{"id":85814,"date":"2024-12-06T07:30:00","date_gmt":"2024-12-06T10:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=85814"},"modified":"2025-02-11T11:24:49","modified_gmt":"2025-02-11T14:24:49","slug":"entrevista-paula-cavalciuk-fala-de-pangeia-um-dos-grandes-discos-do-ano-e-da-reaproximacao-da-viola-caipira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/12\/06\/entrevista-paula-cavalciuk-fala-de-pangeia-um-dos-grandes-discos-do-ano-e-da-reaproximacao-da-viola-caipira\/","title":{"rendered":"Entrevista: Paula Cavalciuk fala sobre &#8220;Pangeia&#8221;, um dos grandes discos de 2024, e da reaproxima\u00e7\u00e3o com a viola caipira"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/paulacavalciuk\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Paula Cavalciuk<\/a> \u00e9 daqueles segredinhos encantadores que a gente assopra nos ouvidos dos amigos mais pr\u00f3ximos, despretensiosamente, esperando que sua m\u00fasica os conquiste da mesma forma que nos conquistou. Assim foi com \u201cMorte &amp; Vida\u201d (2016), seu disco de estreia, um \u00e1lbum \u2013 produzido por Bruno Buarque e Gustavo Ruiz e com participa\u00e7\u00e3o de Kiko Dinucci e da rapper Fernanda Teka \u2013 que \u00e9 essencialmente pop psicod\u00e9lico experimental na combina\u00e7\u00e3o radical de estilos (de samba ao rock, de guar\u00e2nia ao tango, do carimb\u00f3 \u00e0 m\u00fasica africana), mas doce na voz e assertivo nas palavras. Oito anos depois \u2013 e uma pandemia, um casamento, uma gravidez e uma filha \u2013 Paula Cavalciuk est\u00e1 de volta com \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/album\/7rNGPpACGpqhUtFdk6iPPV?si=TkTxBnFeQcuh_7YAoa1azA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pangeia<\/a>\u201d (2024), que se apoia no som da viola caipira \u2013 tocada pelo parceiro Anderson Charnoski \u2013 para falar de temas universais e atemporais de modo cativante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA viola caipira entra como proposi\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e pol\u00edtica, um signo de um modo de vida totalmente sustent\u00e1vel. Quer maior radicalidade que o estilo de vida caipira?\u201d, questiona Paula na conversa abaixo. Crescida em Tapira\u00ed, cidade de 8 mil habitantes no interior de S\u00e3o Paulo, e hoje radicada em Sorocaba, a 70 quil\u00f4metros de onde cresceu, Paula conta que, quando mais jovem, \u201cachava que s\u00f3 o rock me salvaria (e salvou) e s\u00f3 uma guitarra distorcida me representaria\u201d, mas assume que \u201ca viola caipira sempre esteve presente nas minhas refer\u00eancias musicais mais antigas, mais profundas. Acho que a maturidade me fez assumir sua influ\u00eancia, que veio com toda essa ideia de \u201cPangeia\u201d, dando ao instrumento o destaque que sempre mereceu em meu trabalho\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa abaixo, Paula Cavalciuk revela como foi chegar ao est\u00fadio de seu produtor para gravar seu segundo disco sem edital aprovado e com zero reais (meio como Cat Power fez para gravar \u201cSun\u201d, com a diferen\u00e7a que Chan <a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2012\/09\/23\/a-impagavel-cat-power-no-el-pais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8220;se separou e cortou o cabelo&#8221;<\/a>, e Paula estava gr\u00e1vida de 8 meses), conta das influ\u00eancias de Rita Lee e Fernanda Takai (e Pato Fu), al\u00e9m de Legi\u00e3o Urbana, e dos desafios de colocar um grande disco como \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/album\/7rNGPpACGpqhUtFdk6iPPV?si=TkTxBnFeQcuh_7YAoa1azA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pangeia<\/a>\u201d na estrada: \u201cEu sabia que seria um desafio voltar aos palcos depois de um hiato consider\u00e1vel e com uma filha pequena no colo, mas o fato \u00e9 que eu vejo tudo quanto \u00e9 artista reclamando de circula\u00e7\u00e3o de show, ent\u00e3o tem mais coisas rolando\u201d, observa ela na conversa que voc\u00ea l\u00ea, na integra, abaixo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pangeia - Paula Cavalciuk\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PLURr82I5-8UDY8KcLekpquALyS9Ra7RcS\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Pangeia&#8221;, seu segundo disco, foi lan\u00e7ado no primeiro semestre e destaca uma presen\u00e7a marcante da sonoridade da viola caipira, que chegou a estar presente em uma can\u00e7\u00e3o de seu disco de estreia, &#8220;Morte e Vida&#8221; (2016), mas se ampliou agora. Como se deu essa aproxima\u00e7\u00e3o? Voc\u00ea j\u00e1 estava compondo as can\u00e7\u00f5es pensando nessa sonoridade?<\/strong><br \/>\nA Pangeia que idealizo, a M\u00e3e Gaia, a Pachamama \u00e9 um lugar futurista, onde todo esse asfalto virou flor e n\u00e3o existe mais necessidade nenhuma de fronteira, o quintal da gente \u00e9 o mundo. \u00c9 uma proposta radical. A\u00ed \u00e9 que entra a viola caipira como proposi\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e pol\u00edtica, um signo de um modo de vida totalmente sustent\u00e1vel= o modo caipira. Quer maior radicalidade que o estilo de vida caipira? Sim, esse mesmo a quem Monteiro Lobato passou certo tempo ridicularizando, inferiorizando em suas teses eugenistas, representa, na verdade, um modo de vida que prezava pelo \u00f3cio, pelo lazer, pelo aproveitamento das esta\u00e7\u00f5es, dos alimentos, dos recursos naturais. O caipira respeitava ciclos, o tempo da semeadura, da colheita. Podia n\u00e3o ter diploma, mas isso nunca significou que n\u00e3o tinha intelig\u00eancia para lidar com o mundo, enquanto pudesse pisar o ch\u00e3o. Imagina que beleza pro planeta, se pass\u00e1ssemos a agir assim, do nada?! rs<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando mais jovem, morando numa cidadezinha de 8 mil habitantes (Tapira\u00ed\/SP), tendo um cora\u00e7\u00e3o mole e muita revolta, eu achava que s\u00f3 o rock me salvaria (e salvou) e s\u00f3 uma guitarra distorcida me representaria (pra piorar, eu ainda tinha que cantar na missa, aos domingos de manh\u00e3, por vontade da minha m\u00e3e, imagine!). Hoje eu continuo tendo um cora\u00e7\u00e3o mole e muita revolta, mas uma viola afinada em &#8220;cebol\u00e3o&#8221; me representa mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro fator importante, e isso Freud explica, \u00e9 que meus pais faleceram em 2011 e 2012 e essa sonoridade \u00e9 tamb\u00e9m uma heran\u00e7a, acaba que isso me conforta e me aproxima do que preciso para dar continuidade \u00e0 essa \u00e1rvore geneal\u00f3gica, depois da chegada da minha filha, Sara. Agora, outro fator determinante para a aproxima\u00e7\u00e3o com a viola acontecer, foi a aproxima\u00e7\u00e3o com Anderson, meu companheiro. Quando nos conhecemos ele contou que tinha uma viola, que havia ganhado de seu av\u00f4, mas nunca tinha tocado de verdade. A\u00ed como eu estava trabalhando nas m\u00fasicas do \u201cPangeia\u201d, fez muito sentido explorar isso. A viola caipira sempre esteve presente nas minhas refer\u00eancias musicais mais antigas, mais profundas. Acho que a maturidade me fez assumir sua influ\u00eancia, que veio com toda essa ideia de \u201cPangeia\u201d, dando ao instrumento o destaque que sempre mereceu em meu trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem j\u00e1 foi Pangeia n\u00e3o tem medo de partir?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Nem de partir de um lugar (nos \u00faltimos quatro anos, me mudei de casa quatro vezes), nem de partir o p\u00e3o, nem de ver o ch\u00e3o se partir diante dos p\u00e9s, dando origem a mais um continente, que \u00e9 a pira de Pangeia, de acordo com a teoria da deriva continental. O grande continente que se abriu e deu origem ao mundo como conhecemos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Paula Cavalciuk - Pangeia (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aOAh6_r6T8U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em compara\u00e7\u00e3o com o &#8220;Morte e Vida&#8221;, que tinha algumas participa\u00e7\u00f5es (Alex Tea, Fernanda Teka e Kiko Dinucci), &#8220;Pangeia&#8221; \u00e9 centrado em voc\u00ea e na banda. Como foi trabalhar com o Bruno Buarque, que produziu os seus dois \u00e1lbuns (o primeiro dividindo a fun\u00e7\u00e3o com o Gustavo Ruiz), e com a banda? O disco que voc\u00ea tinha na cabe\u00e7a \u00e9 esse que a gente ouve agora?<\/strong><br \/>\nBruno Buarque \u00e9 um baita dum cara massa demais! Abriu as portas do est\u00fadio Minduca todas as vezes que bati, sendo que desta \u00faltima vez, eu n\u00e3o tinha edital aprovado, estava gr\u00e1vida, tinha zero reais e um financiamento coletivo ainda por lan\u00e7ar. Ele acreditou demais, saca?! Al\u00e9m disso, \u00e9 f\u00e1cil trabalhar com o Bruno e eu cheguei com mais repert\u00f3rio, com vocabul\u00e1rio mais certeiro (e isso economiza um temp\u00e3o em est\u00fadio), com as refer\u00eancias muito na cara e os arranjos elegantemente desenhados pelo Anderson, que, ali\u00e1s, gravou todos os instrumentos, praticamente. Eu gravei voz, Bruno gravou percuss\u00f5es e Anderson gravou viola, viol\u00e3o de a\u00e7o, viol\u00e3o de nylon e baixo. Gravamos muito r\u00e1pido. Reservamos dez di\u00e1rias e usamos apenas quatro. Esse disco tem a sonoridade que eu queria, porque eu s\u00f3 queria mesmo era apontar os microfones nos instrumentos ac\u00fasticos e na minha boca e gravar. Foi uma sonoridade muito t\u00edpica da nossa casa. Conheci Anderson cinco meses antes da pandemia. Nos casamos na pandemia e nossa casa sempre foi permeada por essas can\u00e7\u00f5es e os arranjos que ele foi escrevendo. Sempre respeitando a can\u00e7\u00e3o, a hist\u00f3ria por traz de cada letra, de cada nota. Produzir o \u201cPangeia\u201d, gravar, foi um processo em que me senti muito respeitada e muito \u00e0 vontade. Com exce\u00e7\u00e3o do dia em que fomos de \u00f4nibus pra SP e andar de metr\u00f4 em SP com uma barriga de 8 meses, cansa\u00e7o extremo e sensibilidade aflorada, me fez sentir bem pouco respeitada, mas esse perrengue \u00e9 papo pra outra hora, sen\u00e3o eu n\u00e3o paro de escrever rs.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tocando nesse assunto, &#8220;Pangeia&#8221; foi gravado n\u00e3o apenas no per\u00edodo de pandemia, em 2022, mas tamb\u00e9m no trimestre final de sua gravidez. As can\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o desse per\u00edodo, ou eram mais antigas? Como foi gravar cercada por tantas mudan\u00e7as (pessoais e sociais)?<\/strong><br \/>\nA can\u00e7\u00e3o que d\u00e1 nome ao disco \u00e9 de 2015, toda essa ideia, na verdade. Eu j\u00e1 inscrevi diferentes repert\u00f3rios em discos de mesmo nome em editais que nunca foram aprovados, por exemplo. Da\u00ed, enquanto voc\u00ea n\u00e3o finaliza um projeto, fica sempre mexendo nele. Fui somando cap\u00edtulos ao disco, digamos assim. &#8220;Eu Gosto Tanto de Voc\u00ea&#8221;, por exemplo, fiz pro Anderson no dia do seu anivers\u00e1rio em 2020 (estava sem grana e n\u00e3o poderia deixar passar em branco). &#8220;Nh\u00f4 Jo\u00e3o&#8221; \u00e9 uma das mais recentes do disco, parceria minha com o Anderson, homenageia essa figura important\u00edssima da hist\u00f3ria, cultura e f\u00e9 sorocabana. Jo\u00e3o de Camargo Barros, um homem ex-escravizado que teve algumas vis\u00f5es espirituais que o incumbiram da miss\u00e3o de construir a Igreja do Nosso Senhor do Bonfim da \u00c1gua Vermelha e ali prestar atendimento fraterno at\u00e9 o fim de sua vida. Foi o que ele fez at\u00e9 sua morte, em 1942. Essa m\u00fasica foi o Anderson quem trouxe a ideia, j\u00e1 com um refr\u00e3o, da\u00ed eu fiz melodia e letra pro verso. Eu estava gr\u00e1vida, inclusive, e se o beb\u00ea fosse menino, se chamaria Jo\u00e3o (pelo menos eu n\u00e3o fiz ch\u00e1 revela\u00e7\u00e3o rs). &#8220;Mam\u00edfera&#8221; foi fruto de um poeminha visual que deixei sobre a mesa e dias depois, pedi ao Anderson pra harmonizar uma melodia que tinha acabado de pensar e saiu assim, de primeira. Dois meses depois eu estava gr\u00e1vida (premoni\u00e7\u00e3o musical? rs). Isso foi em 2021. &#8220;Caravana&#8221; \u00e9 a mais recente, \u00e9 parceria minha com o Anderson. O nome da nossa filha \u00e9 Sara em homenagem a Santa Sara Khali, a padroeira dos ciganos. No dia em que chegou o bercinho da Sara, eu estava na metade da gravidez, parece que algo se materializou no meio de todas essas expectativas que cercam a gesta\u00e7\u00e3o da vida humana. A gente sentou no quarto, diante do ber\u00e7o montado (eu que montei, adoro mexer na casa rs) e a\u00ed saiu essa m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aqui e ali no disco \u00e9 poss\u00edvel perceber influ\u00eancias de Pato Fu e Rita Lee (aqui no site a gente aproxima &#8220;Pangeia&#8221; de uma banda que a gente admira demais, o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/09\/contrafm-roque-da-casa-01-e-02\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Deolinda<\/a>, at\u00e9 pela viola, no caso deles, portuguesa), seja nas composi\u00e7\u00f5es, seja no jeito de voc\u00ea colocar a voz ou mesmo na for\u00e7a das suas letras. Eu queria que voc\u00ea falasse um pouco da influ\u00eancia dessas mulheres na sua m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nDuas baita refer\u00eancias pra mim! Um tempero de ambas que eu me identifico, pra al\u00e9m de quest\u00f5es musicais, \u00e9 o humor. Rita Lee eu j\u00e1 conhecia desde a inf\u00e2ncia, mas em 1998 saiu seu \u201cAc\u00fastico MTV\u201d e eu definitivamente comi com farinha esse \u00e1lbum! Cheguei a decorar seus arranjos. Fui com gosto pro viol\u00e3o. &#8220;Doce Vampiro&#8221; foi a primeira m\u00fasica que tirei de ouvido. Tive que tirar, pois na minha cidade n\u00e3o tinha internet facilmente, a\u00ed me restavam as revistinhas de cifra compradas na casa lot\u00e9rica, mas a maioria eram da Legi\u00e3o Urbana (que ali\u00e1s, \u00e9 outra banda que amo e me influenciou muito, mas isso \u00e9 papo pra outra hora). Depois eu mandei uma carta pra revista ShowBizz (voc\u00ea lembra disso, Marcelo? Diga que sim! Rs \u2013 Nota do editor: Eu tamb\u00e9m mandava carta pra l\u00e1!) e tinha uma sess\u00e3o, na \u00faltima p\u00e1gina, onde voc\u00ea mandava seu nome, endere\u00e7o e uma banda que curtia, para que outros f\u00e3s da mesma banda trocassem figurinha com voc\u00ea. Eu tinha 12 anos quando passei a trocar cartas com deus e o mundo e hoje entendo o descontentamento do meu pai, quando um amigo com quem eu trocava cartas, veio do Jap\u00e3o e quis me visitar em Tapira\u00ed rs. O fato \u00e9 que foi nessas trocas de cartas que um dia recebi uma fita k7 com um compilado de m\u00fasicas d&#8217;Os Mutantes. Putz! A\u00ed minha cabe\u00e7a explodiu! Abriu-se um portal que nunca mais fechou! (Ainda bem!).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pato Fu \u00e9 uma grande banda de rock do Brasil e eu acho uma pena existir um abismo entre eles e a atual gera\u00e7\u00e3o que consome m\u00fasica, pois certamente a galera iria amar o som da banda. Muito atual, muito original. Fernanda Takai \u00e9 uma figura inspiradora, sem d\u00favidas. Assim como eu, ela tamb\u00e9m teve uma educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3, tanto \u00e9 que regravou Padre Zezinho!!! A voz da Fernanda Takai carrega uma suavidade, uma singeleza, de modo que daria pra receber v\u00e1rias not\u00edcias ruins vindas da Fernanda, mas ainda bem que ela porta suas m\u00fasicas maravilhosas. Esse lance dela ser de origem japonesa, tamb\u00e9m me aproximou dela, pois Tapira\u00ed foi um destino muito forte para imigrantes japoneses, ent\u00e3o influenciou muito a cultura local. Minha melhor amiga da inf\u00e2ncia foi morar no Jap\u00e3o e antes disso, frequentei algumas aulas de japon\u00eas com ela (acabei memorizando pouca coisa, al\u00e9m de palavr\u00f5es rs). Tive o enorme prazer de gravar &#8220;Can\u00e7\u00e3o Pra Voc\u00ea Viver Mais&#8221;, numa colet\u00e2nea em homenagem aos 25 anos do Pato Fu. Gravar com a Fernanda Takai \u00e9 um desejo que se mant\u00e9m vivo. Quem sabe, n\u00e9?!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Can\u00e7\u00e3o Pra Voc\u00ea Viver Mais - Paula Cavalciuk\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mfexslDoaxk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea vive em Sorocaba, interior de S\u00e3o Paulo, e imagino que seja uma batalha pra voc\u00ea e banda circular esse show. Como est\u00e1 rolando o &#8220;Pangeia&#8221; nos palcos?<\/strong><br \/>\nPoxa, est\u00e1 rolando muito menos do que eu gostaria. Eu me afastei bastante dos meandros musicais e o \u201cPangeia\u201d tem sido um retorno. Eu sabia que seria um desafio voltar aos palcos depois de um hiato consider\u00e1vel e com uma filha pequena no colo, mas o fato \u00e9 que eu vejo tudo quanto \u00e9 artista reclamando de circula\u00e7\u00e3o de show, ent\u00e3o tem mais coisas rolando. Eu penso que o comportamento da gente foi moldado pra sempre durante a pandemia, treinamos o distanciamento, o virtual, ao passo que destreinamos o encontro. Parece um pouco mais complicado tirar as pessoas de casa, hoje em dia. Outro fato \u00e9 que muita curadoria hoje em dia se baseia em n\u00fameros, em engajamento de conte\u00fado virtual e eu sou org\u00e2nica, n\u00e3o posto uma vida perfeita, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/paulacavalciuk\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uso minhas redes sociais<\/a> pra falar do genoc\u00eddio do povo palestino, da PM que mata crian\u00e7as e jovens pretos nesse pa\u00eds racista, das quest\u00f5es de direitos reprodutivos para meninas e mulheres&#8230; e essas coisas n\u00e3o engajam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Morte e Vida&#8221; lhe rendeu uma indica\u00e7\u00e3o como <a href=\"https:\/\/trabalhosujo.com.br\/os-indicados-para-o-premio-apca-2016\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Artista Revela\u00e7\u00e3o<\/a> para a Associa\u00e7\u00e3o Paulista dos Cr\u00edticos de Arte (APCA) em 2016, e, oito anos depois, &#8220;Pangeia&#8221; j\u00e1 est\u00e1 na lista <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/07\/04\/apca-escolhe-os-25-melhores-discos-do-primeiro-semestre-de-2024\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dos melhores discos de 2024<\/a> para a APCA. Como \u00e9 pra voc\u00ea receber esse reconhecimento?<\/strong><br \/>\nAi, Marcelo, \u00e9 uma alegria imensa! N\u00e3o vou negar! Porque \u00e9 tudo feito t\u00e3o na &#8220;ra\u00e7a&#8221;, mas tudo com muita verdade. A\u00ed quando acontece um neg\u00f3cio desses, sinto que estou no caminho, que n\u00e3o t\u00f4 ficando louca de continuar insistindo em fazer m\u00fasica. Estamos vivendo um momento de total desaten\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o quando as can\u00e7\u00f5es chegam em ouvidos que se atentam, quando algu\u00e9m presta aten\u00e7\u00e3o, escuta, se identifica, parece que a\u00ed tudo isso, todo esse corre e essa vida cheia de dores e del\u00edcias vale mesmo a pena. A\u00ed voc\u00ea acorda um belo dia e mesmo fazendo as coisas sem grana, no corre, na vontade, e est\u00e1 numa lista foda dessas, ao lado de C\u00e1tia de Fran\u00e7a, Chico Cesar e Zeca Baleiro, Hermeto Paschoal e toda essa turma, com um disco independente. Gratificante demais!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-85815\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CAPA02-FINAL-1-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1125\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CAPA02-FINAL-1-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CAPA02-FINAL-1-copiar-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a&nbsp;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cA viola caipira entra como proposi\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e pol\u00edtica, um signo de um modo de vida totalmente sustent\u00e1vel. Quer maior radicalidade que o estilo de vida caipira?\u201d, questiona Paula\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/12\/06\/entrevista-paula-cavalciuk-fala-de-pangeia-um-dos-grandes-discos-do-ano-e-da-reaproximacao-da-viola-caipira\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":85816,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[792],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85814"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85814"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85814\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":86346,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85814\/revisions\/86346"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/85816"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85814"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85814"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85814"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}