{"id":8635,"date":"2011-06-07T22:26:03","date_gmt":"2011-06-08T01:26:03","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=8635"},"modified":"2025-07-15T12:50:23","modified_gmt":"2025-07-15T15:50:23","slug":"quatro-dias-na-vida-quatro-shows","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/06\/07\/quatro-dias-na-vida-quatro-shows\/","title":{"rendered":"Quatro shows: PJ Harvey, Eric Clapton &#038; Steve Winwood, Art Brut, The Kills"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto, v\u00eddeos e fotos por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"PJ Harvey - Sky Lit Up - Live Paradiso, Amsterd\u00e3, 31\/05\/2011\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HwipbV4Q1cE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>PJ Harvey, Paradiso, Amsterd\u00e3 \u2013 31\/05\/2011<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Paradiso, em Amsterd\u00e3, \u00e9 uma velha igreja do s\u00e9culo 19 que foi transformada em sal\u00e3o de shows em 1968 (ap\u00f3s uma frustrada invas\u00e3o de hippies no ano anterior). De 1968 para c\u00e1 j\u00e1 passaram pela casa quase todas as grandes lendas do rock. Dos Stones (que fizeram dois shows semi-acusticos no local em 1995) aos Sex Pistols, do Joy Division ao Arcade Fire, do Nirvana ao Wilco, a lista \u00e9 imensa. H\u00e1 um sal\u00e3o principal, dois an\u00e9is superiores (no total, pouco mais de 1500 pessoas por show) e mais duas salas para apresenta\u00e7\u00f5es intimistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A turn\u00ea \u201cLet England Shake\u201d, de Pj Harvey, tem estado sold out em quase todas as cidades pela qual passa, e em Amsterdam n\u00e3o foi diferente. Os ingressos se esgotaram t\u00e3o rapidamente que uma segunda data foi marcada, e tamb\u00e9m esgotou. Na noite do primeiro show nada de cambistas na porta (apesar de na internet ser poss\u00edvel comprar o ingresso por 90 euros \u2013 na bilheteria era 40), mas sim muita gente vendendo pelo pre\u00e7o que pagou. O problema \u00e9 entender o holand\u00eas. Quando algu\u00e9m oferece um ingresso na l\u00edngua p\u00e1tria, no mesmo instante vende. S\u00f3 alguns segundos depois os \u201cturistas\u201d percebem a negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No segundo dia, por\u00e9m, a sorte bate no ombro. \u201cVoc\u00eas querem ingressos? Eu comprei para os dois dias, e ontem foi sensacional, mas n\u00e3o vou poder ir hoje. Vou ter que ficar cuidando dela\u201d. Ela, no caso, era um bebe em um carrinho, e os ingressos saem pelos mesmos 40 euros da bilheteria. Neg\u00f3cio feito, hora de ir \u00e0 igreja. Cerca de 30 pessoas j\u00e1 est\u00e3o postadas frente ao palco uma hora e meia antes do show, mas optamos por um local mais singular: um banco no terceiro piso, quase dentro do palco. O local enche rapidamente criando um clima intimista e ent\u00e3o Polly Jean adentra o palco\u2026 vestida de preto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio dos shows anteriores da turn\u00ea (ao menos em S\u00e3o Francisco, no Coachella e no Primavera Sound), em que a cantora se apresenta de vestido longo branco, nesta segunda noite em Amsterd\u00e3, PJ aparece no Para\u00edso trajando luto, mas o show \u00e9 muito mais alegre do que os anteriores. Boa parte do m\u00e9rito \u00e9 do p\u00fablico, que aplaude efusivamente todas as can\u00e7\u00f5es do dif\u00edcil e belo disco novo da cantora, que \u00e9 tocado absolutamente na integra (incluindo um b-side). Para surpresa de alguns, \u201cThe Sky Lit Up\u201d surge na primeira parte do show, mas a dobradinha \u201cDown by the Water\u201d e \u201cC\u2019mon Billy\u201d \u00e9 o \u00e1pice.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A apresenta\u00e7\u00e3o segue o mesmo roteiro que o show em S\u00e3o Francisco: ela n\u00e3o dirige nenhuma palavra ao p\u00fablico at\u00e9 o adeus, 18 m\u00fasicas depois. Retorna para o bis cl\u00e1ssico (\u201cBig Exit\u201d, \u201cAngelene\u201d e \u201cSilence\u201d) e se despede, mas os holandeses querem mais, e aplaudem por mais de cinco minutos at\u00e9 que a cantora quebra o protocolo da turn\u00ea e retorna para um segundo bis (&#8220;The Piano&#8221; e &#8220;Meet Ze Monsta&#8221;), e s\u00f3 n\u00e3o toca mais porque a noite j\u00e1 consumiu todas as can\u00e7\u00f5es que a banda tem ensaiado. \u201cTocamos tudo\u201d, desculpa se Polly, que deixa o para\u00edso debaixo de uma grande salva de palmas. Am\u00e9m.<\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5793596934\/in\/set-72157626848396468\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8638 aligncenter\" title=\"clapton\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/clapton.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/clapton.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/clapton-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/a><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Eric Clapton e Steve Winwood, Royal Albert Hall, Londres \u2013 01\/06\/2011<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Royal Albert Hall, em Londres, \u00e9 uma sala de espet\u00e1culos em frente ao Hyde Park inaugurada em 1871 pela rainha Victoria, que a batizou em homenagem ao falecido esposo Albert. O local \u00e9 imenso e o sal\u00e3o oval pode receber at\u00e9 8 mil pessoas. \u00c9 uma casa charmosa, que nesta noite recebe o encerramento da tour que uniu Eric Clapton e Steve Winwood, ex-parceiros no Blind Faith. A reuni\u00e3o j\u00e1 ganhou lan\u00e7amento em CD e DVD de um registro no Madison Square Garden, e baixou em Londres com covers de Jimi Hendrix e Muddy Waters al\u00e9m de hinos pr\u00f3prios do quilate de \u201cLayla\u201d e \u201cCocaine\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O charme do Albert Hall, no entanto, n\u00e3o consegue evitar o distanciamento para aqueles que est\u00e3o sentados nos segundo e terceiro an\u00e9is ou em p\u00e9 na galeria superior. O som \u00e9 perfeito, mas a vis\u00e3o v\u00e1rias vezes \u00e9 prejudicada, o que impede uma intera\u00e7\u00e3o completa com o espet\u00e1culo. N\u00e3o tira o brilho da noite, mas n\u00e3o a torna m\u00e1gica. A base do repert\u00f3rio do show s\u00e3o can\u00e7\u00f5es do Blind Faith, grupo que Clapton e Winwood tiveram em 1968 ao sa\u00edrem, respectivamente, do Cream (o baixista Ginger Baker tamb\u00e9m se uniu ao projeto) e do Traffic (Ric Grech completava a forma\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eric Clapton adentra o palco com uma Fender azul bebe que ser\u00e1 trocada apenas uma vez durante a noite inteira (por uma preta em \u201cCocaine\u201d \u2013 descontando o set ac\u00fastico ao viol\u00e3o, claro) e abre o show com \u201cHad To Cry Today\u201d, que tamb\u00e9m abre o \u00fanico disco do Blind Faith, hom\u00f4nimo, de 1969. Ele tem apenas dois pedais a sua frente, sendo que um deles \u00e9 um wah-wah (que ser\u00e1 usado em apenas duas m\u00fasicas), e a economia nos efeitos engrandece o tour de force de riffs e solos m\u00e1gicos que o guitarrista arranca de sua guitarra. Ela fala alto, e fatia a atmosfera do Albert Hall em pedacinhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5793049985\/in\/set-72157626848396468\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8639 aligncenter\" title=\"steve\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/steve.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"563\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Steve Winwood se alterna entre o piano, o viol\u00e3o e a guitarra, e apesar de n\u00e3o lembrar v\u00e1rias letras (um tele-prompter enorme a beira do microfone o auxilia), ainda canta muito. Mesmo Clapton, quando rasga a voz, emociona, mas o ponto alto da noite acontece sempre que o homem mostra porque um dia foi chamado de o Deus da Guitarra. Eric Clapton impressiona. Ele parece estar entregue ao instrumento, que ressoa na bel\u00edssima ac\u00fastica de forma espetacular. A guitarra parece uma extens\u00e3o do m\u00fasico, e exprime os sentimentos do bluesman como ningu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O repert\u00f3rio n\u00e3o traz nenhuma surpresa. \u201cAfter Midnight\u201d se junta a \u201cPresence of The Lord\u201d. \u201cGlad\u201d (Traffic) e \u201cWell All Right\u201d surgem na sequencia, e o primeiro graaaande momento da noite acontece com \u201cHoochie Coochie Man\u201d. Robert Johnson \u00e9 lembrado com \u201cCrossroads\u201d, mas o p\u00fablico vai ao del\u00edrio realmente com a vers\u00e3o linda de \u201cGeorgia On My Mind\u201d. O set ac\u00fastico \u00e9 aberto com \u201cDriftin\u201d e ainda conta com \u201cLayla\u201d (a mais aplaudida e cantada durante as duas horas de show) e \u201cCan\u2019t Find My Way Home\u201d. Quem ainda n\u00e3o tinha se rendido a dupla o faz em \u201cVoodoo Chile\u201d, de Jimi Hendrix. E \u201cDear Mr. Fantasy\u201d, j\u00e1 no bis, encerra a noite de maneira consagradora.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5800190274\/in\/set-72157626848396468\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-8640\" title=\"artbrut\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/artbrut.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"563\" \/><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Art Brut, The Lexington, Londres \u2013 02\/06\/2011<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos nov\u00edssimos locais de shows surgidos nos \u00faltimos dois anos em Londres, o pub Lexington arrisca na proposta de unir m\u00fasica, cerveja e boa comida. Na parte inferior o local abriga um pub com \u00f3timas cervejas de torneira (incluindo a norte-americana Brooklyn) e um card\u00e1pio que j\u00e1 foi elogiado pelo Guardian (\u201co Hoppin&#8217; John \u00e9 particularmente saboroso \u2013 feij\u00e3o-fradinho com peda\u00e7os de bacon e arroz&#8221;, cravou o jornal). A parte superior traz uma pista de dan\u00e7a (\u201cA m\u00fasica oferecida varia drasticamente\u201d, informa a Time Out) que, ocasionalmente, \u00e9 ocupada por uma banda de rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00faltima semana do m\u00eas de maio (come\u00e7o de junho) estava reservada, de segunda a sexta, ao Art Brut, sendo que as tr\u00eas \u00faltimas noites (quarta, quinta e sexta) ficaram sold out (o local n\u00e3o deve receber mais do que 200 pessoas). O quinteto mezzo alem\u00e3o mezzo brit\u00e2nico est\u00e1 lan\u00e7ando seu quarto disco, \u201cBrilliant! Tragic!\u201d, que assim como o anterior foi produzido por Frank Black (Pixies). \u201cBrilliant! Tragic!\u201d \u00e9 excelente, e caiu na internet no come\u00e7o de maio, mas a lojinha da banda improvisada no Lexington oferece (al\u00e9m de camisetas e botons) o CD por 12 libras e o vinil (capa dupla, luxuosa) por apenas 15.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Lost Weekend&#8221;, primeiro single do disco novo, d\u00e1 boas vindas ao p\u00fablico e \u00e9 um resumo do que ser\u00e1 presenciado durante toda a noite: o desajeitado e extremamente espirituoso vocalista Eddie Argos falando pelos cotovelos enquanto o baterista (que toca em p\u00e9 durante todo o show) Mikey Breyer mant\u00e9m o peso pop da cadencia da can\u00e7\u00e3o, a baixista Freddy Feedback acaria as cordas e canta a letra e os guitarristas Catskilkin Ian e Jasper &#8220;Jeff&#8221; Future despejam belos riffs de guitarra para um p\u00fablico que est\u00e1 a fim de pular, jogar cerveja para o alto e dan\u00e7ar muito. O clima \u00e9 o melhor poss\u00edvel.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Art Brut - Modern Art (Live at Lexington Club, London, 02\/06\/11|)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Dx9L3OSWWKs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A receita da festa \u00e9 simples e o Art Brut n\u00e3o decepciona. \u201cMy Little Brother\u201d, um dos hits do primeiro disco, \u00e9 o segundo n\u00famero da noite e toda mundo grita a letra ensandecida: \u201cMy little brother just discovered Rock and Roll \/ There&#8217;s a noise in his head, and he&#8217;s out of control\u201d. &#8220;Alcoholics Unanimous&#8221;, can\u00e7\u00e3o que abre o terceiro disco, \u201cArt Brut vs Satan\u201d (que deve ter passado batido at\u00e9 pelos familiares da banda), acelera o ritmo da festa, e em menos de 10 minutos de show j\u00e1 tem gente flutuando sobre o p\u00fablico. A baixista Freddy, mesmo espremida no canto do palco e sem microfone, canta todas as letras \u2013 e essa \u00e9 a quarta noite do Art Brut no Lexington.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAxl Rose\u201d, um dos destaques do disco novo com linha de baixo estilo Kim Deal e letra babona de Argos sobre o eterno Guns N&#8217; Roses, leva o vocalista para o meio da galera. A banda faz um improviso, Argos faz umas piadas, e a m\u00fasica recome\u00e7a a toda fazendo todo mundo pular loucamente. O show mistura \u00f3timas can\u00e7\u00f5es novas (\u201cMartim Kemp\u201d, &#8220;Sexy Sometimes&#8221; \u2013 faltou a chicletuda \u201cBad Comedian\u201d) com hits (\u201cEmily Kane\u201d, \u201cFormer a Band\u201d e \u201cModern Art\u201d) e o pique de Eddie Argos impressiona: ele canta, pula, faz stage dive, improvisa hist\u00f3rias e diverte todo mundo. O show termina de forma insana (veja o v\u00eddeo) deixando clara a certeza: o mundo pop n\u00e3o \u00e9 justo. Tai uma banda que merecia estar em capas de revistas, brilhando no Top Of The Pops e sendo sondada para shows no Brasil. Desde quando o marketing e o hype ficaram mais importantes do que a m\u00fasica? Deixa pra l\u00e1&#8230; e tente ver o Art Brut ao vivo. Vale muito.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5799944403\/in\/set-72157626848396468\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-8641\" title=\"kills1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/kills1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"563\" \/><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>The Kills, Roundhouse, Londres \u2013 03\/06\/2011<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Roundhouse fica em Chalk Farm, bairro londrino depois de Camden Town, e quem conhece a capital inglesa sabe que o termo \u201cdo outro lado da cidade\u201d pode ser usado com propriedade aqui (mas o metr\u00f4 deixa o p\u00fablico na porta em menos de 20 minutos a partir do centro). O local foi constru\u00eddo em 1847 e funcionou como armaz\u00e9m durante d\u00e9cadas at\u00e9 cair em desuso ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial. Foi recuperado no come\u00e7o dos anos 60 e transformado em local de eventos art\u00edsticos recebendo o nome de Centro 42 e (entre 1964 e 1982) shows de gente como Doors, Jimi Hendrix, Led Zeppelin, Pink Floyd, Clash e Motorhead (entre outros). Passou a se chamar Roundhouse em 1996 e na primeira sexta de junho de 2011 est\u00e1 sold out.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os culpados em fazer evaporar 3.300 ingressos s\u00e3o Alison &#8220;VV&#8221; Mosshart e Jamie &#8220;Hotel&#8221; Hince, que juntos atendem pelo nome de The Kills, e est\u00e3o na cidade divulgando o quarto disco da banda, \u201cBlood Pressures\u201d, lan\u00e7ado oficialmente no m\u00eas de abril. \u201cNo Wow\u201d, faixa t\u00edtulo do segundo disco da dupla, abre os trabalhos. Uma enorme tela com estampa de oncinha reflete o trabalhado jogo de luzes no fundo do palco, mas todas as aten\u00e7\u00f5es est\u00e3o voltadas para Alison e Jamie, que parecem enfeiti\u00e7ar a audi\u00eancia. &#8220;Future Starts Slow&#8221;, que abre o novo disco, \u00e9 recebida com urros, e parece sintom\u00e1tico que o Kills est\u00e1 prestes a entrar no primeiro escal\u00e3o do cen\u00e1rio indie.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Heart Is a Beating Drum&#8221;, outra nova, traz Alison cantando muito e sacudindo a imensa cabeleira negra para frente e para tr\u00e1s. Ela se contorce, geme, parece tomar choque do microfone, da guitarra e do ar e deixa todo mundo em transe. Na segunda parte da can\u00e7\u00e3o pega uma Fender, e ajuda Jamie a dar mais corpo de barulho para a m\u00fasica. O p\u00fablico (metade masculino, metade feminino) vai ao del\u00edrio e se declara para a vocalista. &#8220;Kissy Kissy&#8221;, do primeiro disco, \u00e9 um presente para os f\u00e3s das antigas (como se 2003 fosse um outro s\u00e9culo), que ainda vibram com &#8220;U.R.A. Fever&#8221;, um dos singles do terceiro \u00e1lbum da dupla, \u201cMidnight Boom\u201d (2008).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5801975525\/in\/set-72157626848396468\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8642 aligncenter\" title=\"kills2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/kills2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"563\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nova fase de Alison e Jamie \u00e9 exibida no blues eletr\u00f4nico \u201cDNA\u201d e na esporrenta \u201cSatellite\u201c, que trazem ao palco um trio de backing vocals. \u201cTape Song&#8221; (outra de \u201cMidnight Boom\u201d) novamente leva Alison para a guitarra. A can\u00e7\u00e3o cresce e o refr\u00e3o (\u201cYou&#8217;ve got to go straight ahead\u201d) ecoa no Roundhouse. Duas can\u00e7\u00f5es novas (\u201c&#8221;Baby Says&#8221; e &#8220;You Don&#8217;t Own the Road&#8221;) encaminham o show para o final, e o single &#8220;Sour Cherry&#8221; promove o caos no palco. Alison berra como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3 e Jamie auxilia no vocal enquanto mastiga o riff sujo na guitarra at\u00e9 o final apote\u00f3tico. O duo agradece e deixa o palco. O p\u00fablico segue o ritual e entoa o pedido de bis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alison \u201cV\u201d Mosshart volta ao palco de roupa cintilante para cantar a baladinha sessentista \u201cLast Goodbye\u201d, que parte cora\u00e7\u00f5es. Ela caminha suavemente como se estivesse andando de salto alto sobre um cora\u00e7\u00e3o, e gesticula para o p\u00fablico como se quisesse tocar uma m\u00e3o imagin\u00e1ria \u2013 e a audi\u00eancia responde com urros. Outra m\u00fasica nova, o blues \u201cPots and Pans\u201d, mant\u00e9m o clima de boteco no ar, mas basta Jamie soltar na bateria eletr\u00f4nica a batida simples de \u201cFried My Little Brains\u201d, do disco de estreia, reconhecida pelo p\u00fablico nos primeiros segundos, para o local virar uma festa. O show termina deixando a sensa\u00e7\u00e3o que o Kills j\u00e1 soou muito mais pesado e insano, mas ainda seduz a audi\u00eancia como poucos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Quatro dias na vida&#8230; quatro grandes shows. Se a vida fosse sempre assim&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Kills - Live 2011  [Full Set] [Live Performance] [Concert] [Complete Show]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cfL_ohb_Xn4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"PJ Harvey @ Down By The Water - Live Paradiso, Amsterd\u00e3, 31\/05\/2011\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nagWwvrvtIM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Eric Clapton and Steve Winwood: Layla - Royal Albert Hall - May 27th 2011\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3WiTsmtBRYg?list=PL85F51A532A613E5C\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Primavera Sound, em Barcelona (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/tag\/primavera2011\">aqui<\/a>) e Coachella Festival, em Indio (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/tag\/coachella\">aqui<\/a>), por Marcelo Costa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nNuma ter\u00e7a-feira em Amsterd\u00e3, PJ Harvey; quarta, quinta e sexta em Londres: Clapton e Steve Winwood, Art Brut e The Kills&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/06\/07\/quatro-dias-na-vida-quatro-shows\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":90257,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[414],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8635"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8635"}],"version-history":[{"count":38,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8635\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":90264,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8635\/revisions\/90264"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90257"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8635"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8635"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8635"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}