{"id":87121,"date":"2025-02-03T11:37:45","date_gmt":"2025-02-03T14:37:45","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=87121"},"modified":"2025-06-05T09:16:41","modified_gmt":"2025-06-05T12:16:41","slug":"entrevista-stuart-a-staples-tindersticks-num-papo-sobre-o-disco-soft-tissue-northern-soul-e-o-show-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/02\/03\/entrevista-stuart-a-staples-tindersticks-num-papo-sobre-o-disco-soft-tissue-northern-soul-e-o-show-no-brasil\/","title":{"rendered":"Entrevista: Stuart A. Staples (Tindersticks) num papo sobre o disca\u00e7o \u201cSoft Tissue\u201d, Northern Soul e o show no Brasil"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lvinhas78\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEst\u00e9tica soul com atitude punk\u201d, \u201cpoetas oprimidos do escabroso cabar\u00e9 indie\u201d, \u201cuma banda em busca da beleza por mais de 30 anos\u201d. Essas s\u00e3o algumas defini\u00e7\u00f5es que j\u00e1 foram aplicadas \u00e0 banda brit\u00e2nica Tindersticks, na ativa desde 1992. S\u00e3o defini\u00e7\u00f5es justas, mas ainda imprecisas. O som do Tindersticks, embora costume ser apontado como \u201cindie\u201d ou mesmo \u201crock\u201d, traz uma explora\u00e7\u00e3o dos poss\u00edveis formatos para uma can\u00e7\u00e3o que s\u00f3 pode ser chamado de \u201carte\u201d, visto que cada composi\u00e7\u00e3o nasce de um escrut\u00ednio de todas as possibilidades que aquela fagulha criativa pode revelar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas ideias s\u00e3o buriladas h\u00e1 d\u00e9cadas por Stuart A. Staples, vocalista e principal compositor da banda. Mas desde o come\u00e7o ele conta com a parceria do guitarrista Neil Fraser e do tecladista David Leonard Boulter, que participam ativamente do processo de composi\u00e7\u00e3o. A eles se somam o baixista Dan McKinna (que entrou na forma\u00e7\u00e3o em 2007) e o baterista Earl Harvin (desde 2010). Ainda que Staples esteja \u00e0 frente da banda, \u00e9 ineg\u00e1vel a colabora\u00e7\u00e3o que todos os integrantes trazem \u00e0 sonoridade \u00fanica dos Tindersticks.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Produtores e m\u00fasicos de apoio s\u00e3o trazidos para a receita com o mesmo car\u00e1ter participativo, e o resultado \u00e9 que cada lan\u00e7amento de disco \u00e9, realmente, uma entidade \u00fanica, que se destaca em sua pr\u00f3pria identidade. O pr\u00f3prio Staples, por\u00e9m, reconhece nesta entrevista que os primeiros \u00e1lbuns, ainda com a forma\u00e7\u00e3o original (que trazia o multiinstrumentista Dickon Hinchliffe e baterista Al Macaulay), e os \u00faltimos s\u00e3o os melhores da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSoft Tissue\u201d, lan\u00e7ado em 2024 e pretexto para a estreia em solo brasileiro, \u00e9 tamb\u00e9m um dos melhores lan\u00e7amentos da banda (e do ano de 2024). Ele recupera a influ\u00eancia soul que se fez presente em alguns dos melhores discos dos brit\u00e2nicos, mas retendo o car\u00e1ter experimental das trilhas sonoras que a banda comp\u00f5e (a maioria delas para filmes da cineasta Claire Denis). O resultado \u00e9 um \u00e1lbum belo, que convida \u00e0 aten\u00e7\u00e3o exclusiva para a sua audi\u00e7\u00e3o e, principalmente, convida a um estado de esp\u00edrito mais elevado e belo. Porque esse \u00e9 o tipo de coisa que a m\u00fasica do Tindersticks faz por voc\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conversa por videochamada, Staples falou sobre a g\u00eanese desse disco, os efeitos ainda vigentes dos anos pand\u00eamicos e, principalmente, sobre a alegria de fazer m\u00fasica com parceiros que compartilham do mesmo desejo criativo. Papo excelente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Soft Tissue\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nrNoDZiLaB4YXYHBSfNSk6qZLa8OK55NI\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea est\u00e1 falando de Paris, n\u00e9? Voc\u00ea n\u00e3o morava na Gr\u00e9cia?<\/strong><br \/>\nPasso o m\u00e1ximo de tempo poss\u00edvel na Gr\u00e9cia, mas por causa do trabalho, n\u00e3o posso passar tanto tempo por l\u00e1 quanto gostaria (risos). Mas espero estar l\u00e1 assim que voltar de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 inevit\u00e1vel perguntar sobre a turn\u00ea sul-americana, e queria saber como \u00e9 para voc\u00ea ver que, mesmo com mais de 30 anos de carreira, sua m\u00fasica ainda pode levar voc\u00eas a lugares onde voc\u00eas nunca estiveram antes.<\/strong><br \/>\n\u00c9 bem animador. N\u00f3s n\u00e3o temos muitas oportunidades de tocar em um pa\u00eds novo, conhecer uma cultura diferente e tocar nossa m\u00fasica, ent\u00e3o estamos bem animados com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem uma banda underground brasileira, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/09\/15\/download-cancao-para-oaeoz\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">OAEOZ<\/a>, que sempre disse que suas maiores influ\u00eancias s\u00e3o Tindersticks e Red House Painters.<\/strong><br \/>\n(ri) Estou lisonjeado, o que posso dizer? (hesita) Obviamente \u00e9 uma coisa bem bacana de se ouvir como elogio, ent\u00e3o\u2026 \u00f3timo! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E vai dar para bancarem os turistas em S\u00e3o Paulo?<\/strong><br \/>\nAh, eu n\u00e3o sei, tem tanto tempo de voo nos deslocamentos, e ainda n\u00e3o vimos a programa\u00e7\u00e3o dos hor\u00e1rios. Mas estou realmente surpreso com as dist\u00e2ncias envolvidas. O primeiro show \u00e9 na Argentina (12 de abril, depois a banda se apresenta no Chile em 14 de abril <a href=\"https:\/\/www.zig.tickets\/eventos\/tindersticks\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">antes de chegar a S\u00e3o Paulo, 16 de abril<\/a>), e o tempo que vamos levar da Am\u00e9rica do Norte at\u00e9 l\u00e1 \u00e9 enorme (O Tindersticks encerra a tour de nove datas na Am\u00e9rica do Norte dia 10 de abril em Chicago)! Eu n\u00e3o esperava que fosse tanto! (risos) Ainda n\u00e3o temos o itiner\u00e1rio, portanto, mas espero que tenhamos um pouco de tempo. Vou ficar bem desapontado se n\u00e3o tivermos um tempinho para sacar um pouco do feeling da cidade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-87125\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/tindersticks2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"850\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/tindersticks2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/tindersticks2-265x300.jpg 265w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os shows aqui ser\u00e3o em um audit\u00f3rio, e a escolha do lugar foi bem recebida pelos f\u00e3s aqui, por acreditarem que esse seria o ambiente mais adequado para v\u00ea-los ao vivo. Mas teatros s\u00e3o realmente o tipo de lugar no qual voc\u00eas gostam de tocar?<\/strong><br \/>\nAcho que chegamos a um ponto onde, se vamos fazer um show\u2026 (gagueja) Eu n\u00e3o quero que isso soe mais do que realmente \u00e9, mas nossa equipe trabalha o dia todo para fazer com que as coisas soem da melhor forma poss\u00edvel, \u00e9 muito trabalho duro. Queremos tocar nossa m\u00fasica nas melhores condi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, ent\u00e3o somos muito cuidadosos quanto aos lugares onde vamos tocar. Por isso, estou esperando que o lugar onde iremos tocar (Audit\u00f3rio Sim\u00f3n Bol\u00edvar) seja adequado. N\u00e3o gosto tanto de lugares onde as pessoas nos veem sentadas, mas se elas conseguem ficar \u00e0 vontade e relaxadas em um teatro, acho que vai ficar tudo bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos falar um pouco sobre \u201cSoft Tissue\u201d. Os discos de voc\u00eas sempre mostram uma boa varia\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica e sonora entre si, mas este \u00faltimo \u00e1lbum est\u00e1 radicalmente diferente de seu antecessor, \u201cDistractions\u201d (2021). Como a mudan\u00e7a foi grande, gostaria de saber se j\u00e1 havia era inten\u00e7\u00e3o consciente de se afastar do \u00e1lbum anterior.<\/strong><br \/>\nAcho que a hist\u00f3ria dos \u00faltimos tr\u00eas \u00e1lbuns \u00e9 meio isso, sabe? O disco antes de \u201cDistractions\u201d, \u201cNo Treasure but Hope\u201d (2019), era muito naturalista. Compusemos ao redor do piano, ensaiamos muit\u00edssimo, e ficamos muito pouco tempo no est\u00fadio, inclusive gravamos ao vivo. Adoro as can\u00e7\u00f5es, mas ao fim senti falta de alguma coisa, que depois vi que era uma abordagem experimental, e isso me deixou realmente faminto para experimentar mais. Nesse sentido, a pandemia ajudou (risos), e \u201cDistractions\u201d foi uma guinada radical para n\u00f3s. Com esse \u00e1lbum, o que eu quis fazer foi ter esse escrut\u00ednio das can\u00e7\u00f5es que \u201cNo Treasure but Hope\u201d teve, mas dar uma abordagem experimental a elas, para ver o que eu conseguia encontrar dentro delas para tornar o \u00e1lbum sonicamente interessante para n\u00f3s (risos). Ent\u00e3o acho que este \u00faltimo \u00e1lbum \u00e9 meio que uma combina\u00e7\u00e3o dos dois anteriores, que s\u00e3o bastante diferentes um do outro. As can\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito fortes, mas elas se arriscam o suficiente ao ponto de, musicalmente, tocarem em certas coisas nas quais nunca hav\u00edamos tocado antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele tem uma influ\u00eancia forte de soul. Essa influ\u00eancia j\u00e1 \u00e9 presente h\u00e1 anos na m\u00fasica de voc\u00eas, mas me parece que, de alguma forma, ele traz uma leitura ainda mais particular das escolas de soul brit\u00e2nica e norte-americana. Voc\u00ea concorda?<\/strong><br \/>\nA soul music vem dos Estados Unidos e os brit\u00e2nicos, especialmente nos anos 1970, tiveram sua pr\u00f3pria leitura disso. Mas, ainda assim, era uma leitura. Sabe, quando eu tinha uns 11 ou 12 anos, tudo que eu ouvia era soul music. Eu tenho uma irm\u00e3 que \u00e9 cinco ou seis anos mais velha que eu, e ela s\u00f3 colocava isso para tocar em casa, ela era completamente fissurada no Northern Soul (movimento cultural que teve grande for\u00e7a na Inglaterra durante a primeira metade da d\u00e9cada de 1970 \u2013 Staples nasceu em 1965), com toda a coisa dos \u201call-nighters\u201d (festas que varavam a noite) e dos sal\u00f5es de dan\u00e7a. Era a cultura dela. A \u00fanica m\u00fasica que tocava em casa era essa. Mas quando cheguei aos 13 ou 14 anos, veio o punk rock, e essa era a m\u00ednha m\u00fasica, sabe? (risos) Mas acho que a primeira m\u00fasica que ouvi de verdade, com a qual me conectei, foi mesmo o Northern Soul, e acho que isso nunca vai me abandonar. Algu\u00e9m como Kevin Rowland, dos Dexy\u2019s Midnight Runners, acho que vem da mesma cultura que eu. Ele \u00e9 um pouco mais velho, mas essa mistura da atitude punk com a est\u00e9tica soul \u00e9 muito importante nos primeiros trabalhos dos Dexy\u2019s Midnight Runners, e acho que conosco acontece algo similar. Acho que s\u00e3o coisas que crescem tanto dentro de voc\u00ea que fica imposs\u00edvel deix\u00e1-las para tr\u00e1s (risos), foi algo que me ajudou a entender a linguagem musical quando eu era muito jovem.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Brodie Sessions: Tindersticks\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rmzQDCxV6gw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esses \u00faltimos tr\u00eas \u00e1lbuns t\u00eam muito mais colabora\u00e7\u00f5es suas com Dan McKinna do que com os demais integrantes. \u00c9 natural essa \u201caltern\u00e2ncia\u201d entre parceiros, mas ainda assim, gostaria de saber o que tem estabelecido essa conex\u00e3o criativa entre voc\u00ea e ele.<\/strong><br \/>\nAcho que fazemos coisas muito diferentes: Dan \u00e9 um m\u00fasico muito natural, e eu, para ter uma ideia, preciso pegar um viol\u00e3o e tentar descobrir como a can\u00e7\u00e3o funciona. Como Dan entende, de certa forma, o que est\u00e1 passando pela minha cabe\u00e7a, ele consegue n\u00e3o s\u00f3 me ajudar nessa descoberta, como tamb\u00e9m a interpretar essas ideias. Isso cria um equil\u00edbrio muito natural para o processo de composi\u00e7\u00e3o. E vice-versa: no disco, tem uma m\u00fasica chamada \u201cFalling, The Light\u201d, que creio ser uma das minhas favoritas no \u00e1lbum, que surgiu com Dan tocando piano. Eu contribu\u00ed apontando \u201colha, essa parte pode ser o refr\u00e3o, essa aqui pode ser outra coisa\u201d. As coisas podem acontecer de forma inesperada com ele. E todo mundo na banda consegue contribuir de formas diferentes, cada um tem seus pontos fortes. O David [Boulter, tecladista] traz pontos de vista inesperados, que permitem que exploremos outros instrumentos, \u201cFalling, The Light\u201d tem muito disso. Mas o cora\u00e7\u00e3o da can\u00e7\u00e3o foi composto por eu e Dan, e esse \u00e9 um caminho muito natural que temos, de pegar pequenas ideias, pequenas e excitantes, e deix\u00e1-las encontrarem seu caminho nas can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E s\u00f3 por curiosidade: voc\u00ea ainda mant\u00e9m contato com os ex-integrantes do Tindersticks?<\/strong><br \/>\nCom alguns, sim. Mas eu sinto falta de todos! (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pois \u00e9, a banda n\u00e3o teve muitas mudan\u00e7as de forma\u00e7\u00e3o, se comparada com outros grupos, mas parecia haver uma camaradagem especial entre os integrantes da forma\u00e7\u00e3o original.<\/strong><br \/>\nTinha mesmo, foi uma \u00e9poca muito especial em nossas vidas. Olhando pra tr\u00e1s, quando n\u00f3s come\u00e7amos, est\u00e1vamos em nosso pr\u00f3prio mundo e tivemos cinco anos de liberdade verdadeira, de criatividade. Depois veio aquela coisa da realidade batendo \u00e0 porta, sabe? A banda se torna seu emprego, o dinheiro que voc\u00ea ganha \u00e9 o que est\u00e1 pagando o aluguel\u2026 Com a primeira forma\u00e7\u00e3o, fizemos seis \u00e1lbuns em 12 anos, excursionamos, e chegou a um ponto em que o desejo coletivo basicamente se esgotou, de certa forma. Acho que estar em uma banda tem tudo a ver com desejo coletivo, e se voc\u00ea n\u00e3o tem isso, meio que n\u00e3o tem nada. Naquela \u00e9poca (2006), eu achei que a banda tinha acabado, e eu fiz dois discos solo (\u201cLucky Dog Recordings 03-04\u201d e \u201cLeaving Songs\u201d, respectivamente de 2005 e 2006) para ver como eu me sentia quanto a fazer m\u00fasica sozinho. A\u00ed David e Neil [Fraser, guitarrista] vieram e disseram que dever\u00edamos tentar fazer umas m\u00fasicas e ver como nos sent\u00edamos. E eu fui de cabe\u00e7a aberta, tipo, \u201cOk, vamos ver o que rola\u201d, e a coisa meio que cresceu a partir da\u00ed. Bastou uma semana, e a coisa come\u00e7ou a crescer. Acredito que os \u00faltimos \u00e1lbuns que fizemos com a forma\u00e7\u00e3o original, e os primeiros com essa forma\u00e7\u00e3o, talvez n\u00e3o estejam no mesmo n\u00edvel dos primeiros \u00e1lbuns que fizemos, ou daqueles que entregamos nos \u00faltimos dez anos. Mas essa forma\u00e7\u00e3o da banda \u00e9 uma coisa em crescimento, at\u00e9 hoje, e nesse momento em particular, estamos em um lugar muito especial, muito particular. Foi desse lugar que \u201cSoft Tissue\u201d nasceu, e estamos buscando as mesmas coisas, querendo as mesmas coisas, e entendendo um ao outro. Acho que estamos apreciando um ao outro e vivenciando uma energia que nos empurra adiante.<\/p>\n<figure id=\"attachment_87126\" aria-describedby=\"caption-attachment-87126\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-87126 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/staples.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/staples.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/staples-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-87126\" class=\"wp-caption-text\"><em>Stuart A. Staples fotografado pelo Scream &amp; Yell em Londres, 2009: &#8220;<a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2009\/07\/02\/hyde-park-big-star-e-tindersticks\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Apresenta\u00e7\u00e3o irretoc\u00e1vel<\/a>&#8220;<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 faz anos que voc\u00ea escreve trilhas sonoras para filmes, e tamb\u00e9m dirigiu e comp\u00f4s a m\u00fasica de curta \u201cMinute Bodies: The Intimate World of F. Percy Smith\u201d (2016). Nunca lhe deu vontade de escrever um roteiro para um longa, depois de tanto envolvimento com o cinema?<\/strong><br \/>\n(Hesita) \u00c9 uma coisa que me chega em ondas, sabe? (risos) \u00c0s vezes, tem per\u00edodos em que penso muito sobre isso, mas nesse momento atual, eu n\u00e3o iria querer isso. N\u00f3s acabamos de terminar uma turn\u00ea de 40 shows na Europa. No passado, chegar\u00edamos ao fim de uma turn\u00ea dessas, e dir\u00edamos um ao outro, \u201cok, te vejo qualquer dia desses\u201d. Mas nesse momento em que estamos, terminamos a turn\u00ea e estamos mais animados a sentar e conversar sobre o que vamos fazer em seguida, sabe? (risos) Tem essa\u2026 energia, e quando essa energia est\u00e1 aqui, eu fico bem feliz de compor. Me sinto bem demais com esse momento em que a banda est\u00e1 interessada no que vai acontecer a seguir, e isso \u00e9 tudo em que penso num momento assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem uma \u00faltima pergunta que tenho feito a alguns entrevistados, e n\u00e3o gostaria de deixar de faz\u00ea-la a voc\u00ea. Todos sabemos qu\u00e3o pesada foi a pandemia, tanto financeira quanto emocionalmente, para a maioria das pessoas, e para os artistas de um modo particular. Muitos, inclusive, ainda n\u00e3o se recuperaram totalmente dessa mudan\u00e7a t\u00e3o dr\u00e1stica, e o mundo parece ter piorado desde ent\u00e3o. Voc\u00ea sente que, para voc\u00ea e para a banda, ainda h\u00e1 esses efeitos colaterais nocivos, ou voc\u00eas realmente deixaram as dores daquele per\u00edodo para tr\u00e1s?<\/strong><br \/>\nAh, n\u00e3o, acho que estamos todos carregamos muitas cicatrizes dessa \u00e9poca, ainda que tenhamos dado continuidade \u00e0s nossas vidas cotidianas. Acho que, quando houver um maior distanciamento, vamos conseguir enxergar isso como um grande ponto de virada. N\u00e3o creio que o efeito que essa coisa teve em n\u00f3s possa ser subestimado, seja em n\u00edvel social ou individual, seja para bandas ou para qualquer pessoa criativa. Com \u201cDistractions\u201d, n\u00e3o tivemos tempo de nos juntar em uma sala e explorarmos a m\u00fasica juntos. Quer dizer, tivemos, mas por um curto per\u00edodo, quando as coisas estavam meio que se abrindo. Este \u00faltimo \u00e1lbum muito provavelmente tem a ver com o fato de termos sido privados por tanto tempo de ficarmos juntos, e \u00e9 bem prov\u00e1vel que seja por isso que fizemos um disco com o qual ficamos animados e que gostamos muito de ficar noite ap\u00f3s noite tocando as m\u00fasicas. Ent\u00e3o (ri), talvez nesse momento esse longo per\u00edodo de priva\u00e7\u00e3o tenha tido um resultado bom, mas tem sido uma \u00e9poca muito dif\u00edcil. N\u00e3o \u00e9 como se nossa banda estivesse imune aos problemas financeiros, mas tem tamb\u00e9m o lado criativo, e a pr\u00f3pria vida em si \u2013 voc\u00ea tem que pagar suas contas, afinal. \u00c9 uma coisa grande demais ainda hoje, enorme mesmo. Muitas pessoas abandonaram o neg\u00f3cio da m\u00fasica porque perderam o \u201cmomentum\u201d, porque o \u201cmomentum\u201d \u00e9 uma parte important\u00edssima da criatividade, e se voc\u00ea o perde, \u00e9 algo dific\u00edlimo de se recuperar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"City Sickness [Tindersticks]\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3c7QRP8mIt8?list=PLQmb6pPkmP_2QhFdXdh_-BfeJD3GEBos8\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Tindersticks - The Hungry Saw - Pitchfork Live\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cf7XvMmqoZg?list=PL228AC2F9BCC88D6A\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Tindersticks live M\u00fcnchen Munich Prinzregenthentheater 05.10.2024\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PL1XyqObRq_Il4zBitTBNcgu8Wsj5qx0Ky\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) \u00e9 produtor e autor do livro \u201c<a href=\"https:\/\/editorabarbante.com.br\/produtos\/o-evangelho-segundo-odair-censura-igreja-e-o-filho-de-jose-e-maria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Evangelho Segundo Odair: Censura, Igreja e O Filho de Jos\u00e9 e Maria<\/a>\u201c.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Est\u00e9tica soul com atitude punk\u201d, \u201cpoetas oprimidos do escabroso cabar\u00e9 indie\u201d, \u201cuma banda em busca da beleza por mais de 30 anos\u201d. Essas s\u00e3o algumas defini\u00e7\u00f5es que j\u00e1 foram aplicadas \u00e0 banda\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/02\/03\/entrevista-stuart-a-staples-tindersticks-num-papo-sobre-o-disco-soft-tissue-northern-soul-e-o-show-no-brasil\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":87124,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7590],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87121"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87121"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87121\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":89621,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87121\/revisions\/89621"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/87124"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87121"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87121"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87121"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}