{"id":86419,"date":"2025-01-10T13:18:07","date_gmt":"2025-01-10T16:18:07","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=86419"},"modified":"2025-03-19T00:10:35","modified_gmt":"2025-03-19T03:10:35","slug":"entrevista-jean-michel-frodon-ex-editor-chefe-da-cahiers-du-cinema-fala-sobre-a-funcao-da-critica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/01\/10\/entrevista-jean-michel-frodon-ex-editor-chefe-da-cahiers-du-cinema-fala-sobre-a-funcao-da-critica\/","title":{"rendered":"Entrevista: Jean-Michel Frodon, ex-editor-chefe da Cahiers du Cin\u00e9ma, fala sobre a fun\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ex-editor-chefe da Cahiers du Cin\u00e9ma, uma das mais tradicionais revistas a priorizar o pensamento cr\u00edtico cinematogr\u00e1fico, o professor, escritor e cr\u00edtico de cinema <a href=\"https:\/\/projection-publique.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jean-Michel Frodon<\/a> esteve no Brasil recentemente para realizar masterclasses direcionadas \u00e0 an\u00e1lise cinematogr\u00e1fica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m com passagens pelo jornal Le Monde, autor franc\u00eas &#8211; de mais de 30 livros sobre o processo de compreens\u00e3o do cinema atrav\u00e9s da cr\u00edtica, sobre o aprofundamento da hist\u00f3ria do cinema de seu pa\u00eds natal, bem como um dedicado ao trabalho do cineasta chin\u00eas Jia Zhangke &#8211; conversou com o Scream &amp; Yell sobre a fugacidade da an\u00e1lise f\u00edlmica rasa em uma \u00e9poca na qual a internet e as cota\u00e7\u00f5es oriundas de locais como Rotten Tomatoes e Metacritic tornam o aprofundamento dessa mesma reflex\u00e3o um exerc\u00edcio que requer ainda maior esfor\u00e7o tanto para escribas quanto para leitores interessados em algo mais do que apenas achismos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na mesma conversa, Frodon trouxe um aprofundamento de seu processo de escrita e um destrinchar do modo como a cria\u00e7\u00e3o de um texto requer processo anal\u00edtico pessoal e da obra cinematogr\u00e1fica a ser destrinchada. Leia abaixo!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-86423\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/jean2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"651\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/jean2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/jean2-300x260.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em um mundo regrado pela internet, no qual a pressa em se fazer presente on line, em ganhar likes e seguidores, move essa velocidade em demonstrar opini\u00f5es que, n\u00e3o por acaso, muitas vezes carecem de aprofundamento, como o senhor analisa esse fen\u00f4meno da conectividade na qual todos parecem ter um pensamento formado em rela\u00e7\u00e3o aos filmes e uma postura pretensamente cr\u00edtica para com o cinema?<\/strong><br \/>\nO fen\u00f4meno que voc\u00ea acaba descrever existe e \u00e9 bem massivo. Mas, para mim, n\u00e3o tem nada a ver com a cr\u00edtica de cinema. \u00c9 algo que sempre existiu em diferentes formas. Mas \u00e9 somente sobre comentar filmes. Os filmes fazem as pessoas falarem. Todo mundo que assiste a um filme, especialmente quando se assiste a um filme no cinema, sente a urg\u00eancia de falar sobre ele. Isso \u00e9 \u00f3timo. Dever\u00edamos ficar bem felizes pelos filmes terem esse efeito nas pessoas. Mas isso n\u00e3o \u00e9 cr\u00edtica de cinema. Isso \u00e9 o direito de todos em se expressar sobre como se sentiram sobre um filme. Mas para al\u00e9m disso, h\u00e1 a exist\u00eancia da cr\u00edtica de cinema, que significa o fato das pessoas pararem um tempo para construir uma proposta, uma opini\u00e3o delas, por um meio o mais bem escrito e explicado poss\u00edvel. E isso tamb\u00e9m acontece online. Mas, claro, de forma bem menor do que o fen\u00f4meno descrito antes. Do mesmo jeito que no Brasil tem o chamado boca a boca, o que acontece hoje \u00e9 uma nova forma de boca a boca. E est\u00e1 tudo bem. Precisamos do boca a boca. \u00c9 parte do que faz os filmes estarem vivos, comentados e discutidos de forma geral. Mas, dentro dessa imensa quantidade de palavras sobre filmes, h\u00e1 um processo bem mais espec\u00edfico de escrita da cr\u00edtica de cinema que exige bem mais da pessoa que escreve. E eu acho que isso tamb\u00e9m tem se aproveitado das vantagens dos dispositivos online em geral. Esses meios preenchem jovens com o desejo de trabalhar com cinema, escrever sobre cinema, pensar sobre cinema e compartilhar isso. Traz um melhor acesso para se fazer isso, do que costumavam ter quando precisava ser uma pessoa contratada por um ve\u00edculo como um jornal para se tornar apto a compartilhar o que se pensa sobre cinema e seu trabalho. Ent\u00e3o, acho que s\u00e3o coisas opostas. H\u00e1 dois usos diferentes das redes sociais e da internet como um todo. Mas n\u00e3o s\u00e3o somente as redes sociais. H\u00e1 diversos blogues e outras formas, como revistas online, que existe a partir da escrita de um grupo de pessoas. Geralmente, s\u00e3o jovens, mas n\u00e3o necessariamente. S\u00e3o pessoas que se juntam e compartilham suas ideias sobre um g\u00eanero ou sobre os filmes de um pa\u00eds espec\u00edfico ou um diretor espec\u00edfico etc. Isso est\u00e1 acontecendo. Vemos esse tipo de coisa. N\u00e3o posso falar pelo Brasil, uma vez que n\u00e3o leio em portugu\u00eas, mas em v\u00e1rios pa\u00edses onde vou vejo isso. \u00c9 muito comum na Fran\u00e7a e na Europa, no mundo da l\u00edngua inglesa, por assim dizer. Mas, por exemplo, recentemente estive no mundo \u00e1rabe e h\u00e1 jovens cr\u00edticos \u00e1rabes que est\u00e3o construindo uma rela\u00e7\u00e3o de muita aten\u00e7\u00e3o com o cinema atrav\u00e9s de ferramentas as quais nunca seriamos capazes de construir no mundo antes da internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na fun\u00e7\u00e3o de cr\u00edtico de cinema, eu sempre evitei a ideia reducionista atrelada \u00e0s cota\u00e7\u00f5es de filmes usando estrelas e notas. E, hoje, espa\u00e7os como o Rotten Tomatoes e o Metacritic parecem nortear tend\u00eancias e definir opini\u00f5es sobre filmes.<\/strong><br \/>\nAh, sim. Isso \u00e9 um problema. Eu concordo totalmente com voc\u00ea. Lutei por toda a minha vida profissional como cr\u00edtico contra a ideia de dar estrelas aos filmes. Porque, para mim, \u00e9 o contr\u00e1rio da cr\u00edtica de cinema. Cr\u00edtica de cinema exige algo do escritor, mas, tamb\u00e9m, exige algo do leitor. Voc\u00ea precisa ler um texto, um artigo, e n\u00e3o somente receber uma opini\u00e3o como se fosse um flash, dizendo se \u00e9 bom ou se \u00e9 ruim, esse tipo de distin\u00e7\u00e3o. Mas eu n\u00e3o estou dizendo que isso \u00e9 algo ruim. Mas \u00e9 ruim quando substitui a habilidade e a vontade de se aprofundar no entendimento ou de discordar do cr\u00edtico. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o apenas de concordar com cr\u00edtico, mas, sim, de entrar em um di\u00e1logo e na possibilidade de, a partir do seu argumento, incluir um vislumbre do que o cr\u00edtico est\u00e1 dizendo. Mas, realmente, \u00e9 uma quest\u00e3o de ter essa rela\u00e7\u00e3o mais longa. Obviamente, o sistema com as avalia\u00e7\u00f5es das estrelas j\u00e1 era um problema. E o Rotten Tomatoes, que era somente uma reuni\u00e3o de avalia\u00e7\u00f5es com cota\u00e7\u00f5es de estrelas vindas de v\u00e1rias m\u00eddias dentro de um conglomerado de textos, \u00e9 o oposto disso e, em uma extens\u00e3o maior, \u00e9, tamb\u00e9m, o inimigo da cr\u00edtica de cinema. Este \u00e9 o problema. E ele \u00e9 parte de um problema maior, que \u00e9 o poder do marketing. A cr\u00edtica de cinema \u00e9 parte de um grupo de ferramentas que s\u00e3o aproxima\u00e7\u00f5es alternativas para o marketing dos est\u00fadios explorar. Porque sabemos muito bem que o que \u00e9 melhor recebido no Rotten Tomatoes \u00e9, tamb\u00e9m, aquilo que tem um melhor or\u00e7amento de publicidade, grandes estrelas e todo esse poder econ\u00f4mico que est\u00e1 por tr\u00e1s de alguns filmes e n\u00e3o por tr\u00e1s de outros. Especialmente quando se trata de produ\u00e7\u00f5es independentes. Mas \u00e9 uma quest\u00e3o que vai al\u00e9m da cr\u00edtica de cinema. H\u00e1, tamb\u00e9m, outro grupo importante de pessoas que est\u00e3o fora dessa l\u00f3gica: os festivais de cinema. Festivais de cinema est\u00e3o construindo outra rela\u00e7\u00e3o para com os filmes, entre eles e o p\u00fablico. Isso \u00e9 o que marketing est\u00e1 fazendo. A ferramenta entre a cr\u00edtica de cinema e os festivais \u00e9 diferente, mas o efeito \u00e9 similar e, muitas vezes, conectado. E isso \u00e9 parte do que sempre vai ser uma posi\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria. Ningu\u00e9m nunca vai vencer o marketing em um futuro previs\u00edvel. N\u00e3o poder\u00e1 vir do cinema, se isso um dia acontecer. Isso vir\u00e1 apenas de uma mudan\u00e7a social. Mas no contexto da domina\u00e7\u00e3o do marketing, h\u00e1 lugares para se fazer isso de uma forma diferente. E a cr\u00edtica de cinema \u00e9 uma delas. Os festivais de cinema s\u00e3o outra, talvez a pesquisa cinematogr\u00e1fica seja tamb\u00e9m outra. Isso significa que podemos ter uma boa quantidade de a\u00e7\u00f5es. E acho que devemos faz\u00ea-las.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Scorsese falou sobre essa nocividade do Rotten Tomatoes em definir o destino de um filme no seu lan\u00e7amento, uma vez que as pessoas n\u00e3o leem os textos, apenas veem os tomates.<\/strong><br \/>\nSim, claro. \u00c9 obedecer ao primeiro sinal que \u00e9 enviado por ningu\u00e9m sabe quem, na verdade. Mas, em uma \u00faltima circunst\u00e2ncia, sabemos quem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse obedecer (Obey) como em um filme do John Carpenter (risos)?<\/strong><br \/>\nSim (risos). E entramos em uma dist\u00e2ncia mais pessoal ou individual com o que seja l\u00e1 que \u00e9 apresentado l\u00e1. Se eu concordo ou discordo com o que est\u00e1 sendo promovido ou apoiado aqui atrav\u00e9s da cr\u00edtica de cinema e, tamb\u00e9m pela programa\u00e7\u00e3o do festival, ou nas salas de cinema onde h\u00e1 uma programa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o segue apenas os incentivos de marketing. Tudo isso \u00e9 um aspecto de uma quest\u00e3o muito maior que, em uma \u00faltima inst\u00e2ncia, para mim, tem a ver com a democracia, em sermos indiv\u00edduos aut\u00f4nomos, diferentes de rob\u00f4s que s\u00e3o manipulados e que querem ser manipulados, e que s\u00e3o alegremente manipulados por programas de diferentes tipos. Mas que s\u00e3o todos guiados pelo lucro destinado a algumas pessoas que n\u00e3o somos n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Existe uma ideia de credibilidade atrelada \u00e0 cr\u00edtica de cinema feita em ve\u00edculos impressos e mais tradicionais que chega ao p\u00fablico que difere um pouco da enxurrada de textos encontrados na internet. O senhor acredita nisso?<\/strong><br \/>\nFalando somente por mim mesmo, n\u00e3o em geral: eu venho da m\u00eddia impressa. E h\u00e1 muitas raz\u00f5es pelas quais eu estou feliz por ter mudado para a internet. Minha escrita atualmente \u00e9 quase totalmente online, especialmente na Fran\u00e7a. Escrevo para m\u00eddia impressa na Espanha, na Cor\u00e9ia do Sul e nos EUA. Mas ainda me refiro aos leitores como lendo um objeto f\u00edsico em suas m\u00e3os dessa forma. Mas eu acho, talvez esteja errado, mas eu acho que escrevo da mesma forma online que eu costumava escrever para a m\u00eddia impressa. Minha linguagem cr\u00edtica e minha responsabilidade s\u00e3o as mesmas. Para mim, n\u00e3o h\u00e1 qualquer diferen\u00e7a entre as duas. E fico feliz pelo fato de que o que eu escrevo est\u00e1 dispon\u00edvel online. Porque alcan\u00e7a muita gente. E tamb\u00e9m gera muito di\u00e1logo com meus leitores, mais do que quando estava apenas no jornal impresso. E, claro, eu gosto disso. E tamb\u00e9m encontro pessoas em pa\u00edses distantes que leram online o que eu escrevi na Fran\u00e7a. Eles n\u00e3o teriam lido se fosse somente na vers\u00e3o impressa. Eles n\u00e3o iram comprar o Le Monde ou a Cahiers do Cin\u00e9ma. Ent\u00e3o, gosto, mas tenho consci\u00eancia de outras pessoas, especialmente jovens, aquelas pessoas que nasceram na era digital. Que s\u00e3o nativos digitais. Eu n\u00e3o sou um nativo digital (risos). Sou um nativo do impresso que migrou para o digital, permanecendo um nativo do impresso, por assim dizer. Tais pessoas mais jovens que nasceram na era digital t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o em potencial com a escrita. E n\u00e3o somente com a escrita, mas, tamb\u00e9m pessoas que est\u00e3o fazendo v\u00eddeos, conversando com a c\u00e2mera, esse tipo de coisa. Eles usam linguagens diferentes. Acho que a maioria das coisas que eles fazem agora n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom, mas alguns deles est\u00e3o fazendo um bom trabalho e acredito que ser\u00e1 algo que vai se firmar com uma boa quantidade de bons trabalhos feitos dessa forma. Mas n\u00e3o \u00e9 o modo como eu trabalho. Eu, provavelmente, nunca devo trabalhar dessa forma, mas estou feliz que pessoas mais jovens estejam explorando as potencialidades de se discutir filmes cara a cara com a c\u00e2mera, fazendo piadas com quem est\u00e1 assistindo, esse tipo de coisa. Pode ser ok faz\u00ea-lo se for algo bem-feito. Se for inteligente. Se n\u00e3o for algo que diminua a import\u00e2ncia do assunto, etc. Outra coisa \u00e9 que eu n\u00e3o acredito de forma alguma na total substitui\u00e7\u00e3o. H\u00e1 novas m\u00eddias que v\u00eam se tornando mais fortes e mais poderosas que a m\u00eddia impressa. Mas a m\u00eddia impressa n\u00e3o est\u00e1 desaparecendo e n\u00e3o vai desaparecer. Est\u00e1 mudando, claro. Mas tudo muda, ainda bem. Porque se n\u00e3o mudar, morre. E n\u00e3o somente a morte, mas o congelamento, a imobilidade. Ent\u00e3o, est\u00e1 mudando, do mesmo modo como pr\u00f3prio cinema est\u00e1 mudando, claro. E ent\u00e3o, isso vai acontecer, mas ainda haver\u00e1 a qualidade, o efeito e o benef\u00edcio intelectual e financeiro no impresso de forma conjunta em torno das formas online de se lidar com filmes em um senso geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No meu processo de escrita, eu sempre enfrento certa ansiedade, certo medo, e a busca por uma fagulha que possa ser alimentada com combust\u00edvel de reflex\u00e3o e an\u00e1lise cr\u00edtica cinematogr\u00e1fica, algo que vai se construindo \u00e0 medida que se debru\u00e7a sobre o texto. Com o senhor acontece algo semelhante?<\/strong><br \/>\nSim. \u00c9 exatamente desse modo comigo. E tem sido assim j\u00e1 h\u00e1 45 anos. Espero que permane\u00e7a assim (risos). O momento que deixar de ser assim, eu vou ter que parar de escrever (risos). Porque seria enfadonho. Prefiro fazer outra coisa. Vou plantar tomates, que \u00e9 algo que eu gosto de fazer. Mas enquanto houver esse tipo de empolga\u00e7\u00e3o e incerteza, continuo. Mas eu sempre fui um estudioso da escrita cr\u00edtica. Quando come\u00e7o um texto, eu n\u00e3o sei o que vou escrever. Eu realmente descubro coisas das quais eu n\u00e3o tinha certeza. Eu realmente descubro coisas das quais eu n\u00e3o tinha consci\u00eancia atrav\u00e9s do processo de escrita. E isso mostra que a escrita em si precisa seguir por outro caminho em rela\u00e7\u00e3o ao medo. Todo mundo pensa algo sobre um filme Todo mundo. Cada espectador tem uma ideia e uma opini\u00e3o. O que fazemos como cr\u00edticos de cinema \u00e9 que come\u00e7amos com o que pensamos como qualquer pessoa. Provavelmente vamos pensar diferente, mas, de qualquer forma, \u00e9 somente o ponto de partida, e atrav\u00e9s do processo de escrita, vamos elaborar algo mais que, espero, apare\u00e7a antes de termos que compartilhar com os leitores. Para mim, isso \u00e9 muito importante. Incluindo o que voc\u00ea disse em rela\u00e7\u00e3o a essas pequenas dimens\u00f5es de medo. Porque \u00e9 uma incerteza. De algum modo, a cada vez, estamos pulando no vazio. Conhecemos o filme, conhecemos o diretor, conhecemos a hist\u00f3ria, conhecemos at\u00e9 mesmo o que acreditamos que sabemos em rela\u00e7\u00e3o ao filme. Eu gosto. Eu n\u00e3o gosto. Eu percebo que isso remete a outros filmes, outras opini\u00f5es, que seja. Mas h\u00e1 mais. E \u00e9 esse mais que \u00e9 o mais interessante. E \u00e9 isso o que cada um de n\u00f3s precisamos descobrir atrav\u00e9s do processo de escrita para compartilhar com os leitores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Encontrar esse ponto de partida, essa fagulha, \u00e9 essencial para mim pelo fato de que n\u00e3o vejo como obriga\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica esgotar os filmes em todos os seus aspectos.<\/strong><br \/>\nSim. E \u00e9 imposs\u00edvel dessa maneira falar de cada aspecto de um filme. Al\u00e9m de ser entediante ter simplesmente que marcar um x em quest\u00f5es. Ticar uma caixa ao falar da dire\u00e7\u00e3o, da montagem, das atua\u00e7\u00f5es, do som, dos custos de produ\u00e7\u00e3o, do figurino. Quem se importa? Uma pergunta muito importante \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o que voc\u00ea tem com o filme. Para mim, fazendo isso, \u00e9 como se o filme fosse um corte de carne. Voc\u00ea pode separar suas partes. Essa parte foi bem feira, essa outra parte, n\u00e3o. Ser um cr\u00edtico de cinema \u00e9 considerar um filme como um organismo vivo. E mant\u00ea-lo vivo. Mant\u00ea-lo ainda mais vivo por causa da sua escrita. Claro que quando eu o encontrar, n\u00e3o irei cort\u00e1-lo em peda\u00e7os. Vamos interagir com v\u00e1rios elementos que n\u00e3o somos nem mesmo capazes de especificar naquele momento. Mas \u00e9 algo sempre acurado entra seres vivos, n\u00e3o somente seres humanos, mas seres vivos. E para mim, filmes s\u00e3o seres vivos de um tipo espec\u00edfico. E ser um cr\u00edtico de cinema tem a ver com essa percep\u00e7\u00e3o de seus completude e sua complexidade. Isso tem a ver, claro, com o que, \u00e0s vezes, eu acho que voc\u00ea possa compartilhar seja l\u00e1 o que voc\u00ea queira apenas se referindo \u00e0 m\u00fasica no filme. E atrav\u00e9s da m\u00fasica, afinal de contas, ele apresenta tudo atrav\u00e9s da m\u00fasica. Tudo o que voc\u00ea possa pensar a partir de uma cena, de uma sequ\u00eancia, que concentra o que voc\u00ea pensa do filme, o que o torna esse filme espec\u00edfico. A partir da discuss\u00e3o dessa cena, e, ent\u00e3o, o que funciona para ela, funciona para o filme como um todo. Isso tamb\u00e9m se d\u00e1 pelo fato de n\u00e3o existir um padr\u00e3o pr\u00e9-existente da escrita cr\u00edtica porque cada filme deve gerar uma forma de se escrever sobre ele. Assisti a um filme ontem, comecei a escrever e penso: &#8220;o que \u00e9 importante para mim? O que permanece forte em mim? Bom ou ruim? O que eu odeio tanto nesse filme? O que amo tanto nesse filme? O que foi t\u00e3o surpreendente para mim?&#8221; Vem desse tipo de abordagem. Claro que se espera que o leitor saiba um pouco do que se trata a hist\u00f3ria, esse tipo de coisa. Deveria vir de alguma forma na escrita. Se voc\u00ea n\u00e3o diz nada do que se trata a hist\u00f3ria, \u00e9 algo que faz falta. Precisa estar l\u00e1. Mas pode vir de v\u00e1ria formas. Talvez n\u00e3o no come\u00e7o do texto, mas no final. Voc\u00ea espera que o leitor esteja l\u00e1 para l\u00ea-lo. Se ele n\u00e3o o faz, uma pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tenho no cinema de terror um dos meus g\u00eaneros preferidos pelo fato dele, quando bem constru\u00eddo, ser capaz causar sensa\u00e7\u00f5es mentais bem espec\u00edficas. Como o senhor encara esse tipo de filme?<\/strong><br \/>\nGeralmente, n\u00e3o sou muito f\u00e3 de filmes de terror. Porque, na maioria deles, n\u00e3o todos, claro, mas a maioria obedece a regras pr\u00e9-estabelecidas que sempre buscam tomar controle do seu c\u00e9rebro. E suas emo\u00e7\u00f5es. E tudo o mais. Todos os temas s\u00e3o baseados em jovens bonitos que v\u00e3o para o interior e, ent\u00e3o, surge algum tipo de monstro, e eles s\u00e3o mortos. Aquele padr\u00e3o &#8220;O Massacre da Serra El\u00e9trica&#8221; que vem de novo e de novo e de novo em todos os filmes desse tipo. Para mim, n\u00e3o deixa muito espa\u00e7o para que eu possa habitar o filme. Para mim, \u00e9 uma m\u00e1quina com esses aspectos mec\u00e2nicos e voc\u00ea precisa ter medo desse momento. Precisa reagir dessa forma desse momento. N\u00e3o deixa outra op\u00e7\u00e3o com a qual se lidar, exceto, provavelmente, se voc\u00ea decidir amar todos esse filmes para fazer piadas com eles, encar\u00e1-los como com\u00e9dias burlescas e n\u00e3o filmes de terror reais. Mas eu n\u00e3o gosto tanto dessa atitude, porque \u00e9 um tipo de atitude superior atrav\u00e9s da qual voc\u00ea finge ser melhor ou mais inteligente que o filme. E eu n\u00e3o acho que essa \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o muito interessante a longo prazo. Voc\u00ea pode at\u00e9 fazer isso uma vez como uma brincadeira entre amigos quando voc\u00ea rev\u00ea algum filme &#8220;slasher&#8221; com eles e todo mundo est\u00e1 rindo. Mas, para mim, n\u00e3o h\u00e1 muito interesse. Mas eu concordo que entre filmes de terror h\u00e1 obras importantes. H\u00e1 filmes que abrem espa\u00e7os sombrios com os quais voc\u00ea pode se identificar a partir dos seus pr\u00f3prios sentimentos e n\u00e3o sendo manipulado a partir de nossas rea\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas a sons assustadores no escuro ou a esse tipo de coisa, o que, para mim, n\u00e3o leva a lugar nenhum. E, claro, o primeiro filme de zumbi funcionava de forma interessante como uma met\u00e1fora social com os filmes de George Romero. Pode haver algo interessante com zumbis, mas, para mim, \u00e9 um em mil. E o restante s\u00e3o piadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando ao que o senhor disse acerca da fun\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica na ideia de aprofundamento de uma an\u00e1lise em detrimento do simples achismo e da reducionista aten\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um instigante texto de Kristin Thompson, te\u00f3rica e cr\u00edtica de cinema estadunidense, chamado \u201c<a href=\"https:\/\/www.davidbordwell.net\/blog\/2011\/03\/18\/pleased-to-meet-you-whats-the-greatest-movie-ever-made\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pleased to meet you. What\u2019s the Greatest Movie Ever Made<\/a>\u201d, no qual ela fala acerca das perguntas que recebe sobre suas prefer\u00eancias em filmes e o desinteresse instant\u00e2neo quando tais t\u00edtulos n\u00e3o s\u00e3o conhecidos pelo questionador. Penso muito sobre isso quando as pessoas confundem a ideia de cr\u00edtica de cinema com a fun\u00e7\u00e3o de recomendar filmes e criar listas.<\/strong><br \/>\nSim. H\u00e1 uma interpreta\u00e7\u00e3o err\u00f4nea em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza da cr\u00edtica de cinema que tem a ver com as pessoas que trabalham na ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica e que pensam que a cr\u00edtica de cinema \u00e9 uma esp\u00e9cie de an\u00fancio. Isso nos ajuda, porque nos leva a assistir a filme em cabines de imprensa, acesso aos filmes com anteced\u00eancia, porque eles esperam que sejamos uma esp\u00e9cie de propaganda gratuita ou quase gratuita para os filmes deles. Mas n\u00e3o \u00e9 isso o que o somos. E eu acho que dever\u00edamos ser bem francos. Se eles podem usar o que fazemos para o prop\u00f3sito deles, tudo bem. N\u00e3o tem problema com isso. Fico feliz se um filme que eu gosto e escrevo sobre ajuda no interesse do p\u00fablico em assisti-lo. Isso \u00e9 muito bom se for um filme do qual eu gosto. Mas esse n\u00e3o \u00e9 o prop\u00f3sito do que eu fa\u00e7o. O prop\u00f3sito para o que eu fa\u00e7o n\u00e3o tem qualquer rela\u00e7\u00e3o com os n\u00fameros de bilheteria. O outro lado dessa mesma interpreta\u00e7\u00e3o err\u00f4nea \u00e9 que as pessoas esperam que a cr\u00edtica de cinema seja recomenda\u00e7\u00f5es de consumo. Tipo, voc\u00ea quer comprar uma geladeira, e voc\u00ea precisa saber se faz barulho, se ainda funciona quando o clima est\u00e1 muito quente, ou se voc\u00ea a usa em diferentes voltagens. Isso \u00e9 algo justo. Claro que voc\u00ea precisa saber desse tipo de coisa. E pessoas que s\u00e3o experts podem dar uma, duas, tr\u00eas estrelas para cada caracter\u00edstica desses produtos que voc\u00ea quer comprar, porque precisa de uma geladeira nova ou um carro novo ou uma nova m\u00e1quina de lavar. Isso \u00e9 exatamente o que n\u00f3s n\u00e3o fazemos como cr\u00edticos. Mas, de alguma forma, isso \u00e9 esperado pelos leitores. E \u00e9 tamb\u00e9m o que \u00e9 muito esperado pelos editores nos jornais. E isso \u00e9 dif\u00edcil. At\u00e9 hoje, eu consegui evitar esse tipo de coisa. Mas muitos dos meus colegas t\u00eam que fazer isso no tipo de m\u00eddia na qual eles trabalham, tanto online quanto impresso. E isso distorce o significado de ser um cr\u00edtico de cinema por si s\u00f3 que, como tantas outras coisas na vida, requer uma resist\u00eancia ao padr\u00e3o dominante dessa organiza\u00e7\u00e3o geral na qual vivemos e que n\u00e3o \u00e9 muito amistosa para com seres humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No atual cinema estadunidense, h\u00e1 algo que lhe chame a aten\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nPara mim, nos Estados Unidos, a mais importante diretora, a mais promissora, \u00e9 Kelly Reichardt. N\u00e3o sei se seus filmes s\u00e3o distribu\u00eddos aqui (nota: \u201cFirst Cow\u201d, de 2019, ganhou lan\u00e7amento em bluray pela Vers\u00e1til no Brasil), ou se ela \u00e9 bem conhecida, mas, para mim, ela \u00e9 provavelmente a diretora mais sensitiva e precisa lidar com todas as maiores quest\u00f5es contempor\u00e2neas atrav\u00e9s de respostas cinematogr\u00e1ficas sem grandes discursos ou algu\u00e9m explicando tudo. Ningu\u00e9m nos subestima feito crian\u00e7as nos seus filmes. Ela nos trata como adultos, o que n\u00e3o \u00e9 algo muito frequente, especialmente no cinema americano. Claro que h\u00e1 filmes recentes dos quais eu gosto, como os dois &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=coringa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Coringas<\/a>&#8220;, principalmente pelo fato do segundo ser contra o primeiro. De certa maneira, destruindo o primeiro, o que \u00e9 muito interessante. O que ele faz \u00e9 para mim parte do que \u00e9 realmente interessante no cinema. H\u00e1, tamb\u00e9m, uma grande quantidade do que chamamos hoje de document\u00e1rios, mas que vai al\u00e9m da separa\u00e7\u00e3o entre document\u00e1rio e fic\u00e7\u00e3o. Muitas maneiras de combinar elementos cinematogr\u00e1ficos, alguns deles vindo do document\u00e1rio e alguns deles vindo da fic\u00e7\u00e3o. Mas dentro disso, cito o trabalho de Laura Poitras, cujo trabalho, para mim, \u00e9 muito interessante. Nos Estados Unidos, mesmo que exista rela\u00e7\u00e3o com o cinema cl\u00e1ssico, a maior parte dos mais importantes passos de evolu\u00e7\u00e3o na linguagem do cinema n\u00e3o vem de l\u00e1. Acho que os Estados Unidos \u00e9 um pa\u00eds menor em termos de linguagem cinema. Existe tamb\u00e9m l\u00e1, mas h\u00e1 bem mais na Europa, na \u00c1sia, mais na \u00c1frica e na Am\u00e9rica Latina, tamb\u00e9m. Provavelmente, o resto do mundo \u00e9 mais criativo em termos de linguagem cinematogr\u00e1fica do que os Estados Unidos, que, de certa forma, est\u00e1 preso a um padr\u00e3o, modelo que se provou ser eficiente, mas sua efici\u00eancia n\u00e3o o coloca como correto, ou que seja suficiente, ou que se relaciona corretamente com o modo como \u00e9 o mundo. Jia Zhangke \u00e9 um bom exemplo desse outro cinema. Tamb\u00e9m Apichatpong Weerasethakul, que veio para a Col\u00f4mbia com seu \u00faltimo filme, &#8220;Mem\u00f3ria&#8221; (2021). Laura Citarella e Lucr\u00e9cia Martel, na Argentina. Alice Rohrwacher, na It\u00e1lia. Muitas desses realizadores com outro olhar s\u00e3o mulheres. S\u00e3o diretoras que t\u00eam outra busca por uma linguagem cinematogr\u00e1fica atualmente. Para mim, \u00e9 muito mais estimulador e encantador que muitos filmes que assisto dos Estado Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 not\u00f3ria a rela\u00e7\u00e3o afetiva do senhor com o Cinema Novo brasileiro. Al\u00e9m desse, o que mais lhe chama aten\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria do audiovisual brasileiro bem como recentemente?<\/strong><br \/>\nCresci assistindo (cinema brasileiro). Foi parte da minha juventude assistir ao Cinema Novo, porque tivemos sorte de ter acesso a ele bem cedo na Fran\u00e7a. Ao cinema de Glauber Rocha, de Nelson Pereira dos Santos, de Ruy Guerra, de Carlos Diegues, todo esse grupo de pessoas e era algo que considerava um pilar e permanece um pilar para a minha expectativa para o que se reconhece no cinema. O que o Brasil, naquele per\u00edodo, compartilhou com o mundo, ofereceu ao mundo, ao mesmo tempo que fez a Nouvelle Vague francesa, ao mesmo tempo a alem\u00e3, a japonesa, todos esses cinemas trouxeram uma forma de linguagem do cinema que representou novas e imensas possibilidades que ainda est\u00e3o presentes na forma de se fazer cinema. E isso permanece muito forte. Depois eu descobri o cinema anterior brasileiro, como o de M\u00e1rio Peixoto, que me foi apresentado por Walter Salles, que me mostrou o filme &#8220;Limite&#8221; (1931) antes dele se tornar mais acess\u00edvel. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/20\/walter-salles-fala-sobre-ainda-estou-aqui-nosso-filme-fala-da-reconstrucao-da-memoria-de-uma-familia-e-da-memoria-de-um-pais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Walter Sales<\/a> \u00e9 uma pessoa que eu vejo como importante por v\u00e1rias raz\u00f5es, como diretor, mas, tamb\u00e9m, ajudando outro a produzir e a fazer filmes. E h\u00e1 tamb\u00e9m documentaristas no Brasil que admiro, como Eduardo Coutinho. Da safra recente, mas n\u00e3o t\u00e3o recente, um filme brasileiro que realmente gostei foi \u201cAs Boas Maneiras\u201d (2018, de Juliana Rojas e Marco Dutra). Ta\u00ed um filme de terror do qual eu gosto. Claro, tamb\u00e9m, Kleber Mendon\u00e7a \u00e9 muito importante para mim, especialmente \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/09\/02\/cinema-bacurau-de-kleber-mendonca-filho-e-juliano-dornelles\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bacurau<\/a>\u201d (2019). Mas esse ano, al\u00e9m do filme de Walter Salles (\u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/10\/22\/48a-mostra-sp-o-que-faz-de-ainda-estou-aqui-um-filme-que-se-diferencia-de-outras-producoes-brasileiras-recentes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ainda Estou Aqui<\/a>\u201d), um filme do qual gostei muito foi \u201cA Queda do C\u00e9u\u201d, de Gabriela Carneiro da Cunha e Eryk Rocha, um document\u00e1rio sobre o yanomamis no Amazonas. Essa \u00e9 uma parte de uma rela\u00e7\u00e3o viva que tenho com o cinema brasileiro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"\u00c9 tudo verdade | Masterclass com Jean-Michel Frodon\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jegQUKsfttQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde, de Salvador.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Ser um cr\u00edtico de cinema \u00e9 como considerar um filme um organismo vivo. 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