{"id":8678,"date":"2011-06-09T18:36:09","date_gmt":"2011-06-09T21:36:09","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=8678"},"modified":"2011-06-30T11:02:01","modified_gmt":"2011-06-30T14:02:01","slug":"musica-helplessness-blues-fleet-foxes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/06\/09\/musica-helplessness-blues-fleet-foxes\/","title":{"rendered":"CD: Helplessness Blues, Fleet Foxes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-8679\" title=\"fletfoxes\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/fletfoxes.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <\/strong><a href=\"http:\/\/twitter.com\/#!\/igor_ni\" target=\"_blank\"><strong>Igor Nishikiori<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando surgiu com seu \u00e1lbum de estreia em 2008, o Fleet Foxes causou um belo frisson na cr\u00edtica musical. O espectro do folk rondava a cena rock, mas ainda n\u00e3o havia surgido nada de diferente at\u00e9 ent\u00e3o, ou mesmo qualquer coisa que n\u00e3o soasse como Bob Dylan ou Nick Drake. Mas a frota de Robin Pecknold rapidamente come\u00e7ou a fazer a cabe\u00e7a dos cr\u00edticos mais espertos, com um estilo que era uma mistura de Beach Boys e Crosby, Stills, Nash &amp; Young, com um qu\u00ea de folk celta e pop barroco. Enfim, uma coisa totalmente estranha. Se algu\u00e9m estava atr\u00e1s de algo novo no rock alternativo era s\u00f3 mirar naqueles hippies barbudos que n\u00e3o havia como errar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas anos depois daquele baque inicial, o Fleet Foxes volta \u00e0 campo com \u201cHelplessness Blues\u201d, certamente o melhor disco do grupo at\u00e9 agora (e o segundo, \u00e9 verdade). Como n\u00e3o haveria de ser diferente, a sonoridade estranha da banda continua l\u00e1: a voz reverberada e hipn\u00f3tica de Pecknold, os backing vocals compondo a harmonia da m\u00fasica \u2013 como naqueles \u201cbarbershop quartets\u201d \u2013, as melodias bem trabalhadas e o clima buc\u00f3lico, m\u00edstico e um tanto psicod\u00e9lico em meio a tudo isso. Mas o som est\u00e1 agora mais melanc\u00f3lico, s\u00e9rio e maduro. \u00c9 uma mudan\u00e7a quase impercept\u00edvel em uma primeira audi\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil notar que a contempla\u00e7\u00e3o da natureza j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais o tema principal por aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso fica \u00f3bvio logo nas primeiras palavras da primeira faixa, \u201cMontezuma\u201d: \u201cSo now I am older than my mother and father \/ When they had their daughter \/ Now what does that say about me\u201d. \u201cOh man what I used to be\u201d, completa Pecknold no refr\u00e3o quase como um mantra, mostrando que a maturidade n\u00e3o apenas bateu \u00e0 porta do rapaz de 25 anos, mas a esmurrou com toda a for\u00e7a do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender sabendo o caminho tortuoso pelo qual \u201cHelplessness Blues\u201d passou at\u00e9 ser finalmente lan\u00e7ado. Em fevereiro de 2009, a banda se reuniu em um est\u00fadio alugado para ensaiar novas m\u00fasicas, mas as sess\u00f5es n\u00e3o puderam ser utilizadas e eles perderam US$ 60 mil na brincadeira. Depois, o baterista e co-compositor Joshua Tilman saiu em turn\u00ea pela Europa e Am\u00e9rica do Norte entre 2009 e 2010 e as grava\u00e7\u00f5es tiveram que ser adiadas. Quando as coisas come\u00e7aram a caminhar, em abril de 2010, Pecknold estava t\u00e3o compenetrado no \u00e1lbum que sua namorada decidiu dar um fim no relacionamento de cinco anos. E para finalizar, o disco que estava previsto para sair no segundo semestre do ano passado s\u00f3 foi lan\u00e7ado agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto esque\u00e7a qualquer coisa mais pop como \u201cRagged Wood\u201d, a faixa mais agitada do disco anterior. O momento n\u00e3o era prop\u00edcio. O que n\u00e3o quer dizer que o disco seja o fino da fossa. O som est\u00e1 cativante como nunca, as melodias continuam bem trabalhadas e o \u00e1lbum parece muito mais coeso do que o anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se no disco de estreia as m\u00fasicas seguiam como em uma montanha-russa com momentos de \u00eaxtase seguidos de calmaria pura, o que quebrava demais o ritmo, \u201cHelplessness Blues\u201d est\u00e1 mais equilibrado e melhor cadenciado, o que o torna o tipo de disco que \u00e9 prefer\u00edvel ouvi-lo inteiro, como se fosse uma obra completa em que cada m\u00fasica \u00e9 um cap\u00edtulo distinto, a parte de um todo. Isso quer dizer que n\u00e3o h\u00e1 uma can\u00e7\u00e3o que consegue se sobressair com facilidade, embora n\u00e3o signifique que o \u00e1lbum n\u00e3o tenha l\u00e1 seus hits. Mas a quest\u00e3o \u00e9 que o objetivo agora \u00e9 outro. Pelo menos \u00e9 o que pensava Pecknold, quando ele disse em entrevista ao Pitchfork em 2009 que queria fazer algo como \u201cAstral Weeks\u201d, o ic\u00f4nico disco de Van Morrison, \u201cporque ele soa como se o \u00e1lbum tivesse sido gravado em um universo de apenas seis horas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se ele conseguiu ou n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil dizer, mas a evolu\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o das melodias \u00e9 not\u00e1vel. Na faixa de abertura, \u201cMontezuma\u201d, n\u00e3o d\u00e1 para sacar grandes mudan\u00e7as em compara\u00e7\u00e3o com o \u00e1lbum anterior ou com o EP \u201cSun Giant\u201d (acrescido ao primeiro disco em edi\u00e7\u00f5es posteriores), por isso ele \u00e9 o mais perfeito cart\u00e3o de visitas do Fleet Foxes, mostrando para quem n\u00e3o conhece qual \u00e9 a deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A coisa come\u00e7a a esquentar na segunda faixa, \u201cBedouin Dress\u201d. Um riff no violino, uma marca\u00e7\u00e3o na bateria e um clima de felicidade fingida e n\u00e3o \u00e9 preciso mais nada para fazer uma can\u00e7\u00e3o cativante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A faixa seguinte, \u201cSim Sala Bim\u201d, mostra uma jogada manjada da banda desde os tempos de \u201cSun Giant\u201d: a m\u00fasica come\u00e7a lenta, s\u00f3 com a voz de Pecknold acompanhada pelo viol\u00e3o, e aos poucos vai ganhando for\u00e7a e intensidade at\u00e9 atingir um ponto m\u00e1ximo que vai progressivamente diminuindo rumo ao fim. Esse roteiro se repete em diversas outras m\u00fasicas do \u00e1lbum, quase sempre com sucesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;The Plains\/Bitter Dance&#8221;, por exemplo, segue nessa toada, assim como a excelente faixa-t\u00edtulo. Ela come\u00e7a s\u00f3 no viol\u00e3o, passa a ficar cada vez mais r\u00e1pida e novas vozes entram em cena, at\u00e9 o ponto que o bumbo da bateria explode e torna as coisas completamente \u00e9picas, com uma bela melodia que entra no cora\u00e7\u00e3o. O coro faz com que os versos prolongados ao m\u00e1ximo ganhem contornos apote\u00f3ticos de uma maneira que s\u00f3 o Fleet Foxes poderia fazer sem parecer for\u00e7ar a barra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra faixa que merece destaque \u00e9 &#8220;Lorelai&#8221;, uma can\u00e7\u00e3o simples, simp\u00e1tica&#8230; e triste. J\u00e1 em &#8220;The Shrine\/An Argument&#8221; transparece certa raiva incontida que nunca antes tinha se ouvido em outras m\u00fasicas da banda, um \u00e9pico cat\u00e1rtico de oito minutos que termina em momentos de puro del\u00edrio experimentalista. Fechando o \u00e1lbum, a minimalista &#8220;Blue Spotted Tail&#8221;, que s\u00f3 conta com o viol\u00e3o e a voz de Pecknold, dessa vez sem eco, seguido da bela &#8220;Grown Ocean&#8221;, uma m\u00fasica que finalmente exprime a felicidade em seus poros, uma vis\u00e3o otimista em meio ao caos mental, o momento de reden\u00e7\u00e3o de uma alma liberta de seus dem\u00f4nios.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"605\" height=\"400\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/p1ri6lbIDjM\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"605\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/p1ri6lbIDjM\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor Nishikiori \u00e9 jornalista e escreve no blog <a href=\"http:\/\/barbituricocomfanta.blogspot.com\/\" target=\"_blank\">Barbit\u00farico com Fanta<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; 500 Toques: Debute do Fleet Foxes retorna \u00e0s lojas em vers\u00e3o dupla, por Mac (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/06\/22\/fleet-foxes-manics-e-pavement\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Igor Nishikiori\nA a sonoridade estranha da banda continua presente neste segundo disco, mas o som est\u00e1 mais melanc\u00f3lico, s\u00e9rio e maduro.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/06\/09\/musica-helplessness-blues-fleet-foxes\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8678"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8678"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8678\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8683,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8678\/revisions\/8683"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8678"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8678"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8678"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}