{"id":85420,"date":"2024-11-22T00:10:39","date_gmt":"2024-11-22T03:10:39","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=85420"},"modified":"2025-01-29T00:33:12","modified_gmt":"2025-01-29T03:33:12","slug":"especial-aos-50-anos-os-temas-de-the-lamb-lies-down-on-broadway-disco-classico-do-genesis-mantem-sua-relevancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/22\/especial-aos-50-anos-os-temas-de-the-lamb-lies-down-on-broadway-disco-classico-do-genesis-mantem-sua-relevancia\/","title":{"rendered":"Especial (1\/2): Aos 50 anos, os temas de \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d, disco cl\u00e1ssico do Genesis, mant\u00eam sua relev\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto especial de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/BrunoPinguim47\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Moraes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTire seus dedos dos meus olhos\u201d. Estas s\u00e3o as primeiras palavras do encarte do disco \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d da banda brit\u00e2nica (at\u00e9 ent\u00e3o) de rock progressivo Genesis. Essas seriam as primeiras palavras da obra para algu\u00e9m segurando o long play em 22 de novembro de 1974, quando ele chegou pela primeira vez \u00e0s prateleiras de lojas de discos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto do encarte, impresso nas duas faces internas da capa de papel\u00e3o do vinil, \u00e9 disposto em v\u00e1rios par\u00e1grafos entremeados com fotomontagens em preto e branco, se assemelhando a um artigo de jornal ou revista impressa. N\u00e3o correspondendo \u00e0s letras das m\u00fasicas, que est\u00e3o dispostas nos envelopes de papel que protegem cada disco de vinil, o estranho texto do encarte \u00e9 uma narrativa complementar \u00e0 hist\u00f3ria contada nos quatro lados do \u00e1lbum duplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surreal, sat\u00edrico e m\u00edstico, o texto de abertura de &#8220;The Lamb Lies Down on Broadway&#8221;, escrito por Peter Gabriel sem participa\u00e7\u00e3o dos outros membros da banda, j\u00e1 come\u00e7a a pregar pe\u00e7as em quem l\u00ea nesta primeira frase: ao segurar a capa do vinil com a m\u00e3o aberta no centro, esconde-se com os dedos uma fotografia do protagonista da hist\u00f3ria, Rael, tapando os olhos da figura que, na foto em quest\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o tem a boca.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-85422\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/02-Keep-Your-Fingers-Out-of-My-Eye-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1006\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/02-Keep-Your-Fingers-Out-of-My-Eye-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/02-Keep-Your-Fingers-Out-of-My-Eye-copiar-224x300.jpg 224w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de se tocar da piada de Gabriel (n\u00e3o \u00e9 de se imaginar que tenha sido uma constata\u00e7\u00e3o r\u00e1pida em um mundo sem internet) e retirar os dedos dos olhos e possivelmente dos ouvidos de Rael, seria poss\u00edvel prosseguir com a leitura a caminho de casa e da sua vitrola. No processo de (tentar) entender a narrativa do \u00e1lbum na sua totalidade, quem devora com aten\u00e7\u00e3o percebe que Rael \u2013 que usa sua boca, ou a de Peter Gabriel, para cantar cheio de bravatas e macheza a maior parte das can\u00e7\u00f5es \u2013 \u00e9 uma figura que combina com o isolamento total evocado pelos olhos, boca e ouvidos tapados da piada de abertura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria de &#8220;The Lamb Lies Down on Broadway&#8221; \u00e9 a de uma banda de jovens artistas que se conheceram numa escola privada inglesa e, ap\u00f3s cinco \u00e1lbuns de est\u00fadio e uma turn\u00ea mundial, decidiram gravar um \u00e1lbum extremamente ambicioso. Um \u00e9pico contempor\u00e2neo e, novamente, m\u00edstico, concebido em meio a uma turbul\u00eancia t\u00e3o intensa de aspectos t\u00e9cnicos, art\u00edsticos e pessoais que a banda se separou depois da turn\u00ea do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9, tamb\u00e9m, como diz a abertura, a hist\u00f3ria de Rael, e n\u00e3o da figura sobrenatural que assina o encarte. Considerado um dos melhores \u00e1lbuns de rock progressivo de todos os tempos (<a href=\"https:\/\/www.rollingstone.com\/music\/music-lists\/50-greatest-prog-rock-albums-of-all-time-78793\/genesis-the-lamb-lies-down-on-broadway-1974-42665\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Top 9 na lista da Rolling Stone<\/a>), um dos <a href=\"https:\/\/www.albumoftheyear.org\/user\/trindade31\/list\/8643\/1001-albums-you-must-hear-before-you-die-complete\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1001 discos para se ouvir antes de morrer<\/a>, Discoteca B\u00e1sica da fase cl\u00e1ssica da Revista Bizz (<a href=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEhGyWPZwOEV9eZbY3CyK6SBkethj4kqq2DS486h0zN0JVcz1la0K03vc9ytl2_b-EiAtQctfASJ8KiaDAnfIVaPC_ZWrYoR_Hg4tFD8xTd-P65O7EEF8A3_-XpH1V9KWqh33Hsnl1mhEC5Q\/s1600\/33.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">edi\u00e7\u00e3o 67<\/a>) e chamado de \u201c<a href=\"https:\/\/www.newyorker.com\/culture\/culture-desk\/the-ulysses-of-concept-albums\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o &#8216;Ulisses&#8217; dos \u00e1lbuns conceituais<\/a>\u201d pela renomada New Yorker, o final da hist\u00f3ria de &#8220;The Lamb Lies Down on Broadway&#8221; justifica o fato de que, ao se tapar os olhos de Rael, \u00e9 outra figura que protesta &#8211; esta coincid\u00eancia entre os olhos de Rael e os de outros seres \u00e9 uma mensagem importante para os tempos atuais. Mas, calma: melhor come\u00e7ar&#8230; pelo in\u00edcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma que a vers\u00e3o original do \u00e1lbum, em vinil duplo, esta reportagem ter\u00e1 duas partes. Comecemos ent\u00e3o com a agulha repousando suavemente sobre os primeiros sulcos do Lado A.<\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Lado A: Da G\u00eanese \u00e0 Revela\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1967 nascia o Genesis, composto por alunos da escola interna de Charterhouse, em Surrey, Inglaterra. Era o mesmo ano em que Jimi Hendrix e os Doors lan\u00e7avam seus dois primeiros \u00e1lbuns, t\u00e3o relevantes para a expans\u00e3o est\u00e9tica do rock quanto os contempor\u00e2neos \u201cSgt. Pepper\u2019s Lonely Hearts Club Band\u201d dos Beatles e os tamb\u00e9m estreantes \u201cThe Velvet Underground and Nico\u201d, \u201cThe Piper At the Gates of Dawn\u201d do Pink Floyd e \u201cSurrealistic Pillow\u201d do Jefferson Airplane. No internato, destinado apenas a garotos vindos de fam\u00edlias de elite e classe m\u00e9dia-alta, os m\u00fasicos que depois viriam a se tornar o Genesis se conheceram, vindos de outras duas bandas: Peter Gabriel, Tony Banks e Chris Stewart eram, respectivamente, o vocalista, o tecladista e o baterista da Garden Wall. Anthony Phillips e Mike Rutherford tocavam no Anon, respectivamente respons\u00e1veis pela guitarra e contrabaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Genesis The Knife Live in Bataclan 1973 Rework HD\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WFN5JwUrPqI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sete anos depois, o Genesis havia passado pela grava\u00e7\u00e3o de quatro \u00e1lbuns e algumas mudan\u00e7as de forma\u00e7\u00e3o. O quinteto que hoje \u00e9 considerado a fase cl\u00e1ssica do Genesis, consistindo, desde o \u00e1lbum \u201cNursery Cryme\u201d (1971), dos veteranos Gabriel (vocais, flautas e tamborim), Banks (teclados e viol\u00e3o ac\u00fastico) e Rutherford (contrabaixo e viol\u00e3o de doze cordas, \u00e0s vezes combinados em um instrumento de dois bra\u00e7os) junto aos ent\u00e3o rec\u00e9m-chegados Steve Hackett (guitarra el\u00e9trica e ac\u00fastica) e a Phil Collins (bateria e eventuais e prof\u00e9ticos vocais) havia se consolidado como um nome forte do rock progressivo. Com \u00e1lbuns marcantes como o pr\u00f3prio \u201cNursery Cryme\u201d, \u201cFoxtrot\u201d (1972) e o \u00e0s vezes subestimado \u201cTrespass\u201d (de 1970 e ainda com o fundador Anthony Phillips nas guitarras e o terceiro baterista, John Mayhew), a banda conquistou espa\u00e7o como um dos principais expoentes do estilo pastoral do rock progressivo ingl\u00eas, que trazia uma forte influ\u00eancia do folk brit\u00e2nico na sonoridade e nos temas, hist\u00f3rias fant\u00e1sticas da Europa e da Inglaterra antiga, medieval, elizabetana, vitoriana e de tantas eras passadas. N\u00e3o raramente, os temas hist\u00f3ricos ou fant\u00e1sticos do passado eram alegorias para o momento presente da ilha que j\u00e1 foi centro de um imp\u00e9rio brutal, agora em queda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda tamb\u00e9m havia ganhado muita confian\u00e7a em seu talento art\u00edstico desde os primeiros singles e do \u00e1lbum de estreia \u201cFrom Genesis to Revelation\u201d (1969), no qual ainda buscavam uma identidade. Demonstrando carisma, inventividade e veia teatral admir\u00e1veis, Peter Gabriel levava aos palcos narrativas, esquetes e mudan\u00e7as de figurino, com um n\u00famero de personagens ic\u00f4nicos como a Raposa, a Flor, Brit\u00e2nia, o Velho Rei Cole e tantos outros mais. \u00c0 \u00e9poca de concep\u00e7\u00e3o de &#8220;The Lamb Lies Down on Broadway&#8221;, o Genesis havia encerrado sua primeira grande turn\u00ea internacional, levando esse universo m\u00e1gico para os palcos de pa\u00edses como Alemanha, Su\u00ed\u00e7a, Canad\u00e1 e Estados Unidos na primeira turn\u00ea propriamente dita da banda pela Am\u00e9rica do Norte, uma vez que, anteriormente, eles tinham realizado apenas dois shows no continente, na Universidade de Brandeis em Massachusetts e no Philharmonic Hall de Nova York, durante a turn\u00ea do disco &#8220;Foxtrot&#8221;. A recep\u00e7\u00e3o explosiva de \u201cSelling England by the Pound\u201d, quinto disco do grupo, fez com que a banda levasse suas ideias, sonoridade e est\u00e9tica exageradamente brit\u00e2nicas para cidades como Montreal, Los Angeles, Detroit e Nova York. A plateia tinha a possibilidade de saber o que esperar do Genesis ao vivo, devido ao \u00e1lbum \u201cGenesis Live\u201d (1973), que re\u00fane m\u00fasicas de duas apresenta\u00e7\u00f5es em sua terra natal durante a turn\u00ea do \u00e1lbum \u201cFoxtrot\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Musical Box - Genesis | The Midnight Special\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tIO-3Zj_QfY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem n\u00e3o podia antecipar o impacto de conhecer melhor os Estados Unidos \u2013 ex-col\u00f4nia e atual imp\u00e9rio, herdeiro do espa\u00e7o tir\u00e2nico da Inglaterra \u2013 eram as jovens estrelas de Surrey. Em especial, andar pelas ruas de Nova York, um dos \u00f3rg\u00e3os vitais daquele novo imp\u00e9rio, fez com que ideias diferentes come\u00e7assem a germinar nas mentes do Genesis, em especial a de Peter Gabriel. Em maio de 1974, retornando \u00e0 Inglaterra para fazer os \u00faltimos dois shows da turn\u00ea (em Bristol e Londres), era \u00f3bvio para a banda e para Tony Stratton-Smith, dono da gravadora Charisma Records, que era hora de pensar no pr\u00f3ximo \u00e1lbum de ideias mirabolantes e m\u00fasica potente e cuidadosamente composta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os \u00e1lbuns do Genesis at\u00e9 ent\u00e3o vinham se tornando cada vez mais voltados a um conceito central, embora nenhum tivesse uma narrativa \u00fanica. \u201cSelling England By The Pound\u201d, por exemplo, contava uma s\u00e9rie de hist\u00f3rias sobre as zonas rurais e urbanas da Inglaterra. Era um disco onde uma reflex\u00e3o sobre o estado econ\u00f4mico e cultural do pa\u00eds dividia espa\u00e7o com um conto sat\u00edrico sobre uma briga de gangues, uma medita\u00e7\u00e3o sobre as transforma\u00e7\u00f5es trazidas pelo tempo e at\u00e9 mesmo uma hist\u00f3ria de amor que colidia Shakespeare e a juventude do princ\u00edpio dos anos 1970. Fazia sentido que o pr\u00f3ximo disco se aventurasse por intensificar ainda mais a abordagem de construir um \u00e1lbum com um tema central. Faltava apenas decidir qual seria este tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7ava a\u00ed o primeiro de muitos impasses da hist\u00f3ria de produ\u00e7\u00e3o de &#8220;The Lamb Lies Down on Broadway&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Genesis I Know What I Like (Live 1973 Shepperton Reworked)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CubzEiY42zk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Lado B: Composi\u00e7\u00f5es conturbadas e ratos nas paredes<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em junho de 1974, os membros do Genesis se mudaram temporariamente para a Headley Grange, um espa\u00e7o de retiro criativo, ensaio e grava\u00e7\u00e3o de m\u00fasica, estabelecido na estrutura de uma antiga \u201cworkhouse\u201d, termo que denota uma esp\u00e9cie de abrigo administrado pelo poder p\u00fablico brit\u00e2nico, onde pessoas despossu\u00eddas poderiam morar e trabalhar, algo entre um abrigo p\u00fablico e uma oficina. Apesar de nem um pouco despossu\u00eddos, os ex-alunos do caro internato Charterhouse tamb\u00e9m morariam e trabalhariam ali, a exemplo de grupos como o Led Zeppelin, que comp\u00f4s e gravou partes dos \u00e1lbuns &#8220;Led Zeppelin III&#8221;, &#8220;Led Zeppelin IV&#8221;, &#8220;Houses of the Holy&#8221; e &#8220;Physical Graffiti&#8221; na Headley Grang &#8211; Robert Plant escreveu a letra de \u201cStairway to Heaven\u201d em um \u00fanico dia l\u00e1. Consciente de que a banda queria trabalhar em um \u00e1lbum duplo, a Charisma alugou o espa\u00e7o por tr\u00eas meses. Ainda no primeiro m\u00eas come\u00e7aram as primeiras discuss\u00f5es sobre qual deveria ser o conceito do disco.<\/p>\n<figure id=\"attachment_85423\" aria-describedby=\"caption-attachment-85423\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-85423\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/04-Genesis-in-1974-at-Headley-Grange-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/04-Genesis-in-1974-at-Headley-Grange-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/04-Genesis-in-1974-at-Headley-Grange-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-85423\" class=\"wp-caption-text\"><em>Genesis em 1974 na Headley Grange: da esquerda para a direita, Phil Collins, Mike Rutherford, Tony Banks, Peter Gabriel e Steve Hackett \/ Foto de Michael Ochs<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo uma entrevista disposta no livro \u201cThe Book of Genesis\u201d (1984), de Hugh Fielder, v\u00e1rias ideias foram trazidas \u00e0 mesa sobre qual deveria ser esse conceito. Uma das concorrentes mais comentadas pela banda era uma adapta\u00e7\u00e3o do livro \u201cO Pequeno Pr\u00edncipe\u201d (1943), de Antoine de Saint-Exup\u00e9ry, e Mike Rutherford parecia gostar bastante dessa ideia. O conto infanto-juvenil com mensagens sobre a sociedade materialista e as rela\u00e7\u00f5es interpessoais poderia at\u00e9 ser adequado para um segundo ou terceiro \u00e1lbum do Genesis, mas a banda j\u00e1 havia passado por t\u00f3picos maduros demais antes de 1974. Na mesma entrevista, reproduzida no artigo \u201c<a href=\"https:\/\/www.bloovis.com\/pages\/lamb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Annotated Lamb Lies Down on Broadway<\/a>\u201d, Peter Gabriel classifica a ideia como \u201cmuito ultrapassada e sentimental\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao inv\u00e9s do \u201cPequeno Pr\u00edncipe\u201d, o mesmo Peter Gabriel apresentou uma ideia original e mais provocadora: explorar o contraste vivenciado pela banda nos Estados Unidos em compara\u00e7\u00e3o ao universo tem\u00e1tico e est\u00e9tico do Genesis at\u00e9 ent\u00e3o. Se \u201cSelling England By the Pound\u201d era um disco sobre a Inglaterra, tanto a do passado como a do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, os tempos davam sinal de mudan\u00e7a: \u201cEu acho que isso foi numa era pr\u00e9-punk, mas parecia haver algo no ar que me fazia sentir que o disco n\u00e3o poderia ser aquele tipo de coisa pomposa, folcl\u00f3rica, bonitinha e rural\u201d, Gabriel comentou <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=LZSihx2b1N8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em uma entrevista em 2014<\/a>, conduzida por John Edgington em comemora\u00e7\u00e3o dos 40 anos do disco. \u201cEnt\u00e3o eu tinha algo que claramente tinha influ\u00eancia do filme \u2018Amor, Sublime Amor\u2019 (1961) em mente, que levaria o disco para uma paisagem mais urbana, mas tamb\u00e9m com um elemento de \u2018O Peregrino\u2019,\u201d completa o artista, fazendo alus\u00e3o ao romance crist\u00e3o do S\u00e9culo XVII escrito por John Bunyan, que se utilizava de uma narrativa on\u00edrica para apresentar li\u00e7\u00f5es sobre a moral e a teologia crist\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Impactado tamb\u00e9m pelo western simb\u00f3lico \u201cEl Topo\u201d (1970), do controverso diretor Alejandro Jodorowsky, que se utilizava da ambienta\u00e7\u00e3o e de algumas conven\u00e7\u00f5es do g\u00eanero de cinema de faroeste para contar sua pr\u00f3pria alegoria espiritual sobre tenta\u00e7\u00e3o e transcend\u00eancia, Gabriel decidiu que sua pr\u00f3pria narrativa m\u00edstica tamb\u00e9m teria um pouco do experimentalismo psicod\u00e9lico e surreal do longa-metragem. Enquanto \u201cEl Topo\u201d transpunha as met\u00e1foras sobre ilumina\u00e7\u00e3o espiritual para um filme de faroeste, \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d centra suas met\u00e1foras em um personagem que poderia ser coadjuvante em \u201cAmor, Sublime Amor\u201d, o musical sobre gangues de rua em Nova York, compostas por pessoas de popula\u00e7\u00f5es marginalizadas devido a sua origem geogr\u00e1fica e racial: Rael era, assim como a gangue dos Sharks do musical de 1961, um jovem porto-riquenho que cresceu em meio \u00e0 contraven\u00e7\u00e3o e \u00e0 viol\u00eancia nas ruas de Nova York.<\/p>\n<figure id=\"attachment_85427\" aria-describedby=\"caption-attachment-85427\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-85427\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/05-El-Topo-e-West-Side-Story-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/05-El-Topo-e-West-Side-Story-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/05-El-Topo-e-West-Side-Story-copiar-300x133.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-85427\" class=\"wp-caption-text\"><em>P\u00f4ster de &#8220;El Topo&#8221; e cena de&#8221; West Side Story&#8221;. Da colis\u00e3o entre a est\u00e9tica surrealista e simb\u00f3lica do primeiro e o clima urbano e conflituoso do segundo nasce a ideia do \u00e1lbum.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia de Gabriel \u00e9 que o disco contasse a hist\u00f3ria desse personagem t\u00e3o at\u00edpico no c\u00e2none de narrativas do Genesis, e que o personagem fosse das ruas da megal\u00f3pole novaiorquina para uma s\u00e9rie de situa\u00e7\u00f5es bizarras e contradit\u00f3rias, ao longo do caminho percebendo algo transcendente sobre si pr\u00f3prio e sobre a realidade a sua volta. E, obviamente, se fosse para o disco contar essa hist\u00f3ria \u2014 que o vocalista tinha certeza de que conseguiria convencer os amigos a abra\u00e7ar \u2014 ela deveria ser totalmente concebida e escrita pelo pr\u00f3prio Peter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa segunda ideia j\u00e1 n\u00e3o foi t\u00e3o f\u00e1cil de convencer os amigos a abra\u00e7ar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assistindo \u00e0 entrevistas com a banda, \u00e9 recorrente que eles frisem o quanto o processo de escrita e composi\u00e7\u00e3o at\u00e9 ali costumava ser bastante democr\u00e1tico. Mesmo os \u201cnovatos\u201d Hackett e Collins conseguiam seu lugar \u00e0 mesa na hora de propor ideias. O Genesis se orgulhava de ser um grupo de compositores, e o processo colaborativo era um dos pilares do funcionamento do conjunto. A ideia de separar a banda em duas, com Gabriel cuidando da hist\u00f3ria e de todas as letras, enquanto os outros membros trabalhariam nas melodias que combinassem com cada \u201ccap\u00edtulo\u201d do estranho conto elaborado pelo cantor, ia contra o modus operandi que funcionara t\u00e3o bem at\u00e9 ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, este foi o caminho tomado. Mas essa primeira fissura no Genesis foi sendo agravada, e outros problemas come\u00e7aram a surgir. Certamente estarem todos morando juntos enquanto trabalhavam por horas e engoliam pequenos rancores n\u00e3o ajudava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lugar onde isso tudo se deu parecia ajudar menos ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEu me lembro de dirigir at\u00e9 Headley Grange. Eu estava com a Andie [Bertorelli], minha primeira esposa. E a Joely (primeira filha) tamb\u00e9m estava com a gente,\u201d conta Phil Collins, na anedota que abre a ic\u00f4nica entrevista feita em 2007 para o lan\u00e7amento das vers\u00f5es remasterizadas dos \u00e1lbuns cl\u00e1ssicos do Genesis, atualmente dispon\u00edvel no YouTube (assista abaixo). \u201cE era como adentrar um romance de [Charles] Dickens. Janelas quebradas e ratos por toda parte! O Bad Company tinha usado o espa\u00e7o, e o Led Zeppelin tamb\u00e9m (&#8230;), mas eu acho que ningu\u00e9m deu uma limpeza antes de a gente chegar. Ent\u00e3o a gente andava e dois ou tr\u00eas ratos passavam correndo. Eles paravam e olhavam pra n\u00f3s, como quem diz \u2018algum problema?!\u2019 (&#8230;) E eu estava com a minha filha pra passar essa primeira noite l\u00e1. \u00c0 noite, deitado na cama, era poss\u00edvel ouvir os ratos andando. Era um lugar que n\u00e3o dormia nunca!\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Lamb Lies Down On Broadway Reissues Interview 2007\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ejs1G2yLBM8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo ap\u00f3s uma boa limpeza, os ratos continuaram por l\u00e1. E, na opini\u00e3o de alguns dos membros, n\u00e3o apenas eles. Logo em seguida, no mesmo v\u00eddeo, Steve Hackett comenta: \u201cEu estava conversando com Robert Plant em algum momento, e ele disse: \u2018Sabe? Eu estou convencido de que aquele lugar \u00e9 assombrado!\u2019 e eu respondi: \u2018Eu tamb\u00e9m!\u2019 Eu ouvia os sons \u00e0 noite e quase n\u00e3o conseguia dormir. Era um lugar estranho\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curiosamente, a pr\u00f3xima situa\u00e7\u00e3o a agravar as tens\u00f5es entre a banda tamb\u00e9m tinha a ver com o terror e o sobrenatural: o diretor de \u201cO Exorcista\u201d (1973), William Friedkin. Em algum momento de 1974, o cineasta havia feito alguns telefonemas e conseguido entrar em contato com Peter Gabriel. Ele contou ao m\u00fasico que havia lido o conto impresso no encarte do j\u00e1 mencionado \u201cGenesis Live\u201d, de autoria de Gabriel, e gostado muito de suas ideias. Friedkin tinha uma proposta para o m\u00fasico: trabalhar em colabora\u00e7\u00e3o, trazendo ideias para pelo menos o seu pr\u00f3ximo filme, que faria parte de um projeto de Friedkin de renovar o estilo de conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias em Hollywood. Pelas conversas ao telefone (para as quais Peter deixava a banda e o novo disco para tr\u00e1s na Headley Grange e sa\u00eda de bicicleta em dire\u00e7\u00e3o a uma cabine telef\u00f4nica, os bolsos cheios de moedas de 10 pence) ficou claro que, se a colabora\u00e7\u00e3o de brainstorming desse certo, Gabriel poderia ser parte dessa chamada renova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como as fontes mais abundantes dessa hist\u00f3ria s\u00e3o os pr\u00f3prios m\u00fasicos do Genesis, \u00e9 dif\u00edcil imaginar qual era a vis\u00e3o de Friedkin para uma \u201cnova\u201d Hollywood, uma vez que <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/10\/a-era-mais-criativa-de-hollywood\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o diretor j\u00e1 estava inserido na chamada \u201cNova Hollywood\u201d<\/a>, um conjunto de produ\u00e7\u00f5es que se esfor\u00e7aram para avan\u00e7ar para al\u00e9m das conven\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas, narrativas e morais da Hollywood cl\u00e1ssica. O que a banda pode falar com bastante propriedade \u00e9 que ningu\u00e9m recebeu bem a ideia de que Gabriel \u2014 que j\u00e1 havia pisado em alguns calos ao insistir na realiza\u00e7\u00e3o do seu conceito e em cuidar sozinho das letras \u2014 se afastasse por algumas semanas para trabalhar com Friedkin em uma fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que sequer envolveria o resto da banda na trilha sonora, j\u00e1 que o diretor havia ventilado que estava pensando na m\u00fasica c\u00f3smica da banda alem\u00e3 Tangerine Dream. Com os tr\u00eas meses do contrato com a administra\u00e7\u00e3o da Headley Grange chegando ao fim, cada dia de trabalho era crucial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que torna ainda mais absurdo o fato de que Peter pegou um avi\u00e3o e viajou at\u00e9 a Calif\u00f3rnia para se encontrar pessoalmente com o diretor.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"G E N E S I S \/ H E A D L E Y - G R A N G E - L A M B - D E M O S\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EXDNybqcW-Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Phil Collins conta, na entrevista de 2007: \u201cN\u00f3s demos um ultimato para ele: voc\u00ea tem de escolher Friedkin ou ficar com a banda. E a\u00ed ele partiu. E Friedkin reagiu dizendo \u2018Eu n\u00e3o quero acabar com a banda! Eu nem sei se isso vai dar certo!\u2019 e a\u00ed o Peter voltou.\u201d Entre a partida de Gabriel e seu retorno, a banda considerou continuar sem ele. Na mesma entrevista, Collins diz: \u201cAssim que o Peter saiu, minha primeira ideia foi: \u2018Bem, os vocais s\u00f3 atrapalham mesmo, vamos fazer um disco instrumental!\u2019\u201d. Collins brinca logo em seguida, sugerindo que isso seria um suic\u00eddio art\u00edstico. Ter a chance de escutar as grava\u00e7\u00f5es de ensaios da \u00e9poca, chamados de \u201cAs demos de Headley Grange\u201d (acima) ajuda a entender o entusiasmo do ent\u00e3o baterista com a pot\u00eancia instrumental das ideias criadas pela banda at\u00e9 ali. Phil completa, por\u00e9m: \u201cMas essa ideia foi descartada, o que foi a escolha certa e\u2026 A\u00ed o Peter voltou e pouco depois n\u00f3s fomos para o est\u00fadio no Pa\u00eds de Gales\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao final do per\u00edodo de cria\u00e7\u00e3o e ensaios, o Genesis tinha bastante material para encher os quatro lados de um disco duplo. As composi\u00e7\u00f5es iam do en\u00e9rgico ao meditativo, do atmosf\u00e9rico ao flerte com a m\u00fasica acess\u00edvel. A \u00eanfase maior nos teclados obrigou Steve Hackett a reinventar sua abordagem, focando-se mais em atmosferas, riffs e acompanhamentos, com uma presen\u00e7a mais esparsa de solos. Olhando para tr\u00e1s, ele n\u00e3o parece totalmente confort\u00e1vel com isso, mas tanto nos registros das sess\u00f5es da Headley Grange quanto no \u00e1lbum finalizado, \u00e9 muito percept\u00edvel o quanto a limita\u00e7\u00e3o levou a um trabalho de guitarra que se destaca pela originalidade. E faixas como a impactante \u201cFly on a Windshield\u201d trazem linhas proeminentes de guitarra, que ele (junto a muitos dos f\u00e3s) encara com muita empolga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Genetics &amp; Steve Hackett play Fly On A Windshield \/ Broadway Melody Of 1974 (Genesis)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CkephTb7L0Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Steve Hackett revisitando duas faixas do Lamb com a banda argentina Genetics em 2021<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia acabado o per\u00edodo de concep\u00e7\u00e3o inicial do disco. Peter estava de volta, e ficavam para tr\u00e1s os ratos e o clima sinistro de Headley Grange. \u00c0quela altura, a \u00fanica assombra\u00e7\u00e3o com a qual o Genesis sabia que tinha de lidar era o fato de que seu vocalista poderia pular fora a qualquer momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Voc\u00ea poder\u00e1 descobrir o que aconteceu a seguir na segunda parte desta reportagem, na pr\u00f3xima sexta-feira (29). Al\u00e9m de tratar da \u2014 tamb\u00e9m problem\u00e1tica \u2014 fase de grava\u00e7\u00e3o, o Lado C desta retrospectiva tratar\u00e1 das m\u00fasicas e da narrativa ficcional presente no disco. J\u00e1 o Lado D ir\u00e1 focar na turn\u00ea de divulga\u00e7\u00e3o do disco, e outros aspectos do que aconteceu depois do lan\u00e7amento.<\/em><\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/29\/especial-os-50-anos-do-classico-the-lamb-lies-down-on-broadway-do-genesis-e-a-turne-que-separou-peter-gabriel-da-banda\/\">LEIA PARTE 2<\/a><\/span><\/h1>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-85430\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/08-genesis-1974-web-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/08-genesis-1974-web-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/08-genesis-1974-web-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/BrunoPinguim47\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno de Sousa Moraes<\/a>\u00a0migrou das ci\u00eancias biol\u00f3gicas para a comunica\u00e7\u00e3o depois de um curso de jornalismo cient\u00edfico. Desde ent\u00e3o, publica mat\u00e9rias sobre ecologia e conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, e est\u00e1 se arriscando pelo jornalismo musical.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ponto de inflex\u00e3o na carreira do Genesis e de Peter Gabriel, um dos discos da cultura pop do s\u00e9culo XX mais repletos de simbolismos faz 50 anos em uma nova era de interpreta\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/22\/especial-aos-50-anos-os-temas-de-the-lamb-lies-down-on-broadway-disco-classico-do-genesis-mantem-sua-relevancia\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":136,"featured_media":85431,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2627,7500,2666,2626],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85420"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/136"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85420"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85420\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":85697,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85420\/revisions\/85697"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/85431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85420"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85420"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85420"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}