{"id":85829,"date":"2024-12-07T07:00:00","date_gmt":"2024-12-07T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=85829"},"modified":"2025-01-04T03:04:15","modified_gmt":"2025-01-04T06:04:15","slug":"ao-vivo-david-cross-band-satisfaz-fas-de-king-crimson-e-rock-progressivo-com-um-show-belo-e-alto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/12\/07\/ao-vivo-david-cross-band-satisfaz-fas-de-king-crimson-e-rock-progressivo-com-um-show-belo-e-alto\/","title":{"rendered":"Ao vivo: David Cross Band satisfaz f\u00e3s de King Crimson e rock progressivo com um show belo (e alto)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/amusicadofabio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fabio Machado<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco antes da banda de David Cross tocar o primeiro acorde no palco da Casa Rockambole, em noite curada pela Balaclava Records, entusiastas do rock progressivo de todas as idades &#8211; com alguma vantagem para o nicho com mais de 35 anos, como era de se esperar &#8211; estavam reunidos na parte externa, onde foi realizado um r\u00e1pido bate-papo com David Cross (violino), John Mitchell (guitarra e vocal), Mick Paul (baixo e vocal), Sheila Maloney (teclados) e Jeremy Stacey (bateria). Em dado momento, um dos presentes perguntou para Cross se ele achava que a m\u00fasica era infinita; Cross respondeu que sim, e os pr\u00f3ximos minutos deram raz\u00e3o ao violinista que integrou a forma\u00e7\u00e3o do King Crimson respons\u00e1vel por obras como &#8220;Larks\u2019 Tongues in Aspic&#8221; (1973), &#8220;Starless and Bible Black&#8221; (1974) e &#8220;Red&#8221; (1974).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o bate-papo, todos estavam contando os minutos para o in\u00edcio da apresenta\u00e7\u00e3o &#8211; inclusive o guitarrista John Mitchell, que encerrou a conversa perguntando ao p\u00fablico, de forma bem-humorada: \u201cShall we play?\u201d Com a resposta afirmativa dos presentes, em alguns minutos a banda se encaminhou ao palco, o p\u00fablico lotou o belo sal\u00e3o da Casa Rockambole, e em pouco tempo o show foi iniciado com a pesada \u201cTonk\u201d (do disco \u201cExiles\u201d, de 1997) seguida por uma sequ\u00eancia que ganhou o cora\u00e7\u00e3o dos presentes: \u201cThe Great Deceiver\u201d e \u201cRed\u201d, dois destaques da sua passagem pelo King Crimson. \u201cRed\u201d, particularmente, surpreendeu mais uma vez pelo peso e volume das guitarras, que seguiria nessa mesma pegada at\u00e9 o fim da apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para acalmar os \u00e2nimos, Cross seguiu com \u201cThe Pool\u201d e \u201cStarfall\u201d (do disco solo \u201cSign of the Crow\u201d, de 2016). Se a primeira \u00e9 uma balada que lembra o lado mais suave e l\u00edrico do King Crimson, a \u00faltima transita por sonoridades mais modernas do prog metal a l\u00e1 Dream Theater. Na sequ\u00eancia, o violinista incluiu mais uma da carreira solo antes de mergulhar \u201cna parte sombria do King Crimson\u201d, em suas pr\u00f3prias palavras: a \u00e9pica \u201cCalamity\u201d (de \u201cTesting for Destruction\u201d, 1994) que tamb\u00e9m come\u00e7a calma, mas depois vira uma pequena jornada de riffs e solos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-85832\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Davidcross_Rockambole_28-11-2024-@MELHORES-4-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Davidcross_Rockambole_28-11-2024-@MELHORES-4-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Davidcross_Rockambole_28-11-2024-@MELHORES-4-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No geral, as can\u00e7\u00f5es solo da David Cross Band mostraram compet\u00eancia t\u00e9cnica de todos os integrantes da banda e foram bem-recebidas pela plateia. Mas todos aguardavam ali uma prometida overdose de King Crimson, que foi finalmente anunciada por John Mitchell: a execu\u00e7\u00e3o na \u00edntegra do disco \u201cLarks\u2019 Tongues in Aspic\u201d, que iniciou com Mitchell, Cross e Paul tocando kalimbas e logo come\u00e7ando os acordes de \u201cLarks\u2019 Tongues in Aspic, Part One\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do evidente clima de celebra\u00e7\u00e3o e anima\u00e7\u00e3o dos presentes, \u00e9 preciso fazer uma cr\u00edtica para parte do p\u00fablico que insistia em ficar batendo papo em momentos-chave de sil\u00eancio. \u00c9 dif\u00edcil pensar que pessoas v\u00e3o preferir conversar em um show, especialmente de rock progressivo; n\u00e3o s\u00f3 pelo fato \u00f3bvio de que se est\u00e1 perdendo parte importante da m\u00fasica, mas tamb\u00e9m por ter lugares muitos melhores para ficar de conversa com amigos. Mas voltemos o foco para a apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar desse contexto, a energia e a voz da plateia se fez presente na bela \u201cBook of Saturday\u201d (cantada por John Mitchell) e em \u201cExiles\u201d (agora na voz de Mick Paul). Mas o clima come\u00e7ou a esquentar literalmente no lado B do disco com \u201cEasy Money\u201d, com vocais alternando entre Mitchell, Cross e os demais integrantes. O groove lis\u00e9rgico que \u00e9 a caracter\u00edstica principal da can\u00e7\u00e3o ganhou m\u00fasculos e muito peso na interpreta\u00e7\u00e3o do conjunto.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-85831\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Davidcross_Rockambole_28-11-2024-@MELHORES-3-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Davidcross_Rockambole_28-11-2024-@MELHORES-3-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Davidcross_Rockambole_28-11-2024-@MELHORES-3-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, um bem-vindo respiro com a atmosf\u00e9rica \u201cThe Talking Drum\u201d. Aqui, o baterista Jeremy Stacey mostra porque foi escolhido como um dos percussionistas que fez parte da \u00faltima encarna\u00e7\u00e3o do King Crimson, fazendo uma improvisa\u00e7\u00e3o que respeita o original de Bill Brufford, mas tamb\u00e9m mostra sua voz no instrumento. O violino de Cross tamb\u00e9m \u00e9 um ponto alto da m\u00fasica, dessa vez muito mais alto e distorcido do que na vers\u00e3o de est\u00fadio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o \u00e1pice n\u00e3o poderia ser outro com a faixa que talvez \u00e9 a mais emblem\u00e1tica do disco: \u201cLarks\u2019 Tongues in Aspic, Part Two\u201d. J\u00e1 foi dito aqui como as guitarras pesadas foram uma constante durante a apresenta\u00e7\u00e3o, mas aqui limites foram ultrapassados e chegaram ao territ\u00f3rio do metal (foi de surpreender ningu\u00e9m ter come\u00e7ado uma roda no meio do p\u00fablico) &#8211; alguns ouvintes mais tradicionalistas podem ter sentido que era volume demais. Enfim, n\u00e3o teve roda, mas foi uma experi\u00eancia \u00fanica ver o p\u00fablico agitar e interagir com uma m\u00fasica instrumental cheia de riffs e ritmos complexos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De alma lavada e jogo ganho, a David Cross Band encerra o show, agradece e pergunta para a plateia em \u00eaxtase se querem mais uma. O bis n\u00e3o poderia ser outro sen\u00e3o \u201cStarless\u201d, outro cl\u00e1ssico do King Crimson que n\u00e3o poderia faltar nessa noite. Mais uma vez cr\u00e9ditos para o p\u00fablico que cantou riffs, melodias e vocais at\u00e9 que veio o inesperado (ou n\u00e3o, j\u00e1 que estamos em S\u00e3o Paulo): um apag\u00e3o interrompeu a banda no meio da m\u00fasica. Ap\u00f3s alguns segundos incr\u00e9dulos, os integrantes retomaram a m\u00fasica de onde pararam e seguiram para um final apote\u00f3tico. Est\u00e1 a\u00ed a prova de que a m\u00fasica \u00e9 mesmo infinita, e transcende n\u00e3o s\u00f3 o tempo e a mem\u00f3ria, mas \u00e0s vezes tamb\u00e9m supera a pr\u00f3pria incerteza da eletricidade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-85830\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Davidcross_Rockambole_28-11-2024-@MELHORES-1-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Davidcross_Rockambole_28-11-2024-@MELHORES-1-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Davidcross_Rockambole_28-11-2024-@MELHORES-1-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/amusicadofabio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fabio Machado<\/a>&nbsp;\u00e9 m\u00fasico e jornalista (n\u00e3o necessariamente nessa ordem). Baixista na Falsos Conejos, Mevoi, Thrills &amp; the Chase e outros projetos.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As can\u00e7\u00f5es solo da David Cross Band mostraram compet\u00eancia t\u00e9cnica e foram bem-recebidas pela plateia. Mas todos aguardavam ali uma prometida overdose de King Crimson, que rolou. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/12\/07\/ao-vivo-david-cross-band-satisfaz-fas-de-king-crimson-e-rock-progressivo-com-um-show-belo-e-alto\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":143,"featured_media":85833,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7528],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85829"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/143"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85829"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85829\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":85835,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85829\/revisions\/85835"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/85833"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85829"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85829"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85829"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}