{"id":85023,"date":"2024-11-06T00:51:39","date_gmt":"2024-11-06T03:51:39","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=85023"},"modified":"2024-12-07T08:43:13","modified_gmt":"2024-12-07T11:43:13","slug":"songs_of_a_lost_world_the_cure","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/06\/songs_of_a_lost_world_the_cure\/","title":{"rendered":"\u201cSongs Of A Lost World\u201d \u00e9 a obra-prima que poucos esperavam do The Cure em 2024"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Robert Smith falou com a revista Rolling Stone, em Mar\u00e7o de 2019, a respeito do novo disco do The Cure \u2013 o primeiro desde \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/02\/the-cure-the-clash-e-the-smiths\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">4:13 Dream<\/a>\u201d, de 2008 \u2013 muitos n\u00e3o conseguiram esconder o ceticismo com as novas promessas. N\u00e3o que o membro fundador e l\u00edder de um dos mais ic\u00f4nicos grupos da hist\u00f3ria n\u00e3o fosse merecedor da f\u00e9 de seus in\u00fameros seguidores, por\u00e9m, os coment\u00e1rios a respeito de um trabalho in\u00e9dito (\u201cS\u00e3o can\u00e7\u00f5es de 10 minutos, gravamos 19\u201d) ressoavam como improbabilidades no consciente daqueles que j\u00e1 haviam sido pegos de surpresa com o an\u00fancio do depois abandonado projeto \u201c4:14 Scream\u201d, que deveria ter sido lan\u00e7ado em 2014. E mesmo assim, as sempre memor\u00e1veis e apote\u00f3ticas performances ao vivo da banda tornavam dif\u00edcil deixar de lado o sonho de um novo disco dos brit\u00e2nicos. Tudo isso pode ajudar a explicar o verdadeiro j\u00fabilo que \u00e9, finalmente, poder apertar o play em \u201cSongs Of A Lost World\u201d (2024), o mais novo \u00e1lbum de Robert Smith e seus asseclas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claro que as tais promessas propagadas por Smith n\u00e3o eram de todo infundadas: j\u00e1 na mais recente (e antol\u00f3gica) apresenta\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/12\/05\/primavera-sound-sp-the-cure-lava-a-alma-dos-fas-em-fim-de-semana-de-grandes-shows\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">do The Cure no Brasil no Primavera Sound de 2023<\/a>, os f\u00e3s puderam testemunhar o poder de fogo de tr\u00eas das novas composi\u00e7\u00f5es \u2013 \u201cAlone\u201d, \u201cAnd Nothing Is Forever\u201d e \u201cEndsong\u201d \u2013 que figuram no tracklist do mais novo trabalho. E se as can\u00e7\u00f5es j\u00e1 soavam impactantes ao vivo, as atmosferas conjuradas s\u00f3 encontram ainda mais pot\u00eancia em est\u00fadio, principalmente em meio a um repert\u00f3rio que n\u00e3o s\u00f3 faz jus aos mais distintos e excepcionais momentos da longa discografia da banda, como tamb\u00e9m ressalta a import\u00e2ncia do The Cure e do verdadeiro milagre que \u00e9 ver um grupo desta estatura lan\u00e7ando um disco t\u00e3o belo e magn\u00edfico. Sim, meus amigos: a espera e a dura batalha contra o ceticismo valeram a pena. Em \u201cSongs Of A Lost World\u201d, Smith (vocais, guitarras, teclados e baixo), Simon Gallup (baixo), Reeves Gabrels (guitarras), Roger O\u2019Donnell (teclados) e Jason Cooper (bateria) fizeram um trabalho que tem tudo para ser mais um obra-prima em uma carreira recheada delas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-85027\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/cure_lost2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"560\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/cure_lost2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/cure_lost2-300x224.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante fazer refer\u00eancia \u00e0quilo que todos percebem ao escutar a primeira faixa (a j\u00e1 citada \u201cAlone\u201d) assim como o segundo single, a potente \u201cA Fragile Thing\u201d: a voz de Robert \u00e9 um milagre por si s\u00f3. Um f\u00e3 incauto que se deparasse com o novo material poderia pensar estar escutando <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/14\/esse-voce-precisa-ouvir-disintegration-o-apice-do-the-cure\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">sobras de est\u00fadio de \u201cDisintegration\u201d<\/a> (1989), ainda que os m\u00e9ritos do disco passem longe de estarem presos \u00e0s similaridades com \u00eaxitos de outros tempos. Dito isso, a beleza da abertura, que em v\u00e1rios momentos lembra a magnitude de \u201cPlainsong\u201d, \u00e9 not\u00e1vel. Mesmo que o tom baixe com a delicad\u00edssima \u201cAnd Nothing is Forever\u201d e seus pianos, as maravilhosas cordas de O\u2019Donnell fazem com que a cadenciada faixa ressoe fundo gra\u00e7as \u00e0s reflexivas letras (\u201c[&#8230;] Na serenidade de uma l\u00e1grima \/ Enquanto voc\u00ea me abra\u00e7a uma \u00faltima vez \/ No definhar da vida [&#8230;]\u201d). Estas, ali\u00e1s, mostram uma nova perspectiva da mortalidade, ainda que partindo de um compositor que praticamente criou novas formas de se referir \u00e0 finitude da vida dentro da hist\u00f3ria da m\u00fasica pop. Com um olhar mais amadurecido e resoluto, esta reflexividade segue em \u201cWarsong\u201d, mesmo que de uma maneira mais raivosa \u2013 incluindo incr\u00edveis arranjos de seis cordas e vocais de Smith que fazem jus ao t\u00edtulo da can\u00e7\u00e3o gra\u00e7as a versos como \u201cN\u00f3s mentimos um para o outro para esconder a verdade \/ E odiamos a n\u00f3s mesmos por tudo o que fazemos\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"THE CURE :: SONGS OF A LOST WORLD :: FULL LIVE STREAM\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_aWDlaxvEZo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O momento de Simon Gallup brilhar chega, enfim, em \u201cDrone: Nodrone\u201d, uma das mais aceleradas do novo repert\u00f3rio, que traz a mem\u00f3ria \u201cFascination Street\u201d gra\u00e7as ao brilhante encaixe do baixista com os ritmos marcados de Jason Cooper. Em mais um show da versatilidade pela qual a banda acabou ficando conhecida, a barulhenta faixa \u00e9 seguida daquela que talvez seja a mais forte candidata ao pr\u00eamio de mais bela can\u00e7\u00e3o no disco: \u201cI Can Never Say Goodbye\u201d se ampara nos hipn\u00f3ticos arranjos de teclados para construir uma das mais apote\u00f3ticas m\u00fasicas gravadas pelo The Cure no s\u00e9culo XXI. O arranjo, ali\u00e1s, \u00e9 feito para funcionar muito bem ao vivo, juntamente com a faixa que se segue: os ritmos truncados de \u201cAll I Ever Am\u201d podem demorar um pouco para cativar os ouvintes de primeira viagem, mas t\u00eam tudo para conquistar seu lugar nos novos setlists do grupo \u2013 a julgar pela execu\u00e7\u00e3o na \u00edntegra do \u00e1lbum que a banda realizou para a BBC (v\u00eddeo acima) para marcar o lan\u00e7amento do disco (contando com a presen\u00e7a do tamb\u00e9m guitarrista e membro de longa data Perry Bamonte), trata-se de um conjunto de composi\u00e7\u00f5es que devem perdurar em apresenta\u00e7\u00f5es por muitos outros anos. O mesmo vale para os incr\u00edveis mais de 10 minutos de \u201cEndsong\u201d, com ritmos que relembram as passagens mais percussivas de \u201cPornography\u201d (1982) e linhas de guitarra intercaladas entre Smith e Gabrels que brilham como poucos seriam capazes de esperar ouvir, em pleno 2024, do The Cure.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mesmo, no entanto, pode ser dito de \u201cSongs Of A Lost World\u201d, e at\u00e9 mesmo da estatura do The Cure, nos dias atuais. Mais do que simplesmente viver do passado ou se ocupar de recriar os gloriosos momentos vividos entre os anos 80 e 90 \u2013 sem falar, claro, de \u201cBloodflowers\u201d (2000), para muitos o \u00faltimo grande disco lan\u00e7ado pela banda (at\u00e9 agora) \u2013 Robert Smith soa mais seguro de si do que jamais esteve, transparecendo mesmo nos momentos mais desesperan\u00e7osos a maturidade e o senso de desafio inerente <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/04\/23\/discografia-comentada-the-cure\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aos melhores momentos de sua farta discografia<\/a>. Al\u00e9m de possuir uma forma\u00e7\u00e3o desenvolta e para l\u00e1 de competente, o The Cure consegue se provar relevante de uma maneira impens\u00e1vel em meio a seus contempor\u00e2neos, mantendo os olhos no futuro ainda que tomando conhecimento do pr\u00f3prio passado com respeito, e sem nunca soar auto-referente ou complacente para com seu legado. \u201cSongs Of A Lost World\u201d \u00e9, em seus pouco menos de 50 minutos de dura\u00e7\u00e3o, um melanc\u00f3lico, bonito, surpreendente e desafiador tratado de relev\u00e2ncia cultural perpetrado por uma das mais influentes agremia\u00e7\u00f5es musicais da hist\u00f3ria, um acerto de contas com o presente de um dos mais talentosos e singulares compositores de nosso tempo. Mesmo os dezesseis anos de espera que o antecederam se tornam minutos frente \u00e0 imensur\u00e1vel beleza encontrada aqui.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Songs Of A Lost World\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_kp91SA_oJ9dpp3omZN5lZeT2YnfP0eBeg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a>\u00a0\u00e9 professor, tradutor, m\u00fasico, escritor e estudante de Jornalismo.\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/davi-caro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia outros textos de Davi aqui.<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cSongs Of A Lost World\u201d \u00e9, em seus pouco menos de 50 minutos de dura\u00e7\u00e3o, um melanc\u00f3lico, bonito, surpreendente e desafiador tratado de relev\u00e2ncia cultural perpetrado por uma das mais influentes agremia\u00e7\u00f5es musicais da hist\u00f3ria\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/06\/songs_of_a_lost_world_the_cure\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":134,"featured_media":85025,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2580],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85023"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/134"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85023"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85023\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":85033,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85023\/revisions\/85033"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/85025"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85023"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85023"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85023"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}