{"id":86389,"date":"2025-01-06T18:38:07","date_gmt":"2025-01-06T21:38:07","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=86389"},"modified":"2025-03-14T09:37:42","modified_gmt":"2025-03-14T12:37:42","slug":"entrevista-gueersh-explora-novas-paisagens-sonoras-com-interferencias-na-fazendinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/01\/06\/entrevista-gueersh-explora-novas-paisagens-sonoras-com-interferencias-na-fazendinha\/","title":{"rendered":"Entrevista: gueersh explora novas paisagens sonoras com &#8220;Interfer\u00eancias na Fazendinha&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s chamar a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/04\/28\/entrevista-guitar-band-experimental-fluminense-gueersh-supera-roubadas-para-divulgar-o-excelente-album-tempo-elastico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aten\u00e7\u00e3o da cena independente<\/a> com seu disco de estreia, \u201cTempo El\u00e1stico\u201d (2023), o quinteto fluminense <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/gueersh\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">gueersh<\/a> retorna com uma nova proposta sonora no \u00e1lbum \u201c<a href=\"https:\/\/linktr.ee\/gueersh\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Interfer\u00eancias na Fazendinha<\/a>\u201d (2024). Formada por L\u00edvia Gomes (voz, sintetizadores), David Dinucci (guitarra), Guilherme Paz (guitarra, voz, percuss\u00e3o, viol\u00e3o, sintetizador, colagens sonoras), Thomaz Alves (baixo) e Igor Arruda (bateria, colagens), a banda reflete uma transi\u00e7\u00e3o natural em sua nova fase, mais ousada e experimental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se em \u201cTempo El\u00e1stico\u201d a gueersh se destacou pelas linhas mel\u00f3dicas de guitarra e influ\u00eancias do rock alternativo e do noise pop, \u201cInterfer\u00eancias na Fazendinha\u201d marca uma clara mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o, com o grupo se aventurando por texturas e sonoridades densas, mais improvisa\u00e7\u00f5es e repeti\u00e7\u00f5es hipn\u00f3ticas reminiscentes do krautrock. Se o primeiro trabalho da banda pode ser comparado a \u00e1lbuns como \u201cGoo\u201d e \u201cDirty\u201d do Sonic Youth pela sua acessibilidade, o novo disco segue a linha de \u201cExperimental Jet Set, Trash and No Star\u201d e \u201cWashing Machine\u201d, apostando em uma postura mais arriscada e desafiadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando pergunto se a inten\u00e7\u00e3o da trupe com esta nova dire\u00e7\u00e3o seria um \u201csuic\u00eddio comercial\u201d, a vocalista L\u00edvia responde com apenas uma risada. O baterista Igor tenta formalizar: \u201cEu acredito que seja diferente do que foi o processo do &#8216;Tempo El\u00e1stico&#8217;, que foi uma coisa mais formada, estruturada. Agora \u00e9 mais como se fossem brincadeiras [com base nos improvisos das apresenta\u00e7\u00f5es]\u201d. Mas \u00e9 certo que a gueersh n\u00e3o tem inten\u00e7\u00f5es de ceder \u00e0s expectativas de um mercado ou p\u00fablico, e segue firme em sua busca por uma musicalidade sem amarras &#8211; o que j\u00e1 \u00e9 uma atitude bastante admir\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A faixa de abertura, &#8220;PopStar Kids&#8221;, pode at\u00e9 enganar \u00e0 primeira vista, com sua melodia aparentemente acess\u00edvel e vocais suaves. Mas \u00e9 a partir de composi\u00e7\u00f5es como &#8220;Brasileirinhe&#8221; e &#8220;Djo Djo Piranha&#8221; que o novo som da gueersh se revela de forma mais clara: guitarras distorcidas, vocaliza\u00e7\u00f5es fragmentadas em tons altos e colagens sonoras se entrela\u00e7am com timbres vocais que lembram desde a voz estridente de Kathleen Hanna no Le Tigre at\u00e9 as backing vocals da banda Sabor de Veneno em \u201cClara Crocodilo\u201d, de Arrigo Barnab\u00e9. &#8220;Vaninha Perereca&#8221;, que se estende por mais de 14 minutos, \u00e9 uma verdadeira viagem, com letra aparentemente nonsense e guitarras r\u00edtmicas acompanhadas por uma base repetitiva de baixo e bateria. A faixa se aproxima da estrutura (e n\u00e3o da sonoridade) de &#8220;Marquee Moon&#8221;, do Television, com um falso fim e recome\u00e7o que a torna ainda mais interessante, especialmente em suas performances no palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E esse \u201celemento ao vivo\u201d ainda \u00e9 uma das marcas do som do grupo, sendo que muitos dos temas presentes no \u00e1lbum surgiram nas apresenta\u00e7\u00f5es da banda e essa energia foi capturada para as grava\u00e7\u00f5es. \u201cA grava\u00e7\u00e3o da maior parte das m\u00fasicas foi ao vivo e de um jeito parecido, s\u00f3 que agora a gente botou os amplificadores em outra sala, porque no \u201cTempo El\u00e1stico\u201d a gente botou tudo numa sala s\u00f3 e em um volume muito alto. Agora a gente botou no volume muito alto em outra sala!&#8221;, brinca o guitarrista Guilherme Paz.<\/p>\n<figure id=\"attachment_86399\" aria-describedby=\"caption-attachment-86399\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-86399\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/guuersh2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/guuersh2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/guuersh2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-86399\" class=\"wp-caption-text\"><em>\u201cInterfer\u00eancias na Fazendinha\u201d, segundo disco do gueersh, lan\u00e7ado tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DD7OKOMuQuM\/?img_index=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em fita k7<\/a><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, o disco n\u00e3o se resume a improvisa\u00e7\u00f5es em tempo real; h\u00e1 uma forte presen\u00e7a de overdubs, sintetizadores, percuss\u00f5es adicionais e colagens sonoras, que se tornaram elementos marcantes em faixas como &#8220;Prociss\u00e3o da Cabeceira&#8221;, &#8220;#8&#8221; e no final de &#8220;Caxorrin&#8221;. A atmosfera do s\u00edtio agroecol\u00f3gico Sereno Sana, em Maca\u00e9 (RJ), onde o \u00e1lbum foi gravado, tamb\u00e9m se faz presente nas texturas e som ambiente que permeiam a obra. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa o t\u00edtulo \u201cInterfer\u00eancias na Fazendinha\u201d: ele entrega essa conex\u00e3o dos m\u00fasicos com essa zona rural e a experimenta\u00e7\u00e3o que surgiu desse contexto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, o \u00e1lbum conta com a participa\u00e7\u00e3o especial de m\u00fasicos convidados: Daniel Duarte Barros (integrante das bandas Brita, Mos e Passos Largos), respons\u00e1vel pela grava\u00e7\u00e3o (junto com Rafael Rezende e Guilherme Paz), contribui com teclados em algumas faixas, enquanto Karin Santa Rosa (Balbela) adiciona camadas de vozes e percuss\u00e3o, enriquecendo a sonoridade do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lan\u00e7amento de <a href=\"https:\/\/linktr.ee\/gueersh\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cInterfer\u00eancias na Fazendinha\u201d<\/a> tamb\u00e9m trouxe uma proposta visual diferente para o grupo: todos os shows est\u00e3o sendo adornados por uma bandeira confeccionada a partir de materiais usados na grava\u00e7\u00e3o do clipe de &#8220;Marra&#8221; (que ainda ser\u00e1 lan\u00e7ado). A bandeira se tornou uma esp\u00e9cie de novo integrante, acompanhando a gueersh em uma turn\u00ea que passou pelo Sudeste do Brasil, com shows realizados em outubro, e seguiu para Chile, Paraguai, Argentina e Uruguai em novembro, antes de retornar ao sul do Brasil em dezembro. A exemplo da tour do ano anterior, essas datas foram agendadas totalmente \u2018na ra\u00e7a\u2019 pelos pr\u00f3prios m\u00fasicos, contando apenas com uma log\u00edstica simples e um Gol 201 G4 (que substituiu a saudosa Charanga, roubada em Montevid\u00e9u em 2023).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim das contas, o novo \u00e1lbum da gueersh \u00e9 um convite \u00e0 intimidade de uma banda meio hippie\/punk que n\u00e3o tem medo de experimentar e desafiar as expectativas do p\u00fablico, com boas doses de humor, caos e beleza entrela\u00e7adas em cada faixa. Com &#8220;Interfer\u00eancias na Fazendinha&#8221;, o quinteto reafirma seu compromisso e interesse na liberdade criativa e oferece um dos discos mais ousados da cena independente brasileira atual. Em sua passagem por S\u00e3o Paulo em outubro, o Scream &amp; Yell conversou com o grupo sobre o novo disco, a turn\u00ea e muito mais. Confira a entrevista completa abaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Popstar Kids\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LL8QT0KQezI?list=OLAK5uy_lsFtDOekkaVM4o7KE-Iy5V60vnht52jp8\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00eas acham que foi diferente no processo de composi\u00e7\u00e3o e de grava\u00e7\u00e3o do \u201cInterfer\u00eancias na Fazendinha\u201d em rela\u00e7\u00e3o ao anterior, &#8220;Tempo El\u00e1stico\u201d?<\/strong><br \/>\nGuilherme: A grava\u00e7\u00e3o da maior parte das m\u00fasicas foi ao vivo e de um jeito parecido, s\u00f3 que agora a gente botou os amplificadores em um volume muito alto em outra sala, porque no \u201cTempo El\u00e1stico\u201d a gente botou tudo numa sala s\u00f3 e em um volume muito alto (risos)! Da\u00ed tem essas m\u00fasicas que tem essa [forma de] grava\u00e7\u00e3o e outras &#8211; \u201cPop Star Kids&#8221;,\u00a0 &#8220;#8\u201d, \u201cProciss\u00e3o da Cabeceira\u201d &#8211; em que fomos experimentando dentro do est\u00fadio com os equipamentos que a gente tinha dispon\u00edvel, como um processo de troca para complementar parte de alguma grava\u00e7\u00e3o, um processo mais subjetivo. Tem isso e tem a outra parte, que \u00e9 uma banda de rock realmente tocando dentro do est\u00fadio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00edvia: A gente gravou muita coisa depois, n\u00e9? Fizemos bastante overdubs&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que teve mais de overdub?<\/strong><br \/>\nL\u00edvia: Percuss\u00f5es. Guitarra tamb\u00e9m, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: Guitarra quase que n\u00e3o, teve mais percuss\u00e3o, sintetizadores e umas colagens\u2026 O vocal e umas edi\u00e7\u00f5es, algumas \u201csacanagenzinhas\u201d, como o Igor gosta de dizer (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E com essa turn\u00ea nova, voc\u00eas v\u00e3o tocar fora do Brasil novamente. Como foi agendar isso?<\/strong><br \/>\nThomaz: Meio que cada um ficou com um territ\u00f3rio. Cada um foi mirando um lugar espec\u00edfico, a gente foi se dividindo e foi fluindo assim. Via bandcamp, procurando bandas novas, produtores, casas de show&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas tamb\u00e9m estavam gravando um clipe. De qual m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nGuilherme: O clipe \u00e9 de &#8220;Marra\u201d, j\u00e1 t\u00e1 gravado e finalizado, a gente vai lan\u00e7ar mais pra frente em algum momento. Estamos definindo ainda, mas n\u00e3o vou falar aqui para manter uma surpresa. J\u00e1 que m\u00eddia e jornalismo, essas coisas tem vazamentos de informa\u00e7\u00f5es sigilosas (risos). Tem muito dinheiro envolvido na gente, p\u00f4\u2026 Empres\u00e1rios e incentivadores (risos). Mas vai ser em breve que a gente vai lan\u00e7ar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E por que voc\u00eas escolheram essa? Qual foi o crit\u00e9rio?<\/strong><br \/>\nGuilherme: Cara, a gente faz \u00e0s vezes m\u00fasicas muito longas, repetitivas e com muitas partes instrumentais e tal. E essa \u00e9 uma que tem voz na m\u00fasica inteira, com uma letra que acho que evoca uma imagem de ideias e coisas na cabe\u00e7a das pessoas. \u00c9 a m\u00fasica mais pop que a gente tem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando nesse lance da \u201cm\u00fasica mais pop\u201d, ouvi o \u201cInterfer\u00eancias na Fazendinha\u201d e gostei bastante. Mas penso que quem gostou dos momentos pop do &#8220;Tempo El\u00e1stico\u201d pode estranhar esse disco novo. Com o perd\u00e3o da palavra, voc\u00eas n\u00e3o acham que est\u00e3o cometendo uma esp\u00e9cie de \u2018suic\u00eddio comercial\u2019?<\/strong><br \/>\nL\u00edvia: (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o me levem a mal, eu acho legal isso que voc\u00eas est\u00e3o fazendo. O \u201cTempo El\u00e1stico\u201d \u00e9 um disco muito bom, mas justamente porque ele teve uma boa circula\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o, tem gente que pode vir aos shows esperando ouvir algo dele, mas voc\u00eas est\u00e3o tocando apenas coisas do \u201cInterfer\u00eancias na Fazendinha\u201d e outras in\u00e9ditas. Imagino que voc\u00eas est\u00e3o de saco cheio das faixas antigas, seria isso?<\/strong><br \/>\nGuilherme: Cara, a gente \u00e9 uma equipe de trabalho. A banda \u00e9 esse personagem, o personagem \u201cbanda&#8221;, mas a gente tamb\u00e9m usa o show como uma parte muito importante do processo de composi\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o faz mais sentido pra gente experimentar outras coisas dependendo do show. Ent\u00e3o \u00e0s vezes \u00e9 interessante tocar uma m\u00fasica nova ou algum tipo de ideia que a gente est\u00e1 experimentando em casa, que ainda nem s\u00e3o m\u00fasicas, mas deixam a gente mais atento ao momento. As outras composi\u00e7\u00f5es que temos eu at\u00e9 curtiria tocar, mas \u00e9 melhor tocar as coisas novas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00edvia: Para mim, essas coisas novas s\u00e3o mais divertidas de tocar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor: E essas m\u00fasicas surgem da gente tocando espontaneamente, as partes v\u00e3o surgindo durante o show. A gente tenta fazer a composi\u00e7\u00e3o na espontaneidade, de tocar mesmo, a\u00ed acaba saindo de um liquidificador de coisas. Acredito que seja diferente do que foi o processo do \u201cTempo El\u00e1stico\u201d, que foi uma coisa mais formada, estruturada. Agora \u00e9 mais como se fossem brincadeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Thomaz: Eu acho que muitas dessas m\u00fasicas novas a gente come\u00e7ou a maturar a partir da turn\u00ea do ano passado. Tocamos muito essas m\u00fasicas na turn\u00ea e elas se transformaram durante o caminho. A cada show tinha uma coisinha nova. A\u00ed no come\u00e7o de 2024, quando fomos parar para gravar, elas ficaram totalmente diferentes. Ent\u00e3o o show meio que acaba reverberando e espelhando esses processos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00edvia: A gente tamb\u00e9m ficou fazendo as m\u00fasicas do \u201cInterfer\u00eancias na Fazendinha\u201d junto com outras m\u00fasicas que a gente tem trabalhado. E a\u00ed a gente fez v\u00e1rias imers\u00f5es, tocando essas m\u00fasicas de agora, mas tamb\u00e9m trabalhando nesse outro processo por vir ainda. E a\u00ed \u00e9 um outro processo dentro do processo, que acabou surgindo. Nos shows tocamos algumas desse outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9, deu pra perceber que tinham m\u00fasicas que n\u00e3o eram do disco no show.<\/strong><br \/>\nIgor: \u00c9, tem umas coisas que n\u00e3o s\u00e3o desse disco que j\u00e1 est\u00e3o rolando agora. Esse processo realmente invade o outro assim, a gente toca algumas coisas j\u00e1 engatilhando pro futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00edvia: Na turn\u00ea do &#8220;Tempo El\u00e1stico\u201d a gente j\u00e1 foi fazendo uma coisa assim tamb\u00e9m, tocando um pouco das outras que viriam.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"gueersh - Luz Guia (ao vivo Capitania do Som)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wBnZH9_uU48?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O esquema dos shows \u00e9 sempre um lance mais espont\u00e2neo assim?<\/strong><br \/>\nGuilherme: Grava\u00e7\u00e3o e show s\u00e3o coisas bem diferentes. Nesse tempo que a gente est\u00e1 junto, realmente acho que a gente se dedicou bem mais em trabalhar no que \u00e9 uma m\u00fasica ao vivo do que em t\u00e9cnicas de grava\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o acho que nesse ponto de grava\u00e7\u00e3o a gente ainda tem muito a observar para fazer coisas mais interessantes. Mas a\u00ed o show\u2026 qual foi sua pergunta mesmo? (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se \u00e9 uma coisa mais espont\u00e2nea ao vivo do que tocar essas m\u00fasicas em grava\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\nGuilherme: \u00c9, pra gente o show \u00e9 mais espont\u00e2neo, mas tamb\u00e9m tem bastante pr\u00e1tica do que \u00e9 pra acontecer no palco. Inclusive agora tem um novo integrante do grupo, que \u00e9 a bandeira que a gente est\u00e1 levando desde que passamos a fazer coisas no teatro, em cenografia e tal. Tem essa parte de arte visual da banda tamb\u00e9m, que o David faz, ent\u00e3o meio que a gente t\u00e1 evoluindo essas coisas todas juntas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou como se a bandeira fosse um integrante novo da banda. Quem fez a bandeira?<\/strong><br \/>\nL\u00edvia: V\u00e1rias pessoas. Eu fiz a parte da costura em si, com ajuda da minha av\u00f3 e amigos: P\u00e2mela, Maria Rita, Guilherme, ficamos muito tempo fazendo\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: A bandeira \u00e9 feita de restos do que usamos no clipe, de coisas que a gente usou para fazer a cenografia dele. Ent\u00e3o foi uma ideia que tive na \u00e9poca e a gente foi desenvolvendo junto. Tem a bandeirinha do merch tamb\u00e9m, e a gente t\u00e1 tentando unir essas coisas todas\u2026 Um dia Igor vai se vestir de morcego!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00edvia: Sim!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu fiquei reparando nos t\u00edtulos das m\u00fasicas do disco novo e parece que t\u00e1 mais sat\u00edrico em rela\u00e7\u00e3o ao anterior. Isso \u00e9 proposital ou foi meio espont\u00e2neo?<\/strong><br \/>\nIgor: \u00c9 espont\u00e2neo. Acaba que a gente se depara com nomes, brincadeiras e bobeiras, que aqui \u00e9 todo mundo riso frouxo (risos). Fala uma coisa e j\u00e1 pega, fica a piada interna da coisa. \u201cDjo Djo Piranha\u201d a m\u00e3e de L\u00edvia que batizou, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando sobre \u201cCaxorrin\u201d&#8230; na letra voc\u00ea diz que vai dar leite condensado pro personagem, mas voc\u00ea sabe que n\u00e3o pode dar doce para cachorro, n\u00e9? (risos)<\/strong><br \/>\nL\u00edvia: Sim, sim! Mas \u00e9 qu ele fu\u00e7a o lixo e pega o leite condensado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o voc\u00ea falar que vai dar o leite condensado pra ele n\u00e3o quer dizer que voc\u00ea realmente vai dar, \u00e9 s\u00f3 pra chamar ele e tal.<\/strong><br \/>\nL\u00edvia: \u00c9! Eu quero dar um banho nele na verdade!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Thomaz: \u00c9 a isca. (Risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem v\u00e1rias coisas do disco que percebi que voc\u00eas n\u00e3o tocaram ao vivo porque acho que s\u00e3o colagens sonoras. Voc\u00eas pretendem fazer uma adapta\u00e7\u00e3o para tocar isso no palco vivo ou n\u00e3o necessariamente precisa acontecer?<\/strong><br \/>\nGuilherme: Eu acho que n\u00e3o precisa ser tudo tocado ao vivo, por mais que a maioria a gente toque muito. Eu n\u00e3o tenho esse apego de ter que tocar uma coisa ou outra. Cada dia \u00e9 um dia e cada lugar tem uma coisa. A gente j\u00e1 teve shows muito traum\u00e1ticos por ter um setlist inapropriado. Eu tive shows muito ruins por quest\u00f5es f\u00edsicas tamb\u00e9m. E a\u00ed talvez fosse melhor tocar sentado, sabe? E tocar uma m\u00fasica mais calma\u2026 \u00c0s vezes a gente n\u00e3o sente tanta essa liberdade, se coloca numa posi\u00e7\u00e3o que vai passar um desconforto, o lugar \u00e0s vezes n\u00e3o tem um som adequado, e vai sofrer para tentar tocar uma coisa que n\u00e3o vai dar certo. Ent\u00e3o a gente est\u00e1 tentando agora ser mais leve, mais relaxado, para sentir isso em cada lugar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"A Curtinha - gueersh (ao vivo no sereno sana)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ovorbxeQh4Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu at\u00e9 tinha perguntado para a L\u00edvia o que voc\u00eas iriam tocar hoje e ela falou \u201ca gente ainda n\u00e3o fez o setlist&#8221;. \u00c9 sempre um lance assim? Voc\u00eas pensam 5 minutos antes ou inventam na hora o que vai tocar?<\/strong><br \/>\nGuilherme: A gente j\u00e1 tocou sem setlist algumas vezes. Foi o caos completo, de sair desnorteado de quem sou, tipo por ter passado mil coisas, e j\u00e1 teve dias muito bons\u2026 n\u00e3o que esses dias tenham sido ruins, mas muito mais ca\u00f3ticos. Em algum momento a gente usou um setlist mais padr\u00e3o e foi trocando umas m\u00fasicas. Na \u00faltima turn\u00ea a gente repetiu muito uma ordem e ficamos muito bons nisso. No final a gente estava muito bem treinado nas transi\u00e7\u00f5es. A\u00ed agora todos os shows que a gente fez foram setlists diferentes, teve show que a gente fez sem setlist, teve show que a gente fez em cima da hora, teve show que a gente tem sei l\u00e1, dez possibilidades de setlist\u2026 E vamos misturando e sentindo como est\u00e1 a temperatura das pessoas, do lugar. \u00c9 uma coisa que a gente depende de uma troca, sen\u00e3o n\u00e3o vai fluir. Por que a gente vai com uma coisa pr\u00e9-concebida, que talvez fa\u00e7a a gente quebrar a cara, sabe? Estamos tentando ir por um caminho que flua mais assim. Isso quer dizer \u00e0s vezes passar um pouco mais de azia e ansiedade (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Comparando que voc\u00eas j\u00e1 tocaram aqui e fora do Brasil, voc\u00eas sentem que rola uma receptividade diferente pro material mais experimental? Como \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o das plateias de l\u00e1 em compara\u00e7\u00e3o com as daqui?<\/strong><br \/>\nIgor: Quando a gente tocou fora no ano passado, essas m\u00fasicas ainda estavam em forma\u00e7\u00e3o. Mas assim, em termos de receptividade, as pessoas l\u00e1 fora n\u00e3o costumam saber o que est\u00e1 por vir. Agora parece que a gente se comunica melhor, a ponto de algu\u00e9m esperar alguma coisa assim (risos). Ent\u00e3o \u00e9 meio surpresa, tipo o circo come\u00e7ando. Mas sempre rola o apoio moral, no m\u00ednimo. Ningu\u00e9m nunca chegou e falou que odiou, no m\u00e1ximo fez uma cara de dor de cabe\u00e7a (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00edvia: De querer abaixar um amp, alguma coisa assim\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: \u00c9, abaixar o amp acontece. Eu mesmo abaixaria o amp, mas \u00e0s vezes tem que ficar mais alto do que eu gostaria. Ent\u00e3o faz parte esse tipo de coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Thomaz: Cuidado com seus ouvidos, tem que cuidar dos seus ouvidos, galera jovem. \u00c9 bom usar um protetor \u00e0s vezes, cuidar do volume\u2026 isso \u00e9 bom!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: Limpar o ouvido tamb\u00e9m \u00e9 bom, fazer lavagem, usar um cotonete (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Inclusive eu reparei que voc\u00ea estava usando protetor auricular no show hoje. Mas \u00e9 porque a guitarra est\u00e1 muito alta para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nGuilherme: Eu t\u00f4 usando protetor agora, nunca usei antes. Dois dias atr\u00e1s a gente tocou no Rio e o amplificador de guitarra estava a uns 15 cm da minha orelha e foi doideira. Ficou alto e estou com dor at\u00e9 agora, uns dois dias com dor em volta da minha orelha, dor f\u00edsica mesmo. No outro dia minha cabe\u00e7a ficou bem estranha, os dois ouvidos doendo muito. E a\u00ed eu procurei na internet mas n\u00e3o tinha muita informa\u00e7\u00e3o sobre isso\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A\u00ed voc\u00ea leu no Google que est\u00e1 com c\u00e2ncer, n\u00e9? N\u00e3o fa\u00e7a isso\u2026(risos)<\/strong><br \/>\nGuilherme: \u00c9, eu descobri que eu vou perder meu p\u00e9 porque o sangue est\u00e1 coagulando (risos)&#8230; Mas a\u00ed tem que preservar o ouvido por um tempo para ver se alguma coisa se regenera porque talvez algum percentual de audi\u00e7\u00e3o eu devo ter perdido. Mas deve ser bem pequeno, eu espero. Am\u00e9m.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"gueersh apresenta No Caminho da Fazendinha - ao vivo no Teatro de Bolso (Campos dos Goytacazes)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vQteoIwucVI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Papo de m\u00fasico nerd: voc\u00eas n\u00e3o tocam em afina\u00e7\u00e3o normal n\u00e3o, n\u00e9? Percebi que em certos momentos voc\u00ea mudou os tons de algumas cordas. Qual \u00e9 a afina\u00e7\u00e3o que voc\u00eas usam?<\/strong><br \/>\nGuilherme: Ih, fodeu (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>David, reparei que voc\u00ea usa uma afina\u00e7\u00e3o bem grave\u2026<\/strong><br \/>\nDavid: \u00c9 um tom abaixo, basicamente. Vou falar a verdade, cara. Entregar o ouro\u2026 (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Olha s\u00f3, se \u00e9 segredo e prefere n\u00e3o falar, eu corto aqui!<\/strong><br \/>\nDavid: N\u00e3o n\u00e3o, eu fa\u00e7o quest\u00e3o de falar (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas como funciona? Porque as partes que o Guilherme toca e o que voc\u00ea faz s\u00e3o diferentes, mas s\u00e3o complementares. Voc\u00ea vai fazendo tudo por ouvido? Voc\u00ea fica olhando o que ele faz ou vai na sensa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nDavid: Na sensa\u00e7\u00e3o mesmo. A gente se encontra em N\u00e1rnia.(risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Legal! Eu n\u00e3o conseguiria fazer isso, tenho um ouvido ruim, tenho sempre que ficar olhando ali\u2026<\/strong><br \/>\nDavid: \u00c9 que a gente cheira muito chul\u00e9 um do outro, n\u00e9? A\u00ed j\u00e1 viu, n\u00e9? (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acho que \u00e9 muito foda a forma como as guitarras conversam, foi uma das coisas que me atraiu no som de voc\u00eas ouvindo o disco, antes mesmo de ver ao vivo. Citando a minha amiga Isabella, ela falou que \u201cVaninha Perereca\u201d era a \u201cMarquee Moon Tropical\u201d ou alguma coisa assim (risos). Com esse disco, percebo que voc\u00eas est\u00e3o indo muito mais para uma onda do krautrock do NEU! ou coisa assim. Isso \u00e9 espont\u00e2neo? Ou voc\u00eas pensam \u201cvamos fazer algo mais nesse sentido&#8221;?<\/strong><br \/>\nGuilherme: Cara, se a gente quisesse fazer uma m\u00fasica ser de um jeito, provavelmente ia ficar de outro jeito\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Thomaz: Um bolero!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: Ou ia ficar de um outro jeito que n\u00e3o esse a\u00ed. Essa a gente tocou muito j\u00e1, e ela at\u00e9 ganhou uma pegada, um beat que \u00e9 meio krautrock no meio, mas ele nem existia. Foi no momento que aquilo come\u00e7ou a acontecer assim, ent\u00e3o ela j\u00e1 foi de muitas formas. Inclusive agora ela \u00e9 diferente da grava\u00e7\u00e3o e a gente ficou uns meses sem toc\u00e1-la. Quando a gente foi tocar, ela ficou mais diferente ainda. Agora a gente est\u00e1 conseguindo tocar mais parecido com a grava\u00e7\u00e3o para ficar meio tem\u00e1tico do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Geralmente o David que faz as artes visuais da banda. Foi o David que fez a capa do \u201cInterfer\u00eancias na Fazendinha\u201d tamb\u00e9m? Qual foi o conceito?<\/strong><br \/>\nDavid: Cara, assim como na m\u00fasica, a gente faz as outras coisas tudo junto, todo mundo dando ideias, falando coisas. Foi bem coletivo. N\u00e3o lembro exatamente o conceito, a gente n\u00e3o conversou muito bem sobre isso. Eu fiz umas coisas e a gente foi dando pitaco e a\u00ed chegou nessa coisa. Todos juntos e opinando, fazendo junto e trocando ideias, botando pra frente. \u00c9 isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o lance do nome \u201cFazendinha\u201d \u00e9 como se fosse um retrato de experi\u00eancias de voc\u00eas no s\u00edtio Sereno Sana?<\/strong><br \/>\nGuilherme: Tamb\u00e9m, mas \u201cfazendinha\u201d \u00e9 uma g\u00edria l\u00e1 do Rio que eu n\u00e3o sei explicar. \u00c9 tipo um \u201clugar de prazer\u201d. A gente sempre brinca com isso em v\u00e1rios contextos, usamos essa palavra muito entre a gente, a\u00ed ela tem v\u00e1rios sentidos internos. E as coisas foram se complementando com o tempo, assim como todas essas m\u00fasicas surgiram de improviso nos nomes. E nessa tem\u00e1tica, coisas que foram se construindo com tempo. A gente foi refletindo sobre isso, entendendo coisas que surgiram nas m\u00fasicas, nas letras, no instrumento e no som. E esse nome surgiu no final. Era tipo &#8220;gueersh e seus amiguinhos na Fazendinha&#8221;, &#8220;gueersh n\u00e3o sei o que na Fazendinha&#8221;&#8230; A\u00ed a gente ficou brincando com esse nome um tempo, at\u00e9 que chegou o nome \u201cInterfer\u00eancias na Fazendinha&#8221;. Talvez daqui a um ano fosse outra coisa. \u201cOutra coisa na Fazendinha\u201d vai ser o volume dois, hein? Aten\u00e7\u00e3o! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00edvia: E tamb\u00e9m tem a ver com esse retrato do que a gente ficou ali gravando e passando tempo junto nesse lugar, que \u00e9 o s\u00edtio Sereno Sana, na serra de Maca\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: Nosso amigo Rafael Rezende \u00e9 o nosso empres\u00e1rio, ele que deixa a gente ficar l\u00e1 no s\u00edtio. Ele investe \u201cdinheiro energ\u00e9tico\u201d na gente, \u201cdinheiro espiritual&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Thomaz: Ele investe vibes na gente h\u00e1 muito tempo, e \u00e9 muito bonito estar l\u00e1 com ele, todo mundo junto, comendo o macarr\u00e3o com sardinha que o Igor faz muito bem semanalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00edvia: Sim, total!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: Mas no sereno n\u00e3o tem sardinha, no sereno \u00e9 \u00e1gua!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00edvia: Tem cultura, \u00e1gua e trabalho (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bom, acho que j\u00e1 podemos encerrar. Tem alguma coisa que acham que eu n\u00e3o abordei nas perguntas e voc\u00eas querem falar? Fiquem \u00e0 vontade.<\/strong><br \/>\nL\u00edvia: Comprem merchs! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 sim por favor n\u00e9? Comprem merch sempre! Mas lembrei de uma outra quest\u00e3o: antes voc\u00eas estavam fazendo a turn\u00ea com a Charanga (uma Parati 1.8 de 1993 que foi roubada durante a passagem da banda por Montevid\u00e9u\/Uruguai em 2023). Agora voc\u00eas est\u00e3o fazendo a turn\u00ea com qual carro?<\/strong><br \/>\nThomaz: agora \u00e9 um golzinho. Exatamente um golzinho 201 G4, tirado do umbral para fazer essa essa viagem (risos). Ele estava no esquecimento dos carros, a Charanga foi embora e ele apareceu como o substituto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RIP Charanga.<\/strong><br \/>\nL\u00edvia: RIP Charanga\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: O golzinho 1.0 duas portas, com os instrumentos amarrados em cima numa lona velha, meio fodida, cheio de madeira remendando\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00edvia: Com c\u00e2mara de ar\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: Com c\u00e2mara de ar e corda! O carro, coitado, arriado. Parece que ele t\u00e1 pulando mas\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quem dirige? Todos voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nGuilherme: A gente vai dividindo. A\u00ed tem uma coisa que \u00e9 importante: tem o piloto, o co-piloto e\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor: O co-co-piloto tamb\u00e9m, que \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o menos importante. O co-co-piloto que auxilia o co-piloto, porque tem certos co-pilotos que \u00e9 uma loucura. A\u00ed tem que ter um co-co-piloto para ajudar moralmente, porque o co-co-piloto \u00e9 uma merda tamb\u00e9m, ent\u00e3o o co-piloto soma um co-piloto ruim e no final, d\u00e1 um s\u00f3. At\u00e9 dar merda!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00edvia: Ontem teve o co-co-co-piloto! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor: Foi necess\u00e1rio o co-co-co piloto para resolver a situa\u00e7\u00e3o! (risos)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"TERRA SESSIONS - Gueersh\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/x7e56mgIFck?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ap\u00f3s chamar a aten\u00e7\u00e3o da cena independente com seu disco de estreia, \u201cTempo El\u00e1stico\u201d (2023), o quinteto fluminense gueersh retorna com uma nova proposta sonora no \u00e1lbum \u201cInterfer\u00eancias na Fazendinha\u201d (2024).\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/01\/06\/entrevista-gueersh-explora-novas-paisagens-sonoras-com-interferencias-na-fazendinha\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":86398,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[6646],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86389"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=86389"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86389\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":86401,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86389\/revisions\/86401"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/86398"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=86389"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=86389"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=86389"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}