley Scott aos planos de realiza\u00e7\u00e3o do filme ap\u00f3s a compra dos direitos pelo produtor italiano Dino De Laurentiis. A aproxima\u00e7\u00e3o com David Lynch, numa tentativa de evitar a perda destes direitos, fez com que este \u00faltimo declinasse a proposta de dirigir \u201cO Retorno de Jedi\u201d (algo que, apesar de ex\u00f3tico, \u00e9 fascinante de imaginar). Mas Lynch persistiu, e as filmagens tomaram forma no M\u00e9xico entre Mar\u00e7o e Setembro de 1983.<\/p>\n<figure id=\"attachment_87387\" aria-describedby=\"caption-attachment-87387\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-87387\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Sem-Titulo-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Sem-Titulo-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Sem-Titulo-1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-87387\" class=\"wp-caption-text\"><em>Kyle MacLachlan e Sean Young em &#8220;Dune&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A folha corrida do elenco de \u201cDuna\u201d \u00e9 at\u00e9 hoje fonte inesgot\u00e1vel de intriga e fasc\u00ednio, mas todos os nomes que desfilam na tela demonstram n\u00edveis de entrega invej\u00e1veis a seus pap\u00e9is, indo contra a mar\u00e9 de um roteiro quase intranspon\u00edvel e atingindo n\u00edveis impressionantes de \u00eaxito. As alegorias assumidamente inspiradas pelas circunst\u00e2ncias da ent\u00e3o vigente Guerra Fria (de acordo com o pr\u00f3prio autor) podem fazer com que algumas performances pare\u00e7am mais caricatas e menos tridimensionais \u00e0 primeira vista (a repugnante figura do Bar\u00e3o Harkonnen \u00e9 um exemplo disso), enquanto outras, como a do m\u00e9dico Wellington Yueh (Dean Stockwell) ajudam a criar empatia por um personagem for\u00e7ado a trair aqueles a quem jurou lealdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em se tratando de atua\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, McLahlan rouba a cena, se jogando com abandono e dedica\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a um papel dif\u00edcil. O mesmo pode ser dito de Young e Stewart, esbanjando sua versatilidade em seus respectivos pap\u00e9is, o que ajuda a valorizar os impressionantes sets e figurinos (com destaque para a muito comentada sunga utilizada por Sting, ainda que nem sempre levada a s\u00e9rio). Falando nisso, o trabalho animatr\u00f4nico dedicado \u00e0 caracteriza\u00e7\u00e3o de Arrakis, e dos vermes gigantes que o habitam, se tornou refer\u00eancia de cinematografia, e os magn\u00edficos storyboards realizados previamente n\u00e3o perderam em sua transposi\u00e7\u00e3o frente \u00e0s c\u00e2meras. Outro ponto de curiosidade \u00e9 relacionado \u00e0 trilha sonora do filme, composta e executada em grande parte pela banda americana Toto. \u201cEm grande parte\u201d por causa do insuspeito envolvimento do m\u00fasico e produtor Brian Eno, cuja contribui\u00e7\u00e3o (o et\u00e9reo \u201cProphecy Theme\u201d, feito ao lado do parceiro Daniel Lanois) n\u00e3o soa deslocado junto \u00e0s composi\u00e7\u00f5es do experiente grupo, que d\u00e3o o tom da grandiloqu\u00eancia da adapta\u00e7\u00e3o ainda que n\u00e3o funcionem t\u00e3o bem como obras isoladas de seu complemento visual.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-87389\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/dune5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/dune5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/dune5-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo toda a dedica\u00e7\u00e3o dos envolvidos n\u00e3o foi capaz de salvar \u201cDuna\u201d do destino de muitos outros filmes da mesma estirpe: a vers\u00e3o do diretor, mesmo ap\u00f3s extensos cortes, foi estimada em tr\u00eas horas de dura\u00e7\u00e3o, o que foi tido como pouco interessante por De Laurentiis e pelos executivos da Universal, respons\u00e1vel pelo financiamento do longa. Assim, narra\u00e7\u00f5es em off foram adicionadas, e in\u00fameras cenas foram reeditadas a fim de concentrar ou agilizar determinados pontos da trama \u2013 ao passo que in\u00fameras cenas foram descartadas por completo. Tal interfer\u00eancia fez com que Lynch fizesse in\u00fameros esfor\u00e7os para se distanciar do corte resultante, que julgou ser pouco representativo de sua \u00e9tica de trabalho, e exigiu que seu nome fosse substitu\u00eddo, na vers\u00e3o exibida pela primeira vez na televis\u00e3o, pelo pseud\u00f4nimo \u201cAlan Smithee\u201d. De l\u00e1 para c\u00e1, o cineasta j\u00e1 recebeu v\u00e1rias propostas de lan\u00e7amento de vers\u00f5es estendidas, ainda que tenha recusado todas e evite ao m\u00e1ximo discutir o filme em entrevistas. No fim, \u201cDuna\u201d foi lan\u00e7ado em DVD totalizando 186 minutos, com os cr\u00e9ditos originais preservados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A recep\u00e7\u00e3o concedida a \u201cDuna\u201d foi negativa quando de seu lan\u00e7amento original, com coment\u00e1rios que iam de sua longa dura\u00e7\u00e3o \u00e0 sua confusa e, aos olhos de muitos, inconsistente narrativa. Somente a partir dos anos 2000 o filme passou a ser reavaliado de maneira mais positiva, com a vis\u00e3o \u201csurrealista\u201d de Lynch da obra de Frank Herbert. O autor Max Evry publicou, em 2023, o livro \u201cA Masterpiece in Disarray\u201d, no qual explora a realiza\u00e7\u00e3o do \u00e9pico de 1984 atrav\u00e9s de entrevistas com a grande maioria dos envolvidos, e procura reimaginar o papel desempenhado pelo filme junto ao grande p\u00fablico, realocando o \u00e9pico junto a seus contempor\u00e2neos e elucidando o complicado e intrigante legado da produ\u00e7\u00e3o nas d\u00e9cadas subsequentes. Comparar a concep\u00e7\u00e3o de 1984 com a mais recente adapta\u00e7\u00e3o pode ser uma grande injusti\u00e7a, mas faz crescer o respeito e at\u00e9 a admira\u00e7\u00e3o por uma obra que tentou (e, em alguns aspectos, conseguiu) traduzir uma das maiores f\u00e1bulas de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de todos os tempos para o grande p\u00fablico: uma trama de intriga pol\u00edtica, conflitos \u00e9ticos e legados moralmente controversos, que, para o bem e para o mal, reflete tanto sua truncada realiza\u00e7\u00e3o quanto um mundo que, cada vez mais, espelha suas reflex\u00f5es existenciais. David Lynch viria a ser respons\u00e1vel por muitos outros grandes momentos na hist\u00f3ria do cinema, e quase todos poderiam ser listados pelos muitos f\u00e3s que o homenagearam em sua s\u00fabita passagem. E n\u00e3o s\u00e3o poucas as evid\u00eancias que justificam incluir \u201cDuna\u201d em meio \u00e0s grandes obras de sua carreira \u2013 uma produ\u00e7\u00e3o mal-entendida por muitos, mas que serve como o testamento de um cineasta vision\u00e1rio, persistente, e capaz de total abandono em prol de sua pr\u00f3pria arte.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"DUNE Official Trailer [1984]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sJ9VAJ1f0zU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Dune (1984\/2021*) side-by-side comparison (trailer #1)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CcZPZGq3Zy8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a>&nbsp;\u00e9 professor, tradutor, m\u00fasico, escritor e estudante de Jornalismo. Leia mais textos dele&nbsp;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/davi-caro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A recep\u00e7\u00e3o concedida a \u201cDuna\u201d foi negativa quando de seu lan\u00e7amento original. 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