{"id":85915,"date":"2024-12-11T22:49:59","date_gmt":"2024-12-12T01:49:59","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=85915"},"modified":"2025-01-10T13:21:07","modified_gmt":"2025-01-10T16:21:07","slug":"entrevista-matt-elliott-reflete-sobre-os-20-anos-de-drinking-songs-e-sobre-o-fim-dos-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/12\/11\/entrevista-matt-elliott-reflete-sobre-os-20-anos-de-drinking-songs-e-sobre-o-fim-dos-dias\/","title":{"rendered":"Entrevista: Matt Elliott reflete sobre os 20 anos de &#8220;Drinking Songs&#8221; e o fim dos dias"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lage.guilherme66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Guilherme Lage<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 comum no meio jornal\u00edstico o uso da express\u00e3o &#8220;lost media&#8221;. Ela diz respeito a conte\u00fados que se &#8220;perdem&#8221; em uma c\u00e2mera, arquivo de texto, \u00e1udio, seja l\u00e1 o que for. Com o tempo, algumas delas acabam se tornando algum tipo de lenda urbana, rendem um cochicho ou outro entre admiradores de determinados artistas, curiosos para saber o que foi dito por seus \u00eddolos em dado momento de suas hist\u00f3rias. Nunca imaginei que um dia seria eu a soltar algo assim ao mundo. Esta entrevista, feita com Matt Elliott, foi dada como &#8220;perdida&#8221; por um bom tempo. V\u00e1rias noites mal dormidas depois, pensando na cl\u00e1ssica lam\u00faria dos escritores de &#8220;cara, como isso foi acontecer comigo?&#8221; como em uma grande reviravolta, boa parte da conversa p\u00f4de ser recuperada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do desgosto que tomou conta de boa parte do ano, por ter sido alvo do azar, talvez seja essa m\u00e1 sorte moment\u00e2nea que torne a conversa um pouco especial: recuperada via escafandro em desesperadas tentativas, &#8220;tape trading&#8221;. <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/mattelliott.thirdeyefoundation\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Matt Elliott<\/a> \u00e9 como uma esp\u00e9cie de her\u00f3i escondido para admiradores da m\u00fasica folk. O brit\u00e2nico tem a habilidade de tocar assuntos dos mais \u00edntimos com uma sinceridade capaz de fazer qualquer cora\u00e7\u00e3o de pedra sangrar. Natural de Bristol, come\u00e7ou a carreira arriscando com os sintetizadores, explorando emo\u00e7\u00f5es na m\u00fasica eletr\u00f4nica e no noise, com a Third Eye Foundation, que leva para frente at\u00e9 hoje, desde que come\u00e7ou timidamente nos anos 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2004, atingiu seu \u00e1pice, com &#8220;Drinking Songs&#8221;. As m\u00fasicas s\u00e3o feitas para isso mesmo: beber, afogar as m\u00e1goas quando o mundo parece um lugar pesado demais, terrivelmente avassalador. Naquele \u00e1lbum, encontrou a identidade que se tornou conhecida pelos f\u00e3s. Efeitos na voz e no viol\u00e3o, quase in\u00e9ditos no que era conhecido como &#8220;dark folk&#8221; a \u00e0quela altura. Em 2023, o m\u00fasico lan\u00e7ou um dos melhores trabalhos de sua carreira, &#8220;The End Of Days&#8221;, no qual se dedica a um instrumento pouco convencional para quem vai assistir a um artista solo: o saxofone, que ele mesmo admite &#8220;eu n\u00e3o queria tocar, achava um instrumento chato (risos)&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da fama de &#8220;sadsack&#8221;, de triste demais, o homem por tr\u00e1s da obra n\u00e3o \u00e9 assim. Pelo menos n\u00e3o aparentou ser, durante a conversa. As risadas n\u00e3o foram raras, assim como sua abertura para falar das coisas, por mais pesadas que fossem, como luto e guerras. Dentre uma frase e outra, as unhas compridas, caracter\u00edstica cl\u00e1ssica dos violonistas, iam ao cabelo ou at\u00e9 \u00e0 barba, enquanto apontava uma certa surpresa &#8220;uau, n\u00e3o acredito que estou falando com algu\u00e9m da Am\u00e9rica Latina&#8221;. Confira a entrevista.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The End of Days\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nJwpRn2w6v25RiHpQCWufOMohbHFdGSK4\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cThe End Of Days\u201d, como voc\u00ea chegou a esse conceito? Come\u00e7ou com o disco ou antes veio a faixa?<\/strong><br \/>\nHum&#8230; essa \u00e9 uma pergunta um pouco dif\u00edcil, porque realmente n\u00e3o consigo me lembrar direito quando comecei com o conceito de \u201cThe End of Days\u201d. \u00c9 t\u00e3o rid\u00edculo, eu toquei essa m\u00fasica ao vivo n\u00e3o faz nem duas ou tr\u00eas semanas, mas realmente n\u00e3o consigo me lembrar exatamente de onde veio. \u201cEnd Of Day\u201ds, a faixa, n\u00e3o foi a primeira que compus, acho que tudo come\u00e7ou com \u201cFlowers For Bea\u201d, acho que \u00e9 minha m\u00fasica favorita do disco. Tudo come\u00e7ou meio que ali, ent\u00e3o o conceito foi acontecendo. Realmente, n\u00e3o consigo me lembrar. Escrever as letras \u00e9 um pouco dif\u00edcil para mim, mas gosto muito da faixa. Acho que o conceito foi acontecendo conforme eu ia escrevendo o disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 que voc\u00ea mencionou \u201cFlowers For Bea\u201d, a letra realmente me pegou, porque o luto \u00e9 uma experi\u00eancia t\u00e3o humana, qual foi a ideia por tr\u00e1s da m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nNa verdade, aconteceu algo perto da minha casa, a uns dois quarteir\u00f5es daqui. Um cara passou a noite inteira bebendo e se drogando e, no in\u00edcio da manh\u00e3, atropelou uma enfermeira que estava passando. Na verdade, por pouco ele n\u00e3o atropelou a m\u00e3e da minha filha bem na frente dela. Ela passou por ali poucos minutos depois do atropelamento, seria horr\u00edvel se tivesse acontecido algo a ela. Eu me lembro que depois do acidente, eu passava por onde o atropelamento havia acontecido e havia centenas de flores por l\u00e1, todos os dias, Eu passava por l\u00e1 e percebia como essa pessoa, que era obviamente muito amada, fazia falta para outras pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O engra\u00e7ado do luto, como voc\u00ea disse, \u00e9 que todo mundo experimenta de forma diferente. Muita gente vai dizer &#8220;j\u00e1 \u00e9 hora de superar&#8221; ou voc\u00ea pensa: eu preciso seguir em frente. Mas o choque, ele permanece por muito tempo. Eu passei por isso com meu melhor amigo, em 2016, ele tamb\u00e9m morreu e eu me lembro de sentir um choque imenso, n\u00e3o conseguia reagir. Quando passava por aquelas flores, via elas apodrecendo e pensava como o luto \u00e9 diferente para todo mundo. Foi tamb\u00e9m nessa \u00e9poca que eu comecei a tocar saxofone. Tive um 2019 completamente louco, turn\u00eas atr\u00e1s de turn\u00eas por toda a Europa, Ucr\u00e2nia, Alemanha, Fran\u00e7a, e me lembro de pensar no fim do ano: nossa, eu adoraria n\u00e3o fazer nada durante um ano inteiro. Ent\u00e3o, a covid aconteceu e eu pude fazer isso sem me sentir culpado. Porque eu me sinto um pouco culpado quando n\u00e3o estou trabalhando, n\u00e3o estou em turn\u00ea. Quer dizer, quando estou em casa tamb\u00e9m trabalho, componho, mas \u00e9 algo que n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa. E para falar a verdade, eu gostei desse tempo afastado, gosto de ter um tempo sozinho comigo mesmo, ent\u00e3o n\u00e3o me afetou tanto. Mas no fim do ano, j\u00e1 estava me sentindo um pouco entediado, foi quando comecei a tocar saxofone para valer e come\u00e7ar a gostar do instrumento e compor com ele.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Matt Elliott @ The Rabbit Milano 02\/08\/2024 LIVE EXCERPTS\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gRitDv3PWBA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando no sax, como voc\u00ea decidiu pegar e come\u00e7ar a escrever m\u00fasicas com ele?<\/strong><br \/>\n\u00c9 engra\u00e7ado, porque eu costumava odiar saxofone (risos). Eu me lembro nos anos 90, eu trabalhava numa loja de discos e meu chefe era simplesmente apaixonado por jazz e Miles Davis, eu n\u00e3o era t\u00e3o chegado na \u00e9poca, eu era um garoto g\u00f3tico, gostava mesmo era de Joy Division e coisas do tipo. Mas me lembro quando comecei a usar diferentes instrumentos no meu show, e o meu violoncelista tocava de uma forma magistral, puxava uma nota e a segurava de uma forma que simplesmente n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel de se fazer com o viol\u00e3o. Eu fiquei pensando que seria legal ter um instrumento que soasse assim t\u00e3o livre. Primeiro eu pensei em comprar um clarinete, sempre amei clarinete, pensei que seria legal usar um nas m\u00fasicas, mas depois, pensei no saxofone e \u00e9 um instrumento muito diferente, pensei que aquele era o instrumento certo para compor. N\u00e3o sei, quando voc\u00ea toca um instrumento, sua rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica muda muito, porque voc\u00ea come\u00e7a a ver tantas outras possibilidades de compor, e acho, de verdade, que todo mundo deveria tentar tocar um saxofone.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca da pandemia foi engra\u00e7ado, porque me lembrei do meu chefe, porque eu simplesmente n\u00e3o parava de ouvir Miles Davis, ent\u00e3o decidi que o saxofone era o instrumento certo para utilizar nas minhas pr\u00f3ximas composi\u00e7\u00f5es. Acho que foi uma boa decis\u00e3o na minha vida, minha carreira \u00e9 feita do que considero boas decis\u00f5es. Come\u00e7ar a compor como comecei foi uma boa decis\u00e3o, me mudar para Fran\u00e7a h\u00e1 20 e poucos anos foi uma boa decis\u00e3o, acho que \u00e9 assim que as coisas funcionam. Me lembrou a \u00e9poca quando eu estava escrevendo o &#8220;Drinking Songs&#8221;, em que eu comecei a experimentar com o viol\u00e3o e ver onde ia dar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 que voc\u00ea citou o \u201cDrinking Songs\u201d, me lembro que conheci sua m\u00fasica por acaso, por meio desse disco. Fa\u00e7o parte de um grupo no Facebook onde as pessoas compartilham diferentes tipos de m\u00fasica, de jazz fusion a black metal, e de repente &#8220;The Guilty Party&#8221; apareceu por l\u00e1 e todo mundo ficou de cara. Eu pensei &#8220;preciso conhecer mais sobre esse cara&#8221;. Voc\u00ea ouve muito isso? Pessoas que conheceram sua m\u00fasica por acaso?<\/strong><br \/>\nSim, na verdade, gosto muito disso. Todo mundo vem falar comigo que conheceu minha m\u00fasica por acidente, e realmente gostou daquilo e decidiu conhecer meu trabalho mais a fundo, e geralmente isso acontece justamente com o &#8220;Drinking Songs&#8221;. De uma hora para a outra as coisas come\u00e7aram a crescer e algu\u00e9m chegou para mim e disse &#8220;voc\u00ea tem 1 milh\u00e3o de visualiza\u00e7\u00f5es no Youtube&#8221; e eu pensei: o que? Porque eu estava acostumado a ter 10 mil, 15 mil visualiza\u00e7\u00f5es. Dali por diante as coisas come\u00e7aram a crescer, de repente eu tinha 4 milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es. Eu n\u00e3o me importo tanto com isso, com ser famoso e nem nada disso, mas poxa, isso \u00e9 realmente uma grande valida\u00e7\u00e3o do seu trabalho, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a\u00ed, o Youtube mudou algumas regras e tudo sumiu, de repente pensei &#8220;u\u00e9, onde foi parar a minha valida\u00e7\u00e3o?&#8221; (risos). Mas eu gosto muito do fato de ter um meu pequeno mundinho musical, em que as pessoas descobrem por acaso e v\u00eam falar comigo, acho uma coisa muito especial. Parece que \u00e9 justamente como as coisas devem ser, parece que \u00e9 um pequeno sussurro do universo, e quando isso acontece, voc\u00ea deve ouvir. Bom, pelo menos, eu acredito nisso. Acredito nesses sinais do universo. Acredito, por exemplo, que meu saxofone era destinado a mim. Ele \u00e9 um instrumento lindo, feito na d\u00e9cada de 1990, assim como outros instrumentos que eu tenho, que s\u00e3o dos anos 1950. Para mim, \u00e9 incr\u00edvel.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"C. F. Bundy.\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/b9YYXaOaXAU?list=OLAK5uy_nLf1veHvX-_T1FKDHA9lcnKTGZYGbFa-E\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma coisa que acho interessante no seu trabalho \u00e9 que voc\u00ea usa sua voz como um verdadeiro instrumento, utiliza v\u00e1rias camadas vocais nas suas m\u00fasicas, noto isso principalmente no \u201cDrinking Songs\u201d. \u00c9 algo que voc\u00ea usa como uma assinatura pr\u00f3pria?<\/strong><br \/>\nSim. Eu n\u00e3o sei se j\u00e1 disse isso, mas letras para mim s\u00e3o um pouco dif\u00edceis de fazer, mas no \u201cDrinking Songs\u201d (2004) eu queria fazer um disco que soasse como v\u00e1rias pessoas cantando juntas num bar. Geralmente, num bar, as pessoas cantam sobre futebol, coisas assim. Eu queria fazer algo como pessoas cantando sobre como a vida \u00e9 triste, como \u00e9 disfuncional. Ent\u00e3o, essa parte de utilizar v\u00e1rias camadas da minha voz, vem da\u00ed. Era como se fosse um coral. Eu me lembro que quando comecei a cantar, realmente n\u00e3o gostava muito da minha voz, \u00e9 natural. Quando voc\u00ea ouve sua voz gravada a primeira vez, pensa &#8220;meu deus, que porra \u00e9 essa? \u00c9 horr\u00edvel&#8221;. Isso come\u00e7ou at\u00e9 antes, durante o &#8220;The Mess We Made&#8221; (2003), mas pude contar com grandes produtores que me ajudaram nesse processo de gravar as vozes em camadas, o que acabou se tornando algo que eu acho sim uma assinatura bem interessante do meu trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea vem de uma cena DIY de Bristol dos anos 1990. Bristol, Inglaterra, 20 anos depois da explos\u00e3o do punk, como as pessoas reagiram a esse tipo de m\u00fasica folk, eletr\u00f4nica, jazz?<\/strong><br \/>\nBom, era uma cena DIY bem pequena. Naquela \u00e9poca Bristol ficou conhecida por conta do Portishead e do Massive Attack, ent\u00e3o n\u00e3o era tanta gente assim que prestava aten\u00e7\u00e3o na nossa cena. Acontece que muita gente daquela cena tamb\u00e9m deixou de fazer m\u00fasica, a galera come\u00e7ou a ir para a faculdade. Eu n\u00e3o, fui trabalhar em uma loja de discos e foi aquilo que me chamou aten\u00e7\u00e3o na \u00e9poca. Na verdade, n\u00e3o mantenho tanto contato com a turma daquela \u00e9poca, tenho mais contato com a Janet aqui e ali, mas com o tempo n\u00f3s acabamos nos distanciando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que mais te inspira para escrever ultimamente?<\/strong><br \/>\nOlha, acho que ainda mantenho alguma coisa idealista, porque eu tamb\u00e9m, assim como as outras pessoas, muitas vezes n\u00e3o gosto de como as coisas s\u00e3o no mundo, se voc\u00ea me entende. Eu me sinto uma pessoa extremamente sortuda, porque tenho o melhor trabalho do mundo. Realmente encaro fazer m\u00fasica como a melhor coisa de todas, mas tamb\u00e9m ainda sinto muita raiva de ver as coisas que acontecem no mundo. \u00c9 frustrante ver guerras, ver o que a muitas crian\u00e7as s\u00e3o submetidas, pessoas vivendo em condi\u00e7\u00f5es desumanas. Ent\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o ter inspira\u00e7\u00e3o para escrever. Porque o pr\u00f3prio mundo nos confronta com diversas situa\u00e7\u00f5es que desafiam nossa pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pois \u00e9, enquanto conversamos agora mesmo, h\u00e1 crian\u00e7as sendo mortas na Palestina<\/strong><br \/>\nSim! Eu fiz um post sobre isso h\u00e1 algum tempo, sobre o genoc\u00eddio em Gaza e as pessoas me atacaram demais. Eu geralmente n\u00e3o sou de dar a minha opini\u00e3o nas redes sociais, mas me senti obrigado a fazer. Eu quase me arrependi por conta dos ataques, foi uma coisa surreal, mas mantive o que tinha dito. Me espanta muito a indigna\u00e7\u00e3o seletiva das pessoas, especialmente em um evento como esse. Sim, no 7 de outubro, sei que houve 1200 pessoas mortas em Israel, mas se colocarmos em perspectiva, essas 1200 pessoas s\u00e3o mais importantes que outras 30 mil assassinadas em Gaza? \u00c9 algo que me entristece e surpreende bastante durante este tempos que vivemos. E \u00e9 at\u00e9 uma coisa que me motivou a escrever, porque \u00e9 isso que vejo, o fim dos dias.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Matt Elliott Eolienne 20 01 2017\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CR2qQUkV5dI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"\u041c\u0435\u0442\u0442 \u0415\u043b\u043b\u0456\u043e\u0442\u0442 \u2013 \u041a\u043e\u043d\u0446\u0435\u0440\u0442 \u0443 \u041a\u0438\u0454\u0432\u0456\/Matt Elliott \u2014 Live in Kyiv\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WBYArvRiiXg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&quot;The Guilty Party \/ Also Ran&quot;, Matt Elliott - Paris, Mai 2023\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7SovoYlnxwE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Guilherme Lage (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lage.guilherme66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fb.com\/lage.guilherme66<\/a>) \u00e9 jornalista e mora em Vila Velha, ES.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em 2023, o m\u00fasico lan\u00e7ou um dos melhores trabalhos de sua carreira, &#8220;The End Of Days&#8221;, no qual se dedica a um instrumento pouco convencional para quem vai assistir a um artista solo: o saxofone!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/12\/11\/entrevista-matt-elliott-reflete-sobre-os-20-anos-de-drinking-songs-e-sobre-o-fim-dos-dias\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":58,"featured_media":85916,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7532],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85915"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/58"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85915"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85915\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":85921,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85915\/revisions\/85921"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/85916"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85915"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85915"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85915"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}