{"id":85144,"date":"2024-11-11T12:50:39","date_gmt":"2024-11-11T15:50:39","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=85144"},"modified":"2024-12-10T00:08:39","modified_gmt":"2024-12-10T03:08:39","slug":"entrevista-mitico-guitarrista-baiano-alvaro-assmar-ganha-biografia-joao-paulo-barreto-fala-sobre-uma-vida-blues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/11\/entrevista-mitico-guitarrista-baiano-alvaro-assmar-ganha-biografia-joao-paulo-barreto-fala-sobre-uma-vida-blues\/","title":{"rendered":"Entrevista: M\u00edtico guitarrista baiano, \u00c1lvaro Assmar ganha biografia. Jo\u00e3o Paulo Barreto fala sobre &#8220;Uma Vida Blues&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/francisco-castro-j%C3%BAnior-368a50117\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Chico Castro Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos estertores de 2017, mais precisamente na manh\u00e3 do dia 18 de dezembro, uma not\u00edcia triste caiu como uma bomba no meio musical baiano: o m\u00fasico \u00c1lvaro Assmar estava morto, vitimado por um enfarte fulminante, aos 59 anos. Sete anos depois, sua vida e suas realiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o lembradas e celebradas no livro \u201c\u00c1lvaro Assmar &#8211; Uma Vida Blues\u201d, escrito pelo jornalista, cr\u00edtico de cinema, beatleman\u00edaco e colaborador do jornal A Tarde e do Scream &amp; Yell, Jo\u00e3o Paulo Barreto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que ningu\u00e9m sabia naquela \u00e9poca \u00e9 que Jo\u00e3o Paulo j\u00e1 estava h\u00e1 tempos em contato com \u00c1lvaro, articulando sua biografia. Infelizmente, n\u00e3o houve tempo para \u00c1lvaro ver o projeto se concretizar. \u201cA ideia de escrever a biografia dele surgiu <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/09\/06\/entrevista-eric-assmar-trio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">de uma entrevista que fiz com seu filho, Eric Assmar<\/a>, em 2016, para o site Scream &amp; Yell. O papo foi gravado na casa do pr\u00f3prio \u00c1lvaro\u201d, conta Jo\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAo terminar a conversa, comentei com \u00c1lvaro que gostaria de marcar uma entrevista nos mesmos moldes com ele. No entanto, seu disco mais recente, at\u00e9 ent\u00e3o, \u201cOld Road\u201d, havia sa\u00eddo dois anos antes, em 2014. Por isso, n\u00e3o havia uma pauta espec\u00edfica de um lan\u00e7amento de um trabalho dele\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vontade de entrevistar o veterano guitarrista, no entanto, persistiu. JP j\u00e1 era f\u00e3 de pai e filho desde os anos 2000: \u201cAo sair da casa de \u00c1lvaro com aquele pensamento de fazer uma entrevista com ele t\u00e3o longa, prazerosa e proveitosa quanto a que havia feito com Eric, cheguei a conclus\u00e3o que a vida do guitarrista de, at\u00e9 ent\u00e3o, 58 anos, renderia algo mais. E o fato do anivers\u00e1rio de 60 anos de \u00c1lvaro se aproximar (faltava menos de dois anos para mar\u00e7o de 2018) seria um gancho ideal para a comemora\u00e7\u00e3o com um livro\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-85147\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Mockup_Alvaro_Assmar-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"521\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Mockup_Alvaro_Assmar-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Mockup_Alvaro_Assmar-copiar-300x208.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns meses se passaram, at\u00e9 que um dia \u00c1lvaro atendeu uma liga\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o no celular. O jornalista lhe apresentou o projeto para o livro \u2018\u00c1lvaro Assmar &#8211; 60 Anos de Blues\u2019, contando sua hist\u00f3ria at\u00e9 ent\u00e3o. &#8220;Ser\u00e1 uma honra, campe\u00e3o&#8221;, respondeu \u00c1lvaro, aquele vozeir\u00e3o de radialista experimentado que ele foi, ribombando no telefone.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAo menos quarenta horas de entrevistas foram captadas com \u00c1lvaro entre novembro de 2016 e outubro de 2017. A ideia era lan\u00e7ar o livro em mar\u00e7o de 2018. \u00c0 medida que ia realizando as entrevistas com \u00c1lvaro, captando a hist\u00f3ria de sua vida de modo cronol\u00f3gico, abordando suas experi\u00eancias como radialista, as bandas em que tocou, seu primeiro contato com os Beatles ainda na d\u00e9cada de 1960, ia, tamb\u00e9m, entrevistando outros nomes que fizeram parte dessa trajet\u00f3ria\u201d, relata Jo\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O biografado chegou a ler seis cap\u00edtulos prontos antes de partir. Ap\u00f3s sua partida, Jo\u00e3o deu uma pausa no projeto. Meses se passaram at\u00e9 que Jo\u00e3o, agora em parceria com Eric, que ia lhe indicando outras fontes, retomasse o projeto. \u201cPercebi que tinha um tesouro em m\u00e3os. Eu era o \u00faltimo jornalista com quem ele havia conversado. Tinha sua voz gravada em um material \u00fanico. Receoso de perder todo aquele tesouro, fiz v\u00e1rios backups, guardando as entrevistas originais em v\u00e1rios HDs diferentes e na nuvem\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quado veio a pandemia, o trabalho voltou a atrasar, j\u00e1 que s\u00f3 poderia colher novos depoimentos de forma virtual. \u201cEm paralelo a isso, precisava levar pra frente meus trabalhos como jornalista, tradutor e curador. Por isso, a demanda de escrita do livro, agora rebatizado de \u2018Uma Vida Blues\u2019, se tornou mais lenta. Mas confesso que, durante aqueles anos pand\u00eamicos, repletos de ang\u00fastia e confinamento, era acalentador levar essa escrita para a frente\u201d, relata.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-85157\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Cad_Fotos_Alvarro_assmar-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"511\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Cad_Fotos_Alvarro_assmar-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Cad_Fotos_Alvarro_assmar-copiar-300x204.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Filho de uma imigrante libanesa (da\u00ed o sobrenome Assmar) com um professor de matem\u00e1tica, \u00c1lvaro se interessou por m\u00fasica logo cedo, e evidentemente, os Beatles tiveram um grande papel nesse seu despertar musical. No livro, Jo\u00e3o resgata diversas hist\u00f3rias da sua inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia. Uma em especial \u00e9 bem saborosa, e d\u00e1 conta da primeira vez que \u00c1lvaro tocou em uma guitarra, durante uma festinha de anivers\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um menino mais velho, dono da guitarra, negou ao futuro guitar hero, ent\u00e3o com apenas oito anos, tirar uma palhinha. Quando todos foram \u00e0 sala bater parab\u00e9ns, o menino \u00c1lvaro correu para o quarto onde a guitarra havia sido deixada e come\u00e7ou a tocar o riff de \u201cDay Tripper\u201d, dos Beatles. Ao ouvir som, os outros meninos correram de volta ao quarto e ficaram embasbacados com o que (ou)viram: \u201cO moleque sabe tocar mesmo\u201d, se admiraram. Eles n\u00e3o faziam ideia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed em diante, \u00c1lvaro n\u00e3o parou mais. Ao longo do livro, JP vai remontando sua hist\u00f3ria, intercalando seus depoimentos com os de outras pessoas, como os membros das bandas Cabo de Guerra, Mar Revolto (dois dos quais tocaram com ele na pioneira banda Blues An\u00f4nimo), produtores, radialistas, jornalistas e at\u00e9 a ministra Margareth Menezes, que cantou em uma faixa de \u201cStandards\u201d (1995), seu \u00e1lbum solo de estreia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m da bel\u00edssima produ\u00e7\u00e3o musical deixada por \u00c1lvaro, outras duas facetas do biografado s\u00e3o bem exploradas no livro: a de produtor de eventos e a de radialista. \u201cAo passar por v\u00e1rias esta\u00e7\u00f5es, \u00c1lvaro tinha um manancial de hist\u00f3rias. Desde seu come\u00e7o na R\u00e1dio Piat\u00e3 e o programa Em Tempo de Jazz, que atraiu anunciantes como o hist\u00f3rico Bar Vag\u00e3o e a loja Sandiz, passando pela Bandeirantes, A Tarde FM e duas passagens pela Educadora, era percept\u00edvel que o livro registraria n\u00e3o somente a vida de \u00c1lvaro, mas, tamb\u00e9m uma parte importante da hist\u00f3ria das r\u00e1dios FM na Bahia\u201d, observa Jo\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c1lvaro lutou muito para se firmar nos palcos baianos, em uma \u00e9poca que gravar discos era algo bem mais dif\u00edcil. E nesse intuito, o cara foi o respons\u00e1vel por tirar o blues do barzinho e coloc\u00e1-lo no palco de grandes teatros. Foi o cara que trouxe para Salvador nomes pilares do estilo para tocar junto com ele no [projeto] Wednesday Blues. N\u00e3o \u00e9 pouca coisa\u201d afirma Jo\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abarrotada de hist\u00f3rias, a biografia de \u00c1lvaro Assmar \u00e9 um bel\u00edssimo trabalho sobre um artista \u00edmpar na m\u00fasica baiana, e uma leitura muito agrad\u00e1vel. Vale conhecer. No papo abaixo, Jo\u00e3o Paulo conversou com Chico Castro Jr. sobre &#8220;\u00c1lvaro Assmar &#8211; Uma Vida Blues&#8221; (que pode ser adquirido on-line na loja <a href=\"https:\/\/www.aqualungrecords.com.br\/pagina-de-produto\/alvaro-assmar-alvaro-assmar-uma-vida-blues-livro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Aqualung Records<\/a>, na Galeria do Rock, em S\u00e3o Paulo, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ou direto com JP no Facebook<\/a>!)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"\u00c1lvaro Assmar | Um Take Um Som\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TtUSlfCDTaU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que te levou a se tornar bi\u00f3grafo de \u00c1lvaro Assmar? Como chegou a ouvi-lo e se interessar por sua hist\u00f3ria?<\/strong><br \/>\nA ideia de escrever a biografia de \u00c1lvaro Assmar surgiu <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/09\/06\/entrevista-eric-assmar-trio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">de uma entrevista que fiz com seu filho, Eric Assmar<\/a>, em 2016, para o site Scream &amp; Yell. O papo foi gravado na casa do pr\u00f3prio \u00c1lvaro, no bairro do Boulevard Su\u00ed\u00e7o. \u00c0 \u00e9poca, ele lan\u00e7ava seu segundo disco, \u201cMorning\u201d. Na mat\u00e9ria, resolvi abordar n\u00e3o somente o lan\u00e7amento, mas, tamb\u00e9m, o \u00e1lbum hom\u00f4nimo e de estreia da Eric Assmar Trio, que havia sa\u00eddo em 2012. Assim, o papo com Eric seguiu por uma linha quase biogr\u00e1fica, de conversar sobre seu processo criativo e sobre sua vida pessoal e profissional. Tanto que rendeu muitas p\u00e1ginas. Ao terminar a conversa, comentei com \u00c1lvaro que gostaria de marcar uma entrevista nos mesmos moldes com ele. No entanto, seu disco mais recente, at\u00e9 ent\u00e3o, \u201cOld Road\u201d, havia sa\u00eddo dois anos antes, em 2014. Por isso, n\u00e3o havia uma pauta espec\u00edfica de um lan\u00e7amento de um trabalho dele que pudesse levar a uma pauta. Mas aquela vontade de conversar com o veterano guitarrista me deixou com uma pulga atr\u00e1s da orelha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comecei a acompanhar \u00c1lvaro e Eric l\u00e1 pelos idos de 2008, quando, ainda na faculdade, fiz uma mat\u00e9ria para uma atividade curricular em que entrevistei a Cavern Beatles, banda na qual Eric tocava. \u00c1lvaro j\u00e1 era um gigante. Naquela fase, cheguei a v\u00ea-lo no projeto M\u00fasica no Parque e sua presen\u00e7a era magn\u00e9tica para os olhares e ouvidos atentos. Como jornalista, para al\u00e9m do cinema, meu campo de atua\u00e7\u00e3o, queria ter meu nome vinculado \u00e0queles her\u00f3is da guitarra baianos. Ao sair da casa de \u00c1lvaro com aquele pensamento de fazer uma entrevista com ele t\u00e3o longa, prazerosa e proveitosa quanto a que havia feito com Eric, cheguei a conclus\u00e3o que a vida do guitarrista de, at\u00e9 ent\u00e3o, 58 anos, renderia algo mais do que isso. E o fato do anivers\u00e1rio de 60 anos de \u00c1lvaro se aproximar (faltava menos de dois anos para mar\u00e7o de 2018) seria um gancho ideal para a comemora\u00e7\u00e3o com um livro. Passaram alguns meses desde aquela visita quando procurei por \u00c1lvaro para lhe apresentar a ideia do livro \u201c\u00c1lvaro Assmar &#8211; 60 Anos de Blues\u201d, no qual pretendia contar sua trajet\u00f3ria at\u00e9 aquele momento. Com a voz grave ao telefone, ele disse: &#8220;Ser\u00e1 uma honra, campe\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<figure id=\"attachment_85152\" aria-describedby=\"caption-attachment-85152\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-85152\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Alvaro-Assmar-ao-vivo-no-Canecao-II-Maio-2010-Foto-Andre-Machado-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1136\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Alvaro-Assmar-ao-vivo-no-Canecao-II-Maio-2010-Foto-Andre-Machado-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Alvaro-Assmar-ao-vivo-no-Canecao-II-Maio-2010-Foto-Andre-Machado-copiar-198x300.jpg 198w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-85152\" class=\"wp-caption-text\"><em>\u00c1lvaro Assmar no Canec\u00e3o, maio de 2010 \/ Foto de Andr\u00e9 Machado<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea come\u00e7ou a pesquisa para o livro com \u00c1lvaro ainda vivo, o que te levou a gravar muitas horas de depoimento dele (quantas?). Qual era o plano original e como foi adapt\u00e1-lo ap\u00f3s sua partida inesperada?<\/strong><br \/>\nAo menos quarenta horas de entrevistas foram captadas com \u00c1lvaro entre novembro de 2016 e outubro de 2017. A ideia era lan\u00e7ar o livro em mar\u00e7o de 2018. \u00c0 medida que ia realizando as entrevistas com \u00c1lvaro, captando a hist\u00f3ria de sua vida de modo cronol\u00f3gico, lhe perguntando sobre suas experi\u00eancias como radialista, as bandas nas quais tocou, seu primeiro contato com a m\u00fasica dos Beatles ainda na d\u00e9cada de 1960, ia, tamb\u00e9m, entrevistando outros nomes que fizeram parte dessa trajet\u00f3ria. A ideia era criar um equil\u00edbrio de fontes em um livro-reportagem, na qual as falas de \u00c1lvaro eram justapostas \u00e0s das pessoas que passaram por sua vida pessoal e carreira musical, bem como radiof\u00f4nica. Nesse ritmo, j\u00e1 fui escrevendo os cap\u00edtulos e passando para a leitura de \u00c1lvaro, que, at\u00e9 seu s\u00fabito falecimento, chegou a ler seis cap\u00edtulos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com sua morte em dezembro de 2017, quatro meses antes de seu anivers\u00e1rio de 60 anos, foi necess\u00e1ria uma pausa para entender o que tinha acontecido. Percebi que tinha um tesouro em m\u00e3os. Eu era o \u00faltimo jornalista com quem ele havia conversado. Tinha sua voz gravada em um material \u00fanico. Receoso de perder todo aquele tesouro, fiz v\u00e1rios backups, guardando as entrevistas originais em v\u00e1rios HDs diferentes, bem como na nuvem. Somente em 2018, meses ap\u00f3s sua partida, que me sentei com Eric Assmar para discutir os rumos que o livro iria tomar. Ele passou a me indicar as fontes, e eu fui realizando as entrevistas e o trabalho bra\u00e7al de transcri\u00e7\u00e3o. Quando 2020 chegou e, com ele, a pandemia, o processo passou a ser mais dif\u00edcil, uma vez que as conversas passaram a ser 100% virtuais. Em paralelo a isso, precisava levar pra frente meus trabalhos como jornalista, tradutor e curador. Por isso, a demanda de escrita do livro, agora rebatizado de \u201cUma Vida Blues\u201d, se tornou mais lenta. Mas confesso que, durante aqueles anos pand\u00eamicos, repletos de ang\u00fastia e confinamento, era acalentador levar essa escrita para a frente.<\/p>\n<div class=\"mceTemp\">\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-85149 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Eu-com-Margareth-Menezes-Gravando-vozes-Tapwin-Studios-1994-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Eu-com-Margareth-Menezes-Gravando-vozes-Tapwin-Studios-1994-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Eu-com-Margareth-Menezes-Gravando-vozes-Tapwin-Studios-1994-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><em>Margareth Menezes no est\u00fadio com \u00c1lvaro Assmar em 1994<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como conseguiu viabilizar o livro? Como foi a campanha no Catarse? Foi dif\u00edcil ou a meta foi alcan\u00e7ada sem dificuldade? H\u00e1 planos para lan\u00e7\u00e1-lo em outras pra\u00e7as?<\/strong><br \/>\nEu e Eric Assmar juntamos for\u00e7a nesse processo. Mas, sem ele, n\u00e3o teria sido poss\u00edvel, uma vez que boa parte do capital partiu dele. Atrav\u00e9s de seus contatos, conseguimos uma parceria com a Bahiag\u00e1s, que entrou com uma cota de patroc\u00ednio. Al\u00e9m disso, fizemos uma campanha de financiamento coletivo no Catarse que, apesar de n\u00e3o ter alcan\u00e7ado sua meta, gerou um valor que ajudou a pagar parte da impress\u00e3o. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/12\/16\/entrevista-nestor-mendes-jr-fala-sobre-seu-novo-livro-bahea-minha-paixao-primeiro-campeao-do-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Em uma outra mat\u00e9ria que escrevi para o Scream &amp; Yell<\/a>, no caso sobre o livro escrito por Nestor Mendes Jr. sobre o Esporte Clube Bahia, conheci o ex\u00edmio designer gr\u00e1fico Alan Maia, da A.M. Comunica. Fiz o convite a ele para participar do projeto, criando a diagrama\u00e7\u00e3o de toda a obra. Sem a expertise de Alan, tamb\u00e9m, n\u00e3o ter\u00edamos conseguido. Foi uma conjun\u00e7\u00e3o de fatores que me fez ter as pessoas certas ao meu lado para finalizar todo o processo, uma vez que ap\u00f3s a escrita, seria necess\u00e1rio selecionar fotos, trabalhar o desenho gr\u00e1fico do projeto para, finalmente, t\u00ea-lo pronto. Sobre os planos de levar o livro para outras pra\u00e7as, temos planejado vend\u00ea-lo, inicialmente, nos shows que Eric Assmar far\u00e1 em outros estados. Por ser um projeto independente, sem editora por tr\u00e1s, tampouco dinheiro de edital p\u00fablico, as dificuldades s\u00e3o muitas, mas acho que ser\u00e1 poss\u00edvel, sim, esgotar os exemplares com as vendas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Seu livro \u00e9 tamb\u00e9m um peda\u00e7o da hist\u00f3ria das r\u00e1dios FM na Bahia, que \u00e9 muito pouco documentada e contada, salvo engano meu. Como foi mergulhar tamb\u00e9m nesse mundo radiof\u00f4nico e descobrir tanta informa\u00e7\u00e3o esquecida?<\/strong><br \/>\nSim. Por ter sido um dos principais nomes do r\u00e1dio em Salvador, passando por v\u00e1rias esta\u00e7\u00f5es, \u00c1lvaro trazia um manancial de hist\u00f3rias. Desde seu come\u00e7o na R\u00e1dio Piat\u00e3 e o programa Em Tempo de Jazz, que conseguiu atrair anunciantes como o hist\u00f3rico Bar do Vag\u00e3o e a loja Sandiz, passando pela R\u00e1dio Bandeirantes, R\u00e1dio A TARDE e as duas passagens pela R\u00e1dio Educadora, era percept\u00edvel para mim que o livro, naquele momento, ganharia um tom de documento que registraria n\u00e3o somente a vida de \u00c1lvaro Assmar, mas, tamb\u00e9m uma parte importante da ind\u00fastria radiof\u00f4nica baiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea v\u00ea o reconhecimento \u00e0 \u00c1lvaro na Bahia e no Brasil, considerando que ele foi um m\u00fasico de um estilo razoavelmente de nicho, que \u00e9 o blues no Brasil?<\/strong><br \/>\nLembro-me de \u00c1lvaro falando sobre a ideia de ser uma pessoa que nasceu na Bahia por acidente. Mas, ao ouvi-lo dizer isso, eu replicava dizendo que talvez tenha sido exatamente isso que fez a diferen\u00e7a para o destaque que ele teve como m\u00fasico de Blues. Claro que, se tivesse nascido em S\u00e3o Paulo, possivelmente sua carreira se apresentaria com mais oportunidades de shows e visibilidade. Mas, estando na Bahia, ele era um dos \u00fanicos a trabalhar esse estilo de forma t\u00e3o ex\u00edmia. E sua presen\u00e7a n\u00e3o passou despercebida aqui. &#8220;Ouvi dizer que o Mississippi um dia desaguou na Bahia&#8230; &#8221; ele canta em \u201cPra Sempre em Minha Vida\u201d, p\u00e9rola contida no disco de 2006, \u201cBlues \u00e0 La Carte\u201d. Na mesma m\u00fasica, ele frisa que &#8220;se houve pedras no caminho, nenhuma teve doze compassos&#8221;. Curioso pensar nesses trechos e em como eles desenham com precis\u00e3o sua luta para se firmar como um m\u00fasico do estilo em um estado como o nosso. Distante de qualquer romantismo aqui, afinal, os boletos chegam, friso que \u00c1lvaro lutou muito para se firmar nos palcos baianos, em uma \u00e9poca que gravar discos era algo bem mais dif\u00edcil do que hoje em dia. E nesse intuito, o cara foi o respons\u00e1vel por tirar o Blues do barzinho e coloc\u00e1-lo em um teatro. Foi o cara que trouxe para Salvador nomes pilares do estilo para tocar junto com ele no Wednesday Blues. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 pouca coisa. Hoje dia, quando muitas pessoas s\u00e3o &#8220;famosas&#8221; apenas por serem &#8220;famosas&#8221; ou por terem seguidores em redes sociais, ver algu\u00e9m que deixa uma marca eterna nas artes surgir \u00e9 algo que merece ser valorizado. Acho que uma coisa que vale ser frisada \u00e9 o fato de &#8220;\u00c1lvaro Assmar &#8211; Uma Vida Blues&#8221; ser o \u00fanico livro biogr\u00e1fico brasileiro com um escopo jornal\u00edstico, uma pesquisa ampla, sobre um artista espec\u00edfico do Blues. Eu e Eric buscamos outros nomes do Blues brasileiro que pudessem ter algum livro biogr\u00e1fico com entrevistas, pesquisa de campo, contrastes de falas entre v\u00e1rias pessoas ligadas a essa estrada bluesy, mas n\u00e3o h\u00e1 um material que se aproxime do que foi feito em termos de pesquisa para &#8220;\u00c1lvaro Assmar &#8211; Uma Vida Blues&#8221;. Existem livros sobre o movimento do Blues no Brasil, mas tendo um \u00fanico personagem como centro, n\u00e3o existe. Ser este livro sobre o precursor do estilo na Bahia \u00e9 algo que me alegra demais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_85148\" aria-describedby=\"caption-attachment-85148\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-85148\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Johnny-Winter-Alvaro-Assmar-I-no-camarim-do-Canecao-Maio-2010-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"434\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Johnny-Winter-Alvaro-Assmar-I-no-camarim-do-Canecao-Maio-2010-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Johnny-Winter-Alvaro-Assmar-I-no-camarim-do-Canecao-Maio-2010-copiar-300x174.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-85148\" class=\"wp-caption-text\"><em>Johnny Winter &amp; \u00c1lvaro Assmar no camarim do Canec\u00e3o, maio de 2010<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A hist\u00f3ria do show com o Johnny Winter \u00e9 uma das muitas de bastidores que voc\u00ea traz no livro e o enriquecem bastante. Como foi cavoucar esse epis\u00f3dio quase esquecido e traz\u00ea-lo \u00e0 tona?<\/strong><br \/>\nEsse foi um momento que eu sabia que renderia muita conversa com \u00c1lvaro, bem como com Luiz Carlini e com Andr\u00e9 Christovam. Por isso, ansiava que o dia desse papo chegasse logo e pudesse falar com \u00c1lvaro sobre isso. Para ele, o convite para formar o trio e abrir o show de um dos seus \u00eddolos foi um dos momentos mais importantes de sua vida. Johnny Winter j\u00e1 havia cancelado uma vinda ao Brasil anteriormente. Sua vinda naquele ano dependia de v\u00e1rios fatores, sendo que o principal era a metadona, medica\u00e7\u00e3o que ele tinha que tomar por conta da recupera\u00e7\u00e3o de um v\u00edcio pregresso em hero\u00edna. Por isso, havia aspectos legais e burocr\u00e1ticos relacionados \u00e0 sua medica\u00e7\u00e3o que exigiam que ele estivesse nos Estados Unidos para receber os rem\u00e9dios. Por isso, sua primeira vinda ao Brasil, em 2007, acabou por ser cancelada. Na segunda, em 2010, por\u00e9m, n\u00e3o houve problemas nesse sentido. Foi o saudoso produtor Silvio Palmeira quem convidou Christovam e sugeriu a forma\u00e7\u00e3o do trio para abrir o show de Johnny Winter no Rio e em S\u00e3o Paulo. Na entrevista com Regis Tadeu, ele me falou que sua impress\u00e3o como espectador foi de que o trio de brasileiros foi uma atra\u00e7\u00e3o melhor que Johnny Winter no palco, por conta da condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica j\u00e1 fr\u00e1gil do cantor estadunidense. Essa condi\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil, por exemplo, o fazia precisar de uma cadeira de rodas para se locomover nos bastidores, antes do show. Lembro de uma hist\u00f3ria que o Christovam me contou acerca de um imbr\u00f3glio gerado na ocasi\u00e3o, uma vez que a produ\u00e7\u00e3o de Winter implicou com a esposa de Carlini em rela\u00e7\u00e3o a uma c\u00e2mera que, supostamente, teria captado essa fragilidade de Winter. Enfim, ap\u00f3s um momento acalorado, a quest\u00e3o foi resolvida entre os m\u00fasicos e os produtores. \u00c1lvaro me falou sobre conhecer pessoalmente um dos seus maiores \u00eddolos, sobre lhe presentear com um CD dele, sobre tirar uma foto com ele. Era percept\u00edvel essa emo\u00e7\u00e3o para o m\u00fasico.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"VandexTV com \u00c1lvaro Assmar  Trio - BERLIM PURO 2017\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jotqORui0xk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"\u00c1lvaro Assmar 2\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/S_SgtwGkkDM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Especial TVE \/ TV Brasil - &quot;\u00c1lvaro Assmar 60 Anos - Uma Homenagem&quot; (2018)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sZcat9nu4hU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"PROJETO WEDNESDAY BLUES 2003 - Melhores momentos.\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6hoMt37SPtk?list=PLiFCtQS3ZrWiIHOVl4OTmzTpjYEQcCZxq\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; Chico Castro Jr. \u00e9 jornalista formado pela Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia. Atualmente, editor do Caderno 2+ do jornal A Tarde, e respons\u00e1vel pelo blog <a href=\"https:\/\/rockloco.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rock Loco<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Abarrotada de hist\u00f3rias, a biografia de \u00c1lvaro Assmar \u00e9 um bel\u00edssimo trabalho sobre um artista \u00edmpar na m\u00fasica baiana. JP fala sobre a biografia nessa conversa com Chico Castro Jr.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/11\/entrevista-mitico-guitarrista-baiano-alvaro-assmar-ganha-biografia-joao-paulo-barreto-fala-sobre-uma-vida-blues\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":85155,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7471],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85144"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85144"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85144\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":85158,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85144\/revisions\/85158"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/85155"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85144"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85144"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85144"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}