{"id":85665,"date":"2024-11-29T01:42:20","date_gmt":"2024-11-29T04:42:20","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=85665"},"modified":"2024-12-21T00:23:24","modified_gmt":"2024-12-21T03:23:24","slug":"especial-os-50-anos-do-classico-the-lamb-lies-down-on-broadway-do-genesis-e-a-turne-que-separou-peter-gabriel-da-banda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/29\/especial-os-50-anos-do-classico-the-lamb-lies-down-on-broadway-do-genesis-e-a-turne-que-separou-peter-gabriel-da-banda\/","title":{"rendered":"Especial (2\/2): Os 50 anos de \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d, do Genesis, e a turn\u00ea que separou Peter Gabriel da banda"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto especial de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/BrunoPinguim47\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Moraes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d, o cl\u00e1ssico disco do Genesis que completou 50 anos de lan\u00e7amento no dia 22\/11, \u00e9 um \u00e1lbum duplo. No vinil, isso significa dois discos, em um total de quatro lados. Esta reportagem especial segue o mesmo formato, tentando abordar um aspecto da hist\u00f3ria do disco em cada uma de suas quatro partes (divididas em duas postagens).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>No Lado A, a Scream &amp; Yell contou alguns detalhes da hist\u00f3ria inicial do Genesis, das suas origens em um internato at\u00e9 a primeira turn\u00ea internacional entre 1973 e 1974. Depois, o Lado B trouxe os contos de intriga e suspense em torno da concep\u00e7\u00e3o inicial do \u00e1lbum.<\/em><\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/22\/especial-aos-50-anos-os-temas-de-the-lamb-lies-down-on-broadway-disco-classico-do-genesis-mantem-sua-relevancia\/\"><strong>LEIA A PARTE 1<\/strong><\/a><\/span><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Trocando os \u201cdiscos\u201d, agora partimos para terceira parte da reportagem, que se debru\u00e7a sobre as sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o e mixagem, aproveitando para discutir alguns significados da fic\u00e7\u00e3o confusa e simb\u00f3lica apresentada por \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d. Para fechar, no Lado D, a turn\u00ea que se seguia ao disco e outros aspectos do que aconteceu depois do lan\u00e7amento.<\/em><\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Lado C: Por que o cordeiro se deitou na Broadway?<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">A etapa inicial de concep\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o de \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d foi atravessada pelos conflitos art\u00edsticos e escolhas pessoais de seus criadores. A grava\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi nem um pouco mais f\u00e1cil. Mas, desta vez, os problemas eram de outra natureza.<\/p>\n<figure id=\"attachment_85667\" aria-describedby=\"caption-attachment-85667\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-85667 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/09-_93945152_glaspant2-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/09-_93945152_glaspant2-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/09-_93945152_glaspant2-copiar-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-85667\" class=\"wp-caption-text\"><em>Mans\u00e3o Glaspant, onde as sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o foram conduzidas.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda havia se relocado para a Mans\u00e3o Glaspant, no Pa\u00eds de Gales, est\u00fadio que tamb\u00e9m j\u00e1 recebeu Black Sabbath e Freddie Mercury. L\u00e1, seriam realizadas, entre agosto e outubro, as sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o dos quatro lados do \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d. A conex\u00e3o da mans\u00e3o com o disco deu ao local uma fama que se estende at\u00e9 os tempos atuais. Em 2017, <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/uk-wales-south-west-wales-38858022\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma reportagem da BBC News<\/a> entrevistou Paul e Philippa Sibert, os ent\u00e3o donos da Glaspant, na ocasi\u00e3o do an\u00fancio da venda da propriedade (por \u201cpouco\u201d mais de 1 milh\u00e3o de libras, cerca de 8 milh\u00f5es de reais). Paul Sibert comenta: \u201cN\u00f3s convertemos o antigo est\u00fadio de grava\u00e7\u00f5es em acomoda\u00e7\u00f5es de veraneio. Os maiores interessados s\u00e3o f\u00e3s do Genesis. Nos anos 1970, a Island Records instalou um est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o m\u00f3vel para que a banda gravasse \u2018The Lamb Lies Down on Broadway\u2019. Ent\u00e3o n\u00f3s tivemos cinco loca\u00e7\u00f5es no ano passado s\u00f3 por conta disso.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Mans\u00e3o Glaspant passou por algumas etapas em sua hist\u00f3ria que a uniram ao mundo da m\u00fasica, antes de virar o lar das sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o do disco m\u00edtico do Genesis. Nos anos 1960, a gigantesca mans\u00e3o, ela pr\u00f3pria um s\u00edmbolo do quanto a passagem do tempo havia transformado os rumos da aristocracia brit\u00e2nica, deixava de servir de resid\u00eancia para os descendentes de Thomas Howell, para quem ela foi constru\u00edda na transi\u00e7\u00e3o entre os s\u00e9culos XVIII e XIX. Ela havia sido comprada por Angela Lyle, artista e herdeira de um dos fundadores do grupo aliment\u00edcio Tate &amp; Lyle. Com o dinheiro das refinarias de a\u00e7\u00facar, herdado de industrialistas burgueses, e um diploma de design de moda da Kingston Art College, Lyle se mudou para a antiga mans\u00e3o constru\u00edda para a nobreza. L\u00e1, come\u00e7ou a trabalhar na elabora\u00e7\u00e3o de figurinos para bandas de rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proximidade de Angela com o mundo da m\u00fasica das d\u00e9cadas de 1960 e 1970 levou as funcionalidades da mans\u00e3o Glaspant a se expandirem, e a gigantesca constru\u00e7\u00e3o se transformou em um espa\u00e7o de ensaios e, eventualmente, de grava\u00e7\u00e3o. \u00c9 quando o Genesis entra na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, novamente, a banda chegou fragmentada a essa etapa da hist\u00f3ria do \u00e1lbum.<\/p>\n<figure id=\"attachment_85669\" aria-describedby=\"caption-attachment-85669\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-85669\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/10-Peter-Jill-e-Anna-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"775\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/10-Peter-Jill-e-Anna-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/10-Peter-Jill-e-Anna-copiar-290x300.jpg 290w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-85669\" class=\"wp-caption-text\"><em>Peter, Jill e Anna-Marie Gabriel<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 26 de julho de 1974, nascia Anna-Marie Gabriel, primeira filha de Peter e Jill, ap\u00f3s uma gesta\u00e7\u00e3o complicada. Segundo reconta o m\u00fasico na entrevista de 2007, \u201cA gesta\u00e7\u00e3o, como \u00e9 para todo mundo na verdade, de repente se tornou a coisa mais importante nas nossas vidas. De longe! E ela teve um parto desastroso. N\u00f3s quer\u00edamos um parto o mais natural poss\u00edvel. Mas ela [Jill] teve uma infec\u00e7\u00e3o, que foi contra\u00edda a partir de uma agulha de anestesia epidural que n\u00e3o havia sido propriamente desinfetada. Ent\u00e3o ela estava com febre, e a beb\u00ea tinha voltas do cord\u00e3o umbilical em torno do pesco\u00e7o e o pulm\u00e3o cheio de gosma.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto seus companheiros de banda gravavam a por\u00e7\u00e3o instrumental do disco em Gales, Gabriel viajava entre o est\u00fadio na Mans\u00e3o Glaspant e a cidade de Bath, na Inglaterra, para estar com a fam\u00edlia. Enquanto a beb\u00ea Anna-Marie passava seus primeiros dias de vida em uma incubadora com febre e alto risco de vida, a equipe m\u00e9dica cuidava de Jill separadamente. \u201cEles n\u00e3o deixavam minha esposa ver Anna, porque eles acreditavam que seria cruel que ela formasse la\u00e7os com um beb\u00ea que provavelmente n\u00e3o sobreviveria\u201d, comenta Peter, refletindo: \u201cEles n\u00e3o fariam isso hoje em dia, mas eles acreditavam estar sendo gentis.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os outros membros da banda n\u00e3o foram muito compreensivos. Talvez devido \u00e0s situa\u00e7\u00f5es anteriores que arriscaram atrasar o \u00e1lbum, e que poderiam ter sido evitadas caso Gabriel tivesse sido mais flex\u00edvel. Ainda assim, abandonar o colega de banda e pression\u00e1-lo a retornar ao est\u00fadio o mais r\u00e1pido poss\u00edvel foi um ato que, d\u00e9cadas depois, ainda parecia gerar arrependimento. Na mesma entrevista de 2007, por exemplo Mike Rutherford comenta: \u201cOlhando para tr\u00e1s, n\u00f3s n\u00e3o demos nenhum suporte. N\u00f3s \u00e9ramos jovens, est\u00e1vamos focados de maneira intensa no \u00e1lbum, com uma mentalidade de \u2018o nosso objetivo \u00e9 esse\u2019. Enquanto o pobre Peter estava tendo que lidar com esse nascimento terrivelmente traum\u00e1tico, e n\u00f3s n\u00e3o oferecemos nenhuma ajuda a ele, o que deve ter sido dif\u00edcil\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Lamb Lies Down On Broadway Reissues Interview 2007\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ejs1G2yLBM8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista para John Edgington, quarenta anos ap\u00f3s o ocorrido, Steve Hackett \u2014 que tamb\u00e9m estava lidando com quest\u00f5es pessoais \u00e0 \u00e9poca, com um div\u00f3rcio se desenrolando em meio \u00e0s grava\u00e7\u00f5es e um filho com menos de um ano de idade \u2014 elaborou: \u201cN\u00f3s fomos terr\u00edveis. N\u00f3s \u00e9ramos ruins para falar sobre as coisas, ou \u00e9ramos ruins para ouvir!\u201d, ao que Tony Banks retruca: \u201cAcho que n\u00f3s n\u00e3o pens\u00e1vamos que havia muito espa\u00e7o para que essas quest\u00f5es pessoais estivessem em primeiro plano. O que \u00e9 parte de como n\u00f3s fomos criados. Quer dizer, esse jeito de ser n\u00e3o ajuda!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, o jeito brit\u00e2nico de ser, junto \u00e0s press\u00f5es gerais para que homens ocidentais n\u00e3o lidem de forma aberta com seus sentimentos, parece ter sido um componente central nos conflitos que levaram o Genesis a se separar. Vale tamb\u00e9m destacar que os membros da banda tinham entre 23 e 24 anos \u00e0 \u00e9poca, uma idade ainda bastante jovem para conseguir equilibrar com maturidade as rela\u00e7\u00f5es pessoais e profissionais junto a esses dramas e trag\u00e9dias \u00edntimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja como for, junto ao produtor John Burns, o Genesis gravou um \u00e1lbum potente e com inova\u00e7\u00f5es experimentais e tra\u00e7os de psicodelia. Fruto de sess\u00f5es de improvisa\u00e7\u00e3o e expurgo das emo\u00e7\u00f5es conflitantes, o resultado final \u00e9 um disco diferente de todo o cat\u00e1logo da banda, n\u00e3o apenas na tem\u00e1tica e na \u00e9poca e ambienta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, mas tamb\u00e9m em sonoridade e estrutura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEu acho que a gente decidiu por gravar um \u00e1lbum duplo porque, assim, ter\u00edamos mais espa\u00e7o. Era uma \u00e9poca em que dava pra lan\u00e7ar um desses, e sent\u00edamos que um \u00e1lbum simples podia ser restritivo\u201d, reconta Mike Rutherford na entrevista de 2007. O m\u00fasico detalha ent\u00e3o os resultados de fugir a essas restri\u00e7\u00f5es: \u201cN\u00f3s t\u00ednhamos a vis\u00e3o de que, com mais tempo para trabalhar em ideias, n\u00f3s poder\u00edamos fazer algumas jams e improvisa\u00e7\u00f5es. Ser um pouco mais livres!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O uso de um est\u00fadio m\u00f3vel em uma localidade que n\u00e3o havia sido isolada acusticamente tamb\u00e9m contribuiu para um resultado distinto. O modo de grava\u00e7\u00e3o deu aos sons uma qualidade descrita pela banda como \u201camadeirada\u201d e mais pr\u00f3xima da sensa\u00e7\u00e3o das performances ao vivo, que raramente era replicada t\u00e3o bem no est\u00fadio.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Genesis - In The Cage (Official Audio)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6X57rw5cw3M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O espa\u00e7o de quatro lados permitiu que a banda inserisse faixas instrumentais, jams e alguns interl\u00fadios mais atmosf\u00e9ricos, como o que encerra \u201cIn The Cage\u201d, contrastando a pot\u00eancia e ritmo fren\u00e9tico da can\u00e7\u00e3o com uma sequ\u00eancia quase minimalista de teclados, baixo e flauta. Tanto \u201cIn the Cage\u201d quanto a faixa seguinte, \u201cThe Grand Parade of Lifeless Packaging\u201d t\u00eam uma not\u00e1vel participa\u00e7\u00e3o especial: como o disco foi finalizado e mixado nos est\u00fadios principais da Island, em Notting Hill ao mesmo tempo em que Brian Eno trabalhava no disco \u201cTaking Tiger Mountain (By Strategy)\u201d (1974), Gabriel convidou o m\u00fasico para contribuir com alguns efeitos, como a famosa t\u00e9cnica de processar vocais com uso de sintetizador conhecida como \u201cEnossification\u201d. Em troca, Phil Collins contribuiu com linhas de bateria em uma das faixas do \u201cTaking Tiger Mountain\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_85671\" aria-describedby=\"caption-attachment-85671\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-85671\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/11-genesis___rael__the_lamb_by_davidraphael_d1izfj4-fullview-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"309\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/11-genesis___rael__the_lamb_by_davidraphael_d1izfj4-fullview-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/11-genesis___rael__the_lamb_by_davidraphael_d1izfj4-fullview-copiar-300x124.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-85671\" class=\"wp-caption-text\"><em>Interpreta\u00e7\u00e3o de algumas cenas da narrativa central do &#8220;The Lamb Lies Down on Broadway&#8221;, por David Raphael<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos est\u00e9ticos, a tentativa de contar uma hist\u00f3ria com m\u00fasicas que remetessem aos Estados Unidos funcionou parcialmente. \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d \u00e9 claramente um \u00e1lbum de rock progressivo ingl\u00eas. Menos pastoral, com mais urbanidade e mesmo toques que antecipam a agressividade do punk aqui e ali. Mas, seja na linguagem utilizada nas letras \u2014 que tornam Rael o novaiorquino-portorriquenho mais brit\u00e2nico do mundo \u2014 seja nas composi\u00e7\u00f5es claramente alinhadas com o jeito ingl\u00eas de se fazer prog-rock, o \u00e1lbum est\u00e1 longe de atingir a meta de ser uma ruptura completa com o portf\u00f3lio da banda at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, ao tentar escapar a refer\u00eancias do mundo que conheciam, os jovens artistas (em especial Peter, a principal voz por tr\u00e1s do conceito e das letras) conseguiram construir uma identidade sonora \u00fanica, al\u00e9m de esbarrar em quest\u00f5es tem\u00e1ticas universais e construir par\u00e1bolas potentes sobre a condi\u00e7\u00e3o humana. Algumas dessas par\u00e1bolas foram tidas como dif\u00edceis de compreender e opacas tanto para a cr\u00edtica da \u00e9poca quanto para outros membros do Genesis \u2014 em especial Tony Banks que, por diversas vezes, citou o componente narrativo como a parte mais fraca e dispens\u00e1vel do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas hoje, em uma \u00e9poca em que f\u00f3runs, comunidades no Reddit e videoensaios de horas no YouTube se dedicam \u00e0 decodifica\u00e7\u00e3o e discuss\u00e3o coletiva de obras de arte, parte da cultura adquiriu ferramentas de an\u00e1lise importantes para se ler \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d como um texto multim\u00eddia cheio de significados. Alguns destes significados tamb\u00e9m estavam escondidos em 1974 por discutirem aspectos da cultura ocidental que, embora levantados por figuras da filosofia, sociologia e literatura do S\u00e9culo XX como Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre, Frantz Fanon e Maya Angelou, ainda estavam pouco disseminados na cultura de maneira geral. Em compara\u00e7\u00e3o, em 2024 vemos canais de YouTube como <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@OraThiago\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ora Thiago<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@lullydeverdade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lully de Verdade<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@mimimidias\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mimimidias<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@LindsayEllisVids\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lindsay Ellis<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@FDSignifire\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">F.D. Signifier<\/a> falando sobre cinema, m\u00fasica, s\u00e9ries e livros por uma perspectiva aprofundada de an\u00e1lise de m\u00eddia, com o menor destes canais contando com quase 140 mil inscritos. O resto desta se\u00e7\u00e3o, que surge nesta mesma internet de 2024, ir\u00e1 abordar o conte\u00fado musical e algumas das leituras poss\u00edveis de se fazer da hist\u00f3ria contada pelo disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d se inicia com a faixa t\u00edtulo, que tem uma abertura en\u00e9rgica no piano, crescendo gradualmente em volume e intensidade at\u00e9 que Peter Gabriel come\u00e7a a cantar e a banda acrescenta ainda mais pot\u00eancia. A faixa \u00e9 a \u00fanica a citar diretamente o cordeiro do t\u00edtulo, s\u00edmbolo de inoc\u00eancia e pureza e uma alegoria b\u00edblica inescap\u00e1vel que, logo na primeira frase, aparece deitado em meio \u00e0 movimentada e igualmente ic\u00f4nica Broadway. O contraste entre a movimentada avenida em uma megal\u00f3pole brutal e a imagem do cordeiro parece apelar \u00e0 esperan\u00e7a de que alguma pureza \u00e9tica ou moral possa residir mesmo na impessoalidade do mundo contempor\u00e2neo, e \u00e9 atr\u00e1s dessa ess\u00eancia bondosa e incorrupt\u00edvel que o &#8220;punk&#8221; Rael parte, mesmo que sem consci\u00eancia ou vontade expl\u00edcita de reencontrar a pr\u00f3pria inoc\u00eancia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Genesis - The Lamb Lies Down On Broadway (Official Audio)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hioAbdhfN_w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A faixa descreve o in\u00edcio do amanhecer sobre a paisagem na qual o jovem portorriquenho membro de gangue sobrevive, pichando paredes, entrando em brigas e cuspindo bravatas contra a sociedade que o endureceu com seu desprezo. Rael sai da esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 conseguindo esconder dos policiais que guarda uma lata de spray, e passa por figuras que trabalharam ou farrearam ao longo da madrugada de uma cidade insone. Rael passa pelo cordeiro, que o texto do encarte frisa n\u00e3o ter \u201cnenhuma rela\u00e7\u00e3o com Rael ou com nenhum outro cordeiro, ele apenas est\u00e1 deitado na Broadway\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estranhando o animal, e os olhares de temor e desprezo que mulheres desferem ao jovem protagonista, que se orgulha de &#8220;n\u00e3o ser o tipo delas&#8221;, Rael continua sua prociss\u00e3o solit\u00e1ria por Nova York, at\u00e9 testemunhar algo que consegue superar o cordeiro em estranheza: uma parede s\u00f3lida avan\u00e7a pelas ruas, engolindo pessoas e pr\u00e9dios e os exibindo em sua superf\u00edcie desprovidos de sua profundidade. N\u00e3o conseguindo escapar dessa for\u00e7a impar\u00e1vel, que parece transformar a realidade em uma cena de cinema, Rael \u00e9 finalmente engolido tamb\u00e9m. Ap\u00f3s passar por uma prociss\u00e3o de figuras e mem\u00f3rias da Nova York do s\u00e9culo XX, como Martin Luther King, o empres\u00e1rio Howard Hughes, os comediantes Groucho Marx e Lenny Bruce e mesmo a Ku Klux Klan, Rael \u00e9 transportado de vez para um mundo m\u00e1gico e surreal, que se assemelha a uma vers\u00e3o adulta do Pa\u00eds das Maravilhas, ou o mundo de expia\u00e7\u00e3o, mist\u00e9rio e humor absurdo de &#8220;O Terceiro Tira&#8221; de Flann O&#8217;Brien.<\/p>\n<figure id=\"attachment_85672\" aria-describedby=\"caption-attachment-85672\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-85672\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CENAS.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CENAS.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CENAS-300x112.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-85672\" class=\"wp-caption-text\"><em>Cenas da turn\u00ea de promo\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum, ilustrando o mundo surreal no qual o protagonista Rael adentra<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez neste outro mundo, a jornada de Rael \u00e9 extensa \u2014 o disco tem a dura\u00e7\u00e3o de um longa-metragem. Ao inv\u00e9s de detalhar cada passo dessa odisseia filos\u00f3fica de despertar espiritual, vale a pena se focar em alguns temas e imagens que aparecem repetidas vezes ao longo da hist\u00f3ria. Inclusive porque, assim como o Genesis se utilizou anteriormente de figuras como a Rainha de Maio, Romeu, Julieta e Tir\u00e9sias para falar do tempo presente, as criaturas e situa\u00e7\u00f5es incomuns que Rael encontra em sua viagem tamb\u00e9m falam sobre a sociedade de 1974. Por exemplo: ap\u00f3s ser engolido pela parede e adormecer abra\u00e7ado por um casulo \u2014 curiosamente, feito de &#8220;l\u00e3 empoeirada&#8221; \u2014 Rael acorda em uma caverna dentro da qual fica preso em uma jaula de estalactites. Ap\u00f3s ver seu irm\u00e3o John do lado de fora e implorar por ajuda, Rael se depara com a indiferen\u00e7a do irm\u00e3o, que apenas o encara em sil\u00eancio e, no m\u00e1ximo, chora uma \u00fanica l\u00e1grima de sangue em resposta a seu desespero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse tema de isolamento emocional e da falta de compaix\u00e3o \u00e9 recorrente no \u00e1lbum. A supress\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es \u00e9 parte da &#8220;casca&#8221; que Rael construiu para sobreviver em seu mundo, e v\u00e1rios elementos dessa casca ser\u00e3o desfeitos at\u00e9 o final do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo na sequ\u00eancia, outro exemplo de tema contempor\u00e2neo \u00e9 que, ap\u00f3s o final da fren\u00e9tica e angustiada &#8220;In the Cage&#8221;, que narra a hist\u00f3ria da caverna, o disco nos apresenta uma met\u00e1fora muito ir\u00f4nica sobre o capitalismo. Rael desperta novamente e v\u00ea que se encontra em uma f\u00e1brica, onde aparentemente as almas s\u00e3o preparadas para reencarnar em uma linha de montagem, que termina com a classifica\u00e7\u00e3o e embalagem dos sem-vida, devidamente numerados e anunciados como produtos pela dona da empresa. Se at\u00e9 o p\u00f3s-vida foi contaminado pelo consumismo, como esperar um mundo dos vivos que n\u00e3o seja indiferente, gerando legi\u00f5es de pessoas exclu\u00eddas e cheias de \u00f3dio como Rael? John parece ter se rendido ao caminho mais socialmente aceit\u00e1vel. Com o n\u00famero 9 estampado na testa, ele parece trabalhar para o sistema que tamb\u00e9m o cuspiu para fora por motivos socioecon\u00f4micos e raciais, integrando a linha de montagem e &#8220;vestindo a camisa da empresa&#8221; exaltando superlativos sobre as almas empacotadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cinquenta anos depois, em um mundo marcado pela pejotiza\u00e7\u00e3o e afrouxamento de leis trabalhistas, a imagem da &#8220;Grande parada do empacotamento dos sem-vida&#8221; bate do\u00eddo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lado B do disco abre com o som de um baixo marcando um ritmo que se assemelha \u00e0 batida de um cora\u00e7\u00e3o, mais um s\u00edmbolo que faz pensar numa jornada para o \u00edntimo. Esse padr\u00e3o de batimento card\u00edaco j\u00e1 havia aparecido no come\u00e7o de &#8220;In the Cage\u201d e volta a dar as caras em outros momentos, como na por\u00e7\u00e3o em que a intensidade de \u201cThe Waiting Room\u201d come\u00e7a a crescer. Neste lado do disco, n\u00f3s conhecemos o cora\u00e7\u00e3o de Rael. Literalmente, ele tem sua superf\u00edcie peluda (como um carneiro?) totalmente raspada na instrumental \u201cHairless Heart\u201d. Apropriadamente, \u00e9 apresentada uma faceta insegura e rid\u00edcula por tr\u00e1s da tal &#8220;casca&#8221; de bravura e masculinidade que Rael finge ser para as outras pessoas. Em outro conjunto de m\u00fasicas que parecem mais adequadas \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o em 2024, o \u00e1lbum constr\u00f3i uma poss\u00edvel discuss\u00e3o sobre a masculinidade t\u00f3xica t\u00e3o discutida recentemente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Hairless Heart (Live from the Shrine Auditorium, Los Angeles, CA, 24\/1\/1975)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MMfmCSV3Cwk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cBack in N.Y.C.\u201d, Rael se v\u00ea em uma recria\u00e7\u00e3o de Nova York. Ap\u00f3s o princ\u00edpio da jornada ter come\u00e7ado a expor seus medos e ang\u00fastias, o retorno a uma paisagem familiar faz com que o protagonista volte a exaltar sua bravura e a da gangue da qual \u00e9 l\u00edder. Ele fala sobre ter sido preso em um reformat\u00f3rio, sobre os coquet\u00e9is molotov que atira pela cidade nas madrugadas e sobre suas conquistas sexuais. A linguagem utilizada para falar de sexo \u00e9 brutal e desumanizante: \u201cEu provei das carnes mais fortes, e as deitei em len\u00e7\u00f3is coloridos\u201d, ele diz num verso. No refr\u00e3o, ele escancara ainda mais: \u201cN\u00e3o h\u00e1 tempo para escapadas rom\u00e2nticas quando seu cora\u00e7\u00e3o felpudo est\u00e1 pronto para o estupro\u201d. Ap\u00f3s esse cora\u00e7\u00e3o felpudo ser raspado, j\u00e1 sem a bravata e a necessidade de expor essa macheza artificial, a verdade vem \u00e0 tona: ao inv\u00e9s do mach\u00e3o viril, agressivo e experiente, Rael volta \u00e0s mem\u00f3rias de seu primeiro encontro sexual. Nesta lembran\u00e7a, vemos um jovem t\u00edmido, medroso e que foi atr\u00e1s de comprar um manual para aprender o que fazer na cama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cCounting out Time\u201d, a m\u00fasica que conta o epis\u00f3dio de frustra\u00e7\u00e3o de Rael, um pente \u00e9 usado como instrumento de sopro. Esse \u201cinstrumento\u201d incomum rende dois solos que acrescentam mais uma camada tragic\u00f4mica \u00e0 can\u00e7\u00e3o, e \u00e9 interessante pensar no pente como um s\u00edmbolo da vaidade, ou do cuidado com a apar\u00eancia como uma ferramenta de conquista sexual. Mas a tal publica\u00e7\u00e3o, que Rael considera a ferramenta central e serve como foco da letra, n\u00e3o funciona t\u00e3o bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s estudar neuroticamente o livro \u201cZonas Er\u00f3genas e Onde Encontr\u00e1-las\u201d, Rael e a mulher em quest\u00e3o t\u00eam uma imensa decep\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o existe um manual para algo complexo e pessoal como a intimidade. Tendo em vista a ascens\u00e3o recente de livros, podcasts e influencers que tentam vender ilus\u00f5es e f\u00f3rmulas m\u00e1gicas da sedu\u00e7\u00e3o para jovens homens heterossexuais frustrados, com dicas sem sentido sobre masculinidade, sobre psicologia e sobre uma vers\u00e3o irreal e desumana do funcionamento da mente feminina, a exposi\u00e7\u00e3o do rid\u00edculo vivido por Rael ganha um eco triste e preocupante.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Genesis - Counting Out Time (Official Audio)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Z9CMOMgPb00?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 nessa falta de refer\u00eancias saud\u00e1veis para pessoas nascidas em corpos masculinos que boa parte da mensagem do \u00e1lbum parece se focar. A cada passo do disco, Rael \u201craspa\u201d um pouco mais seu cora\u00e7\u00e3o: ele aprende a confiar em outras pessoas, seguindo uma mulher cega que prometia gui\u00e1-lo para fora de um sal\u00e3o enigm\u00e1tico \u2014 acessado por um sal\u00e3o coberto por um tapete de l\u00e3 de cordeiro \u2014 onde pessoas estavam presas, pois 31 das 32 portas levavam de volta ao local (\u201cLilywhite Lilith\u201d); ele encontra a morte, fantasiada de \u201canestesista sobrenatural\u201d, e aprende a aceitar o medo, n\u00e3o como algo que o diminui, mas como parte da experi\u00eancia humana frente ao desconhecido; ele se deixa seduzir por tr\u00eas criaturas meio serpentes e meio mulheres humanas, inspiradas na figura mitol\u00f3gica da L\u00e2mia, que nos mitos gregos seduzia jovens e depois os devorava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria das L\u00e2mias traz outro ponto interessante \u00e0 hist\u00f3ria de Rael. Em uma invers\u00e3o da mitologia, ao morderem a pele do jovem s\u00e3o as serpentes que morrem, deixando-o sozinho e tristonho pela perda de suas amantes. Na tentativa desesperada de levar consigo alguma parte daquela conex\u00e3o afetiva, \u00e9 Rael que devora os corpos sem vida das L\u00e2mias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria da sedu\u00e7\u00e3o de Rael desemboca na col\u00f4nia dos \u201cSlippermen\u201d. Numa tradu\u00e7\u00e3o direta, os \u201chomens escorregadios\u201d s\u00e3o figuras grotescas de pele verde-amarelada, cobertos por p\u00fastulas gosmentas e dotados de vozes borbulhantes e repulsivas. Ap\u00f3s interagir, a contragosto, com um desses seres, Rael descobre que ele pr\u00f3prio se transformou em um Slipperman. Neste ponto, pr\u00f3ximo ao fim da jornada, Rael descobre que todos os habitantes da col\u00f4nia passaram pela mesma hist\u00f3ria com as L\u00e2mias: o ato de seduzir e ser seduzido, a paix\u00e3o e, por fim, a morte das serpentes levava \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o em um daqueles seres. Percebendo que John tamb\u00e9m havia passado pelo mesmo processo c\u00edclico, os dois irm\u00e3os partem juntos para o consult\u00f3rio de um m\u00e9dico que pode remover a raiz do problema, restaurando-os \u00e0 forma humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um momento de pouca sutileza de Peter Gabriel, descobre-se que \u201ca raiz do problema\u201d era o p\u00eanis. Sigmund Freud provavelmente seria um f\u00e3 de \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A remo\u00e7\u00e3o do falo, um s\u00edmbolo associado \u00e0 masculinidade tradicional, parece significar que, para voltar a ser humano, Rael precisa abandonar os aspectos monstruosos de sua masculinidade. N\u00e3o que para estar alinhada com a masculinidade uma pessoa precise ter um p\u00eanis, ou que haja de algo essencialmente monstruoso neste \u00f3rg\u00e3o em particular, mas este parece o s\u00edmbolo que Peter Gabriel tentou utilizar em 1974. A \u201ccasca\u201d que Rael precisou construir passa pelas expectativas sociais sobre quem \u00e9 percebido como homem, e parte destas expectativas ainda est\u00e1 muito atrelada aos dois polos que ocorrem mais frequentemente no sexo biol\u00f3gico \u2014 apesar de felizmente a diversidade humana ser muito maior e mais bela do que isso. A agressividade, a proje\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a para n\u00e3o ser percebido como fraco, a vigil\u00e2ncia constante do comportamento pr\u00f3prio e dos outros e a supress\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es como carinho e compaix\u00e3o, todos elementos da \u201ccasca\u201d da masculinidade t\u00f3xica de Rael, tamb\u00e9m s\u00e3o parte dessas expectativas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_85674\" aria-describedby=\"caption-attachment-85674\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-85674 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/SLIPERMAN-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"609\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/SLIPERMAN-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/SLIPERMAN-1-300x244.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-85674\" class=\"wp-caption-text\"><em>Peter Gabriel como um Slippeman em um dos shows da turn\u00ea de \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d. A p\u00fastula mais abaixo, na dire\u00e7\u00e3o da virilha, inflava e desinflava ao longo da m\u00fasica.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 interessante analisar que a primeira vez que Rael e seu irm\u00e3o est\u00e3o realmente juntos, isso se d\u00e1 no \u00e2mbito da remo\u00e7\u00e3o de suas masculinidades. Tudo isso ao som da espetacular can\u00e7\u00e3o \u201cThe Colony of Slippermen\u201d que, em oito minutos de puro virtuosismo e criatividade, acompanham o protagonista da chegada \u00e0 col\u00f4nia at\u00e9 o momento em que um corvo gigante rouba seu \u201climpador de para-brisa\u201d (nas palavras de uma das criaturas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O corvo leva \u00e0 segunda ocasi\u00e3o em que Rael pede ajuda ao irm\u00e3o \u2014 para recuperar seu \u00f3rg\u00e3o decepado \u2014 e John novamente o renega, dizendo que onde o corvo voa, o perigo o acompanha, e ele n\u00e3o vai arriscar sua integridade (e o tubo contendo seu pr\u00f3prio \u00f3rg\u00e3o) para ajud\u00e1-lo. \u00c9 a \u00fanica fala do personagem John no disco, e a primeira vez em que Phil Collins assume o vocal principal, com Gabriel fazendo backing vocal. Rael segue o corvo sozinho, correndo pelos campos e seguindo as margens de um rio, e ele chega a se deparar com o que parece ser um portal de volta para casa na melanc\u00f3lica \u201cThe Light Dies Down on Broadway\u201d. A can\u00e7\u00e3o combina a melodia da faixa-t\u00edtulo e da \u201cThe Lamia\u201d, mas sem a energia agressiva da primeira ou a do\u00e7ura sedutora do arranjo que acompanha as serpentes. Antes mesmo de tomar uma decis\u00e3o entre continuar perseguindo o corvo ou tomar o caminho de volta para casa, Rael ouve a voz de John em meio \u00e0 correnteza do rio. E o jovem que come\u00e7ou essa jornada como um ser endurecido e individualista que tinha como mote \u201ceu nem me importo em quem eu estou batendo, mas eu sei que quem bate sou eu\u201d termina essa jornada sacrificando sua esperan\u00e7a de retorno \u00e0 normalidade em prol de algu\u00e9m que o renegou duas vezes. Com sua jornada de transforma\u00e7\u00e3o completada, resta apenas o estranho cl\u00edmax da \u00faltima m\u00fasica do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao carregar John para as margens do rio, Rael percebe que o rosto do irm\u00e3o e o dele s\u00e3o o mesmo. Ao conseguir finalmente ver-se em outra pessoa, a consci\u00eancia de Rael se expande para al\u00e9m de si pr\u00f3pria, e ele se v\u00ea em um estado de fronteiras dissolvidas, tornado um s\u00f3 com toda a exist\u00eancia. Nesse estado de ilumina\u00e7\u00e3o, que o disco chama de \u201cit\u201d, o Lamb chega a seu s\u00fabito fim, em uma m\u00fasica curta, en\u00e9rgica e repetitiva, cuja aposta central est\u00e1 nas v\u00e1rias maneiras de apresentar (com o m\u00e1ximo de trocadilhos e refer\u00eancias \u00e0 cultura pop poss\u00edvel) a ideia de que transcender o individualismo \u00e9 um caminho para sentir-se cosmicamente parte de um todo maior.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Genesis - It (Official Audio)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RUHnazM8-Xg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Genesis concebeu e gravou um disco de muita pot\u00eancia, ainda que parte desta pot\u00eancia estivesse justamente em sua estranheza. Quando chegou a hora de cair na estrada para divulgar o disco, as tens\u00f5es, desencontros e infort\u00fanios acompanharam a banda em sua turn\u00ea. Os resultados dessa turn\u00ea, e outros aspectos do que aconteceu depois do lan\u00e7amento, ser\u00e3o tema da quarta e \u00faltima parte desta reportagem especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-85675\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/14-Genesis-on-Stage-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/14-Genesis-on-Stage-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/14-Genesis-on-Stage-copiar-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Lado D: \u201cSua senten\u00e7a apenas come\u00e7ou!\u201d<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Genesis subiu ao primeiro palco da turn\u00ea de \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d no dia 20 de novembro em Chicago, em um cen\u00e1rio desfavor\u00e1vel (pra variar). O in\u00edcio da turn\u00ea havia sido, ao mesmo tempo, atrasado e cedo demais. Atrasado porque a primeira data da turn\u00ea deveria ter sido em 29 de outubro na Inglaterra, mas os shows no Reino Unido tiveram de ser reagendados porque Steve Hackett havia cortado a m\u00e3o em um acidente, na por\u00e7\u00e3o final das sess\u00f5es de mixagem do disco; e cedo demais porque o \u00e1lbum s\u00f3 seria lan\u00e7ado dois dias depois, em 22 de novembro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ferimento de Hackett, que adiou os onze shows programados para o Reino Unido, deu \u00e0 banda algum tempo a mais para se preparar. E havia mais do que s\u00f3 a m\u00fasica em jogo nessa prepara\u00e7\u00e3o. Ao final da mixagem, Gabriel estava totalmente convencido de que queria sair da banda, e talvez da ind\u00fastria da m\u00fasica como um todo. Tony Stratton-Smith havia convencido o vocalista a cumprir o contrato at\u00e9 o fim e cantar na turn\u00ea, mas Peter fez quest\u00e3o de contar aos membros que aquela tamb\u00e9m seria uma turn\u00ea de despedida para o Genesis como eles conheciam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os colegas ficaram abalados com a not\u00edcia, e a sa\u00edda iminente de Peter pairou sobre eles na estrada, como os fantasmas que Steve Hackett acreditava habitarem a Headley Grange. Essa assombra\u00e7\u00e3o, mais palp\u00e1vel, foi um dos fatores que levou ao machucado em sua m\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hackett conta na <a href=\"https:\/\/www.sfbayareaconcerts.com\/2014\/12\/an-interview-with-steve-hackett-of.html?m=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">entrevista para o portal \u201cSan Francisco Bay Area Concerts\u201d,<\/a> que ele estava em uma festa ap\u00f3s um show da Sensational Alex Harvey Band, tomando vinho em uma ta\u00e7a, quando ouviu algu\u00e9m comentar que os outros membros da banda n\u00e3o seriam nada sem Alex. A preocupa\u00e7\u00e3o com a possibilidade de logo haver pessoas em festas dizendo a mesma coisa do Genesis sem Peter Gabriel fez o m\u00fasico \u2014 que j\u00e1 devia estar uma pilha de nervos com o div\u00f3rcio e as mudan\u00e7as pendentes na banda que lhe servia de sustento \u2014 apertar demais a ta\u00e7a, cortando a m\u00e3o no processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-85676\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/15-Genesis_Lamb_Tour-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/15-Genesis_Lamb_Tour-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/15-Genesis_Lamb_Tour-copiar-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meses depois, ele subia ao palco em Chicago para fazer um show de promo\u00e7\u00e3o de um \u00e1lbum cujas partes de guitarra lhe deixavam inseguro, para uma plateia que n\u00e3o tinha ouvido uma nota sequer do ambicioso disco novo. A mescla das tens\u00f5es internas com a recep\u00e7\u00e3o confusa da plateia deve ter mexido profundamente com a confian\u00e7a da banda. Isso e o fato de que os elementos c\u00eanicos da turn\u00ea n\u00e3o funcionavam nem um pouco \u00e0 altura de sua ambi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode parecer corriqueiro hoje em dia que um show tenha tel\u00f5es com proje\u00e7\u00f5es de imagens ou v\u00eddeos ao fundo, j\u00e1 que at\u00e9 shows mais curtos em festivais permitem esse capricho. Mas, em 1974, n\u00e3o era nada trivial ter slides passando ao fundo, e o fato de que a banda resolveu trabalhar com mais de uma proje\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea fez com que muitas vezes as imagens se desencontrassem devido a erros em um dos oito projetores. Esse era s\u00f3 um dos aspectos da apresenta\u00e7\u00e3o que funcionou mal, manchando uma turn\u00ea que deve ter sido inacredit\u00e1vel de testemunhar ainda assim.<\/p>\n<figure id=\"attachment_85677\" aria-describedby=\"caption-attachment-85677\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-85677\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/16-Peter-Gabriel-Rael-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"962\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/16-Peter-Gabriel-Rael-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/16-Peter-Gabriel-Rael-copiar-234x300.jpg 234w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-85677\" class=\"wp-caption-text\"><em>Para interpretar Rael, Peter Gabriel recorreu a um corte de cabelo e roupas contempor\u00e2neas, o que talvez seja uma fantasia mais absurda para ele do que uma flor na cabe\u00e7a. Nos dias de hoje, o uso de maquiagem para escurecer a pele e emular uma apar\u00eancia mais hispanoamericana (\u201cbrownface\u201d), pr\u00e1tica ainda comum nos anos 1970, n\u00e3o seria nada bem recebida.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quem n\u00e3o p\u00f4de estar em uma das 104 apresenta\u00e7\u00f5es da turn\u00ea do disco tem de se contentar com o \u201cdeve ter sido\u201d, j\u00e1 que nenhuma filmagem profissional capturou o show na \u00edntegra. As \u00fanicas op\u00e7\u00f5es s\u00e3o: assistir a um bootleg que um grupo de f\u00e3s editou como podia, juntando algumas poucas filmagens amadoras para tentar que casassem com capta\u00e7\u00f5es de \u00e1udio de \u00f3tima qualidade; ou assistir a apresenta\u00e7\u00e3o da The Musical Box, uma banda cover dedicada a fazer um verdadeiro cosplay do Genesis, que conseguiu se reunir com Peter Gabriel para juntar ideias e lembran\u00e7as e reconstruir os shows da turn\u00ea da forma mais fiel poss\u00edvel. Os projetores e outros elementos c\u00eanicos funcionam, mas a capta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi feita por f\u00e3s, gerando um resultado tamb\u00e9m aqu\u00e9m do esfor\u00e7o da banda.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Back in N.Y.C. Illustrated\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Wdj6k_c2cSE?list=PLxcz3koPi1mi1cxYT07DgaxXlznuf-4P4\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Musical Box The Lamb Lies Down on Broadway FULL SHOW HD\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OlX4moDYEmA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro problema com a turn\u00ea original de \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d foram algumas das fantasias usadas por Gabriel que, apesar de um efeito visual espetacular, atrapalhavam o uso adequado do microfone. Por exemplo, na m\u00fasica \u201cThe Lamia\u201d, um cilindro de tecido estampado com as tr\u00eas figuras mitol\u00f3gicas girava em torno do vocalista e os membros da banda relembram que n\u00e3o era incomum que o cabo do microfone enroscasse no tecido e gerasse problemas. Era tamb\u00e9m o caso do grotesco Slipperman, que sa\u00eda de um t\u00fanel em formato de p\u00eanis e tinha uma cabe\u00e7a gigante e nada pr\u00e1tica, dentro da qual era dif\u00edcil respirar ou fazer com que a voz chegasse ao microfone.<\/p>\n<figure id=\"attachment_85678\" aria-describedby=\"caption-attachment-85678\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-85678\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/17-Rare-genesis-the-lamb-lies-down-on-broadway-live-dvd-5535-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"565\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/17-Rare-genesis-the-lamb-lies-down-on-broadway-live-dvd-5535-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/17-Rare-genesis-the-lamb-lies-down-on-broadway-live-dvd-5535-copiar-300x226.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-85678\" class=\"wp-caption-text\"><em>A estrutura de The Lamia, que \u00e0s vezes enroscava no cabo dos microfones<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Phil Collins chegou a lamentar, na entrevista de 2007, o espa\u00e7o que esses elementos c\u00eanicos estavam tomando. \u201cEu meio que estava come\u00e7ando a achar que a m\u00fasica estava sendo ofuscada pela parte visual, que estava fora de controle. Quer dizer, a ideia de ter proje\u00e7\u00f5es atr\u00e1s de n\u00f3s era fant\u00e1stica! Pena que n\u00e3o funcionou\u201d. Em outro momento, ele contemporiza: \u201cFoi aventureiro e ousado, e diferente de todo mundo. E n\u00f3s temos de ser gratos de termos estado todos numa mesma banda e vivendo aquela experi\u00eancia. S\u00f3 n\u00e3o acho que foi muito musical\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sete anos depois, na entrevista para John Edgington, Collins ainda tinha algo mordaz a dizer a respeito, imaginando a rea\u00e7\u00e3o pasma do p\u00fablico: \u201cO que est\u00e1 acontecendo? N\u00e3o sei, um monte de coisas estranhas, mas\u2026 Oh! L\u00e1 est\u00e1 o Pete, saindo de um pinto gigante!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mike Rutherford e Steve Hackett, na mesma entrevista de 2014, foram um pouco mais positivos. Embora Mike tenha ressaltado o fato de que a energia da banda estava comprometida pela sensa\u00e7\u00e3o de que logo iriam se separar de um amigo de longa data, ele comenta em outro momento: \u201cOs shows foram OK. Mas n\u00f3s est\u00e1vamos pedindo muito da plateia\u201d, ao que Hackett acrescenta que \u201cN\u00f3s continuamos tocando esse show por algum tempo, chegou a nove meses. E, eventualmente, o p\u00fablico absorveu a ideia, e se apaixonou por ela.\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"GENESIS REUNION 2014: &quot;THE LAMB LIES DOWN ON BROADWAY&quot;  - STEVE, PETER ,TONY, MIKE, PHIL\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LZSihx2b1N8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<figure id=\"attachment_85679\" aria-describedby=\"caption-attachment-85679\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-85679 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/18-Noticia-concerto-3-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"434\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/18-Noticia-concerto-3-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/18-Noticia-concerto-3-copiar-300x174.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-85679\" class=\"wp-caption-text\"><em>Em Portugal, a recep\u00e7\u00e3o dos shows nos dias 6 e 7 de Mar\u00e7o de 1975 foi positiva.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lan\u00e7amento do \u00e1lbum certamente ajudou. Especialmente membros da plateia que assistiram os shows na por\u00e7\u00e3o europeia da turn\u00ea haviam tido tempo de se familiarizar com o conte\u00fado dos dois discos e se preparar para o show.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E n\u00e3o s\u00f3 dos discos: parte da m\u00e1gica do \u00e1lbum, que contribui imensamente para a sensa\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica de \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d \u00e9 seu projeto gr\u00e1fico. Esse projeto ambicioso e marcante foi elaborado pelo famoso est\u00fadio Hipgnosis, respons\u00e1vel por capas ic\u00f4nicas como as de \u201cThe Dark Side of The Moon\u201d do Pink Floyd, \u201cPrologue\u201d do Renaissance e, mais recentemente, \u201cFrances the Mute\u201d do The Mars Volta, para citar uns poucos exemplos. O encarte do disco cl\u00e1ssico do Genesis \u00e9 todo feito com fotografias e fotocolagens em preto e branco, assinadas pelo artista visual Storm Thorgerson. O estilo fotorrealista de retratar situa\u00e7\u00f5es absurdas \u2014 como na capa do disco, onde Rael salta da fotografia para observar a si mesmo em outros dois quadros \u2014 contrasta com as capas com pinturas coloridas de Paul Whitehead e Betty Swanwick que adornavam os discos anteriores. Peter Gabriel descreveu Storm como uma figura exc\u00eantrica, sard\u00f4nica e que estava sempre sendo rude com as outras pessoas, mas muito boa de se trabalhar em projetos criativos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_85680\" aria-describedby=\"caption-attachment-85680\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-85680\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/19-Genesis-The-Lamb-Lies-Down-On-Broadway-Gatefold-cover-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"356\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/19-Genesis-The-Lamb-Lies-Down-On-Broadway-Gatefold-cover-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/19-Genesis-The-Lamb-Lies-Down-On-Broadway-Gatefold-cover-copiar-300x142.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-85680\" class=\"wp-caption-text\"><em>Detalhe do encarte, mostrando o projeto gr\u00e1fico da Hipgnosis e a diagrama\u00e7\u00e3o do conto escrito por Gabriel<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem aparentemente concorda com a pot\u00eancia criativa de Storm \u00e9 Tony Banks. Apesar das desaven\u00e7as quanto ao componente narrativo do \u00e1lbum, o tecladista elogiou o resultado final do encarte. No v\u00eddeo de 2007 que acompanha as remasteriza\u00e7\u00f5es, ele comenta: \u201cEu acho que funciona muito bem, com a ideia de mostrar algumas das imagens da hist\u00f3ria. E acho que tem certa qualidade de graphic novel, o que eu gosto bastante, porque sou f\u00e3 de graphic novels!\u201d. A reinven\u00e7\u00e3o est\u00e9tica no som e na identidade visual da banda estava posta no disco. Mas uma nova reinven\u00e7\u00e3o viria a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rea\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica e do p\u00fablico ao disco e \u00e0 turn\u00ea n\u00e3o foram das mais animadoras para a banda. Aquele que seria o \u00faltimo show da turn\u00ea em Toulouse, na Fran\u00e7a, foi cancelado por conta de baixa procura pelos ingressos. E, como Peter Gabriel j\u00e1 estava decidido a sair da banda para ter mais previsibilidade em sua vida, apenas uma recep\u00e7\u00e3o milagrosa e muito lucrativa teria alguma chance de faz\u00ea-lo mudar de ideia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Peter Gabriel acabou voltando \u00e0 ind\u00fastria da m\u00fasica em 1977, com o single de bastante sucesso \u201cSolsbury Hill\u201d. do primeiro de uma s\u00e9rie de quatro \u00e1lbuns chamados \u201cPeter Gabriel\u201d. A outra metade da equa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m continuou tocando, e antes mesmo de Gabriel o Genesis lan\u00e7ou um de seus maiores cl\u00e1ssicos, \u201cA Trick of the Tail\u201d, em 1976. Enquanto a carreira musical de Gabriel continuou adentrando ainda mais o experimentalismo e a est\u00e9tica contempor\u00e2nea, \u201cA Trick of The Tail\u201d (e alguns dos \u00e1lbuns seguintes do Genesis) marcou um retorno \u00e0 sonoridade e a alguns temas de fantasia, antes de a banda seguir o caminho mais pop pelo qual \u00e9 mais lembrada. Phil Collins comenta que uma marca deixada por \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d na banda foi o estilo de composi\u00e7\u00e3o baseado em improvisa\u00e7\u00f5es. \u201cFoi assim que \u2018I Can\u2019t Dance\u2019 come\u00e7ou, foi assim que \u2018No Son of Mine\u201d come\u00e7ou. Todas as m\u00fasicas pelas quais as pessoas disseram que a gente tinha se vendido tiveram essa mesma abordagem. Era a mesma banda\u201d, contou em 2007.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Peter Gabriel - Intruder (Live In Athens 1987)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yxA8I2edT1o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Genesis HD 1987 \u2013 Land Of Confusion \u2013 Live Concert London\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KQaUORApySw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Dez anos depois do \u00e1pice de criatividade, tens\u00f5es e decep\u00e7\u00f5es que foi \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d, as duas partes respons\u00e1veis pelo disco tinham atingido patamares que eram impens\u00e1veis em suas carreiras em 1974. E, com o tempo, a opini\u00e3o da cr\u00edtica e de f\u00e3s do Genesis foi reconhecendo o valor art\u00edstico e simb\u00f3lico do \u00e1lbum, como sua nona posi\u00e7\u00e3o entre os \u201c50 Melhores Discos do Rock Progressivo da Rolling Stone\u201d pode atestar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da j\u00e1 mencionada reconstru\u00e7\u00e3o da turn\u00ea pela The Musical Box, \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d foi tamb\u00e9m tocado na \u00edntegra pela The Rock Orchestra (que n\u00e3o \u00e9 exatamente uma orquestra), al\u00e9m de analisado linha a linha na \u201cvers\u00e3o anotada\u201d. O designer computacional e artista gr\u00e1fico Nathaniel Barlam fez uma adapta\u00e7\u00e3o visual em motion comics (uma hist\u00f3ria em quadrinhos com alguns elementos animados) de todas as m\u00fasicas do \u00e1lbum (abaixo). Nathaniel aparentemente se baseia numa leitura da hist\u00f3ria comum entre alguns grupos de f\u00e3s: a de que Rael nunca deixa Nova York, com os elementos m\u00edticos sendo s\u00edmbolos para o psicol\u00f3gico de Rael e\/ou alucina\u00e7\u00f5es de sua mente por alguma condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mental ou uso de drogas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Lamb Lies Down on Broadway Complete [No Audio]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6ZyYqz2KBWw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto independente recebeu o apoio dos contribuintes do Patreon de Barlam. Fica a curiosidade se o projeto agradou o f\u00e3 de graphic novels Tony Banks.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco foi tamb\u00e9m tema de um livro. Alguns anos ap\u00f3s o lan\u00e7amento do \u00e1lbum, Peter Gabriel tentou tirar do papel a ideia de um filme baseado no conceito central do \u00e1lbum, no qual o m\u00fasico brit\u00e2nico colaboraria com Alejandro Jodorowsky, fechando o ciclo de rela\u00e7\u00f5es entre o cinema e o disco. Mas a tentativa n\u00e3o vingou.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-85681\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/genesis1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/genesis1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/genesis1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/genesis1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1998, o primeiro material oficial extra\u00eddo da turn\u00ea foi lan\u00e7ado: os primeiros dois discos do box \u201cGenesis Archive: 1967-75\u201d re\u00fanem grava\u00e7\u00f5es do show completo no Shrine Auditorium de Los Angeles, realizado em 24 de Janeiro de 1975, com alguns dos vocais regravados. E dois dias antes dos 50 anos do disco, foi anunciada uma edi\u00e7\u00e3o especial comemorativa em vinil, CD e Blu-Ray, apresentando novas remasteriza\u00e7\u00f5es, incluindo uma convers\u00e3o para Dolby ATMOS feita por Bob Mackenzie e supervisionada por Banks e Gabriel (acima). Tamb\u00e9m est\u00e3o inclusos um livro com a hist\u00f3ria do disco, entrevistas, uma reprodu\u00e7\u00e3o do p\u00f4ster da turn\u00ea, e uma nova vers\u00e3o do show no Shrine Auditorium, incluindo as vers\u00f5es in\u00e9ditas de \u201cWatcher of the Skies\u201d e \u201cThe Musical Box\u201d, tocadas no bis, ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o de \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d na \u00edntegra<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Archive #1 (1967 - 1975)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_kushs4cemsyi45bVouP3lePrXAI75S7XM\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Responder se \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d \u00e9 menor, maior ou exatamente do tamanho de suas ambi\u00e7\u00f5es depende de uma avalia\u00e7\u00e3o pessoal. O tamanho desta reportagem j\u00e1 indica um tanto da estima pelo \u00e1lbum. Quem n\u00e3o gosta de art-rock, rock progressivo e experimentalismo certamente n\u00e3o concordar\u00e1 com a opini\u00e3o de que \u201cThe Waiting Room\u201d \u00e9 uma das coisas mais impressionantes criadas nas \u00faltimas cinco d\u00e9cadas. Ou que a can\u00e7\u00e3o mais famosa do disco, o single \u201cCarpet Crawlers\u201d, \u00e9 um dos cl\u00e1ssicos mais bonitos e de letra mais po\u00e9tica do rock no geral. Para muitas pessoas, os jovens do Genesis certamente ser\u00e3o tachados ainda mais de pretensiosos, por conta da m\u00fasica e hist\u00f3ria esquisitas de \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, como diz o \u00faltimo verso-trocadilho de \u201cit\u201d, em uma par\u00f3dia dos Rolling Stones e prov\u00e1vel recado para a cr\u00edtica e a ind\u00fastria da m\u00fasica: \u201cIt\u2019s only knock and know all, but I like it!\u201d (\u201cS\u00e3o s\u00f3 cr\u00edticas e sabe-tudos, mas eu gosto!\u201d).<\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/22\/especial-aos-50-anos-os-temas-de-the-lamb-lies-down-on-broadway-disco-classico-do-genesis-mantem-sua-relevancia\/\"><strong>LEIA A PARTE 1<\/strong><\/a><\/span><\/h1>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Lamb Lies Down on Broadway (2007 Stereo Mix)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_lJCA3U2TL11PYx7z3L41Ifqem9fThVAkc\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/BrunoPinguim47\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno de Sousa Moraes<\/a>\u00a0migrou das ci\u00eancias biol\u00f3gicas para a comunica\u00e7\u00e3o depois de um curso de jornalismo cient\u00edfico. Desde ent\u00e3o, publica mat\u00e9rias sobre ecologia e conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, e est\u00e1 se arriscando pelo jornalismo musical.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o, mixagem e os significados da fic\u00e7\u00e3o confusa e simb\u00f3lica apresentada por \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d. E a turn\u00ea que se seguia ao disco e outros aspectos do que aconteceu depois do lan\u00e7amento.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/29\/especial-os-50-anos-do-classico-the-lamb-lies-down-on-broadway-do-genesis-e-a-turne-que-separou-peter-gabriel-da-banda\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":136,"featured_media":85682,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2627,7500],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85665"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/136"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85665"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85665\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":85692,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85665\/revisions\/85692"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/85682"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}