{"id":8614,"date":"2011-06-07T18:59:02","date_gmt":"2011-06-07T21:59:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=8614"},"modified":"2023-03-29T00:45:16","modified_gmt":"2023-03-29T03:45:16","slug":"cinema-x-men-primeira-classe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/06\/07\/cinema-x-men-primeira-classe\/","title":{"rendered":"Cinema: X-Men: Primeira Classe"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-8615\" title=\"xmen\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/xmen.jpg\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/xmen.jpg 270w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/xmen-202x300.jpg 202w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/cinezencultural.com.br\/site\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Andr\u00e9 Azenha<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cX-Men: Primeira Classe\u201d \u00e9 um filme que entret\u00e9m, emociona, faz refletir, envolve o espectador como poucos do g\u00eanero e at\u00e9 do cinema \u2013 em \u00e2mbito geral \u2013 produzido atualmente. Se os f\u00e3s de quadrinhos \u2013 sempre exigentes \u2013 estavam receosos, podem dormir sossegados. Apesar das mudan\u00e7as feitas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 origem dos personagens nos gibis, a ess\u00eancia da mitologia est\u00e1 l\u00e1: a busca por aceita\u00e7\u00e3o, o retrato de como o ser humano lida com algo diferente: geralmente com preconceito, medo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os mutantes criados por Stan Lee e Jack Kirby em 1963, e aperfei\u00e7oados ao longo dos anos por Len Wein, Chris Claremont, entre outros autores importantes das HQs, s\u00e3o os \u00edndios na \u00e9poca do descobrimento, os negros durante a escravid\u00e3o, os judeus perseguidos pelo nazismo, os homossexuais marginalizados em tantas \u00e9pocas. Formam uma minoria incompreendida por grande parte da humanidade. Professor Charles Xavier, l\u00edder dos X-Men, e Magneto, seu n\u00eamesis, seriam retratos de Martin Luther King, que acreditava na conviv\u00eancia pac\u00edfica entre negros e brancos, e Malcolm X, adepto do combate para estabelecer sua ra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cX-Men: Primeira Classe\u201d narra o primeiro encontro entre esses dois personagens fascinantes e como os acontecimentos seguintes os levam a tomar caminhos opostos, mostrados na excelente trilogia de 2000, 2003 e 2006. \u00c9 um filme de come\u00e7o. Mais ou menos o que \u201cBatman Begins\u201d foi para a franquia do homem morcego. Com a diferen\u00e7a de que os roteiristas precisaram encaixar as pe\u00e7as da hist\u00f3ria \u2013 Christopher Nolan reiniciou do zero a trajet\u00f3ria do Batman na s\u00e9tima arte. Seria algo como George Lucas realizou na segunda trilogia \u201cStar Wars\u201d. S\u00f3 que o resultado de \u201cPrimeira Classe\u201d \u00e9 muito, muito superior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O roteiro \u00e9 apenas levemente baseado nas primeiras aventuras dos her\u00f3is publicadas nos anos 60, e na s\u00e9rie de gibis hom\u00f4nima de Jeff Parker e Roger Cruz, lan\u00e7ada em 2006 e 2007. Agora, s\u00e3o James McAvoy e Michael Fassbender quem vivem Professor X e Magneto. Ou melhor, apenas Charles Xavier e Eric Lehnsherr. A trama inicia igual ao primeiro \u201cX-Men\u201d, de 2000. Segunda Guerra, 1944. O jovem Eric v\u00ea seus pais serem levados pelos nazistas. A cena repete o que vimos no in\u00edcio do longa de 11 anos atr\u00e1s. Depois, o rapaz \u00e9 capturado por Sebastian Shaw (Kevin Bacon), que mata sua m\u00e3e. Enquanto isso, Charles Xavier \u00e9 apresentado, de inf\u00e2ncia boa, garoto tranq\u00fcilo, que bem novo conhece Raven, a futura M\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8616 aligncenter\" title=\"xmen1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/xmen1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corta para os anos 60. Per\u00edodo de Guerra Fria. Saem os nazistas e entram os comunistas, novos inimigos da Am\u00e9rica. Eric (Fassbender) segue sua vendetta contra Shaw. Xavier (McAvoy) \u00e9 jovem mulherengo, sedutor, esperto, confiante, ainda n\u00e3o utiliza a cadeira de rodas, e realiza importante trabalho de pesquisa gen\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outro ponto da hist\u00f3ria, descobre-se que Shaw \u00e9 mutante e comanda o Clube do Inferno, acompanhado por Emma Frost (January Jones), a Rainha Branca. Eles pretendem levar os Estados Unidos e a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica \u00e0 guerra. Ou seja, o conflito nuclear que poderia resultar na extin\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a humana, deixando o planeta livre para a soberania mutante. A busca de Eric por vingan\u00e7a e a colabora\u00e7\u00e3o de Xavier com o governo norte-americano, visando evitar a batalha nuclear, resultam na reuni\u00e3o dos dois. No entanto, quando v\u00eaem que Shaw tem outros aliados mutantes, a dupla passa a procurar outros da esp\u00e9cie e formar um time para combater os oponentes em igualdade de condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de escrito por v\u00e1rias pessoas, o roteiro surpreende. Faz a hist\u00f3ria progredir de forma inteligente, alternando drama, a\u00e7\u00e3o, romance. \u00c9 coerente com o que foi feito nos tr\u00eas \u201cX-Men\u201d j\u00e1 lan\u00e7ados (fica a d\u00favida para Emma Frost, pois ela faz uma r\u00e1pida apari\u00e7\u00e3o no filme solo do Wolverine). E constr\u00f3i personagens complexos. Desde cedo apresentados como figuras extremamente diferentes, e que se completam, Charles e Eric despertam admira\u00e7\u00e3o igual no espectador. Torcemos pelos dois e os compreendemos da mesma forma. A maneira como s\u00e3o retratados e os fatos que se sucedem nos fazem compreender todas as atitudes tomadas pelas duas figuras na trilogia anterior, quando os personagens, mais velhos, foram vividos magistralmente por Patrick Stewart e Ian McKellen.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se os tr\u00eas filmes anteriores (vamos ignorar \u201cX-Men Origens: Wolverine\u201d, o \u00fanico equ\u00edvoco da saga mutante nas telonas) j\u00e1 demonstravam o car\u00e1ter adulto e profundo da mitologia dos X-Men, equilibrando bem drama e a\u00e7\u00e3o, \u201cX-Men: Primeira Classe\u201d vai al\u00e9m. \u00c9 mais maduro e mais divertido. Fato curioso para um filme que mostra a juventude dos personagens. A\u00ed entra um pouco da influ\u00eancia dos \u201cBatman\u201d de Christopher Nolan: n\u00e3o ter medo de tentar criar uma obra cinematogr\u00e1fica sobre super-her\u00f3i coerente, profunda, que possibilita v\u00e1rias leituras, mas nem por isso abre m\u00e3o da divers\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8617 aligncenter\" title=\"xmen2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/xmen2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/xmen2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/xmen2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o \u00eaxito conta a excelente escolha do elenco, desde os protagonistas at\u00e9 os coadjuvantes. Todos t\u00eam seus momentos, exceto January Jones, que mant\u00e9m sua cara de nada conhecida da s\u00e9rie \u201cMad Men\u201d. A \u00fanica contribui\u00e7\u00e3o da \u201catriz\u201d se d\u00e1 para os tarados de plant\u00e3o, que ter\u00e3o inspira\u00e7\u00e3o em sua lingerie branca. Destacam-se McAvoy e Fassbender, que repetem a intensidade de suas atua\u00e7\u00f5es em trabalhos como \u201cDesejo e Repara\u00e7\u00e3o\u201d, do primeiro, e \u201cBastardos Ingl\u00f3rios\u201d, do segundo. Jennifer Lawrence, que al\u00e7ou o estrelato ap\u00f3s a indica\u00e7\u00e3o merecida no Oscar por \u201cInverno da Alma\u201d, \u00e9 mulher\u00e3o e sensibiliza a plateia ao encarnar algu\u00e9m que precisa aprender a aceitar sua pr\u00f3pria apar\u00eancia. Ela \u00e9 talentosa e vai longe. Kevin Bacon se diverte no papel de bandido, perfeito. E Nicholas Hoult, aquele que contracenou com Hugh Grant e \u201cUm Grande Garoto\u201d, tamb\u00e9m d\u00e1 dramaticidade a Hank McCoy, o Fera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os efeitos visuais s\u00e3o maravilhosos, as cenas de a\u00e7\u00e3o espetaculares, assim como dire\u00e7\u00e3o e arte e figurino \u2013 este remete diretamente aos uniformes dos her\u00f3is na d\u00e9cada de 60 e consegue transpor para a telona as cores sem deixar os personagens rid\u00edculos. A trilha sonora composta por Henry Jackman, que trabalhou em \u201cBatman \u2013 O Cavaleiro das Trevas\u201d, colabora para o clima de tens\u00e3o iminente. Jamais deixa o espectador sequer piscar os olhos. E Matthew Vaughn, de \u201cStardust\u201d (2007) e o sensacional \u201cKick-Ass\u201d, dirige firme toda a equipe. Fez o melhor filme de sua carreira at\u00e9 ent\u00e3o. O longa n\u00e3o \u00e9 100% perfeito. Fora a face blas\u00e9 de January Jones, a maquiagem concebida para o Fera est\u00e1 aqu\u00e9m daquela de \u201cX-Men \u2013 O Confronto Final\u201d, e uma cena de intimidade envolvendo M\u00edstica e Magneto soa um tanto for\u00e7ada. Por\u00e9m, o conjunto da obra deve ser celebrado. \u00c9 raro exemplo de pr\u00e9-sequencia que funciona e n\u00e3o \u00e9 \u00f3bvia tal qual, por exemplo, o pr\u00f3prio \u201cX-Men Origens: Wolverine\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos 80, hist\u00f3rias em quadrinhos como \u201cO Cavaleiro das Trevas\u201d, \u201cBatman: Ano Um\u201d e \u201cWatchmen\u201d levaram os gibis a um novo patamar: de arte que tamb\u00e9m poderia e deveria ser encarada com seriedade. No cinema, as produ\u00e7\u00f5es baseadas nos quadrinhos sempre foram olhadas com desconfian\u00e7a por parte de cr\u00edticos, premia\u00e7\u00f5es, e tidas pelo p\u00fablico como mero entretenimento. A trilogia \u201cX-Men\u201d abriu o caminho, os \u201cBatman\u201d de Nolan sedimentaram o terreno e \u201cX-Men: Primeira Classe\u201d surge para comprovar que filmes de super-her\u00f3is podem ser t\u00e3o profundos e complexos quanto os demais. E t\u00eam uma vantagem. Diferente de obras alternativas, restritas a determinado tipo de expectador, chegam embalados de blockbuster, levando ao grande p\u00fablico reflex\u00e3o, discuss\u00e3o e chamando a aten\u00e7\u00e3o para temas importantes. Oficialmente os her\u00f3is saltaram das p\u00e1ginas e est\u00e3o atuando na sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PS: H\u00e1 duas pontas que divertir\u00e3o os f\u00e3s. Uma, f\u00e1cil de ser reconhecida, \u00e9 de Wolverine (Hugh Jackman), que manda Xavier e Eric para aquele lugar. A outra, que s\u00f3 os mais atentos perceber\u00e3o, envolve Rebecca Romijn-Stamos, a M\u00edstica da trilogia anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"605\" height=\"400\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/0Yq7Za1JnZg\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"605\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/0Yq7Za1JnZg\" \/><\/object><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cBatman Begins\u201d faz esquecer os outros filmes da franquia, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinemadois\/batmanbegins.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cX-Men Origins \u2013 Wolverine\u201d, um passo atr\u00e1s da trilogia, por Adriano Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/05\/14\/x-men-origins-%E2%80%93-wolverine\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Andr\u00e9 Azenha (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/cinezen\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@cinezen<\/a>) \u00e9 jornalista e editor do site <a href=\"http:\/\/cinezencultural.com.br\/site\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CineZen Cultural <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Andr\u00e9 Azenha\nEis um filme que entret\u00e9m, emociona, faz refletir e envolve o espectador como poucos do g\u00eanero e  do cinema em geral atual&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/06\/07\/cinema-x-men-primeira-classe\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":123,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[1134],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8614"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/123"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8614"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8614\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73660,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8614\/revisions\/73660"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8614"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8614"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8614"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}