{"id":8571,"date":"2011-05-23T18:11:53","date_gmt":"2011-05-23T21:11:53","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=8571"},"modified":"2023-03-28T23:33:12","modified_gmt":"2023-03-29T02:33:12","slug":"entrevista-harmada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/05\/23\/entrevista-harmada\/","title":{"rendered":"Entrevista: Harmada"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-8572\" title=\"harmada\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/harmada.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/jotadablio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jorge Wagner<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora ainda acreditasse no sonho adolescente de ser descoberto pelo mainstream, Manoel Magalh\u00e3es j\u00e1 n\u00e3o era um iniciante quando subiu ao palco da edi\u00e7\u00e3o carioca do festival Claro Que \u00e9 Rock, em abril de 2005, com a responsabilidade de entreter um p\u00fablico que, em sua maioria, nunca tinha ouvido falar da Polar. Com a banda, formada em 2004, trazia \u00e0 frente o EP \u201cA Mesma Pessoa no Mesmo Lugar\u201d \u2013 registro repleto de influ\u00eancias do britpop praticado por Keane e Coldplay em seus primeiros discos. Antes, ocupara o posto de baixista da Quem?!, ca\u00e7ando, por quase um ano, um espa\u00e7o ao sol na ins\u00edpida cena musical carioca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeira das seis bandas a se apresentar naquela noite (que teve Placebo como atra\u00e7\u00e3o principal), Manoel e sua turma ganhou alguma notoriedade desde ent\u00e3o. Ao longo dos quinze meses seguintes, a Polar realizou dezenas de shows pelo estado \u2013 al\u00e9m de passagens por S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Paran\u00e1 \u2013, gravou um clipe (\u201cLua Nova\u201d, transmitido pela MTV e pela Multishow), deu entrevista e&#8230; acabou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na metade de 2007, Manoel se retirou dos palcos (tendo antes integrado a Columbia ao lado de ex-companheiros da finada Quem?!). Na mesma \u00e9poca, unindo-se \u00e0 baterista Juliana Goulart, ao baixista Filipi Cavalcante e ao guitarrista Euler Gouveia (substitu\u00eddo por Brynner Bu\u00e7ard depois de alguns meses), formou a Harmada (<a href=\"http:\/\/www.oinovosom.com.br\/harmada\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.oinovosom.com.br\/harmada<\/a>) e come\u00e7ou a dar corpo ao que se tornou o \u00e1lbum \u201cM\u00fasica Vulgar Para Cora\u00e7\u00f5es Surdos\u201d, que chega \u00e0 exist\u00eancia depois de um longo per\u00edodo de gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cM\u00fasica Vulgar\u201d \u00e9 um disco de amor, mas n\u00e3o a vers\u00e3o fofa\/rom\u00e2ntica\/bonitinha do sentimento. \u00c9 sobre o amor doente, o amor que fere, que corta e faz sangrar. \u00c9 um disco com imagens do cotidiano urbano, sem a polidez ensaiada e a \u00e1urea \u2018chrismartiniana\u2019 da Polar. Um disco em que as boas letras, desenhadas por belas melodias, retornam, apoiadas por guitarras sujas e sem overdubs, num espa\u00e7o que, em outros tempos, poderia ter sido ocupado por camadas de teclados, cordas, viol\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na noite em que concede essa entrevista ao lado do guitarrista Brynner Bu\u00e7ard, sentado em um canto da cafeteria do Cinema Esta\u00e7\u00e3o, em Ipanema, Manoel Magalh\u00e3es n\u00e3o \u00e9, definitivamente, um iniciante. Tem mais barba, mais peso e mais maturidade que em abril de 2005. Calejado, fala de frustra\u00e7\u00f5es e da inexist\u00eancia de uma cena musical independente no Rio de Janeiro. Analisa o mercado, elogia Curitiba e, claro, fala sobre seus planos para a Harmada e a divulga\u00e7\u00e3o de \u201cM\u00fasica Vulgar Para Cora\u00e7\u00f5es Surdos\u201d. Abaixo, o bate papo<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"605\" height=\"400\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/LpCOw3UF2Ss\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"605\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/LpCOw3UF2Ss\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Em uma entrevista dada ao S&amp;Y em 2005, voc\u00ea citava quatro \u201cde pelo menos seis\u201d bandas cariocas que estariam \u201cprontas pra assumir uma posi\u00e7\u00e3o de destaque na m\u00fasica nacional\u201d (a saber: Som da Rua, Clarim Di\u00e1rio, Reverse e Moptop). Tr\u00eas dessas bandas j\u00e1 n\u00e3o existem h\u00e1 tempos e uma delas est\u00e1 de \u201cf\u00e9rias\u201d. O que aconteceu com a cena carioca independente daquela \u00e9poca?<\/strong><\/span><br \/>\nManoel Magalh\u00e3es: A cena do Rio n\u00e3o existe mais, acabou. Na \u00e9poca ainda existia uma ilus\u00e3o. Nos anos 80 tinha aquela ideia de que tudo ia dar certo e as pessoas iam conseguir gravar discos maravilhosos, e teve quem conseguiu. Quando foram se aproximando os anos 2000, a ind\u00fastria estava empobrecendo por causa do Napster, MP3, e as pessoas que estavam fazendo m\u00fasica, que \u00e9 o caso dessa galera toda que eu citei, tinham esse ran\u00e7o de que queriam ainda esse passado dos anos 80, de gravadora, de fazer sucesso&#8230; Acho que todo mundo tinha ainda aquele sonho mais pela viv\u00eancia da inf\u00e2ncia e da adolesc\u00eancia do que pela realidade do momento. A realidade \u00e9 que as gravadoras iam acabar e que ningu\u00e9m ia ter oportunidade. Alguns at\u00e9 tiveram pequenas oportunidades, como foi o caso do Moptop e do Som da Rua, mas aquilo era irreal com o mercado que a gente tem no Brasil, que hoje em dia est\u00e1 todo segmentado, tem uma cara mesmo. Aquela gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o fazia sentido com o momento que a ind\u00fastria vivia. No Brasil, no Rio principalmente, muita gente desistiu, muita gente cansou, e quem est\u00e1 conseguindo fazer alguma coisa interessante no pa\u00eds \u00e9 porque j\u00e1 tomou esse caldo dos anos 2000 pra agora come\u00e7ar essa pr\u00f3xima d\u00e9cada pensando em como estar adaptado \u00e0 realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como frontman da Polar, voc\u00ea acreditava nessa ilus\u00e3o tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nManoel: Acreditava e quem disser que n\u00e3o acreditava nessa \u00e9poca est\u00e1 mentindo. Todo mundo sabia que era mais dif\u00edcil que nos anos 80 e nos anos 90, mas todo mundo acreditava. V\u00e1rias vezes as pessoas vinham falar com a gente, \u201c\u00d3, os caras da Sony est\u00e3o a\u00ed!\u201d, essa lenda que, hoje em dia&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brynner Bu\u00e7ard: Nos moldes que as coisas eram feitas&#8230; Se voc\u00ea v\u00ea o making off do Som da Rua, como dizer que com aquela produ\u00e7\u00e3o as coisas n\u00e3o dariam certo?! Pena que foi interrompido de uma forma meio tr\u00e1gica, n\u00e9? (nota: Brynner se refere ao acidente que matou o vocalista Li\u00f4 Mariz, em dezembro de 2005, a poucos metros do local da entrevista).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manoel: O Moptop tamb\u00e9m. Por que \u00e9 que o Moptop deu um tempo? \u00c9 bem claro isso. A banda conseguiu chegar ao objetivo daquelas bandas, que era gravar um disco por uma grande gravadora, s\u00f3 que se esperava um retorno de uma banda de uma grande gravadora e isso era imposs\u00edvel, porque n\u00e3o existe mais isso. A n\u00e3o ser que voc\u00ea seja o Fresno. A n\u00e3o ser que voc\u00ea seja uma banda declaradamente pop e aceite o jogo do pop, que n\u00e3o era o caso do Moptop e de nenhuma daquelas bandas, voc\u00ea n\u00e3o vai dar certo no Brasil. O fim da Polar teve a ver com isso. L\u00f3gico que tem muito dessa expectativa frustrada. A gente colocou muita intensidade naquilo e bateu de frente com essa onda e n\u00e3o estava preparado pra ficar brigando. Eu acho que \u00e9 burrice, quando voc\u00ea bate com a cara na parede, continuar batendo com a cara na parede. E foi a hora em que eu achei melhor tentar entender como era esse momento pra criar alguma coisa nova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 uns dois anos, voc\u00ea chegou a publicar no seu blog uma lista de m\u00fasicas que entrariam no disco da Harmada. Entre elas voc\u00ea citava \u201cSombras Por Aqui\u201d, que estava no EP da Polar e acabou n\u00e3o entrando no disco. J\u00e1 \u201cCarlos e Cec\u00edlia\u201d e \u201cBairro Peixoto\u201d, que eram do repert\u00f3rio final da banda, entraram. Como se deu essa escolha? O que voc\u00ea ressalta como as principais diferen\u00e7as entre as duas bandas?<\/strong><br \/>\nManoel: Quando a Polar acabou e eu comecei a pensar na Harmada, eu estava equivocado no meu pensamento inicial. N\u00e3o era pra ser uma continua\u00e7\u00e3o da Polar, apesar de ser a continua\u00e7\u00e3o de um trabalho que eu j\u00e1 fazia. A Polar j\u00e1 era uma experi\u00eancia que, pra mim, foi legal, foi \u00f3tima, tenho super orgulho, mas que foi uma experi\u00eancia que acabou, que passou, teve um ciclo natural e n\u00e3o adiantava tentar continuar aquele ciclo. Eu tinha que ter encerrado ali e, beleza, consegui encerrar. Quando eu percebi isso, eu tirei as coisas que n\u00e3o precisava repetir. S\u00f3 que j\u00e1 quando a Polar estava acabando, essas m\u00fasicas, \u201cCarlos e Cec\u00edlia\u201d e \u201cBairro Peixoto\u201d j\u00e1 eram m\u00fasicas da Harmada. J\u00e1 era pra ter terminado a Polar antes. Aquelas m\u00fasicas j\u00e1 eram futuro.<br \/>\nBrynner: Eu acho at\u00e9 que de estilos bastantes diferentes da Polar e da Harmada, principalmente \u201cBairro Peixoto\u201d, que destoa em quest\u00e3o de pegada, de arranjo. Eu acho mais conciso. A Polar tinha uma coisa mais viajada, mais solta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manoel: A Harmada \u00e9 uma banda muito mais concisa, muito mais direta. A Polar enfrentava esse problema, porque no disco era super bem realizada, mas ao vivo era imposs\u00edvel fazer aquilo, entendeu? A gente n\u00e3o tinha um quarteto de cordas pra tocar as minhas m\u00fasicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como se deu a forma\u00e7\u00e3o da Harmada, depois do fim da Polar e da \u00e9poca em que voc\u00ea tocou com a Columbia?<\/strong><br \/>\nManoel: Inicialmente eu achei que ia fazer uma banda-s\u00f3-eu, que \u00e9 uma ideia que eu tenho ainda, de fazer um dia uma banda de um homem s\u00f3. Depois eu vi que n\u00e3o, que, mais uma vez, eu estava equivocado. Num momento de limbo, voc\u00ea n\u00e3o sabe exatamente o que vai fazer, voc\u00ea tem que pensar exatamente no que voc\u00ea vai fazer e o acaso vai trabalhando para que as coisas d\u00eaem certo, eu acho. Em algum momento, falei \u201cp\u00f4, vou chamar algu\u00e9m pra tocar bateria!\u201d, porque o embri\u00e3o de conseguir montar alguma coisa \u00e9 ter um baterista pra pelo menos levar aquelas m\u00fasicas \u00e0 frente, as que voc\u00ea est\u00e1 fazendo e as que voc\u00ea j\u00e1 tem. Chamei a Juliana porque achei que tinha a ver, que era algu\u00e9m que comprava a ideia, que gostava das m\u00fasicas e que podia se entregar ao projeto de uma forma mais natural. N\u00e3o ia ser uma pessoa que n\u00e3o sabe com quem est\u00e1 se metendo. Logo tamb\u00e9m chamei o Filipi, e deu certo esse n\u00facleo inicial. Um tempo depois entrou o Brynner e ent\u00e3o a gente fechou a forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os poucos shows realizados at\u00e9 agora foram pela inten\u00e7\u00e3o de privilegiar o disco? Por que \u201cM\u00fasica Vulgar Para Cora\u00e7\u00f5es Surdos\u201d demorou tanto tempo pra ficar pronto?<\/strong><br \/>\nManoel: A gente priorizou o disco porque eu achava que fazer show por fazer show&#8230; a Polar j\u00e1 foi uma experi\u00eancia. Pra uma banda do porte que era, a gente tocou muito, a gente viajou muito, ent\u00e3o eu n\u00e3o tinha essa necessidade de sair tocando. E tocar sem as pessoas conhecerem suas m\u00fasicas, hoje em dia com a cena do jeito que est\u00e1 no Brasil, \u00e9 meio como que falar pra surdo, n\u00e3o d\u00e1. Ent\u00e3o a gente pensou: \u201cvamos trabalhar nesse disco, vamos gastar esse tempo nesse disco\u201d. Por isso demorou esse tempo pra ficar pronto. Foi um disco muito pensado. E ele sai no momento em que tinha que sair.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brynner: Acho que os poucos shows que a gente fez foi mais como laborat\u00f3rio mesmo, de ver como funcionariam ao vivo as m\u00fasicas e tudo. Esse processo muito demorado foi uma coisa de ser muito pensado inicialmente, de ver como finalizar essas m\u00fasicas da melhor maneira poss\u00edvel e ver como o p\u00fablico iria reagir. O que voc\u00ea v\u00ea no final \u00e9 o resultado de muita consolida\u00e7\u00e3o e suor e&#8230; acho que \u00e9 o caminho certo para o que a gente quis dizer.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"605\" height=\"400\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/c_BlrBYSLrk\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"605\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/c_BlrBYSLrk\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco est\u00e1 dispon\u00edvel para pr\u00e9-venda no Itunes (<a href=\"http:\/\/itunes.apple.com\/us\/artist\/harmada\/id437411148\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>) e no ONErpm\u00a0 (<a href=\"https:\/\/www.onerpm.com\/#\/disco\/album&amp;album_number=291258590\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>) desde o dia 16 de maio. Qual a previs\u00e3o do lan\u00e7amento do disco f\u00edsico, se \u00e9 que existe?<\/strong><br \/>\nManoel: O disco f\u00edsico deve sair em junho. Ele est\u00e1 na f\u00e1brica, no momento dos tr\u00e2mites burocr\u00e1ticos. Acho que ter o disco f\u00edsico \u00e9 bacana&#8230; a gente quer fazer at\u00e9 o vinil dele depois. Porque assim, beleza, o MP3 \u00e9 maravilhoso, mas ainda tem muita gente que quer o disco, e a for\u00e7a do disco tamb\u00e9m \u00e9 diferente. Se te dou um disco, voc\u00ea vai ouvir e a sua rela\u00e7\u00e3o com aquele disco vai ser diferente do que se voc\u00ea baixar o MP3, que \u00e9 coisa que voc\u00ea faz todo dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brynner: \u00c9 a informa\u00e7\u00e3o completa, n\u00e9? A parte gr\u00e1fica, o conceito. Hoje voc\u00ea ouve m\u00fasicas isoladas do artista X ou Y e voc\u00ea perde toda a ideia brilhante ou negativa do \u00e1lbum. Com o disco f\u00edsico fica mais f\u00e1cil de representar esse conceito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manoel: E esse disco tem essa ideia mesmo, de representar um disco em si. Ele n\u00e3o \u00e9 \u201cM\u00fasica Vulgar Para Cora\u00e7\u00f5es Surdos\u201d a toa. Ele tem esse conceito, ele faz sentido com tudo o que est\u00e1 ali no disco f\u00edsico e vai vir com uma revista explicando um pouco do disco. Acho \u00f3timo dar MP3, mas eu ia gostar que as pessoas comprassem o disco tamb\u00e9m, at\u00e9 porque \u00e9 a maneira que a gente vai encontrar pra fazer outro disco. \u00c9 um jeito que a gente tenta manter a banda. Mas a gente vai divulgar, vai liberar as MP3, porque quero mais \u00e9 que todo mundo ou\u00e7a mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre essa quest\u00e3o de custear os pr\u00f3ximos \u00e1lbuns, o que voc\u00eas acharam dessa iniciativa da Letuce de abrir a cota de patroc\u00ednio para o p\u00fablico? Voc\u00eas repetiriam isso?<\/strong><br \/>\nManoel: Cara, acho a ideia muito boa. Acho que inicialmente vai at\u00e9 dar certo. N\u00e3o foi s\u00f3 a Letuce, mas tem a\u00ed a Luisa Mandou um Beijo e outras bandas fazendo isso. S\u00f3 que acho que as pessoas est\u00e3o muito empolgadas com isso e que, sinceramente, isso talvez n\u00e3o tenha f\u00f4lego. Que quem est\u00e1 bancando isso, est\u00e1 bancando porque \u00e9 novidade. Com Letuce e Luisa vai dar certo, mas vai vir uma galera que vai come\u00e7ar a fazer, muita gente vai come\u00e7ar a fazer e as pessoas v\u00e3o pensar. Acho que as pessoas n\u00e3o v\u00e3o bancar os discos assim. Pode ser que d\u00ea certo, mas n\u00e3o sei se \u00e9 esse o caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brynner: Na verdade \u00e9 mais uma tentativa no meio de tudo. Teve o caminho do Radiohead, de querer saber o quanto seu disco vale, e agora vem o \u201cvoc\u00ea financiaria o meu disco?\u201d.<br \/>\nManoel: A gente estava falando que a ind\u00fastria faliu. Essa \u00e9 mais uma tentativa de saber como vai ser agora. Ningu\u00e9m garante que vai dar certo, ningu\u00e9m garante que n\u00e3o vai dar, mas acho que a gente ainda vai penar um pouco antes de descobrir o caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A gente percebe que h\u00e1 algumas imagens que se repetem no disco da Harmada: a televis\u00e3o ligada, as luzes da cidade, outdoors, filmes, fotografias.<\/strong>..<br \/>\nManoel: Isso tudo foi muito pensado. Porque esse \u00e9 um disco sobre a cidade, \u00e9 um disco sobre a metr\u00f3pole e de voc\u00ea enxergar a metr\u00f3pole com suas nuances, com suas imagens. \u00c9 sobre como o nosso olhar acaba um pouco viciado por essa transposi\u00e7\u00e3o da imagem, da liga\u00e7\u00e3o com a imagem. A \u00faltima m\u00fasica \u00e9 sobre isso e fala sobre uma mulher que est\u00e1 l\u00e1 num outdoor, est\u00e1 na cidade, todo mundo a v\u00ea, mas como ela \u00e9 dentro da casa dela? Aquela pessoa est\u00e1 exposta, mas ela n\u00e3o significa necessariamente nada; \u00e9 s\u00f3 uma representa\u00e7\u00e3o daquela civiliza\u00e7\u00e3o. O disco tem muito isso de como as pessoas se relacionam com a cidade, de como elas enxergam a cidade, de como \u00e0s vezes elas passam batidas pelas coisas da cidade e como essas coisas da cidade influenciam essas pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como vai ser o esquema de shows agora? Voc\u00ea tem alguma esperan\u00e7a de que haja um ressurgimento de uma cena independente no Rio de Janeiro?<\/strong><br \/>\nManoel: Cara, eu n\u00e3o tenho muita esperan\u00e7a, de verdade. Deve rolar agora o Studio RJ, baseado no Studio SP que realmente movimentou S\u00e3o Paulo. S\u00f3 que S\u00e3o Paulo n\u00e3o \u00e9 o Rio. Ia ser maravilhoso se o Studio RJ viesse pra movimentar e fazer o Rio ter uma cena bacana. A gente torce por isso. Mas eu, no momento, n\u00e3o acredito muito no Rio pelo jeito que o p\u00fablico se porta. As pessoas est\u00e3o muito entregues. A gente deve come\u00e7ar a turn\u00ea por Curitiba, que \u00e9 um lugar onde talvez as pessoas entendam mais o que a gente quer dizer. \u00c9 uma cidade que pensa sobre a cidade, que \u00e9 tida como modelo para o Brasil mas que os pr\u00f3prios curitibanos criticam, o que quer dizer que eles tem uma no\u00e7\u00e3o de onde eles vivem. Eles n\u00e3o s\u00e3o iludidos por essa venda da imagem de uma cidade maravilhosa que a gente sabe que n\u00e3o \u00e9. O Rio n\u00e3o \u00e9 uma cidade maravilhosa, mas ainda compra essa ideia. E tem S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m, que \u00e9 at\u00e9 mais citada no disco do que o pr\u00f3prio Rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Pra encerrar agora, remetendo \u00e0quela entrevista l\u00e1 de 2005, h\u00e1, n\u00e3o mais no Rio, mas no Brasil, quatro bandas que voc\u00ea destacaria como prontas?<\/span><\/strong><br \/>\nManoel: Ningu\u00e9m que seja bom no Brasil est\u00e1 pronto para sem comprado nesse momento. Isso \u00e9 a grande sacada dessa gera\u00e7\u00e3o. Todo mundo que \u00e9 bom no Brasil est\u00e1 procurando o caminho de n\u00e3o ser comprado. No m\u00e1ximo, saber se vender sozinho. Finalmente a gente est\u00e1 livre artisticamente. Nos anos 80 era tudo muito preso na quest\u00e3o art\u00edstica, era muito mais mercadol\u00f3gico; os 90 foram um passo a frente em rela\u00e7\u00e3o a isso; os anos 2000 foi o crash, foi quando a merda ia ter que acontecer pra algu\u00e9m conseguir dar esse grande passo que eu acho que a gente ta dando agora. Quem \u00e9 bom no Brasil, quem consegue fazer alguma coisa art\u00edstica no Brasil n\u00e3o est\u00e1 pronto para ser vendido e \u00e9 muito bom que n\u00e3o esteja. Eu posso citar bandas que, nesse sentido, n\u00e3o est\u00e3o prontas, como o Violins, que \u00e9 uma banda foda, algo hist\u00f3rico no Brasil. Se voc\u00ea pegar um caminho depois do \u201cBloco do Eu Sozinho\u201d, o \u201cGrandes Infi\u00e9is\u201d \u00e9 um disco que segue esse caminho, essa linhagem da arte. L\u00e1 em Curitiba tem o Hotel Avenida, que \u00e9 o trabalho do Giancarlo Rufatto, que tamb\u00e9m est\u00e1 tendo uma \u00f3tima sacada sobre como \u00e9 a nova ind\u00fastria. O Gian vende ele mesmo, ele n\u00e3o precisa de gravadora, n\u00e3o quer gravadora. O cara quer que todo mundo ou\u00e7a e bota tudo dele na internet, batalha e as pessoas curtem. Isso \u00e9 o caminho. Talvez a Apple salve a ind\u00fastria um dia com essa coisa do Itunes, essas coisas, mas n\u00e3o vai salvar pra todo mundo. Vai salvar pra quem est\u00e1 sabendo ser esperto hoje e criar a sua arte. N\u00e3o \u00e9 nem ser esperto, na verdade. \u00c9 ser verdadeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8573 aligncenter\" title=\"harmada_capa\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/harmada_capa.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.oinovosom.com.br\/harmada\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>http:\/\/www.oinovosom.com.br\/harmada<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Jorge Wagner\nManoel Magalh\u00e3es analisa o mercado, elogia Curitiba e conta sobre o disco de estreia do Harmada, sua nova banda\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/05\/23\/entrevista-harmada\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8571"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8571"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8571\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73537,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8571\/revisions\/73537"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8571"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8571"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8571"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}